Mostrando postagens com marcador Suecia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suecia. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de maio de 2026

Cobertura de Show: Enforcer – 07/02/2026 – Burning House/SP

Enforcer faz retorno avassalador e impacta ambiente oitentista em São Paulo 

Quinta passagem da banda contou com a turnê “Unshackle”, trazendo novidades e clássicos que exemplificam o que era o Heavy Metal nos anos de ouro

Entre blocos de marchinhas de rock e bares em ritmo de pré-Carnaval, o bairro da Água Branca teve uma noite que melhor representou um show de Heavy Metal dos anos 80, mesmo que nenhuma das bandas tenham surgido naquela (já longínqua) década.

Isso porque a Burning House, casa de shows nesse bairro da Zona Oeste de São Paulo, recebeu os suecos do Enforcer como banda principal, antecedidos pelos brasileiros do Creatures, no último dia 07 de março. Enquanto a banda paranaense celebrou o lançamento de seu mais recente álbum de estúdio e iniciou a sequência de shows em preparação para sua primeira turnê europeia, os europeus, em sua  quinta passagem em solo nacional, deram sequência em sua turnê sul-americana, a “Unshackle Latin America 2026”, que também contou com uma apresentação em Curitiba.

Tanto a banda de abertura quanto a principal fizeram shows que levaram o público a uma viagem imersa a um clima de anos 1980 na Burning House. O Creatures, em ritmo de preparo para uma turnê internacional, contou com fãs e o apoio do público de modo a fazer uma apresentação de altíssima qualidade. Já o Enforcer, praticamente imparável (fora algumas pausas nos solos de guitarra e bateria), trouxe um setlist bem engrenado com 18 faixas e dois momentos de solo.

Nem mesmo o calor impediu que a lotação fosse concreta na Burning House que, perdão o trocadilho, “pegou fogo” com faixas consistentes e envolventess durante a noite


A experiência oitentista do Creatures

O quarteto paranaense, composto por Marc Brito (vocal), Mateus Cantaleäno (guitarra), CJ Dubiella (bateria) e Ricke Nunes (baixo) pegaram uma Burning House lotada antes mesmo do início do show e com uma base de fãs e admiradores da banda brasileira presentes em todos os cantos do local. 

A lentidão dos transportes, por conta das chuvas do dia, fez com que eu perdesse as três primeiras músicas da noite, “Devil In Disguise”, “Night of the Ritual” e a maior parte de “Beware the Creatures”, podendo ouvir o finalzinho depois da entrada. O ponto de análise, então, se dá a partir do primeiro discurso da noite, feito por Marc Brito, exaltando o Caveira Velha Produções, os primeiros shows da banda no Caveira Velha Rock Bar, em Jandira; e sobre a presença do Creatures no festival alemão de Heavy Metal Keep It True, sendo a primeira banda brasileira em um lineup do evento, considerado um dos mais tradicionais do gênero. Marc também exaltou o Trovão, banda também brasileira que estará na edição Legions do mesmo festival, em agosto deste ano. Logo, o show da Burning House e as apresentações seguintes no Brasil fazem parte da preparação do Creatures para o Keep It True. 

As demonstrações de uma noite épica vieram com "Children of the Moon” e um público cativo e cantando muito nos refrões em uma faixa característica de um som oitentista. "Danger” foi bem conduzida, contando com um solo muito impactante e distorcido da parte de Mateus, além de uma finalização de bateria e público que levantou ainda mais os ânimos do local. 

As energias de banda e plateia seguiram em "Nothing Lasts Forever", onde Mateus Cantaleano teve um bom momento de solo de guitarra antes do início de "Lightning in My Eyes", introduzindo uma faixa que, depois, dentro da faixa, foi antro de interações entre Marc (agachado) e os fãs da grade e parte frontal da pista. Mateus teve outro grande solo no meio da faixa, misturando feeling e técnica.

"Dressed to Die” fechou a experiência oitentista dos brasileiros do Creatures. A “última dança”, como citou Marc Brito, elevou o ritmo com um misto de Heavy e Speed Metal arrasadores do início ao fim, acompanhado dos cantos do público e de um ótimo último solo de guitarra, além de agudos do vocalista ao final que encerraram o show da melhor forma, firmando um aquecimento de respeito para o show principal e exemplificando o motivo de a banda estar em uma ótima fase de reconhecimento nacional e internacional.


Uma noite arrasadora e imparável com Enforcer

Se durante o show do Creatures a Burning House já estava lotada, no intervalo antes do show do Enforcer, a chegada de mais pessoas tornou o cenário ainda mais cheio. Isso significou um misto de ansiedade para o início com confraternização entre o público, em rodas de conversa, de bebidas ou se conhecendo.

Certo foi que a casa ficou ainda mais quente - sem trocadilhos intencionais - quando "Diamonds and Rust", do Judas Priest, tocou como introdução para o início da apresentação inicial. Às 21h03, Jonas Wikstrand (bateria) subiu ao palco do local para iniciar "Destroyer”, primeira das 20 faixas da noite, e animar ainda mais um público que fez barulho na entrada triunfal e enérgica do trio de frente:  Garf Condit (baixo), Jonathan Nordwall (guitarra) e Olof Wikstrand (vocal e guitarra) correram e frearam a corrida para se posicionarem perfeitamente e, além da sonoridade potente, realizarem diversas movimentações ensaiadas.

Pedradas como “Undying Evil”e “Unshackle Me” vieram na sequência, para a alegria do público, com elementos do Heavy Metal dos anos 1980 e com muitos bons solos dos guitarristas. Após breve discurso do vocal, veio as também aclamadas “From Beyond” e “Live For the Night", sendo uma a plenos pulmões da galera e a outra com direito a mosh pit no meio da pista, no embalo de um ritmo mais acelerado e potente da banda.

Os ânimos também tiveram espaço para um momento emocional em meio à velocidade e precisão musicais do Enforcer. Isso porque a banda tocou um cover de "Die Young", do Black Sabbath, gerando ainda mais cantos. A velocidade rítmica seguiu com "Roll the Dice”.

O início lento de "Zenith of the Black Sun” foi um momento breve de descanso físico do público e que logo se converteu a uma sonoridade de Heavy Metal de arena, com riff marcante e heys uníssonos dos fãs, além de ótimo solo de guitarra. Depois, veio a rápida "Coming Alive” para retomar o ritmo frenético no palco e na pista, contando com a técnica dos guitarristas da banda.

Jonas teve seu momento de solo, arregaçando na bateria e emendando com "Diamonds", faixa com ritmo de Heavy Metal clássico. Foi nesse momento que a organização local teve que abrir as portas dos fundos, por conta do calor forte devido a lotação e a noite quente. "Scream of the Savage” veio em seguida para complementar.

Os coros do público voltaram com tudo com "Nostalgia”, em intro de violão, coros e balanços de mãos a pedido da banda, além de outro ótimo solo de finalização. Depois vieram faixas como "Mesmerized by Fire” e a comemorada “Running in Menace", reforçando a característica clássica de Heavy Metal dos suecos. A performance é digna de uma boa banda, de coreografias a pulinhos no palco dos membros.

Jonathan Nordwall também teve seu momento de solo, executando sem desperdiçar uma nota e com total feeling. “One With Fire” foi a faixa que veio em seguida, “botando mais fogo” Burning House com sua velocidade rítmica absurda. Vale citar que, nesse momento, o vocal de Olof continuava impecável e sem falhas.

“Take Me Out of This Nightmare” foi outra faixa muito comemorada e cantada na noite, sendo um dos maiores picos de interação entre banda e público. Houve uma pequena pausa antes do retorno, para executar as faixas finais.

"Katana” e “Midnight Vice", clássicos do Enforcer, vieram para encerrar a noite. No caso da primeira, houve comemoração dos fãs logo na introdução, quando Olaf a citou como “Este som japonês" e, na faixa, executaram com total energia. Já a segunda e última contou com uma condição pedida pelo vocalista: que fizessem moshes, stage dives e headbangings sem parar, algo que foi muito bem respondido pela galera.

Todo o clima pré e pós-evento deixou dois pontos muito evidentes. O primeiro é o de que a cena Heavy Metal brasileira está mais viva do que nunca e preservando muito bem o estilo sonoro e visual. O segundo é que, mesmo em meio a todas as contrariedades, o rock segue vivo no Brasil, seja nas releituras, seja nas suas vertentes em geral.

Texto: Tiago Pereira

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Caveira Velha Produções / Xaninho Discos / Solid Music Entertaiment


Creatures – setlist:

Devil in Disguise

Night of the Ritual

Beware the Creatures

Children of the Moon

Danger

Nothing Lasts Forever

Lightning in My Eyes

Dressed to Die


Enforcer – setlist:

Destroyer

Undying Evil

Unshackle Me

From Beyond

Live for the Night

Die Young (cover de Black Sabbath)

Roll the Dice

Zenith of the Black Sun

Coming Alive

Diamonds

Scream of the Savage

Nostalgia

Mesmerized by Fire

Running in Menace

One With Fire

Take Me Out of This Nightmare

Katana

Midnight Vice

sábado, 9 de maio de 2026

The Cruel Intentions: O Sleaze Rock Ainda Vive — e Continua Perigoso (Also In English)

Indie Recordings (Imp.)

Por Flavio Borges

Existe algo perigosamente honesto no som do The Cruel Intentions. Enquanto boa parte da nova geração do sleaze rock se perde entre homenagens plastificadas aos anos 80 e produções excessivamente polidas, o quarteto sueco-norueguês parece compreender que o verdadeiro espírito do gênero nunca esteve apenas na estética decadente, mas principalmente na sensação de urgência, excesso e caos controlado. Em All Hail Hypocrisy, a banda entrega justamente isso: um disco que soa como gasolina derramada sobre amplificadores valvulados, equilibrando sujeira, melodias gigantescas e uma energia quase punk sem abrir mão da sofisticação de composição.

O detalhe mais impressionante talvez seja a forma como o álbum evita cair na armadilha da nostalgia barata. Sim, existem ecos evidentes de Mötley Crüe, Hanoi Rocks, Backyard Babies e até do punk melódico escandinavo, mas o The Cruel Intentions utiliza essas referências como linguagem, não como muleta. Muito disso passa pela produção cirúrgica de Erik Mårtensson, que consegue manter a agressividade natural da banda intacta enquanto adiciona peso, definição e refrãos gigantescos ao material.

A abertura não perde tempo tentando impressionar artificialmente. Beating in My Chest funciona porque entende exatamente o que um bom opener de sleaze rock precisa entregar: riffs diretos, groove imediato e um refrão construído para explodir ao vivo. A dinâmica entre baixo e bateria merece destaque especial, sustentando a música com uma pulsação quase punk enquanto as guitarras mantêm o clima perigosamente alcoólico que permeia todo o disco. O solo evita exibicionismos desnecessários e trabalha em função da música — algo raro em um estilo tradicionalmente dominado pelo excesso.

Living Out of Line mais cadenciada, a faixa mostra um lado composicionalmente mais maduro da banda. Os versos trabalham tensão de maneira eficiente antes de desembocar em um refrão extremamente acessível, sem soar genérico. O interessante aqui é como o The Cruel Intentions consegue inserir elementos clássicos do hard rock oitentista dentro de uma estrutura que carrega muito mais urgência punk do que glamour sunset strip. O solo, especialmente melódico, adiciona profundidade emocional a uma música que poderia facilmente ter se limitado ao básico.

All Hail Hypocrisy, a faixa-título representa o coração conceitual e sonoro do álbum. Existe um senso quase hínico na construção do refrão, enquanto os backings vocais transformam tudo em algo absurdamente contagiante. O trabalho de baixo é particularmente forte aqui, adicionando peso e movimento constante à composição. A influência de Erik Mårtensson aparece de forma evidente na arquitetura da faixa: cada detalhe parece calculado para maximizar impacto sem comprometer espontaneidade. A aceleração final é puro êxtase sleazy.

Triple Threat, aqui o álbum abraça sem reservas sua faceta mais agressiva. A música trafega entre hard rock clássico e punk escandinavo com naturalidade impressionante, impulsionada por um baixo absurdamente presente e guitarras que nunca param de empurrar a faixa para frente. Os backings funcionam quase como um elemento percussivo adicional, enquanto a ponte pesada antes do solo adiciona contraste suficiente para impedir que a música se torne apenas mais um exercício de velocidade. O uso de wah-wah no solo reforça o lado mais vintage da composição sem soar caricatural.

Todo grande disco de sleaze precisa de uma boa balada — mas Wasteland evita completamente os clichês açucarados do gênero. A instrumentação predominantemente acústica cria uma atmosfera intimista que expõe uma vulnerabilidade raramente vista no restante do álbum. Os vocais roucos funcionam perfeitamente dentro da proposta, enquanto as melodias demonstram um cuidado composicional muito acima da média para bandas do estilo. É uma pausa estratégica que amplia ainda mais o impacto das faixas mais explosivas.

Em When Eden Burns o álbum retorna ao território elétrico apostando em um hard rock musculoso e moderno. Existe uma influência clara do hard europeu dos anos 80 e 90, mas reinterpretada sob uma ótica mais contemporânea e menos caricatural. A condução do baixo durante os versos merece atenção especial, adicionando groove e peso simultaneamente. O refrão é gigantesco, enquanto o solo carrega doses generosas de shred sem jamais perder musicalidade.

Pseudo Genius provavelmente a faixa mais visceral do disco. O The Cruel Intentions mergulha de cabeça em uma abordagem quase street punk, lembrando em vários momentos nomes como Toy Dolls e The Hellacopters. Ainda assim, a banda preserva seu DNA melódico intacto. O resultado é explosivo: rápido, sujo, extremamente cantável e surpreendentemente técnico para algo tão agressivo.

À primeira audição, pode parecer uma das composições mais tradicionais do álbum, mas justamente aí reside sua força. Bad Addiction funciona como uma reafirmação estética do sleaze rock clássico, apostando em grooves familiares, refrões diretos e uma estrutura extremamente objetiva. O diferencial aparece novamente nos detalhes: harmonias vocais muito bem construídas e um solo que adiciona identidade suficiente para evitar qualquer sensação de repetição.

Porridge Head é uma das músicas mais interessantes do disco em termos de textura. Os vocais mais limpos criam um contraste inteligente com o restante do álbum, enquanto a bateria adiciona complexidade rítmica inesperada. O refrão carrega ecos quase sessentistas, mas reinterpretados através da sujeira punk característica da banda. É exatamente esse tipo de escolha que impede All Hail Hypocrisy de soar monotemático.

Em Whatcha Gonna Do a influência setentista aparece de forma mais explícita, especialmente nas linhas de guitarra e no trabalho de sintetizadores discretamente inseridos na mixagem. A música cresce progressivamente sem jamais abandonar o foco melódico, culminando em um dos melhores refrões do álbum. O solo é elegante, melódico e perfeitamente posicionado dentro da narrativa da faixa.

Cashed Out, o encerramento, soa como a síntese definitiva do álbum. Tudo está aqui: os coros gigantescos, a energia punk, os riffs carregados de swagger e a sensação constante de que a banda está prestes a perder o controle — ainda que nunca realmente perca. Existe algo quase autobiográfico na maneira como a faixa encerra o disco, como se o The Cruel Intentions estivesse reafirmando sua própria identidade artística diante de uma cena cada vez mais domesticada.

All Hail Hypocrisy não reinventa o sleaze rock — e felizmente nem tenta. O mérito do The Cruel Intentions está justamente em compreender que o gênero sobrevive menos pela inovação estrutural e mais pela autenticidade da entrega. O quarteto encontra o equilíbrio raro entre caos e precisão, sujeira e refinamento, nostalgia e relevância contemporânea.

Em um cenário onde muitos discos de hard rock moderno soam excessivamente calculados, All Hail Hypocrisy acerta porque transpira perigo, espontaneidade e paixão genuína pelo rock ’n’ roll. E, no fim das contas, talvez seja exatamente isso que esteja faltando para a maioria das bandas atuais.

***ENGLISH VERSION***

There’s something dangerously honest about The Cruel Intentions’ sound. While much of the new generation of sleaze rock gets lost somewhere between plasticized tributes to the ’80s and overly polished productions, the Swedish-Norwegian quartet seems to understand that the true spirit of the genre was never just about decadent aesthetics, but rather about urgency, excess, and controlled chaos. On All Hail Hypocrisy, the band delivers exactly that: a record that sounds like gasoline spilled over tube amplifiers, balancing dirt, gigantic melodies, and near-punk energy without sacrificing compositional sophistication.

Perhaps the album’s most impressive achievement is the way it avoids falling into the trap of cheap nostalgia. Yes, there are obvious echoes of Mötley Crüe, Hanoi Rocks, Backyard Babies, and even Scandinavian melodic punk, but The Cruel Intentions use those references as a language rather than a crutch. Much of that comes down to the surgical production work of Erik Mårtensson, who manages to preserve the band’s natural aggression while adding weight, clarity, and massive choruses to the material.

The opener wastes no time trying to impress artificially. Beating in My Chest works because it understands exactly what a proper sleaze rock opener needs to deliver: direct riffs, immediate groove, and a chorus built to explode live. The chemistry between bass and drums deserves special mention, holding the song together with an almost punk-like pulse while the guitars maintain the dangerously intoxicated atmosphere that permeates the entire record. The solo avoids unnecessary showmanship and serves the song itself — something surprisingly rare in a genre traditionally dominated by excess.

More restrained in tempo, Living Out of Line reveals a more compositionally mature side of the band. The verses build tension efficiently before crashing into an extremely accessible chorus without ever sounding generic. What stands out here is how The Cruel Intentions inject classic ’80s hard rock elements into a structure driven far more by punk urgency than Sunset Strip glamour. The particularly melodic solo adds emotional depth to a song that could easily have settled for simplicity.

The title track, All Hail Hypocrisy, represents the conceptual and sonic core of the album. There’s an almost anthemic quality to the way the chorus is constructed, while the backing vocals turn everything into something absurdly infectious. The bass work is especially strong here, adding both weight and constant movement to the composition. Erik Mårtensson’s influence becomes obvious in the song’s architecture: every detail feels carefully designed to maximize impact without sacrificing spontaneity. The final acceleration is pure sleaze-fueled euphoria.

With Triple Threat, the album fully embraces its most aggressive side. The track moves naturally between classic hard rock and Scandinavian punk, driven by an outrageously prominent bass performance and guitars that never stop pushing the song forward. The backing vocals almost function as an additional percussive layer, while the heavy bridge before the solo adds enough contrast to prevent the song from becoming just another exercise in speed. The wah-wah-driven solo reinforces the track’s vintage spirit without ever sounding cartoonish.

Every great sleaze record needs a proper ballad — but Wasteland completely avoids the genre’s sugary clichés. Its predominantly acoustic instrumentation creates an intimate atmosphere that exposes a vulnerability rarely heard elsewhere on the album. The raspy vocals fit the mood perfectly, while the melodies reveal a compositional care far above the average for bands operating within this style. It’s a strategic breather that ultimately makes the heavier moments hit even harder.

With When Eden Burns, the album returns to electric territory through muscular, modern hard rock. There’s a clear influence from European hard rock of the ’80s and ’90s, but reinterpreted through a more contemporary and less caricatured lens. The bass work during the verses deserves particular praise, simultaneously adding groove and heaviness. The chorus is enormous, while the solo delivers generous amounts of shred without ever sacrificing musicality.

Pseudo Genius is probably the most visceral track on the record. The Cruel Intentions dive headfirst into an almost street-punk approach, recalling bands such as Toy Dolls and The Hellacopters at various moments. Still, the band preserves its melodic DNA intact. The result is explosive: fast, dirty, highly singable, and surprisingly technical for something so aggressive.

At first listen, Bad Addiction may seem like one of the album’s most traditional compositions, but that is precisely where its strength lies. The track works as an aesthetic reaffirmation of classic sleaze rock, relying on familiar grooves, direct choruses, and an extremely objective structure. Once again, the difference lies in the details: carefully crafted vocal harmonies and a solo that adds enough personality to avoid any sense of repetition.

Porridge Head stands as one of the album’s most interesting songs in terms of texture. The cleaner vocal approach creates an intelligent contrast with the rest of the record, while the drumming introduces unexpected rhythmic complexity. The chorus carries almost ‘60s-like echoes, reinterpreted through the band’s signature punk-infused dirtiness. It’s exactly this kind of songwriting choice that prevents All Hail Hypocrisy from becoming sonically one-dimensional.

On Whatcha Gonna Do, the ’70s influence becomes more explicit, particularly in the guitar lines and the subtle synthesizer work embedded in the mix. The track grows progressively without ever abandoning its melodic focus, culminating in one of the strongest choruses on the album. The solo is elegant, melodic, and perfectly placed within the song’s narrative arc.

Closing track Cashed Out feels like the definitive synthesis of the album. Everything is here: massive gang vocals, punk energy, swagger-drenched riffs, and the constant sensation that the band is on the verge of completely losing control — even though they never actually do. There’s something almost autobiographical in the way the song closes the record, as if The Cruel Intentions were reaffirming their artistic identity against an increasingly domesticated rock scene.

All Hail Hypocrisy does not reinvent sleaze rock — and thankfully, it never tries to. The Cruel Intentions’ greatest strength lies precisely in understanding that the genre survives less through structural innovation and more through authenticity of delivery. The quartet finds a rare balance between chaos and precision, filth and refinement, nostalgia and contemporary relevance.

In a landscape where so many modern hard rock records sound excessively calculated, All Hail Hypocrisy succeeds because it radiates danger, spontaneity, and genuine passion for rock ’n’ roll. And ultimately, that may be exactly what most bands are missing today.

Jørn Veberg


segunda-feira, 30 de março de 2026

Confess: Do Caos ao Controle (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os suecos do Confess chegam a 2026 com Metalmorphosis, quarto álbum de estúdio que marca um claro passo adiante na evolução sonora da banda. Lançado pela Frontiers Music Srl e produzido por Erik Mårtensson (Eclipse), o trabalho equilibra com precisão a crueza do sleaze metal com um refinamento melódico mais evidente, ampliando o alcance sem comprometer a identidade construída ao longo dos anos.

A abertura, “Colorvision”, estabelece imediatamente o tom do disco com uma introdução grandiosa, marcada por corais e uma entrada explosiva. A combinação entre peso e apelo melódico já sinaliza a proposta do álbum: refrões fortes, produção polida e uma dinâmica mais abrangente.

Na sequência, “The Warriors” aposta em uma abordagem mais direta, com influências claras de nomes como Guns N’ Roses e Skid Row. O destaque fica para a inserção inesperada de gaita, que adiciona textura e conduz a uma ponte melódica eficiente. Já “Wicked Temptations” reforça o lado mais acessível do Confess, com um refrão imediato e estrutura pensada para impacto ao vivo.

A faixa-título, “Metalmorphosis”, sintetiza a essência do disco ao unir velocidade, guitarras em dobradinha e forte apelo clássico — em uma sonoridade que remete ao Judas Priest em uma leitura mais voltada ao hard rock. É um dos momentos mais representativos do álbum.

O clima muda com “Beat of My Heart”, uma balada de construção quase acústica que valoriza a interpretação vocal de John Elliot e evidencia o cuidado nos arranjos. Em contraste, “Pursuit Of The Jenny Haniver” retoma a energia com uma composição dinâmica, que evolui para passagens mais elaboradas e surpreendentes na segunda metade.

“The Other Side” mergulha de vez no hard rock melódico, com forte influência estética do próprio Eclipse, enquanto “Running To My Death” apresenta uma das facetas mais pesadas do disco, dialogando com o metal europeu dos anos 80 sem abrir mão de refrões marcantes.

Já “Plague Of Steel” combina referências oitentistas com uma estrutura moderna, alternando riffs consistentes e um refrão altamente acessível, além de um solo que flerta com influências clássicas do hard e do prog (com uma clara homenagem ao Rush). O encerramento fica por conta de “Silvermalen”, uma faixa de caráter épico que cresce em intensidade e complexidade, reunindo elementos acústicos, passagens densas e um dos refrões mais memoráveis do trabalho.

No conjunto, Metalmorphosis apresenta um Confess mais maduro e confiante, capaz de transitar entre peso e melodia com naturalidade. A produção de Erik Mårtensson desempenha papel fundamental nesse resultado, garantindo coesão e impacto sonoro. Trata-se de um álbum sólido, com potencial para figurar entre os destaques do ano dentro do hard/heavy contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

Swedish sleaze metal outfit Confess return in 2026 with Metalmorphosis, their fourth studio album and a record that marks a clear step forward in the band’s sonic evolution. Released via Frontiers Music Srl and produced by Erik Mårtensson (Eclipse), the album strikes a careful balance between the raw edge that defined their earlier work and a more refined melodic approach, broadening their appeal without sacrificing identity. 

Opening track “Colorvision” sets the tone immediately with a grandiose introduction built around choral arrangements and an explosive entry point. The blend of weight and melody encapsulates the album’s core aesthetic: strong choruses, polished production, and a more expansive dynamic range.

“The Warriors” follows with a more stripped-down and direct approach, drawing clear influence from acts such as Guns N’ Roses and Skid Row. The unexpected use of harmonica adds texture and leads into an effective melodic bridge, while “Wicked Temptations” leans into accessibility, delivering an immediate, hook-driven chorus designed with live impact in mind.

The title track, “Metalmorphosis”, captures the album’s essence by combining speed, twin-guitar interplay and a strong classic metal sensibility — evoking Judas Priest through a more hard rock-oriented lens. It stands out as one of the record’s defining moments.

A shift in mood arrives with “Beat of My Heart”, a near-acoustic ballad that highlights John Elliot’s vocal performance and showcases the band’s attention to arrangement detail. In contrast, “Pursuit Of The Jenny Haniver” reintroduces momentum with a dynamic structure that evolves into more elaborate and unexpected passages in its second half.

“The Other Side” dives fully into melodic hard rock territory, strongly reflecting the aesthetic of Eclipse, while “Running To My Death” delivers one of the album’s heaviest moments, nodding to the European metal tradition of the ’80s without abandoning melodic hooks.

“Plague Of Steel” blends old-school influences with a more modern structure, alternating between solid riff work and an accessible chorus, complemented by a solo that subtly channels classic hard rock and progressive elements (with a clear homage to Rush. The album closes with “Silvermalen”, an epic and expansive track that builds in intensity and complexity, combining acoustic textures, heavier passages, and one of the most memorable choruses on the record.

Taken as a whole, Metalmorphosis presents a more mature and confident Confess — a band capable of navigating between weight and melody with ease. Erik Mårtensson’s production plays a crucial role in shaping this outcome, ensuring both cohesion and sonic impact. While not necessarily groundbreaking, it is a strong and well-crafted release with clear potential to feature among the standout hard/heavy albums of the year.

Matias Sulander




quarta-feira, 25 de março de 2026

Alien: Reafirmando Legado e Conexão Com o Público (Also In English)

Pride & Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges

Celebrando décadas de trajetória no hard rock melódico, a veterana banda sueca Alien retorna aos holofotes com Live at Sweden Rock, um registro ao vivo que sintetiza com precisão a força e a relevância de sua carreira. Formado em 1986 e liderado pela voz inconfundível de Jim Jidhed, o grupo consolidou seu nome na cena europeia com clássicos como “Only One Woman” e uma discografia sólida que atravessa gerações.

Gravado durante a aclamada apresentação no Sweden Rock Festival 2025, o álbum captura não apenas a performance da banda, mas também a forte conexão estabelecida com o público. O repertório equilibra com competência grandes sucessos e faixas mais recentes, oferecendo um panorama fiel da evolução musical do Alien.

Para esta apresentação, além do núcleo formado por Jim Jidhed (vocais), Tony Borg (guitarras) e Toby Tarrach (bateria), a banda contou com reforços que ampliaram a densidade sonora: Fredrik Karnell no baixo, Mikael Bäck nos teclados e os backing vocals Jonathan Jaarnek Norén e Kajsa Borg. O resultado é uma sonoridade mais encorpada, com arranjos que se aproximam das versões originais de estúdio.

O setlist transita com naturalidade entre diferentes fases da carreira do grupo. Clássicos como “Tears Don’t Put Out The Fire”, “Go Easy” e “Only One Woman” dividem espaço com composições mais recentes, como “In The End We Fall” e “If Love Is War”, já assimiladas pelo público.

A abertura com “In The End We Fall” estabelece imediatamente o tom energético da apresentação, seguido por “If Love Is War”, que evidencia o papel fundamental dos backing vocals na construção de refrões mais ricos e harmonizados. Na sequência, “Go Easy” surge como o primeiro grande momento nostálgico da noite, executado com precisão e destacando a consistência vocal de Jidhed.

Sem perder o ritmo, “Brave New Love” mantém o nível de intensidade elevado, reforçando a coesão do repertório e a identidade melódica da banda, marcada por refrões fortes e bem trabalhados. Esse padrão se confirma em “Only One Woman”, um dos pontos centrais do show, onde a performance vocal e a resposta do público elevam ainda mais o impacto da faixa.

O tradicional momento instrumental surge em forma de um solo de guitarra enxuto, porém eficaz, no qual Tony Borg demonstra sua técnica sem comprometer o fluxo da apresentação. Em seguida, “Night of Fire” introduz variações rítmicas interessantes, enquanto “I Belong to the Rain” reforça a dinâmica do grupo com guitarras mais incisivas e uma base sólida.

Um dos ápices do show ocorre com “Tears Don’t Put Out the Fire”, recebida com entusiasmo evidente pela audiência e executada de forma impecável. A faixa consolida a sequência de clássicos indispensáveis, reafirmando o peso histórico da banda dentro do gênero.

Na reta final, “Dying by the Golden Rules” mantém o nível de energia elevado, preparando o terreno para o encerramento com “Touch My Fire”. A faixa final, acompanhada pela apresentação dos músicos, funciona como uma síntese da proposta do espetáculo, combinando performance, interação e apelo emocional.

A apresentação no Sweden Rock Festival 2025 marcou o retorno do Alien ao evento após 15 anos, em um momento que reafirma sua relevância no cenário do hard rock melódico. Mesmo em um palco de menor porte, a banda demonstrou sua capacidade de mobilizar o público, atraindo uma audiência crescente e reforçando a longevidade de seu legado.


***ENGLISH VERSION***

Celebrating decades of dedication to melodic hard rock, Swedish veterans Alien return to the spotlight with Live at Sweden Rock, a live release that effectively captures both the strength of their legacy and their enduring relevance. Formed in 1986 and led by the unmistakable voice of Jim Jidhed, the band has built a solid reputation within the European scene, highlighted by classics such as “Only One Woman” and a consistently strong discography.

Recorded during their acclaimed performance at the Sweden Rock Festival 2025, the album documents not only the band’s onstage prowess but also their strong connection with the audience. The setlist is carefully balanced, blending essential hits with more recent material, offering a comprehensive overview of Alien’s musical evolution.

For this performance, the core lineup of Jim Jidhed (vocals), Tony Borg (guitars), and Toby Tarrach (drums) was expanded with Fredrik Karnell on bass, Mikael Bäck on keyboards, and backing vocalists Jonathan Jaarnek Norén and Kajsa Borg. This enhanced lineup adds depth and texture to the sound, resulting in arrangements that closely mirror the richness of the original studio recordings.

The setlist flows naturally across different phases of the band’s career. Signature tracks such as “Tears Don’t Put Out The Fire”, “Go Easy”, and “Only One Woman” are seamlessly interwoven with newer songs like “In The End We Fall” and “If Love Is War”, both of which have already been embraced by fans.

Opening with “In The End We Fall”, the band immediately establishes a high-energy atmosphere, followed by “If Love Is War”, where the importance of layered backing vocals becomes evident, enriching the choruses with strong harmonic support. “Go Easy” marks the first major nostalgic highlight of the show, delivered with precision and showcasing Jidhed’s enduring vocal strength.

Without losing momentum, “Brave New Love” sustains the intensity, reinforcing the cohesion of the set and the band’s melodic identity, built around memorable and well-crafted choruses. This approach reaches one of its peaks with “Only One Woman”, a central moment in the performance, elevated by both the vocal delivery and the audience’s enthusiastic response.

A concise yet effective guitar solo provides a classic live show element, allowing Tony Borg to demonstrate his technical ability without disrupting the flow of the set. “Night of Fire” introduces subtle rhythmic variations, while “I Belong to the Rain” brings a more driving guitar approach supported by a tight and cohesive rhythm section.

One of the standout moments of the performance comes with “Tears Don’t Put Out the Fire”, met with a visibly enthusiastic crowd reaction and executed flawlessly. The track solidifies the sequence of essential classics, reaffirming the band’s historical significance within the genre.

In the final stretch, “Dying by the Golden Rules” keeps the energy levels high, leading into the closing number, “Touch My Fire”. Accompanied by the introduction of the band members, the final track serves as a fitting conclusion, combining performance, audience interaction, and emotional impact.

Alien’s appearance at the Sweden Rock Festival 2025 marked their return to the event after 15 years, reaffirming their standing within the melodic hard rock scene. Even on a smaller stage, the band proved its ability to draw and engage a growing audience, further cementing the longevity and strength of its legacy.



sábado, 30 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Katatonia – 15/11/2024 – Carioca Club/SP

 As trevas astrais anunciaram a aparição do Katatonia em solo nacional

Concebido ao mundo no começo dos anos noventa, o Katatonia ainda se mantém na ativa desde 1991 com modificações sonoras substanciais ocorridas durante a sua trajetória. Tendo as suas origens com um Doom Metal mesclado com fragmentos da cena do Death Metal da famosa cena de Estocolmo, ele possui dois membros que a fundaram: o vocalista Jonas Renkse e o guitarrista Anders “Blakkheim” Nyström, que embora fosse apenas uma “banda de estúdio em seu gênese, os próprios não tinham ideia do escopo que ela eventualmente acabou criando.

Avançando para o ano de 2024, os suecos construíram um histórico relativamente constante com o público brasileiro, tendo comparecido ao nosso país ainda no ano passado. Motivo de surpresa foi o fato de que não teve banda de abertura, fato este que deu um senso mais genuíno de “apresentação única”, não apenas por ter sido o único show no Brasil, mas por não terem sido acompanhados por outro conjunto. Reprisando o tradicional local do conhecido Carioca Club, os escandinavos carregaram a característica da pontualidade, já que exatamente às 21 em ponto, a sonoplastia da casa recebeu uma mudança drástica de tonalidade: era hora de se dar início para a razão da vinda da multidão reunida.

MESMO O CÉU FOI BANIDO

Ainda que tivesse sido em um dia com várias outras atrações disponíveis na capital paulista (feriado, diga-se de passagem), é impressionante que mesmo num horário com uma folga notável do começo, a casa já se encontrara bem tumultuada, sendo a sua culminação natural o enchimento da própria. Quando estamos lidando com veteranos de mais de 3 décadas de experiência, uma audiência fiel é algo que vem com o território.

A pressão sob os ombros dos veteranos era alta para superar a aparição do ano passado. De cara, uma reprise de 2023: uma vez mais, um elemento central do Katatonia, Anders “Blakkheim” Nyström não compareceu, sendo a composição de um quarteto novamente.


A PRESENÇA DO SENHOR DE BAIXO FOI SENTIDA POR TODOS

A música é o filho primogênito das Sete Formas da Arte, e não é por acaso que esse esforço veio a ser. Sendo a primeira manifestação artística registrada pelo homem, toda e qualquer carência de um elemento-chave que criou o fundamento básico de uma banda, ou de músicas queridas por uma fatia do seu público pode ser compensada se uma alteração atmosférica vier a ser invocada. Este aspecto é uma técnica que a entidade conhecida como Katatonia domina de maneira a ensinar como se faz. Características como o teor melancólico que envolvia os perímetros do Carioca Club, a voz de agonia perfurante do vocalista Jonas Renkse e as frases sentimentais da guitarra de Nico Elgstrand viraram uma assinatura registrada durante a apresentação. Quando o musicista realiza uma entrega tão dedicada, para além de uma performance ordinária, você percebe que está diante de um autêntico artista.

Deve se mencionar também que o atual guitarrista Sebastian Svalland não pôde comparecer a atual turnê porque está resolvendo questões referentes ao seu casamento. No entanto, Jonas garantiu que na próxima vez, ele aparecerá de maneira mais “selvagem” para compensar esta falta.

LUA ACIMA, SOL ABAIXO

Alguns dos pontos mais conhecidos ou de maior crítica da banda foram reforçados nesta passagem pelo Brasil durante a turnê do mais novo álbum, “Sky Void of Stars”.

“For My Demons” do aclamado “Tonight’s Decision” é culpada por colocar a capacidade de decibéis de quem estava presente ao teste, ao fazer a plateia cantar em união. “Evidence”, de “Viva Emptiness”, arrancou uma demonstração de euforia por parte do público que se agitou com mais frequência do que o normal.

O tamanho do peso sentimental carregado por “My Twin” foi tão imenso que obrigou ao público a vivenciar mais de perto o que estavam testemunhando, em desfavor do uso ocasional de celulares no meio da apresentação.

“Onward Into Battle” foi facilmente um dos destaques, sendo uma resposta de que a expectativa desta aparição foi cumprida com sucesso, apagando o gosto amargo da vinda do grupo sueco do ano passado, ainda que continue a incerteza no ar sobre o futuro de Blakkheim.


Destaque para Jonas que apresentou uma interação com a audiência (bem) maior do que normalmente faz, mostrando que estava sentindo falta do clima caloroso que o colosso da América Latina é capaz de ofertar, ao ponto de agradecer sistematicamente a presença de quem veio vê-los em plena sexta-feira, com todas as atrações que São Paulo tem a sua disposição. Além de desejar tocar novamente no mesmo final de semana, e se movimentar mais com o restante dos membros enquanto performavam, desafiando um tabu de que não é porque o som deles demanda um clima introspectivo que as pessoas não podem se movimentar mais enquanto o curtem.


Niklas Sandin instigava todos a banguearem quando a oportunidade demandava, e se colocava no limite entre o palco e a pista central em praticamente todos os momentos, traduzindo em atos de que o mesmo se encontrava entusiasmado em ver a casa de show lotada e de que gosta daquilo que faz.


Daniel Moilanen estava observando a tudo e a todos por trás do seu kit de bateria, enquanto também arrancava ações da plateia durante a sua sólida performance das linhas de bateria.


“July”, do memorável “The Great Cold Distance”, foi outro ponto alto da noite, fazendo com que Nico Elgstrand mostrasse a que veio (tendo já se apresentado no Entombed A.D.), ajudando a conjurar a atmosfera estabelecida no local e solidificando a evidência de que guitarras também são capazes de ter sentimentos.

PARA ALGUNS, SOLITUDE E ISOLAMENTO SÃO TAMBÉM BOAS COMPANHIAS

O repertório como um todo realizou um passeio por quase toda a sua discografia. Quase. Foi explícita a ausência de qualquer faixa do ponto inicial da carreira, cravada em sua história pelo conjunto de “Dance of December Souls”, “Brave Murder Day”, e os dois EP “For Funerals To Come” e “Sounds of Decay”, tendo até mesmo a participação do ilustre Mikael Åkerfeldt (conhecido pelo Opeth) durante este período.

Este é um ponto que merece ser revisado, não só em consideração por aqueles ouvintes que os conheceram durante a fase supramencionada, mas também porque o legado que estes lançamentos causaram ao universo do Doom/Death é impossível de ser subestimado.

Ainda que (injustamente) passemos uma borracha por esta fase e consideremos apenas o trabalho oferecido de “Discouraged Ones” em diante, não se pode negar que o Katatonia se mantém como um pilar referencial do som melancólico com cunho gótico, onde até mesmo o seguidor do som mais brutal pode se sentir enfeitiçado pelo clima depressivo e mais lento oferecido pelos “katatônicos”.

Enquanto eles estiverem na ativa, outra vinda sem tanta espera do grupo já é algo garantido em nosso país.

Os parabéns são obrigatórios para toda a equipe da Overload, por terem organizado e gerenciado este registro para marcar o final do ano corrente com uma presença de peso em terras tupiniquins.


Texto: Bruno França 

Fotos: Belmilson Santos (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload


Katatonia – setlist:

Austherity

Colossal Shade

Lethean

Deliberation

Forsaker

Opaline

For My Demons

Leaders

Onward Into Battle

Soil’s Song

Birds

Old Heart Falls

Criminals

My Twin

Atrium

Bis

July

Evidence

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

H.E.A.T: Hard Rockers Suécos Chegam ao Sétimo Álbum e Reestreiam Vocalista


Se nos anos 80 as bandas Norte Americanas de Hard Rock e Melodic Rock eram a grande força, levando o estilo ao mainstream, quando inclusive dominavam as rádios e programas de TV, nos tempos atuais o cenário é diferente, os holofotes da grande mídia já são passado, mas o Hard Rock segue muito vivo e chutando, com muitas boas novas bandas e vários remanescentes dos anos 80 ativos e produzindo.


O celeiro principal hoje está na Europa, e a Suécia está entre os maiores exportadores de Hard Rock e Melodic Rock, com algumas dezenas de ótimos nomes, e um dos destaques sem dúvidas é o H.E.A.T, que desde sua estreia foi caindo nas graças dos fãs do estilo e aos poucos espalhando sua música à outras partes do mundo.




A banda, formada em 2007, acaba de lançar seu sétimo álbum, "Force Majeure", pela gravadora earMusic, que possui em seu catálogo bandas como Deep Purple, Alice Cooper e Skid Row. Inclusive falando nessa última, o vocalista Erik Grönwall, que gravou os quatro álbuns anteriores do H.E.A.T, saiu do grupo para se juntar justamente ao Skid Row.


Com a saída de Erik, a solução foi familiar, o vocalista original, e que gravou os dois primeiros álbuns, Kenny Leckremo, retornou aos vocais.


Erik devolvendo o microfone para Kenny(foto by Fifth Music)

E essa mudança então foi algo que praticamente não mexeu com as estruturas do que a banda vinha fazendo nos mais recentes trabalhos, e trazendo algo da sonoridade dos dois primeiros, que são mais calçados nas inspirações oitentistas e do Melodic Rock.


O H.E.A.T apresentou aos fãs seu Hard com aquelas doses altas de  energia e grandes melodias em músicas como "Hollywood", "Not For Sale", "Nationwide" e a balada "One of Us", onde destilam pitadas das influências dos anos 80, como Whitesnake, Mötley Crüe e Van Halen e estruturas mais atuais desse prolífico cenário europeu. 


A abertura com "Back to the Rhythm" traz a energia já tradicional, sendo que já possível reconhecer de cara a sonoridade dos suécos, com seus riffs e refrãos marcantes, teclado fazendo o fundo e intervindo com alguns efeitos mais modernos de forma precisa e sem exageros.



"Tainted Blood" traz uma levada mais cadenciada, com riffs vigorosos, me remetendo ao Mötley do "Dr Feelgood"; a citada "Hollywood", une as influências 80's , aquela dose de malícia e sonoridades do Hard moderno, refrão com jeitão de hino.


Embora inferior aos antecessores, que possuiam mais momentos marcantes, o H.E.A.T entrega mais um álbum com elementos suficientes para agradar seus fãs e os amantes do Hard Rock e Melodic Rock em geral, simples assim.


"Force Majeure" está disponível nas principais plataformas de streaming e também lançado em CD por aqui pela Shinigami Records.


Texto: Carlos Garcia

Fotos: Divulgação


Banda: H.E.A.T

Álbum: "Force Majeure" 2022

Estilo: Hard Rock, Melodic Rock

País: Suécia

Selo: earMusic/Shinigami Records


Site Oficial


Tracklist


1. Back To The Rhythm 2. Nationwide 3. Tainted Blood 4. Hollywood 5. Harder To Breathe 6. Not For Sale 7. One Of Us 8. Hold Your Fire 9. Paramount 10. Demon Eyes 11. Wings Of An Aeroplane







sábado, 6 de fevereiro de 2021

H.e.a.t: Excelência em Hard/Melodic Rock


"H.e.a.t II" é o sexto álbum dos suecos (o título "II" a banda explicou que o processo de composição foi similar ao de estreia, então seria a "continuação espritual do primeiro, brincaram também que é muito maneiro ter um II romano na capa), e o primeiro produzido inteiramente pela própria banda. 

E se os experimentalismos do anterior, "Into the Unknown", não agradou a todos (particularmente, achei muito bom também), neste eu acredito que os fãs em geral não tem nada a reclamar! Aqui eles retornam ao estilo dos 4 primeitos. Que álbum maravilhoso de Hard, cheio de ótimas melodias e refrãos marcantes.

Melodioso, muito bem executado, polido e com canções empolgantes, daquelas que dá vontade de cantar junto.

Vou citar por exemplo os riffs e teclados marcantes, e o excelente refrão de "Dangerous Ground", que inicia com uma intro de uma ignição de carro ligando para então entrar esse Hardão acelerado e empolgante; a levada Heavy/Blues da pesada e cadenciada de "We Are Gods";  "Adrenaline" e seu jeitão de hit, de ritmo empolgante e aquele refrão explosivo, com os teclados acompanhando a melodia vocal.


Grandes baladas são praticamente praxe em um álbum de Melodic Rock/Hard, e "Nothing to Say" tem todos aqueles elementos clássicos: tocantes melodias do teclado, guitarras acústicas, vocais cheios de emoção, começa naquela levada suave e explode no refrão; 

Destaco ainda o maravilhoso Melodic Rock de "Heaven Must Have Won an Angel", naquele estilo clássico de nomes como Journey ou Europe, belas melodias e solos de guitarra, riffs marcantes, levadas criativas na bateria, grandes teclados e ótimo refrão, com direito aqueles trechinhos com "ô ô ô". 

"II" é um disco dinâmico, tendo músicas explosivas, baladas, Melodic Rocks de melodias marcantes, belo trabalho de guitarras e também um excelente uso de teclados e sintetizadores, enfim, um ótimo álbum do estilo, é o clássico Melodic Rock, que soa atual e revisitado, com a personalidade do H.e.a.t. Altamente recomendado aos fãs e amantes do gênero. Realmente, a Suécia é a atual meca do estilo.

Texto: Carlos Garcia

Banda: H.e.a.t
Álbum: "II"
Estilo: Melodic Rock, Hard Rock
País: Suécia
Selo: Sound City/ear Music/Shinigami Records


Line-up

Erik Grönwall: Vocais
Dave Dalone: Guitarras
Jona Tee: teclados
Jimmy Jay: Baixo
Don Crash: Bateria

Tracklist:

1. Rock Your Body 4:04
2. Dangerous Ground 4:07
3. Come Clean 3:44
4. Victory 4:28
5. We Are Gods 4:11
6. Adrenaline 4:26
7. One By One 3:47
8. Nothing To Say 4:08
9. Heaven Must Have Won An Angel 4:42
10. Under The Gun 3:25
11. Rise 4:18