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quarta-feira, 8 de junho de 2016

A influência do Ocultismo no Rock n' Roll

Screamin' Jay Hawkins
O ocultismo está presente no rock n' roll desde que ele existe. Temas sombrios como feitiçaria, satanismo e criaturas mágicas sempre foram uma grande fonte de inspiração para vários artistas, desde Black Sabbath até Venom, por exemplo. Mas de onde surgiu esse interesse?
Arrisco a dizer que o grande precursor desse fato foi o grande Screamin' Jay Hawkins. O cantor de blues responsável pela composição de 'I Put a Spell On You', mais tarde regravada pelo Creedence Clearwater Revival, tinha um interesse bastante grande em Voodoo, o que ele levava para as suas apresentações (a história diz que o então DJ Alan Freed teria oferecido algum dinheiro a Screamin' Jay para que ele saísse de dentro de um caixão em um de seus shows). Caveiras, bonecos de voodoo, velas e outros objetos faziam parte da sua indumentária, criando um clima sombrio que combinava com sua música. Reza a lenda que nas gravações de 'I Put a Spell On You', a banda estava sob o efeito de alucinógenos, e Screamin' Jay gritava e urrava, o que fez com que a música, composta originalmente para ser uma balada, virasse outra coisa. Algo de outro mundo, quase que como um grito dos infernos.


Creedence Clearwater Revival
Suas letras ganharam aspectos sombrios também, como 'Whistlin' Past The Graveyard', também regravada anos mais tarde, dessa vez por Tom Waits (que leva MUITO do seu 'ídolo' na sua carreira, desde a voz rouca até o teor lírico). A combinação das suas letras macabras com o visual utilizado marcaram época e fizeram com que Screamin' Jay Hawkins fosse visto quase como um profeta. Muitos artistas beberam dessa fonte, e hoje se utilizam dessa inspiração para suas músicas e shows. Depois que se conhece sua obra, é inegável a presença quase mágica de Screamin' Jay em quase todos os artistas que seguiram essa linha artística. Definitivamente, ele moldou todo um estilo, levando o rock (e o blues) a um outro patamar.
Desse interesse visual e de choque, nasceu um outro interesse - o do ocultismo como filosofia em si, não apenas como visual. Blavatsky, Crowley e outros ocultistas famosos eram temas recorrentes para as bandas que surgiram alguns anos depois, como Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple. É conhecida a história de que Jimmy Page comprou a mansão de Boleskine (que perteceu à Crowley), pois além de ser um colecionador, era também um entusiasta da Thelema. Anos mais tarde, Ozzy Osbourne também escreveria sobre a Grande Besta na homônima 'Mr. Crowley', enfatizando um caráter, de certa forma, mais mágico e rebuscado.


Page em frente a mansão de Boleskine
No Brasil, temos o exemplo da grande banda Harppia, com sua música 'Salém (A Cidade Das Bruxas)', que conta a história da cidade com o mesmo nome, da qual teriam saído várias feiticeiras, e 'onde o Mal é eterno'. No mesmo ano, 1985, apareceria também o Sarcófago, já com uma temática bem mais macabra e voltada para o anticristianismo e o satanismo. Também o Sarcófago teria sido responsável pela 'invenção' do hoje mundialmente famoso corpse paint - embora há os que digam que o Ney Matogrosso já havia feito isso antes... HAHAHA.


Aleister Crowley
Fato é - o ocultismo sempre foi uma gigantesca fonte de inspiração para os artistas ligados ao rock n' roll em geral. Talvez pelo rock ser um estilo de contestação, de autoquestionamento e de autogestão, esses artistas tenham se identificado mais com a 'serpente do Éden, que deu o conhecimento do bem e do mal' do que com o 'Criador'. E dessa fonte beberam sua inspiração, o que perdura até hoje.
Graças a Deus.
Ou há quem quer que seja.

Texto por: Caius Caesar
Revisão/edição: Renato Sanson

domingo, 30 de outubro de 2011

666 : mistérios e segredos do "número da Besta"



Devido ao excelente número de acessos em matéria do autor, Adriano Camargo Monteiro, publicada no Road, sendo que ele nos honrou com texto exclusivo para o blog na ocasião(Therion e o dragão de Sitra Ahra, a segunda parte daquela matéria, ACESSE AQUI), falando um pouco a respeito da temática do mais recente trabalho da Banda Therion, além de texto sobre alguns significados de algumas letras do grupo, trazemos para vocês mais um texto do escritor e pesquisador, que com certeza é o mais competente e indicado dessa área, relacionada ao ocultismo, simbologia, draconismo, etc, assuntos muito ligados ao Heavy Metal, e de interesse dos fãs do estilo, e claro, também a pessoas que tem interesse ou curiosidade por tais temáticas, que provocam opiniões diversas, mas são sempre fascinantes, seja para que quer se aprofundar ou para conhecer pelo menos um pouco sobre o assunto, e com texto de quem conhece e dedica anos de pesquisa.
Acompanhe abaixo, o texto do autor.


Sagrado, Secreto e Sinistro: 666


O “temível” e suspeito número 666 parece causar muito burburinho quando mencionado em quaisquer lugares. Mas sem divagar demais em muitas teorias e preconceitos religiosos, o número 666 encerra significações cabalísticas draconianas, ocultistas e psicológicas, o que nada tem a ver com o Diabo ou com o mal do mundo.

Seis é o número da esfera do Sol, o que representa, em nível humano, o Eu Superior em seu aspecto luminoso, a inteligência manifestada, a mente expandida. O Sol e o número 6 também podem ser representados pelo hexagrama e pela cruz (um símbolo bastante antigo e pré-cristão), que é desdobrada e desenvolvida a partir do cubo, que é um sólido geométrico de seis lados. Desdobrado na cruz invertida, esta simplesmente representa uma espada apontada para cima, um shiva-linga, quer dizer, um falo (símbolo solar, masculino) unido à vagina (o traço horizontal da cruz).
Cruz invertida, representa espada apontada para cima
O Sol está situado – na Árvore da Vida e da Morte cabalística – nas esferas de Tiphareth/Thagirion (a “Beleza” e o “Ardente Sol Negro”), que é um nível de evolução no qual o indivíduo atinge um alto grau de autoconhecimento e autoconsciência. Mas para que a evolução seja completa e a sabedoria seja internalizada, é preciso conhecer o lado sinistro do sagrado e secreto Eu Superior (pois nada existe somente com uma face). E esse lado sinistro do Dragão de Sabedoria, do Eu Superior, é expresso pelo número 666, já que sua multiplicação e soma finalmente resultam sempre no número noturno da Lua, ou seja, 9, que é também o número do leão-serpente (teth, ט), a união entre o masculino e o feminino. A Lua representa a noite, o oculto, o secreto, o subconsciente e o sinistro (sombrio e “esquerdo” como o aspecto feminino e sexual do universo e da psique humana). Entenda-se que “sinistro” não é aquilo que seja maligno nem malévolo, ou coisa semelhante; sinistro é “esquerdo”, e no contexto prático e metafísico draconiano indica a presença de elementos sexuais, femininos poderosos, instintivos e subconscientes (a maior fonte de poder de um iniciado e de um filósofo oculto). Portanto, nada há de maligno nisso nem tem a ver com qualquer fantasia paranoica do Diabo (pois este não existe). Afinal, nós temos o lado direito e esquerdo de nosso corpo, temos a mão direita e a esquerda, o lado direito e esquerdo do cérebro, etc.
o número 666 tem muita relação com o Metal, seja em camisetas, letras, álbuns, etc
Fique só com o lado direito, então, e você verá o quão simétrico, equilibrado, harmonioso e belo você parecerá!

Na prática da filosofia oculta e do draconismo, 666 é o número da força obscura e agressiva do Eu Superior, o número do aspecto sombrio da Inteligência Solar do Daemon individual. Mas é também o número de Sorath, o Espírito do Sol, a força solar agressiva e impetuosa que impulsiona a evolução. Esse número, 666, pode ser extraído do Quadrado Mágico Solar, ou Kamea, que é dividido em 36 partes, ou quadrados menores numerados, cuja soma total é 666, o número do próprio nome de Sorath extraído pelo cálculo de suas letras hebraicas. Desse quadrado, para fins práticos, também é extraído o sigilo de Sorath, ou Deggial, como também é chamado. Sorath-
Deggial é a verdadeira Besta da Revelação, a Besta 666, a correspondente revelação microcósmica do próprio Eu com seu animalismo (não confundir com animismo) natural, primitivo e intrínseco que se torna autoconsciente; é a revelação do conhecimento com compreensão, da Gnose, e da Sabedoria das sombras (o subconsciente e o aspecto feminino, Sophia/Shakti/Shekinah).
O número 36 (3×6, 666) igualmente resulta em 9, a Lua, a consorte do Sol Negro (a Grande Besta, o Dragão de Sabedoria), demonstrando assim o equilíbrio entre as forças duais (como dois pilares) do universo e do ser humano, a união entre o feminino e o masculino, entre as trevas e a luz, entre o subconsciente e o supraconsciente, etc. A Lua é a yoni (vagina) de Shakti, e o Sol Negro é o linga (pênis) de Shiva, e sua união resulta finalmente em 9, a esfera do sexo, não somente o sexo humano, fisiológico e anatômico, mas principalmente o sexo metafísico de todas as forças que são unidas para criar algo no universo e na natureza visíveis e invisíveis.
Tal união, como toda união entre forças opostas deveria ser, resulta em uma terceira força que é, no ser humano, o nascimento da autoconsciência e o renascimento do autêntico e completo ser humano em seu alto grau evolutivo, ou seja, o Homo veritas (o humano verdadeiro). As forças opostas não se opõem, mas se unem para criar. E o ser humano verdadeiro autoconsciente, não um mero humanoide autômato, cria a si mesmo a cada etapa evolutiva. O número 666, portanto, é o número do Homem, do Anjo Guardião e da Besta (o Eu Superior, o Dragão) com suas forças em equilíbrio e com a sabedoria das Sombras e da Luz.
Contudo, as pessoas cuja compreensão parece não ir além de interpretações limitadas e condicionadas e com base em suas ideias oriundas de dogmas enganosos seculares, há muito tempo acreditam piamente que o número seiscentos e sessenta e seis seja satânico, “sujo” e sinistro. Os textos bíblicos disseminaram muitas ideias que seriam motivo de sarcasmo por parte de Satã, se ele realmente existisse como a maioria das pessoas imagina. Se tal número é da besta, besta é o próprio o homem, segundo o texto bíblico, pois “(…) calcule o número da besta, pois é o número do homem (…)”; em essência, a espécie (besta) humana é obviamente uma espécie animal. Assim, cada indivíduo tem a escolha de buscar ser uma Grande Besta sábia, pois o 666 é a face sagrada, secreta e sinistra do Ser autoconsciente.





Adriano C. Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, membro de diversas Ordens e autor da Tetralogia Draconiana, que inclui as obras O Jardim FilosofalA Cabala Draconiana, A Revolução Luciferiana e Sistemagiahttp://www.viadraconiana.tk

O Iron Maiden, sempre se utilizou da mística do 666

sábado, 18 de setembro de 2010

SITRA AHRA: Padrão THERION de qualidade







17 de setembro, saiu finalmente o novo Therion. Mais um grande lançamento, aguardadíssimo pelos fãs. 2010 tem sido bem generoso.

Sitra Ahra é o décimo-terceiro trabalho de estúdio da banda Suéca, capitaneada pelo seu criador e mentor Christofer Johnsson e encerra a quadrilogia iniciada com Deggial, seguida por Lemuria e Sirius B.

Mais uma vez a parte lírica foi escrita pelo parceiro inseparável de Cris, Thomas Karlsson e também marca a estréia de um line-up reformulado, já que, segundo o guitarrista e líder, queria explorar novos horizontes e teria que trabalhar com pessoas diferentes das que já vinha trabalhando.

Gostaria de destacar também a voz peculiar e teatral de Snowy Shaw, uma verdadeira "figuraça" do Metal, com uma performance de palco impressionante, mais um vez presente. As vocalistas Linnéa Vikström e Lori Lewis, as quais tem timbres que me agradam bastante e se completam, possuindo a capacidade de variar bastante, fugindo dos líricos tradicionais e a estréia do guitarrista argentino Christian Vidal.


Já nas primeiras audições percebe-se que ali está o Therion que aprendemos a conhecer e admirar, que moldou uma característica, um estilo todo próprio no Metal, algo que só os grandes conseguem, e faz com que se tornem referência.

Com músicas mais sombrias, explorando ainda mais intensamente o trabalho vocal e orquestral, sendo que, faixa por faixa descobrimos várias surpresas no que se refere a instrumentos e sonoridades. Ouça, por exemplo, a faixa Land of Canaan, com seus mais de 10 minutos, uma verdadeira viagem climática e sonora!

Alguns podem sentir falta de mais faixas do estilo Blood of Kingu, mais rápidas e agressivas (tem a curta faixa "Din", que possui vocais guturais e tem um andamento puxado para o Metal mais extremo e "Kali Yuga III", que, talvez, mais se aproxime daquela linha), mas isso não significa que a audição pode se tornar maçante porque o CD é mais homogêneo, mais sombrio, com andamentos mais lentos e orquestrais, pelo contrário, a banda continua fazendo um som intrigante, original e que transmite várias emoções.

Impossível comentar faixa a faixa, pois aí a matéria seria enorme, citarei algumas que se destacaram após a segunda audição, e um álbum do Therion vamos descobrindo após várias audições, então, é complicado, mas lá vai: Introducing:Sitra Ahra, Kings of Edom, Hellequin,Kali Yuga III e Land of Canaan!

Sobre parte lírica sempre foi um ponto extremamente cuidado pela banda e este álbum prometia ser um dos mais, senão o mais sombrio já feito por eles.
Por tocar em temas relacionados a religião, ocultismo e filosofia draconiana, da qual vários membros e colaboradores da banda são seguidores.

Uma das idéias principais da Dragon Rouge (Ordem fundada na Suécia em 89, cujo um dos fundadores é o próprio Thomas Karlson) em grande parte parecida com as teorias da Thelema, é que as pessoas só usam pouco mais de uma fração daquilo que realmente são capazes. Em seus rituais eles tentam supostamente quebrar essas barreiras e revelar esse lado desconhecido. Carl Jung é o mais importante psicólogo para o grupo, sendo a psicologia muito importante para a Ordem.

Temas que sempre despertam opiniões contraditórias, e o Therion, inclusive, é a unica banda de Heavy Metal a ter uma nota de repúdio editado pelo Vaticano (assunto que causou certa polêmica, porém, não dá para se levar a sério o Vaticano, que a toda hora lança seu repúdio ou contestação a alguma coisa, e o tema acabou meio que caindo no esquecimento depois).

Significados de algumas faixas:

Kings of Edom: refere-se à estrela de 11 pontas que sempre aparece nos discos do Therion, que representa o reino qliphótico, os 11 reis que representam as 11 qliphoth da Árvore da Morte;

The Shells Are Open: refere-se às qliphoth novamente, à abertura dos reinos qliphóticos, à iniciação qliphótica;

Cú Chulainn: refere-se ao semideus e guerreiro celta/irlandês, sendo um arquétipo da esfera de Marte;

Din: refere-se à esfera de Geburah, à sephira correspondente à Marte, por vezes traduzida como “julgamento”, “justiça”, “força”;


Sobre a capa de Sitra Ahra, descrevo abaixo um texto do escritor Adriano Monteiro, estudioso de ocultismo:


A Árvore que aparece na ilustração é a Árvore qliphótica, de maneira invertida. A esfera da Árvore que está em primeiro plano é a qlipha Thaumiel (na Árvore da Vida é a sephira Kether). A “flor” que surge da qlipha Thaumiel é uma flor e é uma concha (o que significa “qlipha”); como flor representa o chacra Sunya, que está além do chacra da coroa (Sahashara);

Como concha representa a própria qlipha Thaumiel. Dessa “concha-flor” o que surge é uma pedra bruta conhecida como Diamante Negro, que é uma outra representação do chacra negro Sunya. Sunya é o Vazio que Tudo contém e é chamado também de Olho do Dragão, Olho de Lúcifer e Olho de Shiva, que quando aberto significa a destruição de toda Ilusão do universo manifestado para a assimilação e experiência do Real, e representa também o Pralaya, a dissolução, a Noite em seu sentido metafísico espiritual.


Toda idolatria (através da adoração ou simples menção de nomes de santos ou divindades, que, digamos, ofusquem a luz de Deus) é um portal para a Sitra Ahra, o lado negativo. E através do uso deste tipo de poder tão negativo, duas coisas ocorrem: o mundo é espiritualmente rebaixado e a força vital desta idolatria nutre e vitaliza também a própria pessoa, que então recebe esta força vital como um fluxo que provém das várias câmaras espirituais da sitra ahra!


* Christofer Johnsson – guitar, keyboards
* Christian Vidal - guitar
* Nalle "Grizzly" Påhlsson – bass guitar
* Johan Koleberg – drums
* Thomas Vikström – vocals

* Snowy Shaw – vocals
* Linnéa Vikström – vocals
* Lori Lewis – vocals

* Thomas Karlsson – lyrics
* Thomas Ewerhard – cover artwork


Chaos, Magick, Fire, Death - We call upon thy mighty forces
Chaos, Magick, Fire, Death - We're coming closer Sitra Ahra
Chaos, Magick, Fire, Death - We call upon thy mighty forces
Chaos, Magick, Fire, Death - We're coming, take us SITRA AHRA

SET LIST

01 - Introduction: Sitra Ahra
02 - Kings of Edom
03 - Unguentum Sabbati
04 - Land of Canaan
05 - Hellequin
06 - 2012
07 - Cu Chulainn
08 - Kali Yuga III
09 - The Shells Are Open
10 - Din
11 - Children of The Stone: After The Inquis