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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Molly Hatchet: Espalhando Os Ventos do Sul (Also In English)

Steamhammer (Imp.)

Por Flavio Borges
 

Dezesseis anos depois de Justice (2010), o Molly Hatchet retorna com um álbum que reafirma sua identidade e demonstra que o Southern Rock continua pulsando com força em suas veias. Liderado pelo guitarrista Bobby Ingram, Lost Horizon reúne doze faixas que preservam os elementos fundamentais da sonoridade da banda, mas encontram espaço para explorar novas texturas, ampliar os arranjos e revelar nuances que vão além da fórmula tradicional do gênero.

Gravado no lendário Studio 2 do Abbey Road Studios, em Londres, o álbum também apresenta a nova formação em estúdio, com Garrett Ramsden na bateria e Parker Lee nos vocais, ao lado de Ingram, John Galvin (teclados) e Tim Lindsey (baixo). A renovação não implica uma ruptura com o passado, mas coloca em evidência o desafio de manter vivo um legado que tem em Danny Joe Brown uma de suas referências mais emblemáticas.

Os singles “Dixie Highway” e “Once A Gambler” anteciparam um trabalho fiel às raízes do grupo, enquanto “Jacksonvillain” resgata, com irreverência, as aventuras dos primeiros anos em Jacksonville, na Flórida. Há, porém, mais do que nostalgia em Lost Horizon: a faixa-título e “Coming Home”, duas composições extensas, revelam uma banda disposta a expandir seus horizontes sem abandonar a própria personalidade.

O resultado é um álbum que aposta na força das composições, no entrosamento instrumental e na capacidade de transformar uma tradição consolidada em música ainda relevante.

O disco abre com “Firing Line (Enhanced Version)”, originalmente lançada em 2023. A gravadora não esclarece quais alterações foram realizadas nesta edição, mas a faixa se sustenta por sua força musical. Trata-se de Southern Rock em sua essência, com guitarras afiadas e belas intervenções de piano que enriquecem o arranjo sem disputar espaço com o restante da instrumentação. O refrão é daqueles que se fixam rapidamente, enquanto o trabalho de guitarra acrescenta texturas e dimensões que tornam a composição ainda mais envolvente.

“Whiskey Desperado” dá continuidade ao álbum com uma abordagem mais suja, especialmente nas guitarras, que surgem pesadas e distorcidas. O contraste com a bateria, limpa e bem definida, confere clareza à base rítmica, enquanto o baixo, discreto, mas eficiente, e os teclados bem posicionados completam a massa sonora. A faixa incorpora uma abordagem mais contemporânea ao Southern Rock, sem perder de vista a identidade que caracteriza o Molly Hatchet.

Em seguida, “Jacksonvillain” recupera o espírito descontraído dos primeiros anos da banda. A combinação entre a guitarra distorcida de Bobby Ingram e o piano e os teclados de John Galvin entrega exatamente aquilo que se espera do grupo: uma sonoridade reconhecível, sem concessões desnecessárias. Divertida e acessível, a faixa acrescenta leveza ao repertório e demonstra que a fidelidade às próprias raízes não precisa significar falta de dinamismo.

Primeiro single do álbum, “Dixie Highway” funciona como uma síntese eficiente da proposta de Lost Horizon. Mesmo sem grandes mudanças estilísticas, a composição evidencia que a renovação da formação não comprometeu a identidade musical da banda. O piano característico do gênero, a slide guitar e os tradicionais diálogos entre os instrumentos estão presentes, sustentados por um refrão cativante e backing vocals utilizados com precisão. É um cartão de visita certeiro, com todos os ingredientes necessários para agradar aos admiradores do Southern Rock clássico.

A faixa-título, por sua vez, surpreende logo nos primeiros momentos. Sintetizadores, efeitos de teclado e elementos que remetem a timbres de sopro criam uma atmosfera incomum antes da entrada contundente das guitarras e dos demais instrumentos. As mudanças de dinâmica e os momentos em que as vozes assumem o protagonismo ampliam a complexidade da composição. A guitarra acústica também merece destaque, assim como a interpretação de Parker Lee, que demonstra personalidade e segurança.

Com cerca de nove minutos, “Lost Horizon” apresenta uma sucessão de texturas, mudanças de andamento e passagens instrumentais que impedem a composição de se tornar previsível.

Há ecos de nomes fundamentais dos anos 1970, como Uriah Heep, Black Sabbath e, naturalmente, Lynyrd Skynyrd, mas a faixa não se limita a reproduzir referências. O instrumental é coeso, tecnicamente impecável e repleto de momentos que permitem a cada músico demonstrar sua competência sem comprometer a unidade do conjunto. É um dos pontos altos do álbum e uma evidência de que o Molly Hatchet ainda tem espaço para explorar estruturas mais ambiciosas.

Depois dessa jornada, “The Answer” surge como uma pausa necessária. A composição segue a tradição das baladas de Southern Rock, apoiada em uma guitarra pesada e melódica e em backing vocals que ganham força especialmente no refrão. A interpretação preserva a carga emocional sem recorrer a excessos, enquanto o arranjo oferece um contraponto mais sereno à complexidade da faixa anterior. Uma transição bem-vinda, que permite ao ouvinte respirar antes da retomada da energia.

“Moonshine All Mine” traz de volta o clima festivo e descompromissado. A temática alcoólica, a slide guitar em evidência, o piano e uma cozinha instrumental sólida compõem uma combinação familiar aos fãs da banda. Não há grandes surpresas, mas tampouco há necessidade de reinventar uma fórmula que continua funcionando. A faixa cumpre seu papel com naturalidade e reforça o caráter tradicional do álbum.

Gravar no Abbey Road Studios parece ter inspirado uma homenagem inevitável aos Beatles. A escolhida foi “Helter Skelter”, que recebe uma interpretação inteiramente moldada pela personalidade do Molly Hatchet. O peso e a abordagem sulista transformam a composição sem apagar suas características originais: a referência à versão dos Beatles permanece reconhecível durante toda a execução. O resultado é uma releitura convincente, que respeita a fonte e, ao mesmo tempo, encontra espaço para a identidade dos norte-americanos.

“Stand Up For Freedom” começa envolta em mistério, recuperando os sintetizadores e efeitos que já haviam aparecido na faixa-título. A introdução dá lugar a uma composição de andamento tradicional, marcada pelos vocais roucos, pelas guitarras distorcidas e pela presença do Hammond, que reforça a sustentação harmônica. O refrão é direto, melódico e desprovido de excessos, com backing vocals bem encaixados. Sem reinventar o gênero, a faixa reafirma a competência da banda em trabalhar com os elementos que fizeram do Southern Rock uma linguagem tão característica.

A reta final começa com “Stronger”, que acelera o andamento e aproxima o repertório do Hard Rock tradicional. As melodias ganham protagonismo, os teclados criam uma atmosfera distinta e os vocais mais limpos de Parker Lee revelam outra faceta de sua interpretação. O refrão, apoiado por uma bela base de teclados, apresenta linhas melódicas que flertam com o AOR. Essa combinação amplia a paleta sonora do álbum e representa uma das surpresas mais agradáveis do repertório.

“Once A Gambler”, o segundo single, mantém a energia e a orientação mais acelerada estabelecidas pela faixa anterior. A composição não acrescenta grandes novidades à fórmula apresentada até aqui, mas se encaixa com naturalidade na sequência. Guitarras, melodias e a habitual identidade sulista garantem uma faixa eficiente, que prepara o terreno para o encerramento.

A responsabilidade de concluir o álbum fica com “Coming Home”, outra composição extensa, com quase oito minutos. A introdução cadenciada e limpa estabelece o clima antes de explorar a combinação entre guitarras acústicas e distorcidas, sustentadas por uma base sólida. Os backing vocals conferem dimensão épica ao refrão, enquanto os vocais de Parker Lee e as intervenções de piano contribuem para a construção gradual do arranjo.

Ao longo da faixa, o grupo alterna passagens próximas da balada com momentos mais pesados, solos expressivos e mudanças de intensidade que mantêm o interesse até o final. A composição reúne diferentes facetas do Molly Hatchet e funciona como um encerramento abrangente, valorizando tanto a interpretação vocal quanto o entrosamento instrumental. É uma conclusão à altura de um álbum que, em seus melhores momentos, consegue equilibrar tradição, melodia e ambição composicional.

O Molly Hatchet está de volta — e em grande estilo. A espera de quase dezesseis anos valeu a pena? Para quem procura a sonoridade que consagrou a banda, a resposta é sim. Lost Horizon entrega guitarras marcantes, pianos característicos, refrões envolventes e a mistura de peso e melodia que define o Southern Rock do grupo. Mais importante, as composições extensas demonstram que ainda existe disposição para ir além do repertório mais previsível.

A nova formação também se mostra convincente em estúdio. Parker Lee assume a responsabilidade vocal com personalidade, enquanto Garrett Ramsden contribui para uma base instrumental coesa. Resta descobrir como essa dinâmica se traduzirá nos palcos, mas o álbum oferece motivos suficientes para otimismo. Sem tentar negar o passado ou competir com ele, o Molly Hatchet reafirma sua identidade e entrega um trabalho sólido, envolvente e digno de sua trajetória.

Segue a versão em inglês, adaptada para soar como um texto originalmente escrito para uma publicação especializada, com a abordagem editorial de revistas como Classic Rock e Metal Hammer.

***ENGLISH VERSION***

Sixteen years after Justice (2010), Molly Hatchet return with an album that reaffirms their identity and proves that Southern Rock still runs deep in their veins. Led by guitarist Bobby Ingram, Lost Horizon delivers twelve tracks that preserve the essential ingredients of the band’s sound while finding room to explore new textures, expand their arrangements and reveal nuances that reach beyond the genre’s traditional formula.

Recorded at the legendary Studio 2 at Abbey Road Studios in London, the album also marks the studio debut of the band’s new line-up, featuring Garrett Ramsden on drums and Parker Lee on vocals, alongside Ingram, John Galvin (keyboards) and Tim Lindsey (bass). The changes do not signal a break with the past, but they do underline the challenge of preserving a legacy inextricably linked to Danny Joe Brown, one of the most iconic voices in Molly Hatchet’s history.

Singles “Dixie Highway” and “Once A Gambler” offered an early indication of the album’s commitment to the band’s roots, while “Jacksonvillain” revisits the adventures of their early days in Jacksonville, Florida, with a healthy dose of irreverence. Yet there is more to Lost Horizon than nostalgia. The title track and “Coming Home”, two extended compositions, reveal a band willing to broaden its horizons without abandoning its musical identity.

The result is an album built on strong songwriting, instrumental chemistry and the ability to keep a well-established tradition sounding relevant.

The album opens with “Firing Line (Enhanced Version)”, originally released in 2023. The record label has yet to clarify what changes were made to this edition, but the track stands firmly on its musical merits. This is Southern Rock in its purest form, driven by razor-sharp guitars and beautiful piano passages that enrich the arrangement without competing with the rest of the instrumentation. The chorus is an instant earworm, while the guitar work adds texture and depth, making the song all the more engaging.

“Whiskey Desperado” keeps things moving with a grittier approach, particularly in its heavy, distorted guitars. The contrast with the clean, sharply defined drumming brings clarity to the rhythmic foundation, while the understated yet effective bass and well-placed keyboards complete the sonic picture. The track introduces a more contemporary edge to the band’s Southern Rock without losing sight of the sound that has always defined Molly Hatchet.

“Jacksonvillain” brings the spirit of the band’s early years back into focus. The combination of Bobby Ingram’s distorted guitar and John Galvin’s piano and keyboards delivers precisely what fans expect from Molly Hatchet: a familiar sound with no unnecessary concessions. Fun and immediately accessible, the track adds a welcome touch of lightness to the album and proves that staying true to your roots need not mean sacrificing momentum.

The first single, “Dixie Highway”, serves as an effective distillation of Lost Horizon’s overall approach. Despite making no major stylistic departures, the song demonstrates that the line-up changes have done nothing to compromise the band’s identity. The genre’s trademark piano, slide guitar and classic instrumental interplay are all present, supported by a catchy chorus and backing vocals deployed to perfection. It is a confident calling card, containing all the ingredients required to satisfy devotees of classic Southern Rock.

The title track, meanwhile, delivers an early surprise. Synthesizers, keyboard effects and timbres reminiscent of brass instruments establish an unusual atmosphere before the guitars and the rest of the band crash in. Dynamic shifts and passages in which the vocals take centre stage add further layers of complexity. Acoustic guitar also plays a significant role, while Parker Lee’s performance demonstrates both character and confidence.

At around nine minutes, “Lost Horizon” unfolds through a succession of textures, tempo changes and instrumental passages that keep the composition from becoming predictable. Echoes of key names from the 1970s — Uriah Heep, Black Sabbath and, naturally, Lynyrd Skynyrd — are unmistakable, but the track does not merely recycle familiar influences. The musicianship is cohesive and technically impressive, with each player given room to shine without compromising the collective performance. It is one of the album’s highlights and proof that Molly Hatchet still have an appetite for more ambitious songwriting.

After that journey, “The Answer” arrives as a welcome breather. The song follows the tradition of the Southern Rock ballad, built around a heavy yet melodic guitar line and backing vocals that come into their own, particularly in the chorus. The performance retains its emotional weight without resorting to excess, while the arrangement provides a more restrained counterpoint to the preceding track’s complexity. It is a well-judged change of pace before the album’s energy picks up again.

“Moonshine All Mine” brings back the celebratory, carefree spirit. Its drinking-themed lyrics, prominent slide guitar, piano and rock-solid rhythm section combine familiar ingredients for the band. There are no major surprises, but there is little need to reinvent a formula that continues to work. The track fulfils its purpose naturally and reinforces the album’s commitment to traditional Southern Rock.

Recording at Abbey Road seems to have made a Beatles tribute almost inevitable. The band’s choice is “Helter Skelter”, given an interpretation shaped entirely by Molly Hatchet’s own personality. Their heavier, Southern-inflected approach transforms the song without obscuring its original character: the Beatles’ version remains recognisable throughout. The result is a convincing rendition that respects its source material while leaving plenty of room for the American band’s distinctive sound.

“Stand Up For Freedom” begins on a mysterious note, bringing back the synthesizers and effects heard on the title track. The introduction gives way to a composition built around a traditional groove, gritty vocals and distorted guitars. The Hammond organ reinforces the harmonic foundation, leading into a direct, melodic chorus free of unnecessary embellishments. The backing vocals are simple but effective. Without attempting to reinvent the genre, the track reaffirms the band’s command of the elements that have made Southern Rock such a distinctive musical language.

The final stretch begins with “Stronger”, which picks up the pace and edges closer to traditional Hard Rock. Melody takes centre stage, the keyboards establish a different atmosphere, and Parker Lee’s cleaner vocal delivery reveals another side of his performance. The chorus, supported by a beautifully arranged keyboard foundation, features melodic lines that flirt with AOR. This combination broadens the album’s sonic palette and makes the song one of its most pleasant surprises.

“Once A Gambler”, the second single, maintains the energy and faster pace established by its predecessor. The composition does not introduce many new ideas, but it fits naturally into the sequence. Guitars, melody and the band’s unmistakable Southern identity make for an effective track that sets the stage for the album’s closing statement.

That responsibility falls to “Coming Home”, another extended composition, clocking in at almost eight minutes. Its measured, clean introduction establishes the mood before the arrangement develops around a combination of acoustic and distorted guitars, supported by a solid rhythm section. The backing vocals lend an epic dimension to the chorus, while Parker Lee’s delivery and the carefully placed piano passages help shape the song’s gradual progression.

As the track unfolds, the band moves between ballad-like passages and heavier sections, with expressive solos and shifts in intensity maintaining interest to the very end. The composition brings together different facets of 

Molly Hatchet’s sound and serves as a comprehensive finale, showcasing both the vocal performances and the band’s instrumental chemistry. It is a fitting conclusion to an album that, at its best, balances tradition, melody and compositional ambition.

Molly Hatchet are back — and in fine form. Was the nearly sixteen-year wait worth it? For anyone looking for the sound that made the band a Southern Rock institution, the answer is yes. Lost Horizon delivers muscular guitars, signature piano lines, infectious choruses and the blend of weight and melody that defines the group. More importantly, its longer compositions demonstrate a willingness to venture beyond the more predictable side of the band’s established formula.

The new line-up also proves convincing in the studio. Parker Lee approaches the vocal duties with personality, while Garrett Ramsden helps anchor a cohesive instrumental performance. How this dynamic translates to the live stage remains to be seen, but the album provides plenty of reasons for optimism. Rather than denying the past or attempting to compete with it, Molly Hatchet reaffirm their identity and deliver a solid, engaging record worthy of their legacy.

Benjamin Gabbert

terça-feira, 14 de abril de 2026

Cobertura de Show: Blackberry Smoke – 12/04/2026 – Tork N' Roll/CWB

Blackberry Smoke: Southern Rock de Primeira Linha em Curitiba

Dia 12 de Abril de 2026, domingo à noite em Curitiba, dia preguiçoso para a maioria das pessoas. Mas não para os fãs desta banda estadunidense da Geórgia, Blackberry Smoke, para eles a ansiedade era surreal. Afinal, a espera foi longa, sete intermináveis anos. O evento ocorreu no Tork N´Roll, casa de shows muito bem estruturada e bem localizada, pronta para proporcionar toda a diversão que o público desta famosa banda de Southern Rock merecia. Aprodução ficou a cargo da Solid Produções e Caveira Velha.

O grande evento da vez na capital curitibana teve seus ingressos esgotados semanas antes da apresentação. No local conversamos com pessoas vindas de vários estados do Brasil, que enfrentaram uma longa viagem para poder estar ali, onde tudo era possível! A animação era realmente contagiante. Faltando quase uma hora para o início da apresentação, o local já estava lotado, com filas para bebidas, alguns haviam até "passado da conta", tudo bem compreensível. Mas devo aplaudir os trajes dos fãs que lá estavam, uma perfeição. A impressão era de que estávamos literalmente em um evento digno de série televisiva americana: pessoas bonitas, sorridentes e muita "azaração" à moda antiga.Atlanta veio à Curitiba!

Desta vez, o show não contou com banda de abertura, tendo início pontualmente às 20h, conforme anunciado. E eis que a euforia começa: entram os músicos e a festa tem início com "Good One Comin' On", com a banda ainda no modo esquenta, talvez impressionados com a energia do público, suficiente para fazer estes americanos simpáticos tirarem o chapéu e brilharem os olhos.

Durante toda a apresentação não faltaram sorrisos de Charlie Starr, Paul Jackson, Richard Turner, Brandon Still, Benji Shanks e do baterista Kent Aberle, e lógico, uma performance impecável de toda a banda. Mas os pontos altos foram, sem dúvida, "Pretty Little Lie", "Waiting for the Thunder", "Ain't Much Left of Me" e a mais aguardada "One Horse Town", acompanhada em uníssono pela plateia, realmente um momento para ficar na memória.

Por fim, foi uma experiência muito gratificante, especialmente para aqueles que acompanham séries televisivas do gênero, como Yellowstone, Sons of Anarchy e Nashville. O Blackberry Smoke teve algumas de suas canções presentes nestas séries de sucesso, e lembrar delas durante o show foi nostálgico. E claro, não podemos esquecer da presença constante do baterista Brit Turner, que nos deixou em 2024, no coração de todos, sempre homenageado por seus amigos acada apresentação.

Este show vai deixar saudades em sua perfeição. Mas ao final, alguns apontamentos em caráter construtivo sempre fazem parte. Quanto à estrutura, o ar condicionado merecia mais atenção, pois a sensação térmica estava passando do suportável; o acesso para a compra de bebidas também estava um pouco difícil, pois para um show sold out em local fechado, deveriam estar disponíveis pontos de hidratação próximos ao palco. Também convém destacar a falta de cordialidade com os profissionais da imprensa, principalmente com os fotógrafos credenciados, o que acabou prejudicando um pouco o resultado final, ainda mais considerando que, em todos os eventos da cidade, a cordialidade costuma ser impecável, seja em shows de médio ou grande porte. Mas nada que desabone este espetáculo: no final, tudo ocorreu como esperado, e o que fica no coração e na alma é o amor à música.

Texto: Paula Butter 

Fotos: Vladimir Silvério 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Solid Music Entertainment

Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Blackberry Smoke – setlist:

Good One Comin' On

Payback's a Bitch

Live It Down

Hammer and the Nail

Shake Your Magnolia

Till the Wheels Fall Off

Let It Burn

Pretty Little Lie

Waiting for the Thunder

You Hear Georgia

Ain't Gonna Wait

Sleeping Dogs

(With Come Together by Beatles interlude)

Azalea

Shakin' Hands With the Holy Ghost

One Horse Town

Ain't Got the Blues

Up in Smoke

Run Away From It All

Bis 

Dancing Days

(Led Zeppelin cover)

Ain't Much Left of Me

(With Mississippi kids by Lynyrd Skynyrd Interlude)

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Cobertura de Show – Lynyrd Skynyrd – Espaço Unimed – 22/09/2023

Algumas bandas têm o status de lenda ou Dinossauro do Rock, não importa o termo, o Lynyrd Skynyrd se encaixa perfeitamente aí, estando na primeira prateleira do Rock. Felizmente, o público paulistano teve a felicidade de ser agraciado com o show de sexta-feira (22/09) na capital Paulista com a vinda de muitos fãs de várias regiões do Brasil.

O show aconteceu no Espaço Unimed, em São Paulo. Este ficou praticamente lotado, sendo que a capacidade da casa é de 8.000 pessoas e, para registro, foi a primeira visita da banda na capital. Previamente, o Lynyrd Skynyrd já havia se apresentado em um único show no Brasil no ano de 2011, no extinto festival SWU, em Paulínia, interior do estado.

O Lynyrd Skynyrd é uma daquela bandas de cabeceira de todo fã do bom e velho Rock’n’Roll, tendo mais de 50 anos de estrada. Banda oriunda do Sul dos Estados Unidos e a que criou um estilo próprio, o “Southern Rock”, onde cruzam elementos de Rock clássico, Hard Rock e Country Music. Uma banda que agrada fãs do Rock pesado, Rock clássico e até fãs de Country, ou seja, agrada uma gama grande de fãs que, com certeza, angariou mais alguns novos fãs nesta noite.

Com tanto tempo na estrada, os americanos possuem inúmeros hits, entre esses a imortal e mais do que clássica “Sweet Home Alabama”, aí fica fácil entender que seria uma boa noite pela frente.

Alguns fãs puristas irão dizer que não temos mais nenhum membro da formação original e que essa banda atual não passa de um tributo. Discordo totalmente daqueles que pensam assim, pois temos integrantes que estão por décadas e mantendo a chama viva da música do Lynyrd Skynyrd, levando as novas gerações a oportunidade de ouvirem um expoente musical do gênero Southern Rock. (N.T.: esse ano, os mesmos perderam o último integrante da formação original, o guitarrista Gary Rossington).

Apesar da perda de Rossignton, os guitarristas mandaram muito bem. Medlocke já esteve lá atrás (entre 1971 e 1972) e permanentemente desde 1996. Além disso, foi membro de outra lendária banda de Southern Rock, o Blackfoot. Já Damon Johnson, outro guitarrista atual, já tocou com Alice Cooper, Thin Lizzy e Black Star Riders, entre outros projetos. 

O terceiro guitarrista é Mark Matejka, membro do LS desde 2006; Johny Van Zant segura o microfone desde 1987 e é muito carismático com o público. A todo momento interagindo seja por gestos ou falando “Obrigado Brasil, Obrigado São Paulo”.

Os outros membros que completam a formação atual são: Michael Cartellone (bateria, desde 1999), Peter Keys (teclado, desde 2009) e Keith Christopher (baixo, desde 2017) – completam o time Carol Chase and Stacy Michelle nos backing vocals.

A atual tour é um tributo e uma missão para celebrar o legado para os milhares de fãs mundialmente.

A banda começou o show, às 22h07, com “Workin’ for MCA”, após uma introdução ao som de AC/DC e com imagens projetadas no telão e continuou destilando hits atrás de hits, passando por “What’s Your Name”, “I Know a Little”, “That Smell”, “Gimme Three Steps”, “Simple Man” e “Tuesday’s Gone”. Por fim, não podia faltar. “Sweet Home Alabama” e “Free Bird”.

Highlights do show ficam para “Working for MCA” que já cativa o público no início do show, “What’s Your Name” com seu refrão pegajoso em que a plateia acompanha e interage com a banda. “That’s Smell”, a minha favorita em particular, e acredito de uma boa parte dos presentes no Espaço Unimed.

Em “Tuesday’s Gone” temos uma belíssima homenagem ao falecido Gary Rossington com o telão projetando várias imagens do músico. Muito emocionante, chega a tirar lágrimas de alguns na plateia durante a execução.

Já “Simple Man”, temos uma bela surpresa para os brasileiros, onde Johnny lê um cartaz de alguém na frente do palco, onde diz que é um fã que gostaria de cantar com a banda. Johnny dá uma risada após ler o cartaz e diz que realizará o sonho, e o fã então é convidado para subir ao palco. Johnny fala então para o público: ‘mas ele parece um cantor de Rock, não?’ 

Pois é, era um cantor mesmo! Nando Fernandes, vocalista da banda Sinistra. Momento histórico e uma bela homenagem do Johnny para com o público brasileiro. Nando mandou muito bem nos duetos com Johnny e parecia incrédulo, não acreditando no que estava acontecendo e ficando de joelhos em alguns momentos, um momento ímpar do show. E “Simple Man” tem uma das letras mais lindas já escritas, vale a pena conferir.

Claro, tivemos “Sweet Home Alabma” com o público cantando o refrão e encerram o show.

Para o bis, só tocaram uma música, mas é aquela que todo fã do Lynyrd Skynyrd fica até o final do show para ouvir. Com mais de 13 minutos, tocaram “Free Bird”, que tem um dos melhores solos de guitarra da história do Rock. Aqui, o Johnny não canta! 

Ele coloca um chapéu no microfone, representando o seu irmão, Ronnie, vocalista original da formação clássica e acena para o público e sai do palco. Os vocais são de uma gravação com o Ronnie Van Zant, tendo sua imagem projetada no telão e acompanhada pela banda. Belíssima homenagem!

Tenho certeza que todos os presentes saíram do show impressionados com a qualidade dos músicos e plenamente satisfeitos. A aura de Ronnie Van Zant, Billy Powell, Steve Gaines e outros membros que já se foram estão presentes no show.

A estrela do show do Lynyrd Skynyrd é a música e esses músicos presentes nos presentearam com um pedaço da história do Southern Rock, o melhor que o gênero já criou.

 

Texto: Reinaldo Alves

Fotos: Camila Cara

Edição / Revisão: Renato Sanson

 

Realização: Mercury Concerts

Mídia Press: Catto Comunicação

 

Lynyrd Skynyrd

Thuderstruck (AC/DC) na abertura e com vídeo do LS nos telões.

Working for MCA

Skynyrd Nation

What's Your Name

That’s Smell

I Know a Little

Whiskey Rock-a-Roller

Saturday Night Special

The Ballad of Curtis Loew

Tuesday's Gone (Dedicada ao Gary Rossington)

Gimme Back My Bullets

Simple Man (comh Nando Fernandes da banda Sinistra)

Gimme Three Steps

Call Me the Breeze

Sweet Home Alabama

****Encore***

Free Bird

 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lynyrd Skynyrd - "One More For the Fans": Imperdível Celebração Southern Rock



 Em um pacotão imperdível para os fãs de Southern Rock e Classic Rock, a Shinigami lança no Brasil o CD duplo e DVD do show "One More for the Fans", onde diversos artistas e astros do Classic Rock e Southern, inclusive membros e ex-membros da banda, se reuniram para celebrar a música do Lynyrd Skynyrd, a maior lenda do estilo, além de um dos maiores expoentes do Classic Rock.

Gravado ao vivo no Fox Theatre (O show também fez parte dos eventos organizados para angariar fundos e impedir o fechamento da casa), em Atlanta, no dia 12 de novembro de 2014, o show estelar conta por exemplo com Cheap Trick, Peter Frampton, Gregg Allman, Allen Collins, Gov't Mule, AAron Lewis, e muitos outros, que se juntam a Ronnie Van Zant e companheiros para mandarem clássicos imortais do Lynyrd


Temos então um verdadeiro deleite para os ouvidos, além de um autêntico presente e celebração para os fãs, e então já na abertura, no CD 1, para levantar desde já qualquer moral, "Whisky Rock-a-Roller", com Randy Houser; sendo quase impossível apontar destaques, Aaron Lewis entra com "Saturday Night Special", em versão matadora, com destaque para os backings e metais; o Cheap Trick aparece com a pegada de "Gimme Back My Bullets"; Blackberry Smoke entra em cena para mandar "The Ballad of Curtis Love", que está no mais que clássico (!!) "Second Helping" (1974), onde também consta "Sweet Home Alabama", talvez o maior hino do Lynyrd; e ao Gov't Mule coube a missão de mandar "Simple Man", outra que não pode ser chamada menos que clássico, ou hino, em versão digna da original, uma canção sempre com alta carga de emoção.


No CD 2, tentando também apontar alguns destaques dentre tantos hinos, temos Peter Frampton executando "Call me the Breeze"; Donnie Van Zant (38 Special) e Charlie Daniels aparecem com "Down South Jukin"; e ninguém menos que Gregg Allman sobe ao palco para executar uma das mais ovacionadas, "Tuesday's Gone", que já foi "coverizada" por muita gente, inclusive o Metallica. Um dos momentos de maior emoção.

E as três peças finais o Lynyrd Skynyrd completo sobe para executar "Travelin' Man", "Free Bird", também em momento bem emocionante, onde mais uma vez são lembrados os integrantes já falecidos, e "Sweet Home Alabama", sendo que esta última contando com todo mundo no palco, um final simplesmente arrasador, apoteótico, e outros adjetivos que expressem grande emoção e alegria! he he


Imperdível, corra e adquira já o pacote completo com CD duplo e DVD e se deleite com esta celebração recheada de clássicos e grandes músicos, tudo com a velha classe e sotaques sulistas do grande Lynyrd. 

Texto: Carlos Garcia

Banda: Lynyrd Skynyrd e Convidados
Álbum: One More For The Fans (2015)
País: EUA
Estilo: Classic Rock/Southern Rock/Blues
Selo: Ear Music/SHINIGAMI RECORDS



01. Whiskey Rock A Roller – performed by Randy Houser

02. You Got That Right – performed by Robert Randolph & Jimmy Hall

03. Saturday Night Special – performed by Aaron Lewis

04. Workin’ For MCA – performed by Blackberry Smoke
05. Don’t Ask Me No Questions – performed by O.A.R.
06. Gimme Back My Bullets – performed by Cheap Trick
07. The Ballad of Curtis Loew – performed by moe. & John Hiatt
08. Simple Man – performed by Gov’t Mule
09. That Smell – performed by Warren Haynes
10. Four Walls of Raiford – performed by Jamey Johnson
11. I Know A Little – performed by Jason Isbell
12. Call Me The Breeze – performed by Peter Frampton
13. What’s Your Name – performed by Trace Adkins
14. Down South Jukin’ – performed by Charlie Daniels & Donnie Van Zant
15. Gimme Three Steps – performed by Alabama
16. Tuesday’s Gone – performed by Gregg Allman
17. Travelin’ Man – performed by Lynyrd Skynyrd With Johnny and Ronnie – Ronnie on big screen
18. Free Bird – performed by Lynyrd Skynyrd
19. Sweet Home Alabama – performed by Lynyrd Skynyrd and the entire line-up
 


domingo, 8 de junho de 2014

Entrevista: Ron Keel, o "Metal Cowboy"

 

Quem dera existisse uma máquina do tempo, para poder retornar aos anos 80 e sentir na pele como eram aqueles anos dourados do Hard/Heavy. Eram tantas bandas e artistas da época que estavam estourando que não é fácil dizer quem eram os melhores, porque havia uma infinidade de estilos (musicais e visuais) completamente diferentes.

Um desses personagens, que viveu e experimentou de perto as glórias daqueles áureos anos é Ron Keel. Conhecido pelos seus trabalhos com o Steeler e em seguida com o Keel, no qual gravou dois grandes álbuns, “The Right To Rock” e “The Final Frontier”, conquistou seu espaço dentro Heavy Metal e Hard Rock não só pela qualidade de sua música, mas também pela sua simplicidade e a atitude que tem com o público.

Neste ano de 2014, ele lançou o seu primeiro trabalho solo, sob o nome de “Metal Cowboy”, unindo o seu lado “Cowboy” com o  do Heavy Metal e Hard Rock, além de mostrar demais influências de outros gêneros no qual Ron cresceu ouvindo.

Nesta entrevista, ele fala tudo sobre o álbum "Metal Cowboy", também sobre seu passado glorioso, onde experimentou o sucesso e trabalhou com lendas como Gene Simmons e Yngwie Malmsteen.  (For English Version Clic Here)



Road to Metal: "Metal Cowboy" é o disco que marca a sua estreia como artista solo. Mas, pelo que eu imagino, não é fácil compor um álbum totalmente sozinho, muito diferente quando se tem colegas de banda ajudando, mas também, por outro lado, pode-se explorar outras influências, fazer algo mais pessoal. Gostaríamos que você falasse sobre essa experiência, de fazer um álbum solo.

Ron Keel: "Metal Cowboy" é um tipo de trabalho muito pessoal, o primeiro álbum da minha carreira que eu escrevi todas as músicas e criei um novo estilo de música que combina o meu amor pelo heavy metal com o meu coração cowboy. Eu ainda sou, como sempre na minha vida, motivado pelo desejo de fazer música e desafiar-me a criar algo especial. A música deve ser forte o suficiente para levantar-se contra as críticas, a passagem do tempo, e ir além das últimas tendências e modismos e eu acho que nós entregamos um clássico atemporal com "Metal Cowboy".


RtM: Você teve um planejamento especial antes do disco começar a ser gravado? Já vinha trabalhando as canções há algum tempo?

RK: O Keel estava em turnê na Europa em 2012, e eu estava no ônibus da turnê sentado à mesa com o meu bom amigo, o guitarrista do Keel Bryan Jay. Ele olhou e me e disse: "Você deve ser apenas o Cowboy Metal, que é o que você é." E uma luz acendeu dentro de mim quando eu percebi que ele estava realmente certo, e naquele momento eu tomei a decisão de fazer isso. Logo depois disso, eu comecei a escrever canções para o álbum, e foi como uma viagem para as partes mais profundas do meu “eu”. Eu queria ser honesto, me expressar, contar minhas histórias, mas eu também queria que os riffs fossem fortes, os vocais altos, e o som teria de captar todas essas peças da minha personalidade.

RtM: As pessoas focam mais nos discos que você gravou com o Keel, mas muitos não sabem que você tem grandes influências do Southern Rock e música Country, que são bem explícitas em "Metal Cowboy".  No seu ponto de vista, pode-se considerar que esse disco é um material importante paras os fãs que não conhecem esse seu lado mais Southern/Country e Classic Rock?

RK: Eu adoro música.  Eu cresci em uma época em que tudo era chamado apenas de Rrock & Roll, ouvindo Judas Priest e Lynyrd Skynyrd! Black Sabbath e The Eagles, de modo que este estilo é muito confortável para mim, me sinto em casa. "Metal Cowboy" é importante para mim, e eu sou muito grato aos fãs que o abraçaram e estão desfrutando desta música.


RtM: Quando eu (Gabriel Arruda) coloquei o disco pra ouvir pela primeira vez, tudo soou perfeito. A produção e as composições estão excelentes! A minha preferida, em especial, é a The Last Ride. Qual faixa e que você definiria como a mais importante desse disco? Inclusive tem um amigo seu daqui do Brasil que disse que esse é o melhor disco do ano.

RK: Obrigado, eu amo "The Last Ride" e também, é difícil pra mim escolher uma favorita, mas eu acho que ela e "My Bad" são as duas músicas que realmente capturam o que Ron Keel e "Metal Cowboy" representam! Também apreciei os elogios sobre a produção e composições. Eu queria grandes canções, não apenas músicas boas, e eu queria uma produção que soasse tão bem quanto os álbuns que eu amo ouvir, e eu acho que nós alcançamos esses objetivos com este projeto.

RtM: Ao ouvir atentamente o disco, eu percebi que ele tem praticamente de tudo: Hard, Heavy, Southern, Blues e Classic Rock. Mas o título do álbum, "Metal Cowboy", me fez ficar com certa dúvida: Esse título é para o fã ter uma ideia de como é a sonoridade do disco?

RK: Outro grande elogio, obrigado. "Metal Cowboy" é mais do que apenas o título do álbum, é quem eu sou! Mas eu acho que ele descreve a música perfeitamente em duas palavras. Talvez se nós lançarmos a versão em vinil, podemos incluir todo o título na capa: – “Hard Rockin’ Southern Country Metal Blues Cowboy” – Ha!


RtM: As músicas desse disco possuem bastante técnica, destacando a qualidade dos músicos, ainda mais sendo recheado de influências que vão desde o Hard, Heavy, Southern, Blues e Classic Rock, conforme toquei na pergunta anterior. Como foi a escolha das pessoas certas para tocarem no disco, e se você ficou satisfeito com o resultado final?

RK: Acredite, se eu não estivesse satisfeito, eu não teria lançado. Ao longo da minha carreira, eu tenho sido muito afortunado por ter trabalhado com tantos grandes músicos, como os caras do Keel, minhas bandas Iron Horse e Steeler, o projeto Saber Tiger no Japão, só com muita sorte. O mesmo é verdadeiro para "Metal Cowboy" que apresenta Mike Vanderhule(Y & T) na bateria, Frank Hannon(Tesla) na guitarra, tantos outros (a lista completa de créditos do álbum está em http://ronkeel.com),  mas é importante dizer que todos no álbum não são apenas grandes músicos ou cantores,  mas bons amigos também. Fazer um álbum é como ter uma festa, e você deseja convidar seus melhores amigos para aparecerem e comemorar com você!


RtM: O Gabriel falou de suas favoritas, e eu, Carlos, gostaria de falar de uma das minhas preferidas, a "What Would Skynyrd Do". Logo que peguei o álbum, foi a primeira música que ouvi, justamente pelo título! Gostaria que você comentasse mais sobre essa música, e sobre a influência do Lynyrd Skynyrd em sua música.

RK: Eu amo essa banda, e, em minha opinião, há dois Skynyrds, o line up clássico original e o line up atual. Eu amo ambos, mas eu sou um grande fã de seus álbuns mais recentes, dos últimos 15 anos, e eles têm uma pegada mais Hard Rock agora, bem como são capazes de escrever canções que têm fortes mensagens como "God & Guns", "Edge Of Forever", "Something To Live For". Mas minha canção vai mais além do que somente a música deles, pois o Skynyrd teve que suportar algumas das experiências mais trágicas e comoventes que a vida pode aprontar para eles, e eles ainda sobrevivem , eles continuam a trabalhar duro, eles ainda lançam grandes álbuns e fazem grandes shows, e isso tudo foi a inspiração por trás da minha canção “What Would Skynyrd do".


RtM: E se você pudesse escolher algumas pessoas para tocar em um futuro álbum, quem gostaria de ter ao seu lado em estúdio? Algumas de suas influências ou alguns de seus heróis?

RK: Eu montei o time para "Metal Cowboy" num piscar de olhos, foi uma combinação mágica de talentos. Um sonho é trabalhar com Gene Simmons mais uma vez, que produziu "The Right To Rock" e "The Final Frontier" para o Keel. Outro sonho é gravar um álbum de “Metal Cowboy” e tocar todos os instrumentos sozinho. Eu acho que seria meu testamento final.


RtM: Não podemos esquecer, é claro, da participação da sua esposa, Renee Keel, fazendo alguns backing vocals em determinadas faixas. E também do vocalista Paul Shortino, do King Kobra, fazendo dueto na música "Singers, Hookers & Thieves". Como surgiu a ideia de ter a sua esposa  participando do disco, e também de chamar o Paul Shortino?

RK: Renee é parte de tudo o que faço, e ela é a razão pela qual eu ainda estou lutando para ter sucesso e excelência. Ela é um verdadeiro espírito musical com uma grande voz e compreensão da harmonia, ela não está nas gravações só porque ela é minha esposa, ela tem seus méritos. Paul Shortino é um dos meus melhores amigos, e um dos melhores cantores do negócio, por isso foi realmente demais ter esse dueto com ele. Ele produziu meus vocais no último álbum do Keel,  "Streets Of Rock & Roll", temos uma amizade muito especial que eu estimo e ele foi matador em “Singers, Hookers & Thieves ".

RtM: Acompanhado do lançamento desse disco, você também lançou a sua auto-biografia, que leva o nome de "Even Keel - Life On The Streets Of Rock N' Roll". Como o livro ainda não foi lançado aqui no Brasil, não posso ainda dizer nada a respeito (risos). Mas para ficar com certa curiosidade, o quê os brasileiros podem esperar desse livro?

RK: O livro está sendo lançado em todo o mundo, e nós vendemos muitos deles para os fãs no Brasil. Agradeço aos fãs que o compraram e espero que eles gostem de minhas histórias e minha jornada em palavras. O livro é um relato muito honesto da minha vida, desde a infância até os dias de glória dos anos 80 para os bares de cowboy e a reunião com o Keel. Tomei uma abordagem diferente, não atingindo ninguém, exceto a mim mesmo, eu conto minha história honestamente sem bater em companheiros de banda, ex-mulheres ou ex-namoradas. O objetivo era criar um livro divertido e interessante, compartilhando as histórias que me fizeram quem eu sou.


RtM: E um pouco de história agora! Sobre os primeiros anos, com a banda Steeler. O que você pode dizer sobre a experiência com a banda, e de trabalhar ao lado de Yngwie Malmsteen também?

RK: O Steeler foi obviamente muito importante para a minha carreira, o álbum é um grande marco no Metal e com uma vida própria. Eu conto toda a história no meu livro, mais do que temos espaço  aqui,  mas foi uma experiência incrível fazer parte dessa cena de Hollywood em 1982, 1983 ...

Quanto a trabalhar com Malmsteen, tivemos nossas diferenças, mas nós compartilhamos um momento muito especial na história do Rock juntos e vamos estar sempre unidos pelo fato de que foi o seu primeiro álbum e meu primeiro álbum.


RtM: Após o fim do Steeler você formou o Keel, e trabalhou com Gene Simmons, vivendo os anos dourados do Har Rock nos anos 80, vendendo muitos álbuns, clips na MTV...Como foram esses anos para você, artística e financeiramente falando, e se você vê hoje algo que deveria ter feito de diferente e que poderia ajudar a banda a ter chegado num patamar ainda maior?

RK: Aqueles anos foram um sonho para mim, e o sucesso que tivemos me permitiu continuar a viver esse sonho por trinta anos. Para um garoto que cresceu nas ruas do lado pobre da cidade, alcançar meu objetivo de ser uma estrela do rock foi além de incrível!! É claro que haviam algumas decisões da gravadora por mim, que, provavelmente, prejudicaram nossas chances de chegar onde queríamos, mas se o álbum do Keel, o "Streets Of Rock & Roll" de 2010, fosse lançado na década de 80 eu não tenho nenhuma dúvida de que teria sido multi- platinado.


RtM: E quanto ao futuro? Já está nos planos um novo álbum do Keel? Ou quem sabe continuar em carreira solo?

RK: Eu estou em uma montanha russa, vivendo a vida com a velocidade do Rock & Roll. Vou continuar a gritar tão alto quanto eu puder, criar música, entreter as pessoas, e espero vê-los em turnê em um futuro próximo !

RtM: Ron, muito obrigado pela sua atenção, obrigado por sua música também! Este espaço final é para você enviar  sua mensagem aos fãs brasileiros, e aos fãs ao redor do mundo!

RK: Por muitos anos, o apoio dos nossos fãs no Brasil tem sido uma grande fonte de inspiração, espero que possamos visita-los, vê-los face a face, abraça-los e apertar suas mãos, e compartilhar um pouco de música e bons momentos. Obrigado por tudo que vocês me deram, Ron Keel ama vocês!!! Encontre-me em http://ronkeel.com

Entrevista: Gabriel Arruda & Carlos Garcia
Intro: Gabriel Arruda
Tradução/Revisão: Carlos Garcia
Edição: Carlos Garcia