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sábado, 15 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Shawn James – 08/08/2026 – Hard Rock Café/CWB

Shawn James volta a Curitiba e prova que sua música é mais que uma trilha sonora

No último sábado, dia 08 de agosto de 2026, Curitiba recebeu novamente o cantor americano de blues, folk e rock Shawn James, com sua turnê "Flew Too Close to the Sun", e o local escolhido foi o famoso Hard Rock Café. Apesar de muitos acharem que esta era a primeira vez do cantor na cidade, na verdade ele já esteve por aqui com sua banda The Shapeshifters em 2023, tocando no Basement Cultural, um local mais intimista, e porque não dizer, menos suntuoso.

Primeiramente, esta resenha vai tomar um rumo um pouco diferente das demais que costumo escrever. Vamos falar de sentimentos aqui, e deixaremos os apontamentos mais objetivos para o final.

Importante falar aqui do talento deste artista, que teve seu primeiro EP lançado em 2013, e desde então, suas composições vêm figurando entre algumas trilhas sonoras conceituais, tanto de games, quanto de séries televisivas. Portanto, não é de hoje que o artista americano vem fazendo música de qualidade, mas somente de alguns poucos anos para cá, conseguiu atrair o público brasileiro para suas apresentações, não estou falando dos fãs de carteirinha, mas sim, dos apreciadores de boa música, abertos ao novo. Pois sabemos que muitos fãs de rock acabam ficando sempre nas mesmas bandas tradicionais, não dando muito espaço a outros estilos.

A música de Shawn James realmente impressiona, provoca sentimentos ao público, nostalgia, saudades, melancolia, enfim, durante toda a apresentação, um turbilhão de pensamentos atingiu pelo menos a metade dos presentes no local. Logo no início, uma história sobre um amigo que acabou falecendo e uma homenagem com a canção "That's Life" originalmente de Frank Sinatra, enchendo alguns olhos de lágrimas. Ressalto que esta música não está listada oficialmente, pois ela costuma aparecer de surpresa nas apresentações, portanto na lista oficial, ela ficou de fora. Entretanto, para quem estava lá, o momento foi real e inesquecível.

Durante a execução de "Burn the Witch" o público vibrou, mas também houve momentos de silêncio, onde só se ouvia a voz de James. O ponto alto, excetuando o hit do momento, foi a execução da música "Juliet", de seu novo álbum Passage que conforme o próprio é dedicada a sua esposa (que momento perfeito). O setlist conseguiu mesclar bem as músicas do novo álbum e os clássicos de outrora, ponto forte na escolha do mesmo.

O cantor nascido e criado na zona sul de Chicago é dono de uma das vozes mais belas que já pude presenciar em shows ao vivo, muito bem acompanhado pelo extraordinário Chris Overcash comandando o violino, em perfeita sincronia com os vocais. Todos os músicos pareciam ter uma sinergia ótima.

Ao longo da noite, muitas conversas com o público, pausas para alguns goles de cerveja, pois afinal somos todos humanos, agradecimentos à plateia, muita humildade e principalmente grandes canções. Logicamente teve a música do momento "Through The Valley", e nesta parte faz-se necessária uma reflexão, que acabei fazendo a partir dos comentários do próprio Shawn: "Após a notícia de sua participação na trilha sonora do jogo de videogame "The Last Of Us", com a faixa "Through The Valley" e que também recentemente virou série aclamada no canal HBO, ele começou a aparecer na mídia e a fazer muitas turnês, impulsionado pelo sucesso do game." Neste momento, preciso dizer que a sensação presente no jeito em que o cantor falou tais palavras passou a impressão de empolgação, mas ao mesmo tempo de um sentimento de tristeza imperceptível, pois o talento do músico é inegável e com certeza merecia uma maior presença em nossas playlists, independente do sucesso da canção (que, de fato, é realmente uma pérola). Mas, novamente, pode ter sido apenas a minha impressão ou uma empatia escondida dentro de mim por ver um artista tão bom reduzido a uma música por algumas pessoas.


Agora vamos para as observações gerais, primeiro, a questão do local escolhido para a apresentação e estrutura. Bem, é inegável a capacidade do Hard Rock Café de proporcionar a melhor experiência ao público/cliente, os funcionários são educados, todos extremamente corteses e prontos a resolver qualquer demanda, inclusive a imprensa, no meu caso, foi tratada muito bem. A decoração é linda, a parte técnica dispensa comentários, há uma infinidade de opções de comidas e bebidas, mas um alerta, não é barato, nem mesmo acessível a todos, um chopp, por exemplo, custa em torno de 22 reais o copo de 500ml, a comida gira em torno de 80 reais um lanche completo para uma pessoa. Ou seja, a experiência é premium e o preço também. E uma observação, percebi poucas pessoas consumindo algo durante o show, sejam bebidas ou comidas. A conclusão fica clara, o valor do ingresso consumiu todo o "ticket médio" do sábado. Provavelmente após o show, muitos foram procurar lugares mais acessíveis para terminar a noite.

Por fim, é inegável o ótimo show realizado na capital paranaense, um pouco mais frio do que os demais, mas mesmo assim, foi extremamente apreciado pelo público. Também finalizo com uma observação: o local poderia estar muito mais cheio do que realmente estava, me atrevo a colocar a culpa nos valores dos ingressos e na situação econômica do país. Principalmente nas capitais, onde a demanda de shows está muito alta e as pessoas não estão conseguindo acompanhar os valores cobrados pelos eventos. Este show de longe poderia ter sido apreciado por muito mais gente, então: "Shawn James, continue vindo ao Brasil!", para que mais fãs tenham acesso ao espetáculo que é sua música!


Texto: Paula Butter

Fotos: Vladimir Silverio 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Move Concerts / RW 7 Promoções Eventos


Shawn James – setlist:

The Curse of the Fold

I Want More

Burn the Witch

Icarus

Orpheus

Flow

The Thief and the Moon

The Guardian (Ellie's Song)

Through the Valley

Headed for the End

Peace of Mind

My Juliet

Tired of Trying

Burn

No Blood From a Stone

Haunted

The Devil's Daughters

Muerte mi amor

Let Me Go


Errata: A matéria inicial publicada pela Road To Metal, de minha autoria, sobre o anúncio do evento, descreveu a apresentação de Shawn James em Curitiba, no dia 8 de agosto, como show "inédito" e parte da "primeira turnê" do artista pelo Brasil. Na verdade, Shawn James já havia se apresentado na cidade em 14 de abril de 2023, no Basement Cultural, dentro de uma turnê brasileira que passou também por São Paulo e Rio de Janeiro. 

sábado, 2 de maio de 2026

Cobertura de Show: Smith/Kotzen – 24/04/2026 – Tork N' Roll/CWB

Smith/Kotzen estreia no Brasil e conquista Curitiba com classe e talento

Finalmente, uma sexta-feira com peso e majestade em Curitiba, foi no dia 24 de abril de 2026, com a primeira apresentação do projeto Smith/Kotzen no Brasil. Além de Curitiba, a banda também se apresentará em outras cidades, inclusive no festival Bangers Open Air em São Paulo. E para aqueles que não poderão comparecer ao festival, nada melhor do que um espetáculo com músicos experientes "em casa".

A noite prometia, afinal: falem o que falar, tratava-se de Adrian Smith (Iron Maiden) em Curitiba, o saudosismo dos fãs acaba ganhando o espaço. Entretanto, não tem como ignorar o imponente Richie Kotzen, que deu show de simpatia e talento, sem falar que é um músico que marcou gerações no Mr. Big e ainda nos emocionou no primeiro Bangers Open Air (ainda com o nome SummerBreeze Brasil) em 2023, com o Winery Dogs, ao lado de Mike Portnoy (Dream Theater).

Além disso, para completar o grupo, temos a baixista Julia Lage (Vixen) e Bruno Valverde (Angra) nas baquetas. Importante ressaltar a dinâmica da banda com Julia, que fazia a ponte perfeita entre as duas lendas, esbanjando carisma com troca de olhares e gestos com o público e o conterrâneo brasileiro Bruno.

Novamente, no Tork N' Roll foi noite de uma banda só, com horário de início às 21h, seguido quase à risca, com um mínimo atraso de 10 minutos. O local estava com bastante público, mas longe da lotação máxima, o que deixou o evento mais confortável, sem filas, ar-condicionado perfeito, sem empurrões, ninguém "passando dos limites na bebida", enfim, um público bem "britânico", ou melhor, "curitibano". A faixa etária era claramente composta de pessoas acima dos 35 anos, com predominância de camisetas do Iron Maiden desfilando na passarela do Tork, salvo alguns que adquiriram as camisetas Smith/Kotzen, que, permitam-me dizer, eram muito elegantes e de bom gosto.

Todos prontos? Vamos para o Smith/Kotzen, que sobe ao palco um pouco desajeitado, mas acredito que ninguém percebeu, nem faria alguma diferença mesmo. A noite começa com ansiedade da pista premium e com a execução tímida de "Life Unchained", seguida sem pausa por "Black Light" e "Wraith". Aos poucos os músicos foram ficando mais à vontade para conversar com o público, mas não tem como negar o jeito mais inglês de Adrian Smith, se comparado com o jeito descontraído de Kotzen, que brilhou muito nesta noite de sexta.

A interação entre os músicos era perfeita, tornando o espetáculo em um show de técnica. As guitarras de Adrian sempre foram perfeitas, mas é inegável que ganham um "plus" quando acompanhadas do vocal nostálgico de Richie, além do toque especial do baixo de Julia, sempre movimentando-se de um lado para outro. Por fim, com o grande Bruno Valverde, o nó fecha perfeitamente em um hard rock de excelente qualidade, riffs precisos, solos eloquentes e composições emocionadas. Este projeto já nasceu para o sucesso e passou no teste com louvor, pois o público curitibano enfim rendeu-se totalmente à dupla.

Ponto alto da noite para a execução de "Hate and Love", momento em que o público realmente "esquenta", euforia em "Scars" e "Running", tocada com muita emoção. Quase no final da apresentação, fomos presenteados com a belíssima "You Can't Save Me", com total devoção por parte de Kotzen. E para finalizar a noite, eis que surge a emblemática "Wasted Years", cantada bem ao estilo Adrian Smith, mas que deixou todos ali presentes em êxtase, palavra que define perfeitamente os Iron "maníacos" chorando a plenos pulmões, e sim, foi lindo!

E por fim, vou terminar com uma frase que ouvi muito durante toda a noite: "Ahh, mas é o Adrian Smith né!!!", referindo-se ao guitarrista, que dificilmente consegue desvincular sua figura de qualquer outro nome, por mais brilhante que seja o Smith/Kotzen.  




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Opus Entretenimento 


Smith/Kotzen – setlist:

Life Unchained

Black Light

Wraith

Glory Road

Hate and Love

Blindsided

Taking My Chances

Outlaw

Darkside

Got a Hold on Me

White Noise

Scars

Running

You Can't Save Me

(Richie Kotzen solo)

Wasted Years

terça-feira, 14 de abril de 2026

Cobertura de Show: Blackberry Smoke – 12/04/2026 – Tork N' Roll/CWB

Blackberry Smoke: Southern Rock de Primeira Linha em Curitiba

Dia 12 de Abril de 2026, domingo à noite em Curitiba, dia preguiçoso para a maioria das pessoas. Mas não para os fãs desta banda estadunidense da Geórgia, Blackberry Smoke, para eles a ansiedade era surreal. Afinal, a espera foi longa, sete intermináveis anos. O evento ocorreu no Tork N´Roll, casa de shows muito bem estruturada e bem localizada, pronta para proporcionar toda a diversão que o público desta famosa banda de Southern Rock merecia. Aprodução ficou a cargo da Solid Produções e Caveira Velha.

O grande evento da vez na capital curitibana teve seus ingressos esgotados semanas antes da apresentação. No local conversamos com pessoas vindas de vários estados do Brasil, que enfrentaram uma longa viagem para poder estar ali, onde tudo era possível! A animação era realmente contagiante. Faltando quase uma hora para o início da apresentação, o local já estava lotado, com filas para bebidas, alguns haviam até "passado da conta", tudo bem compreensível. Mas devo aplaudir os trajes dos fãs que lá estavam, uma perfeição. A impressão era de que estávamos literalmente em um evento digno de série televisiva americana: pessoas bonitas, sorridentes e muita "azaração" à moda antiga.Atlanta veio à Curitiba!

Desta vez, o show não contou com banda de abertura, tendo início pontualmente às 20h, conforme anunciado. E eis que a euforia começa: entram os músicos e a festa tem início com "Good One Comin' On", com a banda ainda no modo esquenta, talvez impressionados com a energia do público, suficiente para fazer estes americanos simpáticos tirarem o chapéu e brilharem os olhos.

Durante toda a apresentação não faltaram sorrisos de Charlie Starr, Paul Jackson, Richard Turner, Brandon Still, Benji Shanks e do baterista Kent Aberle, e lógico, uma performance impecável de toda a banda. Mas os pontos altos foram, sem dúvida, "Pretty Little Lie", "Waiting for the Thunder", "Ain't Much Left of Me" e a mais aguardada "One Horse Town", acompanhada em uníssono pela plateia, realmente um momento para ficar na memória.

Por fim, foi uma experiência muito gratificante, especialmente para aqueles que acompanham séries televisivas do gênero, como Yellowstone, Sons of Anarchy e Nashville. O Blackberry Smoke teve algumas de suas canções presentes nestas séries de sucesso, e lembrar delas durante o show foi nostálgico. E claro, não podemos esquecer da presença constante do baterista Brit Turner, que nos deixou em 2024, no coração de todos, sempre homenageado por seus amigos acada apresentação.

Este show vai deixar saudades em sua perfeição. Mas ao final, alguns apontamentos em caráter construtivo sempre fazem parte. Quanto à estrutura, o ar condicionado merecia mais atenção, pois a sensação térmica estava passando do suportável; o acesso para a compra de bebidas também estava um pouco difícil, pois para um show sold out em local fechado, deveriam estar disponíveis pontos de hidratação próximos ao palco. Também convém destacar a falta de cordialidade com os profissionais da imprensa, principalmente com os fotógrafos credenciados, o que acabou prejudicando um pouco o resultado final, ainda mais considerando que, em todos os eventos da cidade, a cordialidade costuma ser impecável, seja em shows de médio ou grande porte. Mas nada que desabone este espetáculo: no final, tudo ocorreu como esperado, e o que fica no coração e na alma é o amor à música.

Texto: Paula Butter 

Fotos: Vladimir Silvério 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Solid Music Entertainment

Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Blackberry Smoke – setlist:

Good One Comin' On

Payback's a Bitch

Live It Down

Hammer and the Nail

Shake Your Magnolia

Till the Wheels Fall Off

Let It Burn

Pretty Little Lie

Waiting for the Thunder

You Hear Georgia

Ain't Gonna Wait

Sleeping Dogs

(With Come Together by Beatles interlude)

Azalea

Shakin' Hands With the Holy Ghost

One Horse Town

Ain't Got the Blues

Up in Smoke

Run Away From It All

Bis 

Dancing Days

(Led Zeppelin cover)

Ain't Much Left of Me

(With Mississippi kids by Lynyrd Skynyrd Interlude)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cobertura de Show: Extreme + Halestorm – 08/04/2026 – Live Curitiba/CWB

Extreme e Halestorm: Rock, Resiliência e Emoção na Live Curitiba

A experiência Hard Rock do Extreme e a energia Rock N'Roll do Halestorm se colidiram nesta quarta-feira, dia 8 de abril, na Live Curitiba. As duas bandas foram algumas das principais atrações do Festival Monsters of Rock em São Paulo no final de semana anterior. O evento na capital curitibana foi realizado pela produtora Like Entretenimento.

Finalmente vamos ao que interessa: a noite estrelada de quarta, parece até perseguição, mas a maioria dos shows acontece sempre em meios de semana aqui em Curitiba. Provavelmente é culpa da logística que precisa desdobrar-se em mil para levar os equipamentos até as várias cidades e, invariavelmente, culminando aos finais de semana em São Paulo, onde obviamente o público é maior. Tudo parcialmente perdoado, afinal, sempre somos privilegiados em receber os melhores eventos, e o corpo que lute para trabalhar no dia seguinte. Afinal, isto é Rock N' Roll!

Extreme e Halestorm foram recebidos na Live Curitiba, que há algum tempo vem perdendo espaço para outras casas noturnas mais focadas no gênero rock. Mas há alguns anos já recebeu desde Bruce Dickinson até Sepultura, portanto seu tamanho estava à altura dos convidados. Entretanto, ao chegar ao local, percebi certo descaso no quesito da praça de alimentação externa, um pouco mais simples do que em outros tempos, mas tudo bem, nada que abale o público mais novo. Mas o caso, neste dia, é que o público era composto em sua maioria de pessoas mais velhas que, atualmente, pelos valores cobrados pelos ingressos, esperam uma experiência mais premium. Mas havia petiscos e bebidas geladas, o que bastou (ou não, talvez!?).

O show do Halestorm estava previsto para às 20h30, horário cumprido à risca. Mas antes de seguir ao show, importa falar que o local não atingiu boa lotação, fato comprovado pela interdição da área superior da casa, deixando somente a pista dividida desigualmente em premium e normal, e os camarotes especiais superiores, geralmente reservados por grandes grupos que optam por mais conforto.

E pontualmente sobem ao palco a carismática Lzzy Hale, juntamente com os músicos Arejay Hale, Joe Hottinger e Josh Smith, todos visivelmente animadíssimos, sem se importar com a casa "meio" cheia. Pois em quesito de show de rock, "uma coisa não tem nada a ver com a outra": os fãs que ali estavam ocuparam todo o recinto aos gritos, incentivos, choros, emoções à flor da pele, roupas a caráter, e a cada término de música a banda era ovacionada sem parar.

As três primeiras músicas, sempre dedicadas aos cliques, foram executadas à perfeição: "Fallen Star", "I Miss the Misery" e o hit "Love Bites (So Do I)", com uma interpretação forte e com Hale mostrando toda a sua potência vocal e presença de palco. A banda é um pacote completo, além de técnica, se preocupa com todo o visual: cores, luzes e movimentação de palco, para que a experiência do público seja perfeita.

Para alegria geral, tudo ocorreu sem desânimo, graças à interação constante dos músicos e das fofíssimas capivaras de pelúcia espalhadas pelo palco e em formato de chaveiro nos integrantes e em seus instrumentos. Para quem não sabe, Curitiba tem orgulho em exibir suas capivaras soltas em parques e em forma de souvenirs pela cidade, tornando os nativos um pouco mais simpáticos. (Novamente, não me julguem: Sou 100% curitibana).

Ressaltando o destaque da noite para a canção "Like a Woman Can", onde toda a temática da música e o ativismo de Lzzy culminaram em uma homenagem e exaltação à força das mulheres que lá estavam. Momento de total engajamento da plateia. Em resumo, foi um show de pouco menos de uma hora e meia, mas que cumpriu o que prometeu. Público animado, sem espaços vazios no galpão. Para os amantes de guitarras, foi um desfile de modelos, as quais a vocalista trocava frequentemente, para o deleite de todos. Destaque para a belíssima Gibson cor chumbo com reflexos brilhantes, que ofuscou o local!

Um pouco antes das 21h30, houve o tempo de pausa para troca de equipamentos e adequação do palco para a chegada do tão aguardado Extreme, com horário previsto para às 22 horas. Além da famosa pausa para lanches, toalete e bebidas, percebeu-se uma mudança no público presente. Explico: o público mais novo foi dando espaço a uma faixa etária um pouco mais avançada, salvo os fãs na grade, que não arredaram o pé por nada. Com o decorrer do tempo, apareciam casais, famílias,  todos claramente espectadores da era dourada do Extreme. Inclusive, me incluo neste grupo, pois tive meu pôster de Gary e Nuno no quarto durante a adolescência, e nem em meus melhores pensamentos, na época, imaginaria estar aqui hoje. Uma honra, mas nem por isso os panos quentes serão passados ou algo indigesto jogado para debaixo do tapete. Afinal, não estamos aqui para isso.

A ansiedade tomava conta da plateia que, em um passe de mágica, mudou de um público enérgico para rostos ansiosos e tensos, como se soubessem de algo que não chegou ao conhecimento geral. Especulações não faltavam: algumas a respeito da quantidade de público, um pequeno atraso na montagem do palco, rostos aflitos estampados na equipe técnica. Confesso que, a não ser pelo atraso no início do show, achei tudo normal. Afinal, tratava-se do Extreme, os caras estiveram aqui no Brasil no extinto Hollywood Rock de 1992, por favor! Excesso de zelo faz parte do processo.

Após momentos tensos, sobem ao palco, com energia e sorrisos sobrando, os músicos do Extreme com seus instrumentos em punho e visual de videoclipe da MTV. Gary Cherone é um showman sem discussões, o mesmo vale para o guitarrista Nuno Bettencourt. Também em destaque: o baterista Kevin Figueiredo e o simpático baixista Pat Badger, que durante todo o show demonstrou uma serenidade surreal. Início de setlist explosivo, plateia antenada: "Decadence Dance", "Rest in Peace", "Am I Ever Gonna Change" , tudo em frenesi, capitaneado por Gary.

Após os primeiros 40 minutos de show, a plateia começou a esfriar, talvez devido ao cansaço. Afinal, muitos já estavam ali há pelo menos 3 horas, senão mais. Foi o momento perfeito para Gary entoar o refrão de "We Will Rock You", do Queen, para tirar alguns do transe, ou do sono mesmo. Para aqueles que não deixaram a fadiga vencer, até aquele momento o espetáculo estava à altura.

Mas como perfeição só existe na ficção, por volta das 22h45 o som começou a incomodar os ouvidos, percebendo-se um problema técnico relativamente comum. Entretanto, os minutos foram passando, uma microfonia nas guitarras de Nuno ficou mais evidente e desestabilizou um pouco a banda. Afinal, eles queriam fazer o seu melhor. Ainda foram feitas algumas tentativas de continuar com as músicas, mas por volta das 23 horas uma pausa para reorganização e solução dos problemas se fez necessária. Neste momento, o público poderia ter sido mais empático com os músicos, que estavam tentando contornar a situação com piadas desajeitadas, improvisos que não saíam certos, olhares entre Nuno e Gary pedindo socorro mutuamente.

Passados os desconfortos, podemos reconhecer os anos de estrada do Extreme, que não chegou onde está por acaso! Os músicos de repente crescem diante da plateia e fazem do problema parte do espetáculo. Em grande parte pela opção do guitarrista Nuno de assumir para si a difícil arte de lidar com o público sem roteiro e sem papas na língua, com algumas frases que escaparam sem querer: "Ai, Jesus!" e "O som não presta, como vamos tocar?", seguidas de vários pedidos de desculpas ao público. Logo, uma bateria improvisada vem à frente com Kevin Figueiredo (em pé) dando o tom e mostrando que quem sabe o que faz brilha; Gary, mais tranquilo, com microfone em riste; Pat Badger inabalável com seu baixo; e guitarras acústicas preparadas para um Nuno mais calmo. Pronto! O espetáculo voltou com tudo, e ainda com o tempero da resiliência humana. A canção "Hole Hearted" foi uma obra-prima: se o show terminasse ali, a missão estava cumprida.

Por fim, dedico este parágrafo a todos os músicos deste planeta que, apesar das dificuldades, tentam dar sua melhor versão ao público. Trata-se de respeito ao próximo. Vale a pena detalhar: Durante a execução da menina dos olhos da banda, "Midnight Express",  que traz toda a técnica guitarrística de Nuno Bettencourt aos holofotes, a microfonia e os problemas surgem, não dando mais para esconder a frustração. Ele tenta novamente, mostrando habilidade extrema, mas insuficiente diante do problema de som. Levanta, conversa com os técnicos, desabafa, insiste, e digo aqui: foi muito angustiante presenciar aquilo. Alguns tentavam palmas para levantar o astral, mas a maioria permaneceu simplesmente observando o sofrimento alheio. Por um milagre ou competência técnica da equipe, o problema é resolvido: o músico fala com o que lhe resta de orgulho: "Vamos começar novamente? Fingir que nada disso aconteceu e que foi apenas um ensaio?" E lá vai nosso insistente herói para uma execução perfeita e emocionante de "Midnight Express". E, pasmem: a plateia esqueceu que tinha celular. Não se viam telas ao alto, somente pessoas boquiabertas presenciando arte sendo executada. Momento raro hoje em dia! Após o transe, alguns resolveram filmar, mas a lição que ficou foi que precisamos dar mais crédito aos artistas. Este show foi uma demonstração de humildade e perseverança de músicos que merecem nosso total respeito. Confesso que já vi artistas jogarem a toalha e abandonarem o palco por bem menos.

Por fim, depois de tanta sofrência, chega a execução da clássica "More Than Words" com um toque especial de comemoração, olhares aliviados e público satisfeito.

Vida longa ao Rock N' Roll! 

Vida longa ao Halestorm! 

Vida longa ao Extreme!




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Like Entretenimento


Halestorm – setlist:

Fallen Star

I Miss the Misery

Love Bites (So Do I)

Mz. Hyde

Like a Woman Can

I Get Off

Familiar Taste of Poison

Rain Your Blood on Me

Drum Solo

Freak Like Me

Wicked Ways

I Gave You Everything


Extreme – setlist:

It ('s a Monster)

Decadence Dance

Rebel

Rest in Peace

Am I Ever Gonna Change

Thicker Than Blood

Play With Me

Other Side of the Rainbow

Hole Hearted

Midnight Express

More Than Words

Cupid's Dead

Banshee

Flight of the Wounded Bumblebee

Get the Funk Out

Rise

Trechos de covers (Queen/Led Zeppelin)

segunda-feira, 2 de março de 2026

Cobertura de Show: Obituary – 22/02/2026 – Tork N' Roll/CWB

O death metal afiado de Obituary aquece Curitiba

Num domingo ameno e chuvoso, a banda estadunidense de death metal Obituary tirou os curitibanos de casa para mostrar o motivo pelo qual estão há 40 anos na estrada sendo referência no gênero. No último domingo (22) no Tork N Roll, a produtora Caveira Velha, junto a Xaninho Discos, trouxeram uma trinca pesada para encerrar de vez esse mês de folia: Enslaver (Maringá), Rotborn (Bauru) e o headliner, Obituary (EUA). 

Como sempre gosto de ressaltar, os eventos de ambas produtoras nunca decepcionam. Seja pela pontualidade assídua, quanto pela qualidade sonora e da produção de todo o evento. Soa um pouco brega dizer isso, mas o comprometimento com horários dentro do underground nem sempre é levado muito à sério, maa mesmo assim eles nos mostram que a cena não é bagunça da melhor forma possível, com o público entrando na casa exatamente 19h e com a banda de abertura à postos com seus instrumentos às 19h30. 

Formada em 2015 e representando o Paraná, os meninos da Enslaver honraram seu lugar no evento, com músicas do seu álbum, “Side Evil”, e demais EPs. Com riffs rápidos e material muito interessante, eles conseguiram conquistar um público surpreendente para um show de abertura em Curitiba, com direito a mosh na quarta música, Death Curse, em diante. O thrash metal formado por letras sobre resistência trouxe um suspiro de alívio para os fãs do gênero ao mostrar qualidade e humildade, agradecimentos por parte da banda em meio as pausas do set.

Um pouco adiantados, Rotborn entrou ao palco com três minutos antes do previsto com uma presença de palco e energia contagiante. Um vocal visceral de grindcore misturado ao som pesado de death nos instrumentos, os jovens da platéia se deixaram levar e formaram um mosh logo na segunda música, que se estendeu até o final da apresentação, com direito a manejo de classe do vocalista num “Abram a roda, por favor” quando o público começou a se amontoar. Mesmo quem não estava na “baguncinha gostosa”, como apelidei carinhosamente, estava curtindo o show batendo a cabeça em Ungraved, o que gerou um momento curioso: todos batendo a cabeça no mesmo ritmo.

Vale ressaltar que foi minha primeira vez presenciando um show de metal pesado. Já tinha uma certa noção de como seria, pois já fui a eventos punk no passado, mas foi muito interessante perceber como a plateia era uma perfeita mistura entre gêneros e idades, onde quase metade eram mulheres, além de umas crianças aqui e ali. Todas as gerações do death metal estavam presentes para prestigiar os ídolos do Obituary.

Às 21h30, a primeira nota de “Redneck Stomp” soou nos alto-falantes do Tork N Roll, fazendo a multidão sacar os celulares para o alto a fim de recordar o momento. Muitos ali pareciam estar esperando há muito tempo para ver a banda ao vivo. 

O setlist, diferente do que imaginei, não tocou o álbum “Cause of Death” na íntegra, mas misturou alguns de seus sons bem conhecidos, assim como do último trabalho, “Dying of Everything”. As primeiras músicas, “Sentence Day”, “A Lesson in Vengeance” e “The Wrong Time”, aproveitaram o ânimo do público para mostrar que os veteranos continuam mantendo um alto padrão de composições nos últimos discos. 

As músicas tocadas do Cause of Death me surpreenderam ao vivo, pois achei muito melhor do que a performance do disco. Com as sete músicas tocadas desse álbum, a voz de John Tardy é espacial e cativante no palco, ecoando nos ouvidos assim como os acordes da banda, mesmo após 35 anos. Foi admirável ver todos no mesmo ritmo, numa performance digna de respeito. 

Trazendo “I’m In Pain” e fechando com a mais esperada “Slowly We Rot”, foi interessante como o Obituary trouxe o espetáculo também na montagem do set, sem deixar que o show se tornasse cansativo para ninguém da plateia, que a todo momento se mostrava frenética desde o primeiro segundo da apresentação, assim como abordou títulos importantes de toda sua carreira, deixando o público satisfeito com o que viu.


Texto: Silvia Kucek

Fotos: Vladimir Silvério 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Caveira Velha Produções / Xaninho Discos

Press: Tedesco Comunicação & Mídia / Acesso Music


Obituary – setlist:

Redneck Stomp

Sentence Day

A Lesson in Vengeance

The Wrong Time

Infected

Body Bag

Dying

Cause of Death

Circle of the Tyrants (Celtic Frost cover)

Chopped in Half

Turned Inside Out

Bis

I'm in Pain

Slowly We Rot

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Enforcer – 08/02/2026 – Basement/CWB

Neste domingo, dia 8 de fevereiro de 2026, Curitiba recebeu a banda sueca de heavy metal tradicional Enforcer que está em turnê pela América Latina com a "Unshackle Latin America 2026", e chegou ao Brasil pela Caveira Velha Produções.

O evento aconteceu no Basement Cultural, uma casa de shows com característica mais intimista, sem espaço para área de pit, ou seguranças, deixando público e artista cara a cara. Ao chegar ao local, por volta das 19:10hs, haviam poucas pessoas na fila, mas assim que o Basement abriu suas portas, brotaram fãs de ambas as bandas de todos os lados. Acredito que a maioria estava curtindo o famoso “esquenta” em outros locais, e também fazendo um lanche reforçado, visto que no local não há comida para comercialização.

A abertura da noite ficou a cargo da Creatures, uma banda brasileira de Curitiba, com proposta sonora fortemente inspirada no Heavy Metal tradicional, além de elementos do Hard Rock oitentista. O grupo capricha na produção com uma estética retrô aliada à produção moderna, consolidando-se como um dos nomes emergentes do metal tradicional nacional. 

No local, inclusive haviam muitos fãs da banda, com camisetas e elogios rolando solto, que naturalmente provaram-se válidos ao final da apresentação. Os músicos mostraram carisma, técnica, interpretação quase teatral, ótimas letras, além de uma boa pegada nos riffs e baladas na medida certa. Além é claro de apresentar o repertório do novo álbum “Creatures II” ao vivo. O ponto alto foi na execução de “Dressed To Die”, por volta das 20;26hs com o público inebriado pelos primeiros acordes.

A banda despediu-se do numeroso público com muitos agradecimentos no estilo do bom Heavy Metal tradicional. Uma ótima esperança para as futuras e atuais gerações de headbangers apreciarem um bom som pesado. A formação atual conta com Marc Brito (vocais), Mateus Cantaleäno (guitarra), Ricke Nunes (baixo) e CJ Dubiella (bateria).

Naturalmente, é chegada a hora do intervalo entre bandas, momento para se hidratar e procurar um bom lugar para ver a banda. Apesar do calor próximo ao palco, nas áreas mais ao fundo, uma leve brisa deixava a experiência mais tranquila. 

Por volta das 21 horas, Enforcer sobe ao palco com todo o ritual old school seguido à risca. Lembrando que trata-se de uma banda sueca, conhecida por resgatar o som clássico do Heavy Metal dos anos 80, liderada por Olof Wikstrand nos vocais e guitarras, a banda mistura velocidade, riffs tradicionais e vocais agudos.

O show de Curitiba foi bem intimista, no sentido em que os músicos praticamente tocaram na frente dos fãs, que em vários momentos precisavam se afastar um pouco para não serem atingidos pelos instrumentos, uma experiência sem preço. Parabéns para o público curitibano, que agitou e respeitou o espaço dos artistas, que por sua vez elogiaram muito os presentes. 

O setlist foi bem enérgico, com músicas dos álbuns Into The Night, Death by Fire e Nostalgia, ponto forte para a execução da música “Nostalgia” que enlouqueceu os fãs, afinal já virou um clássico com muito apelo ao vivo. Por volta da metade do show, uma pausa para a platéia ovacionar a banda e gritar “Enforcer” repetidamente. E logo depois, a banda volta com mais peso, e animação, apesar do lugar não estar com lotação máxima, os presentes não fizeram feio ao agitar com a banda, que merece todos os méritos, superando as expectativas com louvor.

Por fim, após o “encore” a banda agradeceu a todos os presentes e se mostraram disponíveis para fotos e conversas com os fãs na sequência. Uma lição de talento e respeito que poucas bandas apresentam. 




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 




Creatures – setlist:

Devil in Disguise

Night of the Ritual

Beware the Creatures

Dressed to Die

Children of the Moon

End of the Line

Danger


Enforcer – setlist (não oficial): 

Destroyer

Undying Evil

Unshackle Me

From Beyond

Live for the Night

Die Young (Black Sabbath cover)

Roll the Dice

Zenith of the Black Sun

Coming Alive

Diamonds

Scream of the Savage

Nostalgia

Mesmerized by Fire

Running in Menace

One With Fire

Take Me Out of This Nightmare

Katana

Midnight Vice

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Avenged Sevenfold – 28/01/2026 – Pedreira P. Lemisnki/CWB

Avenged Sevenfold e Mr. Bungle protagonizam noite inesquecível na capital paranaense

Primeiro grande show do ano em Curitiba, e ninguém menos do que a banda americana Avenged Sevenfold, e ainda com abertura de Mr. Bungle. O evento movimentou a capital, tanto no aumento dos movimentos em bares da região, hotéis, transporte público e de aplicativo.  Inclusive houveram bloqueios de algumas ruas ao redor da Pedreira Paulo Leminski, onde a equipe técnica já preparava a estrutura no dia anterior. Afinal, não era qualquer palco que abrigaria as famosas bandas neste dia 28 de janeiro de 2026.

O público lotou a Pedreira Paulo Leminski para assistir a tão esperada apresentação da banda, tanto que a organização precisou de muita competência para garantir a segurança no acesso ao local. Sendo que haviam duas filas, uma para o ingresso de Pista Normal e outra para o acesso à Pista Premium, vendida com um valor um pouco maior. A produção não deu moleza e estava verificando documentos e carteirinhas que dão direito à meia entrada. E por incrível que pareça, a fila para a pista premium estava muito mais longa do que a da pista normal, fato curioso em eventos como este. Inclusive o fato foi motivo de frustração de muitos, que reclamaram do calor e demora para a liberação da entrada, alguns dos fãs ainda relataram que ficaram quase duas horas na fila, após a abertura oficial dos portões.

Entretanto, ao adentrar em solo já histórico, de shows na capital paranaense, tudo transformou-se em alegria. Ótima organização, muito banheiros espalhados pelo local, com equipe de limpeza sempre a postos, funcionários com sinalização para sanar eventuais dúvidas, bombeiros civis, postos de acolhimento, distribuição gratuíta de copos de água. Além, dos postos de vendas de bebidas alcoólicas e não alcoólicas e snacks.

A banda americana de rock alternativo Mr. Bungle subiu ao palco pontualmente às 18:30hs, e trouxe surpresas. Para quem não sabe, Mike Patton, líder do projeto, foi frontman do Faith No More, responsável por muitos hits dos anos 90. Mas deixando o passado de lado um pouco, a surpresa foi a participação de Andreas Kisser nas guitarras, que substituiu Scott Ian (Anthrax) na apresentação. Quando ficaram sabendo da notícia, primeiro pelas redes sociais, depois rolou um burburinho na pista e a confirmação com o próprio entrando em cena, foi uma alegria só. Afinal, não é todo dia que se vê tantos ícones da música em um mesmo palco. De longe foi a atração de abertura mais inusitada de todos os tempos. E realmente agitou todo mundo, ganharam aplausos de atração principal. 

Destaque para o setlist enxuto mas eficiente, com a execução de “Refuse/Resist” do Sepultura, seguido da platéia gritando, além de “Hypocrites” com o famoso “Speak Portuguese or Die”, as ótimas “Sudden Death”, “Hopeless Devoted to You”. E para finalizar, o cover “All by Myself” muito bem executado na voz de Patton e nas guitarras nervosas de Kisser, e claro, algumas alterações nas letras, para apimentar a coisa toda. Uma obra prima. 

Claro, boa parte do público estava aflita e ansiosa, para que o show do Avenged Sevenfold começasse logo, mas para os mais velhos, o evento estava indo de vento em polpa!

Novamente, falando da organização e cuidado dos técnicos para que a banda subisse ao palco com tudo certo, nem a chuva que ameaçou cair, atrapalhou a preparação do palco. E quando finalmente as luzes se apagaram e os fotógrafos se dirigiram ao pit, a certeza do início acalmou os ânimos.

Pontualmente às 20:15hs, a banda californiana formada pelo vocalista M. Shadows, Zacky Vengeance, Synyster Gates ambos nas guitarras, Johnny Christ no baixo e Brooks Wackerman na bateria, surgem ao palco, para o delírio e aglomeração do front row. E foi com “Game Over” do álbum Life Is But a Dream… que o espetáculo começou, quando também os raios do sol deram lugar à sombra da noite, que pairou sobre a Pedreira, deixando a natureza exuberante e as luzes do Avenged Sevenfold darem seu show à parte.

É certo que a discografia da banda é vasta, consequentemente, sempre acaba ficando de fora alguma música do coração dos fãs de plantão, mas no geral conseguiram agradar à todos. Tanto aqueles que estão seguindo a banda durante sua turnê pela América Latina, quanto aqueles que estavam vendo os músicos pela primeira vez, e também aqueles que gostam de conhecer bandas diferentes, para sair da mesmice. Inclusive este último grupo não se decepcionou,  a cada música executada, a vontade de cantar e pular era maior, e também a admiração pela simpatia de M. Shadows e companhia.

A execução da famosa “Afterlife” foi precedida de muita euforia e participação do público. Os telões estavam bem colocados, com ótimas capturas de imagens, então quem estava mais distante não teve problemas em acompanhar com detalhes a apresentação. Lembrando que o complexo que envolve a Pedreira Paulo Leminski e a Ópera de Arame, é extenso, sendo assim, com lotação máxima, teve gente que ficou bem longe do palco. Mas a paisagem, o lago e a natureza compensaram com a exuberante vista que a distância proporcionou. Inclusive, permaneci junto ao palco grande parte da apresentação, mas em determinados momentos, me afastava para ter ideia da magnitude do evento, da sinergia do público, banda e natureza. Confesso que desde meu primeiro show no local, em meados de 1994, sinto que é o lugar perfeito para apreciar uma boa música e se conectar com o universo. Muito sentimental, mas tudo verdade!

Momentos inusitados fazem parte, e neste dia não foi diferente, em um determinado momento, alguém da plateia entrega um envelope ao vocalista, que prontamente diz tratar-se de uma “revelação/chá de bebê”. Com o envelope em mãos, ele continua o suspense, para finalmente revelar em plenos pulmões “It´s a *fu.ing boy”, e na sequência dos aplausos do público, anuncia a próxima música: “This song goes to the new one” “Hail To the King”! Uma emocionante homenagem ao bebê que está para nascer. A partir deste ponto, a banda já estava se sentindo em casa, com muita interação por parte de todos os músicos. Foi realmente gratificante estar lá.” Inclusive, para os olhares mais atentos, não era raro trazerem alguns fãs da área PCD para perto do palco, em um revezamento que fez toda a diferença, afinal tinham muitas pessoas que viajaram horas para estar lá. 

E quando você acha que já viu de tudo, eis que surgem gritos da platéia entoando “Seize the Day” insistentemente, e para surpresa geral, foram atendidos, de improviso claro, mas foi o suficiente para a banda ganhar milhares de corações tupiniquins. A noite não tinha como ser mais perfeita, depois de tantos anos de espera, finalmente uma apresentação digna de ficar para a história de Curitiba, uma das cidades mais Rock N´Roll 's do Brasil (Desculpem, o curitibano não resiste!).

O show seguiu a todo vapor, com conversas intercaladas, inclusive, em um momento um dos músicos foi “picado por uma abelha" e o vocalista sorriu e perguntou se seria possível continuar (em tom de brincadeira) e em meio a risadas em geral, o show prosseguiu! Foram vários clássicos da banda, para enfim culminar na execução da música “Nightmare”, em meio a promessa de que a banda iria voltar! E acredito piamente que vão cumprir o prometido, afinal, não é qualquer show que inunda de calor humano a Pedreira Paulo Leminski (N.T.: dias após o show, a banda anunciou que retornará ao Brasil em setembro para se apresentar no Rock in Rio). Um detalhe aqui para a iniciativa do fã clube oficial, onde foi feita a distribuição gratuita de fitas azuis para colocar no celular e projetar a lanterna em forma de luz azul durante esta música em particular. De uma forma geral deu certo, mas poderiam ser em um número maior, entretanto toda iniciativa sem fins lucrativos é sempre bem vinda, parabéns aos envolvidos pela ação!

Enfim, é chegado o momento melancólico: O término do espetáculo e a volta à realidade, e diga-se de passagem, para casa. A logística para a saída do público neste local, ainda é complicada, devido ao fluxo de pessoas e saídas reduzidas, tornando comum, o tempo mínimo de 30 minutos para se chegar ao lado de fora, a não ser que você saia antes da última música, situação impensável naquela noite de quarta feira. Mais um show para ficar na história da cidade!


Experiências pós-show

Bem, aqui vai o relato de alguém que foi sem carro ou carona para o show (Mesmo já sabendo dos problemas, resolvi arriscar, para dar um depoimento real, afinal o que seria do jornalismo sem expor a realidade da maioria dos headbangers). 

Atentando aqui, que a produção do show fez de tudo para que não houvesse nenhum transtorno para o público, inclusive sinalizando as saídas, avisando onde os fãs poderiam chamar os táxis e aplicativos de transporte, e também informando o local onde a Prefeitura de Curitiba disponibilizou transporte gratuito até o centro da cidade. Portanto, a logística do evento está de parabéns, pois é a primeira vez que vejo tal preocupação. A questão está mais no local do show, bem afastado dos centro da cidade, e também na ganância do ser humano, a tal da lei da oferta e procura. 

No bairro em questão há muitas residências que disponibilizam estacionamento com valores aceitáveis (Em torno de 60 a 100 reais por todo o período do show), além de banheiros com valores módicos (média de 5 reais). Os estacionamentos comerciais, localizados mais perto do show cobram em torno de 100 a 150 reais o período, um valor até aceitável, visto que você pode dividir o prejuízo entre os ocupantes do veículo. Para quem nunca foi ao local, trata-se de um bairro nobre, mas com muitas ruas arborizadas e desertas em certo horário noturno. 

Continuando o relato emocionante em mais um parágrafo, a pessoa que vos escreve pretendia pegar o transporte gratuito da prefeitura, com toda a segurança policial ao redor, mas durante o show, me senti compelida a ajudar algumas pessoas de fora, que pretendiam chegar aos seus respectivos hotéis (localizados na região central). E nos deparamos com “motoristas de aplicativos” (não sei se era o caso, e nunca vou saber) oferecendo a corrida a 100 reais em média, no caso de mais pessoas era necessário negociar. E quando você acessava o aplicativo “famoso”, ninguém aceitava a corrida (Pasmem!!!!). 

Conclusão, as duas garotas de fora da cidade ficaram mais de uma hora e meia do término do show para voltar para o hotel, e devem ter pago uma pequena fortuna. Eu e uma grande amiga fomos de ônibus gratuito para o centro da cidade. Tudo certo, ônibus limpo, de qualidade, fãs respeitando uns aos outros, uma maravilha! Mas qual o problema? Mesmo tendo experiências em shows, eu e minha amiga encontramos certa dificuldade para o retorno, mas tudo certo! Só fico imaginando a infinidade de pessoas, mulheres, homens, adolescentes de fora que sofreram para retornarem aos seus hotéis e ainda confiaram em homens com placas dizendo “transporte” sem saber a realidade. Fica a dica para os próximos eventos na Pedreira Paulo Leminski em Curitiba!




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: 30ebr


Mr. Bungle – setlist 

Tuyo

Anarchy Up Your Anus

Bungle Grind

I'm Not in Love

Eracist

Raping Your Mind

Retrovertigo

Refuse/Resist

Hypocrites / Habla español o muere

Sudden Death

Hopelessly Devoted to You

My Ass Is on Fire

All by Myself


Avenged Sevenfold – setlist 

Game Over

Chapter Four

Afterlife

Hail to the King

We Love You

Buried Alive

The Stage

Seize the Day

So Far Away

Bat Country

Nobody

Nightmare

Not Ready to Die

Unholy Confessions

Save Me

Cosmic

A Little Piece of Heaven