quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cobertura de Show - Foi nesta vida: Guns N 'Roses com Axl, Slash e Duff satisfazem Porto Alegre

Cobertura por: Aline Cornely (jornaline@gmail.com)
Revisão/edição: Renato Sanson
Fotos: Katarina Benzova




É realmente inacreditável ter tido o privilégio de conferir ao vivo o talento do Guns N'Roses em formação original em Porto Alegre. Eu sonhava com isso, mas não para essa vida (trocadilho e referência ao nome da atual turnê 'Not in This Lifetime'). Na minha cidade, onde nasci e onde passei toda a adolescência achando que nunca uma banda internacional legal, de verdade, viria pra cá. Ainda bem que eu estava equivocada. Elas vieram, muitas, aos montes, e graças a Deus eu tenho tido a oportunidade de poder ser testemunha desses shows absurdos que têm rolado por aqui.

Quanto a mim, eu já tinha assistido a banda todas as vezes em que ela veio à capital gaúcha, ou seja, em 2010 e em 2014. Em 2010, trabalhei de assessora de imprensa do show do GnR por aqui, com o Atelier523, para a Hits Entretenimento, quando aprendi a amar esta baita banda monstro. Em 2014, assisti ao Guns, a convite da amiga Nêmora Pereira Lisboa, só pra curtir... Lá fui eu, desta vez, como repórter do site Road to Metal (www.roadtometal.com.br) para fazer a cobertura de mais um show histórico em Porto Alegre: Guns N' Roses com formação original, após 23 anos separados. Mais uma oportunidade de trabalhar feliz! Obrigada, Hits Entretenimento e Tsslr Conteúdo \o/

Um show histórico

A noite da terça-feira, 8 de novembro de 2016, foi histórica. Não somente para mim, como, talvez, para todo o público de 47 mil pessoas presentes, da cidade, do estado, do Brasil e talvez até do Guns (por mais insignificante que POA possa ser perante o Guns). Porto Alegre foi a primeira capital brasileira a receber o show da turnê 'Not in This Lifetime' da banda americana Guns N' Roses. O espetáculo começou por volta das 21h25 e teve cerca de duas horas e meia de duração. No céu nublado, a lua crescente fazia força para aparecer. O clima muito agradável, com temperatura por volta dos 27 graus, parecia ser de uma noite de verão.

O Dream Team do GnR

No palco, os membros originais, presentes na formação em 1985, em Los Angeles (EUA): Axl Rose, nos vocais e pianos, Slash na guitarra solo e Duff McKagan, 52 anos, natural de Seatlle (EUA) no contrabaixo, vocais e backings (perfeitos). Destaque para os dizeres cheios de atitude da regata preta do estiloso Duff: 'No fucks given'. Só a reunião desse trio de talentos no palco já era motivo suficiente para comparecer a esse show. Fiquei pensando... O que esses caras ainda não viveram juntos nestes 31 anos de banda? Devem ter cada história de bastidores para contar...

Complementando a banda, contamos com Richard Fortus, na guitarra, desde 2001 com o Guns; os braços e pernas pesadas de Frank Ferrer, na bateria, sem pedal duplo e com pratos Sabian, desde 2006; o cabeludo Dizzy Reed, nos teclados (Hammond) e backings, desde 1990; e a única mulher da banda, Melissa Reese, de cabelos compridos azuis, nos sintetizadores (Akai) e backings, aquisição deste ano. Graças ao time talentosíssimo no palco, as execuções foram impecáveis, muito fiéis aos originais e próximas ao perfeito.

Na maior parte do tempo, a configuração básica do palco foi esta:
- Atrás e acima: baterista Frank no centro, os tecladistas Dizzy, à esquerda, e Melissa, à direita;

- A frente e embaixo, próximo ao público: Axl no centro, Duff à esquerda, Slash à direita e Richard na ponta-direita.

As rosas são do Axl, mas as armas são do Slash - um show à parte

Até piercing no umbiguinho ele tem. Sexy, poderoso, “muso-divo-deuso”, o londrino Slash segue o mesmo de sempre. Não envelheceu. Congelou no tempo. No alto de seus 51 anos, vestiu uma calça de couro coladinha, um tênis tipo All Star, um colete vermelho 'a la grunge' aberto deixando à mostra os braços, o peito e a barriga, tudo em boa forma. Atrás do colete, o nome da cidade natal da banda: Los Angeles. Na mão esquerda de Slash, a mão dos acordes, no dedo anelar, um anel prateado de caveira lindo!

Ele fica escondido atrás da cabeleira, dos óculos e do chapéu em formato cartola, e ali ele viaja no mundo lindo da música que ele mesmo cria por meio dos seus solos absurdos. Ele sola de olhos fechados, com a cabeça voltada para os céus, porque assim dá pra apreciar de forma ainda mais profunda o som perfeito que ele mesmo faz. Tenho certeza de que ele praticamente tem um orgasmo tocando e, se você se concentrar e respirar a música, você quase vai junto. É incrível como dá para sentir junto com ele o prazer de alma e de energia que ele tem de tocar e de escutar o som que ele faz.

Sinto que ele mesmo se surpreende com o talento, a naturalidade, a habilidade e a facilidade que tem. A guitarra faz parte dele. Ele se comunica muito mais com o público tocando quieto do que o Axl com meias dúzias de palavras, pois sua música toca. Ele realmente TOCA. Emociona. Encanta. Ele brilha naturalmente. É incomum, fora de série. Slash simplesmente arrebenta com o talento mágico e surreal que tem. Supera todos os guitarristas que eu já vi ao vivo, não somente em técnica, mas na emoção que transmite. Manda a guitarra chorar, que se sente honrada de estar em suas mãos.

Enquanto Axl trocava de camisetas, Slash trocava de guitarras. Usou um modelo com dois braços em Civil War, mas sem grandes pedaleiras e artifícios. Eu fiquei chocada com o talento dele, paralisada, embasbacada, impressionada, boquiaberta. Em transe. Nunca tinha visto ele ao vivo. Ele me arrepiou inteira. Ele me fez chorar. Ele! Não foi a banda. A música dele traz paz. O Guns é ele. Ele é o talento monstro da banda. É quase sobrenatural! O sobrenome de Axl (Rose) até pode ser parte do nome da banda (Roses), porém as armas (Guns) são do Slash. Ele é a alma, a essência. Com certeza total, é um dos músicos-artistas mais talentosos da história do mundo. É o rei, é o deus da guitarra solo.



Axl, cadê você?

Quase irreconhecível... Um dublê, talvez? É ele mesmo? Nossa! Do garoto supersexy e desejado por 99% das mulheres do planeta, ele se tornou um gordinho senhor de 54 anos, aparentando uso de botox no rosto, ou algo do tipo. Pelo estilo, pelo charme, os gestos, olhares e dancinhas só dele ele segue sendo 'o cara'. Sem barba, cabelo na altura dos ombros solto, o loiro-ruivo vestia bota caramelo de cowboy, calça jeans rasgada na frente, corrente de metal e um casaco grunge amarrado no quadril. Usou também alguns modelos de chapéus - um preto, um de palha, entre outros - com uma bandana amarrando o cabelo por baixo. Em determinado momento, da metade pro fim do show, o estiloso vocalista, compositor e multi-instrumentista usou um óculos escuro. Como acessórios, muitas pulseiras, anéis e correntes no pescoço. Parece um velho bicheiro (jogo do bicho). Hahaha...

Apesar dos quilinhos extras, ele se esforçou para agitar o público, correndo bastante de um lado para o outro do palco, especialmente, no início do show. Essa movimentação toda logo na sexta música já o deixou sem fôlego para cantar, o que fez com que tivesse que se esganiçar mais e contar com a ajuda de todos os backing vocals. Devido ao suador que tomou, durante o show todo, trocou de camiseta quase dez vezes. Alternando entre pretas e brancas, as estampas foram da Harley Davidson (primeira), Abracadabra, caveira, serpentes e cobras, entre outras.

Infelizmente, Axl, com sua voz ainda mais rouca, não alcança mais os mesmos agudos como fazia décadas atrás, então semitona ou desafina um pouco, às vezes. Não tem mais a mesma potência, evidentemente, depois de tantos exageros com bebidas e drogas, descuidos com as cordas vocais e com a saúde, o que é compreensível, visto que se trata do líder de uma das bandas que mais atingiram sucesso na história do planeta.

Antissocial ou tímido, Axl praticamente não fala ou interage com a plateia. Trocou algumas poucas palavras, depois da metade do show para o final, que foram abafadas pela gritaria do público que estava ansioso por contato. Em contrapartida, demonstra uma presença de palco incrível, como sempre, somente segurando um microfone, gesticulando e fazendo caras & bocas, ele segue muito à vontade no palco e chega a ser engraçado, em alguns momentos.

Jagger & Richards + Tyler & Perry + Rose & Slash

Não devia comparar, já que tem sua grandeza particular cada uma dessas três duplas de feras, que brilharam nos mega shows no estádio Beira-Rio neste ano em Porto Alegre. Entretanto, o que não pude evitar de perceber é que no Guns parece haver uma certa disputa de 'beleza', uma rivalidade por parte do Axl em relação ao Slash. Não me parece haver uma cumplicidade ou uma generosidade de um em relação ao outro, como percebo nos Stones e no Aerosmith, mas, sim, um certo ciúme ou inveja. Espero que seja só impressão minha e que a cada dia eles se deem melhor, afinal juntos eles são muito mais fortes, com suas caveiras, estrelas e cruzes.



Estrutura do show

Para que todo o estádio pudesse ver o que rolava com os músicos em alta definição, o show foi todo filmado e apresentado em tempo real por dois telões/painéis de Led retangulares posicionados verticalmente à esquerda e à direita do palco.

As projeções relacionadas às músicas foram mostradas no telão quadrado central. Além da logomarca da banda e do nome da turnê, as imagens projetadas no painel central tinham estética de videogame, muita cor, muita luz, velocidade, alta definição, relacionadas com as canções, cheias de significado relacionado a cada uma.

Bem inovador, o palco era repleto de escadas. A bateria estava em um 'andar' acima, com os tecladistas, lado a lado. Por trás deles, havia uma passarela, que ficava na base do telão central e unia as duas escadas laterais, onde Slash adorou desfilar seus solos encantadores. Os fogos como efeitos especiais foram bem aproveitados nas canções mais explosivas como em 'Live and Let Die' e 'You Could Be Mine'.

Quanto ao volume, estava na medida, quase baixo, porém saudável. Muito bem equalizado, na minha singela opinião. Quanto à iluminação, chamou minha atenção sete canhões de luzes de todas as cores, tipos e intensidades, posicionados no topo do palco, que ora iluminavam em formato de triângulo, ora no formato de hexágonos.

Muito amplo em termos de idade, sexo e cidade natal, o público, em sua grande maioria, veio fardado com camiseta da banda. Os grandes hits foram registrados em fotos e vídeos pela plateia em celulares e câmeras. As lanternas da galera das arquibancadas e cadeiras iluminaram o estádio durante as baladas.



Setlist comentado

Para satisfação de (quase) todos, o repertório bem misto, com mais de 20 músicas, levou mais de duas horas e meia para ser apresentado. Foi equilibrado entre sucessos radiofônicos mundialmente famosos do GnR, covers, na maioria, populares de Wings, The Who, Bob Dylan, Pink Floyd, Eric Clapton, Led Zeppelin, além de canções mais alternativas, lados B, desconhecidas de quem não é tão fã da banda.

1. Looney Tunes + It's so easy: com a trilha de Looney Tunes como introdução, o início do show foi impactante e surpreendente, com fogos no final da primeira música.

2. Mr. Brownstone

3. Chinese Democracy

4. Welcome to the Jungle: tirou a galera do chão e contou com fogos no início e no final da canção. Na projeção dos telões, uma estrada na qual se passava, em alta velocidade, por prédios altos tomados de muitos monitores e amplificadores super coloridos e iluminados, entendi a imagem como uma 'selva midiática'.

5. Double Talkin Jive: solos lindos do Slash já deixaram a plateia atenta. Foi o primeiro contato com o talento dele.

6. Better: canção pegada, com riff de metalzão, rock pesado. Baixista e batera tocaram conectados, um de frente para o outro. No telão, projeções de olhos em transformação, como se quisesse representar o que não queremos ver, a dor que sentimos que pelas realidades doloridas que temos de enfrentar.

7. Stranged: No início, apareceu no telão do significado da palavra 'Illusion' no dicionário, fazendo menção ao álbum 'Use your Illusion II'. Durante a canção, Slash solou na passarela em frente ao telão central, ganhando ainda mais destaque, como se precisasse, mas ficou lindo!

8. Live and Let Die (Wings cover): Arrepiou a galera e foi um dos picos de emoção do show. No início de 'Live', os telões mostravam os músicos em preto e branco, dando o tom de nostalgia da história da canção. No final deste hit, Axl subiu em cima dos PAs frontais do palco, como que se estivesse pedindo reconhecimento, e foi merecidamente ovacionado pelo Estádio Beira-Rio todo, que gritou e aplaudiu em forma de gratidão pela sua presença. Momento de glória do artista! A dobradinha de 'Stranged' com 'Live and Let Die' (Wings cover) foi absurda.

9. Rocket Queen: canção pegada, com influência de Prince, com duelo ou dueto de guitarras entre Richard Fortus e Slash. Foi bonito de se ver...

10. You Could Be Mine: outro grande hit da banda, em que todos brilharam juntos e o público aproveitou para curtir, cantar, pular e aplaudir muito!

11. New Rose (The Damned cover) + You Can't Put Your Arms Around a Memory (Johnny Thunders cover): covers no melhor estilo punk rock cantados por Duff, apresentado e chamado por Axl, que finalmente dá boa noite a plateia. Arigatô, disse Duff ao final.

12. This I Love: balada de metal romântica lindíssima que aproximou os casais apaixonados para beijos e abraços. Foi um dos momentos altos do show. Novamente, Slash tomou posição de destaque, na escada-rampa-passarela, em frente ao telão, para solar. Público respondeu muito emocionado.

13. Civil War: essa bela canção de metal pesado e crítica social movimentou muito o público também e foi bastante aplaudida, com gritos de gratidão. Com introdução assoviada, lembra 'Patience'. No telão, imagens de guerra: granadas, bombas, tiros, avatar de guerra armados, lembrando um game. Pena que não é. Poderia ser só um pesadelo, mas é realidade.

14. Coma: eletrocardiograma surge no telão.

15. Speak Softly Love (Love Theme From The Godfather - Nino Rota cover): durante essa canção incrível, trilha do filme 'O Poderoso Chefão', Axl apresentou a banda começando por Duff, passando por todos integrantes, até chegar em 'ladies and gentleman: Slash, que esmerilhou a guitarra, emocionado. A partir daqui, foi um hit atrás do outro, para a euforia geral da nação de fãs!!!

16. Sweet Child O' Mine: essa segunda dobradinha da noite foi pra matar. As duas (15 e 16) foram tocadas praticamente emendadas. A galera nem pode respirar. Eu confesso que caí de joelhos no chão, entre o final de uma e o início da outra. Foi aí que chorei! As gurias aproveitaram para montar rapidão nos ombros dos guris e curtir a finaleira do show. Tudo culpa do Slash, que estava espancando a guita. Levou o estádio ao delírio. Fora de série. Pico total.

17. Wish You Were Here (Pink Floyd cover): o público estava em êxtase, mas no show do Guns o que está ótimo sempre pode ficar excelente... Mais um incrível dueto de guitarras by Slash & Richard Fortus. A canção foi somente instrumental, sem letra, um hino. Difícil encontrar palavras para descrever...

18. November Rain ("Layla" Eric Clapton cover): a junção de 'November' e parte de 'Layla', que poucos reconheceram, foi espetacular. Pra matar a pau, vem Axl, já um pouco rouco, no piano Yamaha, para tocar e cantar esse puta clássico... Pena que nada dura para sempre (nothing lasts forever...).

19. Knockin' on Heaven's Door (Bob Dylan cover): neste grande sucesso do GnR, finalmente Axl interagiu e deu abertura para o público cantar o refrão junto em coro, que até se atrapalhou com a chance, mas botou a goela pra funcionar... Mais um destaque para Slash aqui, que fez reggae no meio de Knockin' na guitarra de dois braços... Ainda assim, o que mais me chamou a atenção nesta canção foi a projeção do telão central que mostrava uma espécie de 'paraíso' idealizado, no formato de uma espécie de sol azulado muito brilhante pairando no universo, como se fosse Deus, a Luz, ou a Fonte, do qual saía uma onda.

20. Nightrain: na última canção do repertório oficial, Axl pergunta à plateia "How are you doing?" Pô, finalmente, meu querido! Estamos muito bem, obrigada!

BIS

Por ser um show longo, teve galera indo embora antes do bis que foi um triz... Não sabiam o que estavam perdendo.

21. Don't Cry (com "Babe I'm Gonna Leave You" Led Zeppelin cover)

22. The Seeker (The Who cover)

23. Paradise City: a última canção do show levantou muito o público. Letra perfeita para encerrar um show em Porto Alegre - 'where the girls are pretty'. Após o final de Paradise City, a banda se retirou e depois voltou para um abraço final, para receber aplausos e fazer reverências ao público. Os fãs foram para casa satisfeitos, depois de um banho de música de altíssima qualidade. Para correria geral, na tarde do dia seguinte ao show, 9 de novembro, os integrantes avisaram pelo twitter da banda que haviam espalhado palhetas oficiais pelo Parque da Redenção, também na capital gaúcha.


Gunners entregam bandeira para Axl 

Ainda em Paradise City, Axl apareceu com uma bandeira muito especial produzida por duas meninas brasilienses, as primeiras da fila, as gunners Yasmine Paz, 24, e Karla Evelize, 31, que estavam acampadas desde o dia 2 de novembro, em frente ao estádio, e que conseguiram ficar bem pertinho do ídolo na Pista Premium. De um lado, era a bandeira do Brasil, no outro também, porém com o logo do Guns no centro, em vez do globo de 'Ordem e Progresso'.

"Em um piscar de olhos, ele nos olhou, pediu a nossa bandeira, dançou com ela, devolveu, sorriu pra gente, ficou envergonhado com o nosso "AXL, I LOVE YOU". Oh, so fuck, God, ele é lindo demais. Sonho realizado já no primeiro show. VALEU A PENA cada centavo gasto, cada esforço, cada dia dormindo na rua e no frio", relata Yasmine. Pela primeira vez em Porto Alegre, as amigas vão acompanhar a turnê toda pelo Brasil. "To em êxtase ainda", revela Yasmine, com lágrimas nos olhos...



Chuva? Só de papel picado colorido!

Só faltou chover! O Guns tocou 'November Rain', mas São Pedro não deixou cair nem uma gota em Porto Alegre durante o show todo. Em compensação, para encerrar o espetáculo, após 'Paradise City', rolou chuva, mas de papel picado colorido, além de fogos de artifício e gelo seco. Chuva de água mesmo só no dia seguinte ao show, 9 de novembro.

Estádio Beira-Rio X Fiergs

Mesmo sendo o terceiro, sem sombra de dúvidas, este foi o melhor e, alguns dizem o único, show do Guns N'Roses em Porto Alegre. Afinal, Guns sem Slash não é Guns... Além disso, as apresentações anteriores foram realizadas na Fiergs - o primeiro no estacionamento, em 2010, e o segundo, nos pavilhões, em 2014. Neste ano, o Estádio Beira-Rio foi um local muito mais apropriado.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Entrevista: Primator - Heavy Metal Clássico e o Caos dos Dias Atuais



O Primator é mais uma ótima revelação do Metal nacional, que vinha já galgando degraus de forma rápida, lapidando seu Heavy Metal poderoso, mostrando já seu potencial com o EP "Primator" (2012), e já em 2013 iniciou as gravações do seu primeiro Full-Lenght, "Involution", que foi lançado no ano passado, mostrando uma banda ainda mais madura e coesa, com um Metal clássico, que remete aos ícones do estilo, com grandes riffs, guitarras dobradas, cozinha esmagadora, vocais altos, soando atual e poderoso.

Para falar dos bons resultados e repercussão do seu debut, além de falar um pouco mais sobre as composições, o trabalho de divulgação que segue, os próximos passos, inclusive já apresentando recentemente uma nova música que já foi composta para o próximo álbum, conversamos com o vocalista Rodrigo Sinopoli, e o resultado você confere a seguir:


RtM: Olá pessoal! Obrigado pela oportunidade de conversarmos um pouco sobre seu trabalho.
Rodrigo Sinopoli: Olá Carlos! Quem vos concede a entrevista é o Rodrigo Sinopoli e sou muito grato pela oportunidade e abertura de espaço.

RtM: Bom, gostaria que nos contassem a respeito de como foi esse trabalho de maturação da banda e das composições, que iniciou lá com o EP “Primator”, e culminou nesse full-lenght, o “Involution”, que mostra, não tendo nada a ver com o título do álbum, uma bela evolução da banda. Que fatores, além da experiência de estrada, claro, você acredita que contribuíram para esse processo, e a qualidade vista no álbum?
Rodrigo Sinopoli: Foi algo natural e continua em constante evolução.No caso do álbum, não foi muito difícil contextualizar as faixas que já existiam com as novas, pois todas abordam o mesmo tema, que de tão amplo que é, nos possibilitou linkar a incapacidade do homem em aceitar suas falhas e defeitos com o caos que vivemos hoje. A base para a composição do Involution veio do próprio cotidiano e situações que vivenciamos todos os dias.

"Não seria interessante falarmos sobre como a humanidade está realmente evoluída tecnologicamente ou avançada em termos científicos, mas o que foi degradado para que chegássemos a tal estágio."
RtM: Gostaria que você contasse um pouco mais do conceito de “Involution”, que trata dessa questão do homem estar pagando pelos seus erros, que a “evolução” parece ter nos tornado mais primitivos em vários aspectos.
Rodrigo: É justamente isso! Toda a matéria prima do Involution saiu do que observamos no mundo atual. O que tentamos mostrar, é como esta imagem famosa da escala evolutiva de Darwin pode ser interpretada de formas diferentes. Não seria interessante falarmos sobre como a humanidade está realmente evoluída tecnologicamente ou avançada em termos científicos, mas o que foi degradado para que chegássemos a tal estágio. Tudo aquilo de destrutivo que ficou pelo caminho e nos condicionamos a ignorar.

RtM: As letras todas possuem uma ligação? Pode ser considerado um álbum conceitual tradicional?
Rodrigo: Elas não possuem ligação direta entre si, mas se encaixam no contexto do álbum, que pode sim ser considerado conceitual, porém não da maneira tradicional como algumas bandas, principalmente de metal progressivo, costumam fazer.

RtM: A faixa de abertura, “Primator”, que também dá nome à banda, e foi título do EP, foi a fagulha inicial do conceito que você abordou no álbum?
Rodrigo: Talvez seja a mais “primitiva” do álbum. Foi a primeira a ser escrita e composta. Acredito sim, ter sido o ponta pé inicial para fecharmos o tema abordado.


RtM: “Let me Live Again” é uma “balada pesada”, e que me lembrou bastante os trabalhos solo de Bruce Dickinson, especialmente os vocais.  E “Erase the Rainbow” eu acredito que traz bem fortes as influências de Judas Priest, além dos riffs excelentes, também tem uma letra muito forte. “Release the anger, this is the way for you and me”. Comente pra gente um pouco mais dessas duas músicas.
Rodrigo: A "Let me live Again" foi escrita há muito tempo, fruto de um fim de relacionamento que me trouxe muito sofrimento e tudo o que eu queria naquele momento, era justamente conseguir viver a minha vida novamente. No ano passado, com o falecimento do meu pai, me dei conta de como ela também funciona em outros casos de perda. Hoje, quando a interpreto nos shows, sequer me lembro da ex, mas não tiro o amor e a saudade pelo meu velho da cabeça. Isso é muito doido! Mesmo assim, eu e o Linhares escrevemos juntos uma canção onde homenageio diretamente minha figura paterna e que estará presente no próximo trabalho da banda. Quanto à "Erase the Rainbow", posso dizer que é uma manifestação contra a poluição visual e a sujeira que nos condicionamos a ignorar com o passar do tempo e em como é bizarro vivermos num mundo onde, por mais que tentemos tornar colorido e alegre, é cinza e caótico.
Gosto muito desta música também!

“Praying for Nothing” é outra que se destaca a meu ver, gosto muito do peso e atmosfera dela, com conteúdo lírico bem forte também, que traz um sentimento de abandono e pessimismo. Gostaria que comentasse mais sobre ela. E acredito ser bem atual mesmo, pois as pessoas andam muito incrédulas, vendo um mundo cheio de incertezas, ameaças como violência e pobreza crescente, injustiças, etc.
Rodrigo: Pois é! Ela trata da indiferença da crença e em quão justo este Deus pode ser, quando ajuda alguém a trocar de carro, por exemplo, mas ignora uma criança passando fome sob um viaduto qualquer. Não existe uma forma sútil pra falar sobre isso, então precisávamos de um clima pesado e hostil, de algo que realmente nos é incômodo.

E sobre a “To Mars”, que é também seu mais recente vídeo oficial,  música que não está no álbum, resultado de parceria com o Mário Linhares (Dark Avenger)? Conte pra gente mais sobre essa parceria com o Mário? Renderá mais frutos? Inclusive ele foi seu vocal coach, não é?
Rodrigo: A "To Mars" nada mais é do que uma faixa do nosso próximo álbum, que será integralmente produzido pelo Mario, que também é meu coach para este trabalho.
A diferença é que ela é de fato uma música feita para o Dark Avenger, mas que não se encaixava no tema do novo disco deles. Foi um presente do Linhares para o Primator, que recebemos com muita satisfação. Ele é um cara fantástico, que conhece Heavy Metal como poucos e é um enorme prazer poder contar com a parceria dele.


Parceria com Mário Linhares (Dark Avenger) já rendeu frutos
RtM: Em termos de Brasil, como você vê os frutos colhidos até agora, e os planos para ampliar os horizontes da banda, aqui e lá fora?
Rodrigo: No início do ano tivemos uma oportunidade para tocar no exterior, porém não conseguimos sincronizar nossas férias e acabamos desistindo da ideia naquele momento.
Acredito que retomaremos este caminho, que é hoje um dos nossos focos, assim que o próximo álbum for lançado. Hoje, no Brasil, o público dá muito mais valor quando a banda se “internacionaliza” e é sobre esta ideia que estamos trabalhando. Acredito que uma turnê fora do país nos traria muito mais respaldo aqui dentro também, onde, por enquanto, lidamos com fãs que pagam R$700 para assistir ao show de uma banda gringa que vem todo ano, mas não gasta R$20 num CD nacional.

RtM: O Primator é uma banda que, a meu ver, representa bem o Heavy Metal Clássico com roupagem atual. O que você me diz a respeito? E sobre essa questão de haver tantos rótulos e sub-estilos hoje em dia, ajuda ou atrapalha?
Rodrigo: Tocamos o que nos agrada escutar, que é de fato o Metal Tradicional Clássico. Aquele que, na verdade, não precisaria de rótulo, pois foi o que deu origem a todas as outras vertentes. Não gosto desse excesso de sub-gêneros e isso só nos traz mais desunião à cena. Atrapalha para casar shows e misturar públicos. Acredito que Metal é Metal!

RtM: E o lançamento da mídia física? Você vê o fã de Metal ainda como um consumidor fiel dos produtos, ou tem um receio quanto ao futuro e quanto a investir em produtos como CD, DVD, etc?
Rodrigo: CD e DVD é o mínimo que uma banda precisa ter para ser levada a sério, principalmente as novas. Ninguém quer escrever uma resenha de um CD-R. Então até nisso caímos nas garras do mercado. Precisamos gravar da forma que ele julga correto e torcer para o público receber bem e comprar o material. Mas é notório que o consumo de mídia física caiu com tanta opção digital. O que nos resta é tentar produzir algo que valorize o CD e o DVD e isto, definitivamente, está em nossas metas.

"As bandas mais velhas continuam sendo reconhecidas pelos trabalhos antigos e, de uma forma geral, não tiveram uma aceitação tão boa em seus álbuns mais recentes"
RtM: Justamente, tentar agregar maior valor ao produto. Vejo as bandas, principalmente lá fora, investindo em produtos diferenciados, como boxes, digipacks, earbooks, edições com bônus e coisas extras, como produtos personalizados. Claro que nossa realidade é diferente, mas talvez o fã opte por comprar o produto de fora por oferecer esses diferenciais. Pode ser uma saída.
Rodrigo: Sim, com certeza!

RtM: O envelhecimento das bandas pioneiras, e essa facilidade que temos hoje para difundir a informação, é algo que está dando espaço para mais bandas ocuparem um lugar de destaque, mesmo tendo uma divisão maior do público? Pois muitas bandas têm um grande destaque em alguns países, fazendo grandes shows, e em outros lugares, não há demanda ou tocam em lugares menores.
Rodrigo: As bandas mais velhas continuam sendo reconhecidas pelos trabalhos antigos e, de uma forma geral, não tiveram uma aceitação tão boa em seus álbuns mais recentes. Acredito que exista sim espaço, mas está sendo mal ocupado, pois o rádio, que é ainda hoje um meio de formação de opinião, toca as mesmas músicas sempre. Deixando o Heavy Metal fadado a pequenas aparições em programas e horários específicos.

RtM: Diante desse cenário atual, como você vê o futuro de novos nomes como o Primator, e o que você vê como necessário para buscar um destaque, e assim uma longevidade?
Rodrigo: Vejo o Primator tocando metal de qualidade, pesado, direto e que acima de tudo nos agrade. O que acontecer no futuro, dependerá exclusivamente de como seremos vistos pelo público e tendo isso em mente, nos resta apenas trabalhar e continuar produzindo coisas novas.

RtM: Obrigado pela entrevista e por nos contar um pouco mais do seu trabalho e também sua opinião sobre esses assuntos muito em comum dentro do cenário musical. Fica o espaço também para sua mensagem final. Abraço.
Rodrigo: Muito obrigado pela oportunidade e pelo teor das perguntas. Foi um prazer!
Quero agradecer também ao nosso público fiel, que nos acompanha pelas mídias sociais e nos shows. Vocês são incríveis e não perdem por esperar o que vem por aí. Grande abraço a todos!



Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Assessoria de Imprensa: Som do Darma


Mais Informações:

sábado, 5 de novembro de 2016

Toyshop: Cores, Punk Rock e Muita Diversão



Os anos 90, para minha pessoa, é relembrar de um passado mágico e cheio de sonhos, recordando apenas de poucas coisas pelo fato de ter nascido no comecinho da década, em 1993, estando hoje com 23 anos nas costas. Mas, durante esse longínquo período, muita coisa acabou entrando pra história: politica, futebol, cinema, música, tecnologia, com a chegada de vez da internet, televisão e economia, e o Rock/Heavy Metal passou por transformações, tivemos a cena de "Seattle", com o Metal mais tradicional e Hard, que tiveram o auge nos 80, sendo relegado pela mídia,  eram alguns dos temas mais frenéticos, que quem pôde vivenciar aquela época, vai responder.. Durante esse período, o Toyshop estreou, se destacou na Europa, e depois adormeceu, mas acaba de retornar com a mesma pegada e som "pegajoso" de sempre,  lançando seu novo disco, “Candy”.

Quem acompanhou a banda no comecinho da carreira, ainda na fase Party Up!,vai perceber que a fisionomia das músicas continua a mesma, não tendo algo irrelevante ou fora de sua zona habitual, mantendo sempre a pegada Punk Rock, Bubblegum e alternativa, que continua presente nas veias do quinteto. E o disco é cheio de alto astral e diversão de ponta a ponta, e mesmo quem for rabugento e fechado somente para o Heavy Metal, será capaz de querer agitar, dançar e transformar a casa num verdadeiro salão de festas, sendo essa uma das intenções da banda, de fazer música para todos os gostos, independente se a pessoa é chegada a coisas mais pesadas ou não.


A produção geral é capitaneada pelo conceituado produtor Mauricio Cersosimo, que já trabalhou com grandes nomes da música nacional e internacional, entre eles o Sepultura, Avril Lavigne, Ney Matogrosso, Hugo Mariutti, Capital Inicial, Skank e Death Angel. E, claro, o resultado não poderia ser outro, pois o mesmo trouxe e soube entender a proposta musical da banda, felicitando com uma sonoridade enérgica e limpa em cada detalhe. E a capa, feita pela Ligia Morris, resume bem o que o disco passa, colocando muita cor e descontração.

Desde o inicio até o fim, a banda não consegue deixar a desejar em momento algum, arrasando a todo o momento com composições vigorosas e assoviantes, de forte assimilação, que já grudam de forma fácil e rápida na cabeça. Todas as faixas, duram em torno de 2 a 3 minutos, o que torna mais acessível. E o time continua sendo quase todo o mesmo do primeiro álbum, com o Nando Machado a única novidade, assumindo os baixos.

Estabelecendo o regozijo, “Running Out”, principal música de trabalho do disco, aduz riffs de guitarras rápidos e refrãos pregantes, evidenciando também a pegada a lá Ramones do baterista Guilherme Martin, abrindo o disco de maneira vibrante e sacolejante; “Nothing I Can Do” aborda uma pegada mais sublime e acessível, possui elementos eletrônicos pra dar um ar de melodia, ganhando destaque para o trabalho de baixo; a faixa-título “Candy” é caracterizada pelo clima dançante, trabalhado por guitarras limpas, deixando o ambiente da música mais pra cima com os sopros dos saxofones.


O romantismo aparece em “Take My Hand”, balada que possui ricas melodias de piano e partes mais cristalinas, que combinaram perfeitamente com a estrutura vocal da Natacha; “All Away”, até então a minha preferida, é uma das mais pesadas do disco, com riffs certeiros e na cara, dando um ganho mais radical com alguns efeitos de Hip Hop; “Nowhere to Hide” vem num andamento menos rápido, mas que capricha nas guitarras cadenciadas e do refrão cheio de coros; “Tomorrow” e “Back ToYou” são as que mais diferem do Punk Rock, que quem é chegado em Offspring e Ramones, irá adorar de imediato; “Saturday Night” é, talvez, uma das mais experimentais, surpreendendo com a ótima mistura de Punk com música Country. E o disco finda com uma versão mais sublime de “Daydream”, presente no primeiro disco, considerado o clássico da banda, música com a qual ganharam destaque na Europa, em países como a Holanda, frequentando primeiros lugares nas paradas.

Volta mais do que grandiosa pra uma banda que já foi primeiro lugar nas paradas da Europa, ultrapassando nomes conceituados na época. Que esta volta seja definitiva.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Toyshop
Álbum: Candy
Ano: 2016
Estilo: Punk Rock/Alternativo
Gravadora: Independente

Formação
Natacha Cersosimo (Vocal)
Val Santos (Guitarra, backing-vocals)
Gabriel Weinberg (Guitarra, backing-vocals)
Nando Machado (Baixo, backing-vocals)
Guilherme Martin (Bateria)


Track-List
1.    Running Out
2.    Tomorrow
3.    Nothing I Can Do
4.    Candy
5.    TakeMyHand
6.    AllAway
7.    NowheretoHide
8.    Back ToYou
9.    Saturday Night
10.  Daydream

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Soilwork– Mantendo o Alto Nível


O fato é que não acompanho a carreira do SOILWORK, apesar de conhecer alguns de seus trabalhos. A fórmula permanece inalterada há bastante tempo, o que não significa estagnação ou desmerecimento. Tu encontrarás a mesma variação de vocais (gritados e melódicos), alternâncias de tempos, melodias marcantes, levadas calmas e partes nervosas. Só que tudo isso é composto de maneira correta, eximiamente executada por músicos experientes. 

E numa produção onde não há reparos a serem feitos, estas composições se sobressaltam.
A faixa título abre o álbum com uma boa toada. “Enemies In Fidelity” traz uma melodia vocal quase pop (lembrando Tears For Fears), meio estranha, mas enfim, faz parte do contexto e até torna-se um atrativo à música. “Petrychor By Sulphur” é outro bom som; “Whirl Of Pain” têm bons riffs e um cadenciamento interessante.


Como exposto anteriormente, dada a qualidade e experiência da banda, seria nula a possibilidade deles fazerem um disco fraco, e que não caísse nas graças da torcida. Com ‘Ride The Majestic’ a banda mantém sua marca registrada no cenário do chamado Death Melódico, apresenta algo que os fãs gostarão e seguirão sua sina de shows por aí. Apesar de trocas na formação ultimamente, o SOILWORK mantém-se firme e forte. Se não conhece muito da banda, é uma boa oportunidade para fazê-lo.

Texto: Marcello Camargo
Fotos: Divulgação

Ficha técnica:
Banda: SOILWORK
Álbum: Ride The Majestic
País: Suécia
Estilo: Death Metal Melódico/Groove Metal
Produção: David Castillo/SOILWORK
Selo: Nuclear Blast/ Shinigami Records


Line Up:
Björn ‘Speed’ Strid: vocals
David Andersson: guitar
Sylvain Coudret: guitar
Ola Flink: bass
Sven Karlsson: keyboards
Dirk Verbeuren: drums

Tracklist:
The Ride Majestic
Alight In The Aftermath
Death In General
Enemies In Fidelity
Petrichor By Sulfor
The Phantom
The Ride Majestic (Aspire Angellic)
Whirl Of Pain
All Along Echoing Paths
Shining Lights
Father And Son, Watching The World Go Down





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