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terça-feira, 14 de abril de 2026

Cobertura de Show: Monsters Of Rock – 04/04/2026 – Allianz Parque/SP

Realizado no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 04 de abril, o Monsters of Rock chegou à sua nona edição reafirmando seu status como um dos principais festivais do gênero no país. Com um line-up diverso que mesclou nomes clássicos e novas promessas, incluindo Guns N' Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen, Dirty Honey e Jayler, o evento foi conduzido com carisma pelos mestres de cerimônia Eddie Trunk e Walcir Chalas, que ajudaram a manter a energia do público entre as apresentações. Em um dia marcado por grandes performances, estrutura de alto nível e uma verdadeira celebração do rock em suas diferentes vertentes, o festival mais uma vez transformou a capital paulista em ponto de encontro obrigatório para fãs de música pesada.

Abrir um festival do porte do Monsters of Rock nunca é uma tarefa simples, ainda mais quando o público chega aos poucos, sem necessariamente conhecer quem está no palco. Foi nesse cenário que a jovem banda britânica Jayler assumiu a responsabilidade de dar início ao dia e fez isso com segurança e personalidade, transformando um horário ingrato em uma oportunidade de converter curiosos em fãs. A banda, liderada pelo carismático James Bartholomew, deu início com “Down Below” e seguiu com “The Getaway” e “No Woman”. A faixa “Riverboat Queen” explodiu com um solo de gaita visceral, que Bartholomew executou enquanto corria pelo palco. Rolou também uma versão blues de “I Believe to My Soul”, de Ray Charles. O encerramento com “Over The Mountain” e “The Rinsk” manteve a aura setentista do som deles e agradou aos presentes. Ao final, uma coisa fica evidente: a semelhança com o Led Zeppelin, tanto no som quanto no visual. Para quem gosta de algo no estilo dos veteranos do Led Zeppelin, é um prato cheio e bem-feito, mas longe de superar seus mestres.

A segunda atração foi a banda Dirty Honey, entregando uma performance robusta e cheia de atitude. Abrindo com a energia de “Won’t Take Me Alive”, a banda rapidamente cativou o público, seguindo com “California Dreamin’” e “Heartbreaker”, que demonstraram a coesão do quarteto. Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi durante “Don’t Put Out the Fire”, quando o carismático vocalista Marc LaBelle desceu ao pit, interagindo diretamente com os fãs e elevando a conexão entre banda e público. A performance continuou com a intensidade de “Another Last Time” e “Lights Out”, que prepararam o terreno para o solo de guitarra de John Notto. Encerrando o show com “When I’m Gone” e “Rolling 7s”, o Dirty Honey deixou uma boa impressão, provando que seu hard rock clássico e sem frescuras é adequado para qualquer público.

A apresentação de Yngwie Malmsteen foi uma verdadeira aula de virtuosismo, desmontando qualquer narrativa de que o guitarrista estaria em baixa. Muito pelo contrário: Malmsteen mostrou-se em ótima forma física e técnica, esbanjando precisão e velocidade. Acompanhado por Nick Marino (teclados e vocal), Emi Martinez (baixo) e o excelente baterista Kevin Klingeschmid, o guitarrista sueco abriu a apresentação com a explosiva “Rising Force”, seguiu com “Top Down, Foot Down” e “No Rest for the Wicked”, não dando trégua: passou por “Soldier”, “Into Valhalla”, “Baroque & Roll”, “Relentless Fury” e a sequência épica “Now Your Ships Are Burned / Caprice no. 24”. O público, em sua maioria fãs de Guns N’ Roses, reagiu de forma um pouco morna no início, mas quem foi para ver shredding puro saiu impressionado com a entrega total do mestre.

O set ainda reservou momentos de puro fogo com “Wolves at Your Door”, o medley sensacional “Paganini 4th / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody”, “Fire and Ice”, “Evil Eye” e uma versão de “Smoke on the Water”, do Deep Purple, cantada pelo próprio guitarrista. Passando por “Trilogy Suite Op. 5”, “Overture” e “Badinerie”, reforçou suas influências clássicas enquanto parecia brincar com seu instrumento. A reta final com “Black Star” e “I’ll See the Light Tonight” encerrou a apresentação com chave de ouro, deixando claro que, apesar de qualquer percepção externa, Malmsteen continua sendo uma lenda no mundo do metal neoclássico, entregando tudo o que se espera de um verdadeiro virtuose.

Na sequência, o Halestorm subiu ao palco e rapidamente mudou o clima do festival. Liderado pela vocalista e guitarrista Lzzy Hale, o que se viu foi uma força da natureza em ação. Lzzy se entrega de corpo e alma a cada nota, correndo pelo palco, interagindo com o público e usando sua voz, que simplesmente beira o absurdo: potente, versátil e cheia de atitude. Para quem não conhecia a banda, saiu do show absolutamente maravilhado. O set começou forte com “Fallen Star”, “Mz. Hyde”, “I Miss the Misery”, “Love Bites (So Do I)” e “Watch Out!”. No entanto, o ponto alto veio com a sequência de “Like a Woman Can”, “I Get Off” e “Familiar Taste of Poison”. A diversidade das músicas proporcionou uma dinâmica envolvente, na qual Lzzy pôde mostrar todo seu talento com seu potente vocal, ora agressivo, ora delicado, em meio a belas melodias que colocaram o Allianz Parque literalmente aos seus pés. Com o jogo ganho, tocaram a pesada “Rain Your Blood on Me”, culminando em um solo de bateria de Arejay Hale, que arriscou ritmos brasileiros e depois usou baquetas gigantes que mais pareciam cabos de vassoura, chegando até a arrancar algumas risadas do público. Encerraram com “Wicked Ways” e “I Gave You Everything”, não deixando pedra sobre pedra e o público sedento por mais.

É engraçado que, antes do show, algumas pessoas da mídia especializada comentavam que Lzzy era exagerada ou que sua voz poderia irritar; depois da apresentação, todos mudaram completamente de ideia. O Halestorm não apenas conquistou novos fãs, mas também solidificou sua reputação como uma das bandas mais empolgantes e autênticas da atualidade, com Lzzy Hale roubando a cena, incendiando o público e transformando a apresentação em um dos momentos mais marcantes do festival.

Com tudo isso, o Extreme subiu ao palco com uma difícil tarefa e, para ajudar, sob uma forte chuva que fez muita gente correr para se abrigar no estádio. Mas, felizmente, o temporal durou poucos minutos e o show continuou com tudo. Arrisco dizer que o Extreme foi a banda que tocou mais pesado no festival, desmistificando a ideia de que sua carreira se resume à balada “More Than Words”. O vocalista Gary Cherone demonstrou ser um performer nato, enquanto o guitarrista Nuno Bettencourt provou que seu virtuosismo está no mesmo patamar de Malmsteen.

Abriram com “It ('s a Monster)” e “Decadence Dance”, já mostrando que o peso viria forte, e logo entraram em “#Rebel” e “Play With Me” (com a intro de “We Will Rock You”, do Queen). Apesar de o som do P.A. ter caído por alguns segundos, ficou evidente que o grupo vai muito além do rótulo de banda de baladas. O ritmo seguiu intenso com “Am I Ever Gonna Change” e “Thicker Than Blood”, revelando composições pesadas e virtuosas que colocam o Extreme no lugar de destaque que merece.

Mesmo as instrumentais “Flight of the Wounded Bumblebee” e “Midnight Express” empolgaram e serviram para mostrar a técnica de Nuno. E, como não poderia faltar, a balada e hit “More Than Words” fez o estádio vir abaixo, com todos cantando. Despediram-se com o groove contagiante de “Get the Funk Out” e o peso de “Rise”, acabando com qualquer estigma que a banda pudesse ter. Com uma performance intensa, técnica e cheia de personalidade, a banda conseguiu equilibrar peso, groove e virtuosismo, deixando claro que não apenas honra seu legado, mas também segue renovada e pronta para conquistar novas gerações.

Era hora do Lynyrd Skynyrd, e o clima já anunciava que não seria um show qualquer. Havia um consenso claro entre o público: a banda é uma verdadeira instituição do southern rock americano e merecia todo o respeito. E foi exatamente isso que aconteceu. Quando iniciaram com “Workin’ for MCA” e “What’s Your Name”, os fãs deram uma recepção calorosa. A sequência seguiu com clássicos como “That Smell”, “I Need You”, “Gimme Back My Bullets”, “Saturday Night Special” e “Down South Jukin’”, mostrando a banda em ótima forma, entregando o som característico de guitarras gêmeas, groove pesado e atitude que define o Lynyrd Skynyrd há décadas.

O clima ficou ainda mais emocionante quando tocaram “Tuesday’s Gone”, dedicada a Gary Rossington, trazendo um momento de homenagem e respeito, preparando o terreno para um dos pontos mais marcantes da noite: “Simple Man”. Com a bandeira do Brasil projetada no telão e o céu iluminado por um mar de celulares, a canção provocou uma reação intensa do público, com muitos fãs visivelmente emocionados, alguns às lágrimas enquanto cantavam esse hino. A banda seguiu com “Gimme Three Steps” e o cover de J.J. Cale, “Call Me the Breeze”, mantendo o público totalmente envolvido. O ápice chegou com o mega hit “Sweet Home Alabama”, que teve uma breve introdução de “Red, White & Blue”. Nessa hora, ninguém ficou parado. Cheguei até a ver um segurança dançando e curtindo o momento, em uma cena que sintetiza perfeitamente o poder da música, e tudo fez sentido.

Para encerrar, a banda voltou para o encore com a épica “Free Bird”, dedicada aos integrantes que já se foram. A homenagem foi especialmente comovente: imagens de Ronnie Van Zant foram projetadas no telão enquanto a banda tocava, permitindo que o público ouvisse mais uma vez a voz do lendário vocalista junto com a formação atual. Foi uma despedida emocionante, respeitosa e grandiosa, deixando claro porque o Lynyrd Skynyrd continua sendo reverenciado como uma das maiores bandas da história do rock. 

O Guns N’ Roses encerrou com autoridade a edição de 2026 do Monsters of Rock no Allianz Parque. Apenas seis meses após um show histórico no mesmo palco, que registrou o maior público da arena, a banda voltou como headliner do festival e entregou uma apresentação energética, dinâmica e cheia de surpresas. O setlist sofreu mudanças em relação à passagem anterior, tornando a apresentação mais especial para os fãs brasileiros que lotaram o festival. Axl Rose, Slash e Duff McKagan mostraram que o fogo do Guns ainda queima forte no palco.

A abertura com a explosiva “Welcome to the Jungle” já incendiou o público, seguida por “Slither” (do Velvet Revolver) e os clássicos “It’s So Easy”, “Live and Let Die” e “Mr. Brownstone”. A menos óbvia “Bad Obsession” agradou os fãs mais atentos, e então veio “Rocket Queen”, resgatando os bons momentos de Appetite for Destruction. Músicas como “Perhaps”, “Dead Horse”, “Double Talkin’ Jive”, “Nothin’”, “You Could Be Mine” e “Civil War” mostraram como a banda estava soando coesa e pesada. Como todos sabem, a voz do Axl hoje não é mais a mesma, mas é interessante como a percepção no show é bem diferente. Você não tem a sensação de que é a voz do Mickey, como muitos dizem por aí.

Um dos momentos mais marcantes foi a homenagem ao saudoso Ozzy Osbourne, com a faixa “Junior’s Eyes”, do Black Sabbath. Foi uma grata surpresa, e Axl comentou sobre a importância da música no início de sua carreira. Já “Knockin’ on Heaven’s Door”, de Bob Dylan, veio com uma introdução de “Only Women Bleed”, do Alice Cooper, e teve seu refrão cantado em dueto pelo estádio todo. Outro destaque foi “New Rose”, do The Damned, com Duff assumindo os vocais e trazendo uma pegada mais punk para o show.

Do material mais recente, tocaram “Atlas”, que deixou o clima morno, mas logo veio o solo do homem da cartola, que, como sempre, foi um espetáculo à parte, levantando o público e reafirmando seu status de ícone. O clímax veio com “Sweet Child o’ Mine”, aquele mega hit que até quem não gosta de Guns conhece. O estádio veio abaixo, mas não parou por aí. A sequência com “Estranged” e “Bad Apples”, tocada pela primeira vez desde 1991, foi um presente para fãs de longa data, e a monumental “November Rain” levou os fãs à loucura.

O encerramento com a eletrizante “Nightrain” e a apoteótica “Paradise City” foi incrível, com o Allianz Parque cantando junto e pulando. O retorno em poucos meses mostrou que a banda não se apresenta para cumprir tabela e reforçou seu status como uma das maiores bandas de rock da história. Para os fãs paulistanos, foi mais uma prova de que, mesmo com o tempo passando, Axl, Slash e companhia ainda sabem como transformar uma apresentação em uma experiência inesquecível.

A nona edição do Monsters of Rock mostrou mais uma vez sua força ao reunir nomes de diferentes vertentes e gerações, entregando uma experiência rica e dinâmica para o público. De apresentações tecnicamente impecáveis, como a de Yngwie Malmsteen, passando pela energia avassaladora do Halestorm, até a afirmação pesada e virtuosa do Extreme, o festival evidenciou que o rock segue vivo. Os veteranos do Lynyrd Skynyrd  e Guns N Roses são mais do que nostalgia e ainda despertam a paixão que dos fãs. O sangue novo do Jayler e Dirty Honey mantiveram a chama viva do estilo em um dia que certamente ficará marcado na memória de quem esteve presente.


Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Ricardo Matsukawa (exceto Guns N' Roses)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Mercury Concerts



Jayler – setlist:

Down Below

The Getaway

No Woman

Riverboat Queen

Lovemaker

I Believe To My Soul [Ray Charles]

Need Your Love

Over The Mountain

The Rinsk 


Dirty Honey – setlist:

Won't Take Me Alive

California Dreamin'

Heartbreaker

The Wire

Don't Put Out the Fire 

 Another Last Time

Lights Out

Guitar Solo

When I'm Gone

Rolling 7s 

Yngwie Malmsteen – setlist:

Rising Force

Top Down, Foot Down

No Rest For The Wicked

Soldier

Into Valhala

Baroque & Roll

Relentless Fury

Now Your Ships Are Burned / Caprice no. 24

Wolves At Your Door

Paganini 4Th / Adagio / Far Beyond The Sun / Bohemian Rhapsody

Fire And Ice

Evil Eye

Smoke On The Water

Trilogy Suite Op 5 / solo / Overture

Badinerie

Black Star

I´ll See The Light Tonight 


Halestorm – setlist:

Fallen Star

Mz. Hyde

I Miss the Misery

Love Bites (So Do I)

WATCH OUT!

Like a Woman Can

I Get Off

Familiar Taste of Poison

Rain Your Blood on Me

Freak Like Me

Wicked Ways

I Gave You Everything 


Extreme – setlist: 

('s a Monster)

Decadence Dance

#REBEL

Play With Me 

 Am I Ever Gonna Change

THICKER THAN BLOOD

Hole Hearted

Flight of the Wounded Bumblebee 

Midnight Express

More Than Words

Get the Funk Out

RISE

Lynyrd Skynyrd – setlist: 

Workin' for MCA

What's Your Name

That Smell

I Need You

Gimme Back My Bullets

Saturday Night Special

Down South Jukin'

Still Unbroken

The Needle and the Spoon

Tuesday's Gone

Simple Man 

Gimme Three Steps

Call Me the Breeze (J.J. Cale cover)

Sweet Home Alabama 

Free Bird 

Guns N Roses – setlist: 

Welcome to the Jungle

Slither (Velvet Revolver)

It's So Easy

Live and Let Die

Mr. Brownstone

Bad Obsession

Rocket Queen 

Perhaps

Dead Horse

Double Talkin' Jive

Nothin'

You Could Be Mine

Civil War

Junior's Eyes (Black Sabbath)

Knockin' on Heaven's Door (Bob Dylan)

New Rose (The Damned)

Atlas

Sweet Child o' Mine

Estranged

Bad Apples 

November Rain

Nightrain

Paradise City

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Cobertura de Show: Wacken Open Air – 31/07/2025 – Schleswig-Holten/GE

Sob Céus Tranquilos, Sons Pesados: O 31 de Julho no Wacken Open Air


Metal Yoga: Atrações Fora dos Palcos

Antes mesmo das primeiras guitarras soarem, o dia no Wacken já começa com energia. Às 11h da manhã, a personal trainer Sophie Watcher lidera uma sessão de exercícios aeróbicos em grupo. Essa atividade se tornou uma tradição curiosa e divertida do festival: dezenas de headbangers se reúnem para alongar, pular e aquecer o corpo, preparando-se para as longas horas de música intensa que seguem.

A cena é quase surreal — jaquetas de couro, camisetas pretas e botas pesadas dividem espaço com movimentos de ginástica coletiva — mas traduz bem o espírito do evento: união, resistência e celebração.

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Metal Battle – Descobertas do Underground (Headbangers Stage)

Um dos momentos mais marcantes do dia veio do Metal Battle, no Headbangers Stage, vitrine essencial para revelar novos talentos do metal mundial. Entre as apresentações, uma grata surpresa foi a banda chinesa de power metal Eternal Power.

Com irreverência, energia contagiante e execução precisa, o grupo transformou seus 20 minutos de palco em uma celebração épica. Faixas como “Chasing Your Dream” e “Salvation” evidenciaram o potencial da cena metálica chinesa, mostrando que o país tem, agora, um representante de peso no heavy metal global.

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Skyline (Harder Stage) – A Tradição da Abertura

Já conhecida do público, a banda Skyline cumpriu mais uma vez seu papel de dar as boas-vindas oficiais ao festival. Com um repertório recheado de covers icônicos, o grupo levou o público a viajar por diferentes eras do rock e do metal.

Músicas como “Stricken” (Disturbed), “Fool for Your Loving” (Whitesnake), “You’ve Got Another Thing Coming” (Judas Priest) e “In the End” (Linkin Park) fizeram o público cantar em uníssono, provando a diversidade de gerações presentes no Wacken. O ponto alto, como sempre, foi a execução da clássica “This Is W.O.A.”, verdadeiro hino do festival.

Wacken Press

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Grave Digger – 45 Anos de História no Palco do Wacken (Harder Stage)

Se havia um show que já carregava o peso da história antes mesmo das primeiras notas, esse era o do Grave Digger. Celebrando 45 anos de estrada, a banda mostrou por que é considerada um dos pilares do heavy metal europeu.

Sob o comando do carismático Chris Boltendahl, eterno frontman, a apresentação foi uma verdadeira viagem pela carreira da banda. O setlist incluiu clássicos como “Rebellion (The Clans Are Marching)”, “Valhalla”, “Dark of the Sun” e encerrou de forma apoteótica com “Heavy Metal Breakdown”. A participação de Uwe Lulis, retornando após 25 anos, e de Jamiro Boltendahl, filho do vocalista, tornou o momento ainda mais memorável.

Nayara Sabino

Nayara Sabino

Nayara Sabino

Nayara Sabino
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Clawfinger – Lendas do Rap-Metal (Louder Stage)

Nascida na Suécia no início dos anos 1990, Clawfinger é pioneira do rap-metal europeu, conhecida pela mistura agressiva de guitarras pesadas com vocal rap feroz e letras politizadas. O show foi pura energia, com clássicos como “Nothing Going On” e “Recipe for Hate”, mantendo a plateia completamente envolvida do início ao fim.

Wacken Press

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Ministry – Industrial Implacável (Louder Stage)

Formada em Chicago em 1981 por Al Jourgensen, Ministry é uma das bandas pioneiras do industrial metal. Evoluindo do synth-pop para sonoridades pesadas e sampleadas, a banda apresentou faixas históricas como “Hail to His Majesty (Peasants)”, “N.W.O.”, “Psalm 69” e “Just One Fix”.

O que se viu foi uma parede sonora industrial e implacável, com batidas eletrônicas e guitarras afiadas que hipnotizaram os fãs e geraram headbanging em estado puro.

Wacken Press

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Krisiun – Brutalidade e Técnica Extrema (W.E.T Stage)

Krisiun, trindade do death metal brasileiro formada em 1990, apresentou um show especial tocando apenas músicas de seus três primeiros álbuns: “Black Force Domain” (1995), “Apocalyptic Revelation” (1998) e “Conquerors of Armageddon” (2000).

A intensidade foi sufocante: riffs velocíssimos, solos devastadores e drumsolo apoteótico de Max Kolesne levaram os fãs ao limite, consolidando um clima de respeito absoluto e visceral.

Wacken Press

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Guns N’ Roses – Estreantes Lendários (Harder Stage)

O clímax do dia estava reservado para Guns N’ Roses, que subiu ao palco principal às 20h35 para uma performance histórica de mais de 3 horas — o show mais longo já registrado no Wacken.

O setlist atravessou todas as fases da banda: “Welcome to the Jungle”, “Mr. Brownstone”, “You Could Be Mine”, “Estranged”, baladas como “November Rain” e “Patience”, e a explosão final com “Nightrain” e “Paradise City”.

Houve ainda homenagens especiais: “Sabbath Bloody Sabbath”, “Never Say Die” (Black Sabbath), “Thunder and Lightning” (Thin Lizzy) e “Human Being” (New York Dolls), tornando a apresentação inesquecível.

Wacken Press

Wacken Press

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Natureza Selvagem – Um Desfecho Único

E, como se não bastasse a intensidade musical, a natureza decidiu marcar presença: após o encerramento do show, uma tempestade com relâmpagos impressionantes caiu sobre o festival, obrigando evacuação parcial dos acampamentos por motivos de segurança.

Um desfecho dramático e épico, digno da grandiosidade vivida nos palcos — algo que só poderia acontecer em um festival de heavy metal como o Wacken.



Fotos: Wacken Press / Nayara Sabino (Grave Digger)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Skyline – setlist:

Hold On

Running Back to You

Under the Radar

Stricken (Disturbed cover)

Dream Engine

Fool for Your Loving (Whitesnake cover)

You've Got Another Thing Comin' (Judas Priest cover)

Human Monster

In the End (Linkin Park cover)

Fireball
 
This Is W:O:A


Grave Digger – setlist:

Twilight of the Gods

The Grave Dancer

Kingdom of Skulls

Under My Flag

Valhalla

The Curse of Jacques

The Dark of the Sun

The Devils Serenade

Back to the Roots

Excalibur (participação especial de Uwe Lulis)

Rebellion (The Clans Are Marching) (participação especial de Uwe Lulis e Jamiro Boltendahl)

Heavy Metal Breakdown


Clawfinger - setlist:

Burn in Hell

Nothing Going On

Scum

Rosegrove

Warfair

Catch Me

Undone

Out to Get Me

Ball & Chain

Two Sides

Recipe for Hate

Hold Your Head Up

The Price We Pay

Biggest & the Best

The Truth

Do What I Say


Ministry - setlist:

Thieves

The Missing

Deity

Rio Grande Blood

LiesLiesLies

Goddamn White Trash

Alert Level

Burning Inside

Stigmata

N.W.O.

Just One Fix

Jesus Built My Hotrod

So What


Krisiun - setlist: 

Kings of Killing

Ravager

Endless Madness Descends

Scourge of the Enthroned

Hatred Inherit

Messiah's Abomination

Blood of Lions

Conquerors of Armageddon

Descending Abomination


Guns N' Roses – setlist:

Welcome to the Jungle

Bad Obsession

Mr. Brownstone

Chinese Democracy

Live and Let Die

Yesterdays

It's So Easy

Civil War

Used to Love Her

Slither (Velvet Revolver cover)

Never Say Die (Black Sabbath cover)

Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath cover)

Shadow of Your Love

You Could Be Mine

Estranged

Double Talkin' Jive

Hard Skool

The General

Thunder and Lightning (Thin Lizzy cover) 

Coma

Absurd

Rocket Queen

Knockin' on Heaven's Door

Sweet Child o' Mine

November Rain

Sorry

Patience

Human Being (New York Dolls cover)

Nightrain

Paradise City

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Guia do Wacken 2025: Guns N’ Roses, Gojira, Papa Roach e mais

Nos dias 30 e 31 de julho e de 1º a 2 de agosto, acontece mais uma edição do Wacken Open Air, um dos festivais mais importantes de heavy metal do mundo, realizado anualmente na Alemanha. Serão mais de 200 bandas divididas em oito palcos, com destaque para os principais: Faster, Harder e Louder, que recebem os shows mais aguardados.

Além dos shows, o Wacken Open Air oferece uma experiência imersiva única para os fãs de metal. A lendária área de camping, que acomoda milhares de pessoas, é tomada por headbangers do mundo inteiro e conta com uma infraestrutura completa com zonas temáticas, pontos de alimentação, mercados e áreas com banheiros e chuveiros disponíveis durante os quatro dias de festival.

Mas a experiência vai muito além da música. O festival também oferece uma ampla variedade de atrações, como workshops, sessões de autógrafos, espaço para cosplay e performances medievais – uma verdadeira celebração da cultura alternativa e do universo metal.

Nesta matéria, vamos destacar os headliners desta edição, que incluem nomes como Guns N' Roses, Gojira, Papa Roach, Machine Head, entre outros.


Guns N' Roses

Liderado pelo vocalista Axl Rose, o Guns N' Roses continua conquistando novos fãs ao redor do mundo com clássicos como "Welcome to the Jungle", "Paradise City" e "Sweet Child O' Mine". Originária de Los Angeles, a banda possui seis álbuns de estúdio. Appetite for Destruction (1987), um dos álbuns de estreia mais vendidos da história, é até hoje o mais bem-sucedido da carreira. Com quase 40 anos de estrada, Axl, ao lado do guitarrista Slash e do baixista Duff McKagan – que retornaram ao grupo em 2016 –, segue lotando arenas e festivais pelo mundo.

Gojira

O Gojira vem se consolidando como uma das melhores bandas de heavy metal da atualidade. Sua mistura de death metal com elementos progressivos, aliada a letras que abordam questões ambientais, chamou a atenção do mundo todo. Com quase três décadas de existência e sete álbuns lançados em sua discografia, a banda vive seus melhores momentos nos últimos anos – o maior deles sendo a participação na abertura das Olimpíadas de 2024, em seu país natal, a França. Liderada pelos irmãos Joe (vocal/guitarra) e Mario Duplantier (bateria), a banda é conhecida por seus shows impressionantes, marcados por intensidade, emoção e uma performance técnica única.

Papa Roach

O Papa Roach é uma das bandas que marcaram época, especialmente para os apreciadores do nu metal. O grupo se consolidou mundialmente com o álbum Infest (2000), que contém o maior clássico dos californianos, "Last Resort", que se tornou um hino do estilo e é indispensável em seus shows. Liderada pelo vocalista Jacoby Shaddix, a banda expandiu seus horizontes musicais ao longo dos anos, incorporando elementos que vão do punk à música eletrônica, sem perder a originalidade que os consagrou como uma das principais bandas dos anos 2000.

Machine Head 

Liderado pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn – único membro original –, o Machine Head renovou a maneira de se fazer thrash metal nos anos 1990 com os álbuns Burn My Eyes (1994) e The More Things Change (1997). Ao longo dos anos, a banda americana se consolidou como uma das principais e mais pesadas representantes do metal moderno. As performances ao vivo são explosivas, rendendo mosh pits e muita energia por parte dos fãs. Mesmo com diversas mudanças na formação, o grupo nunca perdeu a força, mantendo a agressividade como marca registrada.

SERVIÇO

Wacken Open Air 2025 (ALE)

Dias: 30 de julho a 2 de agosto de 2025

Horário: Das 7h às 0h (horário local)

Local: Wacken, Alemanha

Ingressos: Esgotados 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Cobertura de Show: Slash Ft. Myles Kennedy & The Conspirators – 31/01/2024 – Espaço Unimed/SP


Depois de dois anos de turnês extensas com o Guns N’ Roses, que pretende ficar afastado dos palcos durante esse ano de 2024, o guitarrista Slash vem colocando as suas atenções na sua banda solo, Slash ft. Myles Kennedy & The Conspirators, que voltou a São Paulo, depois de cinco anos, no último dia de janeiro. A tour, que promove a divulgação do último álbum lançado em 2022, “4”, também passou por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Apesar da chuva que castigou a capital durante o início da tarde e começo de noite, o Espaço Unimed, situada no bairro da Barra Funda, recebeu um grande público para ver a lenda em pleno meio de semana. Bem antes da abertura dos portões, aberto pontualmente às 19hrs, os fãs – a maioria com camisetas do GNR – já se aglomeravam formando uma fila quilométrica, que se estendeu até a rua que dá acesso à Francisco Matarazzo.

Faltando cinco minutos para às 20hrs, o Velvet Chains, banda de apoio durante os shows do Brasil, fez as honras da noite. Formada em Las Vegas, o quinteto colheu uma pequena notabilidade por ter aberto apresentações de nomes pujantes como Stone Temple Pilots, The Winery Dogs, L.A. Guns e entre outros. A sua última vinda ao país, até então, tinha sido no ano passado na primeira edição do festival Summer Breeze Open Air.

O som, voltado mais para o alternativo do que para o Hard Rock, agradou a maioria do público, que já era considerável e que foi aumentando até o final da sua participação. O vocalista RA Viper, em bom português, se comunicava bastante após as músicas com frases do tipo "Fala galera" e "Vai ser do caralho". A dupla de guitarristas, formada por Von Boldt e Johnny Mayo, chamou muito atenção pela presença de palco e visual, principalmente Johnny, que tirando da cartola, tinha o mesmo trejeito da atração principal da noite.

O repertório contou com os singles que estão disponíveis nas principais plataformas digitais com um som estridente e sem nenhuma falha. O maior destaque ficou para o cover pesado de “Suspicious Mind”, do saudoso e eterno rei do Rock Elvis Presley.

Os últimos trinta minutos para o momento mais seduzam-te da noite, que entrou pontualmente no horário, às 21hrs, deixaram todos agitados para ver os clássicos do SFM&C e as músicas novas ao vivo. Com o grande backdrop da capa do mais recente disco, a banda já entrou mandando ver com a faixa mais relevante do trabalho, “The River Is Rising”, seguida das conhecidas “Driving Rain”, “Halo” e “Too Far Gone” (trocada por “Apocalyptic Love”), que foi levantando o público aos poucos.

A maioria ficou mais contida e focada em ver a performance tanto do Slash quanto de cada membro. A euforia chegou em “Back From Cali”, que foi carregado por um arrepiante ‘Oh, Oh, Oh’ antes de partir para o segundo verso, tendo uma alteração na letra: “And I can’t deny this place ain’t got no heart” para “And I can’t deny this São Paulo ain’t got fucking heart”. 

A trinca com “Whatever Gets You By”, “C’est La Vie” e “Actions Speak Louder Than Words” canções do último álbum e com Slash exibindo modelos de guitarras que não costuma usar ao vivo – “preparou o terreno para as antiguidades que viriam a seguir: “Always on the Run”, do Lenny Kravitz, e “Don’t Damn Me” – única do GNR no set – teve os vocais do baixista canadense Todd [KERNS], que as cantou com total eminencia. Mas a que mais animou mesmo dentre elas foi a pesada “Speed Parade”, presente no segundo álbum do Slash’s Snakepit, “Ain’t Life Grand” (2000). E vale a pena, principalmente a molecada mais nova, ouvir os dois álbuns desse projeto, que é muito pouco lembrado.


A banda, mais uma vez, não deixou a desejar em nada! Seja dentro ou fora dela, eles continuam cada vez mais plenos do que fazem, principalmente o vocalista Myles Kennedy, que mais uma vez cativou todo mundo com sua voz e carisma. (N.T.: há menos de três meses, Myles esteve no mesmo palco se apresentando com sua outra banda, Alter Bridge). Das poucas vezes em que se comunicou foi para agradecer a presença de todos, da Velvet Chains e perguntando quem gostou do “4”.

A cozinha formada pelo citado Todd e o baterista Brent Fitz, que fez o show todo com a camiseta da Seleção Brasileira, mostrou mais uma vez sua eficiência. Todd foi o que mais se inflamou durante a exibição de duas horas ao lado do seu patrão. 

E por falar nele, ano após ano, ele não para de conquistar novos fãs: a cada riff, solos e até os tradicionais movimentos – entre eles o giro de 360º graus e andamento com o joelho esquerdo dobrado igual que o Chuck Berry fazia – era motivo para que as câmeras dos celulares fossem apontadas a ele para registrar cada detalhe. O guitarrista Frank Sidoris, responsável por comandar as bases, completa este time incrível.

O restante do set foi ocupado por clássicos e mais clássicos. A climática “Starlight” proporcionou outra calorosa (e impressionante) entoação dos espectadores que chegou a ecoar o Espaço Unimed; a swingada “Wicked Stone” reservou um momento só para o Slash mandando um solo matador de cinco minutos; “Doctor Alibi” contou novamente com a voz de Todd (fazendo as linhas do saudoso Lemmy Kilmister) e Slash cantando timidamente o refrão, enquanto “You’re a Lie” e “World on Fire” (com mais um solo estendido e o Myles apresentando a banda enquanto os músicos tocavam) incendiou o quase fim de noite antes de começar o bis. 

Mas antes, executaram mais duas do “4”, “April Fool” e a balada “Fill My Word”, que para mim, é a melhor do mais recente álbum.

Com o final batendo na porta, a banda voltou ao palco para revisitar o maior hit do Elton John com “Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)”. As lanternas dos celulares e o som da guitarra havaiana, comandada por Slash, claro, deu uma sensaçã climatica para os minutos finais. Na ocasião, Brent comandou o piano digital, passando as baquetas para o seu técnico de bateria. 

“Anastasia” encerrou o show de forma perfeita, antecedida por rápidas palavras e um breve solo de triangulo do Myles. De forma bem-humorada, Slash esticou bem os dedos para introduzir as melodias iniciais dela.

Depois de um dia que começou com sol e muita água caindo do céu, nada do que ser recompensado com um show sensacional de uma das maiores personificações da guitarra e do Rock em geral. Apesar da demora em retornarem – já que a extensa agenda de shows do GNR o impede de se concentrar mais na sua banda solo – sempre vale a pena esperar.   


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Jéssica Marinho para o Wikimetal

 

Realização: 30ebr

Mídia Press: Trovoa Comunicação

 

Slash Ft. Myles Kennedy & The Conspirators

The River Is Rising

Driving Rain

Halo

Too Far Gone

Back From Cali

Whatever Gets You By

C’est la vie

Actions Speak Louder Than Words

Always on the Run (Lenny Kravitz cover)

Bent to Fly

Sugar Cane

Spirit Love

Speed Parade (Slash’s Snakepit cover)

We Will Roam

Don’t Damn Me (Guns N’ Roses cover)

Starlight

Wicked Stone

April Fool

Fill My World

Doctor Alibi

You’re a Lie

World on Fire

***Encore***

Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)

Anastasia