quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Marillion: Sem Medo de Criar Arte



Enquanto muitas bandas teimam em soar iguais, ou em se apoiar em mega produções e outros artifícios mirabolantes de estúdio, os veteranos, embora alguns também às vezes fiquem aquém do esperado,  seguem mostrando como se faz, e o Marillion apresentou não só um dos seus melhores trabalhos nos últimos tempos, como um dos melhores álbuns de 2016, não apenas se referindo ao campo do Progressivo.

Sonoridade orgânica, carregada de feeling, ênfase na composição e arranjos, descomplicando a música, que em “FEAR”, é tratada como deve, como arte, não como exercício de técnica ou produções “cinematográficas” mas que soam frias. Sobre o título "FEAR", abaixo dele você pode ver a frase “F*** Everyone And Run, interessante o jogo de palavras, pois um tema recorrente é o medo do que nos espera, devido ao certo caos que o mundo se encontra, e também é o título de parte da faixa "The New Kings", onde a banda fala sobre essas questões dos acontecimentos políticos no mundo.

São 68 minutos e 6 faixas, e o álbum é dividido em três opus, “Eldorado”, “The Leavers” e “The New Kings”, e mais 3 faixas incluídas no contexto geral, então você percebe, a banda não está preocupada em fazer música comercial, e sim fazer o que seus instintos mandam, com liberdade, e isso geralmente dá certo.
O conteúdo lírico aborda questões como as mudanças que o mundo está passando, e que estão por vir, como no primeiro opus, “Eldorado”, onde os teclados se sobressaem, em um clima mais denso e até tenso; “Living in Fear”, uma das “faixas curtas”, é também a que possui uma estrutura mais tradicional, com refrão e melodias que se repetem, criativas e cativantes.


O próximo opus, “The Leavers”, traz um conteúdo mais personal, falando sobre estar de cidade em cidade, mudando, em tour “We are the leavers, and the Road rolls beneath us...We we’ll make a show, and them we’ll go”, e nas 5 partes em que é dividido, a sonoridade nos faz viajar em melodias de extremo bom gosto, entrando em trechos quase que etéreos, destacando a parte III, “Vapour Trails in the Sky” e o belo arranjo de piano na parte IV, “The Jumble of Days”; “White Paper” é a próxima faixa simples, e soa também bem personal e carregada de emoção, com certa melancolia nos vocais e nos arranjos de piano, o qual traz belíssimos arranjos. A faixa ganha em explosão em certo momento, com a guitarra vindo a reclamar seu espaço.

O terceiro opus, “The New Kings”, divide em 4 partes, não é diferente em emoção e arranjos sofisticados, tensos e cativantes. Soa algo meio sarcástico o refrão da parte I, que Hogarth profere em tom meio melancólico “Fuck everyone and run”, sendo que este opus trata dos acontecimentos políticos mundiais, as notícias com “meias verdades” que são divulgadas, a exploração em nome da riqueza. Hogarth explica em um release: "Há uma sensação de presságio que permeia grande parte deste disco. Tenho a sensação de que estamos nos aproximando de algum tipo de mudança radical no mundo - uma tempestade política, financeira, humanitária e ambiental irreversível. Espero que eu esteja errado. Espero que meu medo do que "parece" estar se aproximando seja apenas isso, e não o medo do que "está" realmente prestes a acontecer". “Tomorrow’s New Country” encerra o álbum , permeada pelo piano em arranjos melancólicos




Por mais que muitos ainda sintam saudade da era Fish, Hogarth merece também seus méritos, e o Marillion tem inspiração e qualidade de sobra para seguir produzindo belíssimos trabalhos como este “FEAR”, onde se transpira feeling e a música realmente é tratada como arte, proporcionando muitos momentos memoráveis. E nossos ouvidos também são muito bem tratados! 

E outra ótima notícia é que o álbum está disponível no Brasil via Shinigami Records, que também vai lançar o novo DVD do grupo ("Marbles in the Park), contendo o show onde foi tocado na íntegra o aclamado álbum "Marbles", no evento "Marillion Weekend", que acontece desde 2002.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Marillion
Álbum: "FEAR" 2016
País: Inglaterra
Estilo: Progressive Rock, Neo Progressive
Produção: Michael Hunter
Selo: earMusic/Shinigami Records

Adquira o álbum agora mesmo

Veja vídeo do vindouro DVD: "Fantastic Place"

Line-Up:
Steve Hogarth: Vocais
Mark Kelly: Keyboards
Ian Mosley: Bateria
Steve Rothery: Guitarras
Pete Trewavas: Baixo e vocais

Tracklist:
1. El Dorado (i) Long-Shadowed Sun
2. El Dorado (ii) The Gold
3. El Dorado (iii) Demolished Lives
4. El Dorado (iv) F E A R
5. El Dorado (v) The Grandchildren Of Apes
6. Living in F E A R
7. The Leavers (i) Wake Up In Music
8. The Leavers (ii) The Remainers
9. The Leavers (iii) Vapour Trails In The Sky
10. The Leavers (iv) The Jumble Of Days
11. The Leavers (v) One Tonight
12. White Paper
13. The New Kings (i) F*** Everyone And Run
14. The New Kings (ii) Russia’s Locked Doors
15. The New Kings (iii) A Scary Sky
16. The New Kings (iv) Why Is Nothing Ever True?
17. Tomorrow’s New Country



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Dark Sarah: Sinfônico de Bom Gosto e Diversidade




O novo disco do Dark Sarah, projeto da cantora finlandesa Heidi Parviainen foi lançado em 18 de novembro. “The Puzzle”, assim como seu antecessor “Behind the Black Veil” , também é um álbum conceitual que continua contando a história de Sarah, dessa vez em uma ilha enevoada no meio de um oceano, perdida entre a vida e a morte.

As canções contam sua luta para sobreviver e como ela encontra forças para continuar. O álbum conta com as participações de JP Leppäluoto como o Dragão, Charlotte Wessels ( Delain ) como a Sereia e Manuela Kraller (ex-Xandria) como Destino. A música de introdução do álbum, “Breath”, nos faz entrar no clima cinematográfico do álbum. A canção “Island in the Mist” possui um vocal doce e delicado que contrasta com o peso do instrumental. “Little Men”, com sua bela orquestração e refrão envolvente foi a primeira música do álbum a ser divulgada. A música seguinte, “Ash Grove” é muito agradável de ouvir. A viciante “For the Birds” chama a atenção por sua introdução ao som de flauta. Em seguida, “Deep and Deeper”, uma canção forte, cheia de elementos sinfônicos.


“Dance with the Dragon”, conta com a participação de JP Leppäluoto, a música se destaca pelo refrão carismático, o dueto te faz sentir realmente em um musical. “Cliffhanger” é uma das faixas mais belas. Em “Aquarium” temos o impressionante dueto entre Heidi e Chalortte Wessels. E fechando com chave de ouro “Rain”, arrepiante dueto com Manuela Kraller.

Será difícil encontrar um fã de Metal Sinfônico que não tenha gostado de “The Puzzle”, um belo casamento entre o talento vocal de Heidi e o instrumental refinado. A versatilidade de cada música não deixa que se torne um álbum enjoativo.

Texto: Raquel de Avelar
Edição/Revisão: Carlos Garcia


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Banda:
Heidi Parviainen [ex. Amberian Dawn] - Vocals
Erkka Korhonen [Northern Kings, Ari Koivunen] - Guitar
Sami Salonen - Guitar
Rude Rothstén - Bass
Thomas Tunkkari - Drums


Vocalistas Convidados: Manuela Kraller [ex. Xandria] as "Fate", JP Leppäluoto [Charon, Northern Kings] as "The Dragon", Charlotte Wessels [Delain] as the "evil siren mermaid"

Track Listing:
1. Breath
2. Island In The Mist
4. Ash Grove
5. For The Birds
6. Deep and Deeper
8. Cliffhanger
9. Aquarium [feat. Charlotte Wessels]
10. Rain [feat. Manuela Kraller]




sábado, 7 de janeiro de 2017

Alírio Netto: Mostrando Seu Talento e Outras Faces


A quantidade de grandes vocalistas que despontam aqui no Brasil é quase um fenômeno, e ano após ano, grandes revelações dão as caras com inovações e talento, mostrando domínio e conhecimento da técnica vocal. E é difícil, nos dias de hoje, apontar quem é o melhor vocalista de Heavy Metal aqui no Brasil, pois cada um mostra versatilidade e maneira de cantar de acordo com a personalidade do artista, e também na qual o mesmo se sente confortável. Recebendo elogios não só pelo seu timbre de voz, mas também pelas atuações no teatro brasileiro (musicais como Jesus Cristo Superstar e We Will Rock You), um dos grandes destaques nos últimos anos é Alírio Netto, que acaba de lançar seu primeiro disco solo, “João de Deus”.

Não alcançando a meta esperada pela campanha que foi feita por crowdfunding, o disco chega, enfim, pela TRM Records, um dos primeiros lançamentos da mais nova gravadora de Heavy Metal do país, mas neste disco, em especial, não há sombras de Heavy Metal. Quem acompanhou o passo a passo das novidades deste trabalho, pôde notar que o Alírio quis experimentar coisas novas, entre elas as músicas serem cantadas em português, deixando de lado as suas influências que teve com o Khallice e o Age Of Artemis, aventurando-se num caminho mais contemporâneo, experimentando nuances que flertam do Pop à música brasileira, tornando-se acessível para todos, e também para o ouvinte de Heavy Metal que possua cabeça aberta.

A produção foi de Edu Falaschi (ex-Angra e Almah), parceria que já dura desde o primeiro trabalho do Age Of Artemis, tendo a participação do mesmo em algumas composições e arranjos também. E a sonoridade é bem cristalina, soando atual e transparente, com ótima mixagem e masterização pelo Tito Falaschi, que também executa o instrumental em quase todas as músicas, exceto o baixo, gravado pelo Felipe Andreoli (Angra). A ilustração é marcada pelo Danilo Facchini, encabeçado pela foto da Priscila Tessarani, abreviando a atmosfera transmitida pelo álbum, ou seja, algo bem intimista e com simplicidade.

Ouvindo o disco atentamente, percebemos o real motivo do por que o Alírio Netto é uma das melhores vozes do Brasil atualmente, possuindo uma timbragem de voz que se encaixa em qualquer território musical, mostrando que é capaz de ser dinâmico e integro. E o vocalista teve ao seu lado um time de peso, que além de contar com as colaborações de Edu Falaschi, Tito Falaschi e Felipe Andreoli, teve também as participações do guitarrista Marcelo Barbosa (Almah/Angra), o pianista Tiago Mineiro e do saxofonista Milton Guedes.

Principiando o primeiro destaque, “Viver (One Love)” prioriza os arranjos mais limpos e melodias folclóricas, possuindo um refrão cativante cantado em inglês; a faixa-título, “João de Deus”, dá mais atenção ao instrumental cheio de ritmo, arcando elementos mais Pop e até do progressivo, evidenciando os riffs limpos e o solo instigante do Marcelo Barbosa; A balada “De Sol a Sol” é daquelas de colocar no ‘repeat’, e já toca o coração com melodias sensíveis e singelas, terminando com um emocionante solo; “Tantas Coisas” mesclam caminhos mais Rock N’ Roll e clássico, dentro de uma linguagem mais presente, diluindo harmonia e força na voz do Alírio, chegando a surpreender quando prolífica o refrão; “Retrato” emite linhas mais dramáticas, ficando evidente nos pianos de Tiago Mineiro. E Alírio dá um show de interpretação, exibindo o seu lado mais teatral através da música.


“Segredos” é bastante conhecida, só que como “Take Me Home”, presente no álbum “Overcoming Limits”, do Age Of Artemis, ganhando uma versão mais sintética e cantada em português, além de requintadas sessões acústicas. “Nada Mais Importa” tem seu jeitão ‘main-stream’, que empolga com a mistura de Pop Rock, MPB e Soul Music, deixando a música ainda mais pra cima com o saxofone do grande Milton Guedes. De bônus, “Your Smile”, única faixa em inglês, com um certo compasso de música folclórica brasileira, esmerada pela viola caipira e alguns instrumentos percussivos, perfeita pra ouvir num dia calmo à natureza.

Que “João De Deus” seja ouvido, e se perpetue, e seja nos palcos ou no teatro, alavanque a carreira desse grande vocalista, o qual prova que é capaz de despontar em qualquer praça pela sua voz, que inclusive chamou a atenção de mídias e artistas fora do circuíto Metal.
Tenham a cabeça aberta, e podem ouvir numa boa!

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação (Priscila Tessarani)

Ficha Técnica
Banda: Alírio Netto
Álbum: João De Deus
Ano: 2016
Estilo: Pop Rock
Gravadora: TRM Records
Assessoria de Imprensa: TRM Press


Track-List
01. Viver (One Love)
02. João De Deus
03. De Sol a Sol
04. O Palhaço
05. Tantas Coisas
06. Retrato
07. Segredos
08. Nada Mais Importa
09. YourSmile (BonusTrack)

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