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domingo, 10 de maio de 2026

Cobertura de Show: FM – 05/03/2026 – Burning House/SP

FM faz apresentação impecável e cativante em São Paulo, na celebração de 40 anos de “Indiscreet"

Há bandas que chegam a 40 anos ou mais de existência, com ou sem pausas, com um vigor ou qualidade sonora tão bons quanto nos primórdios. O FM, grupo londrino de Hard Rock com grande relevância na cena AOR (Adult-Oriented Rock, ou Álbum orientado a adultos), mostrou que, no caso deles, isso é aplicável, ainda mais em um contexto de especial como o do último dia 05 de março, na Burning House, Zona Oeste de São Paulo, onde o quinteto fez um show da turnê de celebração de 40 anos do álbum de estreia, “Indiscreet”. O evento foi organizado pela própria casa de shows.

Esta foi a segunda passagem da banda em solo brasileiro e somente na capital paulista, sendo a primeira em 2024, na turnê de 40 anos da fundação do grupo. A apresentação não contou com aberturas e gerou uma boa lotação no local em uma plena quinta-feira. Os presentes, além de ouvirem “Indiscreet” em uma ordem diferente da versão de estúdio, ainda presenciou uma sequência com clássicos do segundo álbum do FM, “Tough It Out” (1989), e mais três de outros álbuns da banda.

Tanto os fãs quanto a banda tiveram momentos animados e total dedicação às interações propostas pelo frontman Steve Overland, batendo palmas, criando corais líricos e aclamando cada solo instrumental, linha de destaque, introdução marcante ou nota vocal executada no show. Você confere mais detalhes a seguir.


Celebrando os 40 anos de “Indiscreet” 

Ter chegado perto do início do show me ajudou a ter a percepção da lotação do local, que foi praticamente total salvo alguns espaços de circulação. Para os fãs da banda e/ou do Hard Rock, não importava que era uma quinta-feira à noite, pois era uma noite de celebração.

O show, que não contou com aberturas, começou de fato às 21h32, em meio ao que parecia a introdução da Fox Films e somente a entrada de Pete Jupp (bateria). Subiram ao palco, logo depois, os demais membros de instrumentos, em semblante alegre até mesmo antes da escadaria, enquanto a segunda introdução, a música da Pantera Cor-de-rosa, tocava: Jem Davis (teclados e sintetizadores), Merv Goldsworthy (baixo e backing vocal) e Jim Kirkpatrick (guitarra).

O quarteto no palco iniciou os primeiros acordes de “Digging Up the Dirt" e, na sequência, Steve Overland (vocal e guitarra rítmica) fez sua entrada para fechar a formação e iniciar de vez a apresentação. A faixa em questão, que faz parte do disco "Heroes and Villains”(2015), mostrou que, apesar de a noite ser uma celebração para o álbum “Indiscreet", não haveria prioridade inicial ou a obediência com a sequência original do disco de 1986. E isso ficou evidente ao longo do show, apesar de não ser algo que incomodou aos que presenciaram o show na Burning House.

A faixa de abertura do setlist, que teve 19 faixas no total (a maior parte do álbum de estreia), foi um aquecimento para uma banda animada durante e depois da música, com a saudação animada encabeçada por Overland; e para um público que demonstrou euforia desde o começo. E essa sensação e a expressão de alegria cresceram ainda mais quando "That Girl”, faixa que abre o primeiro disco de estúdio do FM, foi tocada. A boa execução do quinteto levou a pulos de parte da galera e, de forma quase unânime e uníssona, aos cantos nos refrões da faixa.

“Other Side of Midnight” e ˜Love Lies Dying” vieram na sequência, fechando as três primeiras faixas do álbum na ordem ao contar com a segunda do setlist. Duas músicas que remetem bem ao estilo sonoro que definiu parte distinta das bandas de Hard Rock dos anos 80, com um pézinho no Pop, solos repletos de Feeling (e que ótimas execuções da parte de Jim Kimpatrick), bons trechos de teclado e bons refrões, A combinação foi perfeita para manter o misto nostálgico e agradável do público presente.

A viagem por “Indiscreet” seguiu, porém pulando uma faixa da ordem do álbum - que veio a ser tocada depois -. Assim, “American Girls” retomou a um Hard Rock clássico e bem orientado ao chamado AOR, ao mesmo tempo que a faixa lembrou algo parecido com “Jump", do Van Halen. Mas nada de achar isso ruim, e sim acreditar em uma inspiração excelente, ainda mais com o ânimo evidente de Jem Davis nos teclados. 

"Frozen Heart", oitava faixa do debut do FM e sexta do setlist em São Paulo, surgiu como uma balada triste. Foi amplamente comemorada e cantada pelos fãs presentes ao longo da música, além de contar com uma boa leva de solos de Jim e, ao final, um falsete de Steve Overland que levou o público aos gritos e aplausos. Já "Hot Wired” veio como uma faixa mais Pop Rock, porém sem tirar a base Hard do álbum e com um demonstrativo claro de sinergia entre os integrantes somada com as interações entre eles e com a plateia.

Steve Overland, em mais um discurso, reforçou a importância e a comemoração em cima de “Indiscreet”, elogiando a fanbase como um todo: “O álbum faz 40 anos e nós os amamos há 40 anos também", declarou o frontman do FM.

O show seguiu com mais uma dobradinha do debut sem a ordem da tracklist original: “Face to Face” e “I Belong to the Night” foram amplamente comemoradas e cantadas, reforçando os patamares de clássicos que têm junto a outras faixas do disco. A primeira citada teve o par de solos de Jim e Overland como destaque, enquanto a segunda trouxe o ápice das interações desse show, quando o vocalista do FM pediu para que o público cantasse trechos da faixa e alguns momentos de refrão. A resposta do público levou Steve a falar “Fantastic” por várias vezes, assim como ele também foi aclamado com os falsetes impressionantes no final da música, muito próximos do que executava há 40 anos.

O fim da passagem por “Indiscreet” se deu com mais duas músicas. “Heart of the Matter”, que fecha o álbum na versão de estúdio, teve seus trejeitos de anos 80 a partir dos teclados, o ritmo embasado em características Hard Rock e Pop e um refrão que repete o nome da faixa, algo que o público também fez durante a música. Já “Dangerous”, que fechou este "quase primeiro ato” do show, foi parcialmente prejudicada por uma interferência no som que prejudicou o vocal e, por um trecho, as guitarras, deixando o solo da faixa mais  baixo. Nada que fosse problema para uma rápida correção e uma boa finalização de um álbum que marcou e tanto, logo no começo, a carreira do FM.

Do primeiro para o segundo álbum (e outros sucessos)

A considerada segunda parte do show trouxe, em boa parte, faixas do segundo LP do FM, "Though It Out", lançado em outubro de 1989, além de uma faixa representante para os discos ˜Aphrodisiac” (1992), “Atomic Generation” (2018) e "Synchronized” (2020).

E esse bloco começou justamente com a mais nova das faixas, que leva o nome do álbum de 2020. O ritmo, muito bem cadenciado pelos pedais de Pete Jupp, logo foi incrementado pelas linhas e movimentações animadas de Jim e sua guitarra e de um baixo ainda mais potente da parte de Merv, respondidos com as palmas ritmadas da plateia já na reta final da faixa.

Já "Let Love Be the Leader” foi amplamente aclamada a partir das primeiras notas dos teclados de Jem, que anunciaram um Hard+Pop clássico e empolgante para um público que acompanhou fortemente o vocal de Steve Overland do início ao fim, principalmente os coros em “uoooo”. Steve, inclusive, mesmo em um tom um pouco diferente da versão de estúdio, mandou muito bem na execução vocal da música em questão. 

Já “Someday (You'll Come Running)”, outro clássico do FM, teve coro do público ainda maior ao longo da faixa. “Does It Feel Like Love” veio praticamente na sequência, contando com uma ótima linha de baixo geral e um trecho de destaque para Merv, além de outro falsete absurdo de Steve Overland para fechar a faixa.

O solinho inicial de Overland e Kirkpatrick deu o início épico para a aclamada "Bad Luck", que não deixou de ser cantada pelos fãs presentes, algo que se manteve muito bem executado na pista para a faixa seguinte, “Tough It Out”, iniciada sob ritmo dos teclados e sintetizadores e cuja sonoridade geral veio logo após o primeiro “ooouoooo” tanto de Overland, quanto da galera da pista. Talvez tenha sido o momento de melhor exploração dos tons variados de voz do frontman do FM, que junto ao restante da banda, finalizou a faixa de forma épica antes da pequena pausa.

Passados alguns minutos e os coros clássicos de “olê, olê” que são comuns na maioria dos shows em São Paulo, os membros do FM voltaram para mais duas músicas. “Closer to Heaven”, do álbum “Aphrodisiac”, veio como uma balada muito cadenciada no Blues Rock e que, da mesma forma que nas músicas com elementos Pop, não deixou de lado o Hard Rock característico. Steve não somente deu show vocal, como também no solo de guitarra que executou.

O gran finale da noite se deu com ˜Killed by Love˜, do “Atomic Generation”, numa representação mais fidedigna ao Hard Rock com “refrão chiclete” e que direcionou a um repertório mais recente e que, analisando o setlist, pode ser que, mesmo sem a intenção clara da banda, é um direcionamento para mostrar que o FM tem mais lançamentos além dos que foram clássicos no final dos anos 1980.

E o fim do show, após tamanha entrega dos músicos, sinergia entre os mesmos, bom repertório e execução geral impecável, me gerou uma dúvida: como o FM, depois de um boom nos anos 80 e lançamentos constantes desde o álbum de retorno (“Metropolis”, 2010), demorou tanto para vir ao Brasil - a primeira vez em 2024, na comemoração de 40 anos de banda -? Seja qual for o motivo, não muda a percepção de que, se viessem nos 11 anos iniciais e nos 18 desde o retorno da banda, teriam uma base de fãs ainda maior e que trariam mais da valorização que a banda merece, tamanha a competência sonora no palco. O que vale, por agora, é torcer tanto para que venham o mais breve possível, quanto para que mais pessoas aqui no Brasil possam conhecer o FM.

Texto: Tiago Pereira

Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: DNA Rock Events

Press: Ase Press


FM – setlist:

Digging Up the Dirt

That Girl

Other Side of Midnight

Love Lies Dying

American Girls

Frozen Heart

Hot Wired

Face to Face

I Belong to the Night

Heart of the Matter

Dangerous

Synchronized

Let Love Be the Leader

Someday (You'll Come Running)

Does It Feel Like the Love

Bad Luck

Tough It Out

Closer to Heaven

Killed by Love

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Midnite City: Evolução Sem Risco

Pride & Joy Music (Imp.)

Por Fernando Queiroz

Da leva recente de hard rock, o Midnite City é uma das bandas mais notórias. Seu quinto registro completo, de 2025, é mais um passo na direção certa: não deixam a “alma hard” de lado, ao mesmo tempo que evoluem sua performance dentro do estilo, mesmo que com mais toques de “AOR”, perfeito para a proposta radiofônica.

Logo de cara, com a abertura Live Like Ya Mean It, mesmo que com certo peso, já vemos os teclados com algum destaque, e isso só aumenta na seguinte Worth Fighting For, onde o som dos sintetizadores é bem destacado. O padrão segue por boa parte do álbum, com canções muitas mais lentas, letras de superação, libertação, e todo aquele sentimento “para cima” que têm sido o foco da maioria das bandas do estilo na atualidade. Embora interessantes de começo, sinto que fica cansativo esse foco repetidamente.

A velocidade volta com Heaven In This Hell, em ótima música para “meio de show”, mas logo o som radiofônico volta na seguinte, Running Back To Your Heart, numa boa alusão a clássicos de bandas como o Boston. Ela já dá lugar a uma canção com bons riffs, e até certo virtuosismo, Lethal Dose of Love. Um interlúdio instrumental dá a letra para a bonita balada Seeing Is Believing, a mais longa do disco. Confesso que esperava a entrada de uma música mais pesada no lugar. No melhor estilo Journey, No One Wins tem uma mescla de certo peso com teclados altos, cheia de reverbs nas partes “grudentas” - aliás, o disco é cheio disso! É, no fim das contas, puro suco de Arena Rock anos oitenta, como vem sendo o padrão de bandas de hard rock europeu - algumas melhores, outras piores, e o Midnite City vem se mantendo entre o primeiro grupo.

Hang On Til Tomorrow mantém a atmosfera, mas é com o encerramento que vemos talvez o ápice: When The Summer Ends fecha o disco com claras influências da fase Sammy Hagar do Van Halen - em específico, há uma clara referência à música Dreams.

Um disco que mantém a regularidade, e joga seguro. Não se arriscam, evoluem sua fórmula, e não desapontam. Fica, porém, a sensação de que poderiam ter feito algo mais, colocado mais peso, e ido mais para o lado dos riffs de guitarra. Preferiram usar o teclado para ser o chamariz - não que estejam errados, mas chega um momento que deixa o ouvinte um pouco cansado.

Vale a pena ouvir? Sim! Vai virar clássico? Definitivamente não.

Nota: 7,5

Divulgação


domingo, 18 de maio de 2025

Cobertura de Show: BEAT – 09/05/2025 – Espaço Unimed/SP

Fui ao show da BEAT sem saber exatamente o que esperar, e saí com a certeza de ter testemunhado algo raro, poderoso e memorável.

A formação do grupo já impressiona por si só: Adrian Belew (guitarra) e Tony Levin (baixo), pilares da icônica fase oitentista do King Crimson, se unem a dois gigantes da música – Steve Vai (guitarra, ex-Alcatrazz, ex-David Lee Roth e ex-Whitesnake) e Danny Carey (bateria, Tool) – para reinterpretar, com brilho e respeito, uma das fases mais ousadas do rock progressivo.

Mais do que um tributo, o BEAT é uma celebração viva do legado do King Crimson dos anos 80. Belew e Levin trouxeram autenticidade e alma, enquanto Vai e Carey assumiram – com maestria e personalidade – os desafiadores papéis de Robert Fripp e Bill Bruford. O resultado foi uma performance tecnicamente impecável, carregada de energia, emoção e uma fidelidade impressionante ao som original sem soar engessada ou nostálgica demais.

O repertório percorreu a trilogia Discipline, Beat e Three of a Perfect Pair, alternando momentos densos e experimentais com canções mais acessíveis e cativantes. A construção do setlist foi cirúrgica, com os grandes destaques reservados para a segunda metade, como um lado B que explode de intensidade e recompensa.

O clima da apresentação era hipnótico – uma atmosfera psicodélica envolvente do começo ao fim. Mesmo com sua sonoridade nada convencional, a banda conseguiu prender a atenção do público com facilidade. Cada música parecia crescer em camadas, revelando a complexidade das composições e o entrosamento absurdo entre os músicos.

Aplaudidos de pé, o BEAT entregou mais que um show: foi uma experiência única, um encontro de mestres que transformaram nostalgia em vanguarda. Saí de lá com a sensação de ter participado de algo histórico – e, sinceramente, já torcendo para que essa turnê ganhe vida longa


Texto: Leticia Spizirri

Fotos: Reinaldo Canato / Ricardo Matsukawa

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Mercury Concerts

Press: Catto Comunicação


BEAT – setlist 1:

Neurotica

Neal and Jack and Me

Heartbeat

Sartori in Tangier

Model Man

Dig Me

Man With an Open Heart

Industry

Larks' Tongues in Aspic (Part III)


BEAT – setlist 2:

Waiting Man

The Sheltering Sky

Sleepless

Frame by Frame

Matte Kudasai

Elephant Talk

Three of a Perfect Pair

Indiscipline

Bis

Red

Thela Hun Ginjeet

sábado, 30 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Bring Me The Horizon – 28/11/2024 – Audio/SP

A banda de metalcore britânica, Bring Me the Horizon, voltou ao Brasil para duas apresentações, promovendo seu mais recente trabalho “POST HUMAN: NeX GEn”, lançado em maio desse ano. A primeira das apresentações aconteceu na quinta-feira, dia 28 de novembro, na Audio em São Paulo. Com uma proposta mais intimista, o show foi anunciado há cerca de um mês e teve todos seus ingressos vendidos em menos de dois dias. Isso mostra o quanto a banda é querida pelo público brasileiro.

Sem banda de abertura e com fãs que acamparam desde a noite anterior, a fila da Audio percorria quarteirões. O tempo oscilatório de São Paulo, que pela tarde estava ensolarado e extremamente seco e abafado, teve pancadas de chuva ao final do dia, mas isso não desanimou o público, que aguardava ansiosamente para entrar na casa.

Com um atraso insignificante, por volta das 21 horas as luzes se apagaram e a animação temática no “nex gen” foi exibida no telão. Essa talvez foi uma das maiores intros que já presenciei, cerca de 7 minutos… Na imagem, víamos um menu de jogo de videogame, aqueles onde você ao iniciar o jogo precisa clicar em “press start”. O público, que estava mega ansioso, tentou de tudo: bater palma, gritar START, gritar o nome da banda… Em seguida, uma animação que mostra a personagem E.V.E (que participa dos shows e faz parte da Genxsis, uma igreja ou culto formada pelos seguidores de NexGen) nos pergunta: “vocês estão preparados para a melhor noite de suas vidas?”.

Às 21:10 a banda, formada por Oliver Sykes (vocal - e praticamente brasileiro), Lee Malia (guitarra), Matt Kean (baixo) e Matt Nicholls (bateria) sobe ao palco, ovacionados pelo público. A primeira música, “DArkSide’, do último álbum, foi cantada em uníssono. Oliver, que é casado com a modelo e artista brasileira Alissa Salls, interage o tempo todo em português, sempre ressaltando o quanto ama o Brasil e suas pessoas.

Sem tempo para respirar, o hit “Mantra” foi executado. Esse é um daqueles shows que só reuniu fãs, então não houve nenhum momento de calmaria ou que grande parte das pessoas não conhece alguma música. A energia foi a mesma do início ao fim. “Happy Song” e “Teardrops” vieram na sequência e Oliver pediu o primeiro mosh pit da noite. Apesar da casa estar cheia, é óbvio que ele teve seu pedido atendido.

“AmEN!” e “Kool-Aid”, ambas do “NeX GeN”, mostraram que os presentes realmente fizeram a lição de casa e ouviram o último trabalho da banda (que inclusive está indicado a álbum do ano em diversas premiações).

Seguindo com “Shadow Moses”, o set estava bem equilibrado, com músicas dos álbuns mais apreciados pela maioria. Então a banda tocou “n/A” pela primeira vez ao vivo. Oliver, sempre em português, demonstrava o quanto estava impressionado com o público.

“Sleepwalking”, “Kingslayer” (que conta com a participação do Baby Metal na gravação - aqui representada pelo próprio público que, cantava mais alto que a banda nas partes em que elas cantam) e “Parasite Eve” mantiveram a energia lá em cima.

Em “Antivist”, como de costume, Oliver escolheu alguém do público para dividir os vocais. O escolhido impressionou com seu gutural. Mais tarde descobrimos que ele é conhecido como Mister Chuck (Kauê Ferraz) e realmente faz parte de uma banda, a Overbrain. Em entrevista à rádio 89FM, o vocalista e tatuador contou que esperou por esse momento por 11 anos.

O set continuou com “Follow You”, “LosT” e o super hit “Can You Feel My Heart”, que encerrou a primeira parte.

Durante a semana os fãs manifestaram nas redes sociais as músicas que queriam ver no setlist, apresentando opiniões dividias. Muitos gostariam de ver um show apenas de músicas lado B, já outros esperavam hits. Sem dúvidas, o show agradou por mesclar diversas fases. Para os fãs dos álbuns mais antigos, o encore foi um presente.

“Doomed”, “Drown” e “Throne”, todas presentes no álbum “That’s the Spirit” (lançado em 2015), encerraram com chave de ouro a apresentação.

Embora ainda existam fãs mais tradicionais do metal que torcem o nariz, o Bring Me The Horizon segue firme na estrada há mais de 20 anos, com uma legião de admiradores ao redor do mundo, sendo o Brasil provavelmente o país com a maior base de fãs. A qualidade e o talento de sua discografia são inegáveis, e a apresentação na Audio confirmou que a banda entrega tudo ao vivo, seja para um público de 3 mil ou 50 mil pessoas.

Além disso, a banda movimentou a cidade com o lançamento de uma pop-up store, em parceria com a marca Lobo Bobo, instalada no Hangar 110, que funcionou exclusivamente nas quinta e sexta-feira, dias 28 e 29 de novembro.

Considerada uma das maiores bandas de metal da atualidade – se não, a maior –, o Bring Me The Horizon se prepara para o maior show de sua carreira, marcado para sábado, 30 de novembro, no Allianz Parque, ao lado de outras grandes atrações do metalcore, como Motionless In White, Spiritbox e The Plot in You.

“Brasil, eu amo vocês demais.”, disse Oli durante o show. E pode ter certeza, Oli, que os fãs brasileiros retribuem esse carinho com a mesma intensidade.


Texto: Jessica Tahnne Valentim 

Fotos: Flashbang Co.

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: 30ebr

Mídia Press: Trovoa Comunicação


Bring Me The Horizon – setlist:

DarkSide

MANTRA

Happy Song

Teardrops

AmEN!

Kool-Aid

Shadow Moses

n/A (primeira vez ao vivo)

Sleepwalking

Kingslayer

Parasite Eve

Antivist (com um fã)

Follow You

LosT

Can You Feel My Heart

Bis

Doomed

Drown

Throne

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Cobertura de Show: Saxon – 15/11/2023 – Tokio Marine Hall/SP

Muitos devem se recordar que, em abril deste ano, o Saxon estava confirmado para se apresentar no Monsters Of Rock, e uma parte significativa dos ingressos vendidos foi adquirida com o desejo de vê-los ao vivo. No entanto, para a frustração de muitos, a banda anunciou o cancelamento de sua participação apenas um mês antes do festival, em decorrência da aposentadoria do guitarrista Paul Quinn. Na minha opinião, essa razão não justificava o cancelamento. O lado positivo é que a espera pela nova apresentação não foi longa, e ela ocorreu neste mês de novembro. Para ocupar o lugar deixado por Paul, foi convidado uma verdadeira lenda do Heavy Rock britânico: Brian Tatler, do Diamond Head.

Intitulada Seize The Day, a turnê passou por quatro capitais do Brasil: Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Em São Paulo, a expectativa era de casa cheia, uma vez que 70% dos ingressos já haviam sido vendidos nos dias que antecederam o show. Muitos fãs, algumas horas antes da abertura dos portões, já dominavam os arredores do Tokio Marine Hall. Porém, poucos mostraram interesse em conferir a apresentação do Madzilla, banda de apoio dessa turnê latina.

Natural de Las Vegas, David Cabezas (vocal/guitarra), Ian Garcia (guitarra), Daniel Gortaire (baixo/vocal) e Luiz Zevallos (bateria) entraram no palco às 19h10 demonstrando talento e habilidade no som contemporâneo que oferecem. Toda atenção foi atraída não apenas pela composições, mas também pela empatia, especialmente de David, que se comunicou em bom português com todos os presentes. Daniel, que também arriscou a falar nosso idioma, não parou um instante de vibrar com seu baixo estilizado.

A banda apresentou alguns singles e faixas de seu álbum de estreia, “Asphyxiating Cries” (2021), diante de uma audiência tímida, bem diferente do que viria a seguir. Muitos, inclusive este que vos escreve, ainda não tinham ouvido falar deles. Aqueles que decidiram assistir ao show tiveram uma resposta muito positiva em relação ao quarteto, que entregou uma apresentação carregada de peso e agressividade.

Com a casa lotada, a expectativa para a entrada de Biff Byford (vocal), Doug Scarratt e o já mencionado Brian Tatler (guitarras), Nibs Carter (baixo) e Nigel Gloker (bateria) no palco crescia a cada instante. Muitos nem perceberam o pequeno atraso, pois todos estavam com os olhos vidrados no palco, decorado com um fundo vermelho exibindo o logótipo da banda em dourado e a icónica águia em volta do espaço onde a bateria estava posicionada.

Finalmente, às 20h45, a icônica banda da NWOBHM deu início ao espetáculo de maneira impactante com “Carpe Diem (Seize the Day)”, música que intitula seu álbum mais recente, ideal para esquentar o clima antes de apresentarem os clássicos, começando com “Motorcycle Man”. 

Antes de seguir com mais sucessos, a banda apresentou "Age of Steam", também presente no último trabalho, e em seguida trouxe uma sequência matadora com “Power and The Glory”, “Dallas 1 PM” e “Heavy Metal Thunder”, todas recebidas com grande entusiasmo pelo público, a maioria na casa do 40 e 50 anos. O setlist ainda incluiu “Dambusters” e a atmosférica “The Pilgrimage”.

O Saxon nunca apresenta um show abaixo das expectativas, pois quando entram no palco, já entram com a vitória garantida, entregando exatamente o que se espera de um show autêntico de Heavy Metal. Aqueles que tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo nas outras vezes em que estiveram no Brasil compreendem perfeitamente o que quero dizer.

O público não deixou de fazer a sua parte. Como mencionado anteriormente, todos aproveitaram cada momento as músicas incrivelmente executadas, acompanhadas do potente som que saia dos PAs. O volume elevado, por vezes, pode ser visto como uma crítica, mas isso não representa um problema quando se trata do Saxon, pois suas performances ao vivo são ainda mais impactantes com o som no máximo.

Os músicos, que hoje estão na faixa dos 60 a 70 anos, ainda possuem energia de sobra para encarar um show de duas horas. Brian Tatler, acompanhado do excepcional Doug Scarratt, executou todas as composições com maestria; Nibs Carter, que exibe um espírito mais jovial que os demais, animou e se movimentou no palco incansavelmente; Nigel Glockler,  baterista que deveria ser mais reconhecido, arrebentou em seu kit de bateria. E o grande Biff Byford, claro, continua com uma voz impressionante! Ele não apenas interagiu com o público, mas também distribuiu água para os fãs que estavam próximos ao palco e fez questão de vestir um colete com 'patches' do Saxon e de bandas da época, recebido de um fã que estava perto do palco.

O show continuou com "Sacrifice", faixa título do álbum lançado em 2013. Sem qualquer aviso prévio, "Ride Like the Wind" trouxe a participação de Fabio Lione, vocalista do Angra, que apresentou uma abordagem mais intensa ao canta-la. Antes dela teve “Crusader”, que  proporcionou um dos momentos mais memoráveis da noite quando a plateia entoou um belo ‘Oh, Oh, Oh’ enquanto Brian iniciava as melodias. Biff tinha a intenção de substituir essa música por “Broken Heroes”, mas após uma rápida votação, “Crusader” foi a que gerou a melhor resposta da audiência. 

E as surpresas não pararam por aí! "Dogs of War" foi um grande presente para os fãs de São Paulo, uma vez que não havia sido apresentada na noite anterior em Curitiba. A primeira nota da canção fez o Tokio Marine vibrar intensamente, provando que os britânicos produziram trabalhos de alta qualidade na década de 90. Continuando em território noventista, ainda teve "Solid Ball of Rock", que, na opinião deste autor, é a melhor música da trajetória do Saxon. Os riffs e solos dela são impecáveis e conseguem deixar qualquer fã de Heavy Metal agitado.

Para os aficionados pelo álbum “Denim and Leather”, houve uma dobradinha especial com “And the Bands Played On” e “Never Surrender”, que, por sinal, não foi tocada em Curitiba. “Wheels Of Steel”, visto como o marco inicial (muitos subestimam o álbum homônimo de 1979), finalizou a primeira parte do show, antes do primeiro bis, enquanto Biff se queixava constantemente do calor, que estava realmente insuportável. 

A partida já estava ganha, mas a banda decidiu adicionar mais músicas nas últimos momentos. Em “747 (Strangers In The Night)”, teve a breve participação do vocalista Tim “Ripper” Owens, que concluiu a sua digressão pelo Brasil no último dia 12, em Goiânia. Para os que não sabem, a letra aborda o voo 911 da Scandinavia Air Line, onde Biff fez questão de imitar um avião para ilustrar o conceito. 

“Denim and Leather” (com todos dando socos para o ar e a gritar ‘Hey’ durante os riffs) e “Princess of the Night” sinalizaram que o fim estava próximo, uma vez que esta última é a que habitualmente encerra todos os concertos. Contudo, após os gritos de ‘mais um’, a banda regressou ao palco para tocar mais uma, e “Strong Arm of Law”, que ocupa um lugar destacado no set, fechou a noite que poderia ser descrito em palavras simples: memorável e histórico.


Para quem já assistiu a shows dos Iron Maiden e Judas Priest três vezes, faltava ver um do Saxon, que considero o terceiro pilar daquilo que chamo de ‘A Tríade do Heavy Metal Inglês’. Juntamente com esses ícones da música pesada, a banda proporciona exatamente o que todo headbanger anseia: um autêntico espetáculo de Heavy Metal recheado de energia, harmonia e bastante peso.

Estou certo de que todos os presentes no Tokio Marine, durante o feriado nacional, saíram com a sensação de missão cumprida, uma vez que há rumores de que esta poderá ter sido a última visita deles a São Paulo e aos outros locais em que se apresentaram no Brasil. Vamos torcer para que isso não aconteça e que continuem a produzir mais álbuns e realizar turnês pelo mundo afora.

 

Texto: Gabriel Arruda (@gabrielarruda07)

Fotos: André Tedim (@andretedimphotography)

 

Realização: Top Link Music (@toplinkmusic)

 

Saxon

Carpe Diem (Seize the Day)

Motorcycle Man

Age Of Steam

Power and the Glory

Dambusters

Dallas 1 PM

Heavy Metal Thunder

Sacrifice

Crusader

Ride Like the Wind (participação especial do Fabio Lione)

Dogs Of War / Solid Ball of Rock

And the Bands Played On

Never Surrender

Wheels Of Steel

***Encorre***

The Pilgrimage

747 (Strangers In The Night) (com aparição do Tim “Ripper” Owens)

***Encore 2***

Denim and Leather

Princess of the Night

***Encore 3***

Strong Arm of the Law

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Cobertura de Show – U.D.O. & Tim ‘Ripper’ Owens – 27/04/2023 – Bar Opinião/RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Uillian Vargas

 

O dia 27/04 marcou a capital gaúcha pelo encontro histórico entre os vocalistas U.D.O. (ex-Accept) e Tim Owens (ex-Judas Priest). Tim retornava ao RS depois de 6 anos de sua última passagem e retornava ao Bar Opinião depois de 22 anos quando se apresentou ao lado do Judas em 2001.

Já o Metal Heart U.D.O. debutava em solo gaúcho e os fãs estavam fervorosos por esse encontro, já que para muitos ele é o próprio Accept.

Com um ótimo público presente, pontualmente as 21h as luzes se apagam e Tim ‘Ripper’ inicia seu show de forma espetacular, já que o set em questão seria apenas de clássicos do Judas Priest, tanto de sua Era como da de Halford, e nada melhor que “Metal Gods” iniciar os trabalhos e levantar o público!

Logo em seguida tivemos a clássica pergunta de Tim: “What's my name”? E todos já sabiam que “The Ripper” daria as caras de forma magistral. Assim como “Burn In Hell” (que pertence a sua fase com o Judas no incrível “Jugulator” – 97) veio em um clima apocalíptico sendo um dos melhores momentos do show e mostrando que Tim Owens segue em ótima forma vocal, com seus agudos estridentes incrivelmente altos e afinados.

Um set especial ao Judas Priest não poderia faltar a emblemática “Painkiller” e que vale destacar a excelente banda de apoio (que tiveram a árdua missão de ser de ambos os vocalistas) formada por: Wagner Rodrigues e Johnny Moraes (Hevilan) nas guitarras e Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria), tocando fielmente cada nota e deixando o clima ainda mais arrebatador.

“Hell Is Home” de sua época com “Demolition” (01) deu as caras e sendo uma das melhores músicas do Judas até hoje, mas negligenciada pela banda após a saída de Owens. Assim como “One On One”, levantando a galera e ressaltando a importância de sua época na banda britânica.

Tivemos ainda “Hell Bent For Leather” e o encerramento com a clássica “Electric Eye”. Ainda aos gritos dos presentes de: “Ripper, Ripper, Ripper” o mesmo anuncia que agora é a hora do U.D.O. e o baixinho entra em cena para delírio dos fãs ávidos por sua passagem pelo Accept.

“Starlight” abre os caminhos para deixar o público alvoroçado e cantando a plenos pulmões e sem tempo para respirar: “Living For Tonight”, “Midnight Mover” e “Breaker” chegam como um furacão e lavam as almas dos fanáticos pela sua fase de ouro na banda alemã (me incluo neles!).

O carisma e a simples presença de palco do baixinho é contagiante e com poucas palavras ganha os fãs, até mesmo quando cometeu uma pequena “gafe” dizendo que era um prazer estar retornando a Porto Alegre, sendo que o mesmo nunca tinha tocado aqui, mas nada que estragasse um momento tão mágico e único de assisti-lo. Para na sequência irmos as lágrimas com “Princess Of The Dawn”, “Fast As a Shark” e “Metal Heart”!

Finalizando obviamente com seu maior clássico: “Balls To The Wall”. Para fechar com chave de Metal, U.D.O. chama ao palco Tim ‘Ripper’ e ambos nos proporcionam mais dois clássicos do Judas, as batidas, mas não menos empolgantes, “Breaking The Law” e “Living After Midnight”.

O som estava satisfatório, com alguns pequenos problemas que foram ajustados no decorrer, mas nada que estragasse o espetáculo. A iluminação de certa forma também satisfatória, mas o excesso de luzes vermelhas e gelo seco estraga a visão até mesmo de quem está assistindo, agora imagina para os fotógrafos. Fica a dica.

Uma noite dedicada aos clássicos em Porto Alegre que valeu cada segundo.

 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Cobertura de Show: Paul Di’anno – 23/02/23 (Teatro do CIEE)

Por: Renato Sanson

Fotos: Uillian Vargas

Vídeos: Deise Menezes

Muito se falou sobre a nova turnê de Paul Di’anno pelo Brasil. Já que o músico (mais conhecido pelos seus trabalhos no Iron Maiden) não apresenta uma situação de saúde adequada devido ao problema crônico em seus joelhos. Porém, Paul foi destemido, topou o desafio e trouxe a maior turnê que um artista internacional já fez em nossas terras.

Porto Alegre recebeu o 19° show restando 12 ainda dá tour de 31 datas. Mas como Paul estaria? Completaria o show todo? Cantaria ou jogaria para a galera como aconteceu em alguns shows? Logo falo sobre isso, agora vamos a outros detalhes bem importantes e necessários comentar.

O local escolhido para o show foi de grande acerto, pois o Teatro do CIEE apresenta ótima estrutura e acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência, o que deve ser sempre ressaltado.

Acompanhando a turnê do The Beast, tivemos a abertura das bandas Electric Gypsy e Noturnall. Ambas deram conta do recado e agitaram bastante os presentes.

A Electric Gypsy traz aquele Hard Rock malicioso e extremamente bem executado, agitando a plateia e deixando uma ótima impressão. Muito legal ao final, o vocalista Guzz Collins ressalta a importância da compra do merchandising, pois ajuda os artistas a continuarem seu trabalho. Tendo disponível camisetas, CD’s, copos e por aí vai. Em um mundo tão digitalizado é sempre bom ver os artistas que ainda presam pelo material físico.

Passado um pouco das 21h era hora do Noturnall entrar em cena com seu Heavy Metal moderno, repleto de peso e agressividade. A banda em si, é um espetáculo de técnica e desenvoltura. O vocalista Thiago Bianchi interagiu o tempo todo com a plateia, sendo bem carismático e instigando os presentes a se levantarem, pois estava se sentindo em um cinema, tirando risos da galera .

Não se dando por vencido ele fala: “agora vocês vão se levantar!” E Leo Mancini inicia “Thunderstruck” do AC/DC aí é golpe baixo e geral se levantou! (menos eu porque eu não ando *risos).

Destaco ainda o guitarrista Leo Mancini que parece brincar com a guitarra e mostra uma qualidade e domínio absurdo! “Scream! For!! Me!!!” foi outro ponto alto, pois Thiago ressaltou a importância da participação da lenda Mike Portnoy na mesma e da aposta que fizeram, de filmar em todos os shows da turnê esta música e a cidade que mais cantar alto o refrão, será divulgada pelo próprio Portnoy em seu canal. Um momento muito legal e de bastante empenho de todos, fazendo o Teatro estremecer.

Com um exagero ou outro, Bianchi chegou a dar um mosh na galera e saiu pelo Teatro ao meio dos fãs na incrível versão de “O Tempo Não Para”. Ao final, a banda também ressaltou a importância da compra do merchan e incentivo que dariam aos artistas neste quesito.

As bandas tiveram um ótimo suporte de som e iluminação, o que deixou as apresentações em alto nível.

Não demora muito as cortinas baixam e surgem ao palco o escritor Stejpan Juras e Thiago Bianchi. Juras fala sobre a turnê e das dificuldades que Paul enfrentou até aqui, ressaltou a importância destes shows não só financeiramente para o mesmo, mas sim para sua vida, sua autoestima. 

Com todas as dificuldades possíveis, Paul estava ali e daria um grande espetáculo. Também falaram sobre a importância da compra de merchandising que ajudaria Paul em seu tratamento e em suas questões de vida. Os merchans disponíveis tinham para todos os gostos e valores, desde: livros, CD’s, copos, palhetas, camisetas, bonés, posters... Com um preço bem acessível.

Passados das 22h o Teatro estava já em sua capacidade máxima (um pouco mais de 400 pessoas) eis que ecoa nos PA’s “The Ides Of March” e a emoção já tomou conta dos fãs! Vamos concordar é impossível não se arrepiar com essa Intro.

A banda de apoio que é uma mescla de Noturnall – Leo Mancini (guitarra), Saulo Xakol (baixo), Henrique Pucci (bateria) – e Electric Gypsy – Nolas (guitarra) – sobem ao palco já acompanhado de Paul Di’anno em sua cadeira de rodas. Mas e as perguntas lá no início da matéria seriam respondidas? Sim! Com sobras, por sinal!

O início com “Wrathchild” emocionou a todos e Paul não economizou, cantou a plenos pulmões e largando para a galera apenas o refrão que foi cantado em uníssono! Era visível a sua dificuldade, ainda mais na cadeira de rodas onde conforme se mexia demonstrava muitas caretas de dor. 

Porém, isso não foi um empecilho para pará-lo e os clássicos choveram incessantemente: “Sanctuary”, “Drifter”, “Purgatory” (uma música extremamente difícil de cantar e Paul se manteve ali, não dando margens para dúvida alguma, ele conseguiria finalizar cada nota!)

Muito carismático e comunicativo, Paul falou da extensa turnê que não tem sido fácil, mas que o Brasil merecia e ele estava ali para dar o seu melhor dentro do seu possível. Falou sobre Porto Alegre e o quanto era importante estar retornando e o quanto gostava da cidade que o sempre recebeu em todas as oportunidades de casa cheia.

Di’anno saiu do palco apenas na instrumental “Genghis Khan” para fumar segundo ele (risos) e em uma dessas interações estava tomando água de coco que tinha no palco, mas não estava tão contente, não era cerveja ou vodka e nem alguma droga “legal” segundo o mesmo, tirando muitos risos da plateia.

“Murders In The Rue Morgue” foi de ir as lágrimas e todo os esforço do vocalista para entregar o melhor possível naquele momento de euforia e alegria. 

A banda de apoio cumpriu seu papel muito bem, e entregou a energia que Di’anno tanto gosta quando está no palco. “Running Free” contou com a participação de Guzz Collins em um dueto muito bacana e visivelmente emocionante para o vocalista da Eletric Gypsy.

Tivemos ainda a seminal “Killers” com algumas dificuldades de Paul, mas não jogando pra galera e indo quase ao seu limite, a bela “Remember Tomorrow” (com destaque para a banda de apoio que a executou lindamente), a grata surpresa de “Charlotte The Harlot” e “Transylvania” dando aquele respiro para Paul seguir a parte final com: “Phantom of The Opera”, “Prowler” e “Iron Maiden”.

Uma celebração em nome do Heavy Metal, em nome de uma das principais lendas do som pesado mundial. Ainda que não esteja em sua melhor forma ou situação, Paul Di’anno tem o seu lugar no Olimpo do Heavy Metal e vive ao seu modo fazendo o que gosta. De todas as apresentações do The Beast pela capital gaúcha sem medo de errar esse foi o seu melhor show.

Se essa foi a sua última tour não sabemos, mas se retornar, lá estaremos mais uma vez!


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