Cassidy Paris no Brasil: uma noite de hard rock, carisma e atitude no La Iglesia
A australiana Cassidy Paris desembarcou no Brasil para uma apresentação intimista no La Iglesia, em Pinheiros, São Paulo. E eu tive a oportunidade de acompanhar tudo de perto, em uma noite que reuniu fãs, músicos e aquela atmosfera underground que a gente tanto gosta.
Minha primeira impressão foi do próprio espaço. O La Iglesia tem uma identidade visual bem peculiar, misturando referências religiosas com a cultura underground. Entre os detalhes que chamam a atenção estão uma grande representação de Ozzy Osbourne e um caixa de pagamento que parece um confessionário. É aquele tipo de lugar autêntico, quase um santuário para os ícones do rock e cheio de personalidade, onde qualquer amante do rock se sente em casa.
Eu e a equipe da Road to Metal chegamos cedo e, aos poucos, o público foi aparecendo. Logo encontrei alguns rostos conhecidos, enquanto outros fãs se cumprimentavam como velhos amigos. Uma coisa que me chamou a atenção foi a diferença de idade entre o público e a artista. Eu diria, carinhosamente, que a plateia era “nada jovem” (risos), enquanto Cassidy tem apenas 23 anos. Um encontro de gerações que mostra como o bom e velho hard rock não tem idade!
Antes do show, tivemos a oportunidade de conversar com os integrantes da banda, que foram super simpáticos e receptivos. Também encontramos Cassidy, que fez questão de cumprimentar quem estava esperando. Tirei uma foto com ela e, durante nossa conversa, ela perguntou meu nome. Quando descobriu que eu me chamava Michelle, abriu um sorriso e contou que esse também era o nome de sua mãe. Foi um detalhe simples, mas que tornou aquele encontro ainda mais especial. Afinal, é muito legal descobrir que, por trás da artista que admiramos no palco, existe alguém capaz de transformar um momento rápido em uma lembrança carinhosa.
Smoking Kobra: uma grata surpresa!
A abertura ficou por conta da Smoking Kobra, banda paulistana formada neste ano por Rodrigo Grecco nos vocais, Rodrigo Flausino na guitarra, Ricardo Flausino no baixo e Olavo Oliveira na bateria.
Com músicas autorais em português e uma sonoridade que passeia pelo hard rock, com referências aos anos 1990, os caras me surpreenderam. Confesso que ainda não conhecia o trabalho da banda e fui assistir sem grandes expectativas. Ainda bem que fui!
A qualidade musical me chamou a atenção logo de cara. O grupo segurou bem o público, que aguardava ansiosamente pela atração principal, e mostrou que estava ali para muito mais do que simplesmente abrir o show.
Rodrigo Grecco também merece destaque. Bem à vontade no palco, conversava com a plateia, fazia piadas e arrancava boas risadas. A interação deixou tudo mais descontraído e ajudou a criar o clima perfeito para a noite.
Saí de lá com aquela sensação boa de ter descoberto uma banda interessante. Com certeza, assistiria novamente!
Cassidy Paris: nasceu para estar no palco!
O show começou com cerca de 15 minutos de atraso e, aparentemente, duas músicas acabaram ficando de fora do setlist. Mas, sinceramente? Quando Cassidy subiu ao palco, isso deixou de ser importante. E que show, meus amigos!
Se antes ela já havia me conquistado pela simpatia, no palco pude entender ainda melhor sua força como artista. Cassidy parece estar exatamente onde deveria estar: diante do público, com uma guitarra nas mãos e energia de sobra.
Ela canta, dança, toca guitarra, conversa com a plateia e interage até com quem está fotografando ou filmando. E faz tudo isso com uma naturalidade impressionante.
O que mais me chamou a atenção foi sua expressividade. Cassidy não economiza energia e passa longe daquela apresentação engessada. Ela chuta, dança, canta no meio do público e se joga no chão. Tem sensualidade, atitude, estilo e aquela dose de loucura que a gente espera de uma verdadeira rock star!
E o mais interessante é o contraste com sua personalidade fora do palco. Toda aquela intensidade vem acompanhada de uma leveza e uma doçura que tornam Cassidy ainda mais cativante. Ela consegue ser provocadora e explosiva durante o show, mas também carinhosa e acessível nos encontros com os fãs.
Outro detalhe que achei muito legal foi sua preocupação em se comunicar com o público. Cassidy brincou com o sotaque australiano e se ofereceu para falar mais devagar caso alguém não entendesse. Em outro momento, prometeu aprender português para conversar melhor com os fãs em uma próxima visita ao Brasil.
Pode parecer um detalhe pequeno, mas são essas atitudes que fazem diferença. Ela não estava ali apenas para cantar suas músicas, mas também para criar uma conexão com quem foi prestigiá-la.
Uma banda impecável e muito entrosamento
A banda também deu um show à parte! Com músicos experientes como Pete Newdeck na bateria e Fred Hale no baixo, Cassidy estava muito bem acompanhada.
Outro destaque é a sintonia com seu pai, Steven Janevski, responsável pela guitarra solo. Cassidy assume a guitarra base e mostra que seu talento vai muito além dos vocais e da presença de palco.
É muito interessante ver essa parceria entre pai e filha funcionando tão bem. Existe uma conexão musical evidente, mas Cassidy mantém sua própria identidade e conduz o espetáculo com personalidade.
Aos 23 anos, ela já demonstra segurança, carisma e domínio de palco. Tem atitude, sabe se comunicar com o público e entrega uma apresentação que prende a atenção do começo ao fim.
De New Sensation a Bittersweet: energia e maturidade
O repertório passeou pelos dois álbuns de estúdio da cantora: New Sensation (2023) e Bittersweet (2025).
O primeiro tem uma pegada mais visceral, que combina perfeitamente com a energia explosiva de Cassidy ao vivo. Já Bittersweet mostra uma artista mais madura, explorando outras nuances musicais e emocionais sem abandonar os refrões marcantes e aquela sonoridade que dá vontade de cantar junto.
Parte da turnê Finished What We Started, a apresentação em São Paulo conseguiu equilibrar muito bem essas duas fases. Teve guitarra em evidência, melodias envolventes e energia de sobra.
A noite começou com “Walking on Fire”, um dos destaques de New Sensation, seguida por “Stronger”. Para fechar, “Watch the Fire” trouxe aquela intensidade que a gente espera de um bom show de hard rock.
O repertório mostrou diferentes lados da cantora, mas manteve a essência que faz o gênero ser tão especial: riffs marcantes, refrões grudentos e muita atitude. É o tipo de show que lembra por que a gente continua apaixonado pelo bom e velho rock n’ roll.
Uma noite que deixou gosto de quero mais
Quando percebi, o show já tinha acabado. Sabe aquela sensação de que passou rápido demais porque você estava realmente curtindo cada momento? Foi exatamente assim.
Mas ainda tive a oportunidade de encontrar Cassidy mais uma vez. Pedi um autógrafo no meu exemplar de Bittersweet e, novamente, fui recebida com muito carinho. Ela me abraçou, agradeceu e tiramos mais algumas fotos. Em determinado momento, foi ela quem pediu para fazermos outra fotografia e, na última, ainda me deu um beijo na cabeça. (Risos.)
Sim, Cassidy sabe muito bem como conquistar seus fãs!
Saí do La Iglesia com uma impressão excelente. Encontrei uma artista talentosa, com personalidade, técnica vocal, domínio instrumental e uma presença de palco que superou minhas expectativas. Mas, acima de tudo, vi alguém que consegue unir toda a atitude de uma rock star à simplicidade de quem faz questão de estar perto das pessoas.
Acredito que Cassidy ainda tem muita estrada pela frente e tudo para conquistar um espaço cada vez maior no hard rock.
E fiquei pensando em como é especial viver momentos assim: estar ali, tão perto, assistir a um show intimista, trocar algumas palavras, conseguir um autógrafo e guardar pequenas lembranças de uma noite que talvez, no futuro, tenha um significado ainda maior.
Porque todo grande nome do rock tem um começo. E, às vezes, a gente tem a sorte de estar por perto quando a história ainda está sendo escrita.
Naquela noite, entre guitarras, abraços e refrões, fiquei com a sensação de que o futuro de Cassidy Paris pode ser muito maior do que aquele pequeno palco.
E quem sabe, daqui a alguns anos, quando seu nome ecoar em palcos cada vez maiores, eu possa olhar para trás e sorrir, lembrando daquela noite no La Iglesia, em que o rock ainda cabia pertinho da gente.
Porque algumas noites acabam quando as luzes se apagam. Outras continuam tocando dentro da gente.
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Edu Lawless
Realização: EASY-GIG
Cassidy Paris – setlist:
Walking on Fire
Wannabe
Stronger
Finish What We Started
I Still Think About You (Danger Danger cover)
Midnight Desire
Butterfly
Fundamentally
Danger
Like I Never Loved You
Getting Better
Here I Am
Watch the Fire (W.E.T. cover)
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