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sábado, 22 de dezembro de 2018

Maestrick: Um Outro Patamar em Uma Obra Ímpar


O tempo que a banda levou para produzir seu segundo full-lenght, a primeira parte de um trabalho duplo, "Espresso Della Vita: Solare", está plenamente justificado pela qualidade das músicas e da produção excelente deste álbum. Pensei até em simplificar esta resenha, simplesmente recomendá-los que adquiram e ouçam esta belíssima e inspirada obra do Rock/Metal Progressivo. (Check out the English Version)

Pensei em parodiar os históricos comentários da atriz Glória Pires durante a transmissão do Oscar, e dizer que "não sou capaz de opinar". Ha ha ha! Brincadeiras à parte, "Espresso Della Vita: Solare" é um álbum maravilhoso, transportando o ouvinte numa verdadeira viagem musical, carregada de emoções.


O álbum é conceitual, e resumindo (em breve teremos entrevista com o Fábio Caldeira, vocalista e compositor, e falaremos mais detalhadamente), é a primeira parte de um trabalho conceitual, que conta a história de uma vida, passando pelas suas diversas fases, sob a perspectiva de uma viagem de trem. A ideia nasceu de forma simples, Fábio conta que durante uma conversa com sua mãe, esta fez uma analogia de que a vida é como uma viagem de trem.

A produção deste álbum vinha sendo desenvolvida já há algum tempo, e contou com Adair Daufenbach (Hangar, Project46, John Wayne) na produção, o qual também gravou as guitarras. Um trabalho complexo, com cuidado e capricho nos detalhes, mas mesmo assim, é muito rápido de assimilar, graças ao feeling das composições e a maneira como os elementos diversos se completam e transmitem a emoção aos ouvintes. É como um musical, uma trilha sonora. 


Balanço perfeito, pois esse feeling transparece e se destaca, mesmo em trechos mais complexos. É uma satisfação ouvir um trabalho assim dentre tanta música "de plástico" feita hoje em dia.

O Rock/Metal Progressivo é encorpado com elementos diversos, que envolvem o ouvinte nas melodias e emoções da história. Deixo claro que é um álbum em que as músicas podem ser ouvidas avulsas, mas é quase impossível não querer ouvir todo a cada vez que coloco para rodar.

Além dos elementos tradicionais do Rock/Metal Progressivo, vamos encontrar arranjos orquestrais, vocais gospel, Classic Rock, country, viola caipira, ritmos brasileiros e até Metal extremo. 

Ouça, ouça já e viaje por estas intrincadas, límpidas, belas e inspiradas canções. Praticamente impossível descrever precisamente ou apontar destaques, vou falar só um pouquinho do que o álbum oferece, como o colorido e emoção de "I A.M. Living", que começa com o timbre destacado do baixo, suas memoráveis melodias de teclado e guitarra, adjetivo que também cabe aos arranjos vocais e refrão; e o que dizer desses arranjos acústicos e o feeling nos vocais em "Across the River". Canção que vai crescendo em emoção, destacando ainda os lindos corais gospel.


Temos a suavidade e beleza em "Water Birds" e  também o peso e elementos folclóricos de "Penitência", que é cantada em português, e até lembra algo do Sepultura de "Roots", e a universal "Hijos de la Tierra", Prog Metal com suavidade e técnica, que contou com convidados  de bandas de diversos países Sul Americanos, sendo cantada em inglês e espanhol.

Em "Rooster Race", viola caipira, sanfona e ritmos folclóricos se misturam ao instrumental límpido, pesado e intrincado do Prog Metal; como não sair assoviando com as melodias de "Keep Trying", que também possui belos backing vocals e orquestrações cativantes. Impressão minha, coincidência ou há pelo disco alguns "easter eggs" homenageando algumas das inspirações do grupo? Tipo, nestas duas últimas canções que citei, há títulos de músicas do Rush em algumas frases.

Música é arte, para a arte não há limites, não há regras, e o Maestrick concebeu e nos entregou uma obra para apreciar, vivenciar, sentir e nos encher de orgulho. "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia". Com certeza com "Espresso Della Vita: Solare" o Maestrick irá além do que conquistou com seus surpreendentes trabalhos anteriores. Um dos álbuns do ano!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Maestrick
Álbum: "Espresso Della Vita: Solare" 2018
País: Brasil
Estilo: Progressive Rock, Progressive Metal
Produção: Maestrick e Adair Daufembach
Assessoria: Som do Darma

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Line-up:
Fabio Caldeira: vocal/piano
Renato “Montanha” Somera: baixo e vocais
Heitor Matos: bateria e percussão
Adair Daufembach: guitarras (músico convidado)

Tracklist
“Origami”
“I a.m. Living”
“Rooster Race”
“Daily View”
“Water Birds”
“Keep Trying”
“The Seed”
“Far West”
“Across The River”
“Penitência”
“Hijos De La Tierra”
“Trainsition”


       


       

       


domingo, 10 de junho de 2018

JEV: Com a Alma do Hard Rock 80's


Formada em 2012, inicialmente com o nome de Jevally (junção das palavras Jerusalém e Vally), e após abreviado para JEV, o grupo de São José dos Campos (SP), podemos dizer que faz parte desta interessantíssima nova safra do Hard Rock brasileiro, onde podemos citar nomes como Adellaide, Marenna, Gueppardo, Sioux 66, além do retorno do excelente Silent.

O quarteto apresenta em seu debut homônimo, lançado via Urca Music/Warner Chapell, um álbum com produção sonora muito boa, mixagem e masterização bem feitas, com os instrumentos e vozes bem balanceados, mas sem deixar tudo limpinho demais, pois podemos notar uma pegada mais orgânica e direta no decorrer da audição.

Logo de cara, na primeira faixa, "Driver", pude sentir uma influência do Hard 80's, principalmente Mötley Crüe, pois os vocais de Hebert me lembraram bastante Vince Neil, tendo várias nuances características do vocalista, e claro, comuns a outros da época. Possui alguns exageros? Possui, mas nada muito além do que estamos acostumados dentro do estilo. A sonoridade também segue por essa linha, mas sem soar datado ou como uma produção da época, tendo algumas incursões mais modernas, alguns efeitos eletrônicos, que às vezes achei desnecessários (como a vinheta "Syren", bem irritante) mas nada que comprometa. 


Esta estreia possui muito mais acertos do que arestas a serem aparadas, como por exemplo a arte da capa, a qual o grupo deveria ter dispensado uma atenção maior, certamente o álbum teria me passado despercebido se não tivesse uma informação prévia sobre a banda, pois parece uma capa de uma banda de música pop modernosa ou eletrônica. Ok, quem sabe eles quiseram fugir do lugar comum da arte de capas de Hard Rock, mas não acertaram a mão aí.

Quanto às músicas, conforme já falei acima, a primeira música, após a intro "The Racing", é "Driver", e é um ótimo cartão de visitas, remetendo de imediato ao Mötley, principalmente dos primeiros álbuns, com aquela sonoridade mais crua e pesada; "Move it On" mantém a pegada e a boa impressão, em um andamento mais acelerado e doses de groove.


Dentre as 8 canções (das 10 faixas, temos 2 vinhetas), as quais seguem essa linha Hard 80's, com essa pegada com certa crueza e peso, destaco ainda a "Your Look", que traz melodias mais pegajosas, um riff marcante no início, com o uso bem legal do Wha-Wha. Provavelmente o refrão mais marcante do álbum, e um trabalho mais lapidado de guitarras, alternando riffs e dedilhados; e claro, a tradicional balada não faltou; "When is Love" é muito bem construída, com todas as características que o fã do gênero adora, e ainda o ritmo cativante de "Over this Time".

Muito boa estreia do JEV, mostrando bom potencial, boa produção, sendo indicada a fãs de Hard Rock na linha, principalmente do Mötley Crüe dos primeiros álbuns, e também grupos como Cinderella, Pretty Boy Floyd e Ratt. Claro, alguns detalhes a melhorar, mas a experiência deste primeiro debut e a estrada sempre são grandes lições, potencial eles possuem, resta saber se terão maturidade para aproveitar as experiências, evoluir e não ser apenas mais um nome a ficar pelo caminho.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Assessoria: Rômel Santos

Ficha Técnica:
Banda: JEV
Álbum: JEV (2017)
Estilo: Hard Rock
País: Brasil
Produção: Glauber Ribat
Co-Produção: Hebert Davis
Selo: Urca Music/Warner Chapell


Line-up *:
Hebert Davis: Vocais
Cleiton Soman: Guitarra
Allan Tavares: Baixo
Jéssica: Bateria
 (* Line-up que gravou o álbum, atualmente o grupo conta, além de Hebert e Jéssica, com Fredy Müller e Igor Henrique nas guitarras)

Tracklist
The Racing
Driver
Move it On
Syren
Wildest Youth
Your Look
When is Love
Heaven
Over this Time
Everytime I’ll Loose my Mind (Long Live Rock and Roll)