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quarta-feira, 1 de julho de 2026

De fã a ídolo: a trajetória de Chris Young no Crashdïet

Baixista detalha seu caminho até fazer parte da banda, o retorno às raízes sleaze em Art of Chaos, a estreia no Sweden Rock, as expectativas para os shows no Brasil em janeiro e muito mais

Por Thais Navarro (@_thais_navarro)

Há quase vinte anos, Chris Young já era fã de Crashdïet, gravando covers de guitarra no quarto e administrando uma comunidade de fãs da banda no Orkut. Hoje, ele é o baixista oficial do grupo sueco.

Nesta entrevista, Chris conta esse caminho em detalhes, desde o primeiro contato com a banda até a estreia no Sweden Rock Festival. A conversa também passa pelo momento atual do Crashdïet: o retorno às raízes sleaze no álbum Art of Chaos, a aproximação com os fãs nas redes sociais e a expectativa para os shows da banda no Brasil, entre outros temas.

Chris também fala sobre o Midnight Danger, seu projeto solo de synthwave, e os planos para os próximos anos.

Confira a conversa completa abaixo!

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PARTE 1 — A trajetória até entrar na banda

Conte um pouco da sua história como fã do Crashdïet até chegar e fazer parte da banda.

CHRIS: É uma história que começa há muito tempo já. São praticamente duas décadas desde que eu conheci a banda, que foi quando aconteceu a tragédia com o Dave Lepard. Eu vi uma matéria falando sobre a banda e sobre esse acontecimento. Nunca tinha escutado falar do Crashdïet antes. E a partir dessa matéria eu resolvi procurar, queria ver como era o som daqueles caras.

Eu já tinha YouTube na época. Procurei pelo nome da banda só, e na época acho que o primeiro clipe que apareceu foi Riot in Everyone. Na hora que eu vi aquele clipe, achei fantástico, porque pensei que não existiam bandas novas fazendo algo desse estilo glam que remete aos anos 80.

Me apaixonei na hora e comecei a procurar outras coisas e outros clipes. Foi aí que conheci o álbum Rest in Sleaze e fiquei encantado. E claro, foi uma tragédia o Dave Lepard ter falecido tão jovem, e naquele momento a banda nem tinha planos de continuar. Então pensei: agora que surgiu uma banda nova que faz um som que eu acho massa, com visual que eu acho massa, já acabou, infelizmente.

Mas eles decidiram continuar, e virou uma febre. Lembro que no Brasil mesmo foi uma grande febre quando o Crashdïet voltou depois e lançou o The Unattractive Revolution em 2007, e aí teve o show em 2008. Era uma cena que estava muito legal, a galera realmente curtia bastante a banda. Eu fazia parte dessa cena. Fui no show em São Paulo em 2008, e naquela época eu escutava praticamente só Crashdïet. Crashdïet era o que estava no meu MP3 player na época.

E aí, depois, aconteceu de novo: o Olli Herman saiu da banda e vieram com o Generation Wild. Nessa época, entre esses dois álbuns, eu comecei a gravar alguns vídeos tocando covers de Crashdïet na guitarra. Um dos motivos para eu fazer isso foi que eu não conseguia imaginar começar uma banda nesse estilo no Brasil, em Porto Alegre. Não conhecia pessoas que estariam dispostas a fazer algo desse gênero, principalmente por causa do visual. Eu já tinha uma banda de metal melódico, já sabia como era difícil ter uma banda. Sabia dessa dificuldade, e não conseguia imaginar encontrar pessoas dispostas a trabalhar nesse gênero.

Mas eu queria tocar isso, queria tocar alguma coisa nesse estilo. Então comecei a gravar alguns covers no quarto mesmo e postei no YouTube. Na época o YouTube não era monetizado, ninguém queria ser influencer, ninguém queria viralizar, não se falava dessa forma, não tinha esse objetivo. Coloquei os vídeos porque eu gostava mesmo, queria registrar. Era para mim, ou para de repente mostrar para alguns amigos. A gente também tinha uma comunidade no Orkut sobre o Crashdïet, que foi muito importante para o crescimento da banda no Brasil, e compartilhava esses vídeos com a galera lá que curtia a banda. Comecei gravando um, mas depois fui gravando mais alguns, durante um bom tempo — praticamente todas as músicas até o Savage Playground.

Na turnê do Generation Wild, quando a banda foi pro Brasil, ainda tinha uma hype muito grande, o show foi lotado, acho que foi sold-out, assim como o de 2008. Nessa época rolou uma campanha da galera da comunidade do Orkut mandando e-mails para a banda, pedindo para que eu tocasse uma música com eles. Isso durou, acho, o mês anterior ao show ou dois meses antes, mas eles nunca responderam ninguém, nunca me mandaram e-mail, nunca falaram nada.

Daí eu fui pro show normalmente — já iria de qualquer forma —, saí de Porto Alegre, fui para São Paulo, fui no show do Rio de Janeiro também. No final da história, eu cheguei no dia do show e pensei: "vou pra frente do hotel, parece que eles estão nesse hotel aqui." Não me lembro como fiquei sabendo, mas era pertinho do Inferno Club, em São Paulo. Fiquei esperando ali na frente porque queria tirar uma foto, dar um oi.

Aí o tour manager da época chegou e me perguntou: "Você que é o Chris Young?" Eu disse que sim, e ele falou: "Então vem comigo aqui." Na hora eu gelei: "Caramba, o que é isso?" Entrei, já estava o Eric Young ali, ele me cumprimentou, já sabia quem eu era. E ele falou que eu ia tocar uma música com eles — eles tinham curtido a ideia, ouvido os meus covers. Eu não acreditava que aquilo ia acontecer.

Foi muito legal, muito massa. Tinha um casal de amigos com a gente lá e eles também ficaram sem acreditar. Depois saí dali e fui pro Inferno Club, a gente se encontrou no backstage e combinamos tudo - eles foram muito legais comigo. E aí rolou! Eu toquei Tikket com eles no show, foi muito massa mesmo. Eu nem imaginava que aquilo tinha acontecido de verdade.

A partir dali a gente acabou mantendo a amizade, e eu ajudei bastante em questão de merchandise para o Brasil. Então acabei mantendo bastante contato com eles por causa disso.

Depois eu vim para a Suécia em 2012, de férias, inclusive assisti o Crashdïet com o Mötley Crüe e o Hardcore Superstar. A gente se encontrou de novo, e quando a banda foi pro Brasil outras vezes a gente sempre se encontrava — eu ajudava em algumas coisas dos shows. Sempre foi muito bacana.

Depois eu me mudei para a Suécia em 2015 — aí o Simon Cruz já tinha saído da banda — e a gente permaneceu amigo por esse tempo todo. Quando eu me mudei pra cá, eles também estavam com esse problema, o Simon não estava mais na banda, precisavam de um vocalista, e a cena toda estava meio em baixa por aqui. Eu queria encontrar alguma banda aqui também, e foi muito difícil — não foi só o Crashdïet que teve a baixa e ficou sem o Simon, várias bandas pararam de tocar nessa época.

Comecei minha banda solo, meu projeto solo, o Midnight Danger, que é dentro do synthwave. E a coisa foi funcionando muito bem, o que eu nem imaginava. Foi um projeto que comecei totalmente por hobby, por gostar de sintetizadores e trilha sonora dos anos 80. Pensei: "vou fazer isso por hobby enquanto não encontro uma banda." E no final se tornou meu projeto principal.

Até que eu tive contato com o pessoal da Lipz, que estava lançando o Scaryman em 2018 e precisava de um baixista. Entrei em contato com eles e vi que estavam voltando para um estilo mais sleaze/glam. Entrei na banda, a gente fez bastante coisa junto. Foi minha primeira experiência como baixista. Eu entrei quando o álbum já estava pronto; fizemos shows na Suécia e fora, e gravamos juntos o álbum Changing the Melody. No final, por questão de prioridades, acabei saindo da Lipz, numa época em que o Midnight Danger estava prestes a sair em turnês.

Até que, no ano passado, eu recebi uma ligação do Martin Sweet. O que aconteceu foi que a banda tinha um show na Alemanha num sábado — ele me ligou numa quarta-feira — e o Peter London teve um problema de saúde. Ele estava sem condição de fazer aquele show, e a banda ficou pensando: "e agora, o que a gente faz? A gente cancela?" Mas com tantosaltos e baixos na própria carreira do Crashdïet, era muito chato ter que cancelar mais um show — claro, mais uma tragédia, o Peter London no hospital, sem poder fazer o show, mas pra eles foi péssimo ter que lidar com mais um cancelamento, que já tinha acontecido por diversos motivos durante os anos.

Ele me perguntou se eu teria condições de substituir o Peter nesse show de sábado, na Alemanha. Além da amizade, eu sempre fui muito fã da banda, então topei. Eles já tinham me chamado outras vezes. No ano anterior, o próprio Peter me ligou pedindo para substituí-lo. Só que, no dia seguinte daquela ligação, eu estava saindo em turnê com o Midnight Danger e não pude. Outra vez anterior eu topei fazer, mas eles optaram por cancelar os shows por questões de logística.

Então, eu já tinha sido chamado antes. Dessa vez, quando o Martin me chamou, eu falei: "Tô dentro, pode contar comigo." Perguntei: "O show é sábado, é? Quantas músicas?" — "12 músicas." Tudo bem, ele mandou o setlist. Eu já conhecia boa parte das músicas, sabia tocar por causa dos covers de guitarra, mas era na guitarra, não no baixo. Só que ele falou:"a gente vai ter um ensaio para esse show, e é hoje à noite."

Eram 11 da manhã. Peguei o baixo, peguei as músicas, comecei a ensaiar como me lembrava delas na guitarra, mas já transcrevendo para o baixo. Pensei: "já sei a base das músicas, agora vamos ver como elas funcionam ao vivo, como é realmente no baixo." Em questão de cinco horas passei as 12 músicas e vi mais ou menos como funcionava. Pensei: "vamos conseguir ensaiar hoje à noite, e tenho mais três dias até o show para alinhar isso."

Fui pro ensaio, e eles estavam numa bad vibe, o que eu entendo perfeitamente. Mas eu estava pilhado, querendo fazer a coisa acontecer. Eu voltei pra casa empolgado, alinhei o que precisava nos dias seguintes. Fomos pra Alemanha, fizemos o show no festival, e foi um show animal, muito massa, muito legal. Notei que a vibe deles já tinha mudado um pouco — eles estavam chateados com a situação, mas, no momento que fizemos esse anúncio oficial (de que eu substituiria o Peter), o ânimo mudou; fomos fazer o show todo mundo empolgado, e a gente se deu muito bem.

A gente já tinha essa amizade há muitos anos, mas com o John Elliot foi a primeira vez que tive de fato esse tipo de experiência — o ensaio e o show foram a primeira vez que encontrei ele pessoalmente. O Michael Sweet eu já tinha encontrado algumas outras vezes; ele até fez uma participação em um vídeo do Midnight Danger, mas a gente nunca tinha saído pra tomar uma cerveja ou algo assim. No final a gente se deu muito bem, foi muito bacana a viagem toda. Fizemos um show animal, e voltei pra casa realizado.

Aconteceu que, dali a cinco dias, tinha o show de aniversário do Crashdïet, de 20 anos do Rest in Sleaze. E eu já ia tocar nesse show como abertura, com o Midnight Danger. Eles me falaram, nessa viagem e logo que voltamos, nos primeiros dias: "o Peter não está bem mesmo, talvez ele tenha que passar mais um tempo no hospital. Talvez a gente precise da sua ajuda nesse show, porque senão é isso ou cancelar o evento." E para eles teria sido uma tragédia muito grande cancelar esse show — seria mais um cancelamento dentre tantos que já aconteceram por diversos motivos, mas de um show extremamente importante. O show estava sold-out, e tinham pessoas vindo de todos os lugares — do Japão, do Brasil, dos Estados Unidos, de vários lugares da Europa. Cinco dias antes, cancelar o show significaria lidar com reembolsos de muita gente vindo de longe. No final, em conversas que tivemos depois, fora desse contexto, eles me disseram: "isso poderia ter sido o fim da banda se a gente tivesse cancelado esse show". Então eles me convidaram para fazer esse show e eu topei.

Foi um dos shows mais importantes da carreira da banda: um show esgotado em Estocolmo, depois de anos de altos e baixos, fazer um show esgotado em casa, com pessoas vindo de todo lugar, celebrando 20 anos do álbum da banda — aquele álbum que eu escutei lá atrás, com o qual comecei essa história, e que é extremamente importante não só pra banda, mas para toda a cena. É o álbum que redefiniu o que é o sleaze a partir dos anos 2000.

Foi um dos shows mais importantes da carreira da banda. Fizemos esses shows juntos e tudo foi muito massa. Eles se divertiram, eu me diverti, a gente se deu muito bem e todo mundo ficou muito feliz. As famílias deles também estavam lá vendo os shows, ficaram muito felizes, apoiaram.

Toda essa experiência foi muito legal. Eu fico nervoso antes de shows às vezes, e imaginaria que esse seria um show em que ficaria extremamente nervoso, mas estava super confortável no momento em que subi no palco. Eu tinha um pouco de receio do que as pessoas iam achar, porque, enfim, eu era um cara de fora da banda — talvez quisessem ver a formação clássica. Mas no momento em que subi no palco, com a galera gritando e festejando, pensei: "estou confortável, sei exatamente o que tenho que fazer", e o show simplesmente fluiu. Foi muito massa.

Depois desses shows, fui em turnê com o Midnight Danger. Quando voltei, continuei conversando com o Martin sobre shows, sobre material do Rest in Sleaze que ainda não tinha sido divulgado. E ele disse: "a gente precisa conversar." Um dia eu estava mais perto de Estocolmo e acabei indo na casa dele. Eles me colocaram a situação da banda naquele momento, com o Peter lidando com questões pessoais. E me perguntaram se eu tinha interesse em entrar na banda. Recebi esse convite já que todos tinham concordado, inclusive o Peter, de que ele precisava se afastar da banda por um tempo, e perguntaram se eu tinha interesse de substituí-lo. Eu abracei a oportunidade.

E desde então tenho feito o meu melhor com a banda, e faço isso com muito orgulho, muito amor também, porque eu adoro demais tudo isso. É uma longa história, mas eu não consigo resumir mais do que isso.

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PARTE 2 — Rebranding, redes sociais, Art of Chaos, Sweden Rock e os shows no Brasil

Você comentou que postava vídeos antigamente, e desde que você entrou na banda, temos notado um rebranding nas redes sociais, uma aproximação maior com os fãs, uma frequência de postagens maior. Como tem sido isso?

CHRIS: Acho que a primeira coisa que a gente conversou a respeito disso foi sobre a cara que a gente queria dar pro álbum, pra essa fase da banda, pro Art of Chaos. A gente conversou isso inclusive junto com o pessoal da gravadora. E naquele momento a gente alinhou — já dava pra imaginar que seria esse o caminho — mas falamos explicitamente: a ideia da banda agora é um retorno às raízes.

E você consegue sacar isso no álbum. Lembro de quando escutei as músicas pela primeira vez, as demos, e eu senti na hora: "isso é Crashdïet raiz". Muita coisa se perdeu no meio do caminho — teve muita coisa boa também, óbvio, mas com o tempo a formação muda, entra-se numa rotina de gravadora, de lançamentos, de turnês, e algumas coisas se perdem. A gente precisava resgatar isso.

Pra mim foi absurdamente natural concluir isso, porque foi ali que eu conheci a banda, foi ali que me apaixonei por ela. É o que eu mais gosto do Crashdïet, essa identidade sleaze/glam. A gente conversou sobre isso: tudo que a gente fizer daqui pra frente vai ter essa identidade de novo, e as pessoas precisam ver isso — precisam escutar isso nas músicas e precisam ver isso.

Hoje em dia, tem que estar presente em mídia social, não tem jeito. Eu entendo que é trabalhoso, que demora — mas a gente precisava mostrar isso pros fãs. Isso me lembrou muito também a época da comunidade do Orkut — era uma comunidade de fãs, e a banda bombou no Brasil por causa dela. Eu era o "dono" da comunidade (não fui eu que a criei, mas depois eu a assumi). Lembro como foi legal construir essa comunidade de fãs no Brasil.

Então uniu tudo isso. É difícil falar que esses conteúdos remetem ao início da banda, porque no início não existiam reels no Instagram, mas a gente consegue mostrar essa ideia — que a banda está unida, que tem essa identidade.

E, como eu já tinha feito esse trabalho com a comunidade do Orkut, eles também viram que, durante a turnê do H.E.A.T, eu postava bastante. Acharam legal e confiaram em mim pra fazer isso. Mas a gente também faz bastante coisa junto. A gravadora também incentivou.

E se a vibe na banda estivesse ruim, se as coisas não estivessem legais, se todo mundo estivesse fazendo tudo por obrigação, também não ficaria bom, não teria essa comunicação com os fãs. Mas estão todos muito bem entrosados, confortáveis com o trabalho de todo mundo, empolgados, e a gente quer comunicar isso pros fãs — e a rede social é o melhor jeito de fazer isso hoje em dia.

Como você tem sentido a recepção do álbum novo?

CHRIS: Incrível. Lembro quando a gente começou a conversar com a gravadora sobre lançar o álbum em vinil e em CD e havia aquela incerteza: será que vai o álbum vai vender bem? Será que as pessoas vão gostar? Será que vão aceitar mais uma mudança de formação na banda? Porque, antes de começar a liberar esse material, teve que vir também o comunicado oficial de que o Peter estava se afastando. Naquele momento eu já imaginava que poderia haver alguma reação negativa dos fãs, mas não lembro de ver um único comentário negativo sobre isso.

Naquele momento, já na primeira foto que divulgamos, acho que as pessoas conseguiram captar: "eles estão voltando com tudo mesmo, voltando pras origens." Aquilo já deu mais confiança sobre como seria a recepção das músicas. Depois saiu "Satizfaction", e acho que foi a prova de que precisávamos: "realmente essa banda está de volta." Depois vieram os outros singles, claro, mas naquele momento, com o vídeo de "Satizfaction" e a música, deu pra ver que uma galera que já tinha meio que abandonado a banda voltou e começou a participar de novo, comentar, compartilhar, escutar. A gente viu isso no número de ouvintes e nas vendas de álbum — mesmo sem ter sido lançado ainda, ele já estava esgotado.

No primeiro single a gente já conseguiu provar que a banda ainda tinha muita qualidade, que estava voltando, resgatando uma energia que tinha meio que se perdido, e deu pra ver que as pessoas gostaram. Depois que o álbum saiu, isso só se confirmou. Dá pra ver isso nos shows — fizemos o show do Sweden Rock Festival e, depois, compartilhando material de lá, a resposta que a gente tem em cada música nova, cada vez que compartilhamos algo, está sendo muito bacana mesmo. As pessoas estão na expectativa dos shows. Acho que essa é uma resposta positiva dos fãs para essa formação e para esse álbum.

E como foi para você tocar no Sweden Rock Festival?

CHRIS: Foi absurdamente emocionante. Eu nunca tinha ido ao Sweden Rock. Vim pra Suécia em 2012 e eu preferi não ir — fui ver o Mötley Crüe com Crashdïet e Hardcore Superstar na Finlândia. Tinha que escolher, não dava pra fazer as duas coisas na época. Depois voltei pro Brasil, e em 2015 me mudei pra Suécia. Em 2015, foi muito aperto pra mudar pra cá, e não deu certo ir também. No ano seguinte também não. Em 2017, pensei: "a gente podia ter ido esse ano", mas tinha que ter planejado antes, porque não tinha mais ingresso, não tinha mais hotel — "quem sabe no ano que vem."

E foi indo assim, até que chegou um momento em que falei: "quer saber, eu vou pro Sweden Rock no dia em que eu tocar no Sweden Rock." E eu não sabia nem com qual banda seria — podia imaginar até com o próprio Midnight Danger, porque a gente tem feito shows com bandas de metal e tocado em festivais de metal.

Foi isso que eu tinha determinado. Mas olha: algum tempo atrás, mesmo há um ano, eu não sonharia que dessa vez eu realmente iria realizar isso — tocar pela primeira vez no Sweden Rock, e com o Crashdïet. Foi realmente muito emocionante, e a gente pegou um horário bom, num dia legal — foi o último dia do festival, headliner de um dos palcos, e tinha muita gente lá, estava lotado. Podia ter acontecido de as pessoas não se interessarem em ver a banda, se o álbum não tivesse sido legal, se a energia não tivesse sido boa. Mas o pessoal foi lá e ficou o show inteiro.

Foi sensacional. Eu nunca tinha tocado para um público tão grande, nunca tinha visto aquela cena na minha frente. É especial, é uma lembrança para sempre. Muita emoção — me emocionei bastante depois do show.

Onde você busca suas referências musicais no geral, tanto pro Crashdïet quanto pra todos os seus projetos? Tem outras formas de arte que te inspiram, que contribuem com seus processos criativos?

CHRIS: Acho que principalmente filmes — minha resposta tem mais a ver com o Midnight Danger mesmo, uma resposta mais direta. Você identifica isso mais diretamente no Midnight Danger, porque ele é baseado em trilhas sonoras de jogos e de filmes. Mas eu não faço isso de forma planejada, do tipo "vou buscar referências aqui ou ali." Simplesmente acontece. Eu vejo coisas, escuto coisas que me deixam motivado, que me colocam num estado de espírito que resulta numa música, às vezes numa melodia.

Por exemplo, filmes já têm suas trilhas sonoras, mas não é bem isso — é a ambientação do filme. Não é eu olhar um filme e pensar "essa música aqui me inspira a fazer uma música."

É mais: o que esse filme me remete, como eu me sinto com relação a ele. Muitas vezes, eles criam uma atmosfera que me deixa inspirado. Por exemplo, o inverno aqui é muito frio e escuro. No meio da tarde já está escurecendo, tem aquelas luzes mais amareladas, e isso cria uma vibe. É meio difícil de explicar, mas tenho inspirações que vêm das coisas mais variadas.

Normalmente começo por uma melodia; depois que tenho a primeira melodia, o resto é construído a partir dela, e aí desconecta um pouco da inspiração original. Mas, em geral, são coisas variadas, de forma totalmente espontânea — às vezes uma lembrança de infância: viajando de carro com a família, com sono, deitado no banco de trás, tudo escuro, meu pai escutando música com um cigarro aceso. Isso cria uma ambientação, e eu penso em alguma coisa. É meio que por esse lado.

Eu queria falar um pouco agora sobre os shows no Brasil no ano que vem — é a primeira vez que você vai tocar aqui realmente como parte da banda. Como tem sido isso pra você? Quais são suas expectativas pros shows aqui e na Argentina?

CHRIS: Vai ser uma honra fazer esses shows com o Crashdïet no Brasil. É um lugar muito especial pra banda, e é de onde eu vim. Foi no Brasil que a gente construiu essa comunidade, foi no Brasil que tudo isso começou para mim. Então é importante pra banda — pra eles tem um significado —, mas o significado pra mim é muito maior. Foi no Brasil que eu conheci a banda, foi no Brasil que eu cresci, que eu comecei a tocar guitarra e conheci boa parte das pessoas dessa cena.

Estou muito empolgado, muito honrado. Acho que, de todos os shows que a gente tem pela frente agora, esses do Brasil e da Argentina são os que eu estou com a maior expectativa de fazer. Não estou muito satisfeito em fazer esses shows em janeiro por causa do verão — é muito, muito calor. E calor com cabelo armado, maquiagem, corrente, tudo mais, e botas, é um pouco difícil. Essa parte é a que está me pegando um pouco, mas fora isso estou muito entusiasmado mesmo. Nunca fui pra Argentina, e ouvi dizer que o público lá também é muito massa.

Para fechar, uma pergunta mais aberta: quais são os seus planos pro futuro?

CHRIS: São duas dinâmicas diferentes pro Midnight Danger e pro Crashdïet. O Crashdïet já está com o novo álbum lançado, a gente já tem essas turnês, já está tocando em festivais. Imagino que, daqui pra frente, vai ser mais desse processo — a gente quer pegar shows maiores, festivais. Acho que o Sweden Rock provou que a gente pode tocar em qualquer festival de rock/metal do mundo e ter um bom resultado de público, ter uma apreciação das pessoas que estão lá.

A curto prazo, a gente vai ensaiar mais, vai colocar mais músicas no repertório, pra poder trabalhar melhor com ele. O objetivo é fazer essas turnês bem-sucedidas, marcar mais shows e tocar em festivais. Em algum momento a gente vai pensar num novo álbum — já falamos sobre isso. Mas acho que, com o Crashdïet, hoje é isso: vamos promover o Art of Chaos, fazer o máximo que a gente conseguir com esse álbum. Acho isso importante.

Com o Midnight Danger, por enquanto, tenho escolhido não marcar shows pra cumprir esses compromissos com o Crashdïet, mas isso já aconteceria normalmente, porque preciso produzir um novo álbum — assinei contrato com uma gravadora. E é uma gravadora de metal — o Midnight Danger estava assinado com uma gravadora de synthwave, retrowave, especializada nessa cena. Porém, nesses últimos dois anos, tenho feito shows com bandas de metal, festivais de metal, e foi meio que o caminho natural esse público e pessoas do music business desse ramo do metal olharem pro Midnight Danger, chamarem atenção, e recebi uma proposta que achei bem interessante.

Meu objetivo agora, também sem pressa porque precisa ser um material de qualidade, é produzir esse novo álbum com o Midnight Danger, finalizá-lo. Não tenho pressa pra fazer isso acontecer, porque o que importa pra mim é a qualidade. Preciso que o álbum, assim como os anteriores, comunique aquilo que eu sinto com relação ao synthwave, ao retrowave, e todo esse processo de composição musical que a gente estava falando antes — preciso estar alinhado com isso também.

Depois que esse álbum estiver lançado, pretendo sim fazer turnês com ele. Acho que lançar esse álbum com um selo de metal vai abrir portas para mais shows e festivais de metal. E, nesse meio do caminho, tenho feito shows com Crashdïet, conhecido pessoas dessa cena, e as pessoas dessa cena têm me conhecido um pouco melhor.

As coisas vão se alinhar. Não pretendo deixar nada para trás, só pretendo organizar tudo pra dar o passo certo com cada projeto. Então é isso: estou muito feliz, muito contente com tudo que está acontecendo nos dois projetos e com tudo que a gente tem planejado pra eles.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

John Elliot: à frente de duas bandas, dois discos e uma turnê pelo Brasil

Martin Vrigsjo - @martinvrigsjo

O vocalista do Confess e do Crashdïet fala à Road to Metal sobre os novos álbuns, suas inspirações, músicas favoritas e muito mais


Por Thais Navarro (@_thais_navarro)

Em meio a um dos momentos mais quentes para o Sleaze em anos, John Elliot conversou com a Road to Metal sobre estar à frente de duas das bandas mais relevantes da cena. Vocalista do Confess e do Crashdïet, ele vive um ano de lançamentos importantes (Metalmorphosis e Art of Chaos, respectivamente) e se prepara para desembarcar no Brasil em janeiro.

Na entrevista a seguir, Elliot fala sobre o momento atual do sleaze/glam/hard'n'heavy, as referências culturais que moldam as composições do Confess, a responsabilidade de assumir um legado como o do Crashdïet, as expectativas para a tão aguardada turnê brasileira e muito mais.

Confira a conversa completa abaixo!

Minha primeira pergunta é uma afirmação e uma pergunta ao mesmo tempo: você é o homem do momento, porque está em duas das maiores bandas de sleaze da cena atualmente, cada uma com sua própria identidade — Confess e Crashdïet — mas duas bandas realmente incríveis. Então, como tem sido essa experiência para você, estar nas duas bandas ao mesmo tempo, com dois grandes lançamentos também?

Elliot: Tem sido ótimo para mim. Obviamente é muito trabalho. Lançar dois discos ao mesmo tempo não é o ideal para a saúde mental, eu diria, mas ainda assim tem sido muito bom. Eu amo estar em turnê com as duas bandas. Eu comecei o Confess há quase 15 anos, então obviamente conheço melhor essa banda. Mas estou no Crashdïet há quase 3 anos, então sinto que realmente faço parte da banda no Crashdïet também.


Sim, e você realmente faz parte. Falando da cena sleaze/glam em geral, estamos em uma grande onda de lançamentos agora — tivemos Crashdïet, Confess, The Cruel Intentions… como você descreveria o estado atual da cena sleaze, e o que você espera para o futuro?

Elliot: As pessoas têm pontos de vista diferentes sobre o que realmente é sleaze, porque eu nunca considerei o Confess uma banda totalmente sleaze — sempre dizemos heavy metal ou hard rock. Acho que nos colocar como sleaze tem mais a ver com a imagem, o visual — sabe, cabelo longo, maquiagem, esse tipo de coisa, e as roupas. Mas quando você escuta o Confess, especialmente o novo álbum, tem muitos gêneros diferentes ali.

Mas para responder sua pergunta, acho que o estado do hard rock em geral parece estar voltando a crescer. Foram alguns anos difíceis, especialmente na Suécia e em Estocolmo. Quando o Crashdïet lançou "Rest in Sleaze", isso meio que começou tudo, especialmente na Suécia, e depois foi crescendo até mais ou menos 2013 — bandas surgindo em todo lugar, shows quase todas as noites.

Isso não desapareceu, mas houve menos daqueles shows underground todas as noites em Estocolmo, e muitas casas de show fecharam, especialmente depois da pandemia. Muitos locais desapareceram, e isso é muito triste, porque agora ou você toca em um clube ou bar bem pequeno, ou tem que ir para casas com 2.000 lugares. Não existe mais um meio-termo, pelo menos em Estocolmo, e isso afeta toda a cena, eu diria. Muitas bandas suecas vão para o exterior, para outros lugares da Europa, especialmente para tocar em festivais — há muitos festivais bons na Europa para o nosso tipo de música.

E há uma coisa curiosa — como estou em duas bandas que tocam um gênero parecido, é engraçado porque basicamente temos os mesmos fãs. As bandas suecas têm os mesmos fãs no mundo todo, então se torna como uma grande família do metal para todo mundo.


É verdade! Especialmente aqui no Brasil. Sobre o "Metalmorphosis" — eu tinha uma pergunta especificamente relacionada ao que você falou sobre o gênero. O álbum saiu há cerca de um mês e a crítica tem sido bem positiva, e a minha também — embora eu saiba que preciso ser imparcial como jornalista, minhas duas músicas mais ouvidas esse mês são "Pursuit of the Jenny Haniver" e "Colorvision". Bem, o próprio título do álbum, "Metalmorphosis", sugere transformação. Então, o que você diria que mudou no som do Confess em "Metalmorphosis" em comparação com discos anteriores?

Elliot: Não foi como se tivéssemos sentado e dito: "ok, vamos escrever um disco completamente diferente." Lançamos nosso álbum anterior, "Burn `em All", no início de 2020, e depois veio a pandemia. Tivemos que cancelar toda a turnê. O mundo todo parou e nós praticamente não nos vimos como banda por um ano ou dois.

Mas então, começamos a escrever músicas — eu e o Samuel começamos a escrever um pouco e mandar ideias um para o outro. Estávamos escrevendo para esse álbum desde 202. E sabe, quando você escreve por um período longo de tempo, como 3 anos, você está nessa zona criativa, e essa zona criativa muda muito durante esse tempo. Algumas das músicas do "Metalmorphosis" foram escritas em 2020, 2021, e algumas foram escritas em 2024. Isso obviamente vai afetar o som do disco, comparado a se você sentasse e escrevesse dez músicas para um álbum em um mês — então muitas músicas acabam ficando parecidas em termos de estilo.

Divulgação

Sim, elas são bem diferentes — "Beat of My Heart", por exemplo, é totalmente diferente de "Wicked Temptations," que é totalmente diferente das outras.

Elliot: "Beat of My Heart" é uma música que eu escrevi por volta da época em que tínhamos acabado de lançar nosso primeiro disco, "Jail" — eu escrevi essa música em 2014, então é uma faixa antiga.


E como surgiu o nome "Metalmorphosis"?

Elliot: Essa música, ou pelo menos o riff principal, o Samuel (baterista) também escreveu em 2014, e trabalhamos nessa música em todos os discos desde então: trabalhamos nela para o "Haunters," nosso segundo álbum, trabalhamos nela para o "Burn `em All," mas não conseguíamos acertar na música. Tínhamos o riff, a melodia, mas não conseguíamos escrever uma boa música em volta disso. Lutamos com essa música por quase 10 anos. E essa música originalmente se chamava "Metamorphosis" — a palavra real. E daí eu simplesmente disse: "Metalmorphosis, isso parece legal." Depois descobrimos que tinha outra banda lançando um disco chamado "Metalmorphosis."


Uma pergunta que acabei de lembrar, que eu não tinha planejado. Sobre a mariposa na capa. É a "Silvermalen"? Porque "mal" é mariposa em sueco, certo?

Elliot: Não intencionalmente, mas poderia ser!

Frontiers Records (Imp.)

Legal. Ainda falando sobre o álbum, vocês têm músicas muito elaboradas, algumas quase épicas, com muitas referências culturais — como "Jenny Haniver", a cultura pagã em "Silvermalen" e vocês já tinham feito isso em "Malleus" também. Onde vocês geralmente buscam suas referências culturais e musicais? Existe outra forma de arte que você gosta e que coloca nas suas músicas?

Elliot: No nosso primeiro álbum, tínhamos uns 20, 21 anos quando gravamos o "Jail", e muitas dessas músicas são sobre raiva adolescente, bebida, festa, esse tipo de coisa. Escrevemos músicas assim por um tempo, e é mais fácil escrever esse tipo de coisa quando você é mais jovem, quando você realmente vive aquela vida. Nenhum de nós vive mais aquela vida — somos quase homens velhos [risos]. Mas gostamos de História, então usamos isso como inspiração para muitas letras, especialmente nesse álbum — não que escrevamos algo historicamente preciso, mas usamos como inspiração.

O Samuel tem escrito a maioria das letras. Eu escrevi alguns pedaços — mandei algumas linhas para ele como ideias e ele voltou com quase uma música completa. Ele tem evoluído muito, escrevendo letras incríveis.

Realmente. Agora, eu gostaria de falar sobre o Crashdïet. Você entrou em 2024. "Art of Chaos" é seu primeiro álbum de estúdio com a banda. Como foi para você gravar este álbum, sabendo que esse era o álbum que ia te apresentar oficialmente como o novo vocalista do Crashdïet?

Elliot: Gravamos "Art of Chaos" em cerca de seis, sete meses — foi um período longo. Começamos com a bateria, depois colocamos os vocais, depois as guitarras e o baixo. Eu tinha guitarras-guia enquanto cantava, mas o Martin regravou tudo depois.

Mas eu não pensei muito sobre isso — foi mais como, "essas são músicas boas e eu vou fazer o meu melhor para entregar isso." Eu sempre tenho essa abordagem quando se trata de gravar — eu não consigo pensar muito sobre o produto final enquanto estou gravando, eu preciso estar presente no momento e sentir a música, e fazer o meu melhor. Então eu não pensei muito sobre isso na época. Foi mais quando começamos a mixar o álbum que você começa a pensar em querer mudar esse ou aquele som. Essa foi, na verdade, a parte que levou mais tempo com o Crashdïet — a gravação em si foi bem rápida, eu e o Martin gravamos os vocais fazendo duas músicas por dia, espalhadas, mas o processo de mixagem demorou um tempo.

Ninetone Group (Imp.)

Sobre o álbum em si — você e a banda o descreveram como "as dez faixas mais sleaze que vocês escreveram em muito tempo." Comparando "Art of Chaos" com os outros álbuns mais recentes do Crashdïet, você acha que ele representa um retorno a um som mais clássico, mais sleaze para a banda? Como você compara "Art of Chaos" com os outros álbuns?

Elliot: Eu amo todos os álbuns do Crashdïet. Quando o "Rest in Sleaze" saiu, eu tinha cerca de 15 anos e o comprei numa loja de discos em Estocolmo, então sempre guardo esse disco no coração. Eu acompanho o Crashdïet desde então — nos conhecemos há anos.

Acho que cada álbum tem algo diferente. O Crashdïet sempre foi muito bom em, sem mudar 100% seu estilo, fazer você realmente ouvir a diferença entre cada disco — nenhum dos discos parece uma cópia do anterior. Um pouco disso, claro, tem a ver com os diferentes vocalistas, mas mesmo os álbuns com o Simon Cruz — "Generation Wild" e "Savage Playground" — tem uma diferença enorme entre as músicas, a produção, tudo. E até os álbuns com o Gabriel Keyes — "Rust" e "Automaton" — são completamente diferentes.

Eu gosto de todos eles, e claro que, quando tocamos com o Crashdïet, temos muitas músicas para escolher para o setlist — e tentamos escolher pelo menos uma música de cada disco. Não acho que tenhamos feito um único show sem tocar algo de cada disco.

Para mim é um desafio, porque é uma mistura tão variada de vocalistas, em termos de extensão vocal — cada vocalista tem uma voz completamente diferente. Então as músicas mudam muito, e eu uso todo o meu registro vocal quando canto músicas do Crashdïet. Há uma grande diferença entre a voz do Gabriel e a voz do Oliver Twisted, por exemplo.

Divulgação

Eu estava conversando com o Chris (Young, baixista brasileiro do Crashdïet) sobre como a gente realmente gostaria de ouvir "Caught In Despair" ao vivo em um show.

Elliot: É uma boa música!


Tem alguma outra música demo que você gostaria de tocar?

Elliot: Sim, tem algumas demos que eu certamente gostaria de tentar tocar algum dia com o Crashdïet. "Miss Alright" é uma faixa ótima. Mas, como eu disse, tem tantas músicas para escolher, e também temos que considerar que precisamos tocar certas músicas que são hits óbvios. Precisamos tocar essas, e depois temos que descobrir quais músicas estamos dispostos a tirar do set para trazer outra coisa.


Qual é a sua música favorita do "Art of Chaos"? E do "Metalmorphosis"?

Elliot: É muito difícil escolher — meio que muda de dia para dia, quase. Não exatamente de dia para dia, porque eu não escuto minha própria música com tanta frequência, para sersincero.

Eu ouvi tanto durante a mixagem. Mas, dito isso, eu tenho tocado essas músicas em shows, e algumas parecem melhores ao vivo do que outras. Com o Confess, eu diria que "Colorvision" funciona muito bem ao vivo — temos aberto o show com essa música. E eu acho que "The Other Side" funciona muito bem também.

E com o Crashdïet, diria que "Chaos Magnetic" — só tocamos uma vez, no Sweden Rock Festival, mas acho que se continuarmos fazendo isso, vai ser ótima ao vivo no futuro, e "Quitter" também.

Realmente foi uma ótima abertura com "Chaos Magnetic". Bem, estamos chegando ao fim. Vamos falar sobre o Brasil agora — você vem em janeiro com o Crashdïet. Quais são suas expectativas para a visita? O que você já ouviu sobre o Brasil, o que o Chris te contou, quais são suas expectativas em geral?

Elliot: Eu sempre quis ir ao Brasil, nunca fui. Já fui à América do Sul uma vez, na Venezuela, quando era mais jovem. Eu ouvi que os fãs são ótimos — mas eu acho que os fãs são ótimos em todo lugar do mundo, para ser sincero. Muitas pessoas, não só o Chris, mas todas as bandas que conheço que já tocaram no Brasil, dizem que é uma loucura.

Mas sabe, provavelmente não poderemos ficar por muito tempo, então vai ser uma situação fly-in-fly-out, talvez um ou dois dias extras. Eu gosto de aproveitar o máximo possível da cultura. E eu ouvi que a comida é ótima.


O Chris já te ensinou alguma palavra em português?

Elliot: Sim, algumas palavras, mas não consigo lembrar agora — eu tenho que estudar um pouco de português antes de chegar.


Minha última pergunta é sobre o futuro. Depois desses dois álbuns incríveis, quais são seus planos de carreira para as bandas daqui para frente?

Elliot: Vamos tocar ao vivo por um tempo, e depois provavelmente vamos continuar lançando música com as bandas. Eu sei que há planos para os próximos anos.


Tem alguma coisa que eu não perguntei que você gostaria de dizer aos seus fãs brasileiros, ou aos fãs em geral?

Elliot: Comprem nossos álbuns! Eu sei que é meio difícil encontrá-los, mas continuem tentando. E sim, estou muito ansioso para vir ao Brasil no ano que vem!


sábado, 24 de agosto de 2024

Interview - Richie Onori: Keeping The Sweet Legacy Alive


The British band “The Sweet” gained worldwide fame in the 1970s as one of the three main names in Glam Rock of their era, influencing countless bands in the following decades, such as Kiss, Poison, Guns & Roses and many others.


The band achieved enormous success with 39 #1 singles around the world, including "Ballroom Blitz", "Fox On the Run", "Love Is Like Oxygen", "Little Willy", "No You Don't", "Blockbuster", "Action", "Teenage Rampage" and "AC/DC".


But at the end of the 70s and in The beginning of the 80’s, the four original members, Connolly, Tucker, Andy and Priest, ended up going their separate ways, and with the exception of Tucker, they remained active in different periods with their versions of Sweet and sporadic reunions between the four.


Connoly passed away in 1997, Tucker in 2002, Priest in 2020, leaving only guitarist Andy Scott, who continues with his version of the band, from the original quartet.


STEVE PRIEST put together his version of how he wanted his legacy to be presented and preserved in the future.


From 2007 until his death, the bassist was joined by drummer Richie Onori, keyboardist Stevie Stewart and other great musicians who brought the chemistry he wanted.


After Steve passed away, Richie and Stevie with the blessing of Steve's family and following the idea and will of the legendary bassist, decided to keep the legacy alive.


The current lineup features Richie on drums, Stevie on bass, vocalist Patrick Alan Stone, guitarist Jimmy Burkard and keyboardist Dave Schulz, and The Sweet returned presenting the new single “Little Miracle” and scheduling shows to continue bringing a magical and explosive experience, maintaining the essence of this classic Glam Rock name.


We spoke with RICHIE ONORI, who told us a little more about the continuity of the legacy, and also about his incredible career in music, inspirations and good stories!

(Versão em Português


RtM: Richie, this is Carlos Garcia from the Road to Metal website (Brazil), thank you for taking the time to answer this interview.

To start, tell us a little about how this idea of ​​continuing the Sweet legacy came about after Steve Priest's passing in 2020. And I believe that Steve's passing must have been a hard blow for you.

Richie Onori: Steve Priest was proud of the band we put together- Regardless of the players that changed from time to time, there was a standard.. He called us dangerous… After his passing and with the blessing of his widow & daughters we all decided to keep the legacy alive per Steve’s vision.


RtM:And how have you felt the acceptance from the fans? Since there is a Sweet version also active with Andy Scott, and you are continuing without Steve, have you ever received or felt any reactions against this continuity?

RO: Of course we receive a varied reaction and emotions from dedicated fans. We love passionate fans. What’s amazing, once a fan or doubter comes to one of our shows, they thank us effusively after they see us appreciate we are keeping the “Sweets” legacy alive. The tide has turned and it’s all about delivering a thrilling and fun show. 




RtM: With so many classic bands ending their careers, or getting close to stopping for good, how do you see the future of Classic Rock and what can we do to maintain their legacies?

RO: Well that’s true, the golden age of the 60’s and 70’s are dithering down. When you see tribute bands now taking over in order to deliver the classic songs that changed the world, one realizes that the demands is there. 


When Steve reformed the band with us in 2007 we were partnered in as being part of the brand and band and we live and breath it the music as we have for close to two decades. Playing hundreds upon hundreds of shows across the globe which included a South America tour with Journey in 2011, yes San Paulo,   Chile, Argentina and Peru… Great tour…



RtM: And in the years when we had the two versions of Sweet, with you with Steve, and Andy with his band, from what I could see there was no friction whatsoever. Tell us a little about this coexistence, if there was any agreement about which countries to play in, and how you felt about the fans' reaction to this.

RO: Yes no friction because it’s all about keeping the legacy alive with the music that changed the world and influenced the worlds biggest bands, from Rock to Punk to Glam to Hair Metal.


Steve Priest and Sweet on 70's


RtM: Sweet with Steve Priest was active since 2008, but never released an album with new songs. Why didn't you release new songs? 

RO:Actually we were in the midst of finally getting around to it right before Steve passed.


RtM:The band has now released a single and video, “Little Miracle” - which I personally liked a lot - and it has many characteristics of the classic Sweet sound. Tell us a little about this song, and what has the feedback from fans been like?

RO: The feedback from fans & radio stations has been simply amazing to say the least. Everyone in our band writes and we have great material however Stevie & I knew that we needed the right song to start the party. Our producer Dave Jenkins co-wrote “Little Miracle” and we knew that that was the one to carry on into the 21st century. 


RtM:Does this new single a signal that you intend to make an album in the near future?

RO: Yes, a series of singles dropping every 6 to ten weeks is the plan.


RtM:Does it all depend on how the song is received and even the demand for your shows?

RO: Plenty of demand for playing live shows… and now “Little Miracle” is a resounding success and is growing each & every day.



RtM: And for the repertoire of the shows, which songs do you think cannot be left out of the set list, otherwise the fans would feel disappointed? And do you have plans to include songs that have not been played so often by Sweet live? Is there any in particular that you would like to include in the sets? 

RO: We do it all, a fan never walks away disappointed-we aim to please while blowing the roof off the venue!


RtM: I believe that a new audience is emerging, new bands inspired by classic rock from the 70s, and we have also seen an increase in vinyl sales, and a growing interest from younger people who have "discovered" or rediscovered classic rock. Do you also feel that there is a moment of growth and do you notice new fans at the shows?

RO: Yes, similar to the british blues invasion where the youth scoured the past for the blues legends that created the genre…The youth need our music to not only lift them but also inspire them to create real music that helps guide society with positive messages.


RtM: Talking a little about your great history in music and personal tastes, tell us how you started this journey, who encouraged and inspired you when you started in music.

RO: My Italian family loved music, my mom danced with Judy Garland & Mickey Rooney. She knew I was born to be a performer. My brother was a guitarist and my Dad was like a musicologist. Then came the era of the garage bands and there was no looking back…



RtM: If you were to list 5 albums that you consider essential in the history of Classic Rock, which ones would you choose and why? 

The Beatles White album- My first double Album- Jethro Tull -Stand Up- Drummer Clive Bunker * Ian Anderson’s Originality off the charts- Freddy Hubbard “Red Clay” brought a new listening to Jazz; Jimi Hendrix “Are you Experienced” Explosive! The Mahavishnu Orchestra “Inner Mounting Flame” from another planet! And Cream “Wheels of Fire”. Exploration on the art of jamming.


RtM: You have played with many great musicians in your career, such as Steve Lukather, Ronnie Dio, Keith Emerson, Paul Rodgers, Slash and many others. Tell us some interesting facts about what it was like to work with some of these legends, and what you would say was your biggest challenge.

RO: Because of my musical upbringing and dedication to my craft I never felt particularly challenged however I got a call from Toto’s singer Bobby Kimball. He told me if I could learn a complete set of Toto’s songs in three days. I said sure but when’s rehearsal? Bobby said no rehearsal. I’m thinking to myself “Yikes” We flew out for a 10’000 seater show in Illinois.

I pulled it off without a hitch but yes was I fricking nervous, you betcha ya- 



RtM: Regarding your solo career, I would like you to give us a brief comment on your albums “Days of Innocence” and “Three Wishes”, where you also show your talents as a vocalist and guitarist, so that our fans in Brazil can get to know a little about these works. And sure, about Heaven and Earth and your amazing 70’s sound.

RO: Thank You and both my solo efforts I will release soon. The Blues Angel is alive and kicking and I can’t wait to show the public of all my works.


I put my heart and soul to create it all and I’m proud of it all. Heaven & Earth was a journey unto itself and I love the tracks I played with Richie Sambora and Joe Lynn Turner which reall stand out.


RtM: Richie, thank you once again for the interview, and we hope to have the opportunity to see you in South America and Brazil.

RO: I love my Latin Brother & Sisters out there and there plenty of time to rock you guys!


Interview by: Carlos Garcia

Thanks to: Richie Onori; Chip Ruggieri - Chipster P.R & Consulting, Inc.

The Sweet