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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Graveyard: Peso e Atitude à Moda Antiga

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Graveyard gira a chave e entrega seu melhor álbum em “Fever”

Por Paula Butter - @paulabutter.rocks

A banda sueca Graveyard presenteou nossos ouvidos com seu novo álbum Fever nesta sexta-feira, dia 9 de outubro de 2026, pela Nuclear Blast. Após três anos desde o lançamento de Six, os músicos de Gotemburgo finalmente vieram com uma obra audaciosa, forte e que chega para impor seu lugar no rock pesado com muito blues, emoção e técnica. Afinal, nada é por acaso.

A banda declarou que este sétimo álbum era possivelmente seu melhor até agora e, após ouvir as nove faixas de Fever, é preciso concordar sem ressalvas. Nos dois primeiros singles lançados antecipadamente, já se podia sentir uma mudança sutil no som da banda, que antes estava um pouco tímida, introspectiva. E não era para menos: o álbum Six trouxe muita qualidade musical, mas foi uma composição pós-pandemia, portanto mais melancólica.

Agora, parece que o Graveyard girou a chave e trouxe mais peso, mais blues, mais sons crus, orgânicos; inclusive, o processo de gravação foi bem intimista. O resultado disso é uma obra que vale a pena colocar na íntegra em sua playlist, principalmente se você é fã daquele rock pesado, ainda com as raízes do blues que pairavam nos anos 70.

A primeira faixa, “Back From The Grave”, já diz tudo: com um blues pesado bem setentista, cheio de “mojo”, dá o recado para o que vem a seguir: “Tongue Tied”, um rock n’ roll de primeira qualidade, com aquele “som de vinil”, solo ritmado, bateria em forma e os vocais rasgados de Joakim Nilsson nos momentos certos e, literalmente, “Blow away”!

Na sequência, a ácida e adorável “A Better Cut (Note To Self)”, que nos brinda com um refrão digno de cantarolar o dia todo. Inclusive, deixo-a como destaque, juntamente com a surpresa “A Means To An End”: que perfeição, digna do videoclipe que foi lançado há algumas semanas.

Contamos também com a mais tímida “Time To Tell” e com o peso e a agressividade de “Year Of The Horse”. O recado está escancarado nas letras e refrões: música feita com vontade e garra, para não sobrarem dúvidas de que o Graveyard veio para ficar. Neste ponto da audição, você já se encontra bem mais motivado para encarar o dia e até arrisca cantar junto, sensações espontâneas que nem todos os álbuns proporcionam. Apesar de o álbum contar com muitas passagens instrumentais (e é sabido que muita gente torce o nariz para isso), elas passam com um ritmo que te prende.

A banda fecha com maestria, com “Room Tempered” e a inusitada balada bluseira “Dead Note”. Por fim, todas as músicas são dignas de uma trilha sonora atemporal, sempre com um passo no presente e na evolução do som, mas soando como se estivéssemos em tempos passados. Destaque para a arte da capa de Fever, que conta com muita psicodelia e criatividade. É interessante também assistir ao “GRAVEYARD - Making of Fever”, disponível no YouTube oficial da banda, em que eles mostram em detalhes a produção do álbum e todos os equipamentos utilizados, alguns bem “old school”, sempre deixando o talento humano em primeiro lugar. 

Um recado final para aqueles que não tiveram a oportunidade de ver estes músicos ao vivo: curtam as músicas e, na primeira oportunidade, agarrem seus ingressos!

Divulgação 


Graveyard - Fever - Tracklist:

01 Back From The Grave

02 Tongue Tied

03 A Better Cut (Note To Self)

04 Year Of The Horse

05 A Means To An End

06 Time To Tell

07 Don’t Shoot!

08 Room Tempered

09 Dead Note

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Cobertura de Show: Graveyard– 08/05/2026 – Basement/CWB

Dia 8 de maio de 2026, sexta-feira chuvosa e fria e pela primeira vez a banda sueca Graveyard pisa em solo curitibano, uma honra. Tendo em vista que da última vez que a banda veio ao Brasil, foi com apresentação única em São Paulo. Mas os fãs não desanimaram e finalmente fomos agraciados com uma perna da turnê, nossos agradecimentos à Xaninho Records. 

Inicialmente estava prevista a abertura dos trabalhos pela competente Bike, banda paulistana que está excursionando com o Graveyard, mas aproximadamente duas semanas antes, foi anunciado também a banda Space Grease, para nossa alegria ser completa. Ambas as bandas trazem uma atmosfera bem setentista, com pitadas de psicodelia e não deixam em nada a desejar em matéria de originalidade. Principalmente os músicos da Bike, que deram show de técnica, e também em especial o baterista da Space Grace que hipnotizou a todos os que chegaram mais cedo, sem falar no carisma e da vibe da vocalista, que nos fez voltarmos no tempo, para uma época mais livre e experimental. 

O evento aconteceu no Basement cultural, casa de shows que vem se concretizando no circuito de shows internacionais e nacionais de médio porte, com público cada vez maior e atrações inéditas na cidade, que antes não encontravam muito espaço nas tradicionais casas de Curitiba. Mas como o local ainda está em constante evolução, algumas melhorias ainda tardam a acontecer, como o calor que faz na área do palco, mas acredito que com o tempo, isso será sanado. 

Outro ponto importante, foi que o público das bandas da noite, principalmente do Graveyard, sentiram falta de um espaço com elevação para poder conferir melhor a performance da banda. Pois nas duas primeiras atrações, o local estava tranquilo, dando uma chance a todos de verem as movimentações do palco. Quando a banda principal subiu ao palco, por volta das 21h30, os fã de baixa estatura dispunham de duas opções: ficar em frente ao palco, com calor insuportável e sendo empurrados constantemente, ou ir para o final da platéia, com o mesmo nivelamento do chão, resultando em zero chances de ver algo. Mas tudo bem, pegue os limões e faça uma limonada “o importante disto é que o evento foi um sucesso e faltaram espaços livres entre o público, sucesso garantido e merecido”. 

Importa também ressaltar que a banda de Gotemburgo não era muito conhecida do grande público brasileirol, apesar da excelente qualidade de suas composições e destaque para o lado artístico da banda, que sempre trabalha com grandes artistas gráficos em seus álbuns, o que os tornam únicos e sempre um prazer em ver uma nova arte by Graveyard. Certa vez tive o prazer de entrevistar o baixista Truls Mörck e em uma determinada pergunta sobre a arte dos álbuns, ele relatou que sempre deu muito valor às capas dos álbuns, pois ainda adolescente, costumava ir às lojas de discos e escolher as melhores artes, Coincidências a parte, durante a apresentação da primeira banda, com a casa ainda bem vazia, eis que surge um Truls na platéia, bem concentrado apreciando o momento, e ninguém o reconheceu (Pelo menos acho eu… .) pois foi só depois de vinte minutos que tomei coragem de trocar algumas palavras com ele, gente como agente.

Mas vamos falar um pouco sobre a apresentação, acredito que o palco pequeno prejudicou um pouco a dinâmica dos músicos, que de tempos em tempos esbarravam nos pedestais, e também, tendo em vista os shows das outras cidades, deu para perceber uma redução considerável na estrutura de palco deles. Mas é a velha máxima, quem é bom mesmo, consegue tocar em qualquer lugar, e desta vez não foi diferente. A atmosfera acolhedora e a proximidade com a platéia conferiu um ar nostálgico e claramente agradou à banda, que deu tudo de si, inclusive muito suor, para um Basement lotado de fãs de boa música. O blues com ares modernos que só eles sabem executar, foi de chorar a alma bluseira que existe dentro de nós.

O quarteto formado em 2006, consegue algo único em seu hard rock, psicodelia e muito blues, trazem a sonoridade setentista que tanto aprendemos a amar, mas com atualização e identidade própria, para não cair no erro do som genérico. Os vocais e guitarras de  Joakim Nilsson são impressionantes e técnicos, mas quando o baixista Truls assume os vocais, também dá uma identidade mais melodiosa às músicas. Para fechar com maestria, Jonatan Larocca-Ramm nas guitarras e Oskar Bergenheim na bateria, fazendo um estrago que não cabia no local, tamanha orgia bluseira, no melhor sentido.

Por fim, o setlist contou com os principais sucessos da banda, com destaque para o álbum “6” lançado em 2023, uma verdadeira obra prima. Inclusive para os que tiverem interesse, pesquisem os videoclipes da banda, são cinematográficos, pura arte. Curitiba agradece imensamente a oportunidade de ter presenciado ao vivo estas três bandas de excelente calibre. Parabéns também à produção, que apesar do local estar cheio, conseguiu uma noite muito pacífica e velutina.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Xaninho Discos 



Graveyard – setlist:

Please Don't

Cold Love

No Good, Mr. Holden

Breathe In Breathe Out

No Good, Mr. Holden

From a Hole in the Wall

Ain't Fit to Live Here

Rampant Fields

Bird of Paradise

An Industry of Murder

Hisingen Blues

Goliath

Uncomfortably Numb

Twice

Evil Ways

Hard Times Lovin'

Satan's Finest

The Siren