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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Cobertura de Show: Graveyard– 08/05/2026 – Basement/CWB

Dia 8 de maio de 2026, sexta-feira chuvosa e fria e pela primeira vez a banda sueca Graveyard pisa em solo curitibano, uma honra. Tendo em vista que da última vez que a banda veio ao Brasil, foi com apresentação única em São Paulo. Mas os fãs não desanimaram e finalmente fomos agraciados com uma perna da turnê, nossos agradecimentos à Xaninho Records. 

Inicialmente estava prevista a abertura dos trabalhos pela competente Bike, banda paulistana que está excursionando com o Graveyard, mas aproximadamente duas semanas antes, foi anunciado também a banda Space Grease, para nossa alegria ser completa. Ambas as bandas trazem uma atmosfera bem setentista, com pitadas de psicodelia e não deixam em nada a desejar em matéria de originalidade. Principalmente os músicos da Bike, que deram show de técnica, e também em especial o baterista da Space Grace que hipnotizou a todos os que chegaram mais cedo, sem falar no carisma e da vibe da vocalista, que nos fez voltarmos no tempo, para uma época mais livre e experimental. 

O evento aconteceu no Basement cultural, casa de shows que vem se concretizando no circuito de shows internacionais e nacionais de médio porte, com público cada vez maior e atrações inéditas na cidade, que antes não encontravam muito espaço nas tradicionais casas de Curitiba. Mas como o local ainda está em constante evolução, algumas melhorias ainda tardam a acontecer, como o calor que faz na área do palco, mas acredito que com o tempo, isso será sanado. 

Outro ponto importante, foi que o público das bandas da noite, principalmente do Graveyard, sentiram falta de um espaço com elevação para poder conferir melhor a performance da banda. Pois nas duas primeiras atrações, o local estava tranquilo, dando uma chance a todos de verem as movimentações do palco. Quando a banda principal subiu ao palco, por volta das 21h30, os fã de baixa estatura dispunham de duas opções: ficar em frente ao palco, com calor insuportável e sendo empurrados constantemente, ou ir para o final da platéia, com o mesmo nivelamento do chão, resultando em zero chances de ver algo. Mas tudo bem, pegue os limões e faça uma limonada “o importante disto é que o evento foi um sucesso e faltaram espaços livres entre o público, sucesso garantido e merecido”. 

Importa também ressaltar que a banda de Gotemburgo não era muito conhecida do grande público brasileirol, apesar da excelente qualidade de suas composições e destaque para o lado artístico da banda, que sempre trabalha com grandes artistas gráficos em seus álbuns, o que os tornam únicos e sempre um prazer em ver uma nova arte by Graveyard. Certa vez tive o prazer de entrevistar o baixista Truls Mörck e em uma determinada pergunta sobre a arte dos álbuns, ele relatou que sempre deu muito valor às capas dos álbuns, pois ainda adolescente, costumava ir às lojas de discos e escolher as melhores artes, Coincidências a parte, durante a apresentação da primeira banda, com a casa ainda bem vazia, eis que surge um Truls na platéia, bem concentrado apreciando o momento, e ninguém o reconheceu (Pelo menos acho eu… .) pois foi só depois de vinte minutos que tomei coragem de trocar algumas palavras com ele, gente como agente.

Mas vamos falar um pouco sobre a apresentação, acredito que o palco pequeno prejudicou um pouco a dinâmica dos músicos, que de tempos em tempos esbarravam nos pedestais, e também, tendo em vista os shows das outras cidades, deu para perceber uma redução considerável na estrutura de palco deles. Mas é a velha máxima, quem é bom mesmo, consegue tocar em qualquer lugar, e desta vez não foi diferente. A atmosfera acolhedora e a proximidade com a platéia conferiu um ar nostálgico e claramente agradou à banda, que deu tudo de si, inclusive muito suor, para um Basement lotado de fãs de boa música. O blues com ares modernos que só eles sabem executar, foi de chorar a alma bluseira que existe dentro de nós.

O quarteto formado em 2006, consegue algo único em seu hard rock, psicodelia e muito blues, trazem a sonoridade setentista que tanto aprendemos a amar, mas com atualização e identidade própria, para não cair no erro do som genérico. Os vocais e guitarras de  Joakim Nilsson são impressionantes e técnicos, mas quando o baixista Truls assume os vocais, também dá uma identidade mais melodiosa às músicas. Para fechar com maestria, Jonatan Larocca-Ramm nas guitarras e Oskar Bergenheim na bateria, fazendo um estrago que não cabia no local, tamanha orgia bluseira, no melhor sentido.

Por fim, o setlist contou com os principais sucessos da banda, com destaque para o álbum “6” lançado em 2023, uma verdadeira obra prima. Inclusive para os que tiverem interesse, pesquisem os videoclipes da banda, são cinematográficos, pura arte. Curitiba agradece imensamente a oportunidade de ter presenciado ao vivo estas três bandas de excelente calibre. Parabéns também à produção, que apesar do local estar cheio, conseguiu uma noite muito pacífica e velutina.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Xaninho Discos 



Graveyard – setlist:

Please Don't

Cold Love

No Good, Mr. Holden

Breathe In Breathe Out

No Good, Mr. Holden

From a Hole in the Wall

Ain't Fit to Live Here

Rampant Fields

Bird of Paradise

An Industry of Murder

Hisingen Blues

Goliath

Uncomfortably Numb

Twice

Evil Ways

Hard Times Lovin'

Satan's Finest

The Siren

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Blues Pills: "Holy Moly!" é Irrepreensível e Pulsante

 

Após uma edição ao vivo do seu segundo disco, sai finalmente "Holy Moly!". O Blues Pills como sempre não decepciona. Fazem uma revisitação decente apropriando-se de algumas tendências do r&b contemporâneo num psycho blues ocultista anos 70. Acresceram peso e  ampliaram as possibilidades harmônicas. "Holy Moly!" continua seguindo a risca o que apresentaram desde o início, sem perder o capricho. 

Elin Larsson ostenta versatilidade, canta com bastante garra músicas roqueiras, noutras situações assemelha-se a cantoras de soul e blues. Os instrumentistas também aparentam maior experiência, estão um passo à frente dos grupos stoner padrões. Não hesitam em mesclar o hard psicodélico a direções soul e mais pop sem diluir a força da sua música. 

As escolhas de timbres e arranjos são outro destaque de Holy Moly. Essa liberdade em cruzar certas barreiras impostas no rock psicodélico da atualidade, se assemelha muito mais ao pensamento dos grupos originais. 

Em "Proud Woman", Larsson puxa algo de Aretha Franklin e desdobra isso numa linha de spiritual. "Low Road", outra arrasa quarteirão, soa similar a uma versão metalizada de "Dignitaries of Hell" do Coven. "Dreaming My Life Away", mantém a força do disco, com Larson trazendo seu lado Jinx Dawson. 

"California" é uma balada blues cravada de power chords robustos e vibratos lacrimejantes na guitarra do novo dono das 6 cordas do BP,  Zack Anderson, enquanto Elin  puxa seu lado bluesy até soltar agudos potentes na voz. 

"Rhythm in the Blood", realça a qualidade do baterista André Kvarnström iniciando a música num ritmo marchado, depois aplica boas viradas e síncopes dentro da ideia básica. Lembra muito o Ram Jam e também entraria com facilidade no set dos seus contemporâneos Rival Sons. 

"Dust" soa um jazz blues estilo Ella Fitzgerald caso fosse coverizado pelo Black Sabbath no começo de carreira. A cantora continua a contrariar o clima lúgubre ao aplicar fúria na hora de cantar. O solinho sinistro e backing vocals sampleados dão um toque extra.   

Vale citar a balada soul "Wish I’d Known" de nuances gospel; "Bye Bye Birdie", presenteando o ouvinte com um solo muito legal e bateria potente e "Song From A Mourning Dove" um slow blues extremamente passional. 

"Holy Moly!" é um disco irrepreensível, as faixas apesar de apresentarem proximidade, valorizam algum ponto, mudam a ênfase e a vocalista mantém as faixas pulsando todo o momento com sua voz cheia de rompantes.

Texto: Alex Matos (Canal Rock Idol)

Edição\Revisão: Carlos Garcia

Selo: Nuclear Blast Records  (Lançamento no Brasil via Shinigami Records)

Tracklist:

01. Proud Woman

02. Low Road

03. Dreaming My Life Away

04. California

05. Rhythm In The Blood

06. Dust

07. Kiss My Past Goodbye

08. Wish I’d Known

09. Bye Bye Birdy

10. Song From A Mourning Dove

11. Longest Lasting Friend


 Blues Pills é:

Elin Larsson – vocals, backing vocals

Zack Anderson – guitar

André Kvarnström – drums

Kristoffer Schander – bass

 

 Blues Pills Youtube