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domingo, 26 de julho de 2026

Cobertura de Show: Roland Grapow – 17/06/2026 – Blood Rock Bar/CWB

Uma noite de metal melódico e memória: Roland Grapow em Curitiba

Em turnê pela América Latina, Roland Grapow, que desde 2001 segue com o grande Masterplan. Entretanto, nesta vinda ao Brasil, o foco passa a ser sua fase áurea no Helloween, mais especificamente a comemoração dos 30 anos de The Time Of The Oath. E desta vez, Curitiba não ficou de fora, Roland e banda desembarcaram na capital paranaense para uma única apresentação no Blood Rock Bar, localizado no centro histórico de Curitiba. Inclusive, o Blood Rock é reduto de bandas nacionais autorais e covers da melhor qualidade, e não é raro, talentos brasileiros que tocaram lá, serem exportados para o mundo. Exemplo da noite, a segunda banda de abertura, o Royal Rage, que recentemente fez uma turnê na Europa.

Um show no meio da semana acabou não animando o curitibano, mas aos poucos a casa foi dando espaço ao público, que aguardou para dar as caras durante o show principal da noite. Uma pena pois as duas bandas de abertura foram muito competentes no esquenta da noite, contornando com muito jogo de cintura alguns problemas técnicos aparentes. Quando cheguei ao local, alguns minutos após a abertura das portas, a banda Evil Politicians já estava com tudo no palco, e sem cerimônia destilou seu som para os poucos presentes na pista principal. 

Já o Royal Rage ganhou um pouco mais de público, entretanto ainda havia muitas pessoas aproveitando o happy hour com muita comida e bebida, coisa que o Blood Rock se sai muito bem, diga-se de passagem. A casa noturna com decoração voltada para o cinema de horror, que parece um calabouço moderno, conta com vários ambientes, inclusive um segundo andar e área aberta, tudo com mesas, sofás e poltronas (sim, sofás!!!), cadeiras e área gamer com máquinas clássicas dos anos 90. Enfim, fica fácil se entreter em um local assim.

Após o show do Royal Rage, o próprio Roland Grapow apareceu entre o público para trocar uma ideia e tirar fotos, tudo com a máxima cortesia que só o curitibano consegue (kkkkk contém ironia). Inclusive, na minha tentativa de pedir uma foto educadamente, acabei "chupando dedo", mas tudo bem, o show iria ser muito intimista mesmo, pois não há separação entre público e banda, somente o palco um pouco mais elevado. Portanto, a experiência da plateia é a melhor possível.

O show começou no horário correto, com uma banda pouco à vontade, e ainda tentando acertar os detalhes técnicos. Mas os anos de estrada do guitarrista deram a ele o jogo de cintura para conversar e brincar com o público presente. Inclusive, era o único dentre os músicos com uma cerveja em mãos, motivo para mais entretenimento ao estilo "good vibes". Acredito que seja uma característica herdada dos tempos de Helloween, pois nunca vi músicos tão animados como eles. Falo com propriedade de quem esteve presente em 1996, no Couto Pereira para assistir o "Monsters Of Rock" curitibano, que contou ainda com Iron Maiden (com Blaze nos vocais), Motorhead e Skid Row. Após este dia, nunca mais perdi uma turnê no Helloween.

A banda de apoio do guitarrista alemão contou com um escalão de músicos de primeira do cenário nacional, são eles Marcos Dotta na bateria, Fabio Carito no baixo, Affonso Junior na guitarra e João Luiz nos vocais. Com o time formado, o show foi se desenrolando em um misto de euforia do público, piadas do carismático Roland, que ficou sem o microfone (sim, isto aconteceu devido a um problema técnico, que não foi solucionado) mas nada que tirasse o bom humor do alemão, que de tempos em tempos pegava o instrumento dos colegas de palco, para falar com os fãs. Inclusive, a pista ficou lotada rapidamente e os fãs de metal melódico, principalmente de Helloween, são muito apaixonados, era um desfile de tatuagens personalizadas, gritos, choros e aspirantes a vocalistas em todos os cantos.

Agora, vamos falar da parte mais técnica da apresentação, não há que se negar que foi um ótimo show, mas pecou em vários aspectos, em vários momentos o som e os equipamentos não estavam em sincronia, o vocalista, apesar de ter uma voz impecável, não conseguiu o mesmo efeito ao interpretar o estilo melódico. Inclusive, achei que eram coisas da minha cabeça, mas algumas músicas foram bem prejudicadas em sua interpretação. Só para esclarecer, no final do show, consegui trocar uma ideia com algumas pessoas que também acompanham a banda e tiveram a mesma percepção. Mas o carisma e postura de João Luiz compensaram, conseguiu uma ótima pegada no hino Power e sabemos de sua competência, então, tudo deu certo.

Destaque para a participação especial do músico curitibano Cassiano Chamma, que interpretou as músicas Mr. Torture, Eagle Fly Free e I Want Out em perfeita sintonia com a banda, especialmente com Roland Grapow, que o aplaudiu algumas vezes. A participação também gerou uma espécie de nostalgia, onde em alguns momentos relembrou a química de outrora.

Por fim, apesar das trapalhadas, a competência dos músicos, o fervor dos fãs e o amor ao Heavy Metal tornaram a noite de quarta-feira um sucesso. “Happy Happy Helloween”.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções


Roland Grapow – setlist:

We Burn

Steel Tormentor

Wake up the Mountain

Power

Forever and One

Before the War

Million to One

The Departed

The Dark Ride

The Chance

Mr. Torture

Eagle fly free

I Want Out

terça-feira, 16 de junho de 2026

Cobertura de Show: Roland Grapow – 14/06/2026 – Manifesto Bar/SP

ROLAND GRAPOW CELEBRA "THE TIME OF THE OATH", MAS ESBARRA EM EXECUÇÃO IRREGULAR NO MANIFESTO BAR

Celebrar os 30 anos de The Time of the Oath em São Paulo parecia uma missão praticamente à prova de erros. Lançado em 1996, o sétimo álbum de estúdio do Helloween é considerado um dos trabalhos mais importantes da fase de Andi Deris e marcou uma retomada criativa da banda alemã, trazendo uma sonoridade mais pesada e madura, além de clássicos que ajudaram a consolidar o power metal nos anos 1990. O disco, inspirado nas profecias de Nostradamus, também foi dedicado à memória do baterista Ingo Schwichtenberg, falecido no ano anterior.

Foi justamente esse legado que o guitarrista Roland Grapow trouxe ao Manifesto Bar, em São Paulo, no último dia 14 de junho. Integrante do Helloween entre 1989 e 2001 e peça fundamental na construção da identidade musical daquela fase da banda, Grapow retornou ao Brasil acompanhado do mesmo time de músicos que o acompanhou em outras passagens recentes pelo país: João Luiz (King Bird/Golpe de Estado) nos vocais, Affonso Jr. (Confessori/Revenge) na guitarra, Fabio Carito (Metalium/Warrel Dane) no baixo e Marcus Dotta (Metalium/Warrel Dane) na bateria.

A abertura ficou por conta da Here I Am, grupo conhecido por homenagear a obra de Andre Matos e que vive uma nova fase apostando em material próprio. A apresentação teve um caráter especial: a gravação do primeiro DVD ao vivo da banda. Com músicas do álbum de estreia, Synergy, lançado no ano passado, o grupo mostrou segurança e encerrou sua participação em clima de celebração, convidando Felipe Andreoli (baixo, Angra) e Edu Ardanuy (guitarra, ex-Dr. Sin, All Metal Stars) para executar os clássicos "Nothing to Say" e "Carry On", do Angra.

Pontualmente às 21h, Roland Grapow surgiu sozinho no palco, antes mesmo de a música ambiente terminar — aparentemente, "Balls to the Wall", dos compatriotas do Accept. O guitarrista ajustou sua própria guitarra, conferiu rapidamente a afinação, saudou o público com um descontraído "E aí, São Paulo?" e deu início à principal atração da noite com "We Burn", faixa de abertura de The Time of the Oath.

No entanto, apesar do talento inegável dos músicos envolvidos, algo parecia fora do lugar desde os primeiros minutos. O principal problema estava na condução vocal. João Luiz, reconhecidamente um dos grandes nomes do rock nacional e dono de performances irretocáveis em trabalhos com King Bird, Golpe de Estado e tributos a Ronnie James Dio, demonstrava pouca familiaridade com o repertório do Helloween. Preso constantemente a um recurso visual para acompanhar as letras, o vocalista errava entradas, hesitava em passagens importantes e transmitia a sensação de ainda estar se adaptando ao material.

O desconforto tornou-se evidente em músicas como "Steel Tormentor", "Wake Up the Mountain" e, principalmente, "Power". Nesta última, já era perceptível um certo descontentamento por parte do público. Enquanto Marcus Dotta impressionava ao reproduzir com precisão as linhas originalmente gravadas por Uli Kusch, João Luiz era constantemente amparado pelos colegas para manter a execução coesa.

Entre uma música e outra, Grapow mostrou o carisma habitual ao comentar, de maneira bem-humorada, que executariam as canções de The Time of the Oath das quais ele ainda se lembrava. Apesar da proposta divulgada sugerir uma execução quase integral do álbum, o disco não foi apresentado na íntegra, embora tenha dominado boa parte do repertório.

"Forever and One (Neverland)" trouxe um dos momentos mais emocionantes da noite, seguida por "Before the War" e pela raríssima "A Million to One" — faixa pouco lembrada pelos próprios fãs e que jamais integrou o repertório oficial do Helloween em suas turnês. A homenagem ao álbum foi encerrada com a faixa-título, "The Time of the Oath", quando Grapow convocou o público para assumir os refrões. Nessas canções, a banda pareceu mais confortável, mas a sensação de estar assistindo a um grande karaokê de luxo ainda persistia.

Curiosamente, o clima mudou quando o grupo passou a executar músicas já presentes nas turnês anteriores de Grapow pelo Brasil. "Mr. Torture", "The Departed (Sun Is Going Down)" e "The Dark Ride", todas ligadas ao álbum The Dark Ride (2000), soaram mais naturais, como se finalmente músicos e vocalista encontrassem terreno conhecido.

Na reta final, veio "The Chance", composição assinada por Grapow para o controverso Pink Bubbles Go Ape (1991), recebida com entusiasmo pelos fãs mais antigos. O encerramento reservou o ponto alto definitivo da apresentação: Leandro Caçoilo (Seventh Seal, Viper) assumiu os vocais em "Eagle Fly Free" e "I Want Out". Ainda que as músicas pertençam à fase anterior à entrada de Grapow no Helloween, são praticamente obrigatórias em qualquer celebração ligada ao universo da banda. O Manifesto Bar explodiu em coro, e os refrões foram cantados em uma só voz.

Foi, acima de tudo, uma noite movida pela nostalgia. O repertório acertou em cheio ao revisitar um dos discos mais importantes do power metal mundial, mas a execução irregular impediu que a celebração alcançasse todo o potencial que carregava.

A escolha de João Luiz para a ocasião pareceu equivocada. Seu talento é inquestionável, mas sua voz e seu histórico musical talvez dialoguem mais naturalmente com o repertório do Masterplan, outra importante banda de Grapow, curiosamente ausente do setlist. Com uma preparação mais cuidadosa, maior entrosamento e um intérprete mais alinhado à proposta estética do material executado, esta poderia ter sido uma noite memorável.

Ainda assim, ouvir canções de The Time of the Oath ecoando ao vivo três décadas após seu lançamento foi um privilégio. Mesmo com seus tropeços, a apresentação serviu como lembrança do impacto duradouro de um álbum que permanece como um dos pilares do power metal e da contribuição fundamental de Roland Grapow para essa história.


A celebração seguem em tour pelo Brasil durante o mês de junho:

17/06 – Curitiba (Blood Rock Bar) – BR

19/06 – Fortaleza (Valentina Bar) – BR

20/06 – Santo André (Santo Rock Bar) – BR

21/06 – Belo Horizonte (Caverna) – BR


Texto: Anderson Bellini 

Fotos: André Tavares

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções

Press: LP Metal World


Roland Grapow – setlist:

We Burn

Steel Tormentor

Wake Up the Mountain

Power

Forever and One (Neverland)

Before the War

A Million to One

The Time of the Oath

Mr. Torture

The Departed (Sun Is Going Down)

The Dark Ride

The Chance

Eagle Fly Free (with Leandro Caçoilo)

I Want Out (with Leandro Caçoilo)

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Cobertura de Show: Roland Grapow – 18/07/2024 – Manifesto Bar/SP

O guitarrista Roland Grapow desembarcou em terras paulistanas no último dia 18/07 e reuniu fãs de sua vasta carreira no Manifesto Bar. 

Entretanto, para abrir o palco, a escalação contou com a brasileira Allen Key, cuja sonoridade contemporânea e suas linhas melódicas cativaram claramente o público, como também o carisma e energia de Karina Menasce (vocal), Pedro Fornari e Victor Anselmo (guitarras), William Moura (baixo) e Felipe Bonomo (bateria). Um belo início! 

Já o lendário guitarrista alemão contou com uma poderosa banda de apoio, formada por João Luiz (vocal, Golpe de Estado), Affonso Jr. (guitar, Confessori Band), Fabio Carito (baixo, Metalium, UDO, Tim Ripper Owens, Warrel Dane, Leather Leone) e Marcus Dotta (bateria, Metalium, UDO, Tim Ripper Owens, Warrel Dane, Leather Leone, About 2 Crash, The Heathen Sÿthe). Nesse contexto, os primeiros acordes de "Mr. Torture" deram o ritmo do que haveria por vir: uma viagem por clássicos de Helloween e Masterplan para nenhum fã de power metal colocar defeito. 

Canções como “Spirit Never Dies” (Masterplan), “The Chance” e “Time of the Oath” (Helloween) foram os destaques da noite e foram cantadas pela casa, que contava com um bom público para uma fria quinta-feira em São Paulo. 

Para o bis, vocalistas convidados foram chamados ao palco e ajudaram a nos levar para clássicos tocados pela carreira de Grapow. Ricardo Peres cantou “ A Tale that Wasn’t Right”, enquanto Victor Emeka, “Eagle Fly Free” e “I Want Out”. 

Por fim, “Heroes”, executada pelo agora trio de vocalistas – completado por Samyr Morgue –, homenageia e exalta as composições de Grapow como grande influência na história power metal.


Texto: Matheus Lopes

Fotos: Bárbara Matos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções

Mídia Press: LP Metal Press


Roland Grapow

Mr. Torture

Spirit Never Die

The Chance

Back for My Life

The Time of the Oath

Escalation 666

Kind Hearted Light

The Dark Ride

The Departed (Sun Is Going Down)

After This War

Deliberately Limited Preliminary Prelude Period in Z

Push (feat. Ricardo Peres)

A Tale That Wasn't Right (feat. Ricardo Peres)

Eagle Fly Free (feat. Victor Emeka)

I Want Out (feat. Victor Emeka)

Heroes  

Crawling From Hell 

domingo, 13 de outubro de 2013

Entrevista: Roland Grapow Após a Tormenta


(Check out the original interview in English)

Após deixar o Helloween, Roland Grapow montou o Masterplan, que, contando com um line-up de primeira, com músicos que já tinham uma grande experiência e também despontava como grandes nomes de uma nova geração, como o vocalista Jorn Lande, já elevou a condição da banda a possível novo "super-grupo" e grande promessa, gerando expectativas altas. O álbum de estreia foi muito bem recebido, porém os resultados posteriores não alcançaram as expectativas geradas, e, devido a conflitos internos, idas e vindas de integrantes, o grupo foi perdendo espaço.

Porém, agora com um novo e revigorado line-up, a banda lança "Novum Initium", e, como o nome sugere, eles pretendem recuperar o tempo perdido e elevar o Masterplan ao patamar esperado em sua fundação. Conversamos com Roland Grapow para saber sobre suas expectativas a respeito dessa nova fase, e mais alguns assuntos, onde percebermos que muitas arestas com ex-companheiros não foram aparadas. Confira!


Road to Metal: Roland, uma curiosidade, em 1997 você lançou seu 1° álbum solo, o excelente "The Four Seasons of Life", onde você também era o vocalista, em meio a todas essas mudanças no Masterplan, você já pensou em assumir os vocais da banda em definitivo?

Roland Grapow: Você sabe... Eu amo cantar, mas eu poderia não suportar a pressão sozinho, ainda mais depois de um grande cantor como Jorn ter passado pelo Masterplan... Mas, no futuro, eu adoraria ter minhas pequenas participações... De qualquer forma, ao vivo eu canto um monte de harmonias.

RtM: O Masterplan acabou de lançar "Novum Initium", o que esse álbum difere dos lançamentos anteriores? E como está sendo a recepção por parte dos fãs?

RG: Tem um som pouco mais direto e moderno para o meu gosto, e também foi mixado por mim... Mas nas composições nós não queríamos tomar um caminho diferente... Eu escrevi a maioria das músicas com Axel enfim... Como nos álbuns anteriores.

RtM: "Novum Initium" marca um novo recomeço para banda, poderia nos falar o que as letras do álbum abordam?

RGNós ainda queremos manter a energia positiva do Masterplan, sempre enviando esperança, nós gostamos de ser críticos também às vezes, mas nunca somos negativos!



RtM: Já se passaram 13 anos desde sua saída do Helloween, você mantém algum tipo de contato com os músicos? Em meio a esse tempo, nunca rolou alguma oportunidade de Masterplan e Helloween tocarem juntos?

RG: Eu não tenho qualquer contato com o Helloween, eu acho que eles ainda são negativos quanto a mim... Eu os procurei muitas vezes, mas não obtive nenhuma resposta até agora... Isto não é mais problema meu ;).

RtM: Ainda sobre sua época no Helloween, muitos dizem que os álbuns "Better Than Raw" e "The Dark Ride" são como um pré-Masterplan, você concorda com isso?

RG: Para mim só o "The Dark Ride" é um pré-Masterplan... Naquele período de gravação eu mudei muito, pois trabalhei juntamente com Roy Z, e devo dizer que "The Dark Ride" é muito legal, fico orgulhoso de  ter deixado um álbum tão forte.

RtM: Certamente uma das duplas mais pensantes em termos de composição do Power/Melódico dos anos 90 e começo dos 2000, foi você e o baterista Uli Kusch, onde criaram grandes hinos no Helloween e lançaram dois álbuns juntos no Masterplan que são verdadeiros clássicos do estilo. Porem a saída de Uli chocou os fãs, pois ninguém esperava tamanho acontecimento, vocês mantem algum tipo de contato hoje em dia? E devido a todas as mudanças de baterista no Masterplan, você pensou em algum momento em chama-lo de volta?

RG: Não, eu devo admitir que Uli é um grande músico e baterista, mas como amigo, digo que não quero mais trabalhar com ele... Ele está fora dos negócios de qualquer maneira.



RtM: Como você chegou a esse novo line-up? Que critérios você tinha em mente quando contatou Jari, Rick Altzi e Martin Skaroupka? Acredito que a diversidade tenha sido um deles, pelo background de cada um dos novo integrantes, já que o Martin, por exemplo, além de trabalhar como músico de estúdio, passou por bandas como Mantas e Cradle of Filth.

RG: 1° procurando. 2° tinham que ser grandes músicos. 3° tinham que ser também grandes pessoas... Você não criará nada de bom por longo prazo ou período ao lado de ego maníacos...

RtM: Mais especificamente sobre Rick Altzi, acredito que a escolha foi perfeita, até pelas influências dele, que vem muito dos anos 70 e 80 (é fantástico ouvir ele cantar músicas na linha de Whistesnake, Rainbow...), assim como as suas, tendo também como uma de suas bandas preferidas o Toto. Gostaria que você comentasse um pouco sobre essa parceria com Rick, que, além de um ótimo vocalista, também escreve ótimas letras.

RG: Rick é a pessoa mais realista e sensata que você pode imaginar... Eu amo trabalhar com ele... Ele ainda é capaz de ouvir e aprender com a minha experiência. Eu realmente já estou olhando para o próximo álbum, e eu estou feliz que ele era um grande fã de Masterplan, o que significa que ele realmente está feliz e orgulhoso de ser um membro da banda agora.

RtM: Ainda sobre influências dos anos 70, Axel Mackenrott ama o som do Hammond, muito presente em bandas clássicas como Deep Purple e Uriah Heep. Fale um pouco também sobre ele e o que ele traz e ainda pode trazer ao som do Masterplan (particularmente, os Hammonds presentes nas novas músicas deram um tempero muito especial).

RG: Axel é o meu melhor amigo e também meu "parceiro no crime"... Ele pegou a parte que Uli tinha tempos atrás no Masterplan, eu escrevo muitas músicas com Axel, e arranjamos todas as canções juntos... Eu realmente posso confiar nele como um irmão e um grande amigo... Isso não é sobre dinheiro ou fama! 

Nós todos amamos os anos 70, mas não mostramos tanto isso no Masterplan até agora... Mas quem sabe? Talvez possamos fazer algo muito drástico no futuro??




RtM: E quais suas expectativas para esse “Novum Initium” do Masterplan? Você acredita que esse line-up conseguirá ter uma longevidade capaz de colocar a banda em um patamar mais elevado?

RG: Sim, temos um grande sentimento de amizade entre nós. Nós estamos fazendo mais shows do que nos últimos 10 anos... Eu estou muito otimista!

RtM: Algo que ficou bem evidente nesses últimos anos foi sua decepção com o vocalista Jorn Lande, e em uma recente entrevista sua ao  webzine Myglobalmind.com, você menciona que "Jorn nunca fez nada pela banda". Você poderia nos falar mais a respeito, pois a visão que temos que Jorn acabou de um certo modo "prejudicando" o Masterplan em sua trajetória.

RG: Eu não gosto de falar sobre o Jorn... Ele é um grande cara e de qualquer maneira, ainda é meu amigo, mas ele ama somente a si mesmo e somente sua banda solo... Nada que eu pudesse mudar... Desejo-lhe toda a sorte e espero que ainda podemos tomar uma cerveja juntos no futuro!



RtM: O Direcionamento musical, parece que está mais pesado e soturno, também lembrando essas influências dos anos 70 e 80. Essa seria a sonoridade que você acredita ser a mais natural para o Masterplan? Desde o primeiro álbum podemos encontrar músicas mais pesadas, diretas e soturnas, e acredito que são os melhores momentos do Masterplan, sempre gostei desse lado mais pesado e menos “Melodic/Power” da banda.

RG: São dois corações em mim. O pesado... Com sangue nos olhos e também algo que eu amo tipo heróis e feridas... Eu amo isso... Eu nunca gostei de compor somente em uma direção, música é sentimento pra mim... E eu tenho muitos sentimentos... Baladeiros, ou felizes ou progressivos... E happy Metal... Como... Como Helloween! (N. do R.: "Happy happy Heloween, Heloween, oh oh oh...).

RtM: Sobre as músicas do novo álbum, você poderia comentar a respeito de algumas delas, as que você acredita que terão um maior impacto, ou quais você aposta que cairão mais no gosto dos fãs e porque?

RG: Hum isso é sempre uma questão de gosto... Eu amo "Keep My Dream Alive", "Black Night of Magic", "Novum Initium" e "The Game", "Betrayal"... Vamos tocar todas ao vivo na próxima turnê ;).



RtM: Roland foi uma honra para nós poder entrevistar um dos músicos mais influentes da cena metálica, deixo o espaço final a você.

RG: Obrigado, eu estou feliz em dizer que estamos de volta e fazendo tours novamente... Espero ver todos vocês em breve!

Muito obrigado a todos os nossos fãs!
Roland.

Entrevista: Renato Sanson/Carlos Garcia

Revisão/tradução: Renato/Carlos
Fotos: Divulgação

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Interview: Roland Grapow After the Storm


(Confira a entrevista em Português)

After leaving Helloween, Roland Grapow founded the band Masterplan, which, with a great line-up, with musicians who had a large experience and also blunted as big names for a new generation, as the vocalist Jorn Lande, it raised the band to a condition of a  possible new "super-group" and great promise, generating high expectations. The debut album was very well received, but, after this good start, the results did not reach the posterior expectations generated, and due to internal conflicts, comings and goings of members, the group was losing ground.


However, now with a new and refreshed line-up, the band released "Novum Initium", and as the name suggests, they intend to catch up and raise the Masterplan to the level expected in its foundation. We talked with Roland Grapow to know about your expectations about this "new era", and some issues, where we realize that many edges with former teammates were not trimmed. Check it out!


Road to Metal: Roland, one curiosity, in 1997 you released your 1st solo album, the excellent "The Four Seasons of Life", where you also was the lead singer in the midst of all these changes in the Masterplan, have you thought about taking the vocals in the band final?

Roland Grapow: ;) You know… I love to sing, but i could not take the pressur e after such a great singer like Jorn to sing for Masterplan alone… But in the future i love to have my small parts… Live i sing a lot of harmonies  anyway.

RtM: The Masterplan has just released "Novum Initium", which this album differs from previous releases? And as this is the reception from the fans?

RG: It has a little more direct or modern sound for my taste, it is this time also mixed by me… But songwriting we don't want to have a different path... I wrote most of the songs with Axel anyway… Like all the years before.

RtM: "Novum Initium" marks a new beginning for the band, please tell us what the album's lyrics deal?

RG: We still want to keep the positive energy of Masterplan, always sending hope, even we like to be critical sometimes, but we are never negative!



RtM: It's been 13 years since his departure from Helloween, you maintain some kind of contact with the musicians? Amidst this time, never rolled any chance of Helloween and Masterplan play together?

RG: I don't have any contact with Helloween, i guess they are still negative against me… I searched many times the contact, but no response so far… It is not my problem ;).

RtM: Still on his time in Helloween, many say that the album "Better Than Raw" and "The Dark Ride" are like a pre-Masterplan, do you agree with that?

RG: For me only the "The Dark Ride" is a pre Masterplan… At that recording and period i changed a lot, because i worked with Roy Z very close together and i must say "The Dark Ride" is really cool, i am proud that i left after such a strong album.

RtM: Certainly one of the doubles more thinking in terms of composition of Power/Melodic 90s and early 2000s, it was you and drummer Uli Kusch, which created great hymns in Helloween and released two albums together in the Masterplan which are true classics style. However the output of Uli shocked fans because nobody expected size event, you keep some kind of contact today? And because of all the changes in the Masterplan drummer, you thought at some point in calling him back?

RG: No i must admit Uli is a great musician and drummer, but as a friend i don't want to work with him anymore..he is out of business anyway.



RtM: How did you come to this new line-up? What criteria did you have in mind when contacted Jari, Rick Altzi and Martin Skaroupka? I believe that diversity has been one of them, the background of each of the new members, as the Martin, for example, in addition to working as a studio musician, also played with bands like Cradle of Filth and Mantas.

RG: I just search 1. For great musicians and 2. For great people… You are not creating anything good for a long term or period with ego maniacs...

RtM: More specifically about Rick Altzi I believe the choice was perfect, even by his influences, well as yours, which comes much of the 70s and 80s, (it's fantastic to hear him sing songs in the vein of bands like Whistesnake, Rainbow...), and one of his favorite bands is Toto, also one of yours favorite. Would you comment a little bit about this partnership with Rick, who, along with a great vocalist, also writes great lyrics.

RG: Rick is the most down to earth and niecest guy you can imagine… I love to work with him a lot… He is still able to listen and to learn from my experience. I am really looking for the next album already… And i am glad he was a big Masterplan fan even before, which means he really is happy and proud to be a member of this band now.

RtM: Still on '70s influences, Axel Mackenrott love the sound of the Hammond, very present in classic bands like Deep Purple and Uriah Heep. Tell us a little about the contribution that Axel brings and can still bring to the sound of the Masterplan in the future (by the way, the hammond present the new songs have brought a very special sauce).

RG: Axel is my best friend and also partner in crime… He took the part Uli had long ago in Masterplan, i write many songs with Axel together and we all arrange all the songs together… I can really trust him as a brother and a great friend… That is not about money or fame! We all love the 70tes, but not showing it too much in Masterplan till now… Who knows? Maybe we do something very drastic in the future???



RtM: And what are your expectations for this "Novum Initium" to the Masterplan? Do you believe that this new line-up will be able to have a longevity able to put the band on a higher level?

RG: Yes we have great feelings and friendship right now. We do more shows already than the last 10 years... I am very positive about it!!!

RtM: Something that was evident in these last years was his disappointment with vocalist Jorn Lande, and in a recent interview at his webzine Myglobalmind.com you mencioa that "Jorn never turn anything by the band." Could you tell us more about it because we have the vision that Jorn just a certain way "harming" the Masterplan in its path.

RG: I don't like to talk so much about Jorn… He is a great guy and somehow still my friend, but he loves himself only and his solo band… Nothing i could change… I wish him all the luck and hope we still drink a beer together in the future!

RtM: Targeting The musical, seems to be more heavy and darker, also remembering those influences of '70s and '80s. That would be the sound that you believe to be the most natural for the Masterplan? Since the first album we can find songs heavier, more direct and more darker, and I believe are the best moments of the Masterplan, always liked that band’s side, more heavier and less "Melodic/Power".

RG: They are 2 hearts in me. The heavy one... Like bleeding eyes and also the one i love is like heroes and wounds… I love that… I was always like to write not only in one direction. Music is feeling for me... And i have many feelings sometimes balladesk or happy or progressive… and happy Metal like… like Helloween.



RtM: About the songs on the new album, you could comment on some of them, those that you believe will have the greatest impact, or which you bet that more will fall the fans preference and why?

RG: Hum it is alway a matter of taste... I love "Keep My Dream Alive", "Black Night of Magic", "Novum Initium" and "The Game", "Betrayal"… And we play all live as well on the next tour ; ).

RtM: Roland was an honor for us to interview one of the most influential musicians of the Metal scene, I leave you with the final space.

RG: Thanx a lot and i love to say that i am very happy that we are back and touring again… I hope to see you all soon!

Thanx to all our fans!
Roland.


Interview: Renato Sanson/Carlos Garcia
Review: Renato/Carlos
Photos: Disclosure

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