Justiça seja feita: qual outro festival acontece anualmente a quase uma década no interior do Rio Grande do Sul vencendo as adversidades que a música pesada encontra no país?
Só por isso o Na Mira do Rock, que acontece dia 19 de outubro em Frederico Westphallen/RS (norte do estado), já tem tudo para ser, mais uma vez, um grande sucesso.
Motorocker é a principal atração da 9º edição do festival
E esta nona edição, que acontece na Ecco Eventos, capitaneada pelo organizador Luiz Carlos, o Fuga, figura indispensável na cidade e região pelo trabalho que tem desenvolvido em prol da música pesada, não poderia ser mais especial. Acontece que o Fuga decidiu trazer uma atração muito desejada pelo público, que é a Motorocker, direto de Curitiba/PR, que será e headliner desta edição. Além disso, a filosofia desta edição foi trazer novamente ao palco alguns grupos que marcaram história nas edições anteriores, como a galera da Cartel de Cevada (Porto Alegre/RS) e Encéfalo (Fortaleza/CE), que tocaram na 7º e 8º edição, respectivamente.
Heavy Metal bem representado
Mas há, claro, debutantes no festival, que sempre ofertou variedade de gêneros, sempre dentro do Rock e Metal, claro. Sendo assim, a Save Our Souls, de Porto Alegre/RS, trará seu Metal Sinfônico com vocais femininos de Melissa Ironn e divulgando seu novo trabalho; do lado mais tradicional, estreia Bravery Branded (Torres/RS), sempre presente no programa Na Mira do Rock aos domingos e a vencedora local da seletiva Áudio Etílico.
Festival valorizando a cena local com banda da cidade marcando presença
Sempre menciono, quando tenho oportunidade, a qualidade dos eventos realizados na cidade de Frederico Westphallen, cuja qual gosto muito e temos grandes amigos e apoiadores do Road to Metal. Uma forma de retribuir o carinho e o espaço é novamente estarmos apoiando o evento e, desta vez, levando maior número de brindes para sorteio ao público.
Não se perca do calendário e agende-se para conferir este super evento. Informações adicionais no cartaz oficial acima. Nos vemos lá! o/
Grupo multinacional anuncia novo vocalista e planos para 2014
Uma das grandes promessas do chamado Melodic Metal do ano passou por uma grande baixa, com a saída do vocalista Humberto Sobrinho (Glory Opera, ex-Hangar), após gravar “Flight or Fall” (2013) e um DVD (este ainda não lançado). Segundo informações, Humberto estaria mais interessado em outros rumos para sua carreira.
Mas o grupo de Garry King (bateria), Paul Jupe (guitarra) e Cia não se abalou e já anuncia seu substituído, o também brasileiro Rod Rossi (ex-Thorn).
Rod Rossi, brasileiro, já grava com a banda em estúdio
Com o time completo mais uma vez, a banda segue divulgando seu trabalho, com o segundo single “Eternity” já gravado pelo novo vocalista que, aliás, foi escolha unânime dentro da banda, segundo comunicado oficial do grupo: “Rod deu à banda um toque muito moderno, estilo europeu, ele tem um verdadeiro espírito de equipe além de ser um grande intérprete, algo que o grupo realmente aprecia e que dá a certeza de que os shows da Achillea vão ser uma experiência incrível”.
Além disso, a banda promete para o próximo ano série de grandes shows e o segundo trabalho, tentando manter a boa fase obtida com “Flight or Fall” e agora tendo um novo frontman. Vamos aguardar e conferir como Achillea se apresentará.
Desesperador, horripilante e destrutivo. É isso que você irá encontrar no 3° disco da banda cearense Facada, que lançou neste ano via Black Hole Productions o indigesto "Nadir".
Se antes a banda fazia um Grindcore pútrido e veloz, neste novo trabalho conseguiu romper essa barreira, e soa ainda mais agressiva e rápida, e como de costume, suas letras continuam em português e certamente aterrorizam muitas mentes por ai.
Uma gravação suja e pesada, a impressão que dá que o álbum é ao vivo, tamanhã a energia que emana. A banda formada por James (Baixo/Vocal), Dangelo (Bateria), Danyel (Guitarra) e Ari (Guitarras), não tomam conhecimento da brutalidade, com certas inserções de Black Metal, os riffs são cuspidos e cortantes, a bateria de Dangelo é extremamente veloz e as vocalizações de James são vomitadas, pois mesmo cantado em português é difícil entender as letras até mesmo com o encarte em mãos.
Com 20 músicas e um pouco mais de 25 minutos, a podridão impera e faixas como "Deus de Carne", "O Fim do Homem", "Amanhã Vai Ser Pior", "Nadir", O "Tempo Será Teu Humilhador" e "Corumbá, Hippie do Inferno" mostrarão a você que a barreira entre o Grindcore e o Black Metal não foi quebrada, mas sim destruída!
A parte gráfica do trabalho também é excelente, toda em papel fosco, com um encarte bem completo e uma capa enigmática, que surge um rosto sinistro dependendo do modo que se olha.
Simplesmente brutal, aos adoradores dos primórdios de Carcass e Napalm Death, aí está uma banda que rompe aquelas barreiras e transforma tudo em música extrema de qualidade.
Apesar de já ter certa experiência em apresentações ao vivo e um EP aclamado pela crítica lá em 2006, a Hevilan ainda é uma banda novata e pouquíssima conhecida (particularmente, nunca ouvira falar).
Ao invés do grupo lançar algum material mediano, só para mostrar que “está vivo”, resolveu vir com tudo no seu álbum de estreia que, com nome sugestivo de “The End of Time” (2013), faz um estardalhaço, investindo pesado para produzir um disco digno de ser lembrado como um dos melhores lançamentos dos últimos anos.
Embora pareça exagero de redator, ao ouvir dezenas de vezes o álbum, a certeza só se solidificou de que, sim, Hevilan tem uma poderosa arma de divulgação em massa, pois acertaram absolutamente em tudo: desde a sonoridade (um Power/Heavy Metal pesado, lembrando Firewind, Symphony X, Symbolica, etc.), a produção (à cargo de Adair Daufembach, Brendan Duffey e Adriano Daga), material de divulgação (edição digipack, altíssima qualidade) e, para carimbar e mostrar que os caras não estão pra brincadeira, Aquiles Priester (Hangar, ex-Angra) gravou a bateria e irá excursionar com a rapaziada.
Além de toda qualidade sonora, banda fez questão de lançar o álbum em versão digipack de luxo
São 9 faixas inéditas (e a regravação de “Blinded Faith”, do EP de 2006) que trazem uma banda sem insegurança, ousada, mas sem deixar para trás a essência do gênero que escolheram, afinal, são muitos riffs rápidos, solos cortantes e afiados, vocais poderosos e agressivos (não confundir com guturais), refrãos grudentos e uma bateria digna de um dos melhores trabalhos do Polvo.
“Regenis” já começa quebrando tudo (nada daquelas introduções bobinhas de outras bandas do gênero), mostrando um grupo maduro, agressivo e técnico, mas com muito feeling (destaque para as guitarras de Johnny Moraes); “Shades of War” começa com o poderoso vocal de Alex Pasqualle (estou curioso para saber se ao vivo consegue detonar como em estúdio); “Minus is Call” é bem cadenciada, música pronta para o headbanging; “End of Time” dá uma quebra no ritmo com seu início com sinos, mas logo é retomada como uma das mais pesadas do disco, perdendo nesse quesito apenas para “Desire of Detruction”, disparada a melhor faixa do álbum (porrada atrás de porrada, com Pasquale mostrando que tem tudo para se tornar uma referência na cena nacional).
Aquiles Priester abrilhanta bastante a cozinha da banda, afinal, considerado o melhor baterista do Brasil por 12 anos consecutivos e reconhecimento mundial, tanto entre músicos quanto entre fãs das bandas pelas quais tocou ou toca. O Polvo faz um trabalho impecável e quase dá para imaginá-lo executando as faixas ao vivo, pelo feeling que podemos sentir e que lhe é característico. Bom, “Son of Messiah” está aí para provar isso.
Uma das capas do álbum de estreia
A parte sinfônica não é esquecida, sobretudo na pesada “Sactum Imperium” e “Dark Throne of Babylon” e a banda foi inteligente trazer um lado mais emocional (menos agressivo) em “Loneliness”, que fecha o disco (desconsiderando a faixa bônus) e que traz nada menos que um quarteto de cordas (composições do baixista Biek Yohaitus).
Aliás, participações especiais marcam o álbum, pois além das já citadas, temos Vitor Rodrigues (Voodoopriest, ex-Torture Squad) emprestando seus guturais em três faixas e a soprano Adriana Navarro em “Son of Messiah”.
Ufa, depois de linhas e mais linhas, só resta dizer o seguinte: se justiça for feita, você vai ouvir falar muito (e bem) da Hevilan depois de “The End of Time”. A banda chegou para ficar.
O baixista e vocalista Marcelo "Reverendo" Rossi, ex-Exxotíca e atualmente na banda Reverendo, fugiu um pouco dos seus trabalhos como músico para dirigir e produzir um filme contando a história do Rock brasileiro, batizado com o nome de "50 anos do Rock Brasileiro", prestes a ser lançado em janeiro de 2014.
Na entrevista a seguir, o músico conta detalhe e com exclusividade do que irá ter nesse registro para o Road To Metal. Confira!
Road to Metal: Como surgiu a ideia de dirigir e produzir o filme "50 anos do Rock Brasileiro"?
Marcelo: A ideia foi porque percebi, como músico, que o Rock brasileiro estava muito esquecido pelos fãs e pela mídia. E isso eu achava um absurdo (e acho até hoje), porque são pessoas que estão ai dando sangue e fazendo arte de qualidade, e por conta dessa “doce” invasão gringa, todo mundo parece que esqueceu, fica alucinado e só quer saber do pessoal de fora, esquecendo que nós brasileiros fazemos Rock de muita qualidade também. A percepção e a ideia de fazer esse filme vem por conta dessa revolta interna, que começou com os fãs por terem colocado o Rock brasileiro de lado, na minha opinião.
"Não espero recompensa nenhuma, eu só estou fazendo o que acho que é minha obrigação"
RtM: E como esse filme será abordado?
Marcelo: O filme começa com o pioneiro, que irá ter uma narrativa, com muitas cenas de bastidores, shows, cartazes, fotos e depoimentos. Ele será dividido em três partes: dos anos 50 e 60, que foi o início de tudo; os anos 70 e 80, que foi o grande auge do Rock brasileiro; e os 90 e 2000, que foi a mudança e os novos estilos.
RtM: Sempre tem um planejamento antes de começar a dirigir um filme. Como foi esse processo?
Marcelo: O processo foi longo, porque eu não conseguiria fazer isso sozinho, por mais que eu seja um Videomaker com uma certa ousadia e determinação, esse é o tipo de coisa que não se faz sozinho: tem que ter parceiros, pessoas que trabalham com você e a boa vontade dos músicos. E eu percebi que demandaria muito tempo pra fazer isso, e venho tentando fazer isso desde 2010 quando eu escrevi um projeto, contratei um consultor que o escrevesse para ser aprovado pela Secretária da Cultura de São Paulo. Todo esse custo que teria ao fazer isso eu precisava de verba de renuncia fiscal, afinal é um interesse de todos resgatar a memória e os valores do nosso Rock. Então eu fui atrás do ProAc pra escrever um projeto com os custos lá em baixo, realmente lá no chão. E depois de dois anos, eu consegui a aprovação. Conseguindo a aprovação do ProAc, eu demorei mais um ano pra conseguir patrocinadores: a Max Del, que é uma empresa de parafusos. Não tem nada a ver com Rock N' Roll, mas aceitaram em fazer o aporte financeiro do nosso projeto. E também tem mais dois patrocinadores, que é uma empresa de cortinas, tapetes e carpetes chamada Chikitita, e outra empresa de móveis chamada Bonatto.
"Você tem que ter um tipo de análise e o senso crítico de ver a banda ao vivo, ver o clipe, ouvir uma música e falar se é bom ou se é ruim"
RtM: Quais são as personalidades que estarão presentes no filme? E qual foi a melhor pessoa que você recepcionou?
Marcelo: Não tem melhor, cada um tem sua história. Não tem história melhor ou pior que a outra, só são histórias diferentes. A gente começa no final dos anos 50 com o pioneiro de tudo, um cara pré-beatle. O nome dele é Sergio Beneli Campello (nome artístico Tony Campello). Ele começou tudo, veio de Taubaté e vai narrar detalhadamente como foi o processo. Ele chegou a São Paulo, encontrou um produtor, uma gravadora... A gente vai passar também por outras personalidades dos anos 60, como Albert Pavão, que foi músico e biógrafo do Rock brasileiro naquela época; Netinho, dos Incríveis. Depois a gente sobe pros anos 70, que tem bastante gente como Sergio Hinds (O Terço), Oswaldo Vecchione (Made In Brazil), Rolando Castello Junior (Patrulha do Espaço), Pedrão Baldanza (Som Nosso de Cada Dia), Gerson Conrad (Secos e Molhados); Nos anos 80 tem o Fernando Deluqui (RPM), Roger Moreira (Ultraje A Rigor), Marcelo Nova (ex-Camisa de Vênus), Clemente Nascimento (Inocentes e Plebe Rude), Paulo Thomaz (ex-Harppia, ex-Firefox, Baranga e Kamboja), Walcyr Chalas da Woodstock Discos... Depois passamos pela as fases mais atuais com o produtor Paulo Anhaia, que foi braço direito do Ricky Bonadio, a Luka Salomão da 89 Fm, Gastão Moreira que foi do Fúria Metal da MTV, Luciano Piantoni da Rock Brigade... Ainda estamos tentando colocar mais pessoas. O elenco está formidável, que está em torno de quarenta pessoas.
RtM: Bem legal. Sendo que o filme será bem completo e resgatando todas as vertentes do Rock brasileiro de cada década, como ele irá servir para o tele-espectador assistindo esse documentário! Você pensa num tipo de recompensa?
Marcelo: Não espero recompensa nenhuma (risos), eu só estou fazendo o que acho que é minha obrigação. Eu também faço parte desse movimento, embora tenha uma aproximação muito menor do que muitos que estão ai, mas eu acho que é uma obrigação nossa de resgatar nossas memórias e nossos valores. Eu espero que as pessoas que, ao assistirem o filme, deem-se em conta do que elas estão deixando pra trás em prol dos gringos que estão vindo. E nunca estão vindo na sua melhor fase. A gente sabe que muitas bandas que estão aportando aqui no Brasil hoje já não são mais bandas de verdade, elas vêm por conta do dinheiro que ganham com turnê e venda de merchandising, mas agora não é mais banda e nem artístico. Foram no passado, mas atualmente não são mais. Eu vejo o pessoal muito ansioso pela volta do Black Sabbath, mas a volta da banda não tem conteúdo artístico nenhum. Lançaram um disco que é muito bom, mas infelizmente a grande fase do Black Sabbath a gente não viu, quando a banda era banda mesmo. O que estamos vendo é o que sobrou. Podem até discordar, mas é a realidade.
RtM: Já que o filme fala de Rock brasileiro, como você enxerga a atual cena nacional nos dias de hoje?
Marcelo: Eu vejo esparsa! Eu vejo uma ou outra banda que tem apoio de mídia e que consegue público, e o público vai muito no que está na mídia. Parece que perderam a racionalidade de procurar e analisar o que é bom e o que não é. Eles precisam de alguém da mídia que manipula pra dizer se é bom. E isso é muito triste, feio e chato! As pessoas perderam a personalidade de analisar por si própria se uma banda é boa ou não. Isso me deixa preocupado. Você tem que ter um tipo de análise e o senso crítico de ver a banda ao vivo, ver o clipe, ouvir uma música e falar se é bom ou se é ruim. E o público brasileiro perdeu isso completamente. Eu espero que o filme sirva pra abrir os olhos de todas essas pessoas, que é a minha missão.
RtM: E quando o filme vai estar disponível pra gente poder ver e conferir?
Marcelo: Final de janeiro ele vai estar disponível no Youtube, já criamos o canal com o trailer disponível. O filme vai ser chamar "50 anos do Rock Brasileiro", que também é o nome do canal do Youtube. Nele vamos disponibilizar as três partes do filme e alguns depoimentos na integra que serão disponibilizados com o correr do tempo. A gente acredita que até março ou abril já tenhamos tudo isso no Youtube. O filme com certeza até o final de janeiro, mas os depoimentos na integra até o final de março ou comecinho de abril.
RtM: Muito obrigado pela atenção. Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores?
Marcelo: Enchem suas vidas com Rock N' Roll e prestem atenção no filme, porque tem muita gente boa e não precisa apenas se voltar para os gringos.
Certamente um álbum que foi muito aguardado, desde 1979, quando a banda demitiu Ozzy devido aos problemas com seus vícios, pouco tempo após o lançamento de "Never Say Die" (09/1978), sendo que as próprias gravações do último, até agora, álbum com o Mad Man nos vocais e último com a formação original, quase não aconteceram, já que a banda tinha chegado a desistir do vocalista após a tour do "Technical and Ecstasy", e após algumas reuniões, sempre seguidas de esperança de lançamento de um novo álbum com a formação original, e ver se a magia que aquele grupo que simplesmente inventou o Heavy Metal (sim, eles são os principais "culpados", talvez não os únicos, mas os principais) poderia ser revivida.
Pois bem, não é que ano passado foi finalmente anunciado que teríamos um novo álbum, trazendo Ozzy nos vocais, mas infelizmente, ainda não trazendo toda a formação original.
Por problemas que todos sabem, Bill Ward não entrou em acordo, pois não aceitou que o quinhão maior fosse para as mãos de Ozzy, ou seja, os mesmos motivos que impediram outras reuniões, e também que o último álbum de inéditas do Sabbath fosse "The Devil You Know", do Heaven & Hell, lançado e 2009, com a formação clássica da era Dio, ao invés de "Forbidden", de 1995.
Pois bem, muita expectativa cercou o novo álbum, e "13" chegou, alcançando resultados excelentes em termos de vendas e uma tour de sucesso que ainda segue durante os próximos meses, ou seja, todos os envolvidos souberam muito bem promover o acontecimento, a volta da banda com quase toda sua formação original, além do que foi muito bom ver toda a atenção que o nome Black Sabbath recebeu, até da imprensa não especializada, pois a instituição merece todo esse respeito e reconhecimento. Uma coisa que não podemos negar é que o pessoal que conduziu tudo isso, entende de negócios.
E o que realmente importa? A música. Bem, começando com a produção, escolheram um dos "queridinhos" da cena, Rick Rubin, que produziu inúmeros artistas, não só dentro do Metal (nesta área, começou a ganhar notoriedade após a produção do Reign in Blood), e o álbum soa cristalino e redondo, mas aí é o principal elemento que me incomodou logo de início. Se o álbum possui uma produção limpa, moderna, coisa que na época dos primeiros clássicos não era possível, ele perde na pegada, não tendo aquela "sujeira", não soa "visceral" o suficiente. Resumindo, não parece espontâneo. A banda e equipe se concentraram e fazer que o Sabbath soasse como o Sabbath, se é que você e entende. Ou seja, parece tudo redondo demais, pasteurizado demais.
Que fique claro que não achei o álbum ruim, de maneira alguma, é um disco acima da média, mas falta espontaneidade. Ouvi bastante o álbum, a fim de assimilar bem, tecer uma opinião segura e se pressa, para não cometer nenhuma injustiça, e confesso que demorei a assimilá-lo.
Não sei se o álbum soa assim pela ânsia de não correr o risco de decepcionar, ou fugir da sonoridade dos álbuns clássicos, ou simplesmente ele é um pouco frio porque foi "pensado" demais, foi tratado como um "produto".
A formação original nos anos 70
"13" tem peso, os riffs e timbres da guitarra de Iommi estão ali, aquele "gravão", possui boas músicas, Ozzy está soando bem (mérito para a produção), o baixo de Geezer segue vibrante, e o baterista convidado, Brad Wilk (Audioslave, Rage Against the Machine) fez um bom trabalho, tentando manter aquele som característico da cozinha "sabbática" (mais um detalhe que também ajuda nessa certa frieza das músicas), inclusive com umas viradas bem parecidas com as de Bill, mas não é o Bill, pode até ser mais técnico, mas eu preferiria então Vinny Appice, pela ligação com a banda e pelo estilo (e, por coincidência, Vinny nasceu em 13 de setembro de 1957, sabe o que isso significa? Cartas para a redação!).
O intento foi alcançado, ou seja, apesar da falta de espontaneidade, o álbum realmente soa como uma continuidade da primeira era do Sabbath, é um trabalho digno da discografia, e agradou. Sim, podemos identificar muita coisa similar a outras músicas da banda, riffs, bases, andamentos e linhas vocais que soam bem familiares, quase um "best of".
A abertura com "End of the Beginning", lembra de cara a "Black Sabbath", com seu começo arrastado e tétrico, depois entra aquele riff cortando para uma parte mais rápida mas não consegue ser tão assustadora como a original. "Zeitgeist" é tipo uma nova "Planet Caravan", com aquele ar psicodélico e viajandão. O pesado "bluesão" de "Damaged Soul", que tem coisas de "Fairies Wear Boots" e "The Wizard" (a harmônica, inclusive), e é a faixa que mais curti, seguida de perto de "Pariah" (que, inclusive, é uma que me soou mais quente e viva que as demais).
Uma das reuniões da formação original , 2011
Mas ok, eles podem se repetir, com certeza o álbum também foi preparado para causar impacto na nova geração (produção moderna, parte gráfica muito bem montada, assim como a divulgação), para que eles saibam como é o Heavy Metal, e não confundam com aquilo que Avenged Sevenfold, Slipknot e outros fazem, ou seja, mesmo não tendo aquela pegada e impacto dos clássicos, eles dão de relho em todas essas bandinhas modernosas.
Não vou ficar aqui dando uma de crítico mala, e apontando qual passagem ou música se parece com essa ou aquela outra, afinal, sou só um fã de Metal, e como disse, "13" é um bom álbum, e até acima da média, e não alcançou os resultados que vem tendo somente por toda a excelente produção e marketing que o envolveu, ele deixou os fãs felizes e voltou os olhos de muitos outros fãs da nova geração. E temos aí 11 faixas bem uniformes (contando com as que estão na versão dupla do álbum), se nenhuma é um novo clássico bombástico, não tem nenhuma nova "Paranoid", "Children of the Grave" ou "Sabbath Bloody Sabbath", são boas faixas, novas músicas dos pais do estilo, e acredito que todos saímos ganhando.
Anos 70!
Então, não tem problema se "13" soa um tanto "certinho" e "pensado" demais, ou se eles se repetem e as músicas lembram os clássicos de outrora, ou se Ozzy e Sharon estão enchendo o rabo de grana, só o fato de colocar o nome da banda novamente em destaque, de mostrar para as novas gerações como se faz Metal, já coloca "13" como um dos álbuns do ano, e deve ser reconhecido como um marco, por reunir novamente Iommi, Geezer e Ozzy. E as novas músicas ganharam, e ainda ganharão, mais força ao vivo, soando uniformes com os petardos setentistas, e de quebra, ainda tem os méritos por recuperar Ozzy, pois esse disco é a melhor coisa dele em anos.
Torcemos agora pela saúde de todos, principalmente do mestre Iommi, e que eles tenham força para mais álbuns, e, com a tranquilidade que eles desfrutam agora, depois da pressão de ter de conceber um novo álbum da instituição que é tida como a criadora do Metal, com certeza o que pode ter faltado agora, vai estar presente no próximo trabalho.