terça-feira, 5 de junho de 2018

Ghost: Teatralidade e Ousadia Rumo ao Mainstream





Muitos ainda não aceitam muito bem a bem-sucedida carreira do Ghost, pessoalmente acho que é mais por picuinhas conhecidas e retrógradas do cenário Metal, que não lidam muito bem quando uma banda alcança um certo patamar ou o mainstream. Para esses eu pergunto: “Você quer que sua banda preferida não saia do underground? ”. Para os que simplesmente não se agradam da sonoridade ou temática, ok, normal.

Fato é que, você gostando ou não gostando da banda, seja qual sua razão, o que não pode ser negado é a impressionante ascensão do grupo, alcançando admiradores inclusive de outras bandas, que fazem questão de exibir camisetas da banda e até de participar como convidados, e, reza a lenda, muitos membros de bandas famosas já subiram ao palco ou tocaram em álbuns do Ghost.

Essa aura misteriosa que cerca o grupo, a temática satanista, as máscaras e o “segredo” das identidades dos integrantes, embora não seja mais tão segredo assim, são elementos que, somados a sonoridade inspirada nos anos 70 e 80, e uma capacidade louvável de criar músicas com melodias que prendem, mesmo que por vezes soem até clichês. E nesse visual e temática é que reside outra vitória, pois é interessante ver uma banda com essa conotação alcançar um patamar mais elevado.

Cardinal Copia, o "novo" frontman do Ghost
Em “Prequelle” (expressão usada para definir obra literária, dramática ou cinematográfica que relata acontecimentos anteriores de uma determinado obra, muitas vezes revelando os mesmos personagens quando eram mais novos. "dramático" e "cinematográfico", palavras que caem bem neste álbum), o novo e quarto álbum, como era esperado, o Ghost novamente “troca” seu frontman, e o Papa Emeritus III deu lugar ao Cardinal Copia, que em seu reinado também traz mudanças na sonoridade, algo que o grupo sueco também vem apresentando a cada álbum, não tendo medo buscar o novo.

“Prequelle” trata de temas em torno da morte e desgraça, com a temática em tempos medievais, porém com uma ligação à temas bem atuais. A sonoridade apresenta um Ghost mais sinfônico, num estilo por vezes meio Rock Opera, com uso maior de teclados e sintetizadores, muitos corais e com refrãos e melodias mais “grudentas” e cativantes. Podemos sentir uma linha mais anos 80 desta vez, com nuances do Melodic Rock e Rock de Arena, mas com a aura sinistra e teatral peculiar ao Ghost. E se nos hinos do Rock de Arena dos 80 as letras falavam de histórias de amor, musas e festas, Forge fala da peste bubônica, do encontro inevitável com a morte e as superstições humanas quanto ao bem e o mal.

Nos EPs “If you Have Ghost” e “Popestar”, onde a banda apresentou covers de Eurythmics, Echo & the Bunnymen e Roky Erickson, por exemplo, já corroboravam a paixão pela sonoridade 80’s e Pop.

Vamos às faixas desta macabra Opera Rock que viajou no tempo. A intro “Ashes”, com as meninas cantarolando “Ring a Ring 0’ Roses”, canção folk que, segundo a lenda, descreveria a grande praga de Londres a “Black Death”, serve como uma sinistra preparação para “Rats”, com seus riffs Heavy tradicional e coros no melhor estilo musical/opera Rock, é uma canção cheia de ganchos! O vídeo para a música também é muito bom, tipo uma paródia macabra de “Singing in the Rain”; “Faith” tem peso e pegada, lembrando o material mais antigo e mais Metal da banda.


“See the Light” é uma balada com melodias grandiosas, destacando o piano e o refrão cativante, porém com mantendo essa certa aura sinistra; “Miasma” é a seguinte, e é uma instrumental criativa. Sintetizadores remetem ao Progressivo dos anos 70 e 80, como Asia, YES e ELP, por exemplo, possuindo melodias de guitarras dobradas e os riffs de guitarras ao final são substituídos pelo saxofone, com um finalzinho com ares “noir”.

“Dance Macabre” é anos 80 total! Eu cheguei a procurar mais a fundo para ver se não era alguma cover de alguma banda dos 80 (caberia bem numa trilha de algum filme do Stallone nos anos 80). Seria heresia dizer que é uma faixa dançante? Melodic Rock extremamente cativante, refrão pegajoso, tecladinho. Tem até uma daquelas paradinhas que fica aquele gancho pra banda pedir pro público cantar junto, inclusive com alguns jogos de palavras legais: “I just wanna be, wanna bewitch you in the moonlight”.(numa canção "normal" de Melodic Rock certamente as palavras seriam "be with you", mas no estilo Ghost só poderia ser "bewitch you" )

“Pro Memoria” começa com ares bem trilha sonora com as orquestrações, para em seguida o vocal entrar acompanhado por profundas, belas e sinistras linhas de teclado. Bela e macabra balada. “Don’t you forget about dying, don’t you forget about your friend death, don’t you forger you will die”. Tem muito de Queen também neste álbum, nessas canções construídas sobre piano e voz, com essa tendência operística e sinfônica.


“Witch Image” tem um belo trabalho nas melodias cativantes das guitarras, em um andamento “soft” e que gruda na mente; “Helvetesfonster” é mais uma instrumental, onde novamente flertam com o progressivo, a qual, assim como “Miasma”, mantém o ouvinte preso, tendo várias mudanças de ritmo, muitos teclados (tem uma melodia que me lembrou a trilha da série “Stranger Things”, passando por trechos mais suaves, alguns até valseados e sinfônicos.  “Life Eternal”, a peça que encerra “Prequelle”, é também um dos pontos altos, traduzindo bem esse estilo puxado para Rock Opera do álbum, com seus arranjos sinfônicos e grandes corais.

Em algumas versões podemos encontrar faixas bônus, e uma é “It’s a Sin”, cover dos Pet Shop Boys, e não poderia ser mais apropriada para essa inclinação anos 80 do Ghost atual. E eles conseguiram deixa-la no estilo Ghost. “Avalanche”, de Leonard Cohen, original de 71, é outra, que além de ter sido nominada pela revista Rolling Stone como uma das 25 músicas mais aterrorizantes de todos os tempos, ganhou doses extras de dramaticidade.

“Prequelle” veio para levar o Ghost a um patamar ainda mais elevado, ganhar grandes arenas, mostrar que Forge e seus asseclas não vão ter medo de ousar e buscar espalhar sua macabra, teatral, criativa e cativante música a todos os inocentes e desavisados lares deste planeta. Só sei que não consigo parar de ouvir!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Ghost
Álbum: "Prequelle" 2018
País: Suécia
Estilo: Occult Rock, Classic Rock, Progressive
Selo: Spinefarm Records


Tracklist:
1. Ashes
2. Rats
3. Faith
4. See The Light
5. Miasma
6. Dance Macabre
7. Pro Memoria
8. Witch Image
9. Helvetesfönster
10. Life Eternal

     


     

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Belphegor – Blasfêmia em elevado nível técnico



O BELPHEGOR, por certo, é o maior nome do Metal Extremo da Áustria atualmente. E chegou a este patamar com muito esforço, dedicação, profissionalismo, mas, acima de tudo, qualidade em seus lançamentos.

A crueza e velocidade, habituais em seus primeiros discos, apesar de ainda permear os mais atuais, não são a tônica, pois a banda adiciona partes lentas e quedas de andamento, que deixam os sons mais quebrados e menos cansativos. Uma banda que talvez tenha seguido a mesma forma a contento tenha sido o BEHEMOTH.

É latente a brutalidade dos riffs que emanam de “Totenritual”. Helmuth é um guitarrista de mão cheia e cria riffs extremamente insanos e agonizantes, que ora flertam com o Black Metal, ora com o Death Metal; Serpenth e seu baixo são absurdamente pesados e estão no mesmo nível técnico e brutal das guitarras; a batera do disco foi gravada pelo ‘session drummer’ Simon ‘Bloodhammer’, da banda Panzerchrist, e ficou excelente, pois o cara realmente não deixou nada a dever aos bateristas anteriores e fez um trabalho arrebatador.


“Baphomet”, que abre o álbum, caracteriza toda a brutalidade da banda; “Apophis – Black Dragon” e “Totenkult – Exegesis Of Deterioration” são também alguns dos pontos altos do trabalho, pela sua complexidade, variação e climas densos; “Totenritual” encerra a bolacha como começou, lindamente. As nove músicas do álbum são parelhas no quesito qualidade, agressividade, variação e peso, conforme comentado anteriormente. O álbum traz ainda dois bônus: “Stigma Diabolicum” e “Gasmask Terror”.

A produção do álbum foi feita em três estúdios diferentes: na Áustria, na Alemanha e nos Estados Unidos; e mesmo assim o nível da mesma é elevadíssimo. 

As artes do BELPHEGOR sempre são um ponto relevante em seus trabalhos. Aqui, o responsável pela criação e layout de “Totenritual” foi Seth Siro Anton (vocal e baixo do SEPTIC FLESH), criador de artes para sua própria banda, além de bandas como Moonspell, Morgoth, Decapitated e Old Man’s Child.


O lançamento de “Totenritual”, com seu excelente resultado final, somente consolida o BELPHEGOR como uma das forças pujantes dentro do cenário extremo mundial. Não por acaso a banda tem uma carga insana de shows em suas turnês, seja em grandes festivais ou shows menores mesmo.

Mesmo que, esporadicamente, a banda se veja envolta em alguma polêmica, em virtude de sua temática blasfema e controversa (para alguns, não para este que vos escreve), o fato é que tudo acaba contribuindo para o crescimento da banda e fazendo-a criar uma música cada vez mais agressiva, caótica e ímpia. 

BELPHEGOR rules!!!

Texto e edição: Marcello Camargo

Canais Oficiais:
Site
Facebook

Lançamento: Nuclear Blast Records/Shinigami Records

Line-Up:
Helmuth  – vocals/guitar
Serpenth – bass
Bloodhammer – session drums
Impaler – session live guitar

Tracklist:
1. Baphomet
2. The Devil's Son
3. Swinefever - Regent of Pigs
4. Apophis - Black Dragon
5. Totenkult - Exegesis of Deterioration
6. Totenbeschwörer (Instrumental)
7. Spell of Reflection
8. Embracing a Star
9. Totenritual

Official music video: “Baphomet”

       

sábado, 2 de junho de 2018

Therion/Cellar Darling/The Devil: Noite Inesquecível no Carioca Club - SP (11 de maio)


No dia 11 de maio, o Therion se apresentou em solo paulistano, acompanhado pelas bandas The Devil e Cellar Darling. A casa escolhida para o show foi o Carioca Club, em promoção da EV7 Live e com apoio e assessoria da Lex Metalis, que entregaram ao público condições excelentes, culminando no espetáculo de alto nível protagonizado principalmente pelo Cellar Darling, que certamente angariou mais admiradores, e pelos donos da noite: Therion.


As Honras de Abertura: O Misterioso The Devil e a Avalanche Cellar Darling!

O primeiro espetáculo da noite inicia 20h45, ainda com um público pequeno, os integrantes do The Devil entram no palco e conseguem prender a atenção do público durante 45 minutos, com um repertório todo instrumental e com vozes pré gravadas, utilizando de recursos de visuais exibidos em um telão para complementar sua performance. Passaram sua mensagem apocalíptica com competência.


Setlist:
1- Universe
2- World of Sorrow
3- Extinction Level Event
4- Alternative Dimensions
5- Devil & Mankind
6- Illuminati

Por volta de 21h50, a segunda atração da noite, o Cellar Darling entra no palco e inicia a primeira música sem enrolação, me surpreendi com a simpatia da vocalista Anna Murphy, que interagiu com o público o tempo todo. O repertório foi um resumo do álbum de estreia “This is the Sound”. Após a sequência de “Black Moon” e “Hullaballoo a plateia se agita ao som de “The Hermit”. Anna agradece ao público e anuncia “Avalanche”, um dos pontos altos da apresentação.


Em seguida a lenta e pesada “Six Days”, com destaque para Anna tocando flauta. Em seguida, “Starcrusher” nos proporciona um momento mais calmo, enquanto Murphy se ajoelha e canta para as pessoas que estavam próximas.  A pesada “Redemption” nos prepara para o sucesso que viria a seguir, “Fire, Wind & Earth”, com destaque para o momento em que Anna pega uma baqueta e acompanha o baterista Merlin Sutter.


Em meio a manifestação da platéia que gritava “Anna”, a banda encerra o show com “Challenge” deixando a todos com um gosto de “quero mais”. Fiquei com a certeza que sair do Eluveitie foi a melhor coisa que Anna, Merlin e Ivo fizeram em suas carreiras.


Setlist:
01 – Black Moon
02 – Hullaballoo
03 – The Hermit
04 – Avalanche
05 – Six Days
06 – Starcrusher
07 – Redemption
08 – Fire, Wind & Earth
09 – Challenge


To Mega Therion Over SP!

Às 23h15 as cortinas se abrem mais uma vez e hipnotizado o público assiste a entrada de um a um dos membros da banda. Já nas primeiras notas de “Theme of Antichrist”, todos foram contagiados pela energia da performance do grupo. Em seguida a execução perfeita de “The Blood of Kingu”. Com uma performance “badass” Linnéa canta “Din” com vocais agressivos, mostrando toda sua versatilidade. A cada música a platéia ficava mais enfeitiçada, Thomas anuncia “Bring her home” outra faixa do mais recente disco “Beloved Antichrist”, seguida pela arrasadora “Night Reborn”  com
uma performance perfeita dos três vocalistas. Em seguida a apresentação memorável de “Nifelheim”, que se tornou uma das minhas favoritas após essa noite.
  

Em ”Ginungagap” eu fiquei em um verdadeiro dilema, pois todos os membros são extremamente carismáticos e com presenças de palco tão maravilhosas, fica difícil decidir em quem prestar a atenção.Uma das coisas que mais admirei nesse show é que cada integrante tem um estilo próprio e cada um com suas peculiaridades tornam o conjunto da obra perfeito, tornando o Therion uma banda única. Como foi bom poder ver a clássica “Thyphon” ao vivo!! “Não chorei, só fiquei tremendo”, esse meme define perfeitamente a minha reação quando começou “The Temple of New Jerusalem”, me apaixonei pelo Thomas Vikström, que voz!! A galera acalma um pouco os ânimos quando começa “An Arrow From the Sun”. Mais uma vez fiquei encantada com o entrosamento da banda, dessa vez em “Wine of Aluqah”, é contagiante a empolgação de Linnéa.


Assim que começa “Lemuria”, meus olhos pousaram em Chiara e só consegui desviar o olhar no fim da música, pois foi um momento tão lindo que eu não queria perder nenhum detalhe, essa música ficou perfeita em sua voz!! Continuando o espetáculo “Cults of the Shadows” agita mais uma vez a galera. Um momento teatral em “The Klysti Evangelist” onde Chiara e Thomas encenam uma cena vampiresca


Em “My Voyage Carries On”, ficamos todos hipnotizados com os vocais operísticos de Chiara e Thomas. Agora é a vez de “The invincible” de com vocais épicos. Na introdução de “Der Mitternachtslöwe” giram como peões e Chiara mais uma vez entra com seus estupendos vocais. E finalmente a música que eu tanto esperava “Son of The Staves of Time", o destaque vai mais uma vez para a harmonia entre os três vocais.


Nesses tempos atuais onde é muito fácil pesquisar setlists meu coração se apertou, pois eu já sabia que o show estava perto do fim. O grupo deseja a todos uma  boa noite e sai do palco, mas sem demorar retornam e começam “The Rise of Sodom and Gomorrah”, levando o público à loucura. O fim está próximo e então Christofer conversa com a plateia, dizendo que foram 61 shows dessa turnê e faz uma provocação dizendo que é a hora do Brasil mostrar que é melhor do que a argentina e anuncia o clássico “To mega ‘fucking’ Therion”,  depois de um show inteiro maravilhoso claro que não seria agora que iriam decepcionar. Tenho certeza que essa foi uma noite muito feliz para os devotos fãs do Therion, esse show deixará saudades e vontade de que eles retornem logo aos solos brasileiros.


Setlist do show:
01 – Theme of Antichrist
02 – The Blood of Kingu
03 – Din
04 – Bring Her Home
05 – Night Reborn
06 – Nifelheim
07 – Ginnungagap
08 – Typhon
09 – Temple of New Jerusalem
10 – An Arrow from the Sun
11 – Wine of Aluqah
12 – Lemuria
13 – Cults of the Shadow
14 – The Khlysti Evangelist
15 – My Voyage Carries On
16 – The Invincible
17 – Der Mitternachtslöwe
18 – Son of the Staves of Time
Bis:
19 – The Rise of Sodom and Gomorrah
20 – To Mega Therion



Gostaria de agradecer mais uma vez ao Road to Metal pela oportunidade de poder ir ao show e por me ceder espaço para contar minha experiência com esse momento tão mágico, principalmente ao Carlos Garcia por toda sua paciência e pelos toques para que eu possa sempre aprimorar meu trabalho. Gostaria de agradecer também ao Márllon Matos da EV7 Live que foi super atencioso comigo esclarecendo minhas dúvidas sobre o evento. 

Texto: Raquel de Avelar

Fotos: Erick Bilck

domingo, 27 de maio de 2018

Epica: EP é um Presente de Qualidade aos Fãs




Em agosto do ano passado o sexteto holandês de metal sinfônico Epica lançou o EP “The Solace System”, via Nuclear Blast, e agora disponível no Brasil via Shinigami Records.

As músicas foram compostas no mesmo período do álbum “The Holographic Principle”, portanto as 6 faixas deste EP não possuem muita originalidade, mesmo assim foi entregue um trabalho de qualidade. As orquestrações e coros tão característicos na sonoridade da banda marcam presença complementando o instrumental pesado e moderno em todas as músicas.

Para divulgar o trabalho, foi lançada uma trilogia de vídeos animados criados por Davide Cilloni das músicas “The Solace System”, “Immortal Melancholy” e “Decoded Poetry”.


Iniciando com “The Solace System”, a canção tem um refrão que cativa o ouvinte, em seguida a enérgica “Fight your Demons”, pesada se destaca pelos corais marcantes. A seguir, a intensa “Architect of Light”, onde as guitarras de Mark Jansen e a bateria de Ariën van Weesenbeek ganham destaque, fazendo um som pesado e direto. Em “Wheel of Destiny” Isaac Delahave se destaca pelo solo de guitarra.

Minha favorita é a balada “Immortal Melancholy”, que já havia aparecido nas faixas bônus de THP e dessa vez ganhou uma versão “voz e violão”. De forma bombástica “Decoded Poetry” encerra o trabalho com um coral emocionante.


“The Solace System”  foi bem produzido, qualidade indiscutível. mas não espere nada de novo, entendo que lançar essas músicas significa mais um presente aos fãs super fiéis do que para ouvintes que buscam novidades. Se você curte a banda, não tem erro.

Texto: Raquel de Avelar
Edição/Revisão: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Epica
Álbum: "The Solace System" EP 2017
País: Holanda
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira agora no site da gravadora

Line-Up
Simone Simons - vocal (mezzo-soprano)
Mark Jansen - guitarra e vocal gutural
Rob Van der Loo - baixo
Isaac Delahaye - guitarra
Ariën van Weesenbeek - bateria 
Coen Janssen - Teclado e Piano

Track List:
01. The Solace System
02. Fight Your Demons
03. Architect of Dreams
04. Wheel of Destiny
05. Immortal Melancholy
06. Decoded Poetry

Site Oficial

       


       


       

domingo, 20 de maio de 2018

Cobertura de Show: Therion - Teatro AMRIGS Porto Alegre RS (09 de Maio)


E a espera dos fãs sulistas valeu a pena! Depois de quase 17 anos, em um evento da Mitnel Produções, o Therion retornou a Porto Alegre, divulgando o novo álbum, a ópera "Beloved Antichrist". A primeira vinda foi em 2001, durante a tour do "Secret of the Runes", e daquele line-up, apenas o mentor e criador da banda, Christofer Johnsson, e o baterista Sami Karpinnen, que retornou recentemente ao grupo, restaram. O line-up atual, que já possui um grupo que vem atuando junto desde 2012, com Thomas Vikström (vocais), Linnéa Vikström (vocais), Nalle Pahlsson (baixo) e Christian Vidal (guitarras), recebeu em 2015 a adição da fantástica soprano Chiara Malvestiti, substituindo a não menos incrível Lori Lewis. Um excelente e bem entrosado line-up, que entregou um show carregado de energia e emoções. Vamos contar um pouquinho do que foi a noite a seguir.


Primeiramente tecendo sobre a organização do evento, praticamente só temos elogios, pois o local escolhido, o teatro AMRIGS, possui uma excelente estrutura, proporcionando muito conforto ao público, e o mais importante, a qualidade do som, certamento o quesito mais importante, ainda mais se tratando de uma banda que possui tantos detalhes em sua música. Pudemos perceber no início e ao final do show, a satisfação dos fãs com a qualidade do evento, agradecendo à produção pela realização, pois muitos já estavam dispostos a ir a outros estados para conferir a banda. 

O próprio Christofer Johnson elogiou a organização, dizendo que estava tudo perfeito, somente tendo reticências quanto à algumas falhas do engenheiro de iluminação. Bom, não é fácil, com todos aquele pessoal no palco e movimentando-se e, principalmente os vocalistas, que se revezam nos vocais principais e secundários. No mais, somente vimos algumas reclamações quanto a um benefício que a produção iria entregar aos compradores do setor VIP, que, segundo o produtor informou, a empresa responsável pela produção não entregou a tempo.


Os Convidados, Spleenful (Brasil) e The Devil (Inglaterra), abrem o espetáculo com méritos!

Praticamente pontuais, outro ponto positivo, os shows das bandas convidadas se iniciaram, já com um bom público, e coube a Spleenful e seu Dark Metal repleto de trechos sinfônicos e elementos atuais, logo chamou a atenção do público, com uma atuação bem segura e interagindo bastante com a plateia, que embora, na maioria, permanecesse sentada, aplaudiu bastante a banda.


A banda caprichou no visual e algumas surpresas, como na abertura da apresentação, durante a intro a banda foi chegando e também uma bruxa tratava já de "enfeitiçar" o local. O grande final com "Winter Solstice Dream", também foi abrilhantado pela performance de dança do ventre, pela bailarina Viih Alves. Formada em 2012 em Porto Alegre, a banda atualmente conta com 
Tiago Alano (vocais), Bia Giovanella (vocais), Elias Mendes (guitarra), Carlos Ricardo (baixo), Everton Manso (teclados), Yuri Porto (bateria) e Marcelo Campos (guitarra).


Após a aplaudida Spleenful, era a vez da curiosa The Devil adentrar o palco. O quarteto inglês utiliza máscaras, e proclama-se como inovador, trazendo uma proposta cinematográfica e dark, buscando trazer emoções diversas. O som é instrumental, tem peso, e são colocados telões com imagens de fatos históricos, com a sonoridade servindo de trilha para essas imagens. São usados samples ao invés de um vocalista, e as mensagens, segundo eles, tudo possui uma mensagem codificada, que expõem um grande segredo, uma grande conspiração... Bom...é preciso mais audições para digerir, e ás vezes a sonoridade torna-se um pouco cansativa, mas foi uma experiência interessante e realmente diferente. O The Devil é formado por...bom, não posso dizer! ha ha ha

Therion: Porto Alegre's Second Coming!

A espera chegava ao fim, e diante de um público ansioso e feliz, que já ocupava boa parte do teatro ( embora ainda aquém do esperado para um show deste nível e com ótima estrutura, depois o pessoal reclama que não há shows para ir), logo surge a intro com Nalle Pahlsson entrando no palco, para delírio dos fãs, e seguido pelo Sr. Therion, Christofer, Vidal e Sami, para iniciarem com "Theme of Antichrist". Logo, Thomas, Chiara e Linnéa tomam também o palco, recebendo também o calor do público, onde podíamos notar os olhares e manifestações de felicidade.


A banda, como sempre, para quem acompanha as apresentações ao vivo nas plataformas, não decepcionou, em uma performance técnica e carregada de energia. E claro, com aqueles elementos teatrais, os quais tiveram maior atenção nas músicas do novo álbum, a ópera "Beloved Antichrist".
Sem tempo do público tomar um fôlego, "Blood of Kingu", sempre um destaque, toma de assalto com seus riffs matadores e vocais altos de Thomas Vikström, este, com certeza um dos melhores frontmans e vocalistas do Metal atual. 49 anos, mas com energia de 19!


Para orgulho de seu pai, Linnéa Vikström toma o papel principal em "Din", correndo por todos os lados, fazendo os vocais limpos e guturais, indo a beira do palco chamando o público, chegando em um momento a se jogar no chão, como se para tomar um fôlego e retomar sua ensandecida performance! A menina que entrou na banda aos 18 anos, hoje é uma frontwoman e vocalista que cresce em qualidade a cada ano. Comentando com Nalle sobre Linnéa, este disse "She's my idol".


Em seguida, uma dobradinha do novo álbum, "Bring Her Home" e "Night Reborn", dois dos destaques do novo álbum, com atuações impecáveis de Thomas e Chiara. "Nifelheim", sempre esperada, traz aquele belíssimo trabalho de vozes, com praticamente todos participando. Temos que louvar a todo momento o entrosamento e o prazer com que a banda executa seu show, e isso chega ao público. Além dos vocalistas, que esbanjam simpatia, os demais interagem a todo momento uns com os outros, e claro, com o público.


Quem vê Christofer Johnsson, aquele cara magricela, voz calma, e depois vê no palco, se impressiona com o carisma e energia. Apesar de devido a alguns problemas na sua cervical terem ameaçado sua carreira, e ter que tomar mais cuidados, estava bem solto. Forma uma grande dupla com o argentino Vidal, o qual esbanja técnica, feeling e pegada! Que grande músico. Nalle Pahlsson e Sami Karpinenn não deixam por menos, com uma cozinha técnica e precisa!


Para não nos alongarmos, somente destacarei mais alguns momentos desta grande performance, como por exemplo a belíssima "Lemuria", do álbum homônimo, outra que com certeza sempre é esperada. O público foi ao delírio com a já tradicional performance de joelhos de Chiara, que encantou a todos com sua enorme voz e simpatia. O final já se tornou épico, onde Chiara substituiu as notas de flauta na gravação original pela sua voz. Realmente, essa música ela pegou pra ela. Difícil né, apontar só destaques, porque a sequência é matadora, e o Therion tem muitas músicas esplêndidas. Pessoalmente, gostaria de um dia ouvir a "The Beauty in Black" ao vivo.


Destacando ainda mais duas do "Beloved Antichrist" tivemos a parte final arrebatadora, sendo que já em determinado momento o público já agitava muito mais, ficando em pé e respondendo a cada chamado da banda para acompanhar as músicas, refrãos e tradicionais brincadeiras, como a que Christofer fez, desafiando os brasileiros a gritarem mais alto que os fãs argentinos (na noite anterior, a banda se apresentou em Buenos Aires), lembrando a rivalidade Brasil x Argentina no futebol, e apontando para Vidal, argentino, torcedor do River e fã de futebol.


"Son of Staves of Time" foi a "última", e logo a banda voltou, para delírio dos fãs, agora todos em pé, alguns agitando no corredor, para a dobradinha "The Rise of Sodom and Gomorrah" e "To Mega Therion"! Sem palavras! Ainda após a banda ter deixado o palco, não antes sem agradecer o público, cumprimentar as pessoas que chegavam perto do palco, ainda pudemos ouvir alguns fãs fazendo um coro de "one more song! one more song!" ha ha ha! Claro, sabíamos todos que havia acabado, mas com certeza queríamos mais!


Que a banda não precise esperar mais outros 17 anos para retornar, e que tenhamos um público ainda maior e condizente com a qualidade do espetáculo, então, somente temos que louvar a iniciativa da Mitnel produções e todos os envolvidos de alguma forma (inclusive a Heavy & Hell e Road to Metal), que entregou um belo espetáculo. Memorável dia 9 de maio!


Texto: Carlos Garcia
Fotos: Diogo Nunes


Drops:
- Em um momento, Christofer falou sobre a satisfação de estar de volta à Porto Alegre após tanto tempo, e perguntou quem esteve no show em 2001. Alguns fãs responderam, e ele apontou para um deles, já com o cabelo ralo, assim como o seu, e disse "ah, estamos envelhecemos juntos".

- Nota-se o entrosamento e boa relação entre os membros, que fazem brincadeiras e movimentos ensaiados durante o show, como Linnéa indo "ajudar" Vidal a solar, e oferecer para que ele assuma o microfone; os movimentos combinados de pai e filha, Linnéa e Thomas, em vários momentos; as coreografias a la Kiss de Christofer e Nalle, lembrando que o baixista é fã e colecionador de material dos mascarados.

- O público ia ao delírio com as brincadeiras e encenações de Thomas, principalmente quando fingiu morder o pescoço de Chiara, saindo limpando a boca, no melhor estilo Drácula!

- Enquanto acompanhávamos a banda após o almoço, junto com a produção, paramos para esperar o sinal fechar, e dois fãs, vendo alguns outros caras de camiseta de banda, alguns de cabelo comprido, perguntaram "vocês vão ao show hoje?", e não notaram que ao nosso lado estava o Vidal e logo a frente o Christofer, de bonézinho e casaco, bem estilo tiozinho! ha ha! levaram um susto quando perceberam! Brinquei com eles "não é sempre que se vem à um show de uma banda, e dá de cara com ela atravessando a rua com você!" A dupla veio de Santa Catarina ver o Therion. E teve gente de Porto Alegre que perdeu!



Set List:

Theme of Antichrist
The Blood of Kingu
Din
Bring Her Home
Night Reborn
Nifelheim
Ginnungagap
Typhon
Temple of New Jerusalem
An Arrow from the Sun
Wine of Aluqah
Lemuria
Cults of the Shadow
The Khlysti Evangelist
My Voyage Carries On
The Invincible
Der Mitternachtslöwe
Son of the Staves of Time

Encore Final
The Rise of Sodom and Gomorrah
To Mega Therion


terça-feira, 15 de maio de 2018

Bestial Malevolencia: Derramando Thrash Old School


 
Debut álbum desta banda argentina de, conforme eles mesmos se autoproclamam, ‘Thrash Vieja Escuela’. Lançado de forma independente e num bonito Digipack, o petardo não traz absolutamente nada de novo, obviamente. 

Porém, como a própria banda declara, seu Metal é tocado nos moldes do que era feito nos anos 80, por bandas como Destruction e Sodom, no entanto, com a grande diferença de ser cantado na sua língua pátria, com exceção da música ‘Explode This Thrash’. O que não traz nenhum prejuízo, pelo contrário, o espanhol casa muito bem com o Thrash Metal, forjado aqui em dez potentes manifestações.

A produção do álbum também faz referência aos velhos tempos, uma vez que a crueza está presente, ainda que a qualidade seja boa e tudo esteja plenamente audível. Até porque, pela sonoridade do Bestial Malevolencia, uma produção mais ‘moderna’ certamente comprometeria o resultado final da obra.


‘Derramaré Tu Sangre’ se deixa ouvir tranquilamente. Com referências etílicas na arte do disco, podemos dizer que é bem propício escutá-lo tomando umas cervejas.

Como referido inicialmente, por ser um lançamento independente, sua aquisição pode ser difícil, mas em contato direto com a banda isso deve ser possível. Se tu és um maníaco Thrasher que exalta as velhas bandas do estilo, tanto as alemãs como as americanas, este ‘Derramaré Tu Sangre’ te agradará sobremaneira. Som estoura-tímpanos.

Texto e edição: Marcello Camargo
Revisão: Carlos Garcia

Canais Oficiais da banda: 

Line-Up:
Emiliano San Martin – vocals
Alexis Costilla Soloa – guitar
Ariel Báez – bass
Alex ‘Mapex’ da Rosa – drums

Agradecimentos: Marcelo Quiroga e Programa Telón de Acero (Cortina de ferro)- Radio Planeta  - Sábados 12h


Tracklist:
1. Derramaré tu Sangre
2. Ser Libre
3. Estalla El Thrash
4. Contaminación
5. En el Ano!!
6. Bestial Malevolencia
7. Tortura Siniestra
8. Escapar
9. Hijos de la Destrucción
10. Explode This Thrash
11. HHH (instrumental Demo 2013) (Bonus Track) 



Official music video: “Derramaré Tu Sangre”