Músico entrevistado: Fernando Boccomino (Guitarra/Vocal) – Banda:
ChaosFear de São Paulo/SP.
Recentemente o ChaosFear lançou uma versão matadora de “Toxic Waltz” do
Exodus contando com a participação do vocalista Zetro Souza. Como surgiu esta
chance?
Inicialmente iríamos gravar um EP
de covers de bandas que influenciaram o ChaosFear. Comentamos com o Johnny Z (nosso
assessor/Metal na Lata/JZ Press) que nessa lista tínhamos o Exodus. Queríamos
muito fazer a “Toxic Waltz”, mas ainda estávamos em dúvida pois os estilos de
vocal são completamente opostos... então o Johnny soltou a seguinte pérola: “sou
amigo do Zetro, querem que eu tente falar com ele? Vai que ele tope a idéia…” resumindo:
o Zetro topou e ainda escolheu as partes onde queria cantar! Surreal... sonho
de adolescente realizado. Ficou sensacional!! A idéia do EP ficou para 2021.
Apesar da pequena pausa que tiveram, retornaram com tudo em 2020 com
“Be the Light in Dark Days”, conte-nos mais sobre o novo álbum.
O novo CD veio pra consolidar a
nova formação e também pra mostrar que não paramos no tempo. Estamos sempre
inovando e procurando novas influências. “Be the Light in Dark Days” foi todo gravado no esquema “home Studio”. Nosso
baixista Marco Nunes é produtor, então tivemos a sorte de conseguirmos
trabalhar durante esses tempos caóticos de pandemia.
O ChaosFear passou por reformulações interessantes em sua formação, mas
sem deixar sua essência de lado e seguindo sua evolução musical. Essas mudanças
ajudaram a construir a identidade da banda?
A essência do ChaosFear está
cravada em nossa música. Acredito que consolidamos nosso estilo no álbum “Image
of Disorder”. Dali para a frente fomos absorvendo e incorporando influências
vindas dos novos integrantes. Trabalhar com o Fábio e o Marco é fácil. Os caras
são mente aberta, tem identidade naquilo que tocam, ou seja, as mudanças foram
altamente benéficas para a banda.
De Sick Mind à ChaosFear. O que levou a mudança de nome?
Em 2002 começamos a ser
confundidos com uma marca de skate com o mesmo nome. Muitos nos procuravam
pensando que nosso som era associado ao punk/hardcore. Pensando em evitar esse
tipo de confusão resolvemos mudar o nome para ChaosFear.
Em relação aos lançamentos anteriores, vocês mudariam alguma coisa?
Nada! Tenho orgulho e respeito
por tudo que fizemos até hoje. Era o que sentíamos naquele momento, naquela
época. Começamos mais extremos, depois caminhamos pelo Groove... hoje temos um
leque ainda mais aberto. Caminhamos do hard rock até o black metal sem problema
algum. Mas a raiz do ChaosFear é thrash/death!!
“Be The Light In Dark Days” é a consolidação musical que esperavam?
Na minha opinião este é o
trabalho mais maduro e conciso da banda. Fizemos aquilo que realmente tínhamos
em mente e estamos muito felizes e orgulhosos com o resultado final.
São três discos de estúdio, um EP e diversos Singles. Com o mundo
digitalizado é mais fácil expandir sua música, porém a mídia física nunca
perderá seu valor. Com essa digitalização extremada se torna cada vez mais
difícil encontrar gravadoras para lançamentos em formato Físico?
Eu acho que a primeira coisa que
precisamos fazer é contextualizar a situação. Estamos em 2020, em plena era
digital, onde a música é via streaming e mega pulverizada.As gravadoras praticamente inexistem. Os
trabalhos, principalmente no underground são “by yourself”. O público também é
outro. Essa galera mais nova que nasceu meio que pós-CD é completamente
diferente. Um garoto de vinte e poucos anos usa as mídias de streaming para
consumir música. Dificilmente compra CD. Então, investir dinheiro e prensar o
seu trabalho passa a não ser nem um pouco lucrativo para uma gravadora. Assim,
as bandas acabam fazendo isso e optando por uma distribuição, que também não é
lucrativa, para fazer o seu produto chegar em locais mais distantes. É por isso
que sou a favor se utilizando a tecnologia até onde der, pois assim a gente
consegue chegar em locais e pessoas que jamais imaginaríamos que curtiriam o
nosso trabalho. O CD acaba ficando como produto de mersh em shows. Mas como nem
isso temos hoje, aí fica difícil.
Quais os planos para 2021 já que 2020 poderia ter terminado.
Este ano está sendo muito difícil para a
maioria das pessoas no mundo. Nós aqui no Brasil estamos mais ferrados ainda.
Desemprego, falta de otimismo, milhares de mortes, desinformação, isto
realmente é muito triste. Mas, dizem que precisamos encarar o problema, tirar
algumas lições dele e nos reinventarmos. Para nós, o ano de 2020 está sendo
muito proveitoso. Conseguimos lançar um álbum novo, fizemos várias lives,
entrevistas, tivemos uma Collab com uma lenda do thrash metal mundial (Zetro do
Exodus), lançamos alguns vídeos, ganhamos de fãs 2 vídeos!! Pô, tá legal
demais!!!! Acredito que a repercussão do trabalho chegou à níveis que a gente
nunca nem sonhou. Para 2021 nós iremos lançar um novo álbum, participaremos de
dois tributos (ao Slayer e Black Sabbath), e esperamos poder tocar ao vivo de
novo!
Formada em 2012, o trio de Pittsburgh LEGENDRY é dessa nova leva de bandas que fazem um Heavy Metal inspirado na sonoridade mais clássica, e por sinal temos uma ótima safra de novos nomes, não só nos EUA, fazendo a alegria dos fãs.
A praia do Legendry é o Epic Metal, com nuances do progressivo dos anos 70 (Jethro Tull, Wishbone Ash), trazendo uma atmosfera que remete a batalhas e epopeias, por vezes envolvendo o ouvinte em um clima medieval e mágico.
O grupo agora começa a alcançar um público maior, após o lançamento do seu terceiro trabalho pela High Roller Records, "The Wizard and the Tower Keep", sendo recebido muito bem pelos fãs do estilo e pela imprensa especializada, e inclusive tendo seus primeiros trabalhos relançados em vinil.
A banda agora apresenta este EP, "Heavy Metal Adventure", com 3 covers e a inédita faixa título, lançado em vinil (com as 4 faixas), e em CD com várias bônus.
O EP inicia com "Anvil of Crom", da trilha de "Conan, o Bárbaro", composta por Basil Poledouris, inspiração evidente para o Epic Metal da banda; depois temos outra cover de uma influência também, diria, óbvia, "Metal", do Manilla Road, adicionando alguns arranjos e teclados, deixando-a com um ar ainda mais místico e épico, belíssima homenagem ao mestre do Epic Metal, Mark Shelton.
A terceira é "Broadsword", do Jethro Tull, outra boa escolha, a qual já tem uma atmosfera épica, e a banda acrescentou os seus traços pessoais; por fim, após essas 3 peças mais calmas e atmosféricas, a faixa título, "Heavy Metal Adventure", inicia veloz e com riffs cortantes, trazendo mudanças de andamento, chegando a mergulhar em uma atmosfera mística ao final. Destaque para o solo melodioso de guitarra.
Na edição em CD, temos 6 bônus, as 4 faixas da demo "Initiation Rituals" e mais duas demo-tracks não lançadas anteriormente.
Um material muito interessante aos fãs, enquanto aguardam o sucessor de "The Wizard and the Tower Keep", mostrando também algumas das inspirações da banda. Altamente recomendado aos fãs de Epic Metal e do Metal clássico, que buscam uma sonoridade atmosférica, medieval e épica. É ótimo ver novas bandas promissoras e talentosas surgirem, mantendo sempre a chama do Heavy Metal acesa! Aguardando com grandes expectativas o próximo full-lenght.
A ideia do Black Metal cantado em
português e retratando uma realidade histórica pouco difundida, traz esse diferencial
necessário liricamente, indo na contramão e deixando o excesso de blasfêmias
e xingamentos de lado e sim focando nas conquistas europeias em cima do povo
sul-americano, onde muita tortura, escravidão e mortes ocorreram sem limites.
Esse é o Brutal Morticínio, que
nos apresenta em seu segundo lançamento – Os Obsessores Espíritos das Florestas
Austrais (14) – uma continuidade muito bem esmerada de seu Debut (“Despertar
dos Chacais... Outono dos Povos – 11), apresentando uma temática lírica em
volta do povo sul-americano dizimado pelos europeus com uma sonoridade ríspida,
mas que aqui ganha novos elementos.
Se em outrora o Brutal Morticínio
investia em um Black Metal mais atmosférico e técnico, aqui temos boas doses de
melodias soturnas se entrelaçando com o Depressive Black Metal, e com boas
nuances da obscuridade do Heavy Metal tradicional, transbordando muito feeling e
momentos marcantes.
A produção mais apurada também engrandece
sua sonoridade com muito peso e os instrumentos individualmente soando como
navalhas cortantes em prol do som extremo.
Um álbum que infelizmente foi
muito pouco comentado na época de seu lançamento, porém não deixa de ser mais
um marco para a cena gaúcha e underground, pois os gaúchos de Novo Hamburgo
mostraram novamente que é possível fazer um som autentico e diferenciado, nos
dando ainda de brinde uma bela aula de história em suas letras.
Passados uns 15 anos de break, o
canadense Paradise reacende suas atividades acompanhado do terceiro registro
intitulado apenas com o nome do conjunto. A line-up sofre uma terceira formação
cujos esforços aterrissam na velha divisa do hard rock e heavy metal, havendo
uma certa pitada de stoner.
Sua música escora-se em riffs
básicos expressivos, frases de guitarra dispersas, bateria cadenciada e a
melodia raivosa de RL Black incubida de energizar as canções.
Os assuntos cantados exploram
relacionamentos conturbados, vida em gradativo colapso, graças aos conflitos
internos ceifando o restante da sanidade mental.
O fundador da banda Frank Kelly e
o recente Fred Crew Grr dão todo o protagonismo para as suas guitarras.
Constroem riffs cools estruturados em simples power chords ao lado de trechos
cavalgados com palm mute. Frases básicas na penta menor e bends preenchem
satisfatoriamente as canções. A bateria e voz ecoam feito fantasmas frente as
guitarras usando timbres sólidos.
"Straight From Hell"
sob uma base abafada, RL Black rouba a atenção em grande parte da música apenas
entrecortado por boas frases na guitarra.
"Hitting On All Sixies"
uma das mais agitadas, constantemente emite solos, carrega um riff dinâmico
também. A voz soturna explode no refrão.
"Who Do You Wanne Be"
possui melodia próxima do metal industrial e às vezes a bateria reaparece com
um ritmo atípico oriundo do começo.
"One of a Kind" é
densa, tanto atmosfera quanto a ira meio reflexiva de Black, contém bons solos
lamurientos.
"Never Cry Again" tem
uns toques de groove metal, mantém seu fôlego satisfatoriamenteao longo da faixa.
Dá para recomendar também as
faixas "Away from You" e "Free In Exile".
É um disco de heavy rock meio
disfarçado no stoner ainda que apare muitos elementos dessa subvertente.
Evitaram excesso de psicodelia e tornaram enxutas a duração das canções.
Essa realização poderia arriscar
mais, poucas faixas soam distinguíveis umas das outras. Senti falta total do
baixo e a bateria gerava a falsa expectativa em tomar de assalto alguns
momentos.
Para um grupo desativado há anos,
realizaram um bom disco comercial de rock pesado reprocessado no metal
contemporâneo.
Já são quase 18 anos de estrada,
e a banda Goiana Bella Utopia segue buscando voos mais altos, com seu Hard Moderno e Rock pesado de melodias marcantes, mas com pegada que por vezes beira o Metal,
destacando as letras em português e os vocais cheios de fúria de Isabela, tendo
uma marca bem pessoal e forte.
Após um elogiado debut em 2015,
"Dilema do Prisioneiro", o qual foi masterizado em Nova Iorque, a banda chamou atenção dos fãs e da mídia especializada, e inclusive da gigante Sony Music.
Com nova formação, faixa inédita
e bastante personalidade o Bella Utopia
apresenta um novo petardo no cenário nacional de Hard/Rock e Metal. O grupo acaba de
disponibilizar nas plataformas de música (web) sua nova faixa autoral, após a
homenagem feita ao KISS, com o clipe da icônica: “Rock n´Roll All Night”(assista aqui), que está no tributo "Bazil Rock City".
Falando em tributos, a Bella Utopia confirmou participação no relançamento especial do "Sabbath Brazil Sabbath", tributo brasileiro ao Black Sabbath, lançado pela Armadillo Records, e que terá essa nova edição, com o álbum duplo original e mais um CD bônus. O Bella Utopia vai participar com uma versão acústica para "Snowblind".
Retornando ao assunto da nova inédita da banda, trata-se da música
“SURREAL” que tem letra escrita pela líder do grupo Isabela Eva, melodia e
arranjos do baterista Junão Cananéia, mixagem e masterização do pessoal que
trabalha no Doran’s Studio (GO) e participação especial de Lucas Rezende
(guitarrista da banda Aurora Rules)".
"SURREAL" foi concebida com intuito
de participar da coletânea física da web rádio Rock Freeday “RF Collection –
Volume IV” e também para apresentar os novos e promissores músicos que compõem
atualmente a banda, são eles: Mayck Vieira (Guitarra), Adriel (baixo) e Kaíque
Nunes (guitarra).
A letra de “SURREAL” é uma
reflexão bastante direta do atual momento que passamos por conta da pandemia do
coronavírus. “As mudanças do mundo fizeram da vida uma obrigação. E o mais
surreal é saber que o ser humano insiste em andar na contramão!” Afirma a
cantora e líder da Bella Utopia, Isabela Eva. Ouça "SURREAL" AQUI
A banda já possui três clipes
oficiais, que mostram a mensagem por trás do pensamento criativo do agora
quinteto, que almeja voos mais altos, porém sempre com os pés no chão. E os vídeos são muito bem feitos, inclusive o
clipe de "Dilema do Prisioneiro"
possui um curta na abertura, com produção de uma produtora de cinema e
participação de atores profissionais. A vocalista Isabela Eva idealizou toda a
estrutura e conseguiu autorização para filmar dentro do maior Complexo
Prisional de Goiânia, a CPP.
Um nome que merece a atenção do
público e muito mais visibilidade. Saiba mais sobre a banda nos links abaixo:
Músico
entrevistado: Alex Zeraib (guitarrista) – Banda: Scars de Moóca/SP
Fala
galera do Scars! Sou Renato Sanson do site Road to Metal e é um prazer fazer
essa pauta com vocês, uma banda que acompanho desde 2008 e me agrada muito
musicalmente. Abaixo segue a pauta de entrevista!
Obrigado pela oportunidade e pelo
espaço, Renato e Road to Metal!
"Predatory"
é o mais novo petardo do Scars. Trazendo a banda na melhor forma possível. Como
se deu o processo criativo do mesmo?
Eu converso muito com o Régis
sobre composição e arranjos, exploramos possibilidades de estruturas de músicas
primeiro no âmbito abstrato e mental, imaginamos quais os tipos de riffs de
guitarra que queremos e qual a velocidade da levada geral. Nos aventuramos em
temas, refrãos e títulos até mesmo antes de começarmos a gravar os primeiros takes.
Assim, eu monto a bateria eletrônica e começo a despejar riffs sobre diferentes
esqueletos, buscando estabelecer um lugar para refrão, pré-refrão, pontes,
etc... Após gravar os takes iniciais, envio para o Régis, que por sua vez
organiza a música e me manda de volta com uma linha de voz. E assim vai, até o
dia da gravação final, onde mudamos a música diversas vezes.
Normalmente temos
de 7 a 10 versões para cada faixa no período final da pré-produção. Após a
música ter tomado forma, a apresentamos a banda e começamos a executa-la
organicamente em ensaios, sempre experimentando mudanças e aperfeiçoamentos
para chegarmos à um nível final e satisfatório para todos. Nunca perfeito,
porque perfeito não existe. “Predatory” seguiu esse método e funcionou, gostamos
muito do resultado final de nossos esforços.
Em
relação a "Devilgod Alliance" (08), musicalmente onde vocês enxergam
os pontos de evolução?
Embora grande parte do “Devilgod
Alliance” tenha sido composto pela mesma formação que fez o “The Nether Hell”,
somente eu gravei o álbum após uma debandada geral. Assim, apesar de um ótimo
trabalho, faltou a essência do SCARS, especialmente o Régis, para soar mais
fiel ao nosso legado. Já o “Predatory” tem mais a cara da banda em termos de
origens, onde pudemos resgatar nossa personalidade mais fielmente.
O
Scars passou por várias mudanças de formação ao longo de sua carreira, mas em
nenhum momento o seu som se descaracterizou. Ao que devemos isso?
O SCARS sempre teve uma
personalidade muito forte e uma ideia muito clara sobre sua essência e estilo
musical. Até mesmo antes de eu integrar a banda eu notava isso quando via o
SCARS ao vivo. Isso tudo em 1992 e começo de 93. Quando entrei na banda no
final de 1993, eu já havia me identificado muito com o som e ajudei a continuar
e confirmar as características que construiriam a identidade do SCARS. Tocar
hoje em dia as faixas do primeiro cd de 94 ainda soa atual para mim, ou melhor,
atemporal. É claro que já nos aventuramos muito em compor fora do nosso âmbito
thrash. Aquilo que ficou bom, com a cara da banda, acabamos lançando em
registros oficiais. E jogamos fora (literalmente) as composições que, de certa
forma, desfiguravam a banda.
Pois
em muitos casos as bandas acabam até mesmo mudando o seu direcionado por
mudanças na formação, certo?
Sim, e perdem sua
essência original. Quando músicos novos entram em uma banda, eles podem e devem
contribuir com seu estilo e personalidade, mas a banda deve manter seus padrões
e características pelas quais seus ouvintes se interessaram originalmente. Manter
a fórmula é essencial. No nosso retorno em 2018, houve muito cuidado na escolha
dos membros atuais que constituiriam o novo SCARS. Quando Régis e eu decidimos
que era a hora de tomar o próximo passo, primeiro chamamos de volta o Gobo.
Esta foi uma decisão lógica, uma vez que ele havia gravado o último álbum e
assim daria continuidade a sua história na banda. Com três membros originais
presentes, convidamos o Marcelo Mitché para o baixo e o Edson Navarrette para a
guitarra solo, que sempre foram grandes amigos da banda desde o começo dela em
1991. Com esta formação, gravamos os dois singles e recomeçamos a fazer muitos
shows. Hoje, o posto de guitarra solo está ocupado por Thiago Oliveira
(Confessori, Warrel Dane, Seventh Seal) e foi ele quem teceu toda a incrível e,
ao nosso ver, impecável teia de solos para o novo álbum.
Ao total, ele compôs e
gravou em dois meses mais de 60 solos para este álbum, além de uma faixa
instrumental, que é inteiramente de sua autoria. O Thiago é um músico prodígio
talentosíssimo, que não se atém à padrões e tem muita confiança no que faz.
Como pessoa, ele é um cara muito agradável de se estar junto e se adentrou à
banda com muita facilidade. Estamos muito felizes de tê-lo conosco.
Vocês
tiveram um hiato de 10 anos longe dos holofotes. O que os motivou a retornar?
Com a dissolução da banda em 2009
após o lançamento de “Devilgod Alliance”, eu segui inativo musicalmente por uma
década, focando minha atenção e energia na minha recém-nascida filha e carreira
profissional como professor e linguista. Porém, uma vez que você é headbanger,
você sempre será headbanger. No meu caso, não foi diferente. No final de 2017,
o Régis entrou em contato comigo com um convite para fazer parte de uma banda
de metal que ele estava montando na época. Eu agradeci, mas recusei, alegando
que “se fosse para tocar em uma banda, eu voltaria o SCARS”, algo que para nós
dois, em acordo, estava fora de questão.
Meses após esse encontro, eu decidi
trazer todo o material do SCARS para o novo mundo digital, do qual não havíamos
participado antes. Assim, com gigas e gigas de músicas, vídeos, fotos, cartazes
e muita coisa mais em back-up, criei um canal no YouTube e uma página tributo
no Facebook, disponibilizando assim toda a discografia da banda e sua rica
história para o novo mundo. A agência Distrokid, de Nova York/EUA, foi a
responsável por lançar toda a discografia para streaming e vendas/downloads em
todas as plataformas digitais como Spotify, Deezer, iTunes/Apple Music, Amazon,
etc... Apesar de não haver planejado isso na época, toda essa movimentação teve
um alcance mundial muito rápido e despertou o interesse de muitas pessoas,
entre elas o Régis, que me procurou e, a partir de então, me ajudou a continuar
a disseminação do material pelas redes sociais. Aliás, ele faz isso muito bem.
Ele é um ótimo estrategista. Nessa nova parceria a coisa cresceu e começamos a
compor juntos, online. Eu criava riffs de guitarra somados a linhas de bateria
eletrônicas e mandava pra ele. Ele estruturava esses rascunhos e mandava de
volta pra mim com linhas de vocais. Nesse ping-pong online, criamos 20 músicas,
das quais duas soltamos em formato single/digital com um videoclipe cada, “Armageddon”
em dezembro de 2018, e “Silent Force” em fevereiro de 2019.Outras 09 faixas foram deixadas para o que
viria a ser o novo álbum, “Predatory”. Devo ressaltar que a
gota d’água para tomarmos a decisão de retomar as atividades foi uma campanha,
a #VoltaScars, que foi lançada online por seguidores da banda. Isso nos
sensibilizou muito.
"Predatory"
teve seu lançamento feito pelo selo americano Brutal Records. Quais as
vantagens de contar com um selo internacional para uma banda brasileira?
Exposição e abrangência mundial.
Basicamente isso. O mecanismo de funcionamento de um selo internacional é diferente
dos nacionais no que diz respeito a forma de trabalhar o produto (novo álbum +
banda) e sua distribuição em todos os canais de vendas e divulgação
disponíveis.
Há um contrato, com cláusulas e condições a serem
seguidas por ambas as partes. Há mais profissionalismo e menos “panelinhas”, o
que, infelizmente, é uma realidade no nosso mercado nacional. Também
há muito saudosismo na nossa cultura brasileira de seguir cultuando as mesmas
bandas de sempre sem nos aventurarmos nas novas promessas - que são muitas! Por
outro lado, os mercados do EUA, Europa e Japão são ávidos por novidades e
querem buscar bandas diferentes de outros países, ou até mesmo de seus próprios
países, incentivando o crescimento de uma nova cena mundial.
Nos
últimos anos tivemos uma crescente de selos e gravadoras gringas interessadas
em bandas brasileiras, porém já os selos e gravadoras do nosso país poucos
realmente prestam este suporte. Na opinião de vocês seria falta de interesse ou
o nosso mercado fonográfico que está quebrado?
Somos uma fonte rica de bandas e
estilos em nosso território continental. A qualidade sonora de nossas bandas não
deixa nada a desejar comparadas às gringas. Com isso, há profissionais da indústria
musical internacional que enxergam isso e vêm no Brasil uma oportunidade de
mercado de exportação, assim investindo aqui. Antes de fechar o contrato com a
americana Brutal Records para o lançamento de “Predatory”, eu e nosso assessor
(Johhny Z.) telefonamos para diversos selos locais para tentar fechar um
contrato inicial aqui. Tivemos 95% de negativas ou indiferença, enquanto o
único grande parceiro que se interessou foi o Silvio da Voice Music. A partir
dai, fechamos com ambas para termos um lançamento realmente significativo e bem
trabalhado e sua rede de distribuição e divulgação.
Na verdade, não acho que
seja somente falta de interesse do nosso mercado fonográfico, que sim, está
quebrado, como o país todo está. Mas há também uma
arrogância e petulância muito grande e enraizada nesse meio, onde essas tais
“profissionais” realmente não têm o conhecimento e expertise necessários para
poderem trabalhar adequadamente. Sāo toscos e limitados intelectualmente, em
sua boa maioria. Acham que fazem um grande favor em aceitar as bandas em seu
selo (leia, panela) ao invés de trabalhar em parcerias.
Com isso, tais canais
seguem fossilizados e desatualizados, regurgitando notícias velhas, lançando e
relançando os mesmos álbuns e as mesmas bandas, e abrindo mais oportunidade
para bandas internacionais em seus veículos do que para as locais. É uma pena.
Mas, ao mesmo tempo não lamento. Fazemos nossa parte e focamos na nossa
diretriz, com ou sem a ajuda deles. E se você acredita em seu trabalho e ama o
que faz, tudo é possível. Tudo!
Desde
o primeiro lançamento do Scars lá nos longínquos anos 90 até o presente
momento, a indústria mudou bastante, principalmente em relação ao lançamento
dos álbuns em formato físico. Como vocês enxergam esta questão?
O primeiro registro do SCARS foi
no split “Ultimate Encore”, onde participamos com 04 faixas e foi lançado em
janeiro de 1994. Esse cd foi lançado somente no formato de cd físico, não vinil
- o que já representava uma mudança de cultura fonográfica na história do país.
Aliás, este foi o primeiro lançamento brasileiro de metal nesse
formato split em cd.
Vinte e seis anos depois vemos “Predatory” ser
lançado em dois formatos - cd físico e download/streaming digital. A principal diferença é a disponibilidade do material para que todos
o escutem assim que foi lançado. No mesmo dia do lançamento, todo mundo pôde
escutá-lo no mundo todo, o que é muito satisfatório para nós uma vez que nossa
missão é espalhar nossa música aos quatro ventos, independente do formato que
ela é apresentada.
Para
2021 o que podemos esperar do Scars?
Olha, eu já tenho o “Predatory
II: A Vingança” pronto no meu home-estúdio (risos). Brincadeira, não vai chamar
assim. O que eu quero dizer é que já tenho 10 faixas inéditas prontas, as
“sobras” de “Predatory”. Mas quando o momento chegar, nós inevitavelmente as
mudaremos, utilizando 50% do que elas são. Tivemos muita sorte de poder
terminar as gravações antes da epidemia se instalar. Enquanto estávamos em
isolamento, finalizamos toda a mixagem com o Wagner Meirinho online.
Foi nesse
período que também assinamos com a americana Brutal Records para seu lançamento
mundial em 07 de agosto. É muito bizarro pensar que não podemos iniciar a tour
de lançamento do cd ainda, mas vamos aproveitar o que temos - o quê é muito!
Somos muito afortunados de poder estar fazendo tudo isso após anos de dormência
e faremos o nosso melhor para dar sequência a isso em muito breve com mais um
full-length, relançamentos do nosso catálogo, até mesmo um DVD/álbum ao vivo
com esta formação.
Para
finalizar, o que vocês têm escutado ultimamente e quais bandas recomendariam
aos nossos leitores? Desde já agradecemos pelo tempo cedido!
Eu tenho escutado muito
SCARS ultimamente (rsrs), claro. É que ficamos muito satisfeitos com o
resultado final de “Predatory” e ainda não cansei de ouvir todas as faixas em
“repeat”. Mas fora o óbvio, tenho
ouvido o Forkill – “The Sound of the Devil’s Bell”, Andralls – “Bleeding for
Thrash”, Savant, Hatefulmurder e Venomous. Já no âmbito internacional,
mantenho alguns de cabeceira também no “repeat” - todos do Forbidden, Fight,
Leeway, ainda não cansei do “Hardwired...” do Metallica e sigo descobrindo
novas emoções nos três primeiros do Destruction, sempre.