Em plena sexta-feira de carnaval, quando as ruas do Brasil ferviam com samba e blocos, o La Iglesia serviu como reduto para os devotos do metal extremo. O “Bloco dos Camisas Pretas” resistiu bravamente, reunindo um público sedento por uma noite de riffs infernais e vocais guturais, comandada pelos finlandeses do Azaghal e precedida pelos brasileiros do Great Vast Forest. Uma noite pesada que trouxe um contraponto à euforia carnavalesca.
A responsabilidade de iniciar os trabalhos ficou com o Great Vast Forest, que apresentou o poderoso black metal brasileiro. Formado por Surgath (vocais), Sallos (guitarra), D. Katharsis (guitarra), Nero (baixo), Nahtaivel (teclados) e Draugr (bateria), o grupo conduziu o público por uma viagem ao submundo, iniciada com "Majestic South", "Wolvesclan" e "Prelude To the Victory". Logo de início, ficou nítida a capacidade da banda em criar paisagens sonoras obscuras, transportando a audiência diretamente para o vale das sombras. Um dos destaques, e um verdadeiro presente para os fãs, foi a potente e reverente versão de "Call From the Grave", do Bathory, que foi muito bem recebida. O set seguiu com a intensidade de "Bloody Winter" e a melancolia de "Memories of the Fire...", culminando com a grandiosidade de "Ride of the Valkyries" e "Imperial Moon", deixando a plateia pronta para os finlandeses.
O Azaghal, veterano do black metal finlandês formado em 1998, subiu ao palco reafirmando sua longa trajetória de devoção ao estilo. Sem rodeios, a banda mergulhou de cabeça em seu repertório, abrindo com a brutalidade de "Alttarini on luista tehty", seguida por "Myrkkyä" e "Filosofi", que intensificaram a aura blasfema e visceral do grupo. A energia crua e a entrega sem concessões criaram uma parede sonora que devastou o que vinha pela frente, reafirmando a reputação do Azaghal como mestre do caos e do terror.
Com um simples “Como está São Paulo?”, falado em português pelo vocalista, deram início a mais uma pedrada, agora com "Black Terror Metal / Kyy". A transição para "Maailman Viimeinen Yö (Ja Ensimmäinen)" e "Madon sanat" trouxe momentos mais introspectivos, nem por isso menos pesados ou sombrios. O público respondia com devoção, provando a atemporalidade do black metal em contextos improváveis.
Avançando no set, "Syöpäläinen" e "De Masticatione Mortuorum" elevaram a intensidade a níveis infernais, com Ruho martelando a bateria como um possuído, enquanto Narqath berrava como o próprio capiroto. A química entre os membros era visível, resultando em uma execução precisa e devastadora, que manteve o público em estado de transe, provando que o black metal não é apenas música, mas a manifestação de uma escuridão intrínseca, um grito de revolta contra a luz e a conformidade.
Para encerrar a noite, o Azaghal brindou os presentes com uma sequência final de tirar o fôlego. "Mustamaa" e "Agios O Baphomet" prepararam o terreno para a mística "Quetzalcoatl", que trouxe uma dimensão quase ritualística à apresentação, com sua aura enigmática e poderosa. O grand finale com "Kun Aurinko Kuoli" e "Juudas" foi um encerramento apoteótico, deixando claro que o Azaghal não apenas tocou suas músicas, mas encenou um verdadeiro rito de black metal, uma celebração da noite e do caos. A noite no La Iglesia foi um triunfo para o “Bloco dos Camisas Pretas”, uma celebração da escuridão que, em meio à algazarra do carnaval, provou ser o refúgio perfeito para almas que buscam algo mais profundo, visceral e intransigente.
Texto: Marcelo Gomes
Fotos: Sabrina Ribeiro para o Cultura em Peso
Edição/Revisão: Gabriel Arruda
Realização: Caveira Velha Produções
Great Vast Forest – setlist:
Majestic South
Wolvesclan
Prelude to the victory...
Masters of the Old War
Call From the Grave (Bathory)
Bloody Winter
Memories of the Fire...
In the Deep Forest...
Ride of the Valkyries
Imperial Moon
Azaghal – setlist:
Alttarini on luista tehty
Myrkkyä
Filosofi
Black Terror Metal / Kyy
Peto 666
Maailman Viimeinen Yö (Ja EnsimmäInen)
Madon sanat
Syöpäläinen
De Masticatione Mortuorum
Mustamaa
Agios O Baphomet
Quetzalcoatl
Kun Aurinko Kuoli
Juudas





Um comentário:
Corrigindo a postagem e acho válido lembrar que a realização do evento foi uma parceira entre Gerunda Produções, Impaled Records e Caveira Velha Produções!! Parabéns pela matéria!!
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