Mostrando postagens com marcador Impellitteri. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Impellitteri. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Graham Bonnet Band – 26/07/2026 – Burning House/SP

O penúltimo domingo do mês de julho ficou marcado por um dos melhores shows do ano, mesmo sabendo que teremos muita coisa para o restante de 2026. Sim, o show a que eu me refiro é o de Graham Bonnet, que, depois de meia década, retornou ao Brasil para desfilar os seus melhores momentos da carreira para o público fiel e encerrar a sua turnê pela América Latina em grande estilo. Quem esteve na Burning House, local do show, não só viu alguns dos seus clássicos do Rainbow, Michael Schenker Group, Alcatrazz e Impellitteri, como também viu um homem que resistiu ao tempo.

Ao adentrar na casa, localizada no bairro da Água Branca, avistamos um número significativo de pessoas. Não chegou a atingir a sua capacidade, mas foi quase, o que é de se surpreender em se tratando de um artista subestimado. Sim, foi isso mesmo que eu disse, pois, mesmo tendo integrado e gravado trabalhos ao lado de guitarristas como Ritchie Blackmore, Michael Schenker, Yngwie Malmsteen e Steve Vai, Graham não teve o merecido reconhecimento que os outros vocalistas de sua época tiveram, o que é uma pena, pois é um cantor talentosíssimo e influente para muitos do ramo – vide Dave DeFeis, que, em conversa com este repórter, falou que é uma de suas principais influências.

Não demorou muito para que o inglês e sua banda tomassem conta do palco, pois é raro, em pleno domingo, shows começarem antes das 20/21hrs. Por volta das 19h30, uma introdução interestelar saía dos sons da casa, indicando que o início seria com Eyes of the World, do Down to Earth (1979), que logo animou os presentes nos seus primeiros minutos, assim como a emblemática All Night Long, que pôs a maioria para cantar com força. Esse começo teve ainda mais energia com S.O.S. Intensa e dona de um refrão cômico, a música trouxe um breve peso antes de partir para uma rápida calmaria, que foi instaurada na melódica Love’s No Friend e que resultou no primeiro momento de interação, no qual Graham brincou que a gravou nos idos de 1800, quando ainda os dinossauros andava pela terra. Nesse embalo, ele aproveitou para agradecer ao saudoso Ronnie James Dio – por ter saído da banda – e ao Ritchie Blackmore por ter lhe dado um bom trabalho, que mudou a sua vida.

Por esse início, já dava pra sacar que o setlist ia trazer muitos clássicos, mas, em meio às pérolas, também teve coisas de sua carreira solo. Night Games, que, assim como S.O.S., também do Line-Up (1981), é um dos principais singles do álbum, trouxe a aura oitentista com uma mistura de hard rock e AOR carregada de energia. Antes de anunciá-la, Graham relembrou que a música foi gravada ao lado dos saudosos Cozy Powell (Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath, Michael Schenker Group e etc.), Jon Lord (Deep Purple, Whitesnake), Rick Parfitt (Status Quo) e Micky Moody (Whitesnake). Imposter e Into the Night – durante esta última, Graham quase caiu enquanto retornava ao seu banquinho – mostraram um pouco do que o vocalista e sua banda fizeram nos últimos anos. Ambas detêm riffs pesados e melodias marcantes, sem deixar aquela característica clássica de lado.

Essa parte, em específico, mostrou o poderio dos músicos que o acompanham, e vale um destaque especial para cada um, a começar pelo brasileiro Conrado Pesinato, que surpreendeu todo mundo com seu timbre poderoso de guitarra. Do começo ao fim, ele mostrou ter personalidade própria, pois em nenhum momento quis soar parecido com os guitarristas que tocaram com o Graham no passado, como bem definiu a baixista Beth-Ami Heavenstone em um momento do show. Uma pena não ter o devido reconhecimento, pois é impressionante o talento desse sujeito.

O tecladista Alessandro Bertoni e o baterista Francis Cassol, trajado com a camiseta das Spice Girls, tiveram os seus momentos de protagonismo, com solos vibrantes, enquanto o dono da noite repousava. Beth-Ami Heavenstone, que, além de baixista, é a esposa do Graham e tour manager da banda, fez de tudo para que a turnê acontecesse da melhor forma, como ela mesma bem disse. No palco, ela mostrou ter uma performance consistente, esbanjando empatia e distribuindo sorrisos.

Sobre Graham, faltam palavras para descrevê-lo, pois, mesmo com suas limitações físicas, que o obrigam a fazer o show sentado, e no auge dos seus 78 anos, ele consegue mostrar que sua voz resistiu ao tempo. Sua potência vocal e seu alcance continuam intactos, deixando muita gente de queixo caído com o que viu.

Fora o eixo Rainbow e carreira solo, também teve espaço para os seus tempos de Alcatrazz, que só poderiam ser dos álbuns No Parole from Rock 'n' Roll (1983), o único com Yngwie Malmsteen nas guitarras, e Disturbing the Peace (1985), com Steve Vai. A primeira foi justamente desse álbum, com God Blessed Video, dona de um refrão memorável, e Jet to Jet, uma das melhores da banda, por ter um andamento intenso. As escolhas foram mais do que óbvias, mas suficientes para mostrar que o Alcatrazz tem sua importância na história do hard rock, deixando os fãs ali presentes felizes com o que viram.

E, por falar em felicidade, ela se elevou na hora de Desert Song, a primeira do Michael Schenker Group, tirada de Assault Attack (1982), que provocou interação de Graham com o público, que aplaudiu sua performance com fervor. 

O final da primeira parte reservou mais momentos especiais. Since You Been Gone, originalmente composta por Russ Ballard, mas famosa pela versão do Rainbow, veio de forma bem descontraída, pois, antes de executá-la, Conrado reforçou que tocariam uma música inédita, soltando trechos de Smoke on the Water para a inconformidade de Graham, mas tudo na base da brincadeira. Assault Attack, faixa-título do único álbum que gravou com Michael Schenker, preparou o bis com um verdadeiro petardo.

O bis, por assim dizer, não teve, pois ninguém precisou sair do palco. Mas, obedecendo ao protocolo, o início da segunda parte veio de forma bem carregada com Too Young to Die, Too Drunk to Live, talvez o maior clássico do Alcatrazz e que trouxe uma performance vocal agressiva de Graham, antes de encerrar, de forma sofisticada, com Lost in Hollywood, já deixando um sabor de saudade e o desejo de quero mais.

Não foi apenas um show, foi uma verdadeira aula. Todos, incluindo Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), que esteve presente no show, saíram felizes e contentes com o que viram. Nada deu errado: Graham em plena forma vocal, banda com sangue nos olhos, som impecável, pontualidade e organização de aplaudir e tirar o chapéu. Espero que não demore muito para vir novamente, pois é um show que compensa ver diversas e diversas vezes.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: DNA Rock Events



Graham Bonnet Band – setlist:

Eyes of the World

All Night Long

S.O.S.

Love's No Friend

Night Games

God Blessed Video

Imposter

Desert Song

Jet to Jet 

Since You Been Gone

Into the Night

Assault Attack

Too Young to Die, Too Drunk to Live

Lost in Hollywood

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

De Volta a Hollywood: Graham Bonnet Reescreve Sua História ao Vivo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

O novo álbum ao vivo “Lost In Hollywood Again”, registrado no lendário Whisky a Go Go, apresenta Graham Bonnet em plena forma. A obra não só resgata momentos essenciais de uma carreira que atravessa décadas, como também reafirma o vigor musical de uma banda entrosada e segura de seu propósito. Faixa a faixa, o disco revela um percurso emocional, técnico e histórico que faz justiça ao legado de Bonnet e suas passagens por grupos icônicos como Rainbow, Alcatrazz e Michael Schenker Group.

A abertura com “Eyes Of The World”, clássico do Rainbow, é grandiosa e irresistível. A gravação capta a atmosfera imponente da versão original, preparando o ouvinte para um espetáculo que honra a história da banda sem soar datado. É um início que cria expectativa e, de maneira justa, anuncia algo maior.

Na sequência, “All Night Long” explode em energia. As guitarras permanecem inconfundíveis e o vocal de Bonnet encontra seu auge ao vivo, entregando uma performance que pode fazer qualquer um levantar do sofá. É um clássico absoluto que reafirma a força dessa fase da carreira do vocalista.

Ainda na fase Rainbow, temos “Love 's No Friend” que mantém a linha pesada, com riffs firmes e um refrão reforçado por backing vocals sólidos. A cozinha funciona de maneira coesa e entrega uma terceira faixa lapidada, reforçando que o repertório deles continua sendo uma jóia quando interpretado por quem lhe deu vida originalmente.

Seguimos para a quarta faixa, “Making Love”, que surge como um momento mais melódico. A composição transita entre o Hard Rock e nuances de Groove, intercalando vocais e ótimos solos de guitarra. Ao vivo, a música ganha ainda mais corpo, revelando-se um acerto na construção dinâmica do espetáculo.

E então vem ela: “Since You’ve Been Gone”, a queridinha do público. A música carrega memórias e nostálgias que atravessam gerações, e a banda entrega tudo com precisão. É impossível não ser transportado para outro tempo e deixar as preocupações em pausa por alguns minutos.

O interlúdio “Keys Solo” é uma das surpresas mais agradáveis do álbum. Entre guitarras pesadas e conversas com o público, os sintetizadores criam uma viagem instrumental que merece ser ouvida com atenção. Inclusive, pular essa faixa seria um pecado. É técnica, atmosfera e brilhantismo puro.

Entretanto, chegam os respiros, com “Lazy” traz um Rock N’ Blues despretensioso, perfeito para o clima ao vivo, enquanto “Imposter” muda o ritmo e injeta uma estética oitentista, pesada, com Bonnet demonstrando vocais ainda muito potentes. Já “S.O.S.” aposta em pianos e elementos de rock clássico, sem revelar grandes surpresas, mas cumprindo bem seu papel no fluxo do show.

Convém falar em “Desert Song”, onde o álbum segue sua linha estética, mantendo coerência sem se desviar do tom Hard Rock que domina o repertório. Na sequência, o tradicional “Drums Solo”, que prepara terreno para o retorno explosivo com “Night Games”, grande sucesso da carreira solo de Bonnet nos anos 1980. É outro ponto de destaque, merecendo figurar mais uma vez no hall dos clássicos do vocalista.

Na reta final, “Into the Night” e “Assault Attack” reforçam a proposta da performance ao vivo com faixas menos conhecidas do grande público, mas que agregam peso e constância ao repertório. 

O penúltimo grande momento chega com “Too Young To Die, Too Drunk To Live”, clássico da era Alcatrazz. É, sem dúvida, um dos ápices do show — já anunciado pelo próprio Bonnet — e conduz o público a uma celebração da fase oitenta do artista.

Por fim, a obra se encerra com “Lost In Hollywood”, mais um marco do Down to Earth. Aqui, Bonnet revisita seu próprio passado com honra e perfeição. A execução ao vivo preserva o espírito original criado por Ritchie Blackmore, Roger Glover e Cozy Powell, encerrando o álbum com a dignidade que os clássicos merecem.

“Lost In Hollywood Again” é mais que um álbum ao vivo, pode ser considerado um documento histórico. Graham Bonnet revisita seus sucessos com autoridade, acompanhado por uma banda afiada e um público entusiasmado. O disco celebra a trajetória de um dos vocalistas mais singulares do Hard Rock, mantendo viva não apenas a memória de seus clássicos, mas também sua relevância contemporânea. 

Mais um presente de Natal, daqueles que não tem erro, com lançamento para o dia 12 de dezembro de 2025.

“Lost In Hollywood Again” Tracklist:

1.    Eyes Of The World    

2.    All Night Long    

3.    Love's No Friend    

4.    Making Love    

5.    Since You'Ve Been Gone    

6.    Keys solo    

7.    Lazy    

8.    Imposter    

9.    S.O.S.    

10.    Desert Song    

11.    Drums solo    

12.    Night Games    

13.    Into The Night    

14.    Assault Attack    

15.    Too Young To Die, Too Drunk To Live    

16.    Lost In Hollywood


Line Up:

Graham Bonnet – Vocals

Conrado Pesinato – Guitars

Beth-Ami Heavenstone – Bass

Alessandro Bertoni – Keyboards

Francis Cassol – Drums