O penúltimo domingo do mês de julho ficou marcado por um dos melhores shows do ano, mesmo sabendo que teremos muita coisa para o restante de 2026. Sim, o show a que eu me refiro é o de Graham Bonnet, que, depois de meia década, retornou ao Brasil para desfilar os seus melhores momentos da carreira para o público fiel e encerrar a sua turnê pela América Latina em grande estilo. Quem esteve na Burning House, local do show, não só viu alguns dos seus clássicos do Rainbow, Michael Schenker Group, Alcatrazz e Impellitteri, como também viu um homem que resistiu ao tempo.
Ao adentrar na casa, localizada no bairro da Água Branca, avistamos um número significativo de pessoas. Não chegou a atingir a sua capacidade, mas foi quase, o que é de se surpreender em se tratando de um artista subestimado. Sim, foi isso mesmo que eu disse, pois, mesmo tendo integrado e gravado trabalhos ao lado de guitarristas como Ritchie Blackmore, Michael Schenker, Yngwie Malmsteen e Steve Vai, Graham não teve o merecido reconhecimento que os outros vocalistas de sua época tiveram, o que é uma pena, pois é um cantor talentosíssimo e influente para muitos do ramo – vide Dave DeFeis, que, em conversa com este repórter, falou que é uma de suas principais influências.
Não demorou muito para que o inglês e sua banda tomassem conta do palco, pois é raro, em pleno domingo, shows começarem antes das 20/21hrs. Por volta das 19h30, uma introdução interestelar saía dos sons da casa, indicando que o início seria com Eyes of the World, do Down to Earth (1979), que logo animou os presentes nos seus primeiros minutos, assim como a emblemática All Night Long, que pôs a maioria para cantar com força. Esse começo teve ainda mais energia com S.O.S. Intensa e dona de um refrão cômico, a música trouxe um breve peso antes de partir para uma rápida calmaria, que foi instaurada na melódica Love’s No Friend e que resultou no primeiro momento de interação, no qual Graham brincou que a gravou nos idos de 1800, quando ainda os dinossauros andava pela terra. Nesse embalo, ele aproveitou para agradecer ao saudoso Ronnie James Dio – por ter saído da banda – e ao Ritchie Blackmore por ter lhe dado um bom trabalho, que mudou a sua vida.
Por esse início, já dava pra sacar que o setlist ia trazer muitos clássicos, mas, em meio às pérolas, também teve coisas de sua carreira solo. Night Games, que, assim como S.O.S., também do Line-Up (1981), é um dos principais singles do álbum, trouxe a aura oitentista com uma mistura de hard rock e AOR carregada de energia. Antes de anunciá-la, Graham relembrou que a música foi gravada ao lado dos saudosos Cozy Powell (Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath, Michael Schenker Group e etc.), Jon Lord (Deep Purple, Whitesnake), Rick Parfitt (Status Quo) e Micky Moody (Whitesnake). Imposter e Into the Night – durante esta última, Graham quase caiu enquanto retornava ao seu banquinho – mostraram um pouco do que o vocalista e sua banda fizeram nos últimos anos. Ambas detêm riffs pesados e melodias marcantes, sem deixar aquela característica clássica de lado.
Essa parte, em específico, mostrou o poderio dos músicos que o acompanham, e vale um destaque especial para cada um, a começar pelo brasileiro Conrado Pesinato, que surpreendeu todo mundo com seu timbre poderoso de guitarra. Do começo ao fim, ele mostrou ter personalidade própria, pois em nenhum momento quis soar parecido com os guitarristas que tocaram com o Graham no passado, como bem definiu a baixista Beth-Ami Heavenstone em um momento do show. Uma pena não ter o devido reconhecimento, pois é impressionante o talento desse sujeito.
O tecladista Alessandro Bertoni e o baterista Francis Cassol, trajado com a camiseta das Spice Girls, tiveram os seus momentos de protagonismo, com solos vibrantes, enquanto o dono da noite repousava. Beth-Ami Heavenstone, que, além de baixista, é a esposa do Graham e tour manager da banda, fez de tudo para que a turnê acontecesse da melhor forma, como ela mesma bem disse. No palco, ela mostrou ter uma performance consistente, esbanjando empatia e distribuindo sorrisos.
Sobre Graham, faltam palavras para descrevê-lo, pois, mesmo com suas limitações físicas, que o obrigam a fazer o show sentado, e no auge dos seus 78 anos, ele consegue mostrar que sua voz resistiu ao tempo. Sua potência vocal e seu alcance continuam intactos, deixando muita gente de queixo caído com o que viu.
Fora o eixo Rainbow e carreira solo, também teve espaço para os seus tempos de Alcatrazz, que só poderiam ser dos álbuns No Parole from Rock 'n' Roll (1983), o único com Yngwie Malmsteen nas guitarras, e Disturbing the Peace (1985), com Steve Vai. A primeira foi justamente desse álbum, com God Blessed Video, dona de um refrão memorável, e Jet to Jet, uma das melhores da banda, por ter um andamento intenso. As escolhas foram mais do que óbvias, mas suficientes para mostrar que o Alcatrazz tem sua importância na história do hard rock, deixando os fãs ali presentes felizes com o que viram.
E, por falar em felicidade, ela se elevou na hora de Desert Song, a primeira do Michael Schenker Group, tirada de Assault Attack (1982), que provocou interação de Graham com o público, que aplaudiu sua performance com fervor.
O final da primeira parte reservou mais momentos especiais. Since You Been Gone, originalmente composta por Russ Ballard, mas famosa pela versão do Rainbow, veio de forma bem descontraída, pois, antes de executá-la, Conrado reforçou que tocariam uma música inédita, soltando trechos de Smoke on the Water para a inconformidade de Graham, mas tudo na base da brincadeira. Assault Attack, faixa-título do único álbum que gravou com Michael Schenker, preparou o bis com um verdadeiro petardo.
O bis, por assim dizer, não teve, pois ninguém precisou sair do palco. Mas, obedecendo ao protocolo, o início da segunda parte veio de forma bem carregada com Too Young to Die, Too Drunk to Live, talvez o maior clássico do Alcatrazz e que trouxe uma performance vocal agressiva de Graham, antes de encerrar, de forma sofisticada, com Lost in Hollywood, já deixando um sabor de saudade e o desejo de quero mais.
Não foi apenas um show, foi uma verdadeira aula. Todos, incluindo Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), que esteve presente no show, saíram felizes e contentes com o que viram. Nada deu errado: Graham em plena forma vocal, banda com sangue nos olhos, som impecável, pontualidade e organização de aplaudir e tirar o chapéu. Espero que não demore muito para vir novamente, pois é um show que compensa ver diversas e diversas vezes.
Tributos costumam caminhar sobre uma linha tênue. De um lado, a celebração legítima de um legado; do outro, o risco de se tornarem apenas exercícios de nostalgia destinados a um público já convertido. Felizmente, Ride The Rainbow – The Ultimate Tribute to Ritchie Blackmore's Rainbow, lançado pela Cleopatra Records, pertence à primeira categoria.
O grande trunfo do álbum reside no resgate de sua própria árvore genealógica. O projeto reúne nada menos que seis músicos que respiraram o oxigênio da banda original em diferentes eras : o pulsar clássico do baixo de Bob Daisley (Long Live Rock 'n' Roll) ; a potência vocal e o carisma de Graham Bonnet (Down to Earth) ; a sofisticação erudita das teclas de Don Airey ; o refino melódico de Joe Lynn Turner, arquiteto da fase AOR dos anos 1980 ; a crueza Hard de Doogie White (Stranger in Us All) ; e a urgência contemporânea de Ronnie Romero, o homem que deu voz ao retorno recente do grupo aos palcos. Como toque de classe e legitimidade, a presença de Candice Night — que além de esposa do mestre, foi peça fundamental nos backing vocals históricos da banda — eleva o status do registro.
Mas é quando observamos o restante do cast que a dimensão do projeto se torna evidente. O álbum reúne músicos associados a algumas das bandas mais influentes da história do rock e do metal, incluindo Rainbow, Deep Purple, Black Sabbath, Dio, Whitesnake, Journey, Megadeth, Judas Priest, Def Leppard, AC/DC, Dream Theater, Blue Öyster Cult e Uriah Heep. Em qualquer outro contexto, uma reunião dessa magnitude poderia facilmente resultar em um exercício de vaidade coletiva. Aqui, porém, os convidados parecem compreender que as músicas devem permanecer no centro das atenções.
Uma das maiores virtudes de Ride The Rainbow é justamente sua abrangência. Em vez de se concentrar apenas na celebrada fase comandada por Ronnie James Dio, o álbum percorre praticamente todas as encarnações clássicas do Rainbow, contemplando desde os primeiros anos épicos e neoclássicos até o período mais acessível e orientado ao AOR da era Joe Lynn Turner. Essa abordagem oferece um retrato bastante fiel da evolução musical da banda, frequentemente reduzida injustamente apenas aos seus anos mais pesados.
A sequência inicial já estabelece o nível da homenagem. "Long Live Rock 'n' Roll", interpretada por Bob Daisley, Graham Bonnet, Ron "Bumblefoot" Thal, Carmine Appice e Don Airey, abre os trabalhos com energia e reverência. Em seguida, "Man on the Silver Mountain" e "Stargazer" formam uma verdadeira tríade de clássicos absolutos, reafirmando por que o repertório do Rainbow continua sendo referência obrigatória para gerações de músicos e fãs.
O mérito do álbum, entretanto, não está apenas na escolha das canções. A produção encontra um equilíbrio difícil entre modernizar o material e preservar sua identidade original. As interpretações evitam a armadilha de reproduzir nota por nota os arranjos consagrados, mas também não caem na tentação de reinventar músicas que já nasceram praticamente definitivas. O resultado é uma coleção de versões que respeitam o espírito das composições sem abrir mão da personalidade dos intérpretes.
Entre os destaques da parte central do álbum estão a elegante releitura de "Rainbow Eyes", conduzida por Mike Tramp; a poderosa "Since You Been Gone", liderada por Graham Bonnet; a sempre explosiva "Kill the King"; e uma inspirada versão de "The Temple of the King", que preserva toda a atmosfera mística da composição original.
A reta final desloca o foco para a fase mais melódica e radiofônica do Rainbow. Faixas como "Jealous Lover", "I Surrender", "Street of Dreams" e "Stone Cold" servem como lembrete de que Blackmore também foi responsável por algumas das melhores canções de hard rock melódico produzidas nos anos 1980. O encerramento com uma delicada versão acústica de "I Surrender", interpretada por Marcus Nand e Candice Night, funciona como uma despedida elegante e surpreendentemente emotiva.
Diante de um elenco tão vasto, destacar performances individuais torna-se uma tarefa quase injusta. O verdadeiro protagonista aqui é o próprio catálogo do Rainbow. Cada participante contribui para reforçar a força atemporal dessas composições e a influência duradoura exercida por Ritchie Blackmore sobre diferentes gerações de músicos.
Mais do que um simples álbum-tributo, Ride The Rainbow funciona como uma celebração da relevância histórica de uma banda cuja importância muitas vezes é subestimada quando comparada aos gigantes que surgiram à sua volta. Para fãs de longa data, trata-se de uma oportunidade de revisitar clássicos sob novas perspectivas. Para os mais jovens, é uma excelente porta de entrada para um dos catálogos mais influentes da história do hard rock e do heavy metal.
Ride The Rainbow acerta justamente onde muitos tributos fracassam: coloca as músicas acima dos egos, respeita o legado sem se tornar refém dele e oferece interpretações suficientemente inspiradas para justificar sua existência. Uma homenagem digna de uma das bandas mais importantes que já carregaram o nome de Ritchie Blackmore.
Este tributo é obrigatório para qualquer fã do Rainbow ou dos músicos aqui presentes e também para quem tem interesse em conhecer a banda, o legado de Ritchie Blackmore e também a importância dos músicos que fazem parte deste projeto. Para facilitar as coisas segue abaixo um pequeno guia dos participantes deste álbum:
MúsicoBanda
Andrew Freeman Last in Line
Angel Banda de hard rock dos anos 70 produzida por Gene Simmons
Bob Daisley Rainbow, Ozzy Osbourne Band, Gary Moore Band, Uriah Heep
Candice Night Blackmore's Night
Carmine Appice Vanilla Fudge, Cactus, Blue Murder, Rod Stewart
Chris Adler Lamb of God, Megadeth
Chris Poland Megadeth, OHM
David Ellefson Megadeth
Derek Sherinian Dream Theater, Sons of Apollo, Black Country Communion
Don Airey Deep Purple, Rainbow, Ozzy Osbourne, Whitesnake
Doogie White Rainbow, Michael Schenker Fest, Alcatrazz
Doug Aldrich Whitesnake, Dio, The Dead Daisies, Burning Rain
Eric Gales Um dos guitarristas de blues-rock mais respeitados da atualidade
Fred Aching Electric Revolution
George Lynch Dokken, Lynch Mob
Graham Bonnet Rainbow, Alcatrazz, Michael Schenker Group
Joe Bouchard Blue Öyster Cult
Joe Lynn Turner Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen
Joel Hoekstra Whitesnake, Night Ranger, Trans-Siberian Orchestra
Jonathan Cain Journey, The Babys
Jürgen Engler Die Krupps
Kevin James Morse Projeto Morse Code e trabalhos com Steve Morse
Marc Lopes Metal Church, Ross The Boss
Marcus Nand Zodiac Mindwarp
Marty Friedman Megadeth, Cacophony, carreira solo
Mick Box Uriah Heep
Mike Tramp White Lion, Freak of Nature
Paul Shortino Quiet Riot, Rough Cutt
Phil Soussan Ozzy Osbourne, Billy Idol
Rick Wakeman Yes
Ron 'Bumblefoot' Thal Guns N' Roses, Sons of Apollo
Ronnie Romero Rainbow, Lords of Black, Sunstorm, Michael Schenker Group
Sebastian Bach Skid Row
Simon Wright AC/DC, Dio
Steve Morse Deep Purple, Dixie Dregs, Kansas
Tim 'Ripper' Owens Judas Priest, Iced Earth, KK's Priest
Vinnie Moore UFO, carreira solo
Vinny Appice Black Sabbath, Dio, Heaven & Hell
Vivian Campbell Def Leppard, Dio, Whitesnake
***ENGLISH VERSION***
Tribute albums often walk a fine line. On one side lies the genuine celebration of a legacy; on the other, the risk of becoming little more than nostalgia exercises aimed at an already converted audience. Fortunately, Ride The Rainbow – The Ultimate Tribute to Ritchie Blackmore's Rainbow, released by Cleopatra Records, firmly belongs to the former category.
The album’s greatest strength lies in its own family tree. The project brings together no fewer than six musicians who breathed the air of Rainbow across different eras: the classic bass pulse of Bob Daisley (Long Live Rock 'n' Roll); the powerhouse vocals and charisma of Graham Bonnet (Down to Earth); the sophisticated musicianship of keyboard virtuoso Don Airey; the melodic refinement of Joe Lynn Turner, the architect of Rainbow’s AOR-driven 1980s period; the hard-hitting grit of Doogie White (Stranger in Us All); and the contemporary urgency of Ronnie Romero, the singer who fronted the band's recent reunion performances. As a touch of class and authenticity, the presence of Candice Night—who, beyond being Blackmore’s wife, contributed backing vocals to several key moments in Rainbow’s history—adds further legitimacy to the project.
However, it is when examining the supporting cast that the true scale of the undertaking becomes apparent. The album features musicians associated with some of the most influential bands in rock and metal history, including Rainbow, Deep Purple, Black Sabbath, Dio, Whitesnake, Journey, Megadeth, Judas Priest, Def Leppard, AC/DC, Dream Theater, Blue Öyster Cult, and Uriah Heep. In lesser hands, a gathering of this magnitude could easily descend into an exercise in collective self-indulgence. Here, however, the guests seem to understand that the songs themselves must remain the focal point.
One of Ride The Rainbow’s greatest virtues is its scope. Rather than focusing exclusively on the celebrated Ronnie James Dio era, the album explores virtually every classic incarnation of Rainbow, covering everything from the band's early epic and neo-classical years to the more melodic and AOR-oriented Joe Lynn Turner period. The result is a remarkably faithful portrait of a band whose musical evolution is often unfairly reduced to its heavier years alone.
The opening sequence immediately establishes the quality of the tribute. "Long Live Rock 'n' Roll," featuring Bob Daisley, Graham Bonnet, Ron "Bumblefoot" Thal, Carmine Appice, and Don Airey, launches the album with both energy and reverence. It is followed by "Man on the Silver Mountain" and "Stargazer," forming a triumphant trilogy of absolute classics that reaffirms why Rainbow’s catalogue remains essential listening for generations of musicians and fans alike.
The album’s success, however, is not solely rooted in its song selection. The production achieves the difficult balance of modernizing the material while preserving its original identity. These performances avoid the trap of reproducing every note of the classic arrangements, yet they also resist the temptation to radically reinvent songs that were already close to definitive. The result is a collection of interpretations that honor the spirit of the originals while allowing the individual personalities of the performers to shine through.
Among the highlights of the album’s central section are Mike Tramp’s elegant take on "Rainbow Eyes," Graham Bonnet’s powerful rendition of "Since You Been Gone," the ever-explosive "Kill the King," and an inspired version of "The Temple of the King" that successfully retains all the mystical atmosphere of the original recording.
The final stretch shifts the spotlight toward Rainbow’s more melodic and radio-friendly years. Tracks such as "Jealous Lover," "I Surrender," "Street of Dreams," and "Stone Cold" serve as reminders that Blackmore was also responsible for some of the finest melodic hard rock songs of the 1980s. The album closes with a delicate acoustic version of "I Surrender" performed by Marcus Nand and Candice Night, providing an elegant and surprisingly emotional farewell.
With such an extensive roster of talent, singling out individual performances almost feels unfair. The true star of the album is Rainbow’s catalogue itself. Every participant contributes to reinforcing the timeless power of these compositions and the enduring influence Ritchie Blackmore continues to exert over multiple generations of musicians.
More than a simple tribute album, Ride The Rainbow serves as a celebration of the historical importance of a band whose significance is often underestimated when compared to the giants that surrounded it. For longtime fans, it offers an opportunity to revisit beloved classics through fresh perspectives. For younger listeners, it provides an ideal gateway into one of the most influential catalogues in the history of hard rock and heavy metal.
Ride The Rainbow succeeds precisely where many tribute albums fail: it places the songs above the egos, respects the legacy without becoming enslaved by it, and delivers performances inspired enough to justify its existence. A fitting tribute to one of the most important bands ever to bear the name of Ritchie Blackmore.
This tribute is essential listening not only for Rainbow fans and admirers of the musicians involved, but also for anyone interested in discovering the band, exploring Ritchie Blackmore’s legacy, and understanding the significance of the artists who contribute to this remarkable project. To make things easier, below is a brief guide to the participants featured on the album:
MusicianBand
Andrew Freeman Last in Line
Angel 1970s hard rock band produced by Gene Simmons
Bob Daisley Rainbow, Ozzy Osbourne Band, Gary Moore Band, Uriah Heep
Candice Night Blackmore's Night
Carmine Appice Vanilla Fudge, Cactus, Blue Murder, Rod Stewart
Chris Adler Lamb of God, Megadeth
Chris Poland Megadeth, OHM
David Ellefson Megadeth
Derek Sherinian Dream Theater, Sons of Apollo, Black Country Communion
Don Airey Deep Purple, Rainbow, Ozzy Osbourne, Whitesnake
Doogie White Rainbow, Michael Schenker Fest, Alcatrazz
Doug Aldrich Whitesnake, Dio, The Dead Daisies, Burning Rain
Eric Gales One of the most respected blues-rock guitarists of today
Fred Aching Electric Revolution
George Lynch Dokken, Lynch Mob
Graham Bonnet Rainbow, Alcatrazz, Michael Schenker Group
Joe Bouchard Blue Öyster Cult
Joe Lynn Turner Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen
Joel Hoekstra Whitesnake, Night Ranger, Trans-Siberian Orchestra
Jonathan Cain Journey, The Babys
Jürgen Engler Die Krupps
Kevin James MorseThe Morse Code project and work withSteve Morse
Marc Lopes Metal Church, Ross The Boss
Marcus Nand Zodiac Mindwarp
Marty Friedman Megadeth, Cacophony, solo career
Mick Box Uriah Heep
Mike Tramp White Lion, Freak of Nature
Paul Shortino Quiet Riot, Rough Cutt
Phil Soussan Ozzy Osbourne, Billy Idol
Rick Wakeman Yes
Ron 'Bumblefoot' Thal Guns N' Roses, Sons of Apollo
Ronnie Romero Rainbow, Lords of Black, Sunstorm, Michael Schenker Group
Sebastian Bach Skid Row
Simon Wright AC/DC, Dio
Steve Morse Deep Purple, Dixie Dregs, Kansas
Tim 'Ripper' Owens Judas Priest, Iced Earth, KK's Priest
O novo álbum ao vivo “Lost In Hollywood Again”, registrado no lendário Whisky a Go Go, apresenta Graham Bonnet em plena forma. A obra não só resgata momentos essenciais de uma carreira que atravessa décadas, como também reafirma o vigor musical de uma banda entrosada e segura de seu propósito. Faixa a faixa, o disco revela um percurso emocional, técnico e histórico que faz justiça ao legado de Bonnet e suas passagens por grupos icônicos como Rainbow, Alcatrazz e Michael Schenker Group.
A abertura com “Eyes Of The World”, clássico do Rainbow, é grandiosa e irresistível. A gravação capta a atmosfera imponente da versão original, preparando o ouvinte para um espetáculo que honra a história da banda sem soar datado. É um início que cria expectativa e, de maneira justa, anuncia algo maior.
Na sequência, “All Night Long” explode em energia. As guitarras permanecem inconfundíveis e o vocal de Bonnet encontra seu auge ao vivo, entregando uma performance que pode fazer qualquer um levantar do sofá. É um clássico absoluto que reafirma a força dessa fase da carreira do vocalista.
Ainda na fase Rainbow, temos “Love 's No Friend” que mantém a linha pesada, com riffs firmes e um refrão reforçado por backing vocals sólidos. A cozinha funciona de maneira coesa e entrega uma terceira faixa lapidada, reforçando que o repertório deles continua sendo uma jóia quando interpretado por quem lhe deu vida originalmente.
Seguimos para a quarta faixa, “Making Love”, que surge como um momento mais melódico. A composição transita entre o Hard Rock e nuances de Groove, intercalando vocais e ótimos solos de guitarra. Ao vivo, a música ganha ainda mais corpo, revelando-se um acerto na construção dinâmica do espetáculo.
E então vem ela: “Since You’ve Been Gone”, a queridinha do público. A música carrega memórias e nostálgias que atravessam gerações, e a banda entrega tudo com precisão. É impossível não ser transportado para outro tempo e deixar as preocupações em pausa por alguns minutos.
O interlúdio “Keys Solo” é uma das surpresas mais agradáveis do álbum. Entre guitarras pesadas e conversas com o público, os sintetizadores criam uma viagem instrumental que merece ser ouvida com atenção. Inclusive, pular essa faixa seria um pecado. É técnica, atmosfera e brilhantismo puro.
Entretanto, chegam os respiros, com “Lazy” traz um Rock N’ Blues despretensioso, perfeito para o clima ao vivo, enquanto “Imposter” muda o ritmo e injeta uma estética oitentista, pesada, com Bonnet demonstrando vocais ainda muito potentes. Já “S.O.S.” aposta em pianos e elementos de rock clássico, sem revelar grandes surpresas, mas cumprindo bem seu papel no fluxo do show.
Convém falar em “Desert Song”, onde o álbum segue sua linha estética, mantendo coerência sem se desviar do tom Hard Rock que domina o repertório. Na sequência, o tradicional “Drums Solo”, que prepara terreno para o retorno explosivo com “Night Games”, grande sucesso da carreira solo de Bonnet nos anos 1980. É outro ponto de destaque, merecendo figurar mais uma vez no hall dos clássicos do vocalista.
Na reta final, “Into the Night” e “Assault Attack” reforçam a proposta da performance ao vivo com faixas menos conhecidas do grande público, mas que agregam peso e constância ao repertório.
O penúltimo grande momento chega com “Too Young To Die, Too Drunk To Live”, clássico da era Alcatrazz. É, sem dúvida, um dos ápices do show — já anunciado pelo próprio Bonnet — e conduz o público a uma celebração da fase oitenta do artista.
Por fim, a obra se encerra com “Lost In Hollywood”, mais um marco do Down to Earth. Aqui, Bonnet revisita seu próprio passado com honra e perfeição. A execução ao vivo preserva o espírito original criado por Ritchie Blackmore, Roger Glover e Cozy Powell, encerrando o álbum com a dignidade que os clássicos merecem.
“Lost In Hollywood Again” é mais que um álbum ao vivo, pode ser considerado um documento histórico. Graham Bonnet revisita seus sucessos com autoridade, acompanhado por uma banda afiada e um público entusiasmado. O disco celebra a trajetória de um dos vocalistas mais singulares do Hard Rock, mantendo viva não apenas a memória de seus clássicos, mas também sua relevância contemporânea.
Mais um presente de Natal, daqueles que não tem erro, com lançamento para o dia 12 de dezembro de 2025.
Fundada em 1997 pelo lendário guitarrista Ritchie Blackmore (Rainbow, Deep Purple) e sua esposa Candice Night, o Blackmore's Night é onde a dupla explora suas influências e inspirações na música Folk e Medieval europeia.
Depois de um período em que Blackmore retornou com um reformulado Rainbow para algumas tours e álbuns ao vivo, o casal agora entra novamente na máquina do tempo e retoma a atenção para seu Blackmore's Night.
O grupo lançou este ano seu décimo álbum de estúdio, "Nature's Light", e a dupla central explica que o conceito é sobre a simplicidade e magia que a natureza proporciona, com pequenos milagres diários que acontecem diante de nossos olhos, como a mudança das folhas nas estações, a nova vida na primavera, a neve cristalina caindo do céu e o encanto da lua e estrelas.
A tríade inicial, "Once Upon December", "FourWinds" e "Feather in the Wind", já transportam o ouvinte imediatamente através do tempo, com as melodias cativantes e os vocais etéreos e doces de Candice. Os instrumentos de época, que são elo importante para a criação da atmosfera da música da banda, também estão maravilhosamente encaixados nos arranjos.
Mas nem só de instrumentos acústicos está composto o mundo musical do Blackmore's Night, pois Ritchie coloca sua Fender para trabalhar em inspirados solos e melodias, como na mística instrumental "Darker Shade of Black".
Destaco ainda a beleza e frescor da faixa título "Nature's Light", em um clima medieval perfeito, suas melodias soam como uma verdadeira saudação a rainha natureza, levando-nos a imaginar uma recepção real; a alegria contagiante de "Going to the Faire", que traz os filhos de Candice e Ritchie participando nos backing vocals.
E fechando o disco, uma agradável releitura de "SecondElement", de Sarah Brightman, que eu coloquei no repeat algumas vezes!! Destaque para o solo de Ritchie, que remete aos seus momentos no Rainbow.
"Nature's Light" pode até não estar no patamar dos melhores álbuns do banda, mas é um belo retorno, após mais de 5 anos sem um full-lenght traz ótimos momentos, aquela magia musical, agradável, cativante e única está intacta. Candice continua encantando com sua voz, e Ritchie, bom, é uma lenda, uma referência.
Aceite o convite de Candice, e tenha agradáveis momentos: "Viaje de volta no tempo conosco, para um tempo mais simples e mágico, onde a música entra em seu coração e alma."
O disco está disponível no Brasil via Shinigami Records em uma caprichosa edição digipack.
Ritchie Blackmore – guitarra acústica e elétrica Candice Night – Vocals, flauta, pandeiro Bard David of Larchmont – Teclados, Background Vocals Earl Grey of Chimay – Baixo Troubadour of Aberdeen – Percussião Scarlet Fiddler – Violino Lady Lynn – Background Vocals
Tracklist
Once Upon December Four Winds Feather in the Wind Darker Shade of Black (instrumental) The Twisted Oak Nature’s Light Der Letzte Musketier (instrumental) Wish You Were Here (2021) Going to the Faire Second Element
O ano era 1977 e o guitarrista Ritchie Blackmore e o Rainbow prosseguiam sua extensa turnê pelo mundo após o lançamento do ao vivo "On Stage". O Rainbow, que inicialmente surgiu como um projeto solo do guitarrista, a esta altura já era sua banda principal, pois havia deixado o Deep Purple na metade do ano de 1975.
Com uma formação que, além de Blackmore, contava com Ronnie James Dio (vocal), Bob Daisley (baixo), Cozy Powell (Bateria) e DaveStone (teclados), o grupo já tinha dois álbuns de estúdio, além do ao vivo na discografia, e já estava com composições prontas para um novo disco, muitas delas compostas durante as viagens de um palco ao outro.
O foco aqui é o show que deu origem ao vídeo e álbum duplo "Live in Munich 1977". O Rainbow acertou uma data a qual a apresentação seria filmada para ser exibida no popular programa de TV Rockpalast, mas quase que isso não acontece, pois dois dias antes, após um show em Viena (Áustria), Blackmore foi preso por se envolver em uma briga com um segurança.
Os advogados do guitarrista conseguiram sua liberação, mas essa "treta" custou uma multa bem cara. Blackmore viajou às pressas para Munique, na Alemanha, inclusive com o show tendo que acontecer mais tarde que o planejado. Era algo que parecia fadado a se tornar histórico.
A apresentação, que ocorreu em 20/10/77, é considerada uma das mais exuberantes da banda, que tocou 8 músicas, incluindo "Mistreated" (Deep Purple), e " Long Live Rock and Roll" e "Kill the King", ambas já composições que entrariam no seu novo álbum.
O único ponto a lamentar foi a retirada de "Stargazer" do set para inclusão das novas. Bom, ai o concerto iria chegar a quase 3 horas, hahaha, porque a "Stargazer" era outra que a banda gostava de ir improvisando e fazendo jams.
A banda executou com maestria músicas hoje consideradas clássicos do Rock Pesado, não economizando energia e com espaço para exibições individuais e improvisos durante as músicas, resultando em versões bem mais longas que as originais, como na balada "Catch the Rainbow" e "Man on the Silver Mountain".
A apresentação também ficou marcada por ser a única filmagem oficial da formação com Blackmore, Dio e Powell.
"Live in Munich 1977" teve algumas versões em VHS, LP, DVD e CD lançadas anteriormente, e agora temos este relançamento especial, pela earMusic, e disponível também no Brasil em parceria com o selo Shinigami Records, em versão dupla digipack e com libreto contando mais dessa história. Pela primeira vez também um lançamento traz a mesma ordem das músicas do vinil original.
Um álbum clássico, que para muitos, traz a banda em sua melhor versão e em ótima forma. Imperdível para qualquer fã destes monstros e de amantes do Hard Rock e Rock Clássico! Dispensa maiores delongas.
Texto: Caco Garcia
Set-list:
CD 1
1. Introduction 2. Kill The King 3. Mistreated 4. Sixteenth Century Greensleeves 5. Catch The Rainbow 6. Long Live Rock ?n? Roll
CD 2
1. Man On The Silver Mountain 2. Still I?m Sad 3. Do You Close Your Eyes
O segundo trabalho da grande banda de Metal Argentina, o Rata Blanca, que marcou também a estréia do vocalista Adrian Barilari, lançado em 1990, além de ser um disco repleto de músicas de alta qualidade, com grandes influências de Deep Purple, Malmsteen (dos primeiros discos) e Rainbow (principalmente), foi um verdadeiro marco para o Metal latino-americano, pois além de ser lançado por uma major, no caso, na época, a Polygram, é, provavelmente, o Disco mais vendido de uma banda de Metal aqui da América do Sul, alcançando mais de um milhão de cópias vendidas.
Metal clássico, pitadas de Hard e músicos de talento fazem desse disco um dos trabalhos mais importantes da história Metálica da América Latina.
Em 17 de setembro de 2010, a Banda fez a apresentação especial para gravação da edição comemorativa, nos estúdios Norberto Napolitano, para Rádio "FM Rock & Pop", no programa "Apaga la Tele".
"Magos, Espadas y Rosas" transcendeu fronteiras, levando a banda à públicos maiores e também canais além dos tradicionais meios de divulgação do Rock Pesado e Metal, tendo a Banda participado de programas de TV e sua músicas executadas por vários programas de Rádio, e não somente os especializados em Metal.
A semi-balada "Mujer Amante" é, talvez, o maior sucesso comercial do Rata, e ajudou na exposição da banda. Com um estilo clássico e melodias cativantes, é dessa músicas que ficam cada vez melhores com o passar dos anos.
"La Leyenda del Hada y el Mago", é um maravilhoso tema épico, que também está entre os melhores da Banda.
Numa veia bem ao estilo que o guitarrista Walter Giardino aprecia, e lapidou seu estilo a partir dele, ou seja, grandes influências da era Rainbow com Dio, onde estão alguns dos melhores momentos do mestre Ritchie Blackmore, e os primeiros Malmsteen (afinal, Malmsteen também bebeu muito da fonte "Blackmoriana").
Com um ar épico, melodiosa, em que a guitarra, apoiada por uma cama de teclados, vai contando a história juntamente aos vocais de Barilari (que "gran cantante", como diriam os Hermanos!).
"El Beso de la Bruja", lembra aqueles temas mais rápidos do Purple , como "Burn" e a épica e cheia de climas "El camino del Sol", com seus quase 10 minutos também remete de imediato temas como "Stargazer" do Rainbow.
O álbum todo possui uma qualidade impressionante, daqueles momentos em que dificilmente a banda conseguirá se superar, e essa versão ao vivo, ficou muito boa, a altura desse grande registro.
Heavy Metal Clássico da melhor qualidade, marcado para sempre na história do Metal, seja da América do Sul, ou mundial, afinal, a banda conseguiu um reconhecimento espetacular para um disco cantado em espanhol, pois, é admirado por fãs de Metal de todos os cantos do mundo. Música bem feita tem uma linguagem universal.