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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Cobertura de Show: Angra – 20/12/2024 – Tork N' Roll/CWB

Curitiba foi palco de diversos shows internacionais em 2024, com grandes nomes como Eric Clapton, Bruce Dickinson e o festival I Wanna Be Tour, entre outros.

Encerrando a temporada de shows, o Angra se apresentou na capital paranaense no Tork N’ Roll, com a Temple of Shadows Tour, celebrando os 20 anos de lançamento do álbum homônimo.

A abertura do evento ficou por conta da banda Azeroth, de power metal melódico da Argentina. Apesar de o local ainda não estar totalmente lotado, a banda contou com um público considerável. 

Formada por Ignacio Rodríguez (vocal), Pablo Gamarra e David Zambrana (guitarras), Fernando Ricciardulli (baixo), Daniel Esquível (bateria) e Leonardo Miceli (teclado), a banda fez um set empolgante, passando por sua discografia de forma coesa e pontual. 

Além de músicas como "Left Behind", "La Salida" e "The Promise", o grupo levantou a plateia com um cover de "Prelude to Oblivion", do Viper. Sem dúvidas, uma excelente surpresa.

Embora o Angra tenha executado o álbum Temple of Shadows na íntegra, o set incluiu também outras músicas de sua carreira, o que tornou o show ainda mais interessante. Marcado para as 22 horas, a banda entrou pontualmente com "Faithless Sanctuary", do mais recente álbum de estúdio Cycles of Pain. 

A essa altura, a casa já estava completamente lotada, tornando o clima ainda mais quente. No palco, telões exibiam animações condizentes com cada momento do show. Na sequência, a favorita de muitos fãs, "Acid Rain", com destaque para os magníficos vocais de Fabio Lione. 

Inclusive, essa apresentação foi a melhor performance vocal que já vi do vocalista. Para finalizar essa primeira etapa, a banda tocou "Tides of Change" Part I e II, também do Cycles of Pain. Pessoalmente, essas são minhas músicas favoritas do álbum, então foi muito agradável poder presenciá-las ao vivo.

A introdução "Deus le Volt!" precedeu o que viria a seguir: a tão aguardada apresentação do Temple of Shadows na íntegra. Considerado por muitos como o melhor álbum do Angra, o disco, que recebeu críticas mistas na época do seu lançamento por não conter tantos elementos brasileiros como os álbuns anteriores, foi aclamado ao vivo. 

"Spread Your Fire" já vale o disco, na minha opinião, e, ao vivo, então, demonstra todo o entrosamento entre Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa (guitarras), Felipe Andreolli (baixo), Bruno Valverde (bateria) e Fabio Lione (vocal). "Angels and Demons" e "Waiting Silence" mantiveram a energia do público, que cantava todas as músicas com muita empolgação.

Fábio, como sempre carismático, interagiu com o público entre todas as músicas. Nesse momento, ele anunciou a próxima música, dizendo saber que aquela era a que todos queriam ouvir. "Wishing Well" foi um belíssimo momento do show, e pude ver algumas lágrimas entre os fãs fervorosos na grade. 

As ótimas "The Temple of Hate" e "The Shadow Hunter" deram sequência ao set, que até então estava perfeitamente executado. "No Pain for the Dead", que tive a oportunidade de presenciar no show acústico com a participação da vocalista Vanessa Moreno, seguiu. 

Devo admitir que, após ter visto Vanessa participar do show acústico, senti falta dela, que traz outra pegada a essa música. Mas, nem por isso, foi menos incrível (OBS.: a cantora fez participação no show seguinte, em São Paulo, no Tokio Marine Hall).

Ainda faltavam quatro músicas para essa etapa do show: "Winds of Destination", "Sprouts of Time", "Morning Star" e "Late Redemption". Me perdoem os fãs, mas para mim, o álbum poderia ter se encerrado em "Winds of Destination" (embora "Late Redemption" tenha um belo momento que, no álbum, conta com a participação do genial Milton Nascimento, trazendo um dueto português/inglês). 

A banda estava realmente entrosada, com destaque para os solos de Marcelo Barbosa, que parece não errar nenhuma nota. Além disso, os duetos com Rafael são sempre um prazer de assistir. Sem tempo para respirar, após a etapa Temple of Shadows, "Make Believe" voltou a levantar o público, desta vez com toda a banda (em apresentações anteriores, esse momento era marcado por um acústico). 

A lindíssima Vida Seca foi aclamada, e esse bloco finalizou com "Rebirth". Nem preciso dizer que foi super bem recebida e cantada por todos os presentes, certo?

Após uma breve pausa, chegava a hora da etapa final, o encore. "Unfinished Allegro" já indicava que, a seguir, o maior clássico do Angra (e talvez do metal nacional), "Carry On", estava chegando. Essa é daquelas músicas que, por mais que as pessoas digam que estão enjoadas, todo mundo canta. 

Nas apresentações ao vivo, o Angra “emenda” Carry On e "Nova Era". É um momento muito especial do show e, sem dúvida, super esperto finalizar dessa forma. Assim, o Angra nos entregou um show de altíssima qualidade, como de costume. A banda tem mais algumas datas dessa tour até março de 2025, antes de entrar em hiato, conforme anunciado alguns meses atrás nas redes sociais. 

Uma pena, mas compreensível. Sinto que o Angra, mesmo levando o nome do metal brasileiro mundo afora, não tem total reconhecimento por seus feitos aqui. Fica o sentimento de gratidão por todo o trabalho, e esperamos que o hiato não dure muito tempo.


Texto: Jessica Tahnne Valentim

Fotos: Clovis Roman (Acesso Music)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music 


Azeroth – setlist:

Left Behind

Falling Mask

Urd

The Promise

La Salida

Beyond Chaos

Prelude to Oblivion (Viper cover)

Trails of Destiny


Angra – setlist:

Faithless Sanctuary

Acid Rain

Tide of Changes - Part I

Tide of Changes - Part II


Temple of Shadows

Deus le Volt! / Spread Your Fire

Angels and Demons

Waiting Silence

Wishing Well

The Temple of Hate

The Shadow Hunter

No Pain for the Dead 

Winds of Destination

Sprouts of Time

Morning Star

Late Redemption


Make Believe

Vida Seca

Rebirth 

Bis

Carry On

Nova Era

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Cobertura de Show: Angra – 21/12/2024 – Tokio Marine Hall/SP

Mesmo com o calendário de dezembro repleto de grandes nomes internacionais como Iron Maiden e Dream Theater, foi o Angra quem encerrou o ano com um dos momentos mais especiais para os fãs de metal em São Paulo. No dia 21 de dezembro, o grupo retornou à cidade com a turnê comemorativa dos 20 anos do icônico Temple of Shadows (2004), entregando um espetáculo repleto de técnica, emoção e história.

Na noite anterior e no próprio dia do show, São Paulo foi atingida por fortes chuvas. Quando isso acontece – especialmente em dias de show – surge o receio comum: será que o público vai comparecer? Felizmente, esse temor foi logo dissipado. Os fãs chegaram em peso ao Tokio Marine Hall, muitos vestindo camisetas com a arte do álbum homenageado, prontos para celebrar duas décadas de um dos discos mais marcantes do metal brasileiro.

Coube ao Azeroth, banda argentina ainda pouco conhecida por aqui, a tarefa de abrir a noite. Com um Power Metal bem estruturado e presença de palco segura, o sexteto surpreendeu quem chegou cedo. Formado pelo carismático Ignacio Rodríguez (vocal) Pablo Gamarra e David Zambrana (guitarras), Fernando Ricciardelli (baixo), Daniel Esquível (bateria) e Leonardo Miceli (teclado), a banda mostrou coesão e competência em faixas como “Left Behind”, “Falling Mask” e “The Promise”

Mesmo diante de um público ainda tímido, o Azeroth manteve energia do começo ao fim, e conquistou aplausos entusiasmados — especialmente em “La Salida”, única canção em espanhol da noite. Ignacio aproveitou para homenagear o metal brasileiro, citando nomes como Sepultura, Hibria, Viper e, claro, o próprio Angra. A performance de “Prelude to Oblivion”, do Viper, foi um dos momentos mais marcantes do set.


Os hermanos, que estão em atividade desde 1995, não decepcionaram durante o breve período que passaram no palco, onde deram tudo de si com grande confiança, vigor e felicidade.

Com o público já aquecido pela excelente abertura, o palco se transformou em um verdadeiro altar ao Temple of Shadows. Uma grande estrutura visual com projeções temáticas ocupava alguns cantos do palco, preparando o clima para o que viria. Às 22h em ponto, o Angra surgiu com “Faithless Sanctuary”, faixa do mais recente Cycles of Pain (2023), e iniciou uma sequência poderosa que incluiu também “Acid Rain” e as duas partes de “Tides of Change”, antes de mergulhar definitivamente no clássico álbum de 2004.

Temple of Shadows permanece como o álbum mais celebrado pelos fãs do Angra. Lançado em 2004, o disco expandiu os limites criativos da banda, tanto em termos musicais quanto conceituais. Não é um álbum fácil de executar ao vivo, exigindo precisão instrumental, dinâmica e variações vocais. Quem é músico vai entender exatamente o que estou falando.

A sequência com “Spread Your Fire”, “Angels and Demons” e “Waiting Silence” deixou a plateia em transe. O nível de entrega da banda foi notável. Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa (guitarras), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria) demonstraram preparo técnico impecável, executando com fluidez um material conhecido por sua complexidade.

A parte vocal do álbum também é repleta de armadilhas, o que gerou algumas críticas a Fabio Lione. Em faixas como “Wishing Well” e “The Temple of Hate”, ele precisou recorrer ao apoio da plateia em trechos mais delicados. Não chegou a comprometer a apresentação, mas também não atingiu a performance ideal que essas músicas exigem. Ainda assim, Fabio compensou com carisma e entrega, especialmente em faixas mais adequadas à sua extensão vocal.

“The Shadow Hunter”, com sua melodia envolvente e atmosfera dramática, emocionou o público — algumas pessoas próximas de mim chegaram às lágrimas. A faixa é, talvez, a mais representativa do conceito do álbum, que narra a trajetória de um cavaleiro templário durante as cruzadas, confrontando fé, violência e espiritualidade. Musicalmente e liricamente, é o ponto alto do disco.

Em seguida, “No Pain for the Dead” trouxe uma participação especial de peso: Vanessa Moreno. A cantora, uma das melhoras vozes da MPB da atualidade, tem colaborado com o Angra nos últimos projetos e foi recebida com entusiasmo. Sua presença enriqueceu ainda mais o show.

“Wind of Destination” mostrou o lado mais operístico de Lione, que brilhou na execução vocal. Já “The Sprouts of Time” e “Morning Star” sinalizavam o fim do segmento temático do Temple of Shadows, com um leve esfriamento da energia do público – compreensível, diante da intensidade das faixas anteriores.

“Late Redemption” retomou a conexão emocional. Rafael e Lione dividiram os vocais com competência nas parte em português - originalmente cantada pelo grande Milton Nascimento -, enquanto a plateia assumia as partes cantadas em uníssono. Foi um momento de comunhão entre banda e público.

Antes de encerrar, o Angra ainda entregou mais alguns clássicos. “Make Believe” veio em versão completa, com a banda toda participando, seguida por “Vida Seca”, a última do Cycles of Pain na noite, que recebeu fortes aplausos logo nas primeiras notas. “Rebirth” contou novamente com Vanessa Moreno, num dueto poderoso com Fabio, antes da banda se retirar para um breve intervalo. O bis veio com as indispensáveis “Carry On” e “Nova Era”. 

Assistir ao Angra ao vivo é sempre um prazer, mas há algo de especial nessa formação atual, que completará uma década em 2025. Mesmo com os desafios naturais da longevidade, Fabio Lione, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde provaram ser mais do que substitutos, e sim peças essenciais. Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, os remanescentes da formação que gravou o Temple of Shadows, seguem como pilares criativos e técnicos da banda.

Essa turnê tem sabor de despedida, pelo menos temporária. Com datas previstas até março de 2025 e uma pausa anunciada logo em seguida, o momento é de gratidão. Nos últimos onze anos, o Angra lançou álbuns consistentes, fez turnês pelo mundo e manteve acesa a chama do metal brasileiro.

Se essa pausa marcar o fim de um ciclo, que seja lembrado como um dos mais criativos e relevantes da história do grupo. Se for apenas um descanso, que o próximo capítulo venha ainda mais grandioso.

Obrigado, Angra!




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music 


Azeroth – setlist:

Left Behind

Falling Mask

Urd

The Promise

La Salida

Beyond Chaos

Prelude to Oblivion (Viper cover)

Trails of Destiny


Angra – setlist:

Faithless Sanctuary

Acid Rain

Tide of Changes - Part I

Tide of Changes - Part II


Temple of Shadows

Deus le Volt! / Spread Your Fire

Angels and Demons

Waiting Silence

Wishing Well

The Temple of Hate

The Shadow Hunter

No Pain for the Dead (feat. Vanessa Moreno)

Winds of Destination

Sprouts of Time

Morning Star

Late Redemption


Make Believe

Vida Seca

Rebirth (feat. Vanessa Moreno)

Bis

Carry On

Nova Era