sexta-feira, 7 de maio de 2010

Orphaned Land: Amor ao Metal e a Paz Entre os Povos



“A vida sem música seria um erro”, já dizia o filósofo alemão Nietzsche, e talvez teria sido um erro enorme se uma banda como Orphaned Land não tivesse gravado um disco tão perfeito e impactante como seu último lançamento.

O quarto disco do grupo chama-se “The Never Ending Way Of OrwarriOR” (2010) e é uma das melhores coisas originais que ouvi na vida.

Para quem não sabe, Orphaned Land é o grupo de maior reconhecimento (e talvez o único) vindo de Israel. Isso mesmo. País assolado pelas guerras, pela religião fundamentalista, pelo poder, pela batalha que parece eterna entre Ocidente e Oriente.

O grupo, que se preparou cinco anos para lançar esse disco em mais de 600 horas de produção junto à The Arabic Orchestra of Nazareth, se coloca na função social de unir os povos, pela paz, já que os políticos falham (e estão interessados em outros interesses que não os de seus povos), o Heavy Metal, mais especificamente “Middle Eastern Progressive Metal” (Metal Progressivo do Oriente Médio)(como a banda se auto-intitula), tenta e parece estar conseguindo unir de certa forma os fãs.

Para quem não sabe, judeus e islâmicos guerreiam a séculos “em nome de Deus”, dizimando seus povos. Mas a banda tem conseguido, especialmente pela internet e seus shows, unir esses dois povos, pelo menos quem curte o som deles.

O disco é cantado em quatro línguas (Inglês, Hebraico, Arábico e Yemenite), e durante suas 15 faixas o que ouvimos é uma combinação perfeita de Doom Metal, Folk (se podemos chamar) com elementos do Oriente Médio.

Músicas como “Sapari” (confira o video no link: http://www.youtube.com/watch?v=BzNbzcWw6Z0&feature=player_embedded), “From Broken Vessels” e “New Jerusalem” mostram o quando a banda se dedica à sua cultura e ao Metal, numa mistura muito interessante e que me surpreende a cada audição.

Porém, o maior destaque fica para “The Path Part 1 - Treading Through Darkness”. A música é simplesmente perfeita, viciante, com passagens exepcionais que por si só coloca o álbum da banda como um dos melhores do ano no mundo todo.

O grupo é um sexteto, sendo que inclusive abriram o show do Metallica em Telaviv. Nesse disco, Steven Wilson (Porcupine Tree, Opeth) mixou-o e tocou teclados.

Com certeza, a banda consegue unir a Metal com seus elementos orientais, além de, através da música, buscar a paz entre seus povos, o que por si só já vale uma nota 10 para o disco.

Agora, é esperar que o grupo cresça ainda mais, torne-se a referência do Metal no Oriente e possa aportar pelo Brasil em alguma turnê.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Orphaned Land
Álbum: The Never Ending Way Of OrwarriOR
Ano: 2010
País: Israel
Tipo: Folk Metal/Doom Metal/ Middle Eastern Progressive Metal



Formação

Kobi Farhi (Vocal)
Uri Zelha (Baixo elétrico e acústico)
Yossi Sassi Sa'aron (Violão, Guitarra, Piano e Instrumentos Orientais)
Matti Svatizky (Guitarra e violão)
Avi Diamond (Bateria)
Steven Wilson (Teclados)



Tracklist

01 – Sapari
02 - From Broken Vessels
03 - Bereft In The Abyss
04 - The Path Part 1 - Treading Through Darkness
05 - The Path Part 2 - The Pilgrimage To Or Shalem
06 - Olat Ha'tamid
07 - The Warrior
08 - His Leaf Shall Not Wither
09 - Disciples Of The Sacred Oath II
10 - New Jerusalem
11 - Vayehi Or
12 - M i
13 – Barakah
14 - Codeword Uprising
15 - In Thy Never Ending Way (Epilogue)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nevermore Matando a Saudade dos Fãs


A banda estaduniense Nevermore vem de cinco anos sem material inédito e nesse meio tempo, o guitarrista Chris Broderick deixa a banda para se juntar ao Megadeth, gravando com esta banda o aclamado “End Game” (2009). Não é a primeira vez que sai do grupo, tendo deixado-o antes da gravação do último disco da banda “This Godles Endeavor” (2005).

A banda passou longos meses em processo de produção do novo disco, que deve chegar às lojas européias no dia 30 de maio, e nos EUA, dia 08 de junho.

O álbum receberá o nome de “Obsidian Conspiracy” e promete ser um dos melhores trabalhos do grupo de Seattle.

Porém, dia 30 de abril lançaram o single do disco, homônimo a este. “Obsidian Conspiracy” (2010), o single, possui quatro faixas inéditas que dão os parâmetros do que a banda está aprontando, além dos “videos-trailers” na internet com partes de várias músicas do novo disco.

O single começa com a parada e calma “The Blue Marble and The New Soul”, que precisa de mais de uma audição para que se perceba que é uma boa composição.

Com mais peso, “The Day You Built The Wall” também apresenta passagens mais calmas, com vários dedilhados na guitarra de Jeff Loomis, um Warrel Dane (Vocal) ora melódico, ora agressivo.

“She Comes in Colors” é muito boa, com um refrão marcante e bem Nevermore. Aliás, temia-se que a banda mudasse sua sonoridade, com a nova formação. Obviamente, que isso não aconetceria pela saíde de Broderick, já que não era um dos membros fundadores e, segundo alguns fãs que acompanham mais a banda, apenas um cara contratado.

Falando nisso, seu substituto, pelo menos ao vivo, será o húngaro Attila Voros, que não participou do processo de gravação do novo álbum que já está finalziado.

Fechando o single, a faixa-título “The Obsidian Conpiracy” é simplesmnte perfeita. Com velocidade, peso e melodia, faz com que mereça ser a faixa-título do disco e, com certeza, agradará até os fãs mais exigentes.

O single como um todo é bastante bom. Confesso que ao ver o trailer das músicas do novo dsico, esperava mais dessas composições. Porém, quem ouviu os trechos liberados pela banda das demais músicas, pode esperear um grande álbum.

Ainda é Nevermore e ele com certeza mata a saudade dos fãs, deixando um gosto de “quero mais”, que será sanado com o álbum daqui algumas semanas.

Até lá, aos fãs e admiradores dessa banda única, dá para curtir muito bem essas quatro faixas que só a banda poderia ter composta.

Stay on the Road

Texto: EddiHead

Ficha Técnica

Banda: Nevermore
Álbum: Obsidian Conspiracy (Single)
Ano: 2010
País: EUA
Tipo: Thrash Metal/Heavy Metal


Formação

Warrel Dane (Vocal)
Jeff Loomis (Guitarra)
Jim Sheppard (Baixo)
Van Williams (Bateria)

Tracklist

01 - The Blue Marble And The New Soul
02 - The Day You Built The Wall
03 - She Comes In Colors
04 - The Obsidian Conspiracy

terça-feira, 4 de maio de 2010

A União Perfeita de Metal e Literatura



Sabe-se que boa parte, se não a maioria, dos Headbangers se interessam não apenas pelo Heavy Metal, mas por outras áreas tão interessantes quanto, como, por exemplo, a literatura. Claro, talvez não aquela literatura aprendida obrigatóriamente ans escolas, mas aquelas mais obscuras, mas nem por isso tão desconhecidas.

É o caso do escritor Edgar Allan Poe, inglês, que no século XIX “assustava” o mundo com seus contos de terror, suspense e policiais, inclusive sendo considerado o criador desse último gênereo literário. É dele os trabalhos góticos como “O Corvo”, "Gato Preto", “O Poço e o Pêndulo” e “O Retrato Oval”.

Assim, há bandas que encontraram inspiração nos seus contos para compor músicas, das quais muitas tornaram-se clássicos do Metal. Por exemplo, “Murders in the Rue Morgue”, do Iron Maiden, é a versão musicalizada do conto de Poe.

Mas não isoladamente, como uma faixa apenas, mas também alguns completos conceituais tiveram em Poe e seus escritos a base central, senão total das composições. Assim aconteceu com a banda Grave digger, que no seu disco homônimo de 2001 gravou nada menos que 11 faixas, cada uma baseada em algum conto do escritor e poeta.

Mas, aqui, estamos para dar atenção ao mais novo trabalho que homenageia essa mente lendária. Falo da banda espanhola Opera Magna, que já no seu segundo disco o chama de “Poe” (2010), e é nele que encontramos a perfeita combinação dessas duas artes.

São 10 faixas cujos títulos e letras remetem aos contos de Poe, além da última faixa levar o noem do autor e homengea-lo diretamente.

“El Cuervo” é uma pequena introdução, que já dá o clima. Uma pena não ter recebido a música, por ser o conto mais conhecido de Poe. Segue “El Pozo y El Pendulo”, uma obra-prima do Power Metal, com pitadas sinfônicas. Aliás, o disco todo traz essa característica. Ele não pode passar apenas como um disco de Power Metal, pois vai além.

O jovem grupo é formado pelos catalaños Jose Vicente Broseta (Vocal), F. Javier Nula (Guitarra), Enrique Mompó (Guitarra), Alejandro Penella (Baixo), Adrián Romero (Bateria) e Ruben Casas (Teclados).

“Um Sueño Em Un Sueño” é uma das melhores músicas, sendo também o single lançado no ano passado. Há outros destaques como a bela “El Retraro Oval”, “El Demonio De La Perversidad”, “La Mascara De La Muerte Roja” e “Edgar Allan Poe”.

Sobre a banda, os músicos são excelentes. Broseta tem uma voz poderosa, que cai como uma luva pro tipo de som da banda, inclusive arriscando altas notas e outros momentos mais agressivo. Nota 10 para esse cara.

A dupla de guitarrista Nula e Mompó parecem ter saído de uma orquestra sinfônica, tamanha a majestade de ambos, o jogo entre eles. O teclados de Casas não decepcionam, e é o principal elemento para criar a atmosfera que os contos de Poe sugerem. Bateria de Romero e o baixo de Penella seguem no ritmo, não deixando as músicas cairem ou se perderem, você sabe o que esperar ouvir.

Este que vos escreve, como amante do Metal e da literatura, especialmente dessa literatura representada por Edgar Allan Poe, só pode elogiar a ousadia e belo trabalho da banda, em transformar ainda mais para a poesia a arte ficcional desse autor que, com certeza, para sempre será imortal e sempre será um dos escritores para o Heavy Metal.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Opera Magna
Álbum: Poe
Ano: 2010
País: Espanha
Tipo: Power Metal/Metal Sinfônico

Links interessantes: Official Myspace
Opera Magna@myspace.com
Official Opera Magna Website

Formação

Jose Vicente Broseta (Vocal)
F. Javier Nula (Guitarra)
Enrique Mompó (Guitarra)
Alejandro Penella (Baixo)
Adrián Romero (Bateria)
Ruben Casas (Teclados)



Tracklist

01. El Cuervo (Intro)
02. El Pozo Y El Pendulo
03. Un Sueño En Un Sueño
04. La Mascara De La Muerte Roja
05. Annabel Lee
06. El Demonio De La Perversidad
07. El Entierro Prematuro
08. El Retraro Oval
09. El Corazon Delator
10. La Caida De La Casa Usher
11. Edgar Allan Poe

domingo, 2 de maio de 2010

Entrevista: Red Old Snake Uma das Promessas do Centro do País


Do centro do país surge um grupo auto-intitulado de Southern Metal. Brasília é o berço da banda Red Old Snake que surgiu ano passado, mas com uma história que remete à 2006.

Tivemos o privilégio de conversar com Dave Ayzemveln, vocalista e um dos membros fundadores da banda acerca da mesma, da cena Metal da sua região e também, nessa entrevista exclusiva, sobre a oportunidade de tocar no mesmo palco com o Megadeth, um dos pais do Thrash Metal, que se apresentou em Brasília em abril no qual teve como abertura a Red Old Snake.

O grupo, que conta ainda com Pablo Vilela (guitarra), Erick “Neskal” Oliveira (baixo)e PH (bateria), possui já um EP lançado, chamado “Outburst” (2010), recém saído e que impressiona pela qualidade nas suas composições, o que coloca a banda como uma bela promessa do Metal nacional.

Segue abaixo a entrevista. Stay on the Road


Road to Metal: Primeiro, gostaríamos de agradecer a oportunidade de conversar com a banda. Primeiro momento, a partir daonde (qual os antecedentes dos integrantes) surge o grupo?

Red Old Snake: Conforme consta no release oficial do nosso myspace, o Red Old Snake surgiu das cinzas de um projeto de southern/power groove que eu tinha c/ o Pablo. Acabou que encontramos músicos dispostos a “vestir a camisa” e cair de cabeça na cena Metal local.

RtM: Sabemos que o grupo é recente. A que vocês responsabilizam pelo importante passo de lançar um EP?

ROS: O EP é um veículo que nos permite ampliar o alcance do trabalho da banda, pois permite que pessoas situadas fora da cena Metal local possam ter acesso ao nosso trabalho. Com a difusão cada vez maior da internet no processo de integração global, nós podemos interagir com músicos e produtores de todas as partes do mundo.

RtM: Até o momento, o recém lançado EP “Outburst” está sendo divulgado. As músicas surgiram especialmente para o EP ou já faziam parte do repertório da banda?
ROS: As músicas presentes no “Outburst” já faziam parte do repertório da banda, e fizemos questão que fossem gravadas neste nosso primeiro cartão de visitas.

RtM: Como tem sido a receptividade de “Outburst”?

ROS: A grande maioria dos feedbacks que temos recebido tem sido extremamente positivo, e mesmo os poucos negativos nos ajudaram a reavaliar o nosso trabalho e traçar as diretrizes para os nossos próximos passos. Atualmente estamos reavaliando nossa identidade musical, de modo que possamos incorporar novos elementos à sonoridade base da banda em um processo de constante renovação.

RtM: A banda vive em Brasília. Sabemos que a maior cena de Metal se concentra no sudeste, especialmente em São Paulo. Deem um resumo da cena Metal local.

ROS: Na minha opinião a cena metal brasiliense é marcada por um fortíssimo contraste: a vasta riqueza em material humano opondo-se a uma infra-estrutura paupérrima. Apesar da grande quantidade de bandas e músicos promissores nos mais diversos sub-gêneros do Heavy Metal, a cidade sofre com a ausência de espaços destinados a esse tipo de evento e produtores que incentivem a produção de som autoral. Em que pese a batalha de produtores como Fábio Marreco, que há anos vem tentado manter a cena metal brasiliense viva, a cidade carece de outros indivíduos sérios que levem em conta as necessidades dos músicos, sejam elas de ordem financeiras ou mesmo no que tange à própria qualidade do equipamento disponibilizado nos shows. Quem sabe com a chegada de eventos de grande porte oriundos da parceria da produtora T4F com a local Park Show, o fato de Brasília voltar a fazer parte do circuito de grandes eventos acabe por desencadear o surgimento de uma mentalidade empreendedora na área do som pesado.

RtM: Percebe-se um crescimento significativo de shows de grande porte na capital do país, bem como em outras regiões. Por aí já passaram nos dois últimos anos nomes como Iron Maiden, Heaven and Hell e, recentemente, Guns & Roses. Dia 22 de abril foi a vez do Megadeth pisar pela primeira vez por aí. Esse show com certeza foi muito especial para a banda, pois foram a banda de abertura. Como conseguiram esse espaço? Como foi tocar para milhares de pessoas nessa noite?

ROS: Acredito que o investimento nos veículos de divulgação da internet fizeram com que o nosso trabalho chegasse aos olhos e ouvidos certos.
Tocar em um evento dessa grandiosidade é algo surreal! É claro que houve uma expectativa e uma tensão muito grande, pois além de estarmos representando uma cena local repleta de bandas talentosas, iríamos encarar uma platéia que estava aguardando por ninguém mais ninguém menos do que o Megadeth, mas a partir dos primeiros acordes da passagem de som, percebemos que estavamos ali fazendo o que mais gostamos na vida, favorecidos por uma estrutura gigantesca, ou seja, ficamos à vontade para poder mostrar o nosso trabalho de um modo bastante satisfatório. Não houve nada mais gratificante do que ver e ouvir os aplausos do público após a execução de cada uma das nossas músicas. Poder escrever nossos nomes nesse capítulo da história do Metal brasiliense não tem preço.

RtM: Já se pode sentir os efeitos em termos de divulgação da banda após o show de abertura?

ROS: Com certeza. Além de termos sido abordados por várias pessoas que nos parabenizaram após o show, nossa caixa de e-mails tem recebido várias mensagens de pessoas interessadas em comprar o nosso EP e nossas camisetas, e nossa comunidade no orkut tem crescido a cada dia que passa.

RtM: Qual a influência central da banda? E o Megadeth, vocês curtem?

ROS: É inegável que a influência que mais se sobressai no nosso som é Pantera, mas é possível identificar vários elementos que remetem ao Corrosion of Conformity, Down, Crowbar, Metallica e até mesmo Alice In Chains. Nós estamos procurando diversificar o nosso leque de influências, para que o nosso som tenha cada vez mais uma identidade singular. Eu escuto Megadeth há mais de 10 anos e o Pablo já foi guitarrista de mais de um cover do Megadeth. Não tem como não dizer que os riffs do Mustaine e do Friedman não tiveram um papel importante na nossa formação musical.

RtM: Qual a importância da mídia eletrônica, como Myspace, Orkut, etc. para a banda?

ROS: Como eu já disse anteriormente, a mídia eletrônica foi a grande responsável pela disseminação do nosso trabalho e pelo estreitamento da nossa relação com o público. Hoje em dia também estamos procurando entrar em contato com outras bandas do estilo para trocar experiências e poder organizar eventos que fortaleçam a cena Heavy Metal autoral brasileira.

RtM: Quais os planos para este ano? Há previsão de um primeiro disco completo e de shows em outras regiões do país?

ROS: Com certeza! A repercussão da abertura para o Megadeth aqui em Brasília fez com que a necessidade de um debut se tornasse imediata. Desde antes do show já estávamos agregando o material do primeiro álbum, e agora esse processo só acabou por intensificar-se. Se tudo der certo ainda esse ano estaremos lançando o nosso primeiro full lenght e pleiteando espaço em eventos de outras regiões do país.

RtM: Agradecemos novamente e desejamos que o trabalho da banda seja cada vez mais reconhecido e de qualidade. Deixem uma mensagem aos que acompanham o blog Road to Metal.

ROS: Acreditem nas bandas brasileiras! Aqui mais do que em qualquer outro lugar do mundo temos exemplos de pessoas que contornam barreiras culturais, econômicas e sociais através da força de vontade, criatividade e muito suor. As pessoas que investem em som pesado nesse país estão nisso por muito amor e fidelidade ao estilo, e se pudermos dar um retorno nós não só estamos abrindo portas para que surjam novos “Sepulturas”, “Sarcófagos” e “Angras” como também iremos atrair as grandes atrações internacionais para cá.

Links sobre a banda: http://www.myspace.com/redoldsnake
Contato: redoldsnake@gmail.com

sábado, 1 de maio de 2010

Soulfly às Raízes do Thrash Metal



Odiado por alguns, amado por muitos. Pode parecer clichê, mas é assim que o Soulfly foi levando “a vida”, sendo inicialmente (e até hoje em menor nível) comparado à banda que Max Cavalera apareceu ao mundo. Claro que é o Sepultura, que com os irmãos Cavalera (Igor, o baterista, saiu já há uns anos), tomaram literalmente o mundo, sendo uma das maiores referências do Thrash Metal e, com certeza absoluta, a maior banda da América Latina na história do Rock.

Mas, voltando ao Soulfly, o grupo surge após a saída de Max da banda em 1996 e as muitas discussões entre ele e o restante do Sepultura. A banda, porém, seguiu uma linha diferente do que a antiga, com um som mais “caótico”, pesado, é verdade, mas cheio de elementos estranhos, como passagens de rap e efeitos eletrônicos, muitas vezes exagerados.

Após inúmeros álbuns (mais precisamente seis), o projeto Cavaler’s Conspiracy (com a reunião dos irmãos pela primeira vez em anos), Max Cavalera parece ter acertado finalmente em “Omen”: com a banda gravou um verdadeiro disco de Thrash Metal que, com exceção apenas da última faixa (era bom demais para ser verdade), as faixas são pesadas, agressivas, trazendo de volta à banda os elementos do gênero.

Abrindo o álbum muito bem, “Bloodbath & Beyond” detona, seguida pela fortíssima “Rise of the Fallen” (com a participação de Greg Puciato), que é uma obra-prima na carreira da banda. “Lethal Injection” traz um ótimo jogo das guitarras. A mais paulada e melhor do álbum é, com certeza, “Kingdom”, a parte final é de querer bater a cabeça na parede (hehehe).

Outros destaques são “Jeffrey Dahmer”, “Vulture Culture” e “Counter Sabotage”. As três faixas mantêm o alto nível desse disco que, absolutamente, agradará os fãs do Sepultura, por exemplo, assim como aqueles que acompanham o Soulfly, mesmo sendo um dsico menos “diferente” deles, já que você não encontra elementos estranhos nas músicas, mas peso, velocidade e vocais que só o Cavalera sabe fazer. Quem sabe, vem uma volta ao Sepultura a partir desse retorno às raízes do Thrash Metal?!

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Soulfly
Álbum: Omen
Ano: 2010
Tipo: Thrash Metal
País: EUA/Brasil


Formação

Max Cavalera (Guitarra e Vocal)
Marc Rizzo (Guitarra)
Bobby Burns (Baixo)
Joe Nunez (Bateria)



Tracklist

1. Bloodbath & Beyond
2. Rise of the Fallen (apresentando Greg Puciato da banda The Dillinger Escape Plan)
3. Great Depression
4. Lethal Injection (apresentando Tommy Victor da banda Prong)
5. Kingdom
6. Jeffrey Dahmer
7. Off With Their Heads
8. Vulture Culture
9. Mega-Doom
10. Counter Sabotage
11. Soulfly VII

Resenha de Shows: Dream Theater Pela Primeira Vez em Porto Alegre (Revisado)



Trata-se da resenha do show do Dream Theater já postada no blog no mês anterior (dia 09). A novidade são fotos exclusivas, cedidas por Fernando em seu Orkut, de Santa Rosa/RS, além de outras pessoas que disponibilizaram em locais restritos.

Costuma-se dizer que a primeira vez a gente nunca esquece. Com certeza os cerca de 5 mil fãs que compareceram no Pepsi On Stage em Porto Alegre no último dia 16 sabem que isso é a pura verdade.

Com uma espera de mais de uma década (desde que a banda passou a vir ao Brasil regularmente), a capital gaúcha pode ver os norte-americanos do Dream Theater, mestres do Metal Progressivo, na sua turnê Latina Americana do álbum “Black Clouds and Silver Linings” (2009).

A banda já havia tocado no México e Argentina quando chegou no dia 15/03 em Porto Alegre, para fazer na noite seguinte a primeira de quatro apresentações no Brasil.


Havia muita expectativa quanto ao set list do show, afinal, a banda também é conhecida por variar bastante seu set list de show para show. Boatos circulavam na fila de espera (este que escreve estava lá desde as 08:00 da manhã) de que a banda daria mais atenção ao novo lançamento, fazendo um set list mais curto que de costume (quem foi nos shows em Buenos Aires disse que não durou mais de 90 minutos cada).

Mas, antes do Dream Theater subir ao palco, a atração local de abertura Richard Powell chega com sua guitarra e virtuosismo (afinal, aquele era a noite do Progressivo). Tocando sozinho (utilizando playback dos outros instrumentos), já que por causa da outra atração de abertura não havia espaço para a banda completa, agradou satisfatoriamente aos fãs, especialmente ao dos chamados Guitar Heroes, lembrando a sonoridade de Joe Satriani. Para animar mais a apresentação, Powell fecha com Van Halen, para delírio dos fãs de plantão.

Pouco depois de sair, Bgelf entra no palco. Logo chamam atenção pela presença no palco de instrumentos antigos, incluindo um órgão e teclados de distorção.

Bgelf foi convidada especialmente pelo Mike Portnoy (baterista do Dream Theater) para essa turnê, sendo a primeira vez do lendário (mas pouco conhecido) grupo de Rock progressivo montado ainda na década de 80 na Califórnia, EUA.

Muitas pessoas não conheciam a banda, mas saíram satisfeitas e impressionadas com a presença de palco especialmente do vocalista e instrumentista Damon Fox, que, além de cantar com uma vocalização forte e bem pegada, também “viajou” com a psicodelia que conseguiu produzir no palco (sem falar na cartola que usou durante o inicio e fim do show).

Mas o restante da banda não deixa a desejar e tocam clássicos da carreira, como “Evil Rock and Roll” e “Blackball” (essa pedida em coro por quem conhecia a banda).

Se mostraram bastante receptivos e ganham a platéia, inclusive o vocalista brincando com as meninas e filmando as 5 mil pessoas gritando o nome da banda. Com certeza, depois dessa noite, uma grande parcela que não conhecia a banda irá tentar ouvi-la em casa.

É chegada a hora quando a Bgelf sai do palco. Depois de alguns minutos enquanto a equipe do Dream Theater desmontava os instrumentos da banda de abertura, começou-se a ouvir uma artista cantando acusticamente “As I Am” e “Pull Me Under”, clássicos do grupo que estava para subir ao palco. Foi de arrepiar os fãs cantando junto frase por frase, para espanto dos rodies e da segurança.

Começa a rodar uma abertura com música clássica, e quando podíamos ver a sombra dos músicos e seus instrumentos atrás do pano do palco, a galera vai a loucura quando este cai e a banda toca “A Nightmare to Remember”, primeira faixa do último álbum. O som do público estava ensurdecedor, enquanto Portnoy ficava de pé e cumprimentava o público.

Outro estouro quando da chegada de James LaBrie (vocal) cantando os primeiros versos. Com a disposição já conhecida da banda, John Myung (baixo) estava à esquerda do palco, à frente de Jordan Rudess (teclados), enquanto John Petrucci (guitarra) ocupava o lado oposto e James corria pelo palco, chegando muito perto do público várias vezes.

Enquanto os telões (um da cada lado do palco e outro ao fundo) mostravam a banda e cenas da produção, o grupo continua com “A Rite of Passage”, seguindo o previsto de que a banda estaria tocando mais músicas do novo álbum.

Interessante como o público em geral sabia cada letra dessas músicas, mesmo o álbum sendo recente, o que demonstra o carinho e admiração que os músicos tem aqui no Brasil.

Quando as caixas de som começam a tocar os sons saídos do teclados de Rudess e um solo atmosférico de Petrucci, muitos sentem que aí vem um dos maiores clássicos da banda: “Hollow Years” (do álbum de 1997 “Falling Into Infinity”) ecoa por todo o Pepsi On Stage, e James retorna ao palco com seu banquinho enquanto canta.

Vi gente chorar nessa canção e que com certeza foi um dos pontos altos do show, inclusive com o grupo mudando alguns acordes e o pré-refrão, em relação ao original do disco. Com essa, começa a enxurrada de surpresas.

A banda entra quebrando tudo com “Constant Motion” (do álbum “Systematic Chaos” de 2007), mostrando que o Pepsi On Stage tem estrutura para suportar o show do grupo, já que o áudio estava perfeito, todos os instrumentos eram audíveis.

Quando Rudess novamente puxa (após um solo curto e intenso, seguindo uma animação nos telões do “Mago Jordan”) para mais um clássico, seu teclado anuncia “Erotomania”, uma das grandes surpresas da noite, canção essa instrumental do disco “Awake” (1994). A galera enlouquece e não é pra menos. Uma parada na parte final da música dá um clima de expectativa, eu acreditando que o grupo iria realizar apenas um Medley de clássicos. Mas me engano e eles continuam com a canção, emendando com “Voices”. Assim, tivemos uma dobradinha do disco de 1994, o que foi uma grande surpesa, mesmo a banda já tendo tocado elas nessa ordem em outras turnês.

O vocal de James está impecável e a impressão que tínhamos era de estar vendo um DVD do grupo, tamanha a técnica de seus membros e qualidade de som e imagem do show.

O teclado de Rudess denuncia que mais uma grande surpresa se fará. James começa a cantar “Where did We Come From?”, e foi de arrepiar o dueto entre os dois e a interpretação emocionante do vocalista nessa bela canção do álbum “Scenes From a Memory” (1999). “The Spirit Carries On” não era esperada por ninguém e um clima calmo toma conta de todos, pessoas com as mãos levantadas, balançando de uma lado para o outro, enquanto um jogo de luzes azuis tomava todo o lugar, e o telão passava cenas de um céu azul.

Após essa, um mini-trecho inicial de “Metropolis” e a banda começa “As I Am”, música que se tornou um dos clássicos da banda (do disco “Train of Thought”). Incrível como o público em geral queria essa canção, mas muitos acreditavam que não veriam a banda tocando-a, já que em Buenos Aires optaram por “In The Name of God”, do mesmo álbum.

O público cantando a canção era ensurdecedor, e no refrão a voz de James simplesmente sumia perante as milhares de vozes que critavam “Take Me As I Am”.

Outra surpresa foi a banda tocar um medley de “Pull Me Under” e “Metropolis”, ambas do segundo álbum da banda, “Images and Words” (1992), primeiro com o atual vocalista. Aqui o Pepsi On Stage foi ao chão, afinal, dois dos maiores clássicos do Metal Progressivo de todos os tempos eram executados pela primeira vez em Porto Alegre.

Ao fundo, cenas de uma cidade, de alguma metrópole enquanto a banda mostra que sabe fazer um show eletrizante, calando a boca de quem esperava calmaria.

Sabíamos que o show estava chegando ao fim e o desejo de que a banda voltasse para um bis tomou conta de todos quando estes de despedem e saem do palco.

Logo, a banda retorna e os dedilhados inicias de “A Count of Tuscany”, faixa que fecha o álbum de 2009 é ouvida. Foi de arrepiar e os seus mais de 19 minutos (a versão ao vivo foi maior devido aos solos mais extensos), afinal, trata-se de mais um clássico e, para este que escreve, a melhor faixa do último trabalho do Dream Theater.

Repete o fato de todos estarem cantando a música e, certo momento, tudo se apaga e Rudess traz a atmosfera seguida de Petrucci que com sua guitarra prepara o terreno para a passagem acústica da música, de arrepiar e ali posso dizer que me emocionei, tamanha a majestade que estava vendo ao vivo.

Ao término da canção, a banda se despede, sendo muito ovacionada, assim como eles ovacionam ao público, numa clara demonstração de humildade e gratidão nessa terra em que tocam pela primeira vez e que só sabe agradecer a oportunidade de tê-los nessa noite que será para lembrar a vida toda.

Stay on a Dream

Texto: EddieHead

Fotos: Fernando

Set List Dream Theater

A Nightmare to Remember
A Rite of Passage
Hollow Years
Constant Motion
Erotomania
Voices
The Spirit Carries On
As I Am
Pull Me Under/Metropolis
A Count of Tuscany