Uma porradaria destemida e
insana! Assim defino o Debut dos gaúchos da cidade Ipê, Worsis, que lançam um
esmagador de crânios em formato sonoro chamado “Blinded By The System” (17).
Thrash Metal na sua mais pura essência
com toques de Hardcore, mantendo a insanidade entre a escola americana e alemã, algo que como se tivéssemos
a fusão de Exodus e Testament com a pegada mais old school do Sodom.
Riffs brutos e diversificados,
aquele típico riff cantado que faz você perder o pescoço. As linhas vocais são
rasgadas e agressivas e a cozinha é um murro nos cornos com tamanho peso e
agressividade.
“Sisyphus” e “País Sem Leis” são
ótimos cartões de visita e mostram a intensidade e energia do quarteto gaúcho,
que não economiza e não deixam o ouvinte descansar, aqui é chumbo atrás de
chumbo!
A produção feita por Thiago
Caurio e a mixagem de Benhur Lima colaboram para essa sonoridade violenta e
monstruosa que apresentam, pois tudo soa límpido e no seu devido lugar, sem
espaço para artificialismos ou modernidade exagerada. O trabalho gráfico do
artista Hugo Silva também é muito bem feito e casa com a musicalidade, lembrando
algumas capas do final dos 90, em uma arte rica em detalhes e ao mesmo tempo
rustica.
Mais uma promessa nasce no Sul do
país e mostram que não estão para brincadeira, uma estreia mais que solida e
empolgante.
Mesmo estando em 2018 os
lançamentos de 2017 ainda ecoam e um deles é o novo trabalho dos sergipanos do
Tchandala, que lançaram seu terceiro disco da carreira, “Resilience”, vindo
cheio de melodias, peso e boa modernidade.
A banda sempre investiu no Heavy
Metal tradicional e pulsante, mas neste novo álbum abrem os horizontes e uma
gama sonora moderna toma conta, o que fez muito bem a musicalidade do grupo,
respirando novos ares sem perder suas características.
“Resilience” é aquele típico trabalho
que você fica empolgando desde a primeira ouvida, impossível não curtir logo de
cara as melodias de “The Flame” ou o dueto vocal entre Iuri Sanson (ex-Hibria)
e Dejair em “Valley of Greed”.
A produção (com mixagem e masterização de Marcos Franco do Revolusom Estúdio) é muito boa e soa bem orgânica,
mesmo a sonoridade tendo uma veia mais moderna, o Tchandala não investiu em
timbres artificiais, mas sim com muito peso e equilíbrio, deixando o álbum
gostoso de se ouvir do começo ao fim. Em termos gráficos uma bela capa com um
belo layout, do tamanho da grandeza de sua música.
Vale destacar também a
participação de Tim Owens em “Caesar” em uma composição explosiva e agressiva.
Bem dosado, trabalhado e cheio de
momentos marcantes. “Resilience” crava a bandeira do Tchandala na cena
underground e mantém a chama mais do que viva!
Uma banda que merece ser olhada com muito mais atenção, fundada em 2005 em São José dos Campos (SP), o Chaos Synopsis já possui um currículo bem invejável, tendo já 3 full-lenghts de estúdio e um ao vivo, tendo também vários shows fora do Brasil, alcançando boa repercussão lá fora. Com o mais recente trabalho, "Gods of Chaos" (2016), onde estreou nova formação, o grupo recebeu novamente muitos elogios pelo seu Death/Thrash vigoroso, criativo e de muito boa técnica, sendo relacionado em muitas listagens de melhores do ano. No ano passado a banda prosseguiu a tour de divulgação, retornando inclusive ao exterior para 23 shows, passando por 7 países, prosseguindo depois para mais shows pelo Brasil. Conversamos com o fundador Jairo Vaz Neto para falar sobre "Gods of Chaos", que traz sua temática voltada a deuses antigos de diversas culturas, além de nos contar mais sobre as 4 tours pelo exterior e desse caminho ascendente que o grupo vem percorrendo. Confira a seguir. (English Version) RtM: Saudações Jairo, vamos iniciar já falando sobre o "Gods of Chaos". Bom, nos álbuns anteriores vocês sempre focaram em algum tema central,
gostaria então que vocês nos falassem sobre a escolha do conceito do álbum, que fala sobre deuses antigos. Como surgiu a ideia?
Jairo Vaz Neto:
Quando fomos convidados para gravar o split“Intoxicunts” (2016), escrevi uma
letra sobre o deus do caos egípcio Apep. Quando terminei a letra, me veio na
hora o nome do álbum e a temática, que gostei muito.
RtM: Ainda sobre o conceito, a parte lírica dos seus álbuns é sempre muito
interessante. Como foi a pesquisa e escolha dessas figuras mitológicas
abordadas nas músicas?
Jairo: Costumo
fazer as pesquisas e dar uma lida rápido sobre o tema em questão, com isso vão
surgindo as figuras escolhidas e então me aprofundo em cada um. No caso em
questão, fiz questão de tentar incluir figuras de todos os locais do globo, com
um panteão vasto e que remete a várias diferentes eras.
"Todos os instrumentos ouvidos no álbum foram gravados de amplificadores, sem alterações de timbres na mixagem, deixando o mais próximo possível do som que fazemos em shows."
RtM: Uma característica que é notada em seus trabalhos, é a busca por
trazer sempre algo diferente a cada álbum.
Em “Gods of Chaos” me parece um álbum mais direto e brutal que seus
antecessores. Coincidiu com a escolha do tema “Deuses do Caos” o fato de
apresentar uma sonoridade correspondente? Gostaria que vocês comentassem a
respeito.
Jairo: Não foi
algo muito pensado, geralmente colocamos um prazo final e trabalhamos para que as
músicas estejam prontas naquela data, então nos juntamos e vemos o que sai.
Acho que trouxemos um pouco do que fazíamos em “Kvlt ov Dementia”, assim como
inserimos mais melodias, contribuição essa vinda do Diego Sanctus, que trouxe
muito da sua forma diferente de criação.
RtM: A produção me soou também mais crua. Vocês optaram por algo mais cru
propositalmente, a fim de ressaltar o peso e brutalidade de “Gods of Chaos”?
Gostaria que vocês comentassem um pouco a respeito da produção do álbum.
Jairo: Foi
proposital. Queríamos um álbum sem nada além de guitarra, baixo, bateria e
vocal, sem inclusão de samplers e tal. Todos os instrumentos ouvidos no álbum
foram gravados de amplificadores, sem alterações de timbres na mixagem,
deixando o mais próximo possível do som que fazemos em shows.
RtM: O álbum marca a estreia de Luiz e Diego nas guitarras, então gostaria
que vocês comentassem sobre essas mudanças de line-up, que critérios são
valorizados para a busca de novos membros, até para não comprometer a
identidade da banda, e o que a dupla trouxe de novo ao seu som?
Jairo: Os dois
são grandes guitarristas, cada um a sua maneira. Diego tem muitas ideias de
composições e melodias, contribuindo muito para a criação das músicas. Quanto
ao Luiz, além das contribuições nos solos dos álbuns, ele é o cara que vale a
pena ter na estrada, além de ser muito divertido, está conosco como roadie
desde 2013 e entende bem o que é estar na estrada.O principal pra gente, além
de ser responsável, é curtir viajar, se divertir conosco e ter vontade de
chegar sempre mais longe.
"Algo bem legal desse som, Raising Hell, é que a letra foi escrita pelo meu avô, em uma antiga poesia dele, chamada ‘A Tríade Satânica’."
RtM: Dentre as músicas do álbum, gostaria que vocês comentassem um pouco
mais a respeito da sonoridade e dos temas da abertura com “Raising Hell” e da
“Sixteen Scourges”, que, inspiradas em culturas diferentes, mas tratam, digamos,
da figura suprema do mal segundo as referidas culturas.
Jairo:“Raising Hell”acho
que é a música com a pegada mais Chaos Synopsis de todo o álbum e acredito que
traga o tema mais conhecido, Satanás, que em nosso país, trata-se da mais
conhecida figura mitológica. Algo bem legal desse som é que a letra foi escrita
pelo meu avô, em uma antiga poesia dele, chamada ‘A Tríade Satânica’. “Sixteen Scourges” tem aquela pegada do
death metal dos anos 90, brutal e rápida, trazendo Ahriman, o mal encarnado, da
primeira religião monoteísta que se tem conhecimento.Os dois tem uma ligação,
por tratarem-se basicamente da mesma figura, sendo que boa parte da história do
cristianismo é influenciado pelo Zoroastrismo.
RtM: Vocês buscaram temas em diversas culturas, e destaco “Storm of Chaos”,
inspirada na mitologia Taino e “The
Beast that Sieges Heaven”, que fala de Typhoon, da mitologia grega, deus da seca,
que representa o ar em sua forma mais furiosa. Gostaria que vocês falassem um
pouco mais também destas duas músicas.
Jairo:“Storm of Chaos” é uma das músicas mais rápidas da banda, com uma pegada brutal,
exatamente para refletir a deusa dos furacões, que destrói tudo que passa pela
frente.“The Beast” tem uma boa inspiração na música “Chaos Synopsis”, a primeira
composição da banda. Uma pegada destruidora, com riffs fortes e mudanças de
andamento, principalmente durante a batalha entre Zeus e Typhoon no Monte
Olimpo, na parte lírica.
RtM: A banda este ano foi para sua quarta tour pelo exterior, é isso?
Conte-nos como surgiram essas oportunidades, pois muitas bandas ainda somente
sonham em tocar fora do país.
Jairo: Após a
primeira vez em 2010, na qual fomos na cara e na coragem com 3 shows marcados e
chegando lá marcamos mais alguns, conseguimos muitos contatos, que mantemos até
hoje, além de termos ganhado cada vez mais fãs pelo velho continente, o que
facilita e muito a nossa ida e as negociações de shows. Além disso, nosso
manager Xandão, da On Fire Booking, trabalha incessantemente para que as tours
sejam cada vez maiores e que sempre passem por novos locais.
"Vendemos cerca de 500 CDs nesta tour, o que para uma banda underground, é um número bem considerável."
RtM: Quais as condições que vocês encontraram nessas tours lá fora, em
termos de infraestrutura? E o que agregou à banda também em termos de
experiência, retorno quanto à divulgação da banda e economicamente, foram
experiências positivas?
Jairo: O que
facilita muito em excursionar pela Europa é que as distâncias são menores, as
estradas melhores e é comum ao pessoal ir em shows dia de semana. Tocar todos
os dias traz muita experiência quanto ao business, compromissos com horários,
seguir regras e conviver com um monte de pessoas diferentes.A cada tour temos
um retorno maior, economicamente falando, pois os números de vendas sempre
aumentam a cada tour. Vendemos cerca de 500 CDs nesta tour, o que para uma
banda underground, é um número bem considerável.
RtM: O Nervochaos passou por alguns problemas em sua recente tour lá fora,
especificamente em Bangladesh, onde não puderam se apresentar, ficando detidos
no aeroporto. Vocês chegaram a passar por alguma situação desconfortável em
alguma tour? Seja aqui ou lá fora?
Jairo: No geral
somos muito bem recebidos por todos os promoters, tanto aqui quanto lá, o que
mais pega em uma tour é mesmo a condição física. Esse ano mesmo, tínhamos um
show em Praga na República Tcheca, estávamos vindo de um show em Berlin na
noite anterior que o frio estava extremo e não conseguimos tocar devido a febre
e dor no corpo de dois integrantes. Nem sempre temos hotel pra dormir, muitas
vezes devido a distância dormimos na van enquanto viajamos e chega uma hora que
o corpo não aguenta.
RtM: Mesmo o Metal Extremo brasileiro tendo boa representatividade e
reconhecimento, o que vocês acham que falta para mais bandas aqui do Brasil
conseguir uma exposição maior, e ter, por exemplo, condições receber um suporte
como recebeu o Sepultura, que está com a Nuclear Blast lá fora, e um Krisiun, e
até um Nervosa, que estão em selos porte, como Century Media e Napalm Records?
Jairo:
basicamente, como a maioria das bandas não ganha grana, fica difícil investir
em propaganda. Selos grandes investem em bandas que trarão retorno financeiro e
para isso uma banda precisa aparecer muito pela via independente ou ter um
padrinho que faça as vias. Trata-se de muito trabalho acompanhado de um pouco
de sorte. Além de tudo, estamos muito distantes dos grandes polos do metal,
Europa e EUA, o que dificulta que o som chegue até as pessoas certas.
"Tenho um pensamento de que não importa o fim, mas sim a caminhada."
RtM: E os planos para o futuro imediato, quanto a divulgação do álbum, e
também quis os passos que vocês entendem que a banda precisa dar a partir de
agora, a fim de evoluir em todas as áreas?
Jairo: Estamos a
toda marcando shows para a divulgação de “Gods of Chaos”, porém já temos
planejado tudo que faremos até 2020, mas foquemos no agora, além dos shows,
devemos gravar alguns sons para o lançamento de um 7 EP para 2018. Se tem algo
que gostamos, é gravar! Continuamos passo a passo, fazendo com que todos os
shows sejam excelentes e divertidos para nós e público, independente de quantos
estejam nos assistindo. Tenho um pensamento de que não importa o fim, mas sim a
caminhada.
RtM: Pessoal, obrigado pela atenção, que venham muitas conquistas para a
banda, fica o espaço para sua mensagem final, lembrando que estamos disponibilizando a
entrevista também em inglês, a fim de atingir os sues fãs lá fora, e também
apresentar a banda a mais pessoas.
Jairo: Eu que
agradeço pelo espaço, por estudarem a história da banda e se aprofundarem nos
temas pra criar a pauta, isso é muito importante e demonstra um respeito muito
grande pela banda.Agradeço a todos que apoiam a banda e espero encontrar todos
na estrada qualquer hora dessas.
Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Arquivo da banda
Assessoria: Rômel Santos
Founded in 2005 in São José dos Campos (SP), the band Chaos Synopsis already has a very enviable curriculum, having already 3 full-lenghts of studio and one live album, also having several shows outside Brazil, reaching good repercussion out there. With the most recent work, "Gods of Chaos" (2016), where they debuted a new lineup, the band again received a lot of praise for their vigorous, technical and creative Death/Thrash, wich was pointed out by several publications and sites as one of the best albums of 2016. Last year the band continued the "Gods of Chaos Tour", returning again to Europe for 23 shows, going through 7 countries, then going on to more shows in Brazil.
We talked with the founder Jairo Vaz Neto to talk about "Gods of Chaos", which brings its theme to the ancient gods of different cultures, as well as tell us more about the 4 tours abroad and that upward path that the group has been going through. Check it out. (Versão em Português)
RtM: Greetings Jairo, let's start already talking about the "Gods of Chaos". Well, in the previous albums you always focused on some central theme, I would like you to tell us about the concept of the album, which talks about ancient gods. How did the idea come about?
Jairo Vaz Neto: When we were invited to record the split "Intoxicunts" (2016), I wrote a letter about the Egyptian chaos god Apep. When I finished the lyrics, I was immediately given the name of the album and the theme, which I liked a lot.
RtM: Still on the concept, the lyric part of your albums is always very interesting. How was the choice and the research of these theme, about mythological figures and ancient gods?
Jairo: I usually do the research and give a quick read on the subject in question, with this the figures chosen come up and then I dig deeper into each one. In the case in question, I made a point of trying to include figures from all over the globe, with a vast pantheon that refers to several different ages.
" All the instruments heard on the album were recorded to sound as close as possible to the sound we make at concerts."
RtM: One characteristic that is noticed in your albums, is the quest to always bring something different to each one. In "Gods of Chaos" it seems to me a more direct and brutal album than its predecessors. Coincided with the choice of the theme "Gods of Chaos" the fact of presenting a corresponding sonority? I would like you to comment on it.
Jairo: It was not much of a thought, we usually put a deadline and we worked to get the songs ready by then, so we got together and we saw what came out. I think we brought some of what we did in "Kvlt ov Dementia", as we inserted more melodies, a contribution that came from Diego Sanctus, who brought much of his different form of creation.
RtM: The production sounded even more raw. Have you opted for something more raw purposely in order to highlight the weight and brutality of "Gods of Chaos"? I would like you to comment a little about the production of the album.
Jairo: It was intentional. We wanted an album with nothing but guitar, bass, drums and vocals, without the inclusion of samplers and such. All the instruments heard on the album were recorded from amplifiers, with no change of timbres in the mix, leaving as close as possible to the sound we make at concerts.
RtM: The album marks the debut of Luiz and Diego on guitars, so I would like you to comment on these line-up changes, what criteria are valued for searching new members, not to compromise the band's identity, and what the duo brought back to the band's sound?
Jairo: Both are great guitar players, each in his own way. Diego has many ideas of compositions and melodies, contributing a lot to the creation of the songs. As for Luiz, besides the contributions in the solos of the album, he is the guy worth having on the road, besides being a lot of fun, he has been with us as a roadie since 2013 and understands well what it's like to be on the road, besides being responsible, is to enjoy traveling, to have fun with us and to want to go ever further.
"Something very cool about the song 'Raising Hell' is that the lyrics were written by my grandfather, in an old poem of his, called 'The Satanic Triad'."
RtM: Among the songs on the album, I would like you to comment a little more about the sonority and opening themes with "Raising Hell" and "Sixteen Scourges", which, inspired by different cultures, but deal, say, with the figure supreme evil according to these cultures.
Jairo: "Raising Hell" I think it's the music with the most Chaos Synopsis footprint of the whole album and I believe it brings the best known theme, Satan, which in our country is the best known mythological figure. Something very cool about this sound is that the lyrics were written by my grandfather, in an old poem of his, called 'The Satanic Triad'. "Sixteen Scourges" has that death metal footprint of the '90s, brutal and fast, bringing Ahriman, the incarnate evil, of the first known monotheistic religion. The two have a connection, since they are basically the same figure, being that much of the history of Christianity is influenced by Zoroastrianism.
RtM: You have looked for themes in different cultures, and I highlight "Storm of Chaos", inspired by Taino mythology and "The Beast that Sieges Heaven", which speaks of Typhoon, from Greek mythology, drought god, which represents air in its form more furious. I would like you to say a little more about these two songs as well.
Jairo: "Storm of Chaos" is one of the band's fastest songs, with a brutal footprint, just to reflect the goddess of hurricanes, which destroys everything that goes by. "The Beast" has a good inspiration in the song "Chaos Synopsis ", The band's first composition. A destructive footprint, with heavy riffs and changes of tempo, especially during the battle between Zeus and Typhoon on Mount Olympus in the lyric part.
"We sell about 500 CDs on this tour, which for an underground band is a very considerable number."
RtM: The band this year went to their fourth tour abroad, is that it? Tell us how these opportunities came about, because many bands still only dream of playing outside the country.
Jairo: After the first time in 2010, in which we went in the face and the courage with 3 marked shows and getting there we scored a few more, we got a lot of contacts, which we still have, and we have won more and more fans around the old continent. which facilitates and a lot of our going and the negotiations of shows. In addition, our manager Xandão, of On Fire Booking, works ceaselessly so that the tours are getting bigger and that they always go through new places.
RtM: What conditions did you find on these tours out there in terms of infrastructure? And what added to the band also in terms of experience, return on bandwidth and economically were positive experiences?
Jairo: What makes it a lot easier to tour around Europe is that the distances are smaller, the roads better and it is common for people to go on weekday shows. Play every day brings a lot of business experience, schedule appointments, follow rules and live with a lot of different people. Each tour has a bigger return, economically speaking, because sales numbers always increase with each tour. We sell about 500 CDs on this tour, which for an underground band is a very considerable number.
RtM: The Nervochaos went through some problems on their recent tour outside, specifically in Bangladesh, where they could not introduce themselves, being detained at the airport. Did you ever go through any uncomfortable situation on a tour? Here on Brazil or in another country?
Jairo: Overall we are very well received by all the promoters, both here and there, the most catch in a tour is even the physical condition. This year, we had a concert in Prague in the Czech Republic, we were coming from a concert in Berlin the night before that the cold was extreme and we could not play due to fever and pain in the body of two members. We do not always have a hotel to sleep in, often due to the distance we sleep in the van while we travel and an hour arrives that the body can not handle.
"We continue step by step, making all the shows excellent and fun for us and the public..."
RtM: Even the Brazilian Metal Extreme have good representation and recognition, what do you think is missing for more bands here in Brazil to get a bigger exposure, and to have, for example, conditions to receive a support like bands as Sepultura, which is with Nuclear Blast now, and even Krisiun and Nervosa, who are in labels such as Century Media and Napalm Records?
Jairo: Basically, since most bands do not make money, it's difficult to invest in advertising. Large labels invest in bands that will bring financial returns and for this a band needs to appear a lot independently or have a sponsor who makes the tracks. It's a lot of work and a bit of luck. Besides, we are very far from the big poles, Europe and the USA, which makes it difficult for the sound to reach the right people.
RtM: And the plans for the immediate future? And also the steps that you understand what the band needs to give from now on in order to evolve in all areas?
Jairo: We are all marking more shows for the release of "Gods of Chaos", but we have already planned everything we will do until 2020, but we focus on now, besides the concerts, we should record some sounds for the launch of an EP for 2018. If we have something we like, it's to record! We continue step by step, making all the shows excellent and fun for us and the public, regardless of how many are watching us. I have a thought that it does not matter the end, but all the way travelled.
RtM: Jairo, thank you for the attention, hope many achievements come to the band, and i let the final space for your message to the readers, remembering that we are also making the interview available in English, in order to reach your fans outside, and also introduce the band to more people.
Jairo: I thank you for the space, to study the history of the band and to deepen the themes to create the agenda, this is very important and shows a great respect for the band. I thank all who support the band and I hope to meet everyone on the road anytime. Interview: Carlos Garcia
Press Management: Rômel Santos
Assegurar seu espaço no cenário Heavy Metal é algo que obriga as bandas a se superar, inclusive se estão querendo almejar algo mais, pois dia após dia aparecem novos nomes, mostrando que no Brasil existe um compêndio profundo de grupos que seduz pela criatividade na intenção de fazer som pesado. Faltando pouco para cruzar a terceira década de carreira, o Torture Squad continua autoconfiante desatando seu 8º disco, “Far Beyond Existence”.
Regressando novamente ao formato quarteto, com as estreias de Mayara Puertas (Vocal) e Renê Simionato (guitarra) em ‘Full Length’, a tropa liquida o que muitos distinguem ser a roupagem verdadeira e propícia desses paulistanos: Death Metal e Thrash Metal em uma harmonia sonora destruidora, e ainda adicionando partes técnicas e experimentais pra dentro da proposta da banda, provando que não há restrições perante a criatividade.
A produção contou novamente com as presenças de Wagner Meirinho e Tiago Assolini (gestando também as partes de mixagem e masterização), que já consolidaram a engenharia sonora no EP “Return Of Evil” (2016), onde as gravações foram intercaladas nos estúdios Loud Factory e Orra Meu, em São Paulo. E é nessa insolência que o álbum soa com clareza plácida e precisa, demostrando peso e força orgânica.
Na capa, traçada pelo artista Rafael Tavares, percebemos que há fatores que dá pra serem desvendados nos mínimos detalhes, não sendo difícil descobrir o que cada ponto significa, traçando a abordagem das letras numa arte fascinante e misteriosa.
Sem incógnitas para “Far Beyond Existence”, pois a linha musical do grupo continua rigorosa: base rítmica mostrando autonomia e equilíbrio, guitarra desfilando riffs polidos e solos melodiosos, fechando o meio com a excelente articulação vocal da Mayara, evidenciando a boa pronúncia nos inigualáveis urros. Baseando-se nesse conjunto que o álbum vem a ser um dos mais abrangentes da história da banda, persuadindo a magnitude clássica do Death e Thrash Metal.
As relevantes canções ficam por conta de “Dont’ Cross My Path”, que enfatiza um Thrash Metal veloz e breve carga de Death Metal; “No Fate” engloba carnificinas rigorosas e retas, situando espaços onerantes e evolutivos; “Blood Sacrifice” se destaca pelo experimentalismo, com o Rene tocando citara para combinar com a temática hinduísta da letra, falando sobre a deusa Maha Kali, onde a Mayara faz referência à mesma logo no começo da música.
“Steady Hands” incumbe ritmos cadenciados (timbres brilhantes de baixo) e técnica bem laborada, patenteado de condizentes riffs de guitarra; a célere “Hate” conta com a participação de Dave Ingram (ex-vocalista do Benediction) cantando alguns versos; “Far Beyond Existence” traz uma atuação ornamental, com guitarra, baixo e bateria mostrando verdadeiras lições musicais; “You Must Proclaim” inicia com uma ótima conversa entre caixa e guitarra, não demorando em nos bombardear com riffs frisantes e certeiros, contando com a ilustre presença do vocalista Luiz Lousada (Vulcano, Chemica Desaster).
De bônus existem várias releituras, mas a versão que este autor recebeu possui apenas 3 faixas, e a primeira delas é a regravação de “Just Got Paid”, do ZZ Top, concebida pelos vocais puros de Alex Camargo (Krisiun), mantendo a formatação original da música, mas de forma mais pesada, destacando os slides de guitarra; a instrumental “Torture In Progress” contem performances genuínas, apresentando belas passagens rítmicas e linhas de guitarras abrangedoras, com o hammond de Marcello Schevano (Carro Bomba, Golpe de Estado, Casa das Máquinas) dando aquela atmosfera mais viajante e sublime; “Unknown Abyss” encerra com uma introdução profunda, nos retrocedendo a ouvir o disco do zero novamente, que com certeza será o tema inicial dos shows da turnê desse novo álbum.
“Far Beyond Existance” revela um Torture Squad aperfeiçoado e pronto para os novos desafios.
Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Ficha Técnica
Banda: Torture Squad
Álbum: FarBeyondExistance
Ano: 2017
Estilo: Death / Thrash Metal
Gravadora: Secret Service Records
Assessoria de Imprensa: Metal Media
Formação
Mayara “Undead” Puertas (Vocal)
Renê Simionato (Guitarra)
Castor (Baixo)
AmilcarChristófaro (Bateria)
Convidados
Dave Ingram - Vocais em “Hate”
Edu Lane - Narraçãoem “Cursed by Disease”
Luiz Carlos - Vocais em “You Must Proclaim”
Marcello Schevano - Órgão Hammond em “Torture in Progress”
Alex Carmargo - Vocais adicionais em “Just Got Paid”
Um exímio criador de hits e grandes canções, um músico que experimentou o sucesso comercial, vendendo milhões de álbuns, colocando músicas no topo dos charts já aos 19 anos, com o Ides of March nos anos 70, e mais tarde, nos anos 80, premiado com um Grammy e indicado a um Oscar de melhor canção. Inspirou milhões de pessoas com canções como "Eye of the Tiger", que é praticamente um patrimônio da humanidade. (English Version)
Escreveu também muitas canções para artistas e grupos como Sammy Hagar, Van Zant, Beach Boys, 38 Special, Cheap Trick e Reo Speedwagon. Segue produzindo e inspirando pessoas em seus trabalhos com o The Songs, Ides of March, Pride of Lions, Peterik/Scherer, e mais recentemente com Scherer/Batten, projeto o qual traz canções suas e também sua produção.
Tivemos a oportunidade de conversar com esta verdadeira lenda da música, que nos falou um pouco mais desse novo projeto, e claro, algumas histórias de sua carreira. Confira:
RtM: Olá Jim, obrigado por arrumar um tempo para nos atender. Antes de falar sobre seu mais recente trabalho, o projeto Scherer/Batten, gostaria de voltar um pouco no tempo e perguntar se no início de sua carreira, precisamente no lançamento do primeiro álbum com o Ides of March, você imaginou um dia ser um vencedor de prêmios, como um Grammy, vender alguns milhões de álbuns, ter hits no topo das paradas ou ter uma música indicada para o Oscar? O quão longe você chegou em relação aos seus sonhos?
Jim Peterik: (Ri muito!) Quando você tem 19 anos e com um álbum sendo o número um, você está vivendo o momento. Não estávamos a contemplar o sucesso a longo prazo ou o impacto sobre o qual teríamos em um âmbito maior dentro do cenário. Então eu tenho que dizer que eu ultrapassei meus sonhos de jovem. E por uma distância considerável!
RtM: Eu estava lembrando uma entrevista que li há muito tempo, onde você falou sobre a inspiração para escrever "Vehicle", que se tornou seu primeiro grande sucesso. Gostaria que você nos lembrasse um pouco da história desta música, especialmente para os fãs e leitores mais novos, e descreva-nos como você se sentiu no momento, vendo que a música acabou tendo uma grande repercussão?
Jim Peterik: Para explicar brevemente, eu escrevi "Vehicle" para ganhar minha namorada. Eu acho que funcionou, porque Karen e eu já estamos casados e felizes há 45 anos!
"Eu tenho uma palavra de alegria e otimismo para compartilhar que não tem nada a ver com o comércio. Trata-se de paixão!"
RtM: Nos anos 80 você criou vários sucessos com o Survivor, uma direção muito diferente do Ides of March. Quando você começou a banda, o que você tinha em mente para o Survivor? Você já imaginava o tipo de som que você queria? Algum artista ou banda em particular o inspirou naquele momento?
Jim Peterik: Frankie e eu começamos a banda no inverno de 1977. Nosso objetivo era fazer Hard Rock e Melodic Rock. Tenho certeza de que o Foreigner estava em nossas inspirações, com seu som poderoso e mainstream. E um grande vocalista.
RtM: E como você vê essa formação atual do Survivor, capitaneada por Frankie?
JP: Frankie obteve os direitos de usar o nome quando deixei a banda em 1996. Estou feliz por ele continuar a espalhar para muitos mais a música que criamos.
"Todo artista parece ter aquela música que se destaca e o define. A "Eye of the Tiger" é essa música para mim."
RtM: Bom, eu tenho que falar sobre "Eye of the Tiger", que é uma música que se tornou um hino, e sempre é lembrada em cenas que se referem à ação ou bravura em filmes, comerciais e eventos esportivos, sinônimo de luta e busca pela superação, além de ter recebido muitas versões e covers. Você escreveu tantas outras excelentes músicas, mas você poderia nos contar um pouco sobre a importância desta música em sua história?
JP: Todo artista parece ter aquela música que se destaca e o define. A "Eye of the Tiger" é essa música para mim. As histórias que ouvi de pessoas de como aquela música influenciaram suas vidas são realmente mais valiosas para mim do que o lado monetário. Os relatos de pessoas superando doenças, longas jornadas e desafios alimentam minha alma diariamente
RtM: Belas palavras, "Eye of the Tiger" é realmente magnífica. Voltando ao presente, gostaria que você falasse sobre como começou a parceria com Marc Scherer, com quem você lançou o álbum "Risk Everything". Outro grande artista que você "descobriu".
JP: Ao longo dos anos, tive pelo menos duas "quase" chances de trabalhar com Marc. Cada vez que eu ouvia seu seu incrível registro de tenor em algum estúdio adjacente, acabava pegando seu número, mas acabava perdendo! Finalmente nossas estrelas se alinharam e tem sido uma veia muito rica de inspiração mútua. Este último CD, "Battle Zone", de Marc Scherer/Jennifer Batten é o ponto culminante final.
RtM: Falando em descobrir e produzir novos talentos, temos o seu companheiro de Pride of Lions, Toby Hitchcock, outra ótima voz que você apresentou aos fãs do Melodic Rock. Abrindo um parêntese, gostaria que você falasse sobre Toby e seu trabalho com você no Pride of Lions.
JP: Minha sobrinha, Kelly Ferro, me deu uma dica de um cantor que ela havia ouvido, quando ela estava fazendo uma audição para um programa de talentos da TV, de Dick Clark em 2002. Depois de finalmente contatá-lo (na primeira vez em um show do Ides Of March em sua cidade natal, Valporaiso, Indiana) ele veio e gravou (e participou de audição) no meu estúdio. Quando minha gravadora, a Frontiers, o ouviu, concordou que eu tinha encontrado o cantor da minha nova banda, o Pride Of Lions.
"Finalmente nossas estrelas se alinharam e tem sido uma veia muito rica de inspiração mútua." (sobre a parceria com Marc Scherer)
RtM: Continuando com a parceria com Marc, gostaria que você nos dissesse sobre como surgiu a ideia do projeto Scherer/Batten e como foi o processo de escolha das músicas que seriam parte do álbum, já que você procurou várias músicas, usando a expressão de Marc, do seu baú de tesouros?
JP: Eu estava gravando um novo álbum com Marc, com algumas de minhas músicas favoritas do meu catálogo passado, que sempre senti que mereciam uma segunda chance. Nós trouxemos a incrível Jennifer Batten para fazer algumas guitarras no álbum, mas quando ouvimos seu trabalho incrível, nós sabíamos que ela estava destinada a ser mais que um músico contratado. Ela se tornou uma parte vital de uma poderosa nova entidade - Scherer/Batten. Como minha esposa, Karen, disse quando ouviu algumas músicas, ela disse: "Ela é como uma segunda voz". Nós três acabamos escrevendo 3 novas músicas para o álbum, incluindo a faixa-título.
RtM: Foi um achado trazer Jennifer Batten para o projeto. E como foi para trabalhar com ela?
JP: É uma alegria trabalhar com ela. Sempre super preparada, criativa e focada.
RtM: Havia músicas com as quais vocês iniciaram a trabalhar, mas acabaram sendo excluídas?
JP: Sim. Havia algumas. Mas acho que escolhemos sabiamente.
RtM: Sobre as músicas que entraram no álbum, quais as que você gostou mais do resultado final? Eu preciso dizer-lhe que a nova versão para "The Sound of Your Voice", que foi gravada pelo 38 Special, achei incrível, mais vibrante e moderna.
JP: Essa também é uma das minhas faixas favoritas. E Jeff Carlisi, Don Barnes e Danny Chauncey adoram também!
Sessões de gravação com Jennifer Batten
RtM: E o processo de produção do álbum? Foi muito trabalho, devido o número de pessoas e grandes músicos envolvidos, e com agendas ocupadas?
JP: Todo mundo acabou concentrando suas forças neste álbum. Era uma "Rock Machine" bastante eficiente em comparação com a maioria.
RtM: A Frontiers já foi responsável por muitos retornos. Eles, ou algum outro selo, propuseram lançar um novo álbum do Survivor? Você já pensou ou existe alguma possibilidade de lançar algo novo com a banda? JP: Meus projetos atuais só incluem o Ides Of March - Pride of Lions - Scherer/Batten e The Songs. Todos novos e atuais.
RtM: Como você vê a indústria da música hoje em dia? Muitos artistas chegaram a dizer que não vale a pena fazer novas músicas ou gravar álbuns. O que você pensa sobre isso e o que o move para continuar a produzir e criar novas músicas? JP: Eu faço isso como uma necessidade de comunicar minha música para tantas pessoas quanto eu puder. Eu tenho uma palavra de alegria e otimismo para compartilhar que não tem nada a ver com o comércio. Trata-se de paixão!
Rtm: Jim, mais uma vez obrigado pelo seu tempo para nos responder esta entrevista, nós amamos seu trabalho!
Jim Peterik: Obrigado! Isso significa tudo para mim.
Entrevista: Carlos Garcia Agradecimentos: Maggie Poulos e MIX Tape Assessoria