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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Entrevista - Apokalyptic Raids : Resistência e Foco no que Importa

 

Por: Fernanda Luísa e Renato Sanson
Fotos: Divulgação 
Edição/revisão: Caco Garcia 

Poucas bandas do underground brasileiro construíram uma trajetória tão consistente e fiel às próprias convicções quanto o Apokalyptic Raids. Formado em 1998 por Leon Manssur "Necromaniac", o trio transformou décadas de dedicação ao metal extremo em uma discografia cultuada mundialmente, inúmeras turnês pelo Brasil, América do Sul e Europa, além de uma sólida parceria com o selo Hell Music. 

Mantendo-se sempre distante de modismos e guiado por uma visão artística própria, o Apokalyptic Raids consolidou seu nome como uma das principais referências do metal underground nacional. 

Nesta entrevista, conversamos com Leon Manssur sobre a história da banda, sua filosofia, os desafios de permanecer independente, os rumos do metal extremo e muito mais. Confira.




RtM: O Apokalyptic Raids se tornou uma referência cult dentro do underground extremo brasileiro. Na sua visão, o que manteve a banda viva e relevante ao longo dos anos, mesmo distante dos grandes circuitos comerciais?
Leon Manssur: Já houve tempo em que eu achava importante ocupar mais esses espaços no “meio Metal”. Eu era mais inocente e achava que teríamos igualdade de condições com as “bandas-empresa”, com vantagem em autenticidade. 

Mostrar como se faz, sem ceder ao comercialismo, hoje representado pelas bandas cheias de mídia training e instagrams profissionais. 

Mas isso foi uma ilusão. Hoje em dia eu me importo cada vez menos com a opinião dos outros, seja do pseudo mainstream metálico, seja dos caciques dos pequenos poderes do underground. Quem gostar, gostou. Faço o que faço há bastante tempo pra já ter afastado os interesseiros, os deslumbrados, os falsos em geral.


RtM: Muito da identidade sonora do Apokalyptic Raids carrega a essência obscura e primitiva do Hellhammer. Como nasceu essa conexão com a banda e de que forma ela moldou tua visão artística e pessoal dentro do metal extremo?
LM: Há mais de 40 anos é minha banda favorita. O mix perfeito de peso, sujeira, pouca técnica, gravação suja mas cuidadosa, composições perturbadoras e perfeitas... Como se fosse o Black Sabbath de 1972 tocando o repertório do Mötorhead... É só isso e tudo isso. Portanto eu apenas tinha e tenho a intenção de recriar esse estilo. Nem mais, nem menos.


RtM: O underground brasileiro sempre sobreviveu mais pela paixão do que pela estrutura. Como você enxerga a cena atualmente em comparação aos anos 80 e 90, principalmente em relação à autenticidade e ao comprometimento das bandas?
LM:As qualidades e defeitos do ser humano são bem previsíveis. Da até sono. Se tirar a tecnologia, esta sim, que mudou muito, são os mesmos garotos iludidos, os mesmos pseudo-produtores malandros frustrados querendo faturar em cima, o mesmo amadorismo, e no meio disso um ou outro que se salvam. Todos os anos muitos entram no nosso meio, mas poucos irão aguentar permanecer com consistência após 10, 20 anos. Nem sempre é claro quem é quem.


RtM: Vivemos uma era dominada por streaming, redes sociais e consumo rápido de música. Em sua opinião, essas tendências digitais fortaleceram o underground ou acabaram tirando parte da essência e do culto que existia antigamente?
LM: Ganha-se algumas coisas, perde-se outras. Por um lado, qualquer desqualificado tem acesso material que não deveria, podendo usar algumas das melhores bandas do passado pra piadocas, memes, falas equivocadas. Por outro lado, tem material antigo bom online pra quem sabe o que procurar. 

O que faz a diferença é o conhecimento de cada um. Nem tudo é "internetável". Facilmente encontro nos meus arquivos material que não existe online. E aos poucos vai sendo disponibilizado em espaços virtuais marginais, fora do circuito das redes sociais da moda. 

Quem não viveu, quem não conhece, não saberá encontrar, nem saberá que precisa, até um dia aparecer em um selo de raridades. Há muito movimento no subterrâneo do subterrâneo. A maioria da geração atual viu tudo, tem toda a informação disponível, mas não sabe o que fazer com isso, não tem vivência.


RtM: O Apokalyptic Raids possui uma identidade muito fiel às raízes do metal extremo. Existe espaço para evolução sonora sem perder a essência, ou certas características devem permanecer intocáveis?
LM: Evolução pra trás! (Risos) A modernidade chegou ao Metal nos anos 90, já ficou velha e não importou em nada na minha opinião. Nos nossos álbuns mais recentes existem sim algumas composições “arriscadas”, apontando pros anos 70, outras pro Heavy tradicional... Que acaba estando no contexto do Black Death Speed Metal do Hellhammer. 

É bom não ter um estilo definido pelos padrões atuais. Por um lado, você é um “animal estranho”, que as gerações modernas não conseguem decodificar, e por outro lado você acaba ficando independente disso. Veja, Heavy tradicional e 70s está no contexto. Então tem espaço pra isso. Tudo depende de conseguirmos atingir esse tipo de som com classe e dentro do contexto. Ouçam e me digam se deu certo.


RtM: Olhando para tua trajetória dentro do metal underground nacional, qual legado o Apokalyptic Raids deixa para as novas gerações de músicos e fãs da música extrema?
LM: Não sei, é difícil julgar. Talvez eu seja só desimportante. Talvez alguém encontre algo relevante. Eu sou só um cara aí que curte uns sons aí. Igual à minha trajetória tem vários. A História que se encarregue dos julgamentos, eu estou ocupado tentando fazer algo que me satisfaça (risos)


RtM: Falando em turnês e lançamentos, o AR sempre se mantém ativo e representando o Brasil fora do país. Como é ser mais reconhecido mais lá fora do que no próprio país? Pergunto isso, pois é notável a devoção dos fãs gringos e que em minha opinião era para ser aqui também. Além, de a maioria dos lançamentos da banda saírem por gravadoras internacionais. Mostrando realmente que nossa cena é falha com quem trabalha de verdade. 
LM: Não sei se somos mais reconhecidos lá que aqui. Talvez sim. O Metal tem ciclos de público, idade, estilos. Uma década de vacas gordas, outra de vacas magras. Como já vi vários desses ciclos, me impressiono menos hoje. Mas sim, sou agradecido por algumas demonstrações de algumas pessoas que importam daqui e de fora. 

A distribuição no exterior é uma necessidade. Somos um país quebrado, um salário mínimo compra uns 7 LPs. Então é impossível contar apenas com público local pra esgotar um título. Mas foi pra conhecer o mundo que o Ozzy entrou no Sabbath, não é mesmo?

Não posso reclamar, não. Fizemos 20 shows na Europa em novembro de 2025 e deu mais gente que das vezes anteriores, show lotado em segunda feira, merchandise esgotado faltando 3 shows pro fim da tour. Então, apesar de tudo, me considero privilegiado por ainda ter um bando de doidos (no bom sentido) que comparece aos nossos shows. Talvez não sejamos animais tão estranhos assim.


RtM: Quais são suas as impressões sobre a questão da IA  na música?
LM: Acredita que eu mal uso AI pra p*** nenhuma? Tem gente que está viciado nisso, não pensam mais, nem nas coisas que precisam ser pensadas. Pra minha atividade, particularmente, não tem muita utilidade. Pra fazer um resumo ou elaborar algumas buscas, talvez. Mas a AI precisa ser alimentada, treinada. E eu gosto de trabalhar nas coisas que costumam alimentar e treinar a AI. 

Então pra mim é só mais uma ferramenta, para quem e quando for a ocasião de usar. Não é uma panaceia universal. Na música em particular, é claro que mal conseguimos distinguir algo criado por humanos de algo feito por máquinas. Exceto por aqueles fatores que eu citei que são não-internetáveis. Não dá pra enlatar um show ao vivo, por mais que se transmita um festival pro mundo todo hoje. Estar lá sempre será diferente. 


RtM: Leon, você foi de certa forma o incentivador e influência de muitas bandas e músicos não só do Rio de Janeiro assim como de todo o mundo. Isso te faz ter que ter um cuidado maior ao se expressar publicamente ou você se mantém liberto ao seu modo de pensar perante ao mundo em geral, e não somente ao nosso meio metal?
LM: Sobre ser influenciador, ocorre com o tempo. Você vai colando com quem tem idéias parecidas. O estilo é muito esparso, é um daqui, outro da Alemanha, outro do Japão... E esparso no tempo também. Então quem vem depois acaba se espelhando em quem veio antes, como eu mesmo já fiz. Com maior ou menor grau de atraso e ruído.

É claro que tenho senso de responsabilidade ao me expressar publicamente. Palavras tem consequências, e quando se é uma pessoa pública, essas consequências são amplificadas para o bem ou para o mal, sem que se planeje exatamente. Então já houve e há ocasiões em que precisamos modular o discurso, mesmo correndo riscos, pra não produzir efeitos contrários e indesejáveis.

A palavra “liberto” é um grande problema hoje. Eu sou um libertário, sempre fui desde que me entendo por gente. Mas aqui preciso parar e notar que não, eu não posso dizer tudo que eu penso hoje em dia, incluindo coisas que eu sempre disse antes. E isso é um enorme problema. Estamos na era do cancelamento, né. 

É muito autoritarismo, muitas vezes de quem menos se espera. A pergunta na minha cabeça nesses últimos 5 ou 6 anos é: “tocar com quem, tocar pra quem?” Uma pergunta para a qual eu ainda não tenho uma resposta não-trivial.

Então, sinto muito, mas minha melhor resposta à sua indagação sobre modo de pensar neste momento é a pior possível: um silêncio ensurdecedor.


RtM: Você tem como formação acadêmica em física e é Doutor nessa área porém hoje não está atuando no meio acadêmico. Qual foi o motivo pelo qual você decidiu que deveria seguir outro caminho? 
LM: Eu fui fazer física porque achava bonito, e ainda acho, e por ter gosto pela abstração. Isso no Brasil é um tipo de suicídio a prestação. No início dos anos 2000, nada de concurso, pagamento pingado, perspectiva de carreira nômade, então por motivos pessoais resolvi engavetar o diploma e cuidar mais da família. 

Me reorganizei, até vivi da música por alguns anos, o que coincidentemente estava pegando tração entre 2003 e 2008, com muitos lançamentos em LP. 

Eu fazia produções e masterizações para alguns selos. Depois a vida foi complicando mais, mas comecei com a Hell Music informalmente por volta de 2009 e acelerei lançamentos do selo a partir de 2015.


RtM: A educação no Brasil ainda tem uma saída ao seu ver? Se sim qual ou quais seriam?
Basicamente não (risos) Somos uma sociedade da desconfiança. Veja os países europeus ou os USA por exemplo. Eles foram fundados por uma determinada sociedade com determinados valores. Bem longe de serem perfeitos, mas tem uma estrutura que se formou e se depurou ao longo de centenas e centenas de anos. Visão de mundo, filosofia, instituições, formando pessoas que formam mais pessoas. Você pode criticar, querer reformar, mas você não pode ignorar. Outras culturas copiam. 

Compare com casos de sucesso na Ásia por exemplo, com bases em outros sistemas de valores. Você copia o que funciona, descarta o que não funciona. 

No Brasil, você desconfia do próximo, porque é provável que ele te ferre, e é assim aqui. E o próximo pode ser bem próximo, pode ser da família. Ou seja, é cada um por si. Em que século dessa evolução as pessoas irão parar de querer passar a perna umas nas outras e resolver cooperar, isso eu não sei. Mas eu sei que é só depois desse ponto que a educação tem qualquer chance. Mesmo não tendo p**** nenhuma, tem que querer primeiro. 

No momento, somos pouco mais que um bando de primatas se matando uns aos outros a socos. Como fazer pra se comunicar nesse cenário? Não tenho uma resposta. É nesse estágio que estamos. O mal e a ignorância são indistinguíveis, e tomaram proporções muito grandes, continentais.


RtM: Muitas bandas com o mesmo tempo de estrada que hoje vocês tem, ficaram pelo caminho. Que fatores você acredita que tenha tido para conseguir manter o Apokalyptic Raids vivo?
LM: Autismo, TOC, hiper foco em Hellhammer... (Risos) Sabe a parte da resistência à mudanças? É isso aí. Alguns amigos ao longo do caminho, e a ideia fixa. E um pouco de sorte.


RtM: Se tudo hoje continuar da mesma forma como se encontra no meio underground você acredita que a evolução em termos de estrutura e qualidade das casas de eventos e equipamentos melhorou ou melhorará?
LM: Sinceramente, depois de 3 turnês na Europa, 2 no Brasil, 2 América do Sul? Não.
Porque eu conto nos dedos os eventos que eu fiz aqui que foram no horário. E eu conto nos dedos os eventos que eu fiz na Europa que atrasaram. Só por aí você já vê. O cara lá não tem como se atrasar. Tudo funciona. Tem um letreiro no ponto do ônibus dizendo que o próximo chega em 4 minutos. Passa 4 minutos, o ônibus chega. Então você consegue fazer tudo que planeja, consegue planejar. 

Aqui não tem transporte, e a rua tem buraco, e o cara do som atrasou porque ontem teve evento, ele tem que dobrar pra poder sobreviver, o ampli tá ferrado e não tem outro, tudo custa mais caro, a remuneração é 10 vezes menor, empreender custa muito caro, contratar é impossível, produtividade estagnada há 50 anos por cultura arcaica, os estímulos tem o efeito contrário ao objetivo alegado... Passa por aquele assunto da educação. Pra acontecer minimamente, você teria que reformar o ser humano, e isso não está acontecendo. Espero não estar sendo excessivamente pessimista! 


RtM: Leon, obrigado por dedicar um tempo para nos responder e expor suas opiniões, fica o espaço para sua mensagem final.
LM: Obrigado pela entrevista! Estamos trabalhando em um álbum novo, fiquem ligados!

contact@apokalypticraids.com
https://www.apokalypticraids.com/
www.apokalypticraids.bandcamp.com
www.hellmusicrecords.bandcamp.com


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Morthur: Honrando a Tradição do Metal Extremo Gaúcho



De Erechim, interior do Rio Grande do Sul, o trio Morthur é mais um nome que merece atenção, principalmente dos headbangers mais voltados ao lado mais extremo do Metal. 

"Between the Existence and the End" traz um Death Metal que mescla passagens cadenciadas e velozes, destacando o trabalho nos riffs, com o guitarrista e vocalista Jeferson usando de timbres limpos e próximos ao Metal tradicional. As mudanças de andamento e também surgem em boas doses, e esses ingredientes deixam a sonoridade sempre interessante, pois muitas bandas do estilo acabam incorrendo no lugar comum, com as músicas soando muito semelhantes, não encontrando soluções mais criativas.


A cozinha está bem trabalhada, com bastante peso e também velocidade quando necessário. Os vocais seguem a linha tradicional gutural. A boa produção do álbum também merece elogio, pois pode-se ouvir com clareza os instrumentos, além disso há interessantes efeitos e vinhetas entre as músicas, contribuindo num certo clima soturno e mórbido. 

Entre passagens mais velozes e extremas, o que realmente me prendeu a atenção são os trechos mais cadenciados, em que, junto aos elementos do Death Metal Old School, são mixadas linhas mais tradicionais do Metal, como por exemplo em "Extremely Against the World", que inicia bem brutal, variando com andamentos mais cadenciados, um refrão bem interessante e marcante e no minuto final entra em um solo com boas melodias. 

O baixão distorcido abre "Mortal Desire", e riffs marcantes e bem Old School se revezam com passagens mais velozes. As partes mais cadenciadas são um convite ao headbanging, e o bom solo de guitarra finaliza com louvor mais uma das faixas de destaque.


O andamento mórbido e arrastado de "Living Blasphemia" tem um algo de Doom e Black Metal, e também se destaca, juntamente com "Warlock of the Wonderworld", bem trabalhada e com boa variedade de riffs. "Alien Tomb", que aparece como bônus, e é a última faixa do full lenght, traz trechos mais experimentais ao final (talvez por isso apareça como faixa bônus, mas ficou bem legal, parabéns à banda, não tenham medo de arriscar e experimentar).

Um muito boa amostra do potencial do Morthur, que iniciou as atividades em 2013 e apresenta este debut competente e com boas composições, tendo já uma personalidade forte com seu Death Metal  de riffs marcantes e clima soturno. Há de se louvar também a boa produção sonora e gráfica, bem como os timbres de guitarra, pois ainda vejo muitos trabalhos com produção sonora tosca, encartes totalmente amadores e instrumentos mal timbrados (aquelas guitarras abelhinha hahaha), parece que muitos ainda acham, ou usam como desculpa, que ser Old School, "True" ou Underground tem que soar tosco! Parabéns ao Morthur pelo profissionalismo, pois sabemos das dificuldades econômico e financeiras aqui do Brasil, mas se a pessoa entrou nessa, precisa buscar apresentar um trabalho com um mínimo de qualidade.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Morthur
Álbum: "Between the Existence and the End" (2017)
Estilo: Death Metal
País: Brasil
Produção: Jeferson Casagrande
Selo: Phobos Dark Art e Sangue Frio Records
Assessoria: Sangue Frio


Line-Up:
Jeferson Casagrande: Guitarra e Vocal
André Cândido: Bateria
Marco Zanco: Baixo

Tracklist
01. Intro
02. Immortals
03. From Life To Death
04. Mortal Desire
05. Warlock of the Underworld
06. Demonized
07. Extremely Against the World
08. Living Blasphemia
09. Alien Tomb


       


       

segunda-feira, 18 de março de 2019

Queiron: Qualidade e o Peso da Experiência



Em matéria de Metal Extremo o Brasil merece um lugar alto no pódio, e com certeza se tivéssemos, estrutura e suporte que as bandas europeias possuem, ou pelo menos algo próximo, muitos nomes mais estariam figurando entre os nomes mais venerados do estilo.

Formado em 1994, na cidade de Capivari (SP), o Queiron é um destes nomes que está há muito tempo pronto para disputar um espaço de maior destaque. Com sua sonoridade inspirada nos nomes clássicos do estilo, mas também nas raízes, ou seja o Heavy Metal tradicional, o grupo lançou recentemente, via Heavy Metal Rock, seu mais novo trabalho, "Endless Potential of a Renegade Vanguard".

A brutalidade, velocidade e blast-beats, além dos vocais guturais, são características óbvias ao estilo, porém o Queiron faz isso com maestria e muito boa técnica, mixando entre esse turbilhão sonoro, influências do Metal tradicional e incursões de melodias marcantes. Sim, não bastam baterias e riffs velozes, é preciso competência e experiência para forjar Metal Extremo com qualidade e não ficar no limbo do lugar comum.


Descrevo a seguir apenas um pouco mais do que você, ouvinte, encontrará no álbum, e "Impera Caedes" é brutalidade pura, abrindo o trabalho metralhando os ouvidos com o Death Metal brutal, veloz e técnico da banda; entre riffs cortantes e velozes e blast-beats temos um dos destaques, "Denial Upon the Heavenly Scorn", onde também temos mudanças de tempo e variações excelentes, em riffs que passam por sonoridades mais orientais ao Heavy Metal clássico.

"Iussu Caelest Negabut" dá alguns momentos de alento e trégua, mostrando o poder criativo da banda, que mostra que nunca para de evoluir com a poderosa e caótica faixa título “Endless Potential Of A Renegade Vanguard”.

Peso, agressividade, velocidade, mas com muito bom domínio técnico e nuances das raízes clássicas do Heavy Metal, além de uma produção muito bem feita, tornam "Endless Potential..." em um petardo obrigatório aos fãs de Death Metal e corroboram o que já sabemos há tempos, que o Brasil é um dos maiores celeiros do Metal.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Queiron
Álbum: “Endless Potential Of A Renegade Vanguard”
País: Brasil
Estilo: Death Metal, Brutal Death
Selo: Heavy Metal Rock


Line-up:
Marcelo Grous – Vocals, Guitars
Oscar M. Vision – Drums
Luciano Fernandes - Guitars
Luís Hellthorn - Bass

Tracklist:
01 – Imperia Caedes
02 – Pestis Pain
03 – Denial Upon The Heavenly Scorn
04 – Iussu Caelest Negabunt ( instrumental )
05 – Misleading Mission
06 – King Of Damned Proclamation
07 – Unholy Perverse Rapture
08 – Tombs I Desecrate
09 – Endless Potential Of A Renegade Vanguard


       

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Hate Embrace: Fatos Históricos Nordestinos com Trilha Death Metal


Lembrar-se do nordeste do Brasil é reconhecer o poder cultural que nunca se extinguiu na região. Fora os problemas sociais e contrastes que intercorrem por essa região, o nordestino espanta os diversos problemas por deleite da civilização, dando diversas alternativas de literatura, música, artesanato, culinária e festividade. A cena Heavy Metal continua numerosa, atulhada de bandas de grande nível. Dentre tantos bons nomes, temos o Hate Embrace, de Recife (PE), que neste 2018 apresentou o novo trabalho, o EP “Revoluções"

Contornados pela brutalidade do Death Metal, o quinteto  tem ao seu favor o poder técnico, onde tudo provém de maneira orgânica e pura, não deixando de lado a intensidade fascinante que o grupo conduz. E a musicalidade pode ser diferida por grandes nomes do gênero, porém com diferenciais do que ouvimos por ai em questão de Metal extremo, o que torna “Revoluções” um trabalho singular.  

A produção é razoável, não deixa a desejar, colocando timbres agressivos e secos em ótimo nível, compatibilizando facilmente os momentos de pura agressividade. E a capa espelha o contexto que é abordado nas letras, mostrando quatros guerreiros após a batalha em tons pretos e vermelhos.


Vale frisar que “Revoluções” é totalmente cantado em português, simbolizando o acontecimento sobre A Batalha dos Guararapes, A Revolução de 1817 e a Setembrizada de 1831, ou seja, toda rusticidade é girado em torno desse pensamento histórico, fazendo nos recordar de fatos importantes e  interessantes por meio das crônicas, o que acaba se tornando um verdadeiro aprendizado para o ouvinte.

O EP possui somente 3 faixas de total experimentalismo extremo, começando pela frenética “Guerra no Nordeste do Brasil” (excelente trabalho rítmico e opressivas linhas de teclado), onde tratam sobre A Batalha dos Guararapes na cidade de Recife; na sequencia temos a  Thrash “À Coroa Tudo, Ao Povo Nada”, contando sobre o descontentamento pernambucano de ter que pagar altos impostos para a Coroa Portuguesa. Terminando, “Setembrizada” mostra excelentes vocais guturais, guitarras surpreendentes e celestiais melodias de teclado. E a letra aborda sobre a Setembrizada após a renúncia de Dom Pedro I, o que acabou gerando conturbações pra capital pernambucana.

Trabalho valioso de uma carreira que já perdura 10 anos. E “Revoluções” é um verdadeiro ensinamento de música e história que requer muita atenção, e ouvi-lo trará ao ouvinte o interesse em aprofundar-se neste envolvente assunto.

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Divulgação
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Ficha Técnica
Banda: Hate Embrace
EP: Revoluções
Ano: 2018
Estilo: Death Metal
País: Brasil
Gravadora: Independente

Formação
George Queiroz (Vocal)
João Paulo Araújo (Guitarra)
Junior Vilar (Baixo)
Vinicius Campos (Teclado)
Ricardo Necrogod (Bateria, Vocal)

Track-List
1.    Guerra no Nordeste do Brasil
2.    À Coroa Tudo, Ao Povo Nada
3.    Setembrizada

Contatos


       

sábado, 1 de setembro de 2018

Entrevista - Bloodwork: Death/Splatter Metal Insano!




Fundada em Dois Irmãos (RS) em 2004,  inicialmente chamada Putrid Splatterred, a a banda teve um hiato até 2007, quando retornam com nova formação e adotam o nome Bloodwork.
O Bloodwork  carrega consigo o peso e a tradição Gaúcha de gerar excelentes bandas de Metal Extremo, e não vem decepcionando. Chega agora ao seu segundo full-lenght, "Feed On The Dead", com seu Death/Splatter recebendo uma resposta muito positiva de crítica e público.

Conversamos com o vocalista e fundador Fabiano, para trazer à vocês um pouco mais sobre eles, o novo álbum e os planos para expandir o nome do Bloodwork. Confira!


RtM-Após o lançamento de “Feed On The Dead”, como tem sido a receptividade do público e mídia?
Muito positiva Marcello! A resposta do público com o novo álbum tem sido extremamente gratificante...que na real, é o que move a máquina! É o que faz a coisa ter sentido, sabe? Nos passando detalhes os quais temos certeza que gostaram sim do álbum! O retorno da mídia também tem sido muito positivo! Todos os veículos de comunicação gostaram do álbum, o que nos deixa muito orgulhosos do trampo!

RtM-Quais as principais diferenças entre “Just Left Me Rot” e “Feed On The Dead”, tanto na parte musical como produção? Os objetivos foram alcançados?
Cara...acho que houve uma evolução natural nesses dois aspectos (Musical e Produção), assim como haverá no próximo álbum, entende? A parte de composição ficou mais madura (músicas e letras), no que se refere à organização, saca? Tudo no seu devido lugar e tal...na produção, no nosso entendimento e na resposta que estamos tendo, houve um salto de qualidade, o que deixou a banda tranquila, pois ficou tudo exatamente como queríamos! Sim, os objetivos foram alcançados!

"...Uma boa produção destaca o trabalho da banda e entrega qualidade ao público. ..vários álbuns clássicos não tiveram a produção merecida."
RtM-Nota-se uma excelente produção no álbum. Vocês acham que o Death Metal tem que apresentar essa produção limpa em detrimento de produções mais cruas à moda antiga?
Olha, eu pessoalmente prefiro a coisa bem produzida, mas isso vai de cada um e da proposta da banda! Acho que com uma boa produção você destaca o trabalho da banda e entrega qualidade ao público. Mas respeito quem pensa diferente...vários álbuns clássicos não tiveram a produção merecida...talvez pelos recursos à época ou por opção mesmo. Hoje, os recursos e os conhecimentos avançaram muito e acredito que precisam ser explorados!

RtM-O conteúdo das letras da BLOODWORK é extremamente escatológico e insano. E em “Feed On The Dead” segue a linha: quanto mais doentio, melhor. A intenção da banda é realmente chocar o ouvinte com tanta poesia gore? Quem é o responsável por essa sanguinolência??
Exatamente! Quanto mais doentio, melhor! Gostamos disso! Nos divertimos assim! Sim, queremos que as pessoas sintam nojo e fiquem desconfortáveis quando pegarem o CD na mão e olharem a capa, abrirem o encarte e lerem os títulos e as letras...se possível chorem e não durmam a noite (HAHAHAHAHAHAHAHA). O Rafael Lubini (guitarra) é a mente doentia por trás das letras (já falamos para ele procurar ajuda...), exceto “MAYHEM HYSTERIA” e “CHAINSAW MASTURBATION” que são minhas e “KEEP MY MEAL ALIVE” que é do Henrique Joner (baixo).

RtM-Com o lançamento do debut a banda teve uma boa exposição e notou-se uma boa exposição no Underground, angariando bons shows pra si. A ideia é alavancar ainda mais essa exposição com o novo álbum? De que forma?
Sim! Com certeza! Queremos tocar cada vez mais e onde for possível! Tocamos bastante aqui no estado e os planos são que “FEED ON THE DEAD” nos abra novas oportunidades aqui e fora do RS! Queremos muito tocar em SC, PR, Sudeste...Região Nordeste que são lugares com cenas incríveis também...galeras que curtem o som extremo e pelo que observamos, valorizam bandas que vão até lá para lhes entregar esse som extremo! Para isso, estamos nos organizando para ter um Booking a nos ajudar com agenda de shows e tal. Acreditamos que 2018 será tão bom ou melhor que 2017 foi para a banda!


RtM-Percebe-se que a BLOODWORK bebe diretamente da fonte do Death Metal americano. Seria esta a escola que mais serviu/serve de inspiração para vocês?
Olha...acho que essa sua afirmação deve-se diretamente aos vocais, porque sou muito influenciado por bandas como CANNIBAL CORPSE, MORBID ANGEL, SIX FEET UNDER, DEICIDE...influência esta que exploro sem pudor nenhum, pois são grandes bandas com excelentes vocalistas. Mas acredito que mesclamos bem o DEATH METAL AMERICANO com o DEATH METAL EUROPEU! Com certeza você encontrará também influências de BENEDICTON, ENTOMBED, EXHUMED e CARCASS que é uma banda que curtimos muito!!! Todos na banda gostam de DEATH METAL, seja ele Yankee ou do Velho Mundo! O Rafael Lubini (guitarra) e o Felipe Nienow (bateria), que são os principais compositores da banda, gostam bastante do DEATH METAL EUROPEU também.

RtM-A banda tem algo já em mente para lançar “Feed On The Dead” na gringa? Já receberam convites para gigs nos países da América do Sul ou sondagens de EUA/Europa?
O álbum “FEED ON THE DEAD” foi lançado pela Eternal Hatred Records e MS METALAGENCY BRASIL, que cuida de toda divulgação da banda. A distribuição é com a Voice Music e alguma coisa diretamente com a banda. Foram enviadas cópias para América do Sul, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, com retorno positivo! Sobre tocar “lá fora”, sempre foi um sonho pra gente cara, mas sabemos que não é tão simples assim...tudo envolve custos, organização, agenda, etc...mas estamos abertos a propostas sim, com certeza!!!

RtM-O que vocês podem nos adiantar sobre os próximos passos da banda nos próximos meses em relação a shows, enfim, a agenda da banda?
Retomamos os trabalhos em ABRIL/18, depois de um período de “férias mais longas”, pois da metade do ano passado até o final, tocamos bem...praticamente um show por mês. Estamos ensaiando para alguns shows marcados para o mês de JULHO/18. O restante do ano está em aberto e justamente isso vai de encontro à necessidade de organizarmos esse lado com um Booking!


RtM-Por favor, deixe-nos seu recado aos gore maníacos que apreciam a banda ou àqueles que não a conhecem e certamente ficarão curiosos por sacar o som da Bloodwork. Por fim, agradeço a menção no encarte do cd, com o Marcello Bacon (hahahahahaha!!!)
Bom, gostaríamos de agradecer ao apoio que recebemos de todos com o lançamento de “FEED ON THE DEAD”!!! É extremamente gratificante ver o reconhecimento do trabalho pelo público e mídia, que como mencionei antes é o que faz valer a pena! É por isso que a roda gira! Esse apoio tem sido constante desde as DEMOS e depois também com “JUST LET ME ROT” e isso só nos faz acreditar mais e mais! Estamos trabalhando em novas composições para o futuro, assim como novos “covers” que sempre agradam a galera! Os shows prometem! Em relação a menção no encarte do álbum (Marcello And Bacon), foi a forma que encontramos de agradecer a tua força e apoio com a gente! Amizade forte e sólida que carregaremos para o resto de nossas vidas...tipo o bacon, que gostamos bastante!!! (HAHAHA)

RtM-Obrigado pela entrevista.
Nós que agradecemos por mais essa oportunidade!!! Nos vemos nas podreiras por aí!!!


Entrevista: Marcello Camargo
Edição e revisão: Carlos Garcia

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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Torture Squad: Encarando Os Desafios


Assegurar seu espaço no cenário Heavy Metal é algo que obriga as bandas a se superar, inclusive se estão querendo almejar algo mais, pois dia após dia aparecem novos nomes, mostrando que no Brasil existe um compêndio profundo de grupos que seduz pela criatividade na intenção de fazer som pesado. Faltando pouco para cruzar a terceira década de carreira, o Torture Squad continua autoconfiante desatando seu 8º disco, “Far Beyond Existence”. 

Regressando novamente ao formato quarteto, com as estreias de Mayara Puertas (Vocal) e Renê Simionato (guitarra) em ‘Full Length’, a tropa liquida o que muitos distinguem ser a roupagem verdadeira e propícia desses paulistanos: Death Metal e Thrash Metal em uma harmonia sonora destruidora, e ainda adicionando partes técnicas e experimentais pra dentro da proposta da banda, provando que não há restrições perante a criatividade. 


A produção contou novamente com as presenças de Wagner Meirinho e Tiago Assolini (gestando também as partes de mixagem e masterização), que já consolidaram a engenharia sonora no EP “Return Of Evil” (2016), onde as gravações foram intercaladas nos estúdios Loud Factory e Orra Meu, em São Paulo. E é nessa insolência que o álbum soa com clareza plácida e precisa, demostrando peso e força orgânica.
Na capa, traçada pelo artista Rafael Tavares, percebemos que há fatores que dá pra serem desvendados nos mínimos detalhes, não sendo difícil descobrir o que cada ponto significa, traçando a abordagem das letras numa arte fascinante e misteriosa. 

Sem incógnitas para “Far Beyond Existence”, pois a linha musical do grupo continua rigorosa: base rítmica mostrando autonomia e equilíbrio, guitarra desfilando riffs polidos e solos melodiosos, fechando o meio com a excelente articulação vocal da Mayara, evidenciando a boa pronúncia nos inigualáveis urros. Baseando-se nesse conjunto que o álbum vem a ser um dos mais abrangentes da história da banda, persuadindo a magnitude clássica do Death e Thrash Metal. 

As relevantes canções ficam por conta de “Dont’ Cross My Path”, que enfatiza um Thrash Metal veloz e breve carga de Death Metal; “No Fate” engloba carnificinas rigorosas e retas, situando espaços onerantes e evolutivos; “Blood Sacrifice” se destaca pelo experimentalismo, com o Rene tocando citara para combinar com a temática hinduísta da letra, falando sobre a deusa Maha Kali, onde a Mayara faz referência à mesma logo no começo da música.


“Steady Hands” incumbe ritmos cadenciados (timbres brilhantes de baixo) e técnica bem laborada, patenteado de condizentes riffs de guitarra; a célere “Hate” conta com a participação de Dave Ingram (ex-vocalista do Benediction) cantando alguns versos; “Far Beyond Existence” traz uma atuação ornamental, com guitarra, baixo e bateria mostrando verdadeiras lições musicais; “You Must Proclaim” inicia com uma ótima conversa entre caixa e guitarra, não demorando em nos bombardear com riffs frisantes e certeiros, contando com a ilustre presença do vocalista Luiz Lousada (Vulcano, Chemica Desaster)

De bônus existem várias releituras, mas a versão que este autor recebeu possui apenas 3 faixas, e a primeira delas é a regravação de “Just Got Paid”, do ZZ Top, concebida pelos vocais puros de Alex Camargo (Krisiun), mantendo a formatação original da música, mas de forma mais pesada, destacando os slides de guitarra; a instrumental “Torture In Progress” contem performances genuínas, apresentando belas passagens rítmicas e linhas de guitarras abrangedoras, com o hammond de Marcello Schevano (Carro Bomba, Golpe de Estado, Casa das Máquinas) dando aquela atmosfera mais viajante e sublime; “Unknown Abyss” encerra com uma introdução profunda, nos retrocedendo a ouvir o disco do zero novamente, que com certeza será o tema inicial dos shows da turnê desse novo álbum.

“Far Beyond Existance” revela um Torture Squad aperfeiçoado e pronto para os novos desafios.  

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Torture Squad
Álbum: FarBeyondExistance
Ano: 2017
Estilo: Death / Thrash Metal
Gravadora: Secret Service Records
Assessoria de Imprensa: Metal Media

Formação
Mayara “Undead” Puertas (Vocal)
Renê Simionato (Guitarra)
Castor (Baixo)
AmilcarChristófaro (Bateria)

Convidados
Dave Ingram - Vocais em “Hate”
Edu Lane - Narraçãoem “Cursed by Disease”
Luiz Carlos - Vocais em “You Must Proclaim”
Marcello Schevano - Órgão Hammond em “Torture in Progress”
Alex Carmargo - Vocais adicionais em “Just Got Paid”

Track-List
1. Don’t Cross My Path
2. No Fate
3. Blood Sacrifice
4. Steady Hands
5. Hate
6. Hero for the Ages
7. Far Beyond Existence
8. Cursed By Disease
09. You Must Proclaim
10. Just Got Paid
11. Torture In Progress
12. Unknown Abyss

Site Oficial

     

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Canilive: Buscando Seu Espaço no Cenário Brutal/Death



O Canilive não é um nome exatamente novo, pois surgiu no Rio de Janeiro em 2006, porém em 2010 o grupo deu uma parada, retornando em 2013, e em 2016 apresentou este primeiro registro oficial, "Psychosomatic Schizophrenia", EP com 5 faixas. A banda, recentemente, sofreu novas baixas no line-up, e ainda não anunciou novos integrantes.

Percalços à parte, com este EP o grupo mostra que voltou decidido a buscar seu espaço, trazendo um material com produção sonora muito boa, além de apresentação gráfica caprichada. O Brutal Death Metal do quinteto é rápido e agressivo, porém demonstra também técnica, o que lhes abre um leque interessante de possibilidades dentro do estilo, trazendo variações e ideias interessantes nas músicas que compõem o EP.

Temos velocidade e brutalidade em um nível desenfreado em alguns momentos, como na abertura com "Posthumous State of Mind", mas também, conforme destaquei anteriormente, apresentam variações, com riffs marcantes e trechos mais cadenciados, como por exemplo na faixa "The Celebration of Ignorance", ao meu ver, o destaque do EP, que possui uma boa qualidade
 no geral.

A exemplo das guitarras, os vocais também apresentam boas variações, transitando pelo gutural e screaming vocals. A cozinha também tem um trabalho bem feito, com peso e velocidade dos blast beats na bateria quando exigido.

O Canilive mostrou que está no caminho certo, visto a preocupação em apresentar algo concreto e bem acabado, com composições que certamente agradarão aos fãs do estilo. Esse é o pensamento, apresentar um trabalho de qualidade e seguir buscando evolução. Aguardemos agora os próximos movimentos da banda, e o novo line-up.

Texto: Carlos Garcia
Ficha Técnica:
Banda: Canilive
Álbum: "Psychosomatic Schizophrenia" (EP 2016)
País: Brasil
Estilo: Brutal Death Metal
Assessoria: Dunna Records

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Line- up:
Gustavo Moreira – vocal
Raphael Dizus – guitarra
Alcindo Neto – guitarra
Caio Planinschek – baixo
Alberto Armada – bateria
(Obs: Line Up que gravou o EP, sendo que Alcinco, Caio e Alberto já deixaram a banda)

Tracklist:
1. The Posthumous State Of Mind
2. The March For Excellence
3. The Celebration Of Ignorance
4. Witnessing Your Fall
5. Modification