quarta-feira, 8 de abril de 2026

Entrevista - Marcelo Barbosa: "Se dependesse de mim... Eu não gostaria que o Fabio saísse

Por: Renato Sanson

De cara, eu já quero te perguntar sobre essa questão da reunião do Angra. Vocês vão estrear essa reunião no maior evento de Heavy Metal do Brasil, e um dos melhores do mundo, que é o Bangers Open Air. O que os fãs podem esperar disso?

MB: Para a gente, está sendo muito legal esse momento. A gente sabia que, um dia, essa reunião poderia vir a acontecer, mas não sabia que seria algo tão próximo. Até vi essa ideia surgir no próprio festival, e ela acabou se concretizando, então a gente está muito feliz. Tenho certeza de que vai ser um show muito versátil, no sentido de que uma banda como o Angra, que tem mais de trinta anos, passou por três grandes fases: uma com Andre, outra com Edu e essa com o Fabio, que perdura até hoje. A gente vai permear esse show passando por todos esses momentos, honrando todas as fases da banda. Tem muita coisa da época do Andre e, obviamente, da fase Nova Era e Temple of Shadows, além de bastante material mais atual, do que a gente vem lançando nos últimos anos juntos. Então, tenho certeza de que todo tipo de fã — desde o mais novo, que conheceu a banda há menos tempo, até aquele que acompanhou lá na época do André — vai ser agraciado com canções que fazem parte da sua história. Com certeza, esse será um momento muito especial.

 

Então, em termos de setlist, vamos ter algo gigantesco.

MB: É um show longo, sem dúvida, porque precisa agraciar esse momento como um todo, E também as duas diferentes fases que estão sendo celebradas ali naquele momento.

 

Vocês já chegaram a se reunir para ensaiar ou ainda não?

MB: Não. Essa é uma pergunta que já me foi feita algumas vezes, e a gente não pode esquecer que alguns integrantes da banda — se não falha a maioria — moram em lugares diferentes: eu sou de Brasília, o Bruno está em Los Angeles, o Aquiles, se não me engano, mora em Los Angeles também, o Alírio Neto em Madrid, o Fabio na Itália, o Kiko na Finlândia... Então, não dá para falar algo como 'ah, vamos ensaiar esse final de semana? Vem todo mundo, ensaia e depois volta'. Obviamente, a gente tem trabalhado na parte de pré-produção, que envolve muita coisa. São muitos detalhes técnicos, e a gente tem se dedicado a isso. Já fizemos fotos e vídeos com praticamente todo mundo que pôde estar presente. O que deve acontecer, basicamente, é que, uns dez a quinze dias antes do show, todo mundo vá para São Paulo e fique por lá até o dia do show. Durante esse período, a gente ensaia e prepara tudo o que precisa ser preparado.

 

Além do show do Bangers, vocês também anunciaram um show extra em São Paulo.

MB: Exatamente. Acho que dois ou três dias depois.

 

Isso, é bem pertinho. A minha pergunta é: esse material, tanto do Bangers quanto desse show extra, ele pode vir futuramente a ser lançado como um ao vivo ou um blu-ray? Vocês pensaram nessa possibilidade?

MB: Isso foi ventilado, mas, a princípio, não vai acontecer. Não sei se esse encontro acontecerá novamente, mas é a primeira vez que ele acontece, e ainda não se sabe como serão as coisas caso isso perdure por mais tempo. Acho que, antes de mais nada, como seres humanos que somos, é necessário entender como vai ser essa dinâmica: se está todo mundo bem, se o clima é bom, se existe vontade de fazer coisas juntos, porque, se você lança algo como um DVD, ou um registro videográfico profissional disso, é um investimento alto. Então, compensaria? Faria sentido? Sim, beleza, a gente faz. E isso poderia servir, por exemplo, para divulgar uma turnê futura. Mas não tem nada disso sendo conversado ainda, nem como ideia. O foco agora é entregar o melhor show possível neste momento para os fãs e entender como essa dinâmica vai funcionar, saber se isso realmente faz sentido. Se fizer sentido, ainda assim não é garantia de continuidade, mas pelo menos fica aquela sensação de 'pô, foi legal. Podemos fazer de novo em outro momento'. Por enquanto, o que realmente está programado para essa reunião são esses dois shows.

 

E vocês vão fazer um show especial na França, onde vão tocar o Holy Land na íntegra.

MB: Exato. Um show na França e outro na Grécia.

 

É interessante essa questão da França, porque o Andre era muito celebrado pelos franceses e vocês retornarão lá com esse show especial. Tem um sentimento diferente?

MB: Tem, sim, um sentimento muito diferente. Eu estou na banda há quase onze anos e, nesse período, acho que tocamos em Paris e em outras cidades da França umas quatro ou cinco vezes. É sempre muito legal. Mas esse show, além de celebrar o Holy Land, será em uma casa maior, algo mais grandioso do que o que foi feito nos últimos anos. Eu sei que o Angra, na época do Andre, fazia grandes shows na França. Depois disso, a banda continuou sendo muito famosa por lá. Acho que, em praticamente todas as vezes em que passamos pela Europa, passamos também pela França, mas acredito que o Andre era um vetor muito importante nessa conexão do público francês com o Angra. Então faz todo sentido celebrar o Holy Land ali. A gente tem certeza de que vai ser um show muito especial, porque está sendo preparado para ser, digamos assim, um momento único na carreira do Angra, considerando toda a trajetória da banda na França.

E agora, com essa formação e com a participação do Kiko também, que vai estar presente nesse momento — os outros dois não —, fica ainda mais especial. Ele é um cara que, obviamente, teve suma importância nesse álbum, porque estava lá compondo, gravou e tudo mais. Então vai ser muito bom ter ele com a gente também.

 

Então esses shows terão três guitarras (risos).

MB: Eu ainda não sei exatamente. A gente ainda não conversou sobre como isso vai ser. Eu não acredito que teremos três guitarras durante o show inteiro, mas acho que, em alguns momentos, sim. O Kiko está entrando como um convidado especial, então eu não sei exatamente em quais partes isso vai acontecer, a gente ainda vai definir. Neste momento, estamos muito mais focados no Bangers, em definir o formato do show no festival, do que no show que vai acontecer no segundo semestre. Mas tenho certeza de que, seja como for, vai ser muito bom. E, para mim, é um privilégio fazer parte desse momento da banda.

 

Vai ser um grande momento com certeza, ainda mais sendo o Holy Land.

MB: Exatamente. É um disco que fez muito sucesso por lá. Especificamente na França, esse álbum é muito celebrado.

 

Esses shows fora vão ter uma pequena mudança: sai o Fabio e entra o Alírio.

MB: Exato. Pequena e grande mudança. Vocalista, né? (risos)

 

Como está sendo para vocês isso?

MB: É interessante essa pergunta, e eu tenho respondido muito sinceramente, do fundo do meu coração. O Fabio eu conheci pessoalmente quando entrei na banda. Antes, eu não o conhecia. Conhecia o trabalho dele, mas, pessoalmente, não. E nós nos tornamos amigos. Ele gosta de vinho, eu também gosto de vinho. Independentemente do Angra, a gente toma vinho junto, conversa… Normalmente, quando estamos em São Paulo, eu fico no mesmo hotel que ele, enquanto os outros caras ficam em casa, porque eles têm casa em São Paulo. O Fabio virou um parceirão, é um cara com quem, no final da pandemia, fizemos uma turnê acústica juntos, só nós dois. Então a gente tem um entrosamento, uma amizade muito boa. É muito bom estar com o Fabio e tê-lo como amigo. Dito isso, é sempre ruim para qualquer banda, ainda mais uma banda que já passou por outras mudanças, mudar qualquer integrante, especialmente o vocalista. Só que uma banda como o Angra, que existe há mais de trinta anos, naturalmente passa por mudanças. As pessoas se desentendem, mudam de ideia, às vezes acham que é melhor seguir outro caminho. E o Fabio está na banda acho que há treze ou catorze anos, e chegou esse momento. Então, para mim, se eu tivesse poder sobre isso, no sentido de fazer com que as coisas funcionassem, eu não gostaria que o Fabio saísse. Claro, é melhor manter a mesma formação por mais tempo, fazendo coisas juntos. Mas, já que aconteceu, eu sempre digo que o Alírio, para mim, é a bola da vez. É um cara que está preparado para isso há muito tempo, que construiu um nome, uma reputação, uma experiência cantando no Queen Extravaganza e no Shaman. Então faz todo sentido. E ele é como um irmão para mim. Eu disse que conheci o Fabio quando entrei na banda, o Alírio eu conheço, sei lá, desde os meus vinte anos de idade. São mais de trinta anos de amizade. Para mim, vai ser um prazer enorme tê-lo na banda. É até engraçado chamá-lo de Alírio, porque a família dele o chama de Neto, e foi assim que eu sempre o conheci. A gente é muito próximo. Então entra outro brother, porque tirar um cara que é teu parceiro e, de repente, entrar alguém com quem você não tem tanta proximidade — ou com quem não “gruva”, não tem aquela empatia — pode ser complicado. Não é nem questão de tocar bem ou não, mas de convivência, de afinidade. Então é melhor que seja um amigo, alguém com quem eu também tenha essa conexão. E ele já é amigo dos outros integrantes da banda também, o Felipe e o Rafa são padrinhos de casamento dele. Enfim, existe toda uma história que não começou agora. Então acho que faz todo sentido e que vai ser muito bom.

 

Eu acredito que ele mereça essa oportunidade, porque quando o Edu estava pra sair, ele foi muito cotado pra isso também.

MB: É verdade.

 

Ele era o nome da vez, só que o Fabio acabou assumindo. Então acredito que ele mereça a sua oportunidade desses grandes shows para ele se tornar realmente o vocalista do Angra.

MB: Super merecedor, super merecedor. Vai fazer muito bem, vai fazer muito bem para a banda. Não que o Fábio não fizesse, mas o que eu quero dizer é que, ele vai agregar também muito, porque ele é um cara muito musical e muito talentoso. Eu tenho certeza que só virão coisas boas.

 

Agora falando de pausa, porque o Angra está para anunciar uma pausa.

Pós esses shows, o Angra vai realmente pausar as atividades ou agora deu um gás novo e pode ser que siga? (N.T.: essa entrevista foi realizada antes da banda anunciar o fim o do hiato).

MB: O que tem acontecido é o seguinte: a gente realmente resolveu ficar parado por pelo menos um ano, talvez mais. No meio do caminho, confirmou-se essa questão do Bangers. A gente já tinha falado 'beleza, estaremos em hiato. Mas, se isso se confirmar, se realmente acontecer, vale a pena voltar e fazer esse show, porque é histórico. Fechar um festival gigante com as duas formações é muito legal. Quem não quer fazer? Vamos fazer? Beleza, a gente faz.' E isso se confirmou. Além disso, também produzido pelo Bangers, surgiu um sideshow. Já que estaremos por aqui, apareceu o Porão do Rock, em Brasília, não com a reunião completa, mas com a banda e a participação especial do Kiko. E é isso que temos para o primeiro semestre. Terminando isso em maio, a gente para de novo. Inclusive, já tem turnê marcada com outros projetos. Eu e o Felipe vamos tocar em um projeto com cinco vocalistas (referindo-se ao Masters Of Voices com Edu Falaschi, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens e Jeff Scott Soto), incluido o próprio Edu, passando pela América Latina e Brasil. Então, mesmo que quisesse, não teria como parar. E, no segundo semestre, tem uma coisa ou outra marcada, como você mencionou, esse show na França, e depois para de novo. Aí, quem sabe, no ano que vem, a gente vê o que faz. É mais ou menos isso. Acho que deve seguir por esse caminho. Claro, as coisas podem mudar no meio do percurso, mas o que temos em mente hoje é isso.

(N.T.: essa entrevista foi realizada antes da banda anunciar o fim o do hiato).

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cobertura de Show: D.R.I. + Ratos de Porão – 22/03/2026 – Carioca Club/SP

Se o termo “Crossover” existe desde 1982 é exatamente por conta dessa duas bandas: DRI e Ratos de Porão! Eles foram determinantes para que o Thrash Metal ficasse bem mais pesado ao vivo, forçaram as ban das a usarem cabeçotes e equipamentos melhores, irem para estúdios melhores! Algumas dessas bandas de Thrash Metal a seguir, fizeram uma vez só um disco de Crossover na carreira no final dos anos 80: Exodus, Sepultura, Metallica, Metal Church, Testament, Forbidden, Vio-lence, Kreator, Sodom, Anthrax, Sadus, Slayer, Pestilence, Annihilator, Megadeth, Nuclear Assault, Dark Angel, Possessed, Razor e Death, poderiam ter criado o Crossover mas foram os que se aproveitaram do impacto quando chegou no Thrash. As gravações analógicas com riffs variando velocidade, peso de uma batera nunca vista antes e baixo pesado sem médio/agudo é culpa do DRI e RDP.

O último show turnê das duas bandas que se despedia no domingo na Liberdade, centro de SP, mostrou a força do estilo: uma fila gigante já se formava do lado de fora, e por outro lado, dentro do Cine Joia, um clima de exaustão que desaguou no palco.

A abertura do Imflawed e Questions teve mais disposição em relação as bandas principais. Em sua primeira passagem por SP, o Imflawed de Recife/PE fez uma apresentação curta com 7 sons muito honrosa com público chegando ao chamado do vocalista e guitarrista Arthur Santos para aproveitarem a noite. A mistrura de groove com Thrash rendeu uma boa recepção do público; destaques para “Fear, “Inner War”, “Slave New World” (cover do Sepultura) e “Fuck Your Pride”. O baixista Martin mandou muito bem mesmo escala do de última hora pra cobrir dois shows em SP.

O Questions entrou empolgado e rapidamente e fez valer seus 26 anos de estrada. Muita personalida de, som redondo, com carisma de Edu Revolback sempre agradecendo conversando com a galera, deixaram uma reperório bem agressivo. Destaque para “The Same Blood” e “The Victory Speech” com excelente de sempenho do baterista baterista Eduardo Sasaki e excelente desempenho do guitarrista Pablo Menna.

Em seguida, era a vez do RDP fazer sua parte; tocou os clássicos (quem conhece o RDP sabe o repertório) e manteve a energia de 45 anos no palco. Desta vez, com a ausência de Jão (fora dessa turnê por conta de um acidente de moto), que foi substituído por Maurício Nogueira (ex-Torture Squad) para segurar os shows. Maurício fez uma apresentação muito boa, com muita atenção nos riffs, e deixou a banda à vontade para colocar o público na roda.

Era perceptível o cansaço da turnê mencionado pela banda. Por exemplo, os perrengues com refeição estragada no Rio de Janeiro deixaram João Gordo debilitado, somados aos contratempos em Minas Gerais, ou seja, um caldeirão de incômodos antes de se despedirem da turnê e irem para casa, o que em alguns momentos também refletiu no público.

Mesmo assim, João Gordo não tirou o mérito de entregar um vocal matador aos 64 anos, junto à garra do Boka na bateria e à força da banda no evento como um todo. Destaque para músicas que não aparecem com frequência nos shows, como “Homem Inimigo do Homem”, “Colisão” e, em ano de eleições, “Alerta Antifascista”.

Pra fechar, o DRI cumpriu o repertório da turnê com a apresentação sonora arrebatadora, como sempre fez no Brasil em tempos passados, passando pelos discos Dirty Rotten, Dealing With It, Crossover, 4 of a Kind, Thrash Zone, Definition e Full Speed Ahead. Mas os bastidores para começar o rolê não saíram como o Crossover pede.

Tiveram muitos problemas, a começar pelo atraso de quase uma hora desde a retirada da bateria principal do palco para montar outra totalmente do zero, até posicionar os microfones das peças e pratos, passar o som e regular tudo. Isso quebrou o bom andamento que o RDP havia deixado. Os caras estavam sem roadies, não havia uma equipe de apoio com eles, o DRI fez tudo na raça.

O Spike usa dois cabeçotes de guitarra, um de cada lado do palco, justamente para sustentar o peso que a banda proporciona quando ele abafa o riff e produz aquele impacto que só o Crossover consegue. Mas ele fez tudo sozinho, andando de um lado para o outro com a guitarra, regulando, afinando e timbrando o som. O baixista Greg Orr também teve dificuldades de regular o baixo. Kurt subiu no palco, ele mesmo plugou seu microfone, sacado da mochila, e nada da banda começar.

Quando a banda finalmente começa, durante o repertório, por várias vezes entre as músicas, Spike recorre aos amplificadores para ajustar o som da guitarra, enquanto Kurt liga até um ventilador no palco. Era o DRI, mas não o mesmo que vi no Carioca Club em 2011, que tinha mais brilho e entusiasmo para dizer “nós estamos aqui de volta, pós-pandemia, segurando essa bandeira”.

Existe um cansaço natural após mais de quatro décadas tocando, além do desgaste de deslocamentos constantes de um lugar para outro. Se no final deu tudo certo, o público fez sua parte e participou de tudo. Ainda assim, a história da banda, cravada em eventos de grande porte pelo mundo todo, não justificava passarem por aquilo, justamente pela ausência de colaboradores para fazer o evento funcionar.


Texto: Roberto "Bertz"


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Powerline



Ratos de Porão – setlist:

Alerta antifascista

Morte ao rei

Igreja Universal

Máquina militar

Sofrer

Homem inimigo do homem

Amazônia nunca mais

Farsa nacionalista

Colisão

Expresso da escravidão

Descanse em paz

Paranoia nuclear

Não me importo

Beber até morrer

Crucificados pelo sistema

Pobreza

Caos

Conflito violento

AIDS, pop, repressão


D.R.I. – setlist: 

Who Am I

Beneath the Wheel

Couch Slouch

Thrashard

The Application

Argument Then War

Nursing Home Blues

Dry Heaves

Dead in a Ditch

Suit and Tie Guy

The Five Year Plan

Mad Man

I Don't Need Society

Syringes in the Sandbox

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Dream Theater: 40 anos de um sonho sem fim

 Por: Renato Sanson

A lendária banda Dream Theater está pronta para protagonizar um dos eventos mais aguardados do Prog Metal no Brasil em 2026. Celebrando quatro décadas de carreira, o grupo norte-americano retorna ao país em maio com a grandiosa turnê “40th Anniversary Tour Parasomnia”, prometendo apresentações históricas e uma imersão completa em sua sonoridade única.

A nova excursão marca não apenas a comemoração dos 40 anos de estrada, mas também a divulgação do recém-lançado álbum “Parasomnia”, que será executado na íntegra durante os shows. O disco, já considerado por muitos fãs como um dos trabalhos mais ambiciosos da banda nos últimos anos, explora atmosferas densas, conceitos ligados ao sono e à mente humana, além de trazer a complexidade técnica que consagrou o grupo mundialmente.

Mas a experiência não para por aí. Em um gesto que certamente agradará os fãs mais antigos, o Dream Theater também incluiu no repertório a execução completa do clássico “A Change of Seasons”. Lançado em 1995, o EP é considerado uma obra-prima do Metal Progressivo, especialmente pela faixa-título de mais de 20 minutos, que se tornou um marco na carreira da banda.

Outro grande destaque da turnê é o retorno da formação clássica, reunindo nomes fundamentais como James LaBrie, John Petrucci, John Myung, Jordan Rudess e Mike Portnoy. A reunião dessa formação histórica adiciona ainda mais peso emocional e técnico aos shows, reacendendo a química que ajudou a consolidar o Dream Theater como um dos maiores nomes do gênero.

Serão seis apresentações em solo brasileiro, todas com duração aproximada de três horas, um verdadeiro espetáculo para os fãs, que poderão acompanhar uma jornada musical completa, passando por diferentes fases da carreira da banda. A proposta é oferecer uma experiência imersiva, com sets longos, mudanças de atmosfera e uma produção visual à altura da complexidade sonora do grupo.

A “40th Anniversary Tour Parasomnia” não é apenas mais uma turnê: trata-se de uma celebração da longevidade, da inovação e da conexão profunda entre banda e público. Para os fãs brasileiros, será uma oportunidade única de testemunhar ao vivo uma das bandas mais influentes da história em um momento tão especial de sua jornada.

Se a expectativa já é alta, a promessa é de noites inesquecíveisD daquelas que entram para a história tanto da banda quanto do público.

Entrevista - Robert Lowe: "A Música Precisa Te Levar em uma Jornada."



English version available below

O vocalista norte-americano Robert Lowe é considerado uma das vozes mais emblemáticas do doom metal mundial, tanto pela sua importância no Solitude Aeturnus — ajudando a consolidar o epic doom como um subgênero — quanto pela sua contribuição à trajetória de uma das maiores bandas do estilo, o Candlemass.

Robert chega ao Brasil neste mês de abril para uma mini tour de três datas(dia 10 em São Paulo, 11 em Sorocaba e 12 no Rio de Janeiro. Midgard e Loss são as bandas convidadas na turnê) onde apresentará clássicos do Solitude Aeturnus e Candlemass. 

Conversamos com Robert para falar um pouco dessa história e contribuição para o estilo. Confira!


Renato: Oi, Robert
Robert: E aí, irmão?


Renato: Cara, meu nome é Renato, do site Road to Metal. É um prazer falar com você.
Antes de começarmos, preciso dizer que não falo muito inglês, estou me desafiando aqui. Sou muito seu fã, Robert, seja com o Solitude ou Candlemass.
Robert: Sabe de uma coisa? Podemos dizer logo que, atualmente, moro na Noruega, não falo muito norueguês, então, sabe, estamos na mesma página. [risos]


Renato: Para início de conversa, vamos falar sobre seus anos no Candlemas. Diga-me, quais são as principais contribuições que você acredita ter deixado como legado para a banda durante esse período? 
Robert: Bem, boa pergunta. Contribuição? Você sabe, espero que com esse tempo que passei com esses caras, que são ótimos, isso tenha contribuído para melhorar o que eles vinham já fazendo. Ninguém estava tentando melhorar, mas apenas adicionar algo para que todos nos sentíssemos confortáveis com o que o que estávamos fazendo.


Renato: Ainda sobre sua história com Candlemas, o álbum “Death Magic Doom” se tornou um álbum muito amado pelos fãs, com músicas que se tornaram icônicas, como “Hammer of Doom”. Eu gostaria que você falasse sobre a importância deste álbum na sua carreira e um pouco sobre como ele foi concebido. 
Robert: Bem, você sabe, Hammer of Doom é Hammer of Doom. Eu adoro tocar essa música, adoro tocar. Uma das coisas sobre todo esse álbum é que conseguimos retratar certas coisas, mas essa, essa me toca profundamente, sabe, porque, quero dizer, há poder. 

Leif e os caras, Lars, Lasse e Mappe, sabe, caras ótimos, músicos ótimos. E, sabe, você tem que dar os parabéns a esses caras.
Quer dizer, eu, eu não fiz nada. Eu não sou ninguém. [risos]

Então eu não fiz nada. Mas poder lançar algo assim é uma coisa que te qualifica,  te permite ser quem você é. E, novamente, aqueles tempos e estar com o Candlemass foram momentos de qualidade.


Renato: A próxima pergunta é sobre a era Solitude Aeturnus. Diga-nos, como foi formar uma banda de Doom Metal no Texas, a terra do Southern Rock e da cultura country? Quais foram suas principais inspirações? 
Robert:  Bem, antes de mais nada, preciso dizer que adoro ser texano e sempre vou apreciar isso. Mas o que importa é que, como você perguntou, o John Perez e o Lyle, que sempre foi meu amigo de longa data, nós dois ouvimos, sei lá, Pentagram, Trouble, sabe, Celtic Frost, certo? E tipo: “ei, a gente devia fazer isso.” E aí você pensa, dane-se, vamos fazer. E aí você acaba fazendo! [risos]

Mas o ponto é que a qualidade desses caras, sabe, com os instrumentos deles e o que eles fazem é importante, porque você pode confiar no seu colega de banda. Porque seu colega de banda é importante quando você está no palco ou em qualquer outra coisa que você faça: A qualidade da amizade. Acho que é isso que faz com que, seja com quem for, você traga essa qualidade para a mesa, que vai permitir que você faça o que tem de ser feito.


Renato: Agora uma pergunta muito importante para mim. Gostaria que você falasse um pouco sobre “Beyond the Crimson Horizon”.
Robert:  Nossa! Sim, sim. Fantástico.


Renato: Perfeito. Ele é considerado por muitos a obra-prima da banda, um álbum magistral, cara, ostentando a melhor atmosfera e a mistura perfeita de doom esmagador e melodia. Conte-nos o que você acha disso e se concorda. E claro, o que este álbum significa para você? 
Robert:  Bem, fazer esse álbum, e vou ser breve na resposta, o que não vou fazer porque seria uma mentira. [risos]

A música precisa te levar em uma jornada, e fazer esse álbum com esses meus amigos, simplesmente, eu não sei como dizer de outra forma, mas você simplesmente faz acontecer!
 
E as letras, e a música, e o tempo que você passa com cada um…escrever riffs de guitarra, e/ou, sabe, ei, que tal essas letras? Ou que tal aquelas? Sabe, tudo isso, a culminação de todo o processo é o que importa.
E tem tanta coisa envolvida. Mas eu amo esse álbum.


Renato: É um álbum foda!
Robert: É mesmo. E eu sou extremamente feliz por ter feito parte desse processo. Quer dizer, significou muito para mim poder ter meus companheiros de banda, meus amigos, fazer algo juntos. Significou muito para mim.


Renato: Para mim, este álbum é uma obra-prima do metal.
Robert: É o melhor. É isso aí,  irmão.



Renato: E se é possível escolher: Candlemass ou Solitude Aeturnus? Qual a sua preferida? [Risos]
Robert Lowe: Sabe de uma coisa? Ambos são os melhores porque o Candlemass traz algo para a mesa e o Solitude traz algo também. Se eu estivesse na sala de estar, ou no quarto, e fosse colocar um álbum para ouvir, eu gostaria de ouvir Messiah Marcolin no Candlemass, ou ouvir Solitude Aeturnus... é uma daquelas coisas que depende do que fala aos seus sentimentos ou emoções. O Leif traz isso e, como eu disse antes, todos os caras do Solitude também. São todos pessoas incríveis.


Renato: Valeu, cara. Obrigado pela música, obrigado pela sua voz. Tchau!
Robert Lowe: Obrigado a você. Agradeço seu tempo e nos vemos por aí. Talvez para fumar algo ou tomar uma cerveja, sei lá. O importante é aproveitar nosso tempo. Espero aproveitar com todos os fãs brasileiros. Se cuida irmão!


Entrevista: Renato Sanson (colaborou: Caco Garcia)
Transcrição e Edição: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação, arquivos do artista e Terje Tysnes

Agradecimentos: Som do Darma 




English Version

Interview - Robert Lowe: "Music Needs to Take You on a Journey."


The North American singer Robert Lowe is considered one of the most emblematic voices in world doom metal, both for his importance in Solitude Aeturnus—helping to consolidate epic doom as a subgenre—and for his contribution to the trajectory of one of the style's greatest bands, Candlemass.

Robert arrives in Brazil this April for a mini-tour of three dates (April 10th in São Paulo, April 11th in Sorocaba, and April 12th in Rio de Janeiro. Midgard and Loss are the guest bands on the tour) where he will present classics from Solitude Aeturnus and Candlemass.

We talked with Robert to discuss a bit of his history and contribute to the style. Check it out!

Renato: Hello, Roberto.

Robert: Hey, brother?

Renato: Man, my name is Renato, from the Road to Metal website. It's a pleasure to talk to you.

Before we begin, I need to say that I don't speak much English; I'm challenging myself here. I'm a big fan of yours, Robert, whether with Solitude or Candlemass.

Robert: You know what? We can say right away that, currently, I live in Norway, I don't speak much Norwegian, so, you know, we're on the same page. [laughs]

Renato: To start the conversation, let's talk about your years in Candlemass. Tell me, what are the main contributions you believe you left as a legacy for the band during that period?

Robert: Well, good question. Contribution? You know, I hope that with the time I spent with these guys, who are great, it contributed to improving what they were already doing. Nobody was trying to improve, but I just added something so that we all felt comfortable with what we were doing.


Renato: Still on your history with Candlemass, the album "Death Magic Doom"

became a much-loved album by fans, with songs that became iconic, such as "Hammer of Doom". I'd like you to talk about the importance of this album in your career and a little about how it was conceived.

Robert: Well, you know, Hammer of Doom is Hammer of Doom. I love playing that song, I love playing it. One of the things about this whole album is that we managed to portray certain things, but this one, this one touches me deeply, you know, because, I mean, there's power.

Leif and the guys, Lars, Lasse and Mappe, you know, great guys, great musicians. And, you know, you have to congratulate those guys.

I mean, I, I didn't do anything. I'm nobody. [laughs]

So I didn't do anything. But being able to release something like that is something that qualifies you, allows you to be who you are. And, again, those times and being with Candlemass were quality moments.


Renato: The next question is about the Solitude Aeturnus era. Tell us, what was it like forming a Doom Metal band in Texas, in the land of Southern Rock and country culture? What were your main inspirations?

Robert: Well, first of all, I need to say that I love being Texan and I will always appreciate that. But what matters is that, as you said, John Perez and Lyle, who has always been a longtime friend of mine, we both listened to, I don't know, Pentagram, Trouble, you know, Celtic Frost, right? And like: "hey, we should do this." And then you think, screw it, let's do it. And then you just did it! [laughs]

But the point is that the quality of these guys, you know, with their instruments and what they do is important, because you can trust your bandmate. Because your bandmate is important when you're on stage or anything else you do: The quality of the friendship. I think that's what makes it so that, whoever it is, you bring that quality to the table, which will allow you to do what needs to be done.

Renato: Now a very important question for me. Roberto: Wow! Yes, yes. Fantastic.

Renato: Perfect. It's considered by many to be the band's masterpiece, a masterful album, man, boasting the best atmosphere and the perfect mix of crushing doom and melody. Tell us what you think about it and if you agree. Of course, what does this album mean to you?

Robert: Well, make this album, and I'll be brief in my answer, which I won't do because it would be a lie. [laughs]

Music needs to take you on a journey, and making this album with these friends of mine, simply, I don't know how else to say it, but you just make it happen!

And the lyrics, and the music, and the time you spend with each one…writing guitar riffs, and/or, you know, hey, how about these lyrics? Or how about this? You know, all of that, the culmination of the whole process is what matters.

And there's so much involved. But I love this album.

Renato: It's a fucking awesome album!

Robert: It really is. And I'm extremely happy to have been a part of this process. I mean, it meant a lot to me to be able to have my bandmates, my friends, to do something together. It meant a lot to me.

Renato: For me, this album is a masterpiece of metal.

Robert: It's the best. That's it, brother.

Renato: And if it's possible to choose: Candlemass or Solitude Aeturnus?
Which one is your favorite? [Laughs]

Robert Lowe: You know what? Both are the best because Candlemass brings something to the table and Solitude brings something too. If I were in the living room, or in the bedroom, and I was going to put on an album to listen to, I would want to listen to Messiah Marcolin on Candlemass, or listen to Solitude Aeturnus... it's one of those things that depends on what speaks to your feelings or emotions. Leif brings that and, as I said before, all the guys from Solitude too. They are all incredible people.

Renato: Thanks, man. Thank you for the music, thank you for your voice. Bye!

Robert Lowe: Thank you. I appreciate your time and see you around. Maybe to smoke something or have a beer, I don't know. The important thing is to enjoy our time. I hope to enjoy it with all the Brazilian fans. Take care, brother!


Interview: Renato Sanson (collaboration: Caco Garcia)
Transcription and Editing: Caco Garcia
Photos: Press release, artist's archives and Terje Tysnes

Acknowledgements: Som do Darma

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cobertura de Show: Kadavar – 21/03/2026 – Carioca Club/SP

A banda Kadavar retornou ao Brasil para um show exclusivo no Carioca Club, em São Paulo. Promovendo o último trabalho, I Just Want To Be A Sound (2025), o evento marcou o retorno dos alemães após uma espera de oito anos e contou com dois nomes de peso da cena nacional, Hammerhead Blues e Espectro, que transformaram as apresentações em um portal direto aos anos 70.

A responsabilidade de abrir a noite coube ao Hammerhead Blues, e a banda paulistana cumpriu a tarefa com maestria. Com seu blues rock carregado de peso e psicodelia, o trio formado por Otavio Cintra (vocal e baixo), Luiz Cardim (guitarra) e Willian Paiva (bateria) entregou um setlist coeso e envolvente. Desde a abertura com "Hero", a banda demonstrou um entrosamento incrível, com riffs marcantes e uma cozinha que comandava o ritmo. Faixas como "Roger’s Cannabis Confusion" e "Black Abyss" solidificaram a atmosfera psicodélica, enquanto "Traveller", "Age of Void" e "Around The Sun" mostraram a versatilidade do grupo em construir climas que transitam entre o arrastado e o energético, deixando claro que o grupo sabe entregar uma boa performance ao vivo.

Na sequência, o Espectro elevou a intensidade com uma pegada mais sombria e agressiva. A banda, conhecida por seu doom/stoner metal com letras em português, trouxe uma intensidade visceral ao palco. O line up com Reinaldo Zonta (vocal), João Wegher (guitarra), Luan Bremer (guitarra), Felipe Rippervert (baixo) e Karina D’Alessandre (bateria) trouxe um setlist que incluiu "The Ritual", "Twist the Knife" e "Death Dealing", foi uma sucessão de riffs arrastados, vocais agressivos e uma atmosfera que beirava a um ritual. A performance de "Wicked Life", "1000 Nights" e "Lost in the Aether" demonstrou a capacidade do Espectro de criar um ambiente sonoro denso e hipnótico, com passagens que alternavam momentos de pura fúria com outros de contemplação sombria, deixando o público completamente imerso em sua música.

Era hora e o Kadavar tomou o palco alguns minutos antes do previsto e, logo que iniciaram a apresentação com “Goddess of Dawn”, transformou o Carioca Club em uma catedral do rock psicodélico dos anos 70. O quarteto alemão, com sua formação minimalista e presença magnética, entregou uma performance impecável, cheia de energia vintage e riffs que pareciam saídos de um vinil antigo, assim como seus figurinos setentistas. "Lies" e "Doomsday Machine" seguiram com a mesma intensidade, com o som massivo e cru que é a marca registrada do Kadavar, fazendo o público vibrar desde as primeiras notas.

A performance dos alemães é um testemunho da força do rock old school e da autenticidade. Christoph "Lupus" Lindemann na guitarra e vocal, Simon "Dragon" Bouteloup no baixo, Christoph "Tiger" Bartelt na bateria e Jascha Kreft na guitarra formam uma máquina sonora impecável. O som era colossal, com o timbre da guitarra de Lupus preenchendo cada canto do ambiente junto com Jascha Kreft, o baixo de Dragon pulsando com um groove hipnótico e a bateria de Tiger ditando o ritmo com precisão e potência avassaladoras. A banda não precisa de grandes artifícios de palco; sua presença é magnética, e a música fala por si.

“Last Living Dinosaur” e “Black Sun” aprofundaram a atmosfera setentista que define o Kadavar. Os riffs soavam pesados sem perder a fluidez, enquanto a banda explorava bem as dinâmicas das músicas. “The Old Man” manteve o ritmo frenético, daqueles que fazem o público balançar a cabeça quase automaticamente. Com uma dinâmica diferente, “Explosions in the Sky” expôs uma aura à la Beatles, meio psicodélica, para dar uma aliviada em meio a tantos riffs. Mas durou pouco: logo mandaram “Total Annihilation”, a música mais rápida da banda e talvez uma das mais pesadas do catálogo deles, que não deixou ninguém parado.

A reta final do set principal foi sensacional, com "Scar on My Guitar" e "Purple Sage" demonstrando a maestria da banda em criar riffs memoráveis junto a atmosferas densas em meio a uma psicodelia alucinante. O ápice veio com "Die Baby Die", que encerrou essa parte com uma explosão de energia, deixando o público sedento por mais. Os aplausos e gritos de "Kadavar! Kadavar!" tomaram conta do Carioca Club, clamando pelo retorno do quarteto.

O encerramento foi épico. “Regeneration” trouxe uma sonoridade mais moderna sem perder a identidade da banda. “Come Back Life” veio com uma carga emocional forte, e o grand finale com “All Our Thoughts” fechou a noite de forma perfeita, deixando o ar carregado de fumaça, suor e satisfação. Em suma, as apresentações foram um triunfo para o rock pesado. Desde as performances sólidas e envolventes de Hammerhead Blues e Espectro, que aqueceram o público com suas respectivas doses de groove e peso, até a apresentação magistral do Kadavar, que entregou um espetáculo de rock setentista com uma energia contagiante. Durante o show, o Kadavar se permitiu alongar as músicas, brincar com texturas e criar momentos imersivos e imprevisíveis. Diante de tudo isso, pode-se dizer que foi uma experiência completa, que celebrou a força e a vitalidade do gênero, deixando a certeza de que o bom e velho rock and roll está mais vivo do que nunca. 


Texto: Marcelo Gomes 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Sob Controle



Hammerhead Blues – setlist:

Hero
Roger’s Cannabis Confusion
Black Abyss
Traveller
Age of Void
Around The Sun

Espectro – setlist:

The Ritual
Twist the Knife
Death Dealing
Wicked Life
1000 Nights
Lost in the Aether

Kadavar – setlist:

Goddess of Dawn

Lies

Doomsday Machine

Last Living Dinosaur

Black Sun

The Old Man

Explosions in the Sky

Total Annihilation

Scar on My Guitar

Purple Sage

Die Baby Die

Regeneration

Come Back Life

All Our Thoughts

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Adna Melan: A Doçura Angelical da Nova Revelação do Gothic Rock Brasileiro

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 09.0/10.0

O novo single “Lie”, da cantora ADNA MELAN, desponta como um dos lançamentos mais relevantes do Gothic Rock brasileiro nos últimos anos, reafirmando o potencial da artista em sua carreira solo. Com uma abordagem estética fiel às raízes do gênero, a faixa evidencia maturidade artística e um direcionamento sonoro consistente dentro de uma cena que carece de novos artistas.

A interpretação vocal de ADNA MELAN é, sem dúvida, um dos principais trunfos da composição. Sua voz, avaliada pelo nosso portal como doce como um anjo, contrasta de forma marcante com a carga emocional da música, transmitindo sensações de dor e angústia com precisão. Essa dualidade entre suavidade e melancolia reforça a identidade da musicista e amplia o impacto da faixa junto ao ouvinte.

“Lie” se apresenta de forma enxuta e direta, sem a pretensão de reinventar estruturas já consolidadas do Gothic Rock. A opção por permanecer estritamente dentro dos limites do gênero se mostra acertada, especialmente por valorizar a atmosfera sombria e introspectiva que caracteriza a proposta artística de ADNA MELAN.

Em termos de produção, o single entrega um resultado funcional, ainda que sem grandes destaques técnicos. A sonoridade cumpre seu papel, mas aponta para a necessidade de aprimoramentos em futuros lançamentos, sobretudo considerando a expectativa natural em torno de um álbum completo. Há espaço para evolução, especialmente no refinamento de camadas sonoras e na valorização da dinâmica instrumental.

Diante desse cenário, “Lie” consolida ADNA MELAN como um nome promissor dentro do Gothic Rock nacional, ao mesmo tempo em que desperta expectativa por um trabalho no formato de álbum. A recepção positiva do single reforça o interesse por um álbum completo, que poderá ampliar ainda mais o alcance e a relevância da artista no cenário alternativo brasileiro.

John Corabi: Conforto e Nostalgia em "New Day"

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter 

O veterano John Corabi vem com tudo neste debut solo, em audição antecipada, cortesia da Gravadora Frontiers, fui surpreendida com omelhor álbum de conforto que ouvi este ano. Já nas primeiras faixas, o ímpeto de pegar a estrada e seguir para lugar nenhum com o volume máximo é irresistível. Aquele "mojo" do Rock com uma pitada de blues que nos desperta toda a nostalgia de um tempo que já não volta mais (Será?).

E não é para menos, se levarmos em consideração os nomes responsáveis pela produção do álbum, só a nata do rock mainstream. Dentre eles, está o produtor americano Marti Frederiksen, que já trabalhou com Aerosmith, Ozzy Osbourne e Gavin Rossdale, e nesta parceria contribui também comvocais de apoio, guitarras, piano e percussão. Também temos Richard Fortus (Guns N' Roses) na guitarra solo; Paul Taylor (Winger, Steve Perry) no piano, órgão e clavinete, e Charlie Starr do fantástico Blackberry Smoke com solos de guitarra. Ou seja, não tem como errar o alvo.

Já nas primeiras faixas, "New Day" e "That Memory", uma exuberância de guitarras clássicas, refrões grudentos, daqueles que adoramos, batidas no compasso, baixo perfeito e o mais importante: Aquele Rock raiz cantado com alma e empolgação. Na sequência, uma pausa nos pensamentos fugazes, para dar lugar às introspectivas "Faith, Hope And Love" e "When I Was Young", onde temos o lado bluseiro cheio de melodias de John Corabi. Belíssimas canções, inclusive "When I Was Young" poderia facilmente figurar em alguma trilha sonora cinematográfica de Cameron Crowe (responsável pelos sucessos "Quase Famosos" e "Jerry Maguire").

Apesar de um álbum competente e bem produzido, as canções são bem genéricas, com uma passagem ou outra que chamam mais a atenção. É uma obra nostálgica, como o próprio músico já adiantou, que nos traz "conforto" em momentos onde tudo vira caos. Simplesmente é a alma de John sendo compartilhada conosco, sem muita pretensão. Ainda temos algumas já conhecidas, como "Così Bella" de 2021 e "Your Own Worst Enemy" de 2022, para dar o toque final nesta obra que mostra a competência e talento de quem fez e faz parte da história do rock, e nem sempre esteve nos holofotes.

Por fim, destaque para a última canção "Everyday People" pelo ritmo e a ótima letra, que conseguiu fechar bem a obra, destilando um tom de homenagem aos rockeiros de plantão. Um disco para se ter na prateleira, na playlist de viagens e nos momentos em que precisamos "voltar às raízes".

Jeff Fasano


terça-feira, 31 de março de 2026

Exodus: morno e esquecível

Por: Renato Sanson 

O retorno de Rob Dukes ao Exodus carregava um peso simbólico enorme, não apenas pela nostalgia, mas pela energia brutal que marcou sua primeira passagem pela banda. E é justamente aí que mora a grande frustração de "Goliath": um álbum que tinha tudo para ser um renascimento agressivo, mas acaba soando apático, previsível e, em muitos momentos, surpreendentemente sem identidade.

Desde o anúncio, impulsionado pelas declarações de Gary Holt de que este seria “um disco feito para nós, não para os fãs”, já existia um certo receio. O problema é que, ao ouvir o resultado final, essa frase deixa de soar como uma provocação artística e passa a parecer um aviso ignorado. Falta justamente aquilo que sempre definiu o Exodus: urgência, riffs memoráveis e aquela sensação constante de perigo iminente.

Rob Dukes, que em álbuns como "The Atrocity Exhibition... Exhibit A" e "Exhibit B: The Human Condition" havia se consolidado como um sucessor à altura ou até mesmo o verdadeiro herdeiro do espírito de Paul Baloff, aqui parece subaproveitado. Sua performance continua potente, carregada de agressividade, mas engessada por composições que não acompanham sua intensidade. É quase como ver um motor de alta performance preso a uma carroceria que não responde.

A comparação com "Force of Habit" (92), infelizmente, não é exagero. Assim como naquele controverso lançamento dos anos 90, Goliath flerta com uma abordagem diferente, menos inspirada, menos visceral e paga o preço por isso. A tentativa de explorar novas nuances acaba resultando em faixas arrastadas e pouco memoráveis, que dificilmente sobreviverão ao teste do tempo dentro de um catálogo tão respeitado.

Se Steve Souza havia recolocado a banda nos trilhos com dois discos sólidos, reacendendo a chama do Thrash clássico, o retorno de Dukes, que deveria elevar ainda mais o nível acaba soando como um passo em falso. A expectativa era de algo avassalador, mas o que se entrega é um trabalho morno, que raramente empolga.

Nem mesmo o aspecto visual ajuda: a capa, pouco inspirada, parece refletir exatamente o conteúdo do álbum. Genérico, sem impacto e distante da força estética que o Exodus já apresentou em outros momentos da carreira.

No fim, Goliath não é um desastre completo, mas talvez seja ainda mais frustrante por isso: é um disco que tinha potencial para ser gigante como o nome sugere e termina apenas esquecível.

Entrevista - UDO: "Wolf tem um bom cantor, mas não a voz original"

Com uma trajetória marcada por clássicos eternos, turnês mundiais e uma identidade sonora única, Udo segue ativo, relevante e fiel às raízes que ajudou a consolidar dentro do metal tradicional. 

Em nossa conversa exclusiva, o músico revisita momentos importantes de sua carreira, deixa claro seu posicionamento para uma reunião com o Accept e compartilha suas expectativas para o aguardado show no Bangers Open Air, que promete ser um dos grandes encontros do ano para os fãs brasileiros.

Prepare-se para mergulhar em um bate-papo direto, sincero e carregado de história com um dos maiores nomes do heavy metal mundial.


Por: Renato Sanson 

Quais as expectativas para o show no Bangers Open Air?

UDO: Ainda estamos celebrando o 40º aniversário de Balls to the Wall. Vamos tocar o álbum na íntegra e, além disso, incluir alguns clássicos do Accept. Teremos 90 minutos de show, ou seja, praticamente um set de headliner. Estou realmente ansioso para isso.


Depois de muitos anos, você e o Peter estão tocando juntos. Como é essa sensação?

UDO: É uma sensação muito boa estar com o Peter novamente. Ele está curtindo, eu também, e estamos felizes. É como algo antigo voltando aos palcos.

Há um tempo atrás, você disse que não toca mais músicas do Accept ao vivo.

UDO: Sim, isso foi há muito tempo. Quer dizer, em 2015 começamos com o Dirkschneider, e muita gente perguntava: 'por que você não toca músicas do Accept?'. Então pensamos: 'ok, vamos fazer o Dirkschneider tocando apenas músicas do Accept'. Fizemos isso por quase três anos. Depois disso, talvez eu tenha falado cedo demais, mas disse: 'pronto, chega de músicas do Accept.' Quer dizer, temos material suficiente do U.D.O. para tocar ao vivo. Acho que foi um pouco precipitado. Agora estamos celebrando os 40 anos de Balls to the Wall, então aqui estamos nós, tocando Accept novamente.

Por que produtores e fãs tendem a resistir a músicas novas, preferindo os clássicos nos shows? Qual é a sua opinião sobre isso?

UDO: Quando falamos de músicas novas? 

Sim.

Claro que sim, pelo menos para mim. Acabamos de finalizar um novo álbum do U.D.O. E temos músicos mais jovens na banda. O que eu gosto no momento é que estamos criando algo como uma mistura entre o antigo e o novo, e isso é muito interessante para mim. Ou seja, não estamos seguindo apenas com os clássicos antigos — também há muitos arranjos novos ali. Claro, os músicos mais jovens têm uma forma de pensar diferente. 


E na sua carreira solo você já soma mais de 50 álbuns, sem contar a fase com o Accept. De onde vem tanta criatividade e energia para produzir tanto?

Não sei bem, é que geralmente a gente lança um álbum novo a cada dois anos e em seguida sai em turnê. Às vezes fazemos uma pausa curta, rapidinha mesmo. Só que, com o novo disco do U.D.O., houve uma interrupção de três anos. Evidentemente já se passaram quase dois anos sem lançamentos nossos, e quando a turnê do Ball to the Wall terminar agora em novembro, na prática teremos ficado cerca de dois anos na estrada com o Dirkschneider. Por isso, não foi tão fácil compor e gravar um lançamento novo do U.D.O. nesse intervalo. Sempre foi um balanço entre as turnês, ida e volta. Mas, de certa forma, eu gosto de fazer música e criar coisas novas também, e é por isso que continuo. Ou seja, agora tenho este que será o 20º álbum de estúdio, que sai no ano que vem. Então é bastante coisa.

Para o festival Bangers Open Air, vocês prepararam um setlist especial?

O que é realmente especial é que vamos tocar o álbum Ball to the Wall na íntegra. Nunca fizemos isso na América do Sul, então estou realmente ansioso por isso. E acho que já ouvimos muitos fãs dizendo que também estão muito empolgados para ouvir músicas que nunca tiveram a chance de ver ao vivo. Então, sim, estou muito animado também, e acredito que será um grande show. É isso, vamos nessa.


Há alguma possibilidade de uma reunião com Wolf Hoffmann novamente?

Não. Para mim, isso não faz sentido. De qualquer forma, eu sempre digo: o Wolf está fazendo suas próprias coisas com o Accept, sob o nome Accept, mas agora só resta um cara da formação original, o Wolf. E eu faço o U.D.O., mas também de uma maneira que acho mais confortável. Se eu quiser, posso dizer 'ok, vou tocar com o Dirkschneider, com a voz original, e tocar só músicas do Accept com a voz original.' Mas ele não tem a voz original, é um bom cantor, mas não é a voz original. E agora, com o Peter Baltes, temos dois membros do Accept antigo no palco. Para mim, não faz sentido fazer uma reunião, não há razão para isso. Ele faz o que faz, eu faço o que faço, e é isso.

Desculpa pela pergunta (risos). Mais uma pergunta: você prefere a era do Accept ou a era do Udo?

Isso é difícil. O Accept, claro, foi realmente enorme nos anos 80. Mas, de certa forma, os anos 80 já passaram, talvez não para o Metallica, AC/DC, Iron Maiden e bandas assim. Mas eu também aproveito muito, muito mesmo com o U.D.O. Temos uma grande base de fãs no mundo todo. Então, os dois… Eu não posso dizer que gosto mais de um ou de outro, é como se fossem iguais. É a mesma coisa.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cobertura de Show: Moonspell – 22/03/2026 – Carioca Club/SP

Em um fim de semana repleto de shows em São Paulo, o Carioca Club se transformou em território português para uma celebração histórica: os 30 anos do álbum Wolfheart, do Moonspell, marco fundamental do gothic metal mundial. Para tornar a experiência ainda mais especial, a noite foi brindada com uma dobradinha lusitana, tendo a banda Sinistro como convidada de honra, que fez sua estreia no Brasil diante de uma alcateia brasileira fervorosa.

A abertura da noite ficou por conta dos conterrâneos do Sinistro, que abriram os trabalhos com uma performance pesada, atmosférica e visceral, típica do sludge/doom que fazem. O setlist, que incluiu “Ruas Desertas”, “Partida”, “Abismo”, “O Equivocado”, “Relíquia” e “Templo das Lágrimas”, imergiu o público em uma sonoridade que transitava entre o doom metal e o rock gótico, com Patrícia Andrade hipnotizando com seus vocais poderosos e melancólicos. A atmosfera sombria e os riffs arrastados prepararam perfeitamente o terreno para o headliner, conquistando o público que já chegava animado e provando que o underground português segue forte.

Pontualmente às 20h, os lendários Moonspell adentraram o palco, recebidos por uma ovação estrondosa. Com Fernando Ribeiro (vocais), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclados e guitarra), Aires Pereira (baixo) e Hugo Ribeiro (bateria), a banda portuguesa veio celebrar os 30 anos do icônico álbum Wolfheart. Fernando Ribeiro, com sua presença carismática, abriu a noite com um caloroso “Boa noite, Brasil, somos o Moonspell e estamos aqui para celebrar os 30 anos do Wolfheart”, antes de mergulhar de cabeça em “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, transportando a todos para a atmosfera sombria e mística do álbum que definiu uma era para o gothic metal.

Em seguida, executaram a envolvente “Love Crimes”, na qual os vocais líricos da convidada Eduarda Miss Blue, da banda Glasya, entrelaçaram-se de forma sublime com a voz gutural e expressiva de Fernando, criando um contraste vocal que adicionou uma camada extra de profundidade à performance. Na sequência, a banda entregou a densidade de “…of Dream and Drama (Midnight Ride)”, consolidando a imersão no universo de Wolfheart e mostrando a maestria dos músicos em recriar a atmosfera original do disco com uma energia renovada.

Fernando Ribeiro fez uma pausa para interagir com a plateia, expressando a honra de estar no Brasil em uma noite 100% portuguesa. Ele ressaltou que, apesar de ser domingo e de muitos terem compromissos no dia seguinte, a banda faria um setlist longo e completo, diferente da última vez em que tiveram que cortar músicas devido ao horário. Essa promessa foi recebida com entusiasmo, e a banda seguiu com a sombria “Tenebrarum Oratorium (Andamento I)”, mantendo a intensidade e a conexão com o público.

A diversidade musical do álbum foi explorada com a belíssima “Lua d’Inverno”, um momento instrumental que destacou o talento de Pedro Paixão nos teclados e Ricardo Amorim na guitarra, criando uma paisagem sonora hipnotizante. A seguir, “Trebaruna” trouxe à tona os ritmos e a melodia portuguesa, com a plateia acompanhando com palmas, criando um momento de intercâmbio cultural. Fernando então compartilhou uma curiosidade sobre “Ataegina”, explicando que a faixa havia sido inicialmente excluída do álbum pela gravadora por ter um “clima muito festivo”, que destoava do restante do material. No entanto, o sucesso estrondoso da música nos shows levou à sua inclusão em uma reedição do disco, uma prova da força e do apelo que a canção sempre teve junto aos fãs.

A atmosfera mística e sedutora retornou com “Vampiria”, uma das joias do álbum, que manteve a plateia em transe. Em “An Erotic Alchemy”, Eduarda Miss Blue voltou a brilhar, com seus vocais líricos ganhando destaque em um dueto bem à frente do palco, adicionando uma dimensão teatral à performance. O clímax da noite, no entanto, estava por vir. Antes de chamar o convidado especial, Fernando Ribeiro fez uma emocionante homenagem ao Brasil, afirmando que o país “criou o death metal” e relembrou sua admiração por bandas como The Mist, Sarcófago, Holocausto e, claro, Sepultura, destacando Jairo Guedz como um de seus integrantes favoritos. A casa veio abaixo com a entrada de Jairo, e, juntos, entregaram uma versão poderosa de “Alma Mater”, cantada em uníssono do início ao fim por uma plateia extasiada.

A surpresa da noite não parou por aí. A banda apresentou uma versão “dark” e arrepiante de “Lanterna dos Afogados”, clássico dos Paralamas do Sucesso. Essa releitura inusitada e brilhante demonstrou a versatilidade e a ousadia do Moonspell. A energia continuou alta com a execução de “Opium”, mantendo a plateia conectada e vibrante. O show seguiu com a energia contagiante de “Awake!”, seguida pela intensidade de “In Tremor Dei”. A banda não se limitou ao Wolfheart, presenteando os fãs com faixas de outros álbuns, como “Extinct”, “Scorpion Flower” e “Everything Invaded”, mostrando a diversidade de sua discografia e a evolução de sua sonoridade ao longo dos anos. Cada música foi executada com precisão e paixão, reafirmando o status do Moonspell como uma das maiores bandas de metal gótico do mundo.

Para encerrar a noite de quase duas horas de show, o Moonspell se despediu com a icônica “Full Moon Madness”, um hino que toca a alma de sua “alcateia”. Fernando Ribeiro aproveitou o momento para agradecer novamente a Jairo Guedz e a todas as bandas brasileiras que serviram de inspiração para o Moonspell, reforçando a profunda conexão e admiração mútua entre as cenas musicais dos dois países. O público, caloroso e receptivo do início ao fim, demonstrou que a fidelidade à banda portuguesa permanece inabalável, celebrando não apenas um álbum, mas uma trajetória de três décadas de música e paixão. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload Brasil



Sinistro – setlist:

Ruas Desertas

Partida

Abismo

O Equivocado

Reliquia

Templo das Lagrimas 


Moonspell – setlist:

Wolfshade 

Love Crimes 

 ...of Dream and Drama (Midnight Ride)

Tenebrarum Oratorium (Andamento I) 

Lua d'Inverno 

Trebaruna 

Ataegina

Vampiria

An Erotic Alchemy 

Alma Mater
 
Lanterna dos Afogados (Os Paralamas do Sucesso)

Opium

Awake!

In Tremor Dei

Extinct

Scorpion Flower

Everything Invaded

Full Moon Madness