segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dani Matos (Viper, All Metal Stars BR): "Minha maior preocupação é que a obra do Andre (Matos) não se apague"

Dener Ariani / @denerwoods

Por Fernando Queiroz

Atualmente baixista do Viper, Dani Matos falou, em entrevista exclusiva, sobre o tributo All Metal Stars BR ao seu irmão, o saudoso Andre Matos (Angra, Shaman, Viper, etc.).

A turnê reúne três ícones do gênero: Aquiles Priester (Angra, Hangar e W.A.S.P), Edu Ardanuy (Sinistra e Dr. Sin) e Thiago Bianchi (Noturnall e Shaman). O projeto presta uma homenagem inédita a Andre Matos, um dos maiores nomes do metal mundial, cuja obra influenciou gerações. O time de músicos é completado por nomes de peso: Fábio Laguna (Hangar), Guilherme Torres e Saulo Xakol (ambos do Noturnall), formando uma verdadeira constelação do metal brasileiro. Juntos, eles prometem um espetáculo intenso e emocionante, repleto de clássicos, surpresas e faixas raramente tocadas ao vivo.

Como foi a abordagem quando chegaram até você com o projeto?

Dani Matos: Eu estava fazendo um show perto de São Paulo quando o Anderson Bellini me avisou que haveria um evento, em Santo André, relacionado ao documentário do Andre Matos, com algumas participações especiais. A ideia era que músicos subissem ao palco, e o Yves Passarell (ex-Viper) também estaria presente. Eu não o via desde antes da partida do Andre e tenho um carinho enorme por ele. Então eu disse: “Vou terminar o show aqui e vou até lá”.

Nesse evento, o Thiago (Bianchi) era um dos convidados. Ele comentou comigo: “Estou pensando em algo, mas ainda não vou te adiantar. Em algum momento eu te ligo”. Passou um tempo e ele realmente entrou em contato. Disse: “Eu preciso fazer isso. Além da repercussão muito boa quando eu cantei no Amplifica, é uma homenagem que eu sinto que preciso realizar. Já penso nisso há bastante tempo, mas depois de ver o apoio do público, fiquei ainda mais motivado. Só que eu quero fazer isso junto com a família dele”.

E, no fim das contas, o que a gente quer é que tudo seja feito da maneira correta. Minha maior preocupação é que a obra do Andre não se apague. Eu sei o quanto ela faz bem às pessoas e só tive dimensão real disso depois que ele se foi. Antes eu já tinha essa percepção, claro, mas não imaginava que fosse tão grande. É muito bonito ouvir relatos de pessoas dizendo que as músicas do Andre as ajudaram a seguir em frente.

Eu também não quero encerrar minha trajetória na música sem ter feito uma homenagem ao meu irmão. E tenho gostado muito de realizar isso com essa equipe, porque percebo que todos estão colocando coração no projeto. A proposta não é buscar um “cover perfeito”. A intenção é tocar as músicas dele, com o respeito que elas merecem.

Dener Ariani / @denerwoods

Você está como “special guest” nessa turnê. Você fará apenas um ou alguns shows, ou viajará com a banda pelo Brasil?

Dani Matos: O Thiago já tinha um acordo com o Saulo Xakol. Ele também tem seus motivos para estar ali homenageando o Andre. Eu pedi para participar como convidado, sem a ideia de “substituir” ninguém. Para mim, vai ser um prazer tê-lo no time!

Pretendem gravar material audiovisual ao vivo da turnê?

Dani Matos: É possível que exista algum material audiovisual, mas isso depende da aprovação de todos os envolvidos.

A exigência que eu faço é que tudo seja feito da forma correta. Se não for possível fazer corretamente, é melhor não fazer. É preciso conversar com quem detém os direitos do Angra, por exemplo, e isso envolve direito de áudio e de imagem. É uma possibilidade, mas apenas se todos concordarem. 

Por isso, de certa forma, fica também um incentivo para o público assistir ao vivo. É muito difícil reunir esse time novamente. É uma oportunidade rara, porque as agendas são complicadas. 

Dener Ariani / @denerwoods

Você acredita que esse projeto pode virar uma banda fixa, com gravações de discos e singles?

Dani Matos: Seria interessante, não vou negar. Mas, pelo mesmo motivo dito anteriormente, será difícil juntar essa equipe novamente. Por isso, a proposta é que seja um período realmente marcante. Tomara que a gente consiga repetir. O clima entre todos me surpreendeu muito, de forma positiva. 

O Viper já tem planos de gravar um disco com você tocando?

Dani Matos: A gente gravou um álbum ao vivo no ano passado e os singles desse show devem começar a sair em breve. Eu ainda não tenho certeza se posso dizer qual será o primeiro, prefiro segurar a informação por enquanto. 

Dener Ariani / @denerwoods

Por fim, Dani deixa um recado aos fãs

Dani Matos: Eu posso dizer que está sendo tudo feito da melhor maneira possível. Fico impressionado com o nível de organização: a produção está bem estruturada para que cada noite seja especial.

A gente não tem certeza de que isso vai ser documentado em vídeo, então é importante que, quem puder, esteja presente e chame amigos. Há ingresso solidário e outras modalidades para caber no bolso de quem quiser ir. Eu gostaria muito de ver todo mundo lá.

Imagino que cada noite será muito emocionante. Vai ser intenso, mas o mais especial é estar junto do público do Andre.


Ingressos e serviço:
São Paulo (15/03, Audio): ticket360.com.br

Datas da Turnê – Março 2026

05/03 – Chapecó/SC – Lang Palace
06/03 – Porto Alegre/RS – Opinião
07/03 – Florianópolis/SC – John Bull
08/03 – Curitiba/PR – Hard Rock Café
12/03 – Campinas/SP – Brasuca
13/03 – Ribeirão Preto/SP – Alcans Hall
14/03 – Juiz de Fora/MG – Cultural Bar
15/03 – São Paulo/SP – Audio
19/03 – Brasília/DF – Toinha
20/03 – Belo Horizonte/MG – Mr. Rock
21/03 – Rio de Janeiro/RJ – Sacadura 154
22/03 – Vila Velha/ES – Correria
26/03 – Recife/PE – Armazém 14
27/03 – Natal/RN – Ribeira Music
28/03 – Fortaleza/CE – Dragon Hall
29/03 – Teresina/PI – Bueiro do Rock


Degreed: Hard Rock Melódico Em Sua Melhor Forma (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Com lançamento previsto para abril de 2026, Curtain Calls reafirma o Degreed como uma das bandas mais consistentes do hard rock melódico contemporâneo. O álbum equilibra com naturalidade a base clássica do gênero com elementos modernos de produção, arranjos e abordagem vocal, resultando em um trabalho coeso, variado e extremamente bem executado.

A abertura com One Helluva Ride entrega um hard rock direto, sem excessos, que deixa claro o entrosamento da banda. Mesmo sem grandes momentos individuais, a faixa se destaca pela solidez do conjunto e pelo ótimo uso dos teclados de Mikael Blanc, estabelecendo o tom do álbum.

Na sequência, Holding On To Yesterday começa como uma balada, mas rapidamente surpreende ao assumir contornos mais densos, com um vocal quase industrial de Robin Eriksson, culminando em um refrão forte e marcante. A faixa evidencia a versatilidade da banda e sua capacidade de transitar entre diferentes atmosferas com segurança.

Believe amplia essa diversidade ao combinar uma introdução eletrônica e uma batida pop de alto nível com guitarras bem trabalhadas por Daniel Johansson. O resultado é uma música acessível, moderna e ao mesmo tempo fiel ao DNA do Degreed, sustentada por um refrão envolvente.

A quarta faixa, Guiding Light, resgata o hard rock em sua forma mais tradicional: timbres clássicos de guitarra, vocais bem harmonizados, um solo de teclado elegante e a bateria precisa de Mats Eriksson garantindo uma base firme e consistente.

Em My Blood, o álbum reforça uma de suas principais características: a fusão entre tradição e modernidade. Apesar da essência clássica do Degreed, a faixa apresenta vocais contemporâneos e uma abordagem rítmica atual, demonstrando que a banda sabe dialogar com o presente sem perder identidade.

A faixa-título Curtain Calls sintetiza com precisão a proposta do disco. O trabalho vocal de Robin Eriksson se destaca pela variedade, alternando vocais limpos, rasgados e com efeitos, enquanto os demais músicos exploram mudanças de andamento, solos e bases com equilíbrio, valorizando cada instrumento.

The Rambler é uma daquelas músicas que parecem feitas para o palco. Com estrutura de semi-balada e uma melodia instrumental sofisticada, a faixa cresce a cada audição e tem forte potencial para se tornar um dos momentos mais memoráveis dos shows da banda.

Em Matter of Heart, a mistura entre o clássico e o moderno aparece novamente, desta vez com uma mixagem que destaca o baixo de Robin Eriksson e os teclados de Mikael Blanc, além de uma clara influência da música pop em sua construção.

Broken Dreams apresenta um dos momentos mais pesados do álbum. A faixa começa com teclados marcantes e um solo de guitarra imediato, conduzindo a música para um hard rock mais encorpado, sem se distanciar da identidade sonora estabelecida ao longo do disco.

O encerramento fica por conta de Promise Me, uma balada intensa e bem construída, que alia emoção, peso e um trabalho vocal impressionante, fechando o álbum de forma elegante e eficiente.

No conjunto, Curtain Calls entrega exatamente o que se espera do Degreed: uma combinação madura de melodias progressivas, sonoridade pop e elementos do rock moderno, reafirmando a banda como uma referência sólida dentro do hard rock melódico atual.


***ENGLISH VERSION***

Scheduled for release in April 2026, Curtain Calls reaffirms Degreed as one of the most consistent names in contemporary melodic hard rock. The album naturally balances the genre’s classic foundations with modern production elements, arrangements, and vocal approaches, resulting in a cohesive, diverse, and finely executed record.

The opening track, One Helluva Ride, delivers straightforward hard rock with no excess, immediately highlighting the band’s tight chemistry. While it doesn’t focus on individual virtuosity, the song stands out for its solid ensemble performance and the effective use of Mikael Blanc’s keyboards, setting the album’s overall tone.

Up next, Holding On To Yesterday begins as a ballad but quickly shifts gears, adopting a darker atmosphere driven by Robin Eriksson’s almost industrial-style vocals, before culminating in a powerful and memorable chorus. The track showcases the band’s versatility and its ability to move confidently between contrasting moods.

Believe further expands the album’s musical range by combining an electronic intro and a polished pop-driven beat with strong guitar work from Daniel Johansson. The result is an accessible, modern track that remains faithful to Degreed’s core identity, anchored by a highly engaging chorus.

The fourth track, Guiding Light, embraces hard rock in its most traditional form, featuring classic guitar and vocal tones, well-placed vocal harmonies, an elegant keyboard solo, and the solid, precise drumming of Mats Eriksson providing a firm backbone.

With My Blood, the album reinforces one of its defining traits: the fusion of tradition and modernity. While Degreed’s classic roots remain evident, the track incorporates contemporary vocal phrasing and rhythmic choices, proving the band’s ability to stay current without sacrificing its identity.

The title track, Curtain Calls, effectively encapsulates the album’s concept. Robin Eriksson’s vocal performance stands out for its range, alternating between clean, gritty, and effect-laden vocals, while the rest of the band navigates changes in tempo, solos, and rhythmic foundations with balance and confidence, allowing each instrument its moment to shine.

The Rambler feels tailor-made for the live stage. Built as a semi-ballad with a sophisticated instrumental melody, the song grows with each listen and has all the elements to become a standout moment in the band’s live performances.

On Matter of Heart, the blend of classic and modern resurfaces, this time through a mix that highlights Robin Eriksson’s bass work alongside Mikael Blanc’s keyboards. The track also carries clear influences from pop music, adding another layer to the album’s sonic palette.

Broken Dreams delivers some of the heaviest moments on the record. Opening with striking keyboards and an immediate guitar solo, the song moves toward a more robust hard rock approach while remaining fully aligned with the album’s established sound.

The album closes with Promise Me, a powerful and emotionally charged ballad that combines weight, sensitivity, and an impressive vocal performance, bringing Curtain Calls to a refined and satisfying conclusion.

Overall, Curtain Calls delivers exactly what listeners expect from Degreed: a mature blend of progressive melodies, pop sensibility, and modern rock elements, further cementing the band’s position as a reliable reference within today’s melodic hard rock scene.

Divulgação