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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 18/07/2026 – Tokio Marine Hall/SP

MASTER OF VOICES TRANSFORMA O TOKIO MARINE HALL EM UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL

Mais uma noite histórica para os amantes do hard rock e do heavy metal, desta vez em São Paulo. O Tokio Marine Hall recebeu o espetáculo Master of Voices, reunindo quatro grandes vozes do gênero em um verdadeiro desfile de clássicos. No palco, Tim "Ripper" Owens, Eric Martin, Jeff Scott Soto e o brasileiro Edu Falaschi revisitaram sucessos de bandas como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra e muitos outros projetos que marcaram gerações de fãs.

A responsabilidade de abrir a noite ficou com a banda norte-americana Velvet Chains, de Los Angeles, que subiu ao palco pontualmente às 20h50, exatamente no horário prometido. Divulgando seu terceiro EP, Last Rites, o grupo apresentou um som que mistura heavy metal moderno, hard rock e influências de nu metal. Mesmo diante de um público que praticamente desconhecia seu repertório, a banda conseguiu conquistar a plateia com muita energia. O momento de maior interação aconteceu durante o cover de "Suspicious Minds", clássico eternizado por Elvis Presley, apresentado em uma roupagem moderna, pesada e com aquela característica pegada do rock de Los Angeles. O público rapidamente embarcou no refrão conhecido. 

Liderado pelo vocalista Chaz Terra, o quinteto mostrou um set direto, sem enrolação, deixando claro o potencial que possui para se tornar uma das próximas revelações da cena mundial do metal. Singles recentes como "Hurt Me" e "Dead In The Head" evidenciam bem esse momento da banda. Vale destacar também a performance extremamente energética da dupla de guitarristas Von Boldt e Philip Paulsen, que dominaram o palco durante toda a apresentação. Antes de deixar o palco, o Velvet Chains prometeu voltar em breve ao Brasil e pediu que o público comparecesse novamente aos próximos shows.

Pontualmente às 22h, subiu ao palco o primeiro dos Masters of Voices: Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big. Sempre muito bem-humorado, iniciou sua apresentação com a incrível "Daddy, Brother, Lover, Little Boy", emendada com a maravilhosa "Take Cover", colocando o público imediatamente no clima da festa. Na sequência veio "Green-Tinted Sixties Mind", transformando o Tokio Marine Hall em um grande coro. Com o violão em mãos, Eric fez um divertido passeio por clássicos do rock, tocando trechos de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) e "Sweet Home Alabama" (Lynyrd Skynyrd), preparando o terreno para outro grande clássico: "Wild World", de Cat Stevens, eternizada na sua voz no Mr. Big. Durante todo o show, Eric fez questão de rasgar elogios à banda brasileira que o acompanhava: Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Edu Cominato (Mr. Big/Spektra) e Leo Mancini (Elektra e ex-Shaman). E não foi exagero. Nenhum deles deixa absolutamente nada a desejar aos músicos originais que gravaram aqueles clássicos. A prova veio logo depois com "Colorado Bulldog", uma das músicas mais técnicas do repertório do Mr. Big, executada de forma impecável.

Voltando ao violão, Eric comentou sobre sua frequente presença no Brasil e declarou o carinho que sente pelo público brasileiro. Então soltou a frase: "I am the one who wants to be with you..." Era a deixa para "To Be With You". O resultado foi emocionante: praticamente todo o Tokio Marine Hall cantou junto. Inclusive seguranças, bombeiros e funcionários do bar pareciam acompanhar a música. Eric encerrou seu set com "Addicted to That Rush" e chamou ao palco o ex-vocalista do Judas Priest, Tim "Ripper" Owens.

A entrada de Ripper aconteceu ao som da introdução "The Hellion", executada ao vivo pela banda — diferentemente da versão original do Judas Priest, que utiliza playback. Logo em seguida veio "Electric Eye", fazendo o Tokio Marine Hall literalmente explodir. Com um som pesado, extremamente coeso e muito bem regulado, Tim apresentou uma performance impecável. Seus agudos continuam impressionantes e sua voz permanece poderosa. Não por acaso, foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite. 

Na sequência veio "Burn in Hell", representante de sua fase no Judas Priest durante o álbum Jugulator (1997). Sempre muito simpático e humilde, Ripper agradeceu a Eric Martin por estar abrindo um show dele, dizendo que jamais imaginou viver algo assim. Demonstrando ainda mais humildade, apresentou todos os músicos dizendo que eram excelentes instrumentistas e brincou afirmando que provavelmente todos eram mais famosos do que ele. 

Após apresentar o baterista Edu Cominato, veio a introdução de "Painkiller", talvez um dos maiores hinos da história do heavy metal. Falando em hinos, "Breaking the Law" fez o público cantar como se não houvesse amanhã. Para fechar seu set, Ripper resolveu ampliar ainda mais a festa com dois clássicos absolutos do rock: "Highway to Hell" (AC/DC) e "Heaven and Hell" (Black Sabbath). Mesmo não fazendo parte de seu repertório tradicional, ambas incendiaram a plateia, principalmente quem não conhecia tão bem sua trajetória no Judas Priest. Na despedida, chamou ao palco o único brasileiro do quarteto: Edu Falaschi.

Edu iniciou sua apresentação com "Acid Rain", do álbum Rebirth (2001). As músicas seguintes também vieram de seu disco de estreia com o Angra: "Millennium Sun" e "Bleeding Heart". Esta última ganhou uma curiosa participação do público. Afinal, a música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, tornando-se um enorme sucesso na música popular brasileira. Não foram poucas as pessoas que cantavam junto com Edu... mas usando a letra da versão nordestina. 

Na sequência veio "Waiting Silence", do clássico Temple of Shadows (2004). Talvez não seja uma das mais conhecidas do público em geral, mas certamente é uma das preferidas deste que vos escreve. Durante sua apresentação, Edu comentou estar extremamente feliz por dividir o palco com três vocalistas que sempre admirou e ouviu desde jovem. Também aproveitou para convidar todos os presentes para seu show no próprio Tokio Marine Hall, marcado para agosto, dizendo que gostaria de reencontrar aquele público novamente. Seu set terminou em clima emocionante com "Rebirth" e "Heroes of Sand", duas das baladas mais marcantes de sua passagem pelo Angra.

A introdução de "One Love", do supergrupo W.E.T., já anunciava que era hora de Jeff Scott Soto assumir o comando. Era perceptível que parte do público não conhecia aquela música, mas isso não fez diferença. A energia de Jeff rapidamente conquistou todos, e bastaram alguns refrões para muita gente já tentar acompanhar a letra. Sem deixar a peteca cair, anunciou um clássico lançado nos anos 80 por uma banda muito conhecida: o Journey. Assim começou "Separate Ways". Nesse momento já não era mais apenas um show. Era uma verdadeira festa. Todo mundo pulando, cantando e comemorando junto com Soto e a excelente banda de apoio. Em uma pausa, Jeff brincou dizendo que ama tanto o Brasil que já está providenciando seu CPF para se tornar oficialmente brasileiro. A resposta veio imediatamente com o tradicional coro: "Vira, vira, vira... virou!". Uma brincadeira que acompanha suas passagens pelo país e faz referência às lendárias caipiroskas consumidas durante antigas turnês brasileiras. Soto contou que, em sua última visita, ouviu muitas reclamações sobre seu peso e decidiu procurar um médico nos Estados Unidos. O resultado? Adeus às caipiroskas, pão de queijo, brigadeiro e feijoada. Agora, segundo ele, apenas Sprite Zero.

Entre risadas, anunciou um momento muito especial. Disse que iria cantar uma música inédita em sua carreira para prestar homenagem a um dos maiores nomes da história do rock: Ozzy Osbourne, que completaria um ano de seu falecimento em 22 de julho. Após fazer o sinal da cruz, começou "Mama, I'm Coming Home". Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Jeff interpretou a música com enorme sensibilidade e arrancou aplausos calorosos. Obrigado por esse presente, Jeff. Logo depois, a bateria anunciou outro clássico de sua carreira: "I'll Be Waiting". Durante a execução, Soto simplesmente desceu para o meio da plateia e cantou cercado pelos fãs. Todos unidos em um único refrão: "If you need somebody, call out my name... I'll Be Waiting, right by your side." Foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. O tradicional medley de sua fase com Yngwie Malmsteen também marcou presença: "I Am a Viking / I'll See the Light Tonight". Para encerrar seu set, vieram "Coming Home", do Sons of Apollo — ocasião em que relembrou a participação de Felipe Andreoli nos shows brasileiros da banda substituindo Billy Sheehan — e "Stand Up", música da banda fictícia Steel Dragon, do filme Rock Star, na qual Jeff gravou os vocais.

Já passando da meia-noite, os quatro vocalistas voltaram ao palco para um grandioso encerramento com "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Convenhamos... Não poderia existir música mais apropriada para fechar uma noite como essa.

O Master of Voices não foi apenas uma sequência de apresentações individuais. Foi uma verdadeira celebração da história do hard rock e do heavy metal, reunindo quatro vocalistas consagrados, músicos impecáveis e um público que cantou cada refrão como se estivesse reencontrando velhos amigos. Uma festa daquelas que atravessam gerações. Daquelas noites que quem esteve presente jamais esquecerá.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: André Tavares

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music


Setlist - Velvet Chains

War

Ghost in the Shell

Dead Inside

Stuck Against the Wall

Wasted

Suspicious Minds

Wide Awake

Hurt Me

Sins

Dead in the Dead

How The Story Ends


Set List - Eric Martin

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Green-Tinted Sixties Mind

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush


Set List - Tim Ripper Owens

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Set List - Edu Falaschi

Acid Rain

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth(Angra cover)

Play Video

Heroes of Sand


Set List - Jeff Scott Soto

One Love

Separate Ways (Worlds Apart)

Mama, I'm Coming Home (Ozzy Osbourne cover)

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


All Singers

Living After Midnight (Judas Priest cover)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 11/07/2026 – Santo Rock Bar/SP

Quatro vozes históricas do rock dividem o mesmo palco em noite memorável no Santo Rock Bar

Em meio ao frio intenso que tomou conta de Santo André na noite de 11 de julho e à disputa das quartas de final da Copa do Mundo entre Suíça e Argentina, o público do Santo Rock Bar mostrou que havia espaço para duas paixões simultâneas: o futebol e o rock. Enquanto os televisores da casa exibiam a partida, fãs lotavam o tradicional palco do ABC Paulista para testemunhar um encontro praticamente impossível de acontecer há alguns anos.

Idealizado pela Top Link Music, o Masters of Voices reúne quatro vocalistas que ajudaram a escrever capítulos importantes da história do hard rock e do heavy metal mundial: Eric Martin (Mr. Big), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest, Iced Earth e atual KK's Priest), Jeff Scott Soto (Talisman, Journey, Yngwie Malmsteen, Sons of Apollo e W.E.T.) e Edu Falaschi (ex-Angra e Almah). O projeto percorre repertórios que marcaram diferentes gerações do rock, acompanhado por uma verdadeira seleção de músicos brasileiros formada por Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa e Leo Mancini (guitarras) e Edu Cominato (bateria).

Mesmo com um evento esportivo de enorme apelo acontecendo simultaneamente, a casa recebeu um excelente público. Durante boa parte da noite era comum ver fãs alternando olhares entre o palco e as televisões espalhadas pelo ambiente. Como diz o velho ditado, era literalmente "um olho no peixe e outro no gato".


ERIC MARTIN

Pontualmente por volta das 22h30, a banda subiu ao palco e recebeu o primeiro dos quatro convidados da noite. Eric Martin foi o responsável por abrir os trabalhos e apostou em uma decisão certeira: apresentar um repertório formado exclusivamente por sucessos do Mr. Big.

A abertura aconteceu em alta velocidade com "Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)", cartão de visitas perfeito para mostrar o nível técnico da banda brasileira. Os famosos duetos originalmente executados por Billy Sheehan e Paul Gilbert foram reproduzidos com extrema precisão por Felipe Andreoli e Leo Mancini, arrancando os primeiros aplausos mais entusiasmados da noite.

Na sequência veio uma das grandes joias escondidas da discografia do Mr. Big. Na opinião deste que vos escreve, "Take Cover", do excelente álbum Hey Man (1996), continua sendo uma das melhores composições da banda. Outro destaque foi o trabalho de Edu Cominato, que reproduziu com absoluta fidelidade a levada criada pelo saudoso Pat Torpey. Não por acaso, o baterista atualmente integra a própria formação do Mr. Big nas turnês da banda, mostrando que a escolha para substituir Torpey foi mais do que acertada.

Enquanto isso, o público seguia dividido entre o espetáculo musical e a partida da Copa. A cada movimentação perigosa da Argentina, alguns olhares rapidamente migravam para as telas, mas bastava Eric voltar a interagir com a plateia para que a atenção retornasse imediatamente ao palco.

Naturalmente, não poderiam faltar as baladas responsáveis por transformar o Mr. Big em um fenômeno comercial durante os anos 1990. A primeira delas foi "Wild World", releitura do clássico de Cat Stevens que muitos ainda acreditam ser uma composição da própria banda — ou, como brincam alguns brasileiros, até mesmo da dupla Pepe & Neném. O refrão foi cantado praticamente em uníssono, com Martin deixando diversas vezes que a plateia assumisse os vocais.

A energia voltou a subir com "Colorado Bulldog", mais uma demonstração do impressionante nível técnico dos músicos brasileiros. A execução não deixou absolutamente nada a dever às versões originais do quarteto americano.

Quando um violão foi entregue a Eric Martin, praticamente ninguém teve dúvidas sobre o que viria a seguir. Bastaram os primeiros acordes de "To Be With You" para transformar o Santo Rock Bar em um enorme coral. É impossível imaginar quantas milhares de vezes Eric já interpretou esse hit ao longo de sua carreira, mas o mais impressionante é perceber que ele continua cantando a música com o mesmo entusiasmo de quem a está apresentando pela primeira vez. Não havia uma única pessoa na casa que não conhecesse aquele que talvez seja um dos maiores clássicos do hard rock dos anos 1990.

O encerramento veio com "Addicted to That Rush" e "Green-Tinted Sixties Mind", concluindo um set impecável para qualquer fã do Mr. Big. Em pouco mais de meia hora, Eric Martin entregou exatamente o que o público esperava: uma coleção de clássicos interpretados por uma voz que, mesmo após décadas de estrada, continua surpreendentemente preservada.

Antes de deixar o palco, Martin apresentou o próximo convidado da noite: Tim "Ripper" Owens. A temperatura já era baixa do lado de fora, mas dali em diante o clima dentro do Santo Rock Bar mudaria completamente.

TIM "RIPPER" OWENS

Se Eric Martin ficou responsável por aquecer o público com uma sequência impecável de clássicos do hard rock, Tim "Ripper" Owens assumiu o palco disposto a elevar a temperatura de vez. E conseguiu.

Sem qualquer introdução mais longa, o ex-vocalista do Judas Priest entrou "com os dois pés no peito", abrindo sua apresentação com "The Hellion" seguida da clássica "Electric Eye". Embora ambas pertençam à era Rob Halford, são músicas que Ripper incorporou ao seu repertório durante os anos em que esteve à frente do Judas Priest, entre 1996 e 2003, período em que gravou os álbuns Jugulator (1997) e Demolition (2001). Desde então, sua interpretação dessas canções tornou-se uma marca registrada de seus shows.

A reação da plateia foi imediata. Se durante o set de Eric Martin ainda havia parte do público alternando a atenção entre o palco e a partida da Copa do Mundo, bastaram os primeiros gritos de Owens para que praticamente todos voltassem seus olhos para o espetáculo.

Na sequência, Ripper fez uma escolha que certamente agradou aos fãs mais dedicados da sua passagem pelo Priest. "Burn in Hell", do excelente Jugulator, apareceu no repertório e representou um dos grandes acertos da noite. Muitos dos presentes jamais tiveram a oportunidade de ouvir essa música ao vivo durante a passagem da banda pelo Brasil em 2001, tornando sua inclusão um presente para aqueles que acompanham a carreira do vocalista desde aquela época.

A apresentação prosseguiu com dois dos maiores clássicos da história do heavy metal: "Painkiller" e "Breaking the Law". Além da performance vocal impressionante de Owens — que continua alcançando os agudos característicos da fase Priest com notável segurança —, chamou novamente a atenção o desempenho da banda brasileira.

Edu Cominato merece um destaque especial. Quem acompanha sua trajetória sabe que o hard rock é muito mais frequente em sua carreira do que o heavy metal tradicional. Ainda assim, sua execução em "Painkiller", considerada uma das músicas mais desafiadoras para qualquer baterista, foi praticamente irretocável. Técnica, velocidade, resistência e precisão apareceram em abundância durante toda a música, comprovando mais uma vez o nível dos músicos escolhidos para acompanhar o projeto.

Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa e Leo Mancini também demonstraram enorme entrosamento ao reproduzir arranjos que fazem parte da história do metal mundial. Em nenhum momento houve a sensação de estarmos diante de uma banda de apoio. Pelo contrário: o quarteto brasileiro tocou com personalidade, mas sempre respeitando as versões originais.

O encerramento do set, entretanto, foi o único momento em que, particularmente, acredito que o repertório poderia ter sido melhor aproveitado.

Ripper optou por interpretar dois grandes clássicos do rock: "Highway To Hell", do AC/DC, e "Heaven and Hell", do Black Sabbath. São músicas irretocáveis e que, obviamente, funcionam em qualquer show de rock. A resposta da plateia foi positiva, com o público cantando e vibrando durante ambas as execuções.

Ainda assim, considerando o curto tempo disponível para cada vocalista, penso que essa era uma oportunidade perfeita para explorar um pouco mais da própria carreira de Tim Owens. Durante vários momentos era possível ouvir pessoas na plateia pedindo músicas de sua passagem pelo Iced Earth, fase extremamente respeitada pelos fãs do power e do heavy metal, ou até mesmo outro clássico do Judas Priest como "The Ripper", faixa que, inclusive, acabou se tornando responsável pelo apelido que acompanha o cantor há mais de quatro décadas.

É uma observação que não diminui em nada a qualidade da apresentação, mas fica aquela sensação de que havia material suficiente para tornar um set excelente em algo ainda mais memorável.

Seja como for, o saldo foi amplamente positivo. Para muitos presentes, Tim "Ripper" Owens entregou a performance mais intensa da noite até aquele momento. Sua presença de palco continua impressionante, a voz permanece extremamente potente e, sobretudo, ele demonstra o mesmo entusiasmo de quando assumiu uma das missões mais difíceis da história do heavy metal: substituir Rob Halford no Judas Priest.

Depois de uma verdadeira aula de heavy metal, o palco estava preparado para receber um artista de perfil completamente diferente, mas dono de uma das vozes mais versáteis do rock melódico: Jeff Scott Soto.

JEFF SCOTT SOTO

Se Tim "Ripper" Owens foi responsável pela descarga de adrenalina da noite, Jeff Scott Soto assumiu o palco representando o lado mais melódico do hard rock. Dono de uma das carreiras mais versáteis do gênero — com passagens por Yngwie Malmsteen, Talisman, Journey, W.E.T., Sons of Apollo, Trans-Siberian Orchestra e inúmeros projetos paralelos —, Soto talvez fosse o artista cujo repertório oferecia mais possibilidades para um set curto. E sua escolha para abrir a apresentação mostrou exatamente isso.

Quando os teclados de "One Love" começaram a soar, boa parte do público pareceu não reconhecer imediatamente a música. Se você que está lendo este review também não sabe de qual canção estou falando, vale a recomendação: trata-se de uma das mais belas composições do hard rock melódico moderno. Lançada no álbum de estreia do W.E.T., em 2009, ela reúne tudo aquilo que consagrou o estilo AOR: um refrão gigantesco, melodias marcantes e uma interpretação vocal impecável de Soto. Se ela ainda não faz parte da sua playlist, pare tudo quando terminar esta leitura e vá ouvi-la.

A entrada tinha tudo para ser apoteótica. Infelizmente, um problema técnico no microfone do vocalista interrompeu completamente o impacto daquele início. Durante os primeiros versos, simplesmente não havia voz alguma saindo no sistema de som. A banda precisou interromper a execução e reiniciar a música poucos instantes depois.

Foi um contratempo daqueles que acontecem em apresentações ao vivo e que, inevitavelmente, quebram o clima cuidadosamente construído para uma abertura de show. O momento perdeu parte da força que certamente teria se tudo funcionasse desde o primeiro acorde. 

Mas Jeff Scott Soto é um veterano de estrada. Longe de se deixar abalar pelo problema técnico, retomou a apresentação com o bom humor e a energia que sempre marcaram sua relação com o público brasileiro. Frequentador assíduo do país há mais de três décadas, Soto parece sentir-se em casa sempre que toca por aqui. Seu carisma continua sendo um diferencial, assim como a descontração no palco — incluindo as já tradicionais caipiroscas que frequentemente aparecem durante suas apresentações em terras brasileiras.

Na sequência veio um clássico absoluto do Journey: "Separate Ways (Worlds Apart)". Embora sua passagem pela banda tenha sido relativamente curta, entre 2006 e 2007, Soto sempre interpretou a música com enorme propriedade. A execução ganhou um ingrediente especial com a participação do excelente vocalista brasileiro BJ, integrante da banda de apoio de Jeff, responsável pelos teclados e backing vocals. A combinação das duas vozes funcionou perfeitamente e foi um dos pontos altos do set.

Em seguida, Soto revisitou sua banda mais emblemática, o Talisman, com "I'll Be Waiting". Curiosamente, uma das maiores composições de sua carreira acabou não encontrando a resposta esperada do público. Em praticamente todos os shows, Jeff costuma transformar o refrão em um enorme coro coletivo, conduzindo a plateia no tradicional trecho: "If you need somebody... call out my name... I'll be waiting... right by your side..."

Desta vez, porém, a interação simplesmente não aconteceu. Ficou evidente que boa parte dos presentes não conhecia a música, fazendo com que Soto rapidamente desistisse da tentativa de dividir os vocais e seguisse normalmente com a apresentação.

Foi um daqueles momentos que evidenciam um desafio inerente a um festival como o Masters of Voices. Reunindo artistas de carreiras tão distintas, é natural que parte do público conheça profundamente alguns repertórios e tenha menos familiaridade com outros.

A viagem pela carreira do cantor prosseguiu com uma homenagem aos tempos em que dividiu os palcos com o virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. O medley formado por "I Am a Viking" e "I'll See the Light Tonight" trouxe novamente à tona toda a capacidade técnica da banda brasileira, que executou duas das composições mais exigentes do neoclássico com enorme competência.

Até aquele momento, tudo funcionava muito bem. A única escolha de repertório que, na minha opinião, não encontrou espaço dentro do contexto do show foi "Coming Home", do Sons of Apollo.

É importante deixar claro: trata-se de uma excelente música. O problema não está na qualidade da composição, mas sim na ocasião. Em um set relativamente curto, voltado principalmente para grandes clássicos e canções capazes de estabelecer conexão imediata com um público bastante heterogêneo, a faixa acabou esfriando um pouco o andamento da apresentação. Ficou evidente que poucas pessoas conheciam a música, e isso diminuiu consideravelmente a resposta da plateia.

Talvez esse espaço pudesse ter sido ocupado por outro clássico do Talisman, alguma faixa do próprio Journey ou até mesmo por uma música da fase com Yngwie Malmsteen. São escolhas que provavelmente teriam provocado um impacto maior no público presente.

O encerramento, por outro lado, recolocou a apresentação nos trilhos. Jeff fechou seu set com "Stand Up", música eternizada no filme Rock Star (2001). A faixa, atribuída à banda fictícia Steel Dragon e interpretada no longa pelo personagem Chris Cole, vivido por Mark Wahlberg, tornou-se um verdadeiro hino entre os fãs de hard rock desde o lançamento do filme. Era impossível escolher uma despedida mais apropriada.

Mais uma vez, Jeff Scott Soto demonstrou por que é considerado um dos vocalistas mais completos de sua geração. Sua voz permanece extremamente consistente, o carisma continua intacto e sua presença de palco faz parecer que ele está se divertindo tanto quanto o público.

Era a deixa perfeita para a entrada do último vocalista da noite. E, para os fãs brasileiros de metal melódico, talvez aquele fosse o momento mais aguardado do espetáculo.

Edu Falaschi estava prestes a assumir o comando do palco.


EDU FALASCHI

Depois de uma viagem pelo hard rock norte-americano e pelo heavy metal britânico, coube ao único representante brasileiro do evento encerrar a sequência individual de apresentações. E Edu Falaschi fez exatamente aquilo que a maioria dos presentes esperava.

Sempre extremamente comunicativo e bem-humorado, o vocalista entrou no palco saudando o público antes de abrir sua participação com "Acid Rain", primeiro grande sucesso de sua trajetória no Angra e também o cartão de visitas de sua estreia na banda após a difícil missão de substituir o saudoso André Matos.

Passados mais de vinte anos desde o lançamento de Rebirth (2001), impressiona como essas músicas continuam funcionando ao vivo. Não apenas pela qualidade das composições, mas pela identificação que uma geração inteira de fãs criou com esse repertório.

Na sequência vieram "Heroes of Sand", "Millennium Sun" e "Bleeding Heart", formando um verdadeiro desfile de clássicos daquele álbum que, para muitos fãs — entre os quais este que vos escreve —, representa o ponto mais alto da fase de Edu Falaschi no Angra. Entre todas elas, "Bleeding Heart" acabou proporcionando um momento curioso e bastante divertido.

No Brasil, a música ganhou uma vida completamente diferente quando foi regravada em ritmo de forró sob o título "Agora Estou Sofrendo", tornando-se um sucesso muito além do universo do heavy metal. Não foram poucos os presentes que, em tom de brincadeira, cantaram trechos da versão em português durante a execução da música, arrancando sorrisos do próprio Edu e mostrando o tamanho que sua composição alcançou ao longo dos anos.

Naturalmente, Temple of Shadows também não poderia ficar de fora. Representando aquele que é considerado por muitos um dos maiores álbuns da história do metal brasileiro, Edu escolheu "Waiting Silence", mais uma interpretação segura de uma música que permanece entre as favoritas dos fãs.

Um detalhe bastante interessante dessa apresentação era observar quem dividia o palco com Falaschi. No baixo estava Felipe Andreoli, músico que participou das gravações originais de todas essas canções nos álbuns Rebirth e Temple of Shadows. Na guitarra, Marcelo Barbosa, atual integrante do Angra, completava essa curiosa conexão entre passado e presente da banda.

Em tom de brincadeira, pode-se dizer que o "Angraverso" estava “ON” naquela noite.  O encerramento veio com chave de ouro através da emocionante "Rebirth".

Enquanto os últimos acordes ecoavam pelo Santo Rock Bar, a Argentina confirmava sua classificação sobre a Suíça e avançava para as semifinais da Copa do Mundo. Mais uma vez, futebol e rock dividiram espaço na mesma noite, mas naquele momento era difícil encontrar alguém prestando mais atenção às televisões do que ao palco.

Edu encerrou sua participação sob fortes aplausos, concluindo uma apresentação que reafirmou por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do heavy metal brasileiro.

O GRANDE ENCONTRO

Se a proposta do Masters of Voices era reunir quatro grandes cantores da história do rock em um mesmo palco, ainda faltava um último capítulo. E ele veio da melhor forma possível.

Com os quatro vocalistas reunidos diante do público, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens, Jeff Scott Soto e Edu Falaschi dividiram os vocais em "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Mais do que uma simples jam de encerramento, aquele momento simbolizava exatamente o espírito da turnê.

Ver artistas que construíram carreiras tão diferentes compartilhando o mesmo palco, trocando sorrisos entre si e demonstrando um respeito mútuo evidente foi um privilégio para quem esteve presente. São encontros raros, daqueles que dificilmente se repetem com a mesma formação.

Foi, literalmente, uma conjunção de astros.

Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy 

Take Cover

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush

Green-Tinted Sixties Mind


Tim "Ripper" Owens – setlist:

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Jeff Scott Soto – setlist:

One Love

Separate Ways

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


Edu Falaschi – setlist:

Acid Rain

Heroes of Sand

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth


Todos

Living After Midnight (Judas Priest cover)

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Cobertura de Show – U.D.O. & Tim ‘Ripper’ Owens – 27/04/2023 – Bar Opinião/RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Uillian Vargas

 

O dia 27/04 marcou a capital gaúcha pelo encontro histórico entre os vocalistas U.D.O. (ex-Accept) e Tim Owens (ex-Judas Priest). Tim retornava ao RS depois de 6 anos de sua última passagem e retornava ao Bar Opinião depois de 22 anos quando se apresentou ao lado do Judas em 2001.

Já o Metal Heart U.D.O. debutava em solo gaúcho e os fãs estavam fervorosos por esse encontro, já que para muitos ele é o próprio Accept.

Com um ótimo público presente, pontualmente as 21h as luzes se apagam e Tim ‘Ripper’ inicia seu show de forma espetacular, já que o set em questão seria apenas de clássicos do Judas Priest, tanto de sua Era como da de Halford, e nada melhor que “Metal Gods” iniciar os trabalhos e levantar o público!

Logo em seguida tivemos a clássica pergunta de Tim: “What's my name”? E todos já sabiam que “The Ripper” daria as caras de forma magistral. Assim como “Burn In Hell” (que pertence a sua fase com o Judas no incrível “Jugulator” – 97) veio em um clima apocalíptico sendo um dos melhores momentos do show e mostrando que Tim Owens segue em ótima forma vocal, com seus agudos estridentes incrivelmente altos e afinados.

Um set especial ao Judas Priest não poderia faltar a emblemática “Painkiller” e que vale destacar a excelente banda de apoio (que tiveram a árdua missão de ser de ambos os vocalistas) formada por: Wagner Rodrigues e Johnny Moraes (Hevilan) nas guitarras e Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria), tocando fielmente cada nota e deixando o clima ainda mais arrebatador.

“Hell Is Home” de sua época com “Demolition” (01) deu as caras e sendo uma das melhores músicas do Judas até hoje, mas negligenciada pela banda após a saída de Owens. Assim como “One On One”, levantando a galera e ressaltando a importância de sua época na banda britânica.

Tivemos ainda “Hell Bent For Leather” e o encerramento com a clássica “Electric Eye”. Ainda aos gritos dos presentes de: “Ripper, Ripper, Ripper” o mesmo anuncia que agora é a hora do U.D.O. e o baixinho entra em cena para delírio dos fãs ávidos por sua passagem pelo Accept.

“Starlight” abre os caminhos para deixar o público alvoroçado e cantando a plenos pulmões e sem tempo para respirar: “Living For Tonight”, “Midnight Mover” e “Breaker” chegam como um furacão e lavam as almas dos fanáticos pela sua fase de ouro na banda alemã (me incluo neles!).

O carisma e a simples presença de palco do baixinho é contagiante e com poucas palavras ganha os fãs, até mesmo quando cometeu uma pequena “gafe” dizendo que era um prazer estar retornando a Porto Alegre, sendo que o mesmo nunca tinha tocado aqui, mas nada que estragasse um momento tão mágico e único de assisti-lo. Para na sequência irmos as lágrimas com “Princess Of The Dawn”, “Fast As a Shark” e “Metal Heart”!

Finalizando obviamente com seu maior clássico: “Balls To The Wall”. Para fechar com chave de Metal, U.D.O. chama ao palco Tim ‘Ripper’ e ambos nos proporcionam mais dois clássicos do Judas, as batidas, mas não menos empolgantes, “Breaking The Law” e “Living After Midnight”.

O som estava satisfatório, com alguns pequenos problemas que foram ajustados no decorrer, mas nada que estragasse o espetáculo. A iluminação de certa forma também satisfatória, mas o excesso de luzes vermelhas e gelo seco estraga a visão até mesmo de quem está assistindo, agora imagina para os fotógrafos. Fica a dica.

Uma noite dedicada aos clássicos em Porto Alegre que valeu cada segundo.

 

sábado, 19 de janeiro de 2019

Entrevista - The Three Tremors: Trazendo o Puro Heavy Metal aos Die Hard Metalheads!



O The Three Tremors surgiu da vontade de Sean "The Hell Destroyer" Peck (Cage, Denner/Shermann, Death Dealer, Warrior) em tornar realidade uma antiga especulação ou lenda urbana, de um projeto que reuniria três grandes vozes do Heavy Metal tradicional, seriam os "Três Tremores" (sendo o nome um trocadilho com os Três Tenores) Bruce Dickinson, Rob Halford e Dio ou Geoff Tate.   (English Version click Here)

Sean então buscou os companheiros ideiais para construir essa usina de puro heavy metal, e os nomes de Tim "Ripper Owens" (Judas Priest, Iced Earth, Malmsteen, Charred Walls of Damned) e Harry "The Tyrant" Conklin (Jag Panzer, Titan Force, Satan's Host) foram os primeiros da lista, e estes compraram e incorporaram a ideia. 

A próxima tarefa seria então começar a compor o álbum de estreia da banda, e agora neste início de 2019, o debut autointitulado acaba de ser lançado, e os Três Tremores estão prontos para levar o Heavy Metal em sua pura essência aos Metal Heads do todo o mundo, em petardos atemporais trazendo o que o estilo apresenta de melhor! Confira a conversa que tivemos com Sean e Harry para saber mais da banda e o que eles nos reservam!


RtM: Sean, quando você decidiu fazer sua versão de The Three Tremors inspirada na "lenda urbana" ou especulação de anos atrás, que características você achou que seriam necessárias para os músicos que formariam este projeto?
Sean Peck: Bem, é claro que eu queria que dois dos melhores cantores de metal da história do gênero estivessem envolvidos, e acho que consegui os melhores caras que existem. Harry e Tim são cantores extremamente poderosos, e podem esmagar qualquer outra pessoa. Eu canto com eles ao vivo todas as noites, confie em mim, eu sei, eles são incríveis. Também ajuda que eles realmente gostem da banda. Nós nos tornamos um grupo fechado.


RtM: Harry, quando você recebeu o convite para fazer parte dos T3, como foi sua reação, e o que você imaginou para o grupo?
Harry Conklin: Minha reação inicial foi ótima! Eu adoraria fazer parte disso. Não imaginei. Só sabia que seriamos ótimos juntos e teríamos uma boa química.


RtM: Sean, conte-nos sobre os contatos iniciais com Harry e Tim, e qual foi a reação deles quando você falou sobre a ideia do projeto?
Sean Peck: Tim foi o primeiro cara que eu falei sobre isso, e em nossa primeira conversa ele já estava totalmente envolvido. Eu estava realmente animado que ele concordou imediatamente em estar na banda. Eu não tinha as música prontas ainda, então foi um ano ou dois antes de realmente começarmos a gravar. O Harry eu encontrei em uma festa na Alemanha, em 2014, e perguntei a ele sobre isso e ele estava disposto também. Nós então sabíamos que tínhamos nosso line-up pronto, daí começamos a escrever o disco. Ambos gostaram do conceito e, felizmente, acabaram gostando das músicas que escrevemos para eles.

"Este estilo de metal que nós entregamos no álbum do TheThree Tremors é um som atemporal, que daqui a 100 anos seguirá fazendo algumas cabeças balançar!"
RtM: E sobre a inspiração naquela antiga especulação que se chamaria The Three Tremors, você gostaria de ver um projeto realizado com Dickinson, Halford e Tate no futuro?
Sean Peck: Isso seria incrível. Eu pessoalmente gostaria que eles conseguissem outra pessoa no lugar do Tate, se eu pudesse fazer do meu jeito ha! Seria ótimo se isso de alguma forma os motivasse a fazer sua versão dos Três Tremores e pudéssemos fazer uma turnê como os seis Tremores! Mas, sério, o que temos agora é uma versão americana da ideia e é a única versão. Essa é a razão pela qual fizemos isso, para torná-la real e realizar a profecia, principalmente para os fãs de metal.
Harry Conklin: Não me importo com isso no momento. Eles tiveram a chance de brilhar agora, é nossa !!


RtM: No release do álbum, enviado pela assessoria de imprensa, há um comentário seu de que a versão atual do T3 terá sucesso onde a versão original falhou. Que fatores você vê como trunfos e sucessos do projeto atual e em que a ideia original falhou e acabou não se tornando uma realidade?
Sean Peck: Bem, se essas lendas fizessem isso acontecer, sem dúvida, seria bem sucedido, todos, incluindo eu, gostariam de ver isso. Harry e eu somos músicos bem menos conhecidos, o que é óbvio, então estamos começando como uma nova banda do zero. Eu estava me referindo ao fato de que eles não completaram a missão devido a uma variedade de razões. 

Uma delas foi o pensamento de que simplesmente seria muito difícil do ponto de vista de composição e produção musical, e é algo que neste ponto eu entendo. Foi uma jornada muito longa e difícil para chegar a este ponto, e isso exigiu muito trabalho. Estamos super animados com os resultados, então valeu a pena. O fato de que se dizia que a tarefa em si era um fator que dificultou os antigos metal godz a não a completarem, foi outra coisa que nos levou à linha de chegada.

Harry Conklin: Eu não tenho todos os fatos sobre a formação original de anos atrás. Dickinson, Tate, Halford nunca lançaram um álbum. O CD dos 3 Tremors é todo original e fresco. Temos um produto e uma banda (músicos do Cage) para apoiar nosso empreendimento. Até agora nada falhou. É tudo de bom. O benefício para os fãs é ver grandes talentos de cada um de nós!
Somos TODOS Metalheads e nos divertimos trazendo essas músicas incríveis para as pessoas


RtM: E como foi o processo de composição? E como vocês planejaram em como as partes de cada um seriam divididas nas músicas?
Sean Peck: A banda (formada por músicos do Cage) e eu escrevemos as músicas e mandamos a Harry e Tim uma versão completa das faixas. Os dois então cantaram uma versão completa e depois nós começamos a montá-las. Depois de ouvir cada versão tipo umas 100 vezes, eu criava um layout que eu achava que soaria melhor e que acabou funcionando muito bem. Eu escrevi todas as letras e melodias vocais, Tim e Harry adicionaram seu estilo pessoal,  e os resultados foram fantásticos.

Harry Conklin: As músicas estavam todas terminadas. Fui adicionando o meu estilo às músicas com diferentes harmonias ou efeitos. Nós 3 cantamos cada música na íntegra (vocais principais, harmonia, arranjos), depois cada parte foi mixada pelo produtor e depois ouvida antes das edições finais.


RtM: Eu acredito que, pensando em como seriam as versões ao vivo, foi muito trabalhoso em se tratando de compor e arranjar as músicas do álbum.
Sean Peck: Bem, nós deixamos de fora a performance ao vivo na maneira de como o álbum foi arranjado. Nós fazemos algumas adições, e é legal, porque faz cada show um pouco diferente. Foi uma quantidade enorme de trabalho para realmente acertar o álbum. Dave Garcia, o guitarrista, fez um ótimo trabalho misturando o disco e é legal e balanceado.

"Somos TODOS Metalheads e nos divertimos trazendo essas músicas incríveis para as pessoas."

RtM: Alguma das músicas em particular exigiu mais de vocês em termos de alcance ou técnica vocal?
Sean Peck: Sim, nós fizemos as músicas de modo que tivessem grandes ganchos, e levando-as além do topo, vocalmente falando, onde fazia sentido. Para qualquer um que queira ouvir alguns berros dos mais poderosos, este álbum será prazeroso. Este é o ponto principal. Ripper fez algumas coisas que me impressionaram. Eu nunca tinha ouvido ele fazer algumas coisas como as que ele fez neste álbum. Ele realmente me surpreendeu. Harry fez a mesma coisa incrível. Eu tenho alguns dos meus melhores trabalhos também lá. Eu mandei as faixas para os caras seguirem e eu não facilitei em nada para eles ha!! Canções como "When the Last Screm Fades", "Speed to Burn", "Bullets for the Damned" e "Pit Shows no Mercy" são brutais no departamento vocal.

Harry Conklin: Não. Foi bastante desafiador sim, mas ainda assim um trabalho de amor.


RtM: Já existem várias resenhas muito positivas, essas primeiras reações lhe deram boas expectativas sobre o sucesso e a aceitação do projeto? Eu também percebi que a campanha na Pledge Music está indo muito bem.
Sean Peck: Sim, com certeza. Como vocês sabem, já tocamos 17 shows ao vivo e experimentamos a reação do público a essas músicas. Eles amaram todas as que tocamos. Os pedidos na pré venda foram incríveis demais, superando as expectativas. Os fãs estão realmente nos abraçando, e uma vez que eles o virem ao vivo, ele continuará crescendo. O fato de que é uma banda de verdade e não apenas um projeto, acho que acrescenta mais validade a ele e eles sabem que, apoiando-o, ele não vai simplesmente desaparecer um dia. Isso vai rodar por aí por algum tempo, é o que se está percebendo. Temos todos os tipos de tours e shows planejados que nos tomarão até 2021!

Harry Conklin: Sim. A campanha de pré-venda está indo muito bem e a turnê está indo bem também. Os fãs têm um show fantástico reservado para eles.


RtM: Falando um pouco sobre as músicas, temos doses generosas de Heavy Metal em sua essência pura, trazendo esse sentimento principalmente de grandes momentos dos anos 80, de lendas como Judas Priest, Maiden, Saxon etc. Em sua visão, quais elementos são essenciais para uma ótima música Heavy Metal? Eu também acredito que um dos grandes segredos é fazer músicas que você gostaria de ouvir.
Sean Peck: Eu escrevo músicas do ponto de vista de fãs de metal. Se isso me balançar e me der arrepios, então eu sei que provavelmente vai provocar o mesmo nos fãs de metal. Este álbum nós realmente fizemos rápido e thrashy. Pode até ser um pouco demais para algumas pessoas lidarem, ha !! Todas aquelas bandas que você nomeou mais coisas como WASP e Metal Church, Crimson Glory, Savatage, Agent Steel, coisas excitantes como essas realmente me motivam. Mas desse tipo de metal é onde todos os outros sub-gêneros derivam, então sim, é a essência pura como você a chama.

Harry Conklin: Batida pesada, guitarras cortantes, melodias vocais fortes e riffs super memoráveis. Todos esses elementos estão contidos no CD 3 Tremors,

"Escrevo músicas do ponto de vista de fãs de metal. Se isso me der arrepios, então eu sei que provavelmente vai provocar o mesmo nos fãs"
RtM: Entre as músicas que se destacaram mais aos meus ouvidos estão faixas que seguem uma linha mais moderada, onde acho que as três vozes se destacam mais, como "Sonic Suicide", "When the Last Scream Fades" e "The Three Tremors", por exemplo. Eu gostaria que vocês comentassem um pouco mais sobre elas.
Sean Peck: Eu amo essas músicas. "Sonic Suicide" tem grandes ganchos e um ótimo refrão. Tem uma vibe de hard rock real e a parte do meio é muito heavy metal. "When the Last Scream Fades (Quando o último grito se desvanece) é uma música super legal. Eu amo as partes intro e outro e o resto da música é como Painkiller, com certeza. "The Three Tremors" foi a última música que escrevemos. Os riffs foram tão bons que decidimos adicionar mais uma música no álbum. Nós fechamos o show ao vivo com essa música e é a nossa música homônima, então as letras são divertidas descrevendo a jornada da banda.

Harry Conklin: Eu também gosto das musicas pesadas melódicas/lentas, mas... “The PIT” e “SPEED TO BURN” são músicas matadoras! O álbum inteiro é uma peça épica de “metal must have”.


RtM: "Wrath of Asgard" também segue um ritmo mais cadenciado, e é também uma das minhas favoritas. Tem uma atmosfera muito épica, e acredito que funcionará muito bem ao vivo. Eu gostaria que vocês falassem um pouco mais sobre essa música.
Sean Peck: Sim, essa música realmente parece ser uma das favoritas dos fãs até agora. Ela é matadora, e aquele riff principal é o tipo de material o qual os deuses do metal são feitos! Teremos um ótimo vídeo ao vivo para ela em breve. Essa música realmente faz a platéia balançar.

Harry: "Wrath of Asgard" é uma típica faixa para bater cabeça, muito "heavy" nos riffs e melodias. Os fãs adoraram essa música! Tem todos os elementos de uma ótima música heavy metal.


RtM: Entre as faixas mais rápidas, minhas favoritas são "Fly or Die", que me lembrou do "Aces High" do Maiden, incluindo o tema das letras, e "Lust of the Blade", alternando momentos rápidos com outros moderados. Ambas têm ótimos refrãos também. Eu gostaria que vocês comentasse um pouco mais sobre essas duas músicas.
 Sean Peck: "Fly or Die" todo mundo está dizendo que é a "nova Aces High". Eu amo ouvir isso! Ela é muito divertida de se tocar ao vivo. Sempre me deixa aceso e empolgado. Foi legal ter a voz real do Presidente Roosevelt e seu famoso discurso lá para criar a vibe. "Lust of the Blade" realmente cresceu em mim. Essa foi uma das primeiras músicas que fizemos e eu pessoalmente gostei, mas não fiquei tão empolgado de início. Ao vivo funciona muito bem e Ripper tem aquela parte super legal no meio, onde ele diz: "Eu sou o Estripador, eles me chamam pelo nome ..." Eu sabia que escrever uma música sobre Jack The Ripper seria perfeito para essa banda!

Harry: "Fly or Die" é um trem bala. Muito excitante. Divertida de cantar e divertida para a multidão cantar junto. Pode ter uma influência de “Iron Maiden”, mas estes são os nossos heróis, então porque não? "Lust of the Blade" é muito obscura e legal, com um refrão altamente memorável, também é a música-tema de Tim de certa forma.


RtM: E sua preferência pessoal? Eu sei que pode ser difícil escolher, mas quais músicas vocês mais gostaram de cantar e acham que funcionam melhor ao vivo?
Sean Peck: Bem, eu estava muito feliz por ver que todas as músicas foram muito bem tocadas. Nós tocamos todos as 12 todas as noites. Eu realmente me divirto fazendo Fly or Die, Bullets for the Damned, Speed ​​to Burn e Wrath of Asgard com certeza.

Harry: Todos nós temos nossas preferidas neste álbum. A minha  é "The Pit Shows no Mercy".


RtM: E na sua opinião, vocês dois que estão na estrada há cerca de três décadas, em grupos como Cage e Jag Panzer, que trazem em sua sonoridade as raízes do estilo, há novos nomes bons na cena atual do Metal? Que novas bandas vocês ouviram e veem um futuro para elas?
Sean Peck: Sim, há muitas coisas legais por aí. A nova leva de bandas de speed metal e bandas de thrash metal foi realmente emocionante de ver. Bandas mais novas como THEM e STRIKER, e caras mais velhos que estão de volta como FIFTH ANGEL e FLOTSAM e JETSAM com novos álbuns, realmente mantiveram a cena viva e chutando. Há tantas bandas novas por aí para descobrir que é realmente um ótimo momento para o heavy metal.

Harry: Desculpe, não acompanho as tendências atuais nos dias de hoje.


RtM: E os últimos lançamentos de gigantes, por exemplo, como Judas Priest e Saxon, os dois lançaram álbuns mais novos, Iron Maiden e Sabbath? O que você acha? E mesmo sem membros originais, é bom para a cena que eles ainda produzam e façam shows?
Sean Peck: O novo álbum do Priest foi ótimo. O último álbum do Maiden foi apenas ok para mim. Maiden não faz um novo álbum matador fazem décadas desde que Bruce voltou, mas eles realmente não têm nada a provar, porque eles são Maiden, ha! O novo álbum do Saxon está matador e eu os vi ao vivo com o Priest e eles quebraram tudo. Eu adoraria ouvir algumas coisas novas do Tony Iommi novamente, ele é o mestre dos riffs pesados. Eu tenho ingressos para ver o Maiden em Los Angeles este ano, então sim, todos eles devem se manter em cena.

Harry: Amei a produção que esses álbuns tiveram. Eles são fantásticos e agressivos. O fato de que essas bandas ainda estão mantendo o metal forte é incrível. O álbum Three Tremors está ali junto com eles. Trazendo heavy metal tradicional para os die hards que ainda estão por aí procurando algo legal, fresco e agressivo.


RtM: E as bandas com sons mais "modernos" estão contribuindo ou apenas segregando ainda mais o estilo, servindo muito para mais interesses de mercado e tomando o espaço dos grupos com mais qualidade?
Sean Peck: Na música você tem que apenas tocar o que está no seu coração de metal e se alguém mais gostar, veja isso como um bônus. Pessoas que tentam perseguir tendências e estilos logo descobrirão o quão insatisfatório é fazer isso e uma grande perda de tempo. A qualidade na música está nos ouvidos do ouvinte e não é justo dizer o que é merda e o que não é. Acredito que este estilo de metal que nós entregamos no álbum do TheThree Tremors é um som atemporal, que daqui a 100 anos seguirá fazendo algumas cabeças balançar!

Harry: Música é uma expressão. Não tem limites. Esticar os limites da imaginação é o que importa.

"Na música você tem que apenas tocar o que está no seu coração de metal"
RtM: Finalizando, como está a demanda por shows já? Você acha que a tour do T3 terá um amplo alcance? Pessoalmente, estou realmente ansioso para shows aqui na América do Sul, e pelo que tenho visto do interesse dos leitores no material que postei no Road to Metal e outros veículos, as chances são grandes.
Sean Peck: Sim, estamos muito animados em ir logo para aí. Uma vez que tivermos nossa agenda organizada, parece que é o primeiro da lista. Temos praticamente todos os territórios no mapa em vista e várias ofertas chegando. O show ao vivo é realmente incrível e é uma coisa super única. Os fãs sul-americanos vão adorar!

Harry: Os shows estão pesados ​​em comparecimento e energia. Não perca algo mágico, poderoso, agressivo e excitante que nunca poderá ser visto novamente. Adquira seus ingressos agora antes de esgotar!!


RtM: Fica o espaço final para a sua mensagem para os fãs! Obrigado pela sua atenção, espero vê-los em breve na estrada!
Sean Peck: Estamos muito animados  Os fãs de metal sul-americanos vão adorar!
Harry: Mantenha-se fiel ao seu coração e não tenha medo de superar seus limites!! Vá pegar seus ingressos AGORA!!!

Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Thanks To: Sean, Harry and Chip Ruggieri

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