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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 18/07/2026 – Tokio Marine Hall/SP

MASTER OF VOICES TRANSFORMA O TOKIO MARINE HALL EM UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL

Mais uma noite histórica para os amantes do hard rock e do heavy metal, desta vez em São Paulo. O Tokio Marine Hall recebeu o espetáculo Master of Voices, reunindo quatro grandes vozes do gênero em um verdadeiro desfile de clássicos. No palco, Tim "Ripper" Owens, Eric Martin, Jeff Scott Soto e o brasileiro Edu Falaschi revisitaram sucessos de bandas como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra e muitos outros projetos que marcaram gerações de fãs.

A responsabilidade de abrir a noite ficou com a banda norte-americana Velvet Chains, de Los Angeles, que subiu ao palco pontualmente às 20h50, exatamente no horário prometido. Divulgando seu terceiro EP, Last Rites, o grupo apresentou um som que mistura heavy metal moderno, hard rock e influências de nu metal. Mesmo diante de um público que praticamente desconhecia seu repertório, a banda conseguiu conquistar a plateia com muita energia. O momento de maior interação aconteceu durante o cover de "Suspicious Minds", clássico eternizado por Elvis Presley, apresentado em uma roupagem moderna, pesada e com aquela característica pegada do rock de Los Angeles. O público rapidamente embarcou no refrão conhecido. 

Liderado pelo vocalista Chaz Terra, o quinteto mostrou um set direto, sem enrolação, deixando claro o potencial que possui para se tornar uma das próximas revelações da cena mundial do metal. Singles recentes como "Hurt Me" e "Dead In The Head" evidenciam bem esse momento da banda. Vale destacar também a performance extremamente energética da dupla de guitarristas Von Boldt e Philip Paulsen, que dominaram o palco durante toda a apresentação. Antes de deixar o palco, o Velvet Chains prometeu voltar em breve ao Brasil e pediu que o público comparecesse novamente aos próximos shows.

Pontualmente às 22h, subiu ao palco o primeiro dos Masters of Voices: Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big. Sempre muito bem-humorado, iniciou sua apresentação com a incrível "Daddy, Brother, Lover, Little Boy", emendada com a maravilhosa "Take Cover", colocando o público imediatamente no clima da festa. Na sequência veio "Green-Tinted Sixties Mind", transformando o Tokio Marine Hall em um grande coro. Com o violão em mãos, Eric fez um divertido passeio por clássicos do rock, tocando trechos de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) e "Sweet Home Alabama" (Lynyrd Skynyrd), preparando o terreno para outro grande clássico: "Wild World", de Cat Stevens, eternizada na sua voz no Mr. Big. Durante todo o show, Eric fez questão de rasgar elogios à banda brasileira que o acompanhava: Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Edu Cominato (Mr. Big/Spektra) e Leo Mancini (Elektra e ex-Shaman). E não foi exagero. Nenhum deles deixa absolutamente nada a desejar aos músicos originais que gravaram aqueles clássicos. A prova veio logo depois com "Colorado Bulldog", uma das músicas mais técnicas do repertório do Mr. Big, executada de forma impecável.

Voltando ao violão, Eric comentou sobre sua frequente presença no Brasil e declarou o carinho que sente pelo público brasileiro. Então soltou a frase: "I am the one who wants to be with you..." Era a deixa para "To Be With You". O resultado foi emocionante: praticamente todo o Tokio Marine Hall cantou junto. Inclusive seguranças, bombeiros e funcionários do bar pareciam acompanhar a música. Eric encerrou seu set com "Addicted to That Rush" e chamou ao palco o ex-vocalista do Judas Priest, Tim "Ripper" Owens.

A entrada de Ripper aconteceu ao som da introdução "The Hellion", executada ao vivo pela banda — diferentemente da versão original do Judas Priest, que utiliza playback. Logo em seguida veio "Electric Eye", fazendo o Tokio Marine Hall literalmente explodir. Com um som pesado, extremamente coeso e muito bem regulado, Tim apresentou uma performance impecável. Seus agudos continuam impressionantes e sua voz permanece poderosa. Não por acaso, foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite. 

Na sequência veio "Burn in Hell", representante de sua fase no Judas Priest durante o álbum Jugulator (1997). Sempre muito simpático e humilde, Ripper agradeceu a Eric Martin por estar abrindo um show dele, dizendo que jamais imaginou viver algo assim. Demonstrando ainda mais humildade, apresentou todos os músicos dizendo que eram excelentes instrumentistas e brincou afirmando que provavelmente todos eram mais famosos do que ele. 

Após apresentar o baterista Edu Cominato, veio a introdução de "Painkiller", talvez um dos maiores hinos da história do heavy metal. Falando em hinos, "Breaking the Law" fez o público cantar como se não houvesse amanhã. Para fechar seu set, Ripper resolveu ampliar ainda mais a festa com dois clássicos absolutos do rock: "Highway to Hell" (AC/DC) e "Heaven and Hell" (Black Sabbath). Mesmo não fazendo parte de seu repertório tradicional, ambas incendiaram a plateia, principalmente quem não conhecia tão bem sua trajetória no Judas Priest. Na despedida, chamou ao palco o único brasileiro do quarteto: Edu Falaschi.

Edu iniciou sua apresentação com "Acid Rain", do álbum Rebirth (2001). As músicas seguintes também vieram de seu disco de estreia com o Angra: "Millennium Sun" e "Bleeding Heart". Esta última ganhou uma curiosa participação do público. Afinal, a música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, tornando-se um enorme sucesso na música popular brasileira. Não foram poucas as pessoas que cantavam junto com Edu... mas usando a letra da versão nordestina. 

Na sequência veio "Waiting Silence", do clássico Temple of Shadows (2004). Talvez não seja uma das mais conhecidas do público em geral, mas certamente é uma das preferidas deste que vos escreve. Durante sua apresentação, Edu comentou estar extremamente feliz por dividir o palco com três vocalistas que sempre admirou e ouviu desde jovem. Também aproveitou para convidar todos os presentes para seu show no próprio Tokio Marine Hall, marcado para agosto, dizendo que gostaria de reencontrar aquele público novamente. Seu set terminou em clima emocionante com "Rebirth" e "Heroes of Sand", duas das baladas mais marcantes de sua passagem pelo Angra.

A introdução de "One Love", do supergrupo W.E.T., já anunciava que era hora de Jeff Scott Soto assumir o comando. Era perceptível que parte do público não conhecia aquela música, mas isso não fez diferença. A energia de Jeff rapidamente conquistou todos, e bastaram alguns refrões para muita gente já tentar acompanhar a letra. Sem deixar a peteca cair, anunciou um clássico lançado nos anos 80 por uma banda muito conhecida: o Journey. Assim começou "Separate Ways". Nesse momento já não era mais apenas um show. Era uma verdadeira festa. Todo mundo pulando, cantando e comemorando junto com Soto e a excelente banda de apoio. Em uma pausa, Jeff brincou dizendo que ama tanto o Brasil que já está providenciando seu CPF para se tornar oficialmente brasileiro. A resposta veio imediatamente com o tradicional coro: "Vira, vira, vira... virou!". Uma brincadeira que acompanha suas passagens pelo país e faz referência às lendárias caipiroskas consumidas durante antigas turnês brasileiras. Soto contou que, em sua última visita, ouviu muitas reclamações sobre seu peso e decidiu procurar um médico nos Estados Unidos. O resultado? Adeus às caipiroskas, pão de queijo, brigadeiro e feijoada. Agora, segundo ele, apenas Sprite Zero.

Entre risadas, anunciou um momento muito especial. Disse que iria cantar uma música inédita em sua carreira para prestar homenagem a um dos maiores nomes da história do rock: Ozzy Osbourne, que completaria um ano de seu falecimento em 22 de julho. Após fazer o sinal da cruz, começou "Mama, I'm Coming Home". Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Jeff interpretou a música com enorme sensibilidade e arrancou aplausos calorosos. Obrigado por esse presente, Jeff. Logo depois, a bateria anunciou outro clássico de sua carreira: "I'll Be Waiting". Durante a execução, Soto simplesmente desceu para o meio da plateia e cantou cercado pelos fãs. Todos unidos em um único refrão: "If you need somebody, call out my name... I'll Be Waiting, right by your side." Foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. O tradicional medley de sua fase com Yngwie Malmsteen também marcou presença: "I Am a Viking / I'll See the Light Tonight". Para encerrar seu set, vieram "Coming Home", do Sons of Apollo — ocasião em que relembrou a participação de Felipe Andreoli nos shows brasileiros da banda substituindo Billy Sheehan — e "Stand Up", música da banda fictícia Steel Dragon, do filme Rock Star, na qual Jeff gravou os vocais.

Já passando da meia-noite, os quatro vocalistas voltaram ao palco para um grandioso encerramento com "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Convenhamos... Não poderia existir música mais apropriada para fechar uma noite como essa.

O Master of Voices não foi apenas uma sequência de apresentações individuais. Foi uma verdadeira celebração da história do hard rock e do heavy metal, reunindo quatro vocalistas consagrados, músicos impecáveis e um público que cantou cada refrão como se estivesse reencontrando velhos amigos. Uma festa daquelas que atravessam gerações. Daquelas noites que quem esteve presente jamais esquecerá.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: André Tavares

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music


Setlist - Velvet Chains

War

Ghost in the Shell

Dead Inside

Stuck Against the Wall

Wasted

Suspicious Minds

Wide Awake

Hurt Me

Sins

Dead in the Dead

How The Story Ends


Set List - Eric Martin

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Green-Tinted Sixties Mind

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush


Set List - Tim Ripper Owens

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Set List - Edu Falaschi

Acid Rain

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth(Angra cover)

Play Video

Heroes of Sand


Set List - Jeff Scott Soto

One Love

Separate Ways (Worlds Apart)

Mama, I'm Coming Home (Ozzy Osbourne cover)

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


All Singers

Living After Midnight (Judas Priest cover)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 11/07/2026 – Santo Rock Bar/SP

Quatro vozes históricas do rock dividem o mesmo palco em noite memorável no Santo Rock Bar

Em meio ao frio intenso que tomou conta de Santo André na noite de 11 de julho e à disputa das quartas de final da Copa do Mundo entre Suíça e Argentina, o público do Santo Rock Bar mostrou que havia espaço para duas paixões simultâneas: o futebol e o rock. Enquanto os televisores da casa exibiam a partida, fãs lotavam o tradicional palco do ABC Paulista para testemunhar um encontro praticamente impossível de acontecer há alguns anos.

Idealizado pela Top Link Music, o Masters of Voices reúne quatro vocalistas que ajudaram a escrever capítulos importantes da história do hard rock e do heavy metal mundial: Eric Martin (Mr. Big), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest, Iced Earth e atual KK's Priest), Jeff Scott Soto (Talisman, Journey, Yngwie Malmsteen, Sons of Apollo e W.E.T.) e Edu Falaschi (ex-Angra e Almah). O projeto percorre repertórios que marcaram diferentes gerações do rock, acompanhado por uma verdadeira seleção de músicos brasileiros formada por Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa e Leo Mancini (guitarras) e Edu Cominato (bateria).

Mesmo com um evento esportivo de enorme apelo acontecendo simultaneamente, a casa recebeu um excelente público. Durante boa parte da noite era comum ver fãs alternando olhares entre o palco e as televisões espalhadas pelo ambiente. Como diz o velho ditado, era literalmente "um olho no peixe e outro no gato".


ERIC MARTIN

Pontualmente por volta das 22h30, a banda subiu ao palco e recebeu o primeiro dos quatro convidados da noite. Eric Martin foi o responsável por abrir os trabalhos e apostou em uma decisão certeira: apresentar um repertório formado exclusivamente por sucessos do Mr. Big.

A abertura aconteceu em alta velocidade com "Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)", cartão de visitas perfeito para mostrar o nível técnico da banda brasileira. Os famosos duetos originalmente executados por Billy Sheehan e Paul Gilbert foram reproduzidos com extrema precisão por Felipe Andreoli e Leo Mancini, arrancando os primeiros aplausos mais entusiasmados da noite.

Na sequência veio uma das grandes joias escondidas da discografia do Mr. Big. Na opinião deste que vos escreve, "Take Cover", do excelente álbum Hey Man (1996), continua sendo uma das melhores composições da banda. Outro destaque foi o trabalho de Edu Cominato, que reproduziu com absoluta fidelidade a levada criada pelo saudoso Pat Torpey. Não por acaso, o baterista atualmente integra a própria formação do Mr. Big nas turnês da banda, mostrando que a escolha para substituir Torpey foi mais do que acertada.

Enquanto isso, o público seguia dividido entre o espetáculo musical e a partida da Copa. A cada movimentação perigosa da Argentina, alguns olhares rapidamente migravam para as telas, mas bastava Eric voltar a interagir com a plateia para que a atenção retornasse imediatamente ao palco.

Naturalmente, não poderiam faltar as baladas responsáveis por transformar o Mr. Big em um fenômeno comercial durante os anos 1990. A primeira delas foi "Wild World", releitura do clássico de Cat Stevens que muitos ainda acreditam ser uma composição da própria banda — ou, como brincam alguns brasileiros, até mesmo da dupla Pepe & Neném. O refrão foi cantado praticamente em uníssono, com Martin deixando diversas vezes que a plateia assumisse os vocais.

A energia voltou a subir com "Colorado Bulldog", mais uma demonstração do impressionante nível técnico dos músicos brasileiros. A execução não deixou absolutamente nada a dever às versões originais do quarteto americano.

Quando um violão foi entregue a Eric Martin, praticamente ninguém teve dúvidas sobre o que viria a seguir. Bastaram os primeiros acordes de "To Be With You" para transformar o Santo Rock Bar em um enorme coral. É impossível imaginar quantas milhares de vezes Eric já interpretou esse hit ao longo de sua carreira, mas o mais impressionante é perceber que ele continua cantando a música com o mesmo entusiasmo de quem a está apresentando pela primeira vez. Não havia uma única pessoa na casa que não conhecesse aquele que talvez seja um dos maiores clássicos do hard rock dos anos 1990.

O encerramento veio com "Addicted to That Rush" e "Green-Tinted Sixties Mind", concluindo um set impecável para qualquer fã do Mr. Big. Em pouco mais de meia hora, Eric Martin entregou exatamente o que o público esperava: uma coleção de clássicos interpretados por uma voz que, mesmo após décadas de estrada, continua surpreendentemente preservada.

Antes de deixar o palco, Martin apresentou o próximo convidado da noite: Tim "Ripper" Owens. A temperatura já era baixa do lado de fora, mas dali em diante o clima dentro do Santo Rock Bar mudaria completamente.

TIM "RIPPER" OWENS

Se Eric Martin ficou responsável por aquecer o público com uma sequência impecável de clássicos do hard rock, Tim "Ripper" Owens assumiu o palco disposto a elevar a temperatura de vez. E conseguiu.

Sem qualquer introdução mais longa, o ex-vocalista do Judas Priest entrou "com os dois pés no peito", abrindo sua apresentação com "The Hellion" seguida da clássica "Electric Eye". Embora ambas pertençam à era Rob Halford, são músicas que Ripper incorporou ao seu repertório durante os anos em que esteve à frente do Judas Priest, entre 1996 e 2003, período em que gravou os álbuns Jugulator (1997) e Demolition (2001). Desde então, sua interpretação dessas canções tornou-se uma marca registrada de seus shows.

A reação da plateia foi imediata. Se durante o set de Eric Martin ainda havia parte do público alternando a atenção entre o palco e a partida da Copa do Mundo, bastaram os primeiros gritos de Owens para que praticamente todos voltassem seus olhos para o espetáculo.

Na sequência, Ripper fez uma escolha que certamente agradou aos fãs mais dedicados da sua passagem pelo Priest. "Burn in Hell", do excelente Jugulator, apareceu no repertório e representou um dos grandes acertos da noite. Muitos dos presentes jamais tiveram a oportunidade de ouvir essa música ao vivo durante a passagem da banda pelo Brasil em 2001, tornando sua inclusão um presente para aqueles que acompanham a carreira do vocalista desde aquela época.

A apresentação prosseguiu com dois dos maiores clássicos da história do heavy metal: "Painkiller" e "Breaking the Law". Além da performance vocal impressionante de Owens — que continua alcançando os agudos característicos da fase Priest com notável segurança —, chamou novamente a atenção o desempenho da banda brasileira.

Edu Cominato merece um destaque especial. Quem acompanha sua trajetória sabe que o hard rock é muito mais frequente em sua carreira do que o heavy metal tradicional. Ainda assim, sua execução em "Painkiller", considerada uma das músicas mais desafiadoras para qualquer baterista, foi praticamente irretocável. Técnica, velocidade, resistência e precisão apareceram em abundância durante toda a música, comprovando mais uma vez o nível dos músicos escolhidos para acompanhar o projeto.

Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa e Leo Mancini também demonstraram enorme entrosamento ao reproduzir arranjos que fazem parte da história do metal mundial. Em nenhum momento houve a sensação de estarmos diante de uma banda de apoio. Pelo contrário: o quarteto brasileiro tocou com personalidade, mas sempre respeitando as versões originais.

O encerramento do set, entretanto, foi o único momento em que, particularmente, acredito que o repertório poderia ter sido melhor aproveitado.

Ripper optou por interpretar dois grandes clássicos do rock: "Highway To Hell", do AC/DC, e "Heaven and Hell", do Black Sabbath. São músicas irretocáveis e que, obviamente, funcionam em qualquer show de rock. A resposta da plateia foi positiva, com o público cantando e vibrando durante ambas as execuções.

Ainda assim, considerando o curto tempo disponível para cada vocalista, penso que essa era uma oportunidade perfeita para explorar um pouco mais da própria carreira de Tim Owens. Durante vários momentos era possível ouvir pessoas na plateia pedindo músicas de sua passagem pelo Iced Earth, fase extremamente respeitada pelos fãs do power e do heavy metal, ou até mesmo outro clássico do Judas Priest como "The Ripper", faixa que, inclusive, acabou se tornando responsável pelo apelido que acompanha o cantor há mais de quatro décadas.

É uma observação que não diminui em nada a qualidade da apresentação, mas fica aquela sensação de que havia material suficiente para tornar um set excelente em algo ainda mais memorável.

Seja como for, o saldo foi amplamente positivo. Para muitos presentes, Tim "Ripper" Owens entregou a performance mais intensa da noite até aquele momento. Sua presença de palco continua impressionante, a voz permanece extremamente potente e, sobretudo, ele demonstra o mesmo entusiasmo de quando assumiu uma das missões mais difíceis da história do heavy metal: substituir Rob Halford no Judas Priest.

Depois de uma verdadeira aula de heavy metal, o palco estava preparado para receber um artista de perfil completamente diferente, mas dono de uma das vozes mais versáteis do rock melódico: Jeff Scott Soto.

JEFF SCOTT SOTO

Se Tim "Ripper" Owens foi responsável pela descarga de adrenalina da noite, Jeff Scott Soto assumiu o palco representando o lado mais melódico do hard rock. Dono de uma das carreiras mais versáteis do gênero — com passagens por Yngwie Malmsteen, Talisman, Journey, W.E.T., Sons of Apollo, Trans-Siberian Orchestra e inúmeros projetos paralelos —, Soto talvez fosse o artista cujo repertório oferecia mais possibilidades para um set curto. E sua escolha para abrir a apresentação mostrou exatamente isso.

Quando os teclados de "One Love" começaram a soar, boa parte do público pareceu não reconhecer imediatamente a música. Se você que está lendo este review também não sabe de qual canção estou falando, vale a recomendação: trata-se de uma das mais belas composições do hard rock melódico moderno. Lançada no álbum de estreia do W.E.T., em 2009, ela reúne tudo aquilo que consagrou o estilo AOR: um refrão gigantesco, melodias marcantes e uma interpretação vocal impecável de Soto. Se ela ainda não faz parte da sua playlist, pare tudo quando terminar esta leitura e vá ouvi-la.

A entrada tinha tudo para ser apoteótica. Infelizmente, um problema técnico no microfone do vocalista interrompeu completamente o impacto daquele início. Durante os primeiros versos, simplesmente não havia voz alguma saindo no sistema de som. A banda precisou interromper a execução e reiniciar a música poucos instantes depois.

Foi um contratempo daqueles que acontecem em apresentações ao vivo e que, inevitavelmente, quebram o clima cuidadosamente construído para uma abertura de show. O momento perdeu parte da força que certamente teria se tudo funcionasse desde o primeiro acorde. 

Mas Jeff Scott Soto é um veterano de estrada. Longe de se deixar abalar pelo problema técnico, retomou a apresentação com o bom humor e a energia que sempre marcaram sua relação com o público brasileiro. Frequentador assíduo do país há mais de três décadas, Soto parece sentir-se em casa sempre que toca por aqui. Seu carisma continua sendo um diferencial, assim como a descontração no palco — incluindo as já tradicionais caipiroscas que frequentemente aparecem durante suas apresentações em terras brasileiras.

Na sequência veio um clássico absoluto do Journey: "Separate Ways (Worlds Apart)". Embora sua passagem pela banda tenha sido relativamente curta, entre 2006 e 2007, Soto sempre interpretou a música com enorme propriedade. A execução ganhou um ingrediente especial com a participação do excelente vocalista brasileiro BJ, integrante da banda de apoio de Jeff, responsável pelos teclados e backing vocals. A combinação das duas vozes funcionou perfeitamente e foi um dos pontos altos do set.

Em seguida, Soto revisitou sua banda mais emblemática, o Talisman, com "I'll Be Waiting". Curiosamente, uma das maiores composições de sua carreira acabou não encontrando a resposta esperada do público. Em praticamente todos os shows, Jeff costuma transformar o refrão em um enorme coro coletivo, conduzindo a plateia no tradicional trecho: "If you need somebody... call out my name... I'll be waiting... right by your side..."

Desta vez, porém, a interação simplesmente não aconteceu. Ficou evidente que boa parte dos presentes não conhecia a música, fazendo com que Soto rapidamente desistisse da tentativa de dividir os vocais e seguisse normalmente com a apresentação.

Foi um daqueles momentos que evidenciam um desafio inerente a um festival como o Masters of Voices. Reunindo artistas de carreiras tão distintas, é natural que parte do público conheça profundamente alguns repertórios e tenha menos familiaridade com outros.

A viagem pela carreira do cantor prosseguiu com uma homenagem aos tempos em que dividiu os palcos com o virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. O medley formado por "I Am a Viking" e "I'll See the Light Tonight" trouxe novamente à tona toda a capacidade técnica da banda brasileira, que executou duas das composições mais exigentes do neoclássico com enorme competência.

Até aquele momento, tudo funcionava muito bem. A única escolha de repertório que, na minha opinião, não encontrou espaço dentro do contexto do show foi "Coming Home", do Sons of Apollo.

É importante deixar claro: trata-se de uma excelente música. O problema não está na qualidade da composição, mas sim na ocasião. Em um set relativamente curto, voltado principalmente para grandes clássicos e canções capazes de estabelecer conexão imediata com um público bastante heterogêneo, a faixa acabou esfriando um pouco o andamento da apresentação. Ficou evidente que poucas pessoas conheciam a música, e isso diminuiu consideravelmente a resposta da plateia.

Talvez esse espaço pudesse ter sido ocupado por outro clássico do Talisman, alguma faixa do próprio Journey ou até mesmo por uma música da fase com Yngwie Malmsteen. São escolhas que provavelmente teriam provocado um impacto maior no público presente.

O encerramento, por outro lado, recolocou a apresentação nos trilhos. Jeff fechou seu set com "Stand Up", música eternizada no filme Rock Star (2001). A faixa, atribuída à banda fictícia Steel Dragon e interpretada no longa pelo personagem Chris Cole, vivido por Mark Wahlberg, tornou-se um verdadeiro hino entre os fãs de hard rock desde o lançamento do filme. Era impossível escolher uma despedida mais apropriada.

Mais uma vez, Jeff Scott Soto demonstrou por que é considerado um dos vocalistas mais completos de sua geração. Sua voz permanece extremamente consistente, o carisma continua intacto e sua presença de palco faz parecer que ele está se divertindo tanto quanto o público.

Era a deixa perfeita para a entrada do último vocalista da noite. E, para os fãs brasileiros de metal melódico, talvez aquele fosse o momento mais aguardado do espetáculo.

Edu Falaschi estava prestes a assumir o comando do palco.


EDU FALASCHI

Depois de uma viagem pelo hard rock norte-americano e pelo heavy metal britânico, coube ao único representante brasileiro do evento encerrar a sequência individual de apresentações. E Edu Falaschi fez exatamente aquilo que a maioria dos presentes esperava.

Sempre extremamente comunicativo e bem-humorado, o vocalista entrou no palco saudando o público antes de abrir sua participação com "Acid Rain", primeiro grande sucesso de sua trajetória no Angra e também o cartão de visitas de sua estreia na banda após a difícil missão de substituir o saudoso André Matos.

Passados mais de vinte anos desde o lançamento de Rebirth (2001), impressiona como essas músicas continuam funcionando ao vivo. Não apenas pela qualidade das composições, mas pela identificação que uma geração inteira de fãs criou com esse repertório.

Na sequência vieram "Heroes of Sand", "Millennium Sun" e "Bleeding Heart", formando um verdadeiro desfile de clássicos daquele álbum que, para muitos fãs — entre os quais este que vos escreve —, representa o ponto mais alto da fase de Edu Falaschi no Angra. Entre todas elas, "Bleeding Heart" acabou proporcionando um momento curioso e bastante divertido.

No Brasil, a música ganhou uma vida completamente diferente quando foi regravada em ritmo de forró sob o título "Agora Estou Sofrendo", tornando-se um sucesso muito além do universo do heavy metal. Não foram poucos os presentes que, em tom de brincadeira, cantaram trechos da versão em português durante a execução da música, arrancando sorrisos do próprio Edu e mostrando o tamanho que sua composição alcançou ao longo dos anos.

Naturalmente, Temple of Shadows também não poderia ficar de fora. Representando aquele que é considerado por muitos um dos maiores álbuns da história do metal brasileiro, Edu escolheu "Waiting Silence", mais uma interpretação segura de uma música que permanece entre as favoritas dos fãs.

Um detalhe bastante interessante dessa apresentação era observar quem dividia o palco com Falaschi. No baixo estava Felipe Andreoli, músico que participou das gravações originais de todas essas canções nos álbuns Rebirth e Temple of Shadows. Na guitarra, Marcelo Barbosa, atual integrante do Angra, completava essa curiosa conexão entre passado e presente da banda.

Em tom de brincadeira, pode-se dizer que o "Angraverso" estava “ON” naquela noite.  O encerramento veio com chave de ouro através da emocionante "Rebirth".

Enquanto os últimos acordes ecoavam pelo Santo Rock Bar, a Argentina confirmava sua classificação sobre a Suíça e avançava para as semifinais da Copa do Mundo. Mais uma vez, futebol e rock dividiram espaço na mesma noite, mas naquele momento era difícil encontrar alguém prestando mais atenção às televisões do que ao palco.

Edu encerrou sua participação sob fortes aplausos, concluindo uma apresentação que reafirmou por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do heavy metal brasileiro.

O GRANDE ENCONTRO

Se a proposta do Masters of Voices era reunir quatro grandes cantores da história do rock em um mesmo palco, ainda faltava um último capítulo. E ele veio da melhor forma possível.

Com os quatro vocalistas reunidos diante do público, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens, Jeff Scott Soto e Edu Falaschi dividiram os vocais em "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Mais do que uma simples jam de encerramento, aquele momento simbolizava exatamente o espírito da turnê.

Ver artistas que construíram carreiras tão diferentes compartilhando o mesmo palco, trocando sorrisos entre si e demonstrando um respeito mútuo evidente foi um privilégio para quem esteve presente. São encontros raros, daqueles que dificilmente se repetem com a mesma formação.

Foi, literalmente, uma conjunção de astros.

Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy 

Take Cover

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush

Green-Tinted Sixties Mind


Tim "Ripper" Owens – setlist:

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Jeff Scott Soto – setlist:

One Love

Separate Ways

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


Edu Falaschi – setlist:

Acid Rain

Heroes of Sand

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth


Todos

Living After Midnight (Judas Priest cover)

domingo, 18 de maio de 2025

Cobertura de Show: Foreigner – 10/05/2025 – Espaço Unimed/SP

O tempo frio, nublado e chuvoso de sábado, dia 10 de maio, não deixou as pessoas sossegadas em casa. Muito pelo contrário: as ruas e os comércios estavam tomados por gente comprando, de última hora, o presente das mães para o dia seguinte. Mas, além disso, muitos rumaram ao bairro da Barra Funda para assistir a dois shows. Não, não fui ver o System of a Down, que foi a escolha da maioria. Sendo diferente de todos, optei, é claro, pelo show do Foreigner.

Formada em 1976, com nove álbuns de estúdio e cerca de 80 milhões de discos vendidos, a banda é uma das mais bem-sucedidas da história do rock. Além disso, ajudou a definir o estilo AOR ao lado de nomes como Journey e Toto. Quer mais? Eles também são responsáveis por uma das músicas mais famosas do mundo, “I Want to Know What Love Is”, que, tenho certeza, você já ouviu em algum lugar – numa festa, na rádio ou até no ambiente de uma loja.

A última vez que o Foreigner veio ao Brasil foi em 2013, ou seja, quase 12 anos sem a presença deles por aqui. O Espaço Unimed, local escolhido para essa tão esperada volta, não atingiu sua lotação máxima, mas recebeu um público bem expressivo. Como se trata de uma banda de outra época, arrisco dizer que a maioria das pessoas ali tinha entre 50 e 60 anos. Poucos eram menores de 30 ou estavam por volta dessa idade. Ainda assim, havia gente de todas as gerações na plateia, mostrando que o grupo conseguiu conquistar novos fãs ao longo do tempo. E a grande surpresa da noite foi a participação de Lou Gramm, vocalista original da banda, que se afastou dos palcos por motivos de saúde.

Os vocalistas Eric Martin e Jeff Scott Soto, muito queridos pelos brasileiros, trouxeram o melhor de suas carreiras como uma forma rápida de recarregar as energias antes do grande momento da noite.

Acompanhados por BJ (que fez backing vocal, guitarra e teclado), Leo Mancini (guitarra), Henrique Canale (baixo) e Edu Cominato (bateria) – integrantes do Spektra –, Eric foi o primeiro a reviver alguns dos momentos mais marcantes ao lado do Mr. Big. Começou com a animada “Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)”, seguida por “Take Cover”, uma faixa mais calma. Esse clima mais introspectivo permaneceu até o final do show, com baladas como “Wild World”, “Shine” e “Green-Tinted Sixties Mind”.

Comparando com a última vez em que vi Eric com o Mr. Big – no último show da banda no Brasil durante o Summer Breeze – ele se saiu melhor desta vez. Naquele momento, achei sua voz abaixo do esperado. Agora, com o apoio do Spektra (como mencionado), ele conseguiu dar um gás extra às músicas. Para Edu Cominato, foi como estar em casa: ele teve a oportunidade de tocar com o Mr. Big nos últimos shows da banda. No geral, foi uma participação agradável e bastante proveitosa.


Se Eric trouxe uma atmosfera mais calma, Jeff Scott Soto foi o oposto. Sua entrada com “This House Is on Fire”, faixa do novo álbum do W.E.T., APEX – lançado em março –  deixou todo mundo empolgado. Depois veio “I’ll Be Waiting”, do Talisman, um dos maiores hits dele, que fez todo mundo cantar junto na hora do refrão. Ainda rolou um medley incrível com “Warrior” e “Fool, Fool”, relembrando os tempos em que Jeff fazia parte da banda do guitarrista Axel Rudi Pell.

É impressionante pensar que, quase chegando aos 60 anos, Jeff ainda mantém uma voz impecável. Prova disso foi a clássica “Crazy”, cover de Seal, que mostrou toda sua versatilidade e como consegue encaixar seu talento em diferentes estilos musicais. Depois veio “Alive”, do Sons of Apollo; no entanto, por algum motivo – talvez uma brincadeira – Jeff e seus parceiros do Spektra não conseguiram executá-la após três tentativas frustradas. No lugar dela entrou “Separate Ways”, do Journey.

O encerramento ficou por conta de dois duetos entre Jeff e Eric, cada um cantando uma música marcante de suas carreiras. “Livin' the Life”, que fez parte da trilha sonora do filme Rock Star, chegou a levantar suspeitas de uma participação de Jeff Pilson no palco antes de finalizar com “To Be with You”, sucesso nas rádios e um verdadeiro clássico.

Exatamente às 22h em ponto, sob uma iluminação pulsante, o Foreigner entrou no palco com força total. Começaram com hits dos anos 70: “Double Vision” e “Head Games”, que receberam uma recepção calorosa graças à performance impecável dos músicos, dando para perceber como seria a noite.

Atualmente, ninguém na banda faz parte da formação original. A dupla de guitarristas, contendo Bruce Watson e mais um que não consegui identificar o nome, está entre os pontos altos dessa fase atual, entregando riffs e solos incríveis – até mais pesados e impactantes do que nas versões originais.

E o baixista Jeff Pilson? Conhecido pelos trabalhos com Dokken e Dio, ele foi praticamente o maestro da noite: circulava pelo palco interagindo com os colegas e mostrou ser muito mais do que um excelente baixista, mas também um ótimo pianista. Sua participação em “Cold as Ice”, um dos maiores sucessos da banda nessa noite, foi um bom exemplo disso, fazendo que muitas vozes começassem a se levantar.

Mas quem realmente roubou a cena foi Luis Maldonado, responsável pelos vocais principais nesta turnê devido à impossibilidade de Kelly Hansen sair dos EUA por problemas com visto. E esse cara cantou demais! Foi algo fora do comum.

O setlist seguiu com a famosa “Waiting for a Girl Like You”, trazendo um clima mais romântico e aconchegante naquela noite fria. Depois veio “That Was Yesterday”, com seus teclados marcantes que deixaram todo mundo em transe, preparando o terreno para as divertidas “Dirty White Boy” e “Feels Like the First Time”, que fizeram muita gente dançar.

Em “Urgent”, o palco foi tomado por um espetáculo de luzes vibrantes e explosões de fumaça. Logo em seguida, o tecladista Michael Bluestein e o baterista Chris Frazier assumiram o centro das atenções com seus respectivos solos.

Com a banda completa novamente no palco, “Juke Box Hero” foi a deixa não só para os momentos finais do show, mas também para a entrada do grande convidado da noite. Bastou Lucas pegar mais um microfone e posicionar um pedestal ao seu lado para que o público começasse a chamar por Lou Gramm, e ele apareceu para cantar os versos finais da música.

Ao adentrar no palco, já deu para notar sua dificuldade de locomoção. Sua voz até soou bem, embora distante dos tempos áureos, o que já era de se esperar. Mas só o fato de vê-lo ali, mesmo que por alguns instantes, já fez tudo valer a pena.

“Long, Long Way From Home” foi o pedágio para o grande momento da noite, com a nada menos que “I Want to Know What Love Is”. Vê-la cantada ao vivo pela voz original arrancou prantos da maioria dos presentes. “Hot Blooded” encerrou a apresentação de forma animada.

O show foi uma parte importante da turnê de despedida da banda. É uma decisão compreensível, embora também cause uma certa tristeza, já que foi a última oportunidade de assistir ao vivo aos clássicos que fizeram parte desse espetáculo e que marcaram época. Daqui por diante, só nos resta guardar com carinho essa noite inesquecível na memória e continuar celebrando o legado deles através das músicas que nos conquistaram ao longo do tempo.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Wild World

Shine

Green-Tinted Sixties Mind


Jeff Scott Soto – setlist:

This House Is on Fire / I'll Be Waiting

Warrior / Fool Fool

Crazy (Seal cover)

Separate Ways (Worlds Apart) (Journey cover)


Jeff Scott Soto / Eric Martin – setlist:

Livin' the Life

To Be With You


Foreigner – setlist:

Double Vision

Head Games

Cold as Ice

Waiting for a Girl Like You

That Was Yesterday

Dirty White Boy

Feels Like the First Time

Urgent

Juke Box Hero (com Lou Gramm)

Long, Long Way From Home (com Lou Gramm)

I Want to Know What Love Is (com Lou Gramm)

Hot Blooded (com Lou Gramm)