sábado, 17 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Old Man's Child – 26/09/2026 – Burning House/SP

O black metal norueguês do Old Man’s Child finalmente se encontrou com o público brasileiro em uma noite marcada por intensidade, peso e uma boa dose de nostalgia. A estreia aconteceu na Burning House, em São Paulo, no último dia 26/09, fazendo parte da turnê Return To The Throne Latin America. Formado em 1993, em Oslo, por Thomas Rune Andersen, o lendário Galder, a partir das cinzas do projeto thrash/death Requiem, a banda se consolidou como um grande expoente da segunda onda do black metal, misturando melodias memoráveis, atmosferas sombrias e uma dose generosa de virtuosismo. 

Depois de sete álbuns clássicos (de Born of the Flickering, de 1996, até Slaves of the World, de 2009) e longos anos de hiato enquanto Galder brilhava no Dimmu Borgir, o retorno foi anunciado com força total após sua saída da banda, em 2024. A noite ainda contou com a abertura da banda brasileira Evoked.

Responsáveis por abrir a noite, os pernambucanos do Evoked mostraram sua força dentro da cena nacional de black metal. Formado em Recife, em 1997, a banda passou por um hiato entre 2000 e 2019 e atualmente conta com Sorcerer Do’Urden (Diego Do’Urden) nos vocais, guitarra e teclados, HellishKiller no baixo e Apophis na bateria. 

Vestidos com corpsepaint e uma imponente armadura, o trio apresentou na íntegra seu único álbum de estúdio, “Warfare of the Gods”, lançado em 2025 e composto por 11 faixas originalmente concebidas por Sorcerer Do’Urden entre 1997 e 1999. Com uma performance intensa, pesada e carregada das atmosferas sombrias que caracterizam o trabalho, o Evoked conseguiu chamar a atenção dos presentes com uma performance consistente, mostrando que o black metal brasileiro não deve nada a ninguém.

Assim que as luzes se apagaram e Galder (vocais e guitarra), Cyrus (guitarra), Elvorn (baixo) e Tjodalv (bateria) subiram ao palco, a passagem sem volta para o obscuro se iniciou com “Towards Eternity”. Galder parecia possuído; durante as partes instrumentais, ele não parava: ia de um canto a outro, gesticulava, se conectava visualmente com o público e transformava cada solo em um momento de interação. A química com o público brasileiro foi imediata, e o carisma do frontman só aumentou a cada música. 

Antes de “King of the Dark Ages”, ele gritou: “Obrigado Brasil, vocês são maravilhosos, as melhores pessoas do mundo!”, e o público respondeu cantando a melodia do meio da música em uníssono. Em seguida, veio “Doommaker”, precedida pela declaração sincera: “Vocês destroem, eu não estava esperando tudo isso”. A recepção calorosa cresceu em “Hominis Nocturna”, uma das mais comemoradas da noite, e, antes de “Born of the Flickering”, a banda inteira foi ovacionada.

O setlist percorreu praticamente toda a discografia com inteligência e peso. “The Soul Receiver” e “Twilight Damnation” mantiveram o nível altíssimo; nesta última, Galder foi ovacionado e retribuiu gritando: “Brasil, Brasil, Brasil!”. “God of Impiety” e, especialmente, “Soul Possessed” marcaram a virada para o caos: a partir daí, as rodas começaram e rolou até crowd surfing. 

O clima de celebração continuou em “The Dream Ghost”, quando Galder brincou: “Hoje é sábado e então amanhã não tem que trabalhar, então vamos curtir”. “Unholy Vivid Innocence” manteve a intensidade até o grandioso fechamento com “The Millennium King”. Antes dessa última, o líder da banda agradeceu de coração e declarou que “sem o público eles não são nada” e que “definitivamente voltarão quando lançarem o disco novo”.

A performance do Old Man’s Child foi espetacular do início ao fim. A banda soou precisa, pesada e conectada, enquanto Galder se mostrou um showman completo: técnico, carismático e genuinamente feliz de estar no Brasil. Foi o retorno de um rei ao trono que nunca deixou de ser seu. Depois de mais de três décadas de história e de um longo intervalo sem material inédito, os noruegueses encerraram sua passagem pelo Brasil deixando a sensação de que não apenas revisitaram seu passado, mas reacenderam um projeto que ainda pretende escrever novos capítulos. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant'Anna


Realização: Caveira Velha Produções 


Old Man's Child – setlist:

Towards Eternity

 King of the Dark Ages

 Doommaker

 Hominis Nocturna

 Born of the Flickering

 The Soul Receiver

 Twilight Damnation

 God of Impiety

 Soul Possessed

 The Dream Ghost

 Unholy Vivid Innocence

 The Millennium King

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