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quarta-feira, 1 de julho de 2026

The Pretty Reckless: O Ciclo da Redenção (Also In English)

Fearless Records (Imp.)

O Fim e o Recomeço Coexistem em Dear God

Por Michelle F. Santana 

Cinco anos após Death by Rock and Roll, o The Pretty Reckless retorna com Dear God, seu quinto álbum de estúdio. Formada em 2009, em Nova York, a banda é composta por Taylor Momsen (vocal), Ben Phillips (guitarra), Mark Damon (baixo) e Jamie Perkins (bateria). Ao longo da carreira, o quarteto consolidou uma identidade que mistura hard rock, rock alternativo, blues rock e elementos de grunge, equilibrando riffs marcantes, refrãos melódicos e letras que exploram conflitos existenciais, espiritualidade e a natureza humana.

Produzido por Jonathan Wyman em parceria com Taylor Momsen e Ben Phillips, Dear God aprofunda essa proposta ao apresentar um conceito centrado em temas como mortalidade, culpa, fé, redenção e transformação. O principal eixo narrativo está na trilogia Life Evermore, cujas partes aparecem propositalmente fora da ordem cronológica — II, III e I. A escolha rompe a linearidade da narrativa e convida o ouvinte a reconstruir sua própria interpretação, sugerindo que o fim, o recomeço e a evolução coexistem dentro do mesmo ciclo.

Do ponto de vista instrumental, o álbum mantém a sonoridade que o The Pretty Reckless vem aperfeiçoando nos últimos trabalhos. Ben Phillips entrega riffs sólidos e melodias bem construídas, alternando peso e atmosfera sem recorrer ao excesso de virtuosismo. A cozinha formada por Mark Damon e Jamie Perkins sustenta as composições com firmeza, oferecendo uma base consistente que permite às guitarras e aos vocais ocuparem o protagonismo. A produção é limpa, encorpada e moderna, preservando a energia do grupo sem comprometer a dinâmica das músicas.

Taylor Momsen continua sendo o grande destaque. Sua interpretação transita naturalmente entre momentos de vulnerabilidade e explosão, imprimindo intensidade às composições sem depender apenas da potência vocal. Sua evolução como intérprete fica evidente na maneira como conduz cada faixa, adaptando a voz às diferentes atmosferas propostas pelo disco.

Entre os destaques está "For I Am Death", uma das faixas mais pesadas do álbum. Com riffs marcantes, clima sombrio e uma interpretação intensa de Momsen, a música representa um dos momentos de maior impacto e sintetiza a faceta mais obscura do trabalho.

Na sequência, "When I Wake Up", escolhida como um dos singles e acompanhada por um videoclipe, apresenta uma energia completamente diferente. Com forte influência de punk rock, a faixa aposta em guitarras rápidas, andamento acelerado e um refrão extremamente acessível. Seu espírito despretensioso e contagiante faz dela uma das músicas mais divertidas do álbum, oferecendo um contraste bem-vindo em meio às composições de atmosfera mais densa.

"Love Me" surge como um dos momentos mais delicados de Dear God. Funcionando quase como uma power ballad, a faixa desacelera o ritmo sem abandonar o peso característico da banda, privilegiando a construção emocional e permitindo que Taylor Momsen entregue uma de suas interpretações mais sensíveis do disco.

Já "Dear God", faixa-título, resume boa parte da proposta conceitual do álbum. Com uma construção mais atmosférica e contemplativa, a música explora questionamentos sobre fé, culpa e redenção, encerrando o trabalho de forma coerente com a narrativa apresentada ao longo da audição.

Comparado a álbuns como Going to Hell e Death by Rock and Roll, Dear God não busca reinventar a identidade do The Pretty Reckless. Pelo contrário, reforça a fórmula que consolidou a banda como um dos principais nomes do rock contemporâneo, refinando elementos já conhecidos e investindo mais na atmosfera e na construção conceitual do que em mudanças significativas de direção.

Dear God é um álbum consistente, sustentado por uma produção competente, interpretações marcantes e um conceito narrativo que desperta curiosidade do início ao fim. A decisão de apresentar a trilogia Life Evermore fora da ordem cronológica demonstra ambição artística e acrescenta uma camada extra à experiência do ouvinte.

Ainda assim, quando a atenção se volta exclusivamente para a música, o disco dificilmente transmite a sensação de estar diante de um novo capítulo na trajetória da banda. Em vez de romper com a própria fórmula, o The Pretty Reckless prefere aperfeiçoá-la, entregando um trabalho seguro, coeso e tecnicamente impecável.

Essa escolha certamente agradará aos fãs, mas também levanta uma questão inevitável: até que ponto permanecer fiel à própria identidade deixa de ser uma demonstração de consistência e passa a limitar a capacidade de surpreender? Dear God não responde a essa pergunta. Em vez disso, reafirma que o The Pretty Reckless domina sua própria linguagem - ainda que, desta vez, tenha preferido caminhar por terrenos já familiares.

***ENGLISH VERSION***

The End and the Beginning Coexist on Dear God

Five years after Death by Rock and Roll, The Pretty Reckless returns with Dear God, its fifth studio album. Formed in 2009 in New York, the band consists of Taylor Momsen (vocals), Ben Phillips (guitar), Mark Damon (bass), and Jamie Perkins (drums). Throughout its career, the quartet has forged a distinctive identity that blends hard rock, alternative rock, blues rock, and grunge influences, balancing memorable riffs, melodic choruses, and lyrics that explore existential conflict, spirituality, and human nature.

Produced by Jonathan Wyman alongside Taylor Momsen and Ben Phillips, Dear God expands on that foundation with a concept centered on mortality, guilt, faith, redemption, and transformation. The album's central narrative revolves around the Life Evermore trilogy, whose three chapters are deliberately presented out of chronological order—Part II, Part III, and finally Part I. This choice disrupts the story's linear progression and invites listeners to construct their own interpretation, suggesting that endings, new beginnings, and personal growth coexist within the same cycle.

Instrumentally, the album continues the sound that The Pretty Reckless has refined over its last few releases. Ben Phillips delivers solid riffs and carefully crafted melodies, balancing heaviness with atmosphere without relying on excessive virtuosity. The rhythm section, anchored by Mark Damon and Jamie Perkins, provides a steady, confident foundation that allows the guitars and vocals to remain at the forefront. The production is clean, full-bodied, and modern, preserving the band's raw energy while maintaining the songs' dynamic range.

Taylor Momsen remains the album's undeniable centerpiece. Her performance moves effortlessly between vulnerability and explosive intensity, bringing emotional weight to the material without depending solely on vocal power. Her growth as a vocalist is evident in the way she shapes each song, adapting her delivery to match the diverse moods explored throughout the record.

Among the highlights is "For I Am Death," one of the album's heaviest tracks. Driven by crushing riffs, a dark atmosphere, and one of Momsen's most commanding performances, it stands as one of the record's defining moments and perfectly captures its darker side.

Next comes "When I Wake Up," released as one of the album's singles and accompanied by a music video. It offers a completely different kind of energy, drawing heavily from punk rock with its fast-paced guitars, driving rhythm, and irresistibly catchy chorus. Its carefree, infectious spirit makes it one of the album's most entertaining songs, providing a welcome contrast to the record's more introspective and brooding moments.

"Love Me" emerges as one of Dear God's most delicate compositions. Functioning almost as a power ballad, it slows the pace without abandoning the band's signature weight, favoring emotional development and allowing Taylor Momsen to deliver one of her most heartfelt vocal performances on the album.

The title track, "Dear God," encapsulates much of the album's conceptual vision. Built around a more atmospheric and contemplative arrangement, it wrestles with questions of faith, guilt, and redemption, bringing the record to a close in a way that feels both coherent and emotionally satisfying.

Compared to albums such as Going to Hell and Death by Rock and Roll, Dear God makes no attempt to reinvent The Pretty Reckless' identity. Instead, it reinforces the formula that established the band as one of modern rock's leading acts, refining familiar elements while placing greater emphasis on atmosphere and conceptual storytelling rather than pursuing a dramatic stylistic shift.

Dear God is a cohesive album, supported by strong production, compelling performances, and a narrative concept that sustains the listener's curiosity from beginning to end. Presenting the Life Evermore trilogy out of chronological order is an ambitious artistic decision that adds another layer to the listening experience.

Even so, when the focus shifts solely to the music itself, the album rarely feels like a truly new chapter in the band's evolution. Rather than breaking away from its established formula, The Pretty Reckless chooses to refine it, delivering a record that is confident, cohesive, and technically accomplished.

That decision will undoubtedly satisfy longtime fans, but it also raises an inevitable question: at what point does remaining faithful to one's identity stop being a sign of consistency and start limiting the ability to surprise? Dear God never attempts to answer that question. Instead, it reaffirms that The Pretty Reckless has mastered its own musical language—even if, this time, it chooses to walk along familiar ground.

Divulgação 





quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Primal Scream – 11/11/2025 – Audio/SP

Primal Scream entrega show histórico na Audio em São Paulo

Na noite de 11 de novembro de 2025, o Primal Scream fez da Audio, em São Paulo, o cenário de uma celebração inesquecível. A banda escocesa, liderada por Bobby Gillespie, trouxe ao público uma apresentação arrebatadora, repleta de energia, carisma e clássicos que marcaram gerações.

Logo nas primeiras músicas, a plateia foi tomada por uma vibração contagiante. Gillespie, visivelmente feliz e à vontade, mostrou por que é um dos grandes frontmen do rock britânico. Com carisma de sobra, interagiu o tempo todo com o público, estendeu as mãos, sorriu, dançou e se conectou de forma genuína com cada pessoa à sua frente.

O repertório passeou por diferentes fases da carreira da banda, misturando psicodelia, rock, soul e eletrônica com a assinatura inconfundível do Primal Scream. Clássicos como Movin’ on Up, Jailbird, Country Girl e Loaded transformaram o espaço em uma grande festa coletiva. Em Come Together, a emoção tomou conta, o público cantou em coro, braços erguidos, como se o tempo tivesse parado ali.

A banda, em sintonia perfeita, entregou uma performance sólida e envolvente. Cada integrante parecia se divertir tanto quanto quem assistia, o que tornou o clima ainda mais especial. O som, equilibrado e potente, valorizou cada detalhe dos arranjos e deixou claro o nível de excelência da apresentação.

No bis, o grupo ainda apresentou uma versão explosiva de No Fun, dos Stooges, encerrando a noite em clima de celebração e pura energia rock’n’roll.

Com mais de três décadas de estrada, o Primal Scream mostrou que continua relevante, inspirador e cheio de vida. O show em São Paulo foi uma celebração da música, da liberdade e da energia que só o rock britânico consegue transmitir.


Texto: Monise Bianchi

Fotos: Gustavo Diakov

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Balaclava Records / Music On Events


Primal Scream – setlist:

Don't Fight It, Feel It

Love Insurrection

Jailbird

Ready to Go Home

Deep Dark Waters

Medication

Innocent Money

Heal Yourself

I'm Losing More Than I'll Ever Have

Love Ain't Enough

The Centre Cannot Hold

Loaded

Swastika Eyes

Movin' on Up

Country Girl

Bis 1

Damaged

Come Together

Rocks

Bis 2

No Fun (The Stooges cover)

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Cobertura de Show: Skillet– 24/10/2025 – Audio/SP

A Audio, em São Paulo, viveu uma noite intensa na última sexta-feira (24), quando a banda cristã norte-americana Skillet subiu ao palco com a turnê Revolution. O público, que aguardava esse retorno há mais de dez anos, explodiu de euforia assim que soou o primeiro acorde.

Sem enrolação, a banda abriu o show com “Surviving the Game”, pegando todos de surpresa, pois muitos esperavam que o início fosse com “Showtime”, faixa que abre o novo álbum Revolution (2024). A partir daí, foi impossível respirar: riffs pesados, bateria precisa e vocais potentes fizeram o chão da Audio tremer.

Clássicos como “Hero”, “Awake and Alive” e, claro, “Monster” (o ponto alto da noite), incendiaram o público, que cantava cada verso em coro.

Um dos momentos mais emocionantes veio com “Never Surrender”, apresentada apenas com voz e piano, criando uma pausa sensível no meio da intensidade do setlist.

A sintonia entre banda e público crescia a cada música. Seth Morrison soltava solos de guitarra com precisão cirúrgica, enquanto Jen Ledger destruía na bateria e encantava com backing vocals arrepiantes. O clima era de celebração, daquelas em que se sente o poder da música em unir e levantar uma multidão.

Do novo álbum, apenas “Unpopular” entrou no set, mas com muita força, intercalando os grandes sucessos que todos esperavam. Celulares nas alturas, flashes cruzando o teto, cartazes, balões e um coro uníssono mostravam o quanto o público esperava por esse momento.

O Skillet entregou um show histórico e cheio de emoção, deixando um gostinho de “quero mais”. Que não seja preciso esperar mais dez anos para vê-los novamente em solo brasileiro.


Texto: Carlos Enriki

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda / Aline Rojas


Realização: Numb Brasil Produções

Press: Catto Comunicação


Skillet – setlist:

Surviving the Game

Feel Invincible

Rise

Awake and Alive

Sick of It

Legendary

Ash in the Wind

Never Surrender

Whispers in the Dark

Lions

Those Nights

Hero

Not Gonna Die

Psycho in My Head

Comatose

Monster

Bis

The Resistance

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Cobertura de Show: Green Day – 12/09/2025 – Ligga Arena/CWB

O show da banda californiana foi inacreditável e ficou para a história da capital paranaense.

Green Day finalmente chega à capital paranaense para o show da Saviors Tour 25, focada em seu novo álbum Saviors, lançado em 2024. Os fãs já estavam ansiosos, visto que a banda estadunidense não pisava em solo curitibano desde 2017, onde se apresentaram na Pedreira Paulo Leminski, com a Revolution Radio Tour. 

O Green Day desembarcou em Curitiba, após passarem alguns dias em São Paulo, eles tocaram no festival The Town, no dia 7 de setembro, então a banda teve um tempinho para esticar as pernas, passear e confraternizar em solo brazuca. Lembrando que foi uma pausa compulsória, já que a apresentação do grupo precisou ser cancelada no Rio de Janeiro, por conflitos de agenda com os jogos futebolísticos que estavam marcados no mesmo local.

Bom, mas chega de falatório, afinal como foi a passagem bombástica do Green Day por aqui? São tantos anos de estrada, desde sua formação em 1987 até hoje. São vários álbuns perfeitos ao longo dos anos, e também controversos, recheados de críticas sociais, que acompanharam todo o cenário mundial, principalmente dos Estados Unidos nestas últimas décadas. A tarefa é árdua, mas prazerosa, vamos lá! 

Primeiramente, faz se necessário mencionar a incrível banda até então pouco conhecida Bad Nerves, como convidados de abertura. Estou até este momento me perguntando como não conhecia esses garotos? 

Bad Nerves merece destaque para o talento, energia e simpatia, sem falar nas músicas bem estilo início dos anos 2000 com uma rebeldia Punk Rock estilo Sex Pistols, mas com uma pegada mais moderna, e é claro, um tanto politizada devido ao cenário global dos últimos anos. Além disso, também conseguem entregar aquele feeling romântico de riffs de guitarra chorosos e letras diretas, que por serem mais novos, conseguem transmitir com mais intensidade suas mensagens ao público. 

O Bad Nerves subiu ao palco na Ligga Arena por volta das 19:30 horas, pontualidade digna de uma banda inglesa. O sangue novo do rock inglês é formado por Bobby Nerves no vocal, Will Phillipson e George Berry nas guitarras, no baixo, Jonathan Poulton e finalmente nas baquetas, Samuel “Sam” Morley Tompson.

Apesar da enorme estrutura montada no Estádio da Arena, a banda conseguiu se posicionar muito bem, e inclusive, soube utilizar o artifício da passarela elevada, que saia do palco, fazendo uma divisão na pista geral. E é claro, quem foi esperto o suficiente, tratou de ficar por ali até o início dos shows.

O início foi enérgico e emotivo, o vocalista Bobby Nerves interagia bastante com o público, e também utilizava muito bem a passarela a seu favor, conversando com os fãs, com um português surpreendente, inclusive, ele disse que sua esposa era brasileira, portanto tudo explicado.

Cabe mencionar também, a interação e os pulos simultâneos dos músicos, que formavam uma coreografia digna de estalar os olhos dos mais desanimados de plantão. Apesar do local estar cheio, com cerca de 33 mil pessoas, segundo a produtora do evento, os telões eram grandes e bem posicionados, não deixando ninguém de fora do espetáculo. Os destaque ficam para as músicas mais conhecidas do grupo, como Plastic Rebel, Radio Punk, Can´t Be Mine, You've Got the Nerve e Dreaming. O espírito rebelde do punk está mais vivo do que nunca!

Green Day promove encontro de gerações em Curitiba

Finalmente, a ansiedade do público indo às alturas, por volta das às 21 horas, Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt, Trè Cool e companhia adentram ao palco. Mas não sem antes cumprirem alguns ritos costumeiros no início de cada apresentação. Inclusive, uma destas introduções, cito como um dos momentos mais emocionantes da noite, todos os presentes cantando Bohemian Rhapsody do Queen em uníssono. Após as lágrimas, veio o famoso coelho dançando Blitzkrieg Bop para quebrar a melancolia e dar início ao show propriamente dito.

O início não poderia ser outro, junto com os primeiros acordes de American Idiot, clássico que dá o nome e faz parte de um dos álbuns mais famosos musicalmente e com as letras mais impactantes do grupo. O chão já começa a tremer, era uma sinergia de pulos e pulsos em riste. Foi o começo de um espetáculo histórico, que, claramente, uniu pelo menos três gerações de público, inclusive, havia famílias inteiras assistindo ao show. Fato este, que só bandas do calibre de Green Day conseguem proporcionar. 

Acorde por acorde, clássicos em sequência, uma emoção diferente emergia a cada momento, a revolta quanto às injustiças sociais, o ato de chorar por um amor perdido, outra para celebrar a união e as loucuras de adolescentes. Além do foco nos álbuns principais, a banda abriu espaço para as ótimas Dilemma, hit instantâneo e a fofa, mas nem tanto, Bobby Sox presentes no álbum Savior. 

Entretanto, nem de rosas vive o mundo, e fez se necessário a execução da nova e crítica One Eyed Bastard, um recado de que o rock está vendo tudo e vai continuar reagindo.  Outro momento com uma pausa séria, o discurso de Billie Joe, que disse tudo e mais um pouco sobre as questões atuais, e também pediu ao público que deixassem os celulares de lado por alguns momentos, para olhar uns aos outros, para sermos mais humanos e menos máquinas, para viver os momentos felizes. E é claro não deixou esquecermos que temos armas de destruição em massa sob nossas cabeças. Recado dado, “toca o barco”, Church on Sunday, a profunda Minority, outro acerto, Brain Stew. Também desfilou pela Arena, a quase balada 21 Guns.

Impossível não apreciar o setlist que o grupo trouxe à Curitiba, foi bem completo, não faltaram as músicas novas e muito menos os clássicos. Em Jesus Of Suburbia muitos já não escondiam os arrepios e ver e ouvir este clássico ao vivo, abraçavam amigos, filhos, esposas, namoradas, isso tudo que o ser humano satisfeito faz. Tiveram Basket Case, She, When I Come Around, St. Jimmy, Holiday e inúmeras mais.

Quando você já viu muitos shows na vida, e acha que é tudo do mesmo jeito, ela ainda dá um jeito de te tirar da sua zona de conforto, ou furar a “bolha” do curitibano (já informo: sou curitibana orgulhosa nascida e criada na terra das Araucárias). E por aí foram, as baladas regadas à lágrimas, uma belíssima Wake Me Up When September Ends em sintonia com o calendário. Mas lindo mesmo, foram os papéis picados jogados aos montes em cima do público, ainda por cima com pequenos desenhos de zumbis e a chamada da turnê. Além, lógico de um balão inflável “Bad Year”, durante a execução da música When I Come Around, imperdível! 

Ressalto também o cuidado e profissionalismo com a pirotecnia utilizada no palco, muito bem controlada, elegante e um espetáculo à parte, adicionado às cores e luzes piscantes, harmonizando com os semblantes dos músicos emocionados escancarados nos telões. E foram canções que deram a trilha sonora da vida, com momentos que passaram diante dos olhos de muitos quarentões, que certamente vislumbraram seus velhos skates com silvertape e pistas improvisadas nas ruas da vizinhança.

Por fim, o famoso “sextoouu” do dia 12 de setembro de 2025, proporcionou novas amizades, histórias infames, pessoas desconhecidas relembrando a vida e tomando novas decisões com relação ao futuro. Também fui presenteada com palavras amigas e sábias em um momento em que precisava. 

Inclusive deixo aqui registrado, meu episódio de lágrimas insistentes escorrendo pelo meu rosto, durante a execução da faixa Good Riddance. Esta música me acompanhou em viagens de aventura, e até hoje aperta meu peito de tempos em tempos. Por outro lado, esta composição encontrou um espaço especial no coração do meu filho mais velho, de nove anos, que elegeu esta canção como “Nossa música de ninar”, pela beleza que acalma e ao mesmo tempo lhe traz “A tal da nostalgia”, em suas jovens palavras.

Importa falar aqui, que durante o show houveram infinitos momentos a serem descritos nesta resenha, como a mulher de laranja que subiu ao palco, Billie Joe enrolado na bandeira do Brasil, e assim por diante. Mas faço das palavras da banda, as minhas, o importante mesmo é conseguir passar aos leitores a sensação de ter estado lá, as mil emoções que somos capazes de sentir quando trata-se do amor à música. Peço desculpas, se me excedi, mas acredito que precisamos de mais palavras com significado, sem fórmulas prontas, facilmente acessíveis por inteligência artificial, precisamos ser mais humanos.

Considerações acerca do evento e organização

A Ligga Arena é um local ótimo para shows, por ter sido reformada, possui muitos banheiros, várias áreas com acessibilidade, saídas de emergência de fácil acesso, equipe treinada em grande número e agilidade, em casos de emergência. Fiação e cabos em locais seguros, pessoas treinadas com todas as informações para sanar dúvidas. 

Local central da cidade de Curitiba, arborizado, com opções externas de comidas simples a lanches gourmet. Ponto negativo para a locomoção de que precisou de Táxi ou Uber, os valores estavam exorbitantes. O transporte público encontrava-se muito cheio, mas nada que um pouco de paciência não resolva.

Em sua estrutura arquitetônica, a Arena do Athlético Paranaense possui um teto com arestas retráteis, que desta vez encontravam-se fechadas. Uma particularidade minha e acredito que de muitas pessoas é a importância de se ter o céu como testemunha, em concertos musicais. Mas devido ao mau tempo, e a quantidade de equipamentos, a ação foi necessária.

Faz-se necessário aqui um adendo para a área da inovação em serviços ao consumidor em eventos musicais. As parcerias entre organizadoras e produtoras começaram a olhar para os nichos e focar no conforto e praticidade daquele determinado público, principalmente os fãs de Rock, sempre rotulados como fáceis de agradar. Finalmente perceberam que os jovens, viraram adultos consumidores. A seguir alguns exemplos, do que falei, presentes na The Savior Tour 25 - Green Day

Primeiramente, com relação ao frio que fazia naquela noite, e convenhamos, a cerveja gelada não era muito convidativa (Agora pasmem, no valor de 22 reais/ 350ml). Mas nem tudo são dissabores, e finalmente haviam opções variadas à famosa cerveja no copo, como por exemplo, incríveis opções de vinhos e espumantes para esquentar o corpo com estilo, além claro de comidinhas muito saborosas em embalagens primorosas, além de um serviço de garçom “leva e traz” para quem estava guardando um lugar mais a frente. 

Atualmente, no ponto em que estão as coisas, (no caso a escassez do poder aquisitivo brasileiro e o novo foco em experiências) não vale mais a pena arcar com os valores supervalorizados que se cobram por cervejas comuns e refrigerantes em shows de grande porte. Além disso, é preferível ter mais opções com valores diferenciados (para quem pode, claro), e para os viciados em shows, um copo de água com gás é mais do que suficiente. E, sim, muitos curitibanos bebem vinho e apreciam uma boa degustação. Espero que a moda pegue! Lembrando claro, da colisão divertida de idades naquela noite, comento isto para justificar o fato da presença do vinho. No último ponto, ressalto que a água estava sendo distribuída gratuitamente e à vontade, na forma de copos plásticos.

Finalmente, fiz uma comparação mental, no caso foi real mesmo, de estar sentada na grade de um show em 1996, passando sede e insolação, sendo ignorada pelos ambulantes, sem dinheiro para um pacote de Doritos. Decorridos alguns anos, agora em 2025, estou sentada na grade também de um show de rock, mas com garçons me atendendo e pessoas limpando o chão. Fiquem com suas conclusões, meus colegas headbangers dos anos 90!

Prometo que não vou comentar as taxas abusivas de conveniência na venda de ingressos. Muito Obrigada por lerem esta resenha até o final! Viva ao Rock N’Roll!



Fotos: Alan Ferreira 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Move Concerts

Press: Midiorama


Green Day – setlist:

American Idiot

Holiday

Know Your Enemy

Boulevard of Broken Dreams

One Eyed Bastard

Revolution Radio

Church on Sunday

Longview

Welcome to Paradise

Hitchin' a Ride

Brain Stew

St. Jimmy

Dilemma

21 Guns

Minority

Basket Case

When I Come Around

Letterbomb

Wake Me Up When September Ends

Jesus of Suburbia

Bobby Sox

Good Riddance (Time of Your Life)

sábado, 28 de junho de 2025

Cobertura de Show: Best Of Blues And Rock – 08/06/2025 – Parque Ibirapuera/SP

O domingo, 8 de junho, amanheceu com céu limpo e uma expectativa vibrante no ar. Foi ao som de soul, funk e brasilidade que o segundo dia do Best of Blues and Rock 2025 deu início a mais uma jornada musical no Parque Ibirapuera.

Quem teve a honra (e a responsabilidade) de abrir os trabalhos foi a poderosa Paula Lima, em um show especial com o projeto batizado de Soul Lee  uma homenagem vibrante, cheia de afeto e atitude à lendária Rita Lee. Com sua voz potente, presença cativante e um repertório que celebrou o legado de Rita com alma e personalidade, Paula transformou a tarde em um ritual de amor à música brasileira.

O setlist trouxe versões cheias de suingue e sofisticação de clássicos como "Agora Só Falta Você" e "Mania de Você", tudo com o tempero próprio de Paula, que costurou cada música com histórias, reverência e energia. Acompanhada por uma banda afiada e dançante, ela deu novo corpo às canções de Rita, sem perder a essência original, a ousadia e a liberdade. Foi uma abertura afetiva e poderosa dessas que já chegam dizendo a que vieram. O festival começou o segundo dia não só celebrando o rock, mas também reconhecendo suas raízes múltiplas, fortes, femininas e cheias de cor.

Quando o céu escureceu, o Barão Vermelho subiu ao palco  e, em segundos, transformou o festival numa máquina do tempo, onde cada riff parecia abrir uma janela para a história do rock brasileiro. Sem cerimônia, a banda chegou com o peso de quem carrega décadas de estrada e a leveza de quem ainda tem muito a dizer. Foi um show que misturou memória e uma energia crua que só o Barão sabe entregar. O público, que já lotava a área diante do palco, respondeu à altura: braços erguidos, olhos brilhando e vozes entregues em cada refrão de "De Puro Êxtase" e "Pro Dia Nascer Feliz".

Como grande fã da banda em todas as suas formações, não poderia estar mais satisfeita: um show vibrante, enérgico e completo. Todos da banda estavam completamente entregues e felizes por estarem ali. Ao final, o Barão provou mais uma vez por que continua relevante mesmo depois de quatro décadas de estrada. Não é só pela história  é pela presença, pela entrega e pela verdade que colocam em cada acorde.

Richard Ashcroft, ex-líder do The Verve, veio para a penúltima apresentação do dia com sua camiseta amarela da Seleção Brasileira de Futebol. A atmosfera do parque mudou assim que os primeiros acordes de "Sonnet" ecoaram. O público, que já havia cantado e dançado o dia inteiro, mergulhou em um estado quase hipnótico, embalado pelas melodias melancólicas e pelas letras carregadas de sentimento.

Entre as faixas de sua carreira solo, como "A Song for the Lovers" e "Break the Night with Colour", e os aguardados clássicos do The Verve, Richard mostrou por que é uma das vozes mais singulares da música alternativa.

Sempre muito carinhoso, Richard parecia mais à vontade no segundo dia: dançava pelo palco, corria, interagia mais com a banda. Sempre segurando o símbolo da camisa com a bandeira do Brasil, beijava, mordia, sempre entusiasmado. Ashcroft encerrou seu show com classe, reverência e alma  sem exageros, sem pressa. Apenas deixando a música falar por si  e ela falou alto.

O segundo dia do Best of Blues and Rock 2025 foi encerrado com uma verdadeira aula de musicalidade e conexão ao vivo. A Dave Matthews Band, um dos nomes mais aguardados do festival, subiu ao palco quando a noite já tomava conta do Parque Ibirapuera  e entregou um show hipnótico, vibrante e emocionalmente expansivo. Logo nos primeiros minutos, ficou claro: não seria apenas uma apresentação, mas uma experiência sonora completa. Com sua formação plural  que une rock, jazz, folk e improvisos virtuosos , a banda guiou o público por um repertório repleto de surpresas, transições inesperadas e momentos de pura contemplação.

Clássicos como "Don’t Drink the Water" surgiram em versões estendidas, com solos criativos e interações espontâneas entre os músicos. O palco virou um organismo vivo, em constante transformação, com cada integrante trazendo sua identidade para o coletivo  do violino ao saxofone, da percussão ao groove do baixo.

Dave Matthews, sempre carismático em sua simplicidade, falou com o público com o sotaque arrastado e o sorriso tímido que o tornaram um ícone. Fez piadas, interagiu com o público, e suas expressões faciais marcaram o show do começo ao fim.

Em algumas músicas, as pessoas dançavam de olhos fechados, como se estivessem em outro tempo. Em outras, batiam palmas em uníssono, criando momentos coletivos de arrepiar. Houve até um cover de "Just Breathe", do Pearl Jam – e, na minha opinião, eles podiam gravar e lançar essa versão. Ficou incrível e emocionante!

A Dave Matthews Band encerrou o primeiro final de semana do festival não com uma explosão, mas com uma elevação. Um final que não gritou  sussurrou alto. Um encerramento à altura de dois dias intensos de música e emoção. Um lembrete de que, no fim das contas, o que fica é aquilo que toca fundo  como só a música ao vivo consegue fazer

Texto: Mayara Dantas

Fotos: Mariana Dantas 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dançar Marketing 

Press: Marra Comunicação


Barão Vermelho – setlist:

Maior Abandonado

Por que A Gente é Assim?

Bete Balanço

Tente Outra Vez (Raul Seixas cover)

Pense e Dance

O Tempo Não Para (Cazuza cover)

Meus Bons Amigos

Down em Mim (Cazuza cover)

Por Você

Codinome Beija-Flor (Cazuza cover)

Malandragem Dá Um Tempo (Bezerra da Silva cover) 

Puro Êxtase

Amor pra Recomeçar (Frejat cover ) 

Pro Dia Nascer Feliz


Richard Ashcroft - setlist:

Weeping Willow

Music Is Power

Lover

Sonnet

Break the Night With Colour

The Drugs Don't Work

Lucky Man

Bitter Sweet Symphony


Dave Matthews Band - setlist: 

Warehouse

Dancing Nancies

The Best of What's Around

Why I Am

Lie in Our Graves (com "Wonderful Tonight")

Pantala Naga Pampa

Pig

Rapunzel

Lover Lay Down

Idea of You

#41 (feat Gabriel Grossi)

Say Goodbye

The Space Between

Madman's Eyes

Crush

Grey Street

All Along the Watchtower (Bob Dylan cover) (com "Stairway to Heaven" )

Bis

Just Breathe (Pearl Jam cover)

Two Step

Cobertura de Show: Best Of Blues And Rock – 07/06/2025 – Parque Ibirapuera/SP

Nem o frio e a chuva típicos de junho conseguiram esfriar os ânimos do público que lotou o Parque Ibirapuera no primeiro fim de semana do festival.

Entre riffs históricos e novos talentos promissores, o evento provou mais uma vez por que é um dos grandes marcos do calendário musical brasileiro. Um festival cheio de atitude  das bandas ao público presente – que não deixou a desejar quando o assunto é entretenimento de qualidade e música boa.

E não poderia haver escolha melhor para dar o pontapé inicial do que a Cachorro Grande. A banda gaúcha, conhecida por sua energia crua e potente, subiu ao palco com a missão de abrir o festival – e fez isso com a maestria de quem conhece bem o rock’n’roll. Foi uma entrada com o pé na porta: distorção no talo, carisma no palco e um repertório que fez até os mais jovens cantarem junto. Com hits como "Você Me Faz Continuar" e "Sinceramente", o grupo entregou um show vibrante e nostálgico, emocionando fãs antigos e reacendendo o espírito garageiro que marcou sua trajetória. A apresentação não só matou a saudade, como também provou que o rock nacional segue pulsando forte.

O céu de São Paulo escurecia e a temperatura caía, mas o clima no Parque Ibirapuera esquentava na mesma proporção  muito por conta da chegada de Richard Ashcroft ao palco. O ex-líder do The Verve, uma das vozes mais emblemáticas do britpop, entregou um show memorável, carregado de emoção, presença de palco e aquele toque agridoce que só ele sabe dosar.

Vestido com sua jaqueta característica e óculos escuros – que já se tornaram quase uma extensão da persona , Ashcroft conduziu o público por uma viagem intensa entre o lirismo melancólico e a grandiosidade sonora que marcaram sua carreira. Hits como "Sonnet", "Break the Night with Colour" e, claro, "Lucky Man" arrancaram coros apaixonados da multidão, que entoava cada verso como uma oração.

Um detalhe que chamou a atenção de muitos foi a camisa que Richard escolheu para o show: nada menos que uma camiseta do grande Ayrton Senna – uma bela homenagem aos fãs brasileiros, e que funcionou muito bem.

Sem surpresas, veio "Bitter Sweet Symphony". Quando os primeiros acordes ecoaram pelo parque, o público se transformou em um coral de milhares de vozes. Foi um daqueles momentos raros e intensos em que artista e plateia se fundem – uma catarse coletiva que, por si só, justificou o valor do ingresso (ainda que muito criticado). Na coletiva de imprensa, Richard comentou que gostaria de voltar ao Brasil em um show solo, pois, em festivais, não consegue ter noção do tamanho de sua base de fãs. Espero que ele realmente volte – e veja que tem muitos fãs ansiosos esperando por esse retorno. E posso afirmar: esta que vos fala é uma dessas pessoas.

Após uma sequência de grandes nomes, coube à Dave Matthews Band a missão de encerrar o primeiro dia do Best of Blues and Rock 2025.

Com seu formato único – que mistura rock, jazz, folk e improvisos quase psicodélicos , o grupo liderado por Dave Matthews entregou uma performance hipnótica e envolvente, fazendo o público oscilar entre momentos de pura contemplação e explosões de euforia. Confesso que não sabia que a banda tinha fãs tão fiéis e comprometidos! Conheci e conversei com gente de todos os cantos: membros de fã-clubes, casais que tiveram o relacionamento marcado pela banda, famílias inteiras... Foi uma das coisas mais lindas de se ver.

Canções como "Crash Into Me", "Walk Around the Moon" e "Ants Marching" ganharam longas passagens instrumentais e solos inspirados, evidenciando a absurda sintonia entre os músicos. Com seu carisma tranquilo e falas entre músicas que misturavam gratidão e brincadeiras com o público brasileiro, Dave parecia completamente à vontade. Ele realmente é muito carismático  e ainda contou com uma participação especial de um gaitista brasileiro Gabriel Grossi emocionando a plateia.

O encerramento veio sem pressa – como é típico da banda , com longos aplausos e aquele sentimento coletivo de não querer que acabe, fazendo com que todos aproveitassem cada segundo e ouvissem cada instrumento sem pressa.

A Dave Matthews Band não apenas fechou a noite: deixou uma assinatura musical delicada e poderosa no festival. Um final digno de um primeiro dia que foi, do começo ao fim, um tributo ao poder atemporal da música ao vivo. Um show que valeu cada minuto e cada centavo do ingresso. Foi um encerramento potente e emblemático  e uma escolha certeira ter a banda como headliner nos dois primeiros dias do Best of Blues and Rock.

OBS: O show do Vitor Kley não foi incluído nesta resenha por não estar alinhado à linha editorial do site.


Texto: Mayara Dantas

Fotos: Mariana Dantas

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dançar Marketing 

Press: Marra Comunicação


Richard Ashcroft – setlist: 

Sonnet

Space and Time

Weeping Willow

A Song for the Lovers

Break the Night With Colour

The Drugs Don't Work

Lucky Man

Bitter Sweet Symphony


Dave Matthews Band – setlist:

Don't Drink the Water

So Much to Say

Anyone Seen the Bridge

Too Much

You Never Know

Grace Is Gone

Satellite

Walk Around the Moon

You Might Die Trying

Gravedigger

What Would You Say (feat. Gabriel Grossi)

Crash Into Me

Jimi Thing

Everyday

Typical Situation

You & Me

Shake Me Like a Monkey

Tripping Billies

Bis

Peace on Earth

Ants Marching