Desde seu retorno aos palcos em 2015, os pioneiros do Vodu já haviam acenado que vinham compondo material para um novo disco, e após 27 anos lança um novo de trabalho, "Walking With Fire", marcando da melhor maneira possível os 35 anos de história da banda, comemorados neste 2020.
"Como está soando o novo disco?", alguém me perguntou após uma postagem que fiz semana passada, e a melhor resposta que posso dar é "soa Heavy Metal no que o estilo tem de melhor". São anos de experiência e maturidade que a banda colocou neste álbum, e eles já afirmavam que buscavam fazer o melhor disco do Vodu até aqui.
Deixei passar a empolgação inicial para depois de mais algumas audições, escrever algumas linhas, e a dedicação que os caras colocaram na construção de "Walking With Fire" valeu a pena, e quem ganha é o fã de Heavy Metal em geral, pois o álbum é recheado de sérios candidatos a hinos.
Riffs marcantes, refrãos e melodias muito bem lapidadas, instrumental impecável, com ótimo trabalhos das guitarras, a dupla Xinho e Lanfranchi conversam muito bem, com riffs, solos e melodias criativas, técnicas e marcantes, quesito imprescindível em um álbum de Metal. Sérginho mostra toda sua experiência, combinando pegada, técnica e variações certeiras, sempre bem acompanhado pelo baixo pulsante de Pomba. André Góis, da escola dos vocalistas clássicos, mostra que não é preciso notas altíssimas ou outros malabarismo, e sim imprimir personalidade, interpretação e doses de malícia!
Na parte lírica, as letras falam desde histórias de horror e ficção, até temas mais atuais e pessoais. A capa também tem uma temática que remete ao nome da banda, com um conceito estilo horror clássico, em uma ilustração fantástica de Marcelo Vasco. Já sonho com essa capa em um vinil!
Álbum que cativa de imediato, com aquele poder de já grudar na mente, trazendo de volta aquela sensação que já tem sido rara, de quando pegávamos novos álbuns de nossas bandas preferidas lá nos anos de ouro do Metal.
O álbum já abre com um dos novos hinos, e faixa título, "Walking With Fire", traz peso, melodia, velocidade, com variações de ritmo, destacando os riffs marcantes e um grande refrão, já mostrando o que espera o ouvinte! "Voodoo Doll", que conta a história do cara que perdeu a alma para uma feiticeira vodu, vem numa levada mais cadenciada e cativante, com um certo groove, numa linha mesclando o Hard/Heavy; "I Spit on Your Grave" vem carregada de energia, despejando fúrias nos riffs e refrão.
"Got to Be Free" tem um lado mais Hard, com melodias cativantes, principalmente no pré-refrão e refrão; "Say My Name", que também tem uma temática ligada ao sobrenatural, é veloz, com outro grande refrão; "Only the Brave Can Love" tem uma levada Heavy/Blues, cadenciada e com groove em seu andamento.
"Empire of Demise" vem com muito peso, às vezes com um pé no Thrash; "Enemy Inside" tem uma aura nervosa, com peso e muita pegada; "(Un) Blessed" tem um andamento mais pesado, trazendo mudanças de andamento, com trechos mais suingados e cativantes melodias. Ela fecha a série de músicas inéditas do álbum de forma brilhante, mostrando a variedade e qualidade do trabalho.
Como bônus, temos 5 faixas, releituras de músicas dos dois primeiros álbuns. Elas ganharam em qualidade de gravação e em experiência na execução, deixando ainda melhor o que já era bom! Destaque para "Seeds of Destruction", que ganhou uma roupagem mais Metal clássico, sem perder aquela pegada Thrash, e para a melodiosa "Let me Live".
Heavy Metal clássico, pesado e empolgante, com um cuidado de detalhes que vão desde a belíssima capa, passando por toda a parte de composição, produção e execução! Aqui no Road to Metal não usamos dar notas, não temos essa pretensão de colocar esse tipo de avaliação no trabalho de ninguém, mas exceção pra dar uma nota 10 acho que pode! Grande álbum Vodu, nota 10.
O VODU ocupa um lugar de destaque na galeria da história do Heavy Metal brasileiro, fundada em 1985, foi um dos pioneiros do estilo, dividindo o espaço com outras bandas históricas surgidas no início dos anos 80, principalmente no circuíto paulista. (English Version)
O Vodu também foi uma das primeiras bandas brasileiras de Heavy Metal a lançarem um full-lenght, "The Final Conflict" (1986), alcançando excelente repercussão, lhes rendendo uma tour que passou inclusive pela Argentina.
Depois da estreia, a banda lançou mais um EP e dois full-lenghts, mas as alterações de line-up, mudanças do cenário musical e outras dificuldades acabaram acarretando em um longo hiato iniciado após o lançamento do álbum "Endless Trip" (1993), e que durou até 2015, quando o Vodu saiu do período de hibernação e iniciou um retorno com muita energia e fôlego.
Com o retorno do Vodu, quem ganha é o cenário Heavy Metal, e agora a banda está prestes a lançar seu novo full-lenght, "Walking With Fire". Precedido pela demo "Voodoo Doll" (2018), o novo álbum promete ser o melhor da banda até agora, é o que eles apostam! Conversamos com Sérgio Facci, fundador e único membro presente em todas as formações da banda, e com o vocalista André Gois, para saber um pouco mais sobre o retorno do Vodu, sobre o novo álbum e trazer um pouco da história desta grande banda. Quem curte o clássico Heavy Metal, não pode perder esse álbum!
RtM: A banda teve um longo hiato, apesar de os
integrantes sempre continuarem com projetos ligados à música, e sempre era um
nome lembrado quando se falava em bandas pioneiras. Fale um pouco de como
acendeu essa chama, que resultou na vontade de retornar com a banda.
Sérgio Facci: Fomos convidados separadamente para um evento
que a Banda VIPER faz anualmente, isso em 2015. Quando percebemos, estávamos
André Pomba, André Gois, J.Luis "Xinho"Gemiganani e eu no camarim,
prontos para tocarmos uma musica do Viper ! Então surgiu a idéia de retormarmos
nosso caminho, desde que fosse com o objetivo de fazer novo material!! E
partimos para essa missão.... e dentro de alguns dias vocês ouvirão nosso novo
trabalho: o CD "Walking With Fire"!!
RtM: E para chegar a essa formação atual? Com
integrantes da fase inicial, inclusive o Andre nos vocais, senti que vocês
buscaram um line-up que tivesse uma química e também orgulho da história e de
escrever novos capítulos.
Sérgio Facci: Foi meio que uma coincidência, pois o Jeff
(guitarrista da segunda fase do VODU), também voltou com a gente, mas por
motivos profissionais, não conseguiu dar continuidade, e então o Paulo
Lanfranchi (também guitarrista da segunda fase), que estava tocando comigo no V
PROJECT, retornou a banda e formamos nosso line-up!!
"Fomos umas das bandas pioneiras, tocamos em quase todo o Brasil em uma época difícil de acontecer."
RtM: E o embrião inicial do Vodu? Conte-nos um
pouquinho de como surgiu a banda e também sobre a oportunidade de gravar o
primeiro álbum, que inclusive um dos primeiros full-lenght do Metal Nacional.
Sérgio Facci: A Banda surgiu da primeira banda que formei no
Colégio. A Banda chama-se Resomnância e foi na época do show do KISS no Morumbi
(1983)!! Marcelo Boccato que tocava guitarra e eu, queríamos ir ao show,
compramos os ingressos, mas não tinhamos com quem ir...e um amigo de um amigo
nos ofereceu carona ... esse amigo era o André Cagni, hoje Pomba!! E contou
que tocava baixo ... chamamos para entrar na banda!
Com ele, incorporamos um
segundo guitarrista, o Bruno Bomtempi Jr. Boccato acabou saindo, encontramos um
vocal chamado Jeferson, e então mudamos o nome da banda para VODU ! André Gois
"Andrews"na época, assumiu os vocais e iniciamos a caminhada com
shows em colégios, e festivais, até que pintou a oportunidade de gravarmos nosso
primeiro LP.
RtM: A tour do álbum também rendeu muitos shows não
é? Inclusive fora do país. Conte-nos um pouco sobre isso, e também como eram as
condições naquela época, tipo, transportes, hospedagem, o som nos locais.
Sérgio Facci:: Simmm!! O Pomba já ajudava bastante na Rock
Brigade (Revista e nossa Gravadora) e tinha muitos contatos, o que acabava
gerando muitos shows ... e entre eles, conhecemos o Pocho Almeida que tinha um
fanzine ou algo assim na Argentina, e nos convidou para irmos para lá fazer 3
shows! Todos os shows do VODU, eram no esquema "mambembe" mesmo!!
Íamos para a rodoviária, ônibus de linha mesmo e íamos embora... muitos kms
percorridos ... hospedagens normalmente era na casa do produtor ou de algum
amigo do mesmo, raramente tinha hotel e mais raramente o hotel era bom!!
Hehehe!! Quanto ao equipamento, tudo era sofrido, pois não existia coisa muito
boa aqui no Brasil, então nós levávamos o que dava e encarava o restante no
local.... muitas vezes doía ... mas fazia parte!!
RtM: Porque a banda, depois de um começo promissor,
teve a mudança na formação? Principalmente a saída do André, pois a troca de vocal
geralmente é algo que é mais sentido.
Sérgio Facci: Ah... isso era ideologia na época, falta de
experiência, imaturidade, falta de retorno financeiro, ... enfim um somatório
de fatores.
RtM: Vocês iniciaram o movimento no Brasil, ao lado
de Viper, por exemplo, que cantava em inglês, ao contrário de uma tendência na
época, que era fazer as músicas em português, como o Stress, Centúrias, Harppia
e outros. Vocês já miravam e sonhavam em um mercado fora? Ou porque realmente é
a língua mais usada no Rock e Metal.
Sérgio Facci: Começamos cantando em português, inclusive será
lançado pela Classic Metal um box com os LPs Seeds of Destruction e No Way, com
alguns bônus em vide o (inclusive duas em português - nosso início !)
RtM: Você
Mensura a importância do Vodu dentro da história do Metal brasileiro?
Sérgio Facci: Ahh.. Fomos umas das bandas pioneiras, tocamos
em quase todo o Brasil em uma época difícil de acontecer, fomos para o
Nordeste, sul, Argentina, enfim, divulgamos muito o heavy metal no inicio da
cena aqui no Brasil!
RtM: O que motivou a banda a encerrar as atividades
depois do “Endless Trip” (93)? Nos 90 muitas bandas aqui do Brasil e fora
sentiram aquela mudança na indústria da música, isso também pode ter afetado na
decisão?
Sérgio Facci: Sim. Estávamos cansados na verdade, e isso
acabou "motivando" o encerramento das atividades, ou suspendendo hahaha!!
RtM: Durante esses anos em que a banda esteve
parada, tivemos muitas mudanças no cenário e indústria musical, e claro, no
cenário Metal, como a explosão da internet, mp3, plataformas digitais e até
estamos vendo agora nos últimos anos uma retomada no crescimento das mídias
físicas.Gostaria que você comentasse
sobre as principais diferenças daquela época em que vocês iniciaram e a atual,
o que melhorou e o que piorou na sua opinião?
Sérgio Facci: Então, mudou tudo literalmente!! Divulgação,
compartilhamento das musicas, enfim, tudo ficou muito mais fácil! Antigamente
você mandava fita cassete via correio, demorava um mês ou mais até chegar ao
destino, e isso agora, não existe mais. Divulgação a mesma coisa, tudo via
correio, hoje você solta a nota aqui e em 2 minutos já está no mundo todo!
"Com certeza será o grande trabalho do VODU!! Muito esforço e dedicação estão neste trabalho."
RtM: Falando sobre o novo disco, vocês já começaram
a trabalhar nas novas músicas em 2015, logo após o retorno? Fale um pouco sobre
esse processo, e acredito que muita coisa deve ter mudado nas composições de lá
pra cá? Vocês compuseram quantas novas músicas?
Sérgio Facci: Sim. Desde 2015 fizemos novas composições, para o
CD foram em torno de 12 músicas e ficaram nove gravadas. As composições são na
maioria do André Gois e do Pomba, o Xinho também tem uma e nosso amigo Valder
Santos nos presenteoucom duas músicas
sensacionais! O Val foi baterista do VIPER na época do Theatre of Fate, depois
passou a integrar a TOYSHOP, sendo um dos grandes compositores que conheci até
hoje.
RtM: Além disso, claro, vocês vão regravar algumas músicas dos primeiros discos, com melhores condições, e quem sabe mais próximas da maneira que vocês gostariam que soasse na gravação original.
Sérgio Facci: Sim, são cinco músicas regravadas e repaginadas. Final Conflict e Let Me live do LP Final Conflict e Seeds Of Destruction, Whats the Reason?, e Keep On Fighting do segundo LP Seeds Of Destruction.
RtM: Sobre as regravações de músicas dos primeiros álbuns, além da possibilidade agora de dar uma gravação melhor, vocês mudaram algum arranjo? E que critérios vocês usaram na escolha das regravações.
Sérgio Facci: Sim, mudamos algumas músicas, e escolhemos aquelas que se destacaram mais.
RtM: Não só no caso do Vodu, mas muitas gravações da épocanão traduziam o que a banda fazia ao vivo, e agora, somando a experiência, equipamentos e estúdios mais capacitados, você acha que talvez esse novo disco possa ser o melhor da banda?
Sérgio Facci: Olha, com certeza será o grande trabalho do VODU!! Muito esforço e dedicação estão neste trabalho !!
RtM: Os planos eram lançar o álbum quando? Agora também esta situação com a pandemia, com certeza atrasou ainda mais os planos para lançamento. Fora isso, quais as principais dificuldades que vocês encontraram atualmente?
Sérgio Facci:: Na verdade esse álbum era para ter saído ano passado (2019), mas alguns contratempos aconteceram e atrasou o lançamento, agora com a pandemia, acabou atrasando um pouco mais, mas em um mês o CD estará com vocês!!
"Walking With Fire" foi escolhida para ser a música título por ser muito forte e representar o espírito e o estilo que temos hoje, um Heavy Metal clássico!
RtM: Algo que achei legal foi a
temática de algumas letras, tendo a ver com o nome da banda, como Voodoo Doll
(aquelas percussões na batera caíram muito bem, deram um clima legal) e Say My
Name. Gostaria que vocês comentassem mais sobre essas duas músicas.
André Gois: "Say My Name" e "Voodoo
Doll" tem uma temática de terror e fantasia, coisa que nunca exploramos no
passado por sermos mais direcionados a temas políticos e sociais. Agora, depois
de tanto tempo, essa temática de horror e fantasia faz mais sentido para o
estilo de Heavy Metal mais clássico que tocamos e com o nome da banda, coisa
que nunca exploramos também. "Voodoo Doll" fala de um cara que se
envolveu com uma feiticeira vodu e perdeu a alma (hahaha) e "Say My
Name" fala de um ritual, com a entidade dizendo o que é preciso fazer para
que ela se manifeste.
RtM: Walking With Fire, faixa título,
que saiu também como bônus na versão em CD de Final Conflict. Gostaria que
vocês também falassem mais sobre ela, e também o porquê da escolha dela para
faixa título.
André Gois: "Walking With
Fire" foi escolhida para ser a música título do disco por ser muito forte
e representar o espírito e o estilo que temos hoje, um Heavy Metal clássico,
melódico, pesado e rápido com variações de ritmo muitas vezes. Fala de uma
volta por cima, que é melhor deixar para trás aquilo que já não nos pertence ou
que nunca nos pertenceu e seguir em frente, mesmo que a estrada e a tempestade
possam assustar.
RtM: A demo “Voodoo Doll” deu uma ideia muito boa do
que está por vir, pessoalmente gostei muito, gerando muita expectativa. Que
faixas mais você acha que terão uma aceitação melhor e assimilação mais rápida
do público? Tem alguma que tenha algum elemento que você acha que possa causar
alguma surpresa?
Sérgio Facci: Acredito que "I Spit On Your Grave" e "(Un)blessed", que são duas
músicas muito fortes!!
RtM: Gostaria que vocês falassem como vocês estão
sentindo a repercussão e aceitação das novas músicas que já foram apresentadas
ao público, além do desafio de mostrar o som da banda para um novo público,
buscar o espaço no cenário atual.
Sérgio Facci: Só elogios! A galera tem curtido muito os
clips e comentado muito nas redes!!
E com a experiência agregada em todos estes anos, estamos preparados para
lançar um grande álbum!!
RtM: Desta vez miram algo mais fora do Brasil? Quais
expectativas mais vocês têm para o futuro da banda?
Sérgio Facci: Sim, sempre!! Espero poder mostrar que o VODU
cresceu e se modernizou, sem esquecer as raízes do Heavy Metal !!
RtM: E os integrantes que gravaram álbuns seguintes?
Pensaram em alguma participação especial no álbum novo? Talvez em um show de
lançamento com convidados especiais, incluindo alguns ex-integrantes.
Sérgio Facci: Só eu mesmo que participei de outros LPs.
Quanto aos convidados, SIM, teremos imenso prazer em ter ao nosso lado, nossos
amigos e ex integrantes de outras formações!!
RtM: Para fecharmos esta entrevista, o que acha de
comentar um pouquinho de cada disco do Vodu, as principais diferenças entre
eles e o que eles representam na história da banda?
Sérgio Facci: Vamos la´: "The
Final Conflict" – nosso primeiro trabalho, início de tudo, esse LP abriu caminho
para muitas bandas e músicos!! Éramos uma banda que tentava fazer um Heavy Metal bem trabalhado e bem tocado!!
"Seeds Of Destruction" – Foi a fase mais
"Thrash" da banda. Músicas rápidas sem perder a característica de ter
um bom trabalho musical
"No Way" – Na verdade um EP, que foi gravado de
uma lado, ao vivo no CAVERNA II no Rio de Janeiro e de outro lado, algumas
idéias em um estúdio fazenda no interior do Rio de Janeiro também.
"Endless Trip" – Nosso último trabalho gravado.
Tentamos misturar elementos eletrônicos ao nosso som.
RtM: Obrigado pela entrevista, ficamos no aguardo
das novidades sobre o álbum! Fica o espaço para a sua mensagem final e também
para informar aos headbangers onde poderão adquirir o novo material,plataformas digitais
Sérgio Facci: Gostaria muito de agradecer o espaço aberto
para nós, e dizer que você faz um trabalho de divulgação das bandas sensacional!!
Agradecemos aos nossos amigos e fãs por todas a
força e incentivo que vocês nos dão .. Valeu!
E bangers, sigam nossas redes sociais!! Em
nosso site –www.voduband.com,
tem links diretos para todas nossas redes, e por la vocês saberão do lançamento
do novo CD !! Facebook/Instagram/ Youtube entre outras estão por lá! E nos
próximos dias lançaremos a pré-venda do nosso CD, com alguns bônus extras ...
aguardem!
Valeu Bangers – Quando as agulhas do metal lhe
tocarem, você estará eternamente possuído!!
Entrevista: Carlos Garcia
Vodu: André Gois: Vocals Sérgion Facci: Drums André "Pomba" Cagni: Bass J.Luis "Xinho"Gemiganani: Guitars Paulo Lanfranchi: Guitars
Com mais de duas décadas de
estrada o Hellish War segue firme em seu propósito, desde a criação da banda,
que é fazer Heavy Metal à maneira clássica. Nessa caminhada já são 4 álbuns de
estúdio, um ao vivo (com gravações de sua tour na Alemanha), duas viagens ao
velho mundo, onde ampliou sua base de fãs, mudanças de formação, um pequeno
hiato e outras dificuldades dessa batalha que é fazer arte, música e
principalmente Metal. (English Version)
Conversamos com o baixista JR para falar um pouco dessa história, e principalmente sobre o novo álbum, "Wine of Gods", que já está disponível em formato físico e digital, e ainda vai receber uma edição limitada em LP, que será lançada pela gravadora Abigail Records. Confira!
RtM: O Hellish War foi formado
numa época que o mercado musical estava mudando, os anos 90, algumas bandas
tentaram inclusive mudar o estilo para se encaixar no mercado, mas em
contrapartida surgiram novos nomes, inclusive um revival do Metal dos anos 80, usando
o termo “True Metal”, com nomes como o Hammerfall, e o próprio Hellish War
aqui. Um movimento que renovou e recuperou aquela sonoridade do Heavy Metal
80’s. Gostaria que você comentasse a respeito disso, e sobre como você vê o
espaço no cenário hoje para as bandas que seguem essa linha mais 80’s?
JR - Acredito que tem espaço para todo
mundo. Obviamente algumas modas vão e vem, alguns estilos ora em alta tendem a
cair na semana seguinte e assim por diante. Este lance do revival chega a ser
engraçado, pois nosso principal compositor nasceu na década de 70 e viveu a
aura dos anos 80 in loco. Então mais do que normal que essa influência se
refletisse nas composições. Entendo o ponto jornalístico da questão, mas pra
nós, isso nada mais é do que Metal. Metal que nós ouvimos e curtimos no dia a
dia. É nosso background e influência, o revival quem faz geralmente são os fãs
e a mídia em geral.
RtM: Para este novo álbum
vocês contaram com apoio importante, com financiamento pelo Proac Editais, o
que certamente, devido as dificuldades para uma banda brasileira poder
investir, é uma saída muito interessante, para seguir lançando novo material,
podendo investir mais na produção, consequentemente podendo ser mais
competitivo. Gostaria que vocês comentassem a respeito desse apoio e o que mais
isso trouxe e poderá trazer de resultado.
JR -O PROAC foi uma porta gigantesca para
tentarmos um novo approach. É legal ver que uma banda de Metal, do underground
nacional foi contemplada com este projeto. Mostra que de certa forma ainda
existe abertura para a cultura, seja ela qual for. Foi muito importante termos este
apoio e isso acrescenta e muito para a história do Hellish War. A liberdade
financeira foi essencial neste projeto, além de ter ajudado no nosso ego. A
auto estima foi lá em cima.
RtM: Algo que achei muito
interessante é a contrapartida ao projeto que a banda dará, que são as
realizações de oficinas musicais. Ou seja, o estado investiu em cultura, e a
população recebe também o retorno. Inclusive o Show de lançamento também é com
entrada franca não é? Então, é muito importante tudo isso, pois muitos parecem não
ver o Heavy Metal como algo que mereça um investimento maior por parte de
órgãos de incentivo à cultura. Gostaria que vocês comentassem a respeito.
JR- Sim, fizemos três shows de forma
gratuita. É muito legal isso, pois, acabamos por alcançar pessoas que não são
do metal e até sendo possível melhorar a imagem do estilo perante a sociedade
em geral. Em nossos shows abertos ao público sempre tem crianças, famílias
inteiras. Esta contrapartida é essencial para disseminarmos a cultura, e sendo
uma cultura que vivemos e respiramos, melhor ainda.
RtM: E com relação à
produção de “Wine of Gods” e aos trabalhos anteriores, visto o apoio com o
financiamento, acredito que vocês conseguiram dispor de mais recursos, mais
alternativas e mais tempo para a produção. Poderia nos destacar as principais
diferenças da produção deste álbum para os anteriores?
JR - A diferença principal foi a verba
mesmo, porque tempo não tivemos. O projeto tinha um deadline bem menor do que
estamos acostumados a trabalhar, então foi bem tenso o processo de composição e
gravação. Mas com a verba, foi possível avaliarmos mais de um produtor, mais de
uma forma de lançar, etc.
RtM: “Wine of Gods” com
certeza será apontado por muitos como o melhor trabalho da banda, trazendo
composições muito fortes e bem trabalhadas, e claro, produção cristalina.
Gostaria que vocês comentassem a respeito do processo de composição, inclusive
vocês se isolaram em um sítio durante o processo não é?
JR - Sim, nos isolamos por alguns dias em
um sítio no interior. Foi legal termos este espaço, longe dos problemas
corriqueiros do dia a dia. Longe de trabalho, família, etc. A criatividade
flui. Tínhamos a aparelhagem ligada o tempo todo, então era só chegar e tocar a
qualquer momento. Cansou? Era só dar um pulo na piscina, fazer um churrasco.
Nossa composição segue uma linha uniforme em todos os álbuns, o Vulcano e o Job
geralmente apresentam as ideias e vamos lapidando com a banda toda. Com o lance do
sitio isso aflorou, e até eu que nunca compus nada acabei assinando uma das
músicas.
RtM: Um dos destaques, que
inclusive teve um lyric-video lançado recentemente, é “Warbringer”, que traz
como convidado Chris Botendahl (Grave Digger), gostaria que vocês nos contassem
mais a respeito de como surgiu essa ideia e oportunidade de convidá-lo, e que
critério foi usado para decidir em qual faixa iriam utilizá-lo?
JR - Tínhamos a ideia de convidar alguém
do Metal. Fizemos a lista dos que mais gostamos e entramos em contato. Tinham
alguns outros, mas o Chris foi muito simpático e prestativo desde o início.
Mostrou interesse e respondeu quase de imediato. A escolha da música foi bem óbvia pra gente, este som tem a cara dele e já imaginávamos ele cantando. Mas
ele fez um trabalho excelente e contribuiu muito pro som. Somos muito fãs de
Grave Digger, é uma realização ter ele no álbum.
RtM: Uma das grandes
dificuldades é o espaço para shows, ainda mais em um país enorme como o nosso,
aliadas a dificuldades econômicas. Na sua visão, o que pode ser feito para
termos melhorias nesse sentido?
JR - Olha, são tantos anos na estrada e
respondi tanto sobre esse assunto que já nem sei mais por onde ir. Mas, sendo
objetivo, acredito que falte incentivo mesmo. Dinheiro é o que gira o mundo e
se não nos unirmos para prestigiar as bandas nacionais que aparecessem por aí,
dificilmente este cenário irá mudar. O incentivo de um projeto estadual mostra
que a realidade pode ser alterada, temos que levar isso para a cena como um
todo também.
RtM: E suas expectativas
para shows no Brasil e também expectativas de novamente um trabalho da banda
ser lançado por um selo estrangeiro, além de voltar para uma tour maior na
Europa, um dos grandes mercados do Heavy Metal?
JR - Para o Brasil já fizemos três shows
de lançamento, como parte do projeto para o Proac: Sorocaba, Santos e Campinas.
Os demais serão divulgados em breve. Tem coisa legal vindo por aí, o Hellish
irá quebrar algumas barreiras daqui pra 2020. Quanto a Europa, o álbum sairá em
vinil pela Abigail Records de Portugal e estamos procurando parceiros para
lançar o disco lá. O mesmo vale para um nova tour por lá. Nada definido, mas
está no nosso radar.
RtM: Obrigado pela atenção!
Espero vê-los conquistando mais reconhecimento, e também ver um show da banda
aqui no RS ano que vem. Fica o espaço para sua mensagem aos leitores.
JR - Seria um prazer irmos para o RS. Só
falta o convite!! Quero agradecer pelo espaço concedido e agradecer a todos os
leitores e fãs da banda! Ouçam o novo álbum, sigam nossas redes sociais,
compartilhem com os amigos e em breve nos vemos na estrada!! Entrevista: Carlos Garcia Fotos: Divulgação Line-Up: Bill Martins: Vocals Vulcano: Guitar Daniel Job: Guitar JR: Bass Daniel Person: Drums Agradecimentos: Som do Darma Discografia:
With more than two decades on the road the brazilian band Hellish War has been steadfast in their purpose, since the band's creation in 1995, which is to do Heavy Metal in the classic way. In this walk are already 4 studio albums, one live (with recordings of their tour in Germany), two tours over Europe, where they expanded their fan base. The band had lineup changes, a small hiatus and other difficulties of this battle that is making art, music and especially Metal music. But after that hiatus, they returned with batteries recharged, and the new album, "Wine of Gods", came full of energy, with ten new Heavy Metal missiles, receiving a lot of praise, including from the legendary Chris Botendahl (Grave Digger). (VERSÃO EM PORTUGUÊS)
We have talked to bassist JR to tell us a little about this history, and especially about the new album, which is already available in physical and digital format, and will still receive a limited edition in LP, which will be released by the label Abigail Records. Check out!
RtM: Hellish War was formed at a time when the music market was changing, the 1990s, some bands even tried to change their style to fit the market, but in contrast new names came up, including an 80's Metal revival, using the term "True Metal", with names like Hammerfall, and Hellish War itself here. A movement that renewed and regained that heavy metal 80's sound. I would like you to comment on this, and how do you see the space on the scene today for bands that follow this 80 plus line?
JR - I believe there is room for everyone. Obviously some fads come and go, some up-and-coming styles tend to fall the following week and so on. This revival move is funny because our main composer was born in the 70's and lived the 80's aura. So more than normal that this influence was reflected in the compositions. I understand the journalistic point of the matter, but for us, this is nothing but Metal. Metal that we listen to and enjoy on a daily basis. It's our background and influence, the revival we usually do is the fans and the media in general.
RtM: For this new album you had important support, with funding by Proac (a program that gives support to culture, from State of SP), which certainly, due to the difficulties for a Brazilian band to invest, is a very interesting way out, to continue releasing new material, being able to invest more in production, consequently it may be more competitive. I would like you to comment on this support and what else it has brought and could bring about.
JR - PROAC was a huge door for us to try a new approach. It's nice to see that a metal band from the national underground was awarded this project. It shows that in some ways there is still openness to culture, whatever it may be. It was very important to have this support and that adds a lot to the history of Hellish War. Financial freedom was essential in this project, as well as helping our ego. Self esteem was up there.
RtM: Something that I found very interesting is the counterpart to the project that the band will give, which are the accomplishments of music workshops. That is, the state has invested in culture, and the population also receives the return. Even the launching show is also free, right? So, all of this is very important, as many do not seem to see Heavy Metal as deserving a larger investment by cultural incentive agencies. I would like you to comment on this.
JR- Yes, we did three shows for free. This is very cool, because we eventually reach non-metal people and it is even possible to improve the image of the style before society in general. In our shows open to the public there are always children, whole families. This counterpart is essential for spreading the culture, and being a culture we live and breathe, even better.
RtM: And with regard to the production of “Wine of Gods” and previous works, given the support with the funding, I believe you have more resources, more alternatives and more time for production. Could you highlight the main differences in the production of this album to previous ones?
JR - The main difference was the money, because we didn't have time. The project had a much shorter deadline than we're used to working on, so the writing and recording process was pretty tense. But with the money, it was possible to evaluate more than one producer, more than one way to launch, etc.
RtM: “Wine of Gods” will surely be pointed by many as the best work of the band, bringing very strong and well crafted compositions, and of course, crystal clear production. I would like you to comment about the composition process, including part of it held on a small farm during the process, is not it?
JR - Yes, we are isolated for a few days in a place, a little farm far from the city. It was nice to have this space, away from the usual problems of everyday life. Far from work, family, etc. Creativity flows. We had the stereo on all the time, so just get in and play anytime. Tired? Just jump in the pool, have a barbecue. Our composition follows a uniform line in all albums, Vulcano and Job usually present the ideas and we cut with the whole band. With the bid of the farm this came up, and even I who never composed anything ended up signing one of the songs.
RtM: One of the highlights, which even had a recently released lyric-video, is “Warbringer”, which features Chris Botendahl (Grave Digger) as a guest. I would like you to tell us more about how this idea and opportunity to invite Chris came up, and what criteria was used to decide which track to use it?
JR - We had the idea of inviting someone from Metal. We made the list of the ones we like best and get in touch. There were a few others, but Chris was very friendly and helpful from the start. He showed interest and responded almost immediately. The choice of the song was very obvious to us, the song "Warbringer" has his face and we already imagined him singing. But he did an excellent job and contributed a lot to the sound. We are very fans of Grave Digger, it is a real accomplishment to have him on the album.
RtM: One of the biggest difficulties in Brazil is the space for shows, especially in a huge country like ours, coupled with economic difficulties. What do you think can be done to make improvements in this regard?
JR - Look, it's been so many years on the road and I answered so much on this subject that I don't know where to go anymore. But, being objective, I believe that it really lacks incentive. Money is what turns the world around and if we don't come together to honor the national bands that appear around, this scenario is unlikely to change. The encouragement of a state project shows that reality can be changed, we have to take it to the scene as well.
RtM: What about your expectations for shows in Brazil and also expectations of again a band's work being released by a foreign label, besides returning to a bigger tour in Europe, one of the big Heavy Metal markets?
JR - For Brazil we have already done three release shows, as part of the project for Proac: Sorocaba, Santos and Campinas. The others will be released soon. There's cool stuff coming around, Hellish will break some barriers from now on by 2020. As for Europe, the album will be released on vinyl by Abigail Records from Portugal and we're looking for partners to release the album there. The same goes for a new tour there. Nothing definite, but it's on our radar.
RtM: Thank you for your attention! I hope to see them gaining more recognition, and also see a band show here in Rio Grande do Sul next year.
JR - It would be a pleasure to go to RS. Just missing the invitation !! I want to thank you for your space and thank all the readers and fans of the band! Listen to the new album, follow our social networks, share with friends and see you soon on the road !!
Interview: By Carlos Garcia
Photos: Suzy dos Santos (Som do Darma)
Line-Up: Bill Martins: Vocals Vulcano: Guitar Daniel Job: Guitar JR: Bass Daniel Person: Drums Discography: