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sábado, 31 de maio de 2025

Cobertura de Show: Stone Temple Pilots – 22/05/2025 – Terra SP/SP

O Stone Temple Pilots é uma banda de rock alternativo formada em 1989, na Califórnia. É uma das bandas de maior sucesso dos anos 90, chegando a vender mais de 40 milhões de álbuns pelo mundo inteiro. E, na quinta-feira do dia 22 de maio, eles se apresentaram em São Paulo no Terra SP.

O show contou com Velvet Chains como banda de abertura. O Velvet Chains foi formado em Las Vegas em 2018, e conta com um som mais voltado ao hard rock. A banda começou seu show no horário, as 20:10, e desde a primeira música era possível ver o clima morno que ia ficar durante toda sua apresentação.

A plateia não estava muito animada durante todo o show do Velvet Chains, apenas gritando quando o vocalista, Chaz Terra, conversava em português com quem estava presente. 

A banda chegou a tocar seu novo single, lançado esse mês, chamado “Ghost in the Shell”, e Chaz ainda brincou perguntando se os 5 fãs deles presentes no show já tinham assistido o novo clipe da música.

O momento mais emocionante de todo o show deles foi na última música, quando o guitarrista desceu do palco pra tocar no meio do povo. Mas, mesmo assim, a maior parte das pessoas não ligou muito para a situação. Vale ressaltar que todos os integrantes tinham uma boa presença de palco, não deixando de entregar seu melhor, mesmo com uma plateia meio fraca.

Após o show do Velvet Chains, a casa começou a lotar cada vez mais, enquanto o público aguardava pela atração principal da noite. E, as 21:30, a banda subiu ao palco com a música “Unglued”, do seu segundo álbum, “Purple”. Mas a emoção começou mesmo nas duas músicas seguintes, “Wicked Garden” e “Vasoline”. Também começou o coro de toda a plateia gritando “STP! STP!”, mostrando seu amor pelo grupo, e os recebendo novamente em nosso país.

A banda conta com quase a mesma formação desde o início, com exceção apenas do vocalista. O vocalista original da banda, Scott Weiland, saiu do STP em 2013 e acabou morrendo em 2015 por conta de uma overdose, e desde 2017 quem assume os vocais é o Jeff Gutt. E mesmo com a pressão de ter que cantar as músicas de Weiland para os fãs, ele consegue entregar ótimos vocais com uma enorme presença de palco, chegando a cantar duas músicas na grade, junto com o público, a “Down” e a “Silvergun Superman”.

O set contou, no total, com 17 músicas, que passaram pelos primeiros quatro álbuns do STP, contando com diversos clássicos. Mas é um pouco estranho que mesmo com dois álbuns gravados com Gutt no vocal, não contou com nenhuma música de sua fase com a banda.

Após agitar tudo com “Meatplow”, tocaram “Still Remains” em homenagem ao Scott Weiland. E foi durante a sequência de “Still Remains” e “Big Empty” que vimos os irmãos DeLeo brilharem. Mesmo que tenham sido bem ativos durante todo o show, essas duas em especial mostraram o talento de Robert e Dean no baixo e na guitarra, respectivamente. 

Alguns dos maiores destaques seguintes do setlist foram a clássica “Plush”, “Dead & Bloated” e a “última” música, “Trippin’ on a Hole in a Paper Heart”. Mas não demorou 5 minutos pra que voltassem ao palco para tocarem as verdadeiras últimas músicas do set no bis.

A sequência final fez todos presentes no local esquecerem que era uma quinta-feira a noite, simplesmente agitando a casa inteira. Finalizaram o show com “Sex Type Thing”, do “Core”, álbum de estreia da banda, onde Gutt fez um stage dive para finalizar a música e o show.

O STP conseguiu entregar um ótimo show pra alegrar esse fim de mês, que vai ficar na cabeça de todos os que puderam ir por um bom tempo. E mostra que, mesmo sem o Weiland, e que seja impossível achar alguém igual a ele mesmo, conseguiram alguém que tem um enorme respeito por Scott, e que honra o legado dele enquanto mostra seu talento.



Fotos: Divulgação 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Rider 2



Stone Temple Pilots – setlist:

Unglued

Wicked Garden

Vasoline

Big Bang Baby

Down

Silvergun Superman

Meatplow

Still Remains

Big Empty

Plush

Interstate Love Song

Crackerman

Dead & Bloated

Trippin' on a Hole in a Paper Heart

Bis

Kitchenware & Candybars

Piece of Pie

Sex Type Thing

terça-feira, 25 de março de 2025

Cobertura de Show: Garbage + L7 – 22/03/2025 – Terra/SP

No último sábado, 22 de março, o Terra SP recebeu uma noite histórica para os amantes do rock alternativo. O evento reuniu três gerações de mulheres poderosas no palco: a banda brasileira The Mönic, L7 e Garbage. Com setlists recheados de hinos, performances energéticas e interação intensa com o público, a noite foi um verdadeiro presente para os fãs.

Vale lembrar que tanto o Garbage quanto o L7 passaram recentemente pelo Brasil. O Garbage abriu a turnê do Foo Fighters em setembro de 2023, enquanto o L7 fez uma série de shows solo pelo país em outubro do mesmo ano. Dessa vez, ambas as bandas retornaram para uma apresentação exclusiva, proporcionando uma experiência mais intimista e voltada diretamente para seus fãs.


The Mönic: A potência nacional abrindo os trabalhos

Pontualmente às 19h30, The Mönic subiu ao palco para dar início à noite. Como é comum para bandas de abertura, o público ainda estava tímido e o som parecia estar sendo ajustado, mas isso não impediu a banda de conquistar os presentes. A cada música, Dani Buarque (vocal e guitarra), Alessandra Duque (vocal e guitarra), Joan Bedin (baixo e vocais) e Daniely Simões (bateria) foram trazendo o público para perto, culminando em uma recepção calorosa. No encerramento do set, Dani foi até a galera e abriu uma rodinha na pista premium, garantindo uma resposta entusiasmada e aplausos merecidos. Uma estreia memorável para a banda no palco do Terra SP.



L7: Punk, energia e irreverência

A casa começou a encher de verdade por volta das 20h10, e às 20h32, o L7 tomou o palco. Antes mesmo de tocar um acorde, já foram ovacionadas ao exibir seu logo no telão. A formação atual conta com Donita Sparks (vocal e guitarra), Suzi Gardner (guitarra e vocal), Jennifer Finch (baixo e vocal) e Dee Plakas (bateria).

A baixista Jennifer Finch, enérgica e carismática, não parou um segundo, pulando de um lado para o outro e interagindo com o público. A banda trouxe um setlist equilibrado entre clássicos e músicas mais recentes, sempre mantendo a vibe punk que as consagrou. Durante a performance, perguntaram ao público quem estava vendo o Garbage pela primeira vez, quem via o L7 e quem assistia ambas as bandas. Jennifer brincou, chamando os novatos de "sacrifícios virgens".

A banda abriu o show com “The Beauty Process”, já indicando que a noite seria inesquecível. Logo na segunda música, “Scrap”, cantada por Suzi Gardner, ficou evidente que o público estava totalmente envolvido. Seguiram com os clássicos “Monster”, "Fuel My Fire", "One More Thing" e "Stadium West", que foram recebidos com entusiasmo.

“Andres” também foi super bem recebida e a banda brincou dizendo que o Andres em questão era um homem brasileiro. Ao saudar o público, Donita ouviu um fã gritar “nós viemos só para ver vocês” e respondeu: “Vocês vieram nos ver? Nós viemos tocar rock and roll para vocês!”

“Must Have More” e “Bad Things” deram sequência ao show, e quando a metade do set foi alcançada, a casa já estava lotada. Emendando hit após hit, “Stuck Here Again”,

“Everglade” e “Dispatch From Mar-a-lago” fizeram o público dançar. “Shove” também fez com que grande parte do público levantasse seus celulares para filmar, sendo uma das músicas com mais interação. Mas foi em "Pretend We're Dead" que o público explodiu, cantando e filmando cada segundo. A cantora Luísa Lovefoxxx, do Cansei de Ser Sexy, banda brasileira ícone alternativo dos anos 2000, subiu ao palco na metade da música para cantar junto às suas ídolas. Em "Shitlist", outra das mais aguardadas, todos entoaram os versos em coro. O show foi encerrado com "Fast and Frightening", dedicada "a todas as mulheres".

Essa nova passagem reafirmou o carinho do público brasileiro pela banda e sua relevância no cenário do rock alternativo.




L7 – setlist:

The Beauty Process

Scrap

Monster

Fuel My Fire

One More Thing

Stadium West

Andres

Must Have More

Bad Things

Stuck Here Again

Everglade

Dispatch From Mar-a-Lago

Shove

Pretend We're Dead

Shitlist

Fast and Frightening


Garbage: Elegância e potência sonora

O aguardado show do Garbage estava previsto para as 22h e começou com poucos minutos de atraso, ao som do tema de Twin Peaks. Quando Shirley Manson surgiu no palco, deslumbrante em um vestido verde, a recepção foi ensurdecedora. A formação atual da banda inclui Shirley Manson (vocal), Duke Erikson (guitarra e teclado), Steve Marker (guitarra), Butch Vig (bateria) e Ginger Pooley (baixo).

A abertura com "Queer" já mostrou um público totalmente engajado, que seguiu cantando alto assim como as músicas que deram sequência, "Fix Me Now" e "Empty". Com um palco minimalista, sem grandes cenários ou telões, a banda apostou em um show focado na música e na presença magnética de Shirley. Em um dos momentos mais marcantes da noite, ela exaltou o L7 como "as últimas do seu tipo, autênticas e revolucionárias". 

“The Man Who Rule the World” talvez seja uma das músicas que destoa das demais, um pouco mais lenta e notei que bastante gente não a conhecia. Mas em seguida “Wicked Ways” que teve até um snippet de “Personal Jesus” do Depeche Mode, voltou a empolgar o público. Um dos momentos mais bonitos do set aconteceu em “The Trick is to Keep Breathing” com uma performance de Shirley que tirou o fôlego (piada não intencional com o título da música).

Em momentos pontuais em algumas músicas haviam animações no telão, como em “Wolves”, com jogo de imagens abstratas em preto e branco que ajudaram a climatizar o ambiente. Em seguida, apresentou sua música favorita, “Cup of Coffee” e lembrou que na ocasião de lançamento ocorreu a tragédia do 11 de setembro nos Estados Unidos e que, o álbum (terceiro até então) foi jogado para escanteio. Também aproveitou para apresentar a banda.

O setlist percorreu diversas fases da carreira da banda, com destaque para "Vow", "Special" e "Stupid Girl", que fizeram o chão tremer – literalmente – no camarote. "Only Happy When It Rains" foi um dos ápices da noite, com o público gritando cada palavra e uma introdução lindíssima. “Milk”, também um pouco mais lenta, parecia ser o que o público precisava naquele momento, talvez um descanso para o final épico da noite.

Como a banda é especialista em hits e o seu público na noite era extremamente engajado, “#1 Crush” e “I Think I’m Paranoid” também foram cantadas em coro pelos presentes. 

Mais para o final, "Cherry Lips (Go Baby Go!)" foi dedicada à comunidade trans, reforçando a mensagem inclusiva e progressista do Garbage. “Push It” finalizou a primeira parte da apresentação.

O encore veio com "When I Grow Up", fechando o show com chave de ouro.

Mais de duas décadas depois de seu surgimento, o Garbage segue entregando performances impecáveis e emocionantes, consolidando-se como uma das bandas mais queridas do rock alternativo.


Uma noite memorável

Com um lineup desses, era impossível sair decepcionado. The Mönic mostrou a força dorock nacional, o L7 reafirmou sua relevância com um show enérgico e o Garbage entregou um espetáculo emocionante e coeso. Uma noite para ficar na memória dos fãs que estiveram no Terra SP, celebrando o poder feminino no rock.







Edição/Revisão: Gabriel Arruda

Realização: Liberation MC

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Garbage – setlist:

Laura Palmer's Theme (som mecânico - Angelo Badalamenti)

Queer

Fix Me Now

Empty

The Men Who Rule the World

Wicked Ways (com snippets de "Personal Jesus" do Depeche Mode)

The Trick Is to Keep Breathing

Wolves

Cup of Coffee

Vow

Special

Stupid Girl

Only Happy When It Rains

Milk

#1 Crush

I Think I'm Paranoid

Cherry Lips (Go Baby Go!) (dedicada à comunidade trans)

Push it

Encore:

When I Grow Up

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Resenha: Debrix – Tales from the Rabbit Hole (2024)

Por Guilherme Formaggio

Banda recém formada no início de 2024 em São José dos Campos, no interior de São Paulo, pelo guitarrista Frigg Mad Beats (Chaos Synopsis), com Fellipo nos vocais, Alisson Magno no Baixo e Diego Sanctus na guitarra e Abel Saviot na bateria.

Desde março de 2024 a banda vem ganhando destaques principalmente por ter participado como banda de abertura de um dos shows, em Belém do Pará, da última turnê que celebrou os 40 anos do Sepultura, e por terem dividido os palcos com o The Calling e a com a Pitty além de terem realizado mais de 20 shows ao longo do ano passado. Em 19 de Abril de 2024 eles lançaram o seu primeiro Single,."Push It!" em todas as plataformas digitais como o YouTube, Deezer e Spotify.

Em 5 de Dezembro de 2024, eles lançaram o seu primeiro EP de estreia, intitulado "Tales from the Rabbit Hole", com um total de cinco faixas e com selo independente.

A banda bebe das fontes do Hard Rock, Grunge e Classic Rock trazendo uma inovação e qualidade em seus riffs pesados e letras intensas que abordam os temas relacionados a confiança, segurança, determinação colocando em destaque a superação dos medos e frustrações. Em seu primeiro EP, a figura do coelho representa o ser humano acuado, com seus medos e anseios perante a sociedade, tendo que superar seus desafios ao enfrentar o mundo lá fora ao sair de sua toca para sua sobrevivência do dia a dia.

"Roadflow" faixa que abre o EP é um Hard Rock com uma pitada de Classic Rock, a música se inicia com pesados riffs de guitarra, possuí uma bateria bastante cadenciada com destaque para o groove pesado do baixo de Alisson Magno e o vocal limpo de Fellipo – destaque também para os solos de guitarra de Diego Sanctus. O tema central da letra da música é o início de uma jornada com imprevistos ao longo do caminho.

"Thunderstorm" como a própria música diz ela começa como uma tempestade com uma leva estrondosa e pesada da bateria de Abel Saviot, com destaque no cymbal e nas viradas sensacionais que trazem um peso pra a música, com riffs e solos duros de guitarra e um baixo estrondoso, música excelente com uma pegada bem Hard Rock. Sua letra fala dos desafios pessoais na busca por um abrigo perante a tempestade da vida, sem ninguém pra ajudar e tendo que seguir em frente por si mesmo, pois todos os seus amigos se foram.

"Running Feat" é uma música mais cadenciada que explora o lado grunge da banda, possui um solo de guitarra mais melódico, com destaque para as linhas de baixo bastante gostosas de ouvir e uma bateria um pouco mais lenta, mas sem perder o peso. Sua letra retrata as frustrações ao longo do caminho durante a jornada, as lâminas do destino qual trazem as visões da dor e as decisões perdidas ao qual só permanecem as cicatrizes profundas. Pés correndo, parece fogo. Perigos escondidos, puro desejo.

"Perigo!" tem uma pegada mais Hard Rock, música cantada em português brasileiro, com riffs pesados e solos de guitarra bastante harmônicos – por Frigg Mad Beats e Diego Sanctus – e uma bateria bastante demarcada, destaque para o solo de gaita ao fundo da música. Como o próprio título diz, a música fala dos perigos que encontramos no nosso caminho e nem mesmo sirene, alerta e alarme de incêndio pode nos salvar.

"Bullseye" a última faixa do EP, trás um Hard Rock bastante técnico, é uma música bastante cadenciada com solos e pentatônicas bem harmoniosas e um groove insano de baixo, com destaque no belo trabalho de bateria de Abel Saviot. A letra fala sobre renascimento, determinação e superar os desafios. Agora não tem mais volta baby, a reação começou. Paredes tremem, pilares quebram, é um terremoto se formando. Em suas marcas, tiros disparados, alvo abatido.

"Push It!" apesar da música ser um single separado do EP, ela tem uma ligação, pois ela também fala de determinação e de superar os desafios a frente. Ela possui uma pegada grunge, com uma bateria  bastante cadenciada com algumas viradas, um poderoso groove de baixo e riffs duros de guitarra –destaque para o vocal de Fellipo nos refrãos da música. Empurre com força o caminho, eles dizem empurre com força ou fique longe. Eles não ligam para a nossa visão. Quando nós precisamos, eles não estão lá. Os olhos de alguém nos perseguem. Nos deixando vazios e fedorentos.

Considerações Finais

Banda possuí um futuro promissor, bastante recomendada para os amantes do Hard Rock. A banda traz um trabalho bastante técnico em seu EP de estreia com muitas referências e inovações. O EP e o single da banda se encontra disponível em todas as plataformas digitais como Spotify, Deezer e YouTube. Vale muito a pena dar uma conferida! 


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sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Jerry Cantrell – 12/11/2024 – Audio/SP

A cidade de São Paulo recebeu na terça-feira, dia 12 de novembro, a última parada da turnê sul-americana do guitarrista, vocalista e compositor, Jerry Cantrell. O norte-americano, que também é co-fundador e integrante do ícone de Seattle, Alice in Chains, trouxe ao Brasil o show de lançamento do seu quarto álbum de estúdio, “I Want Blood”, lançado em 18 de outubro. A última passagem de Cantrell por aqui foi justamente com o Alice, na turnê do último álbum da banda, “Rainier Fog”, em 2018, em abertura para o Judas Priest.

A abertura ficou por conta da banda E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, que conta com um repertório de músicas instrumentais. Na ativa desde 2018, a banda - natural de São Paulo - traz um tipo de som mais alternativo, passando por um post rock e que convida os ouvintes a imaginar e interpretar como lhe convém. Uma proposta bem interessante e que, certamente, requer mais paciência visto que a voz tão aguardada nunca entra. Um show curto e coeso.

Sem atrasos, às 21 horas, Jerry e a banda, formada por Zach Throne (guitarras e vocais - ele faz a “parte” do Layne nas músicas do Alice in Chains), Lola Colette (teclado, violão e backing vocals), Eliot Lorango (baixo) e Roy Mayorga (bateria) subiram ao palco da Audio. Com uma trilha de abertura meio sci-fi e jogos de luzes, logo se ouviram os primeiros acordes de “Psychotic Break”, do seu segundo álbum, “Degradation Trip” de 2002. De cara a banda já recebeu a ovação do público, que lotou a casa.

A segunda música foi “Them Bones” e parecia que a casa iria abaixo. A voz do público parecia ser ainda mais alta que da banda, uma grande forma de começar um show. Em seguida, “Villified”, primeiro single do último álbum. Apesar de recente, muitos já sabiam cantar e acompanhar a música. Sem ter tempo de respirar, já emendaram a ótima “Off the Rails” também de “I Want Blood”, que foi super bem recebida.

“Atone” do disco anterior “Brighten” foi tocada de uma forma um pouco diferente da gravação, mas ainda sim, manteve o público engajado. Entre cada música ouvia-se o coro “Jerry! Jerry!” e o próprio sempre interagia agradecendo e mantendo-se conectado.

A apresentação parecia ir passando rápido. Mais uma antiga, “Angel Eyes”, agradou os fãs fiéis do cantor/guitarrista. Passando novamente pelo “Brighten”, tivemos a lindíssima “Siren Song” e “Had to Know”.

“Afterglow”, segundo single de “I Want Blood” também foi muito bem recebida. Já a faixa título deu uma leve “amornada”, talvez por destoar um pouco das demais faixas do disco.

Mas como Jerry não é iniciante, esse sentimento logo mudou, pois a banda executou a clássica “Man in the Box” do Alice in Chains, proporcionando um dos pontos altos do show. Parecia que todos os presentes estavam cantando, foi um momento de energia pura e inesquecível. Durante seu icônico solo, ele ergueu sua guitarra no ar e chamou o público para cantar o último refrão. Surreal!

Vale dizer que os momentos em que Zack Throne assume os vocais não deixam nada a desejar! Uma parceria incrível e super eficaz.

Ainda com o público extasiado, os primeiros acordes de “Cut You In” trouxeram uma certa nostalgia e, mantiveram a energia.

Passando por alguns problemas de afinação na guitarra, alguns minutos atrasaram a execução de “My Song” e quando Jerry estava próximo a desistir, os pedidos do público o fizeram continuar e tocar a música. Mais um belo momento!

“Held Your Tongue” do último álbum talvez tenha dado uma abaixada no público, o que mais uma vez não durou nada, pois a seguir os primeiros acordes da linha de baixo de “Would?” foram suficientes para tirar todos do chão e cantarem a plenos pulmões.

“It Comes”, a faixa que encerra “I Want Blood”, também encerrou a primeira parte do show, com muita classe e com a sonoridade que só Jerry e o Alice podem proporcionar.

Sem demora, chegou o momento do encore. A belíssima "Brighten", faixa-título do álbum de 2022, foi a música que preparou o público para o final da noite. Em seus shows solo, Jerry costuma incluir uma surpresa no encore, geralmente uma faixa do Alice in Chains. Se os fãs da Argentina tiveram "Got Me Wrong", nós fomos agraciados com a enérgica "Sea of Sorrow", o que pegou a todos de surpresa. Não restou ninguém parado e, mais uma vez, a voz do público se fez mais alta que a dos músicos.

Jerry agradeceu a presença de todos, apresentou sua banda e, com um sorriso, disse: “Eu não quero ir para casa”. A clássica e sombria "Rooster" do Alice in Chains fechou o set de forma magistral. Foi emocionante ver os isqueiros acesos e os celulares iluminando o ambiente. Uma despedida perfeita para o show.

Antes de sair, Jerry prometeu voltar em breve. E, como todos esperamos, que essa promessa se cumpra.


Texto: Jessica Tahnne Valentim

Fotos: Roberto Sant'Anna (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: 30ebr

Mídia Press: Trovoa Comunicação


Jerry Cantrell – setlist:

Psychotic Break

Them Bones (Alice in Chains song)

Villified

Off the Rails

Atone

Angel Eyes

Siren Song

Had to Know

Afterglow

I Want Blood

Man in the Box (Alice in Chains song)

Cut You In

My Song

Held Your Tongue

Would? (Alice in Chains song)

It Comes

Brighten

Sea of Sorrow (Alice in Chains song)

Rooster (Alice in Chains song)