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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Mad Max: 45 anos de histórias, mas ainda olhando para frente

ROAR (Imp.)

Por Stephanie Ferreira - @instephanie

Quarenta e cinco anos de carreira costumam colocar uma banda diante de uma escolha: olhar para trás ou tentar provar que ainda existe futuro pela frente. Stories Of Destiny, novo álbum do Mad Max, tenta fazer as duas coisas, e seu maior mérito está justamente em não tratar essas possibilidades como opostas.

Lançado em 4 de setembro de 2026 pela ROAR!, Stories Of Destiny chega como uma celebração dos 45 anos da banda alemã, fundada em Münster por Jürgen Breforth em 1981. Mas o aniversário é apenas o ponto de partida. O álbum reúne material novo, composições que ficaram guardadas por décadas, uma releitura de um clássico da própria banda e até a primeira música do Mad Max com letras em espanhol.

A formação também carrega essa ideia de passado e presente convivendo no mesmo espaço. Alan Clark assume os vocais principais, enquanto Andreas Baesler, primeiro vocalista do Mad Max, retorna ao microfone pela primeira vez em 45 anos. Jürgen Breforth continua sendo o eixo criativo e guitarrístico, acompanhado por Dethy Borchardt, Fabian Watermann e Axel Kruse.

E existe uma diferença importante entre fazer um álbum comemorativo e fazer um álbum sobre a própria história. Stories Of Destiny escolhe a segunda opção.

O resultado é um disco de hard rock melódico que não tenta esconder suas referências oitentistas, mas também não parece interessado em transformar o Mad Max em peça de museu. As guitarras continuam ocupando o centro do palco, os refrões são grandes e a produção de Rolf Munkes mantém tudo limpo e musculoso.

1. “Silver”

“Silver” é uma abertura extremamente segura. A guitarra aparece imediatamente como protagonista e, em poucos segundos, fica claro que o Mad Max não pretende começar seu 45º aniversário com uma balada ou uma introdução excessivamente conceitual. O riff tem peso, mas existe uma leveza melódica por trás dele que impede a música de soar agressiva demais.

É justamente essa combinação que define o disco. O verso é mais contido, enquanto o refrão abre a música e deixa Alan Clark mostrar por que sua entrada na formação é uma das novidades mais importantes desta fase. Sua voz tem uma aspereza interessante. Existe uma referência inevitável ao hard rock melódico clássico, mas Clark não soa como alguém tentando reproduzir vocalistas de outra geração. Ele traz uma personalidade própria, especialmente quando as guitarras ganham peso.

2. “Weapons Of Love”

“Silver” termina deixando uma impressão bastante imediata, e “Weapons Of Love” escolhe não aumentar a velocidade. É uma decisão interessante. A segunda faixa trabalha mais a melodia e o balanço do hard rock do que o peso. O riff é relativamente econômico e o refrão aposta em uma construção bastante clássica de arena rock.

3. “Keep You Alive”

É aqui que Stories Of Destiny finalmente mostra os dentes. “Keep You Alive” começa de maneira mais contida, quase enganando o ouvinte sobre o que está por vir. Quando as guitarras entram com força, a música muda completamente de dimensão.

O riff é mais pesado e o baixo de Fabian Watermann ganha uma presença que não estava tão evidente nas duas primeiras faixas. E o refrão é exatamente o tipo de coisa que o Mad Max sabe fazer bem: grande, direto e feito para crescer quando cantado por uma plateia.

4. “Far Behind”

“Far Behind” muda novamente o clima. Se “Keep You Alive” funciona pelo impacto, aqui o Mad Max trabalha com espaço.

As guitarras são mais abertas e o andamento permite que Alan Clark conduza a música sem precisar disputar atenção com a banda. É uma composição mais emocional, mas não chega a ser uma power ballad convencional. Existe uma melancolia no arranjo, especialmente na forma como as guitarras sustentam as linhas vocais.

5. “Piece Of Candy” — 2026 Version

“Piece Of Candy” é o coração histórico do álbum. O riff que deu origem à música foi o primeiro riff de guitarra escrito por Jürgen Breforth para o Mad Max, em 1981. Quarenta e cinco anos depois, ele volta a ser gravado com a formação atual.

Mas o detalhe que realmente transforma a faixa em algo especial está nos vocais. Alan Clark divide a música com Andreas Baesler, o primeiro vocalista do Mad Max. É impossível ouvir essa escolha apenas como uma participação especial. A música passa a funcionar como uma conversa entre duas épocas da banda.

Instrumentalmente, a nova gravação mantém a essência do hard rock clássico, mas recebe uma produção muito mais definida. As guitarras têm mais corpo, a bateria soa mais robusta e o refrão ganha uma amplitude que provavelmente não existia na gravação original.

6. “‘Til The End Of Time”

Depois da carga histórica de “Piece Of Candy”, o álbum poderia facilmente perder força. Não perde. “‘Til The End Of Time” é a segunda composição recuperada das sessões de 1991, e talvez seja uma das melhores surpresas do disco justamente porque soa como uma peça que encontrou o momento certo para finalmente existir.

A música tem um balanço mais encorpado e uma pegada que remete diretamente ao hard rock europeu do final dos anos 1980 e início dos 1990. As guitarras têm mais presença e o ritmo é mais envolvente. É também uma daquelas faixas em que se percebe como a produção moderna pode beneficiar uma composição antiga sem necessariamente descaracterizá-la.

7. “Bullet”

“Bullet” é onde o disco ganha outra injeção de energia.

O riff tem mais ataque e a guitarra volta a ocupar o primeiro plano. A bateria empurra a composição para frente e o refrão mantém a preocupação melódica que atravessa o álbum. Mas existe algo particularmente interessante aqui: a música tem uma pegada de hard rock americano que lembra, em alguns momentos, aquela tradição de bandas que conseguem equilibrar peso e refrões extremamente acessíveis.

8. “Mad Gone Blind”

“Mad Gone Blind” é uma das melhores músicas do álbum. E é também uma das que melhor mostram o potencial da formação atual.

A estrutura é mais dinâmica, as guitarras têm mais peso e Alan Clark parece especialmente confortável quando a banda aumenta a intensidade. O refrão é grande sem ser excessivamente açucarado, e há uma boa alternância entre momentos de maior agressividade e espaços para a melodia respirar.

9. “She Was Mine”

Depois de “Mad Gone Blind”, o álbum desacelera novamente. “She Was Mine” entra em um território mais sentimental, mas sem abandonar completamente as guitarras.

É uma faixa que depende bastante da interpretação de Clark. Sua voz fica mais limpa e menos agressiva, permitindo que a melodia carregue a música. Não é necessariamente uma composição revolucionária, e provavelmente não precisa ser. Ela representa aquela tradição do hard rock em que a banda deixa a velocidade de lado para construir uma história emocional.

10. “Wings Of Freedom”

“Wings Of Freedom” é a grande balada de Stories Of Destiny. Mas existe uma diferença importante entre uma balada simplesmente colocada no meio de um álbum e uma composição que realmente entende seu papel dentro da sequência.

Aqui, ela chega na hora certa. A música começa de maneira mais delicada e cresce gradualmente, permitindo que as guitarras entrem sem destruir o caráter emocional da composição.

O refrão é amplo e claramente pensado para ser cantado ao vivo. E existe uma espécie de mensagem de encerramento antecipado na letra: liberdade, movimento e a capacidade de seguir adiante.

11. “Dulces Falsos”

E então vem “Dulces Falsos”. A decisão de terminar o álbum em espanhol poderia parecer, à primeira vista, apenas uma curiosidade. Não é.

“Dulces Falsos” é uma nova versão de “Piece Of Candy” e representa o primeiro lançamento do Mad Max com letras em espanhol. A música foi pensada como uma homenagem à base de fãs latino-americana, especialmente importante para a história recente da banda na região. E a escolha de fechar o álbum com ela é bastante inteligente.

Depois de passar 45 anos olhando para sua própria história, o Mad Max termina olhando para fora.


Steffi Kruse

Confira a tracklist completa de Stories Of Destiny:

1. Silver

2. Weapons Of Love 

3. Keep You Alive 

4. Far Behind 

5. Piece Of Candy (2026 Version) 

6. 'Til The End Of Time 

7. Bullet 

8. Mad Gone Blind 

9. She Was Mine 

10. Wings Of Freedom

11. Dulces Falsos