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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Cobertura de Show: Metallica – 05/05/22 – FIERGS – POA/RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Ze Carlos de Andrade

Doze anos se passaram desde a última vinda do Metallica a Porto Alegre. Falar dos americanos e de toda sua importância para a música em si, já é manjado e cansativo. São 40 anos de estrada e uma história de altos e baixos, mas sempre regada de muito sucesso e exposição.

Pois bem, no dia 05/05/22 tivemos a terceira passagem do quarteto do apocalipse pela capital gaúcha (a primeira foi em 1999 no Jóquei Clube). Inicialmente marcado para o show acontecer na Arena do Grêmio, mas logo em seguida alterado para o Estacionamento da Fiergs. O que gerou um grande descontentamento entre os fãs, já que o local em si já é famoso por sua estrutura duvidosa e localidade de difícil acesso.

Em termos de estrutura fica aqui meus questionamentos a produtora, que mesmo sabendo que receberia um público em torno de 40 mil pessoas se demonstrou despreparada mais uma vez. Já que, as filas para banheiro e alimentação eram quilométricas sem contar o espaço destinado as pessoas com deficiência (PCD), que de fato não suportava a quantidade de pessoas no local. Muitos acabaram ficando fora, pois não tinha mais espaço em uma estrutura falha e precária, e claro, em uma posição no mínimo horrível para se poder assistir ao show adequadamente. Lembrando, que tirando eu naquele espaço que sou Imprensa, os demais eram pagantes, e muitos ali pagaram a “bagatela” de muito e muitos reais. Para um local sem o mínimo de suporte.

Indo para o show em si, passado um pouco das 21h começa nos PA’s a clássica “It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)” do AC/DC abrindo portas para uma das introduções mais incríveis do Heavy Metal, “The Ecstasy of Gold” do gênio Ennio Morricone com os telões apresentando o clima ideal e nostálgico para a abertura com a poderosa “Whiplash” do Debut “Kill ‘Em All” (83). Levando o público sedento por shows a loucura e fazendo a alegria dos bangers da velha guarda. Que ainda foram brindados com “Ride the Lightining” do clássico homônimo de 84 (que em minha opinião poderia ser trocada por qualquer outra do mesmo disco, pois ao vivo não funciona), abrindo alas para a pesada e indigesta “Harvester of Sorrow”.

Pode-se dizer que a banda não se encontra em sua melhor forma e entrosamento, pois ficou nítido que só “engrenaram” a partir de “Seek & Destroy” e com aquele “q” de estranheza, pois quem é fã de Metallica principalmente os fãs mais antigos, devem ter estranhado o modo como um de seus maiores clássicos foi apresentado ao público, com uma interação tímida de James como se fosse só mais um som e um show protocolar de sua extensa turnê.

Poderia ficar horas discorrendo a minha tristeza em ver o Lars em tão baixa performance (há anos é fato) e também nenhum pouco preocupado se estava errando ou no tempo, ficando claro em “No Remorse” e “One” o tamanho do seu desleixo como baterista.

A falta de potência no som também é um dos pontos a se ressaltar, pois pelo menos de onde eu estava não ouvi em nada o baixo de Trujillo, a não ser em “For Whom the Bell Tolls”, mas por que será?

A pirotecnia, show de luzes e lasers estavam realmente incríveis, deixando tudo mais teatral e grandioso, assim como a estrutura de palco e seus telões intercalando diversas imagens conforme as músicas apresentadas. O show de fogos em “One” e as labaredas de fogo espalhadas pela Fiergs em “Fuel” foram de cair o queixo.

Mas o que não foi de cair o queixo foi a apresentação do quarteto. Que soou protocolar. Assim como o próprio carisma de Kirk Hammett, que apenas solava sem muita expressão.

Mas tivemos duas gratas surpresas nesta noite: “Welcome Home (Sanitarium)” (Master of Puppets” 86) e “Blackened (“..And Justice for All” 88).

Para o bis as já manjadas “Nothing Else Matters” (que acabou ganhando um sentido muito especial para a minha pessoa depois desta noite) e “Enter Sandman” levando o público a êxtase total com sua chuva de fogos de artifício.

 

BANDAS DE ABERTURA:

 

Para aquecer o público tivemos a banda nacional Ego Kill Talent e a americana Greta Van Fleet. Que fizeram bons shows em suas propostas, mas que não chegaram a tirar grandes energias dos presentes, mas mostraram vontade e empolgação de estarem diante de uma plateia gigantesca. O que certamente ajudará ainda mais em seus trabalhos e divulgações.

 

Ainda que protocolar e com certa falta de energia em palco, o Metallica entregou o que poderiam, mas é aquela história: temos que saber a hora de parar. E penso que o Metallica já deveria ter dado um “tempo” dos shows.

Saber a hora de parar é essencial e indo nessa leva, pode ser que esse seja a última cobertura desse que vós escreveis.





Setlist:

 

It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll) (AC/DC song)

The Ecstasy of Gold (Ennio Morricone song)

 

Whiplash

Ride the Lightning

Harvester of Sorrow

Seek & Destroy

No Remorse

One

Sad but True

Moth Into Flame

The Unforgiven

For Whom the Bell Tolls

Fuel

Welcome Home (Sanitarium)

Master of Puppets

 

Encore:

Blackened

Nothing Else Matters

Enter Sandman

sábado, 1 de agosto de 2020

Três clássicos que mudaram a história do Heavy Metal


Matéria por: Renato Sanson


Segundo os cientistas a idade entre 30 – 39 anos é considerado o auge de um ser humano, pois nesta etapa muitos já conseguiram sua estabilidade financeira e profissional, galgando passos maiores para demais conquistas e sucesso.

Chegando nesta faixa de idade temos três clássicos atemporais do Heavy Metal mundial, são eles: “Kill ‘Em All” (37 anos), “Ride the Lightning” (36 anos) e “Cowboys From Hell” (30 anos).

Venho aqui expressar a minha opinião de o porquê esses grandes discos do Metallica e Pantera mudaram o rumo do som pesado, trazendo novas perspectivas e esperanças a esse estilo que tanto amamos.  Mas não só isso, mas a minha visão como fã e o quanto me impactou musicalmente ao ouvi-los com os meus saudosos 15/16 anos (já me sinto o velho hehehehe).

Renato Sanson com as três perólas que revolucionaram o Heavy Metal

O ano era 2003 e a estava na reta final do Ensino Médio, nessa época já me debandava para o mundo do Heavy Metal, o Rock em si pouca coisa me atraia, mas o som mais extremo me caia muito bem aos ouvidos. Não sei se era por questão da idade e toda aquela vibe de “true”, que todos passam, mas neste período o som mais melodioso que eu escutava era Iron Maiden e Rush.

Já conhecia o Metallica e tinha em minha coleção – pasmem – o “ReLoad” (presente da minha querida Vó em um dos meus aniversários) que por mais que eu goste muito desse álbum, eu o escutava e ficava aquele gosto de “esses caras podem fazer melhor que isso”, e obviamente o deixava de lado, até o momento em que escutei diretamente de uma fita k-7 o grandioso “Kill “Em All” e ali tive aquele misto de sentimento, onde a agressividade se entrelaçava com boas melodias e vocais extremamente esganiçados, além da bateria (que acabou transformando o Lars em meu baterista preferido, hahaha, hoje nem anto), tínhamos as linhas de baixo monstruosas de Cliff Burton fazendo minha cabeça explodir com tanta informação em um único disco.

Acabou não sendo diferente com “Ride The Lightning”, pois após aquele choque de realidade eu fui atrás de todo o passado do Metallica, e ao escutar o disco da “cadeira elétrica” – como eu e meus amigos o batizamos – tive o primeiro contato com a evolução de um estilo e banda, o Thrash continuava ali, mas as melodias mais sofisticadas e acessíveis se faziam presentes, com uma maturidade musical estupenda.

O início de uma nova era

Os anos 70/80 estavam tomados pelo Hard Rock, Heavy Metal Tradicional e a onda Punk continuava crescendo, porém em San Francisco viria a tomar conta do mundo com a chamada Bay Area, e o primeiro nome a se destacar foi o Metallica que de fato junto ao Exodus (sim, vocês gostem ou não) criavam um novo estilo, mais agressivo e rápido que o Metal Tradicional, letras acidas e um estilo visual simples, mas que causava impacto.

25 de julho de 1983 nascia o primeiro álbum de Thrash Metal da história – isso tudo porque o Exodus não tinha grana e nem apoiadores para lançar o “Bonded By Blood” que estava pronto bem antes – mudando para sempre os caminhos do Heavy Metal e consolidando um novo movimento que mexeu eternamente nas estruturas musicais.

A evolução musical que já mostrava que seriam um dos maiores nomes do Metal

Mas lembra aquela vibe “true” que muitos bangers ficam? O Metallica mostrou que não ficariam nessa e evoluir seria necessário, então no dia 27 de julho de 1984 o mundo recebia “Ride the Lightning” e a consolidação que os americanos se tornariam um dos maiores nomes da história do estilo, pois a maturidade musical foi latente e o equilíbrio entre agressividade e melodia se encontraram de forma sublime, o resto é história...

Se com 15 anos me impressionava com o Metallica, com 16 tive uma nova perspectiva ao pegar em mãos o disco “Cowboys From Hell”, em uma época de muitas descobertas e entendimentos sobre evolução e estagnação de estilos. Por si só, o nome da banda já me atraia e me remetia a um som violento sem ao menos ter escutado.


Se entendi a evolução de uma banda com os dois primeiros álbuns do Metallica, com o Pantera entendi o que seria revitalização de um estilo, é verdade que nos anos 90 o Thrash Metal estava sucumbido pelo o Grunge e as muitas das bandas de Thrash estavam “suavizandoa sua musicalidade em busca do mainstream e de grandes contratos financeiros com gravadoras.

Mas aí o Pantera resolveu reescrever essa história, até então não pensada lá nos idos dos anos 80, pois nessa época a sonoridade do grupo era voltada ao Glam Metal, mas uma mudança brusca foi iniciada após a entrada do vocalista Phil Anselmo, para no dia 24 de julho de 1990 nascer o animalesco “Cowboys From Hell” e ganhar o mundo de todas as formas possíveis.

Revitalizando um estilo e mostrando novas alternativas para o mesmo

Se minha cabeça quase explodiu com as diversas informações contidas em “Kill “Em All”, em “Cowboys From Hell” fiquei meses pensando naquelas linhas de bateria, riffs, solos enigmáticos, vocais insanos e melodiosos e um som de baixo que se cruzava enquanto Darrel solava sem pensar que algum adolescente estivesse querendo tocar guitarra e desistindo no mesmo momento ao escutar suas linhas (risos).

Três álbuns que mudaram a história de formas diferentes, o Metallica criando um estilo e evoluindo em cima do mesmo, já o Pantera, revitalizando o Thrash Metal e mostrando que é possível agregar outras vertentes a sonoridade sem perder peso, agressividade e melodia.


Ambos ganharam o mundo com suas ousadias musicais, e quem saiu ganhando com tudo isso foram os fãs, pois penso, se o Metallica não tivesse lançado o “Kill ‘Em All” certamente eu não estaria aqui escrevendo essas linhas, assim como o Pantera não existiria e não teria a chance de mostrar as novas alternativas para o Thrash Metal sem se vender e continuar agressivo, inquieto e crítico.


Só tenho a dizer muito obrigado Metallica e Pantera.

sábado, 26 de novembro de 2016

Metallica: A Continuação Natural 25 anos Depois



Uma banda gigantesca como o Metallica sempre é cercada de grande expectativa, e se ao vivo o grupo seguiu empolgando em suas apresentações,  não podemos dizer o mesmo dos seus discos lançados após o mega sucesso “Metallica”, de 1991 (ou como é mais conhecido, “Black Album”) , o qual também sofreu resistência por parte de fãs mais radicais porque a sonoridade era mais “limpa” e mais comercial, com a banda alcançando uma popularidade muito grande, indo além do nicho do Heavy Metal.

Os experimentos do grupo, que chegou a dizer que não eram mais uma banda de Metal propriamente, não caiu bem entre muitos fãs, e álbuns como “Load” (1996) e “Reload” (1997) e  principalmente "St. Anger "(2003), traziam um Metallica cada vez mais longe da sonoridade de outrora, e o que é pior, com composições pouco inspiradas, parecendo que a banda estava acomodada com o sucesso (fora os problemas internos, que quase causaram o fim da banda, e são relatados no documentário “Some Kind of Monster”. Em 2008, com “Death Magnetic”, o quarteto aproximou-se do Metal mais pesado e agressivo e do Thrash Metal dos primeiros álbuns, porém, em composições ainda muito abaixo do que era esperado, nada que fosse marcar a história do grupo, como um “Master of Puppets” ou o próprio “Black Album”.


Oito anos após, chega o novo álbum, “Hardwired...To Self-Destruct” (Construído...Para Auto Destruição), lançado oficialmente no dia 18/11, o primeiro sob o próprio selo, Blackned Recordings. Muitos anos já sem nutrir expectativas de que a banda fizesse algo que pudesse me empolgar  novamente, fui conferir o álbum, e não é que, de uma audição que eu esperava ser desinteressante, acabou sendo surpreendente, e finalmente posso dizer que o Metallica voltou a mostrar gana, composições fortes e pitadas de inspiração. Não posso dizer que é um novo “clássico”, mas com certeza é o melhor disco desde o “Black Album”, vão-se aí 25 anos!

O álbum é duplo, tendo 12 músicas, e uma das grandes sacadas é que a banda fez vídeos para todas as músicas, os quais todos puderam ir conferindo no Youtube. Genial mesmo, mostrou uma visão do que está ocorrendo atualmente, e é algo digno mesmo de uma banda gigante. Outro fato interessante é que somente James Hetfield (guitarra e vocal) e Lars Ulrich (bateria) compuseram praticamente todo o álbum, dividindo a produção com Greg Fidelman (que tem em seu currículo trabalhos  com Black Sabbath, Slayer, U2, Red Hot Chilli Peppers entre outros). Um álbum que finalmente me soou como a evolução natural pós “Black Álbum”, no qual apresentaram uma sonoridade mais técnica, e até mais acessível, mas sem perder o peso.

Falando um pouco das músicas, “Hardwired”, por exemplo, abre o álbum de forma veloz, direta e agressiva; a seguinte, “Atlas, Rise!”, uma das melhores em minha opinião, traz ótimos riffs, várias trocas de andamento, que lembram bastante os primeiros álbuns, mas com a técnica atual. Nela se destacam as influências do Metal Tradicional, principalmente da cena inglesa dos anos 80 (NWOBHM, com certeza!), com guitarras dobradas que remetem ao Iron Maiden, por exemplo (a faixa "Am I Savage?", me remeteu diretamente a isto também, pela sonoridade e uma certa referência no título ao clássico "Am I Evil?", do Blitzkrieg, "coverizado" pelo Metallica). 

“Moth into Flame”, é a quarta faixa, é outro destaque, e aí a essa altura a desconfiança e desinteresse que eu tinha dissipou-se. Música forte, com belo trabalho de guitarras, e para mim o melhor vídeo também, ao lado da “Murder One” (referência ao cabeçote de baixo signature de Lemmy), homenagem a Lemmy Kilmister (Motorhead), falecido ano passado.  As melodias e cadência de “Manunkind” e a velocidade e pegada Thrash mesclada a elementos do Metal Tradicional da locomotiva de  “Spit out the Bone” merecem menção especial também, esta uma das mais pesadas ao lado da faixa de abertura; "Now That We're Dead", mesmo com as "colagens" de bateria, é bem legal, com aqueles riffs mais arrastadões, enfim, composições em um muito bom nível, e o principal é que o Metallica finalmente voltou a demonstrar que tem sim ainda muito a dar aos fãs.

Cena do vídeo que homenageia a lenda Lemmy, com a música "Murder One".
Talvez fossem mesmo necessárias todas as fases anteriores, para o grupo voltar a fazer algo dentro do que se espera deles, e de qualquer grande nome. Peso, momentos inspirados, técnica, trazendo elementos do passado sem deixar de soar contemporâneo, produção e sonoridade excelentes. Os fãs ficarão satisfeitos com “Hardwired...To Self-Destruct”, e se não é um álbum nota 10, merece no mínimo um 8,5 e um emoji com carinha feliz! E olha, é um álbum que acredito, crescerá ainda. 

Texto: Carlos Garcia
Fotos Divulgação
Selo: Blackned Recordings

Track-List:
CD 1:
01.
 Hardwired
02. Atlas, Rise!
03. Now That We're Dead
04. Moth Into Flame
05. Dream No More
06. Halo On Fire

CD 2:
01.
 Confusion
02. ManUNkind
03. Here Comes Revenge
04. Am I Savage?
05. Murder One
06. Spit Out The Bone








sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Metallica: Biografia Intimista Relata a História da Banda




Escrever biografias deve exigir muito trabalho e dedicação, mesmo para quem está acostumado a desenvolver tal modalidade de escrita.

É o caso de Paul Stenning, autor de “Metallica: All That Matters (A História Definitiva)”, obra que saiu este ano no Brasil pela editora Benvirá.

Já conhecido pelos trabalhos como biografo de outros grandes nomes do Rock, como Iron Maiden e AC/DC, Paul traz um retrato intimista da banda de James Hetfield e Lars Ulrich, desde a infância dos mesmos, com especial destaque dessa dupla, até a chegada da banda ao Rock and Roll Hall of Fame, em 2009.

Os 4 jovens tomando o mundo com seu som rápido e pesado

Quase 400 páginas foram o bastante para que, após a leitura, pudéssemos sair sabendo de coisas muito importantes vivenciadas pelo grupo da Bay Area, definitivamente nos mostrando que o sucesso não vem sem muito suor e trabalho.

Percebe-se que Stenning tem uma notória admiração por James, retratando-o como uma pessoa de grande personalidade, que enfrentou uma infância repressiva (seus pais seguiam a chamada Ciência Cristã), passando pelo seu abuso de álcool (dando a entender que realmente a banda mais bebia do que propriamente fosse usuária pesada de drogas ilícitas), tanto é que a edição brasileira traz James na capa.

Cliff Burton, morto em 1986
A tradução para a língua portuguesa deixa o texto de fácil entendimento, não causando aquela impressão presente em alguns trabalhos de que você não entendeu o que acabou de ler, embora seja identificado alguns erros gramaticais, mas nada que comprometa a obra, em absoluto.

Interessante também o livro nos localizar no contexto sócio histórico dos anos 70 e 80, época crucial para o surgimento do Thrash Metal, ainda classificado como Speed Metal pelos norte-americanos.

Das beberragens e mudanças de formação (e, sim, fala-se de Dave Mustaine, atual Megadeth, sendo perceptível que Paul não gosta dele), à primeira turnê europeia (graças aos contatos do jovem dinamarquês Lars), da onde veio o roubo do equipamento e o frio e a fome, superados para seguir-se aos lançamentos, cada vez mais maduros, de “Ride the Lightning” e “Master of Puppets”.

Mas, definitivamente, um dos pontos marcantes dessa história, foi a morte do baixista Cliff Burton. É de emocionar os depoimentos da banda, amigos e pais de Cliff, além do relato fiel do que aconteceu naquele dia trágico durante a turnê pela Suécia, quando o ônibus da banda tomba, jogando o querido e talentoso baixista na pista, esmagando-o e matando-o:

Relato do acidente que matou Burton é um dos pontos mais emocionantes da obra

“No quarto de hotel, Hetfield demonstrou sua raiva e dor da única forma que conhecia – com violência. Berrando o mais alto que conseguia, estilhaçou duas janelas do quarto. Assim que chegaram, todos foram beber – apesar de ainda ser cedo, de manhã – em uma tentativa desesperada de bloquear a dor e o choque.
James Hetfield, que se sentia o mais próximo de Cliff, lidou com a perda como se fosse uma mãe chorando a perda de um filho. Saiu às ruas de Copenhague, na região do hotel, e, inebriado pela bebida, começou a gritar pelo amigo morto. Mais tarde, Kirk contou: ‘Quando ouvi aquilo, comecei a chorar’”.

Paul aproveitou para tecer comentários a cada lançamento, como se escrevesse resenhas dos discos, mas tudo dissolvido dentro do texto claro e coerente, fazendo a leitura fluir com rapidez e interesse.

Paul considera positiva a fase "Load" e "Reload" da banda, na 2º metade da década de 90

A chegada de Jason Newsted, o tratamento desleal que a banda lhe dava, relatado pelos próprios músicos remanescentes, mostram uma faceta tranquila e talentosa do baixista, que deixou a banda, por não aguentar o fato de não poder colaborar nas composições, culminando com a entrevista polêmica para a Playboy norte-americana e a luta de Lars contra a Napster.

Interessante também é acompanhar um pouco do que aconteceu para o nascimento perturbador de "St. Anger" (2003), verdadeira bizarrice na história da banda, até sua recuperação com "Death Magnetic" (2008) e sua coroação no Rock and Roll Hall of Fame.

Em 2009, Jason se reúne com o Metallica para entrar para a história reconhecida do R&R
Minha intenção não é oferecer um resumo da obra, mas indica-la obrigatoriamente aos fãs da banda e também àqueles que desejam saber um pouco mais sobre esse movimento (com foco na banda, claro) que foi o Thrash Metal norte-americano tomando o mundo aos acordes da banda.

Stay on the Road

Edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação



Ficha Técnica
Livro: Metallica: All That Matters (A Biografia definitiva) 
Autor: Paul Stening
Ano: 2012
Editora: Benvirá

Compre o livro no site Saraiva


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Metallica Muito Além de “Lulu”


Depois da polêmica parceria com Lou Reed, muitos fãs pensaram que o futuro do Metallica estava escrito, pois realmente a parceria pegou todos de surpresa ainda mais que envolvia o nome Metallica no meio e o que mais desapontou os fãs nem foi tanto a parceria, mas sim a sonoridade apresentada que não traz nenhum tipo de emoção a não ser o sentimento de “raiva” entre os fãs da banda.

Na festa de aniversário, Jason Newsted ao fundo
Devido a esta grande polêmica, onde muitos consideraram o tenebroso “Lulu” (2011) como um lançamento do Metallica, James Hetifield (vocal e guitarra), em várias declarações, já deixou bem claro que “Lulu” não é o novo álbum do Metallica e nem é como o Metallica soará no seu novo trabalho, ao meio desta discussão sem fim o Metallica liberou o EP “Beyond Magnetic” (2011) onde são quatro musicas que não entraram no “Death Magnetic” de 2008, canções que foram apresentadas nos shows de 30 anos de existência da banda onde foram quatro apresentações e em cada uma tocando uma música inédita.

“Hate Train” abre o EP no melhor estilo Metallica dos anos 90 com uma levada que lembra as composições mais rápidas de “Reload” (álbum de 1997), mas não deixe se enganar, pois temos riffs inspiradíssimos e uma melodia vocal de encantar, com um refrão que gruda na cabeça e um fato surpreendente: Kirk Hammett solando sem usar o “HUA HAUA”, um ponto positivo pois nos últimos anos estava abusando demais deste recurso, fazendo seus solos ficarem praticamente iguais.

"Sobras" de "Death Magnetic" mostram que a banda ainda tem fôlego para ótimas canções

“Just A Bullet Away” vem na mesma levada, porém com uma simplicidade maior nos riffs, mas não menos cativante mostrando que uma simples composição pode se tornar grandiosa. Mais uma vez destaque a James com suas melodias vocais inspiradíssimas e desta vez Lars Ulrich (bateria) e Robert Trujillo (baixo) em total sintonia, apesar de Lars não ter mais aquela pegada dos anos 80, mas é um baterista que posso dizer que é único, com assinatura em tudo que toca, pois ao tocar uma simples nota você já diz “é o Lars” e isso é um diferencial para o Metallica ao longo desses 30 anos. Comprove você mesmo nesta faixa se não temos aqui todas as assinaturas do mestre Ulrich.

“Hell And Back” poderia muito bem ter entrado em “Load” de 1996 ou “ReLoad”, pois lembra muito as composições desta época com riffs limpos e uma certa acelerada para o final com uma melodia mais comercial, mas sem tirar o brilho da composição que com certeza deve soar muito bem ao vivo.

Shows especiais reuniram grandes nomes. Até Dave Mustaine tocou com seus ex-companheiros clássicos do Metallica

E por fim a música que lembra mais o Metallica dos anos 80: “Rebel Of Babylon”. Com riffs palhetados, solos e duetos criativos, Trujillo segurando a cozinha com precisão, Lars sentando o braço literalmente aliado as vociferações mais do que inspiradas do mestre James Hetifield, realmente uma música que deve funcionar muito bem ao vivo e trazendo à tona aquele Metallica inspirado e criativo.

O Metallica realmente não precisa provar nada para ninguém, falar do seu legado e as bandas a quais influenciaram ao longo desses 30 anos é chover no molhado, ai está a prova que a banda tem muita lenha para queimar e podemos sim esperar um verdadeiro álbum METALLICA.

Texto: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Metallica
Álbum: Beyond Magnetic
Ano: 2011
País: Estados Unidos
Tipo: Thrash Metal/Heavy Metal

Formação
James Hetfield (vocal e guitarra)
Kirk Hammett (guitarra)
Robert Trujillo (baixo)
Lars Ulrich (bacteria)





Tracklist
01 Hate Train
02 Just A Bullet Away
03 Hell And Back
04 Rebel Of Babylon

Acesse os links abaixo e conheça mais sobre a banda

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Muito Mais do Que Parece: Lou Reed e Metallica

Lou Reed junta-se ao Metallica e dá vida a projeto inusitado


Causou muita polêmica e incertezas (ou certeza de fracasso) o anúncio de um projeto envolvendo o Metallica e Lou Reed (The Velvet Underground), dinossauro do Rock e uma das figuras mais controversas da história da música.

Para quem não sabe, ambos os artistas se encontraram e tocaram juntos em 30 de outubro de 2009 durante o Rock & Roll Hall of Fame, sendo que daquela parceria surgiu a ideia de um disco conjunto.

Desde o inicio estava claro que os fãs do Metallica Thrash Metal, ou mesmo Heavy Metal como nos últimos anos, se deparariam com uma proposta diferenciada, sobretudo pela liderança de Lou Reed, que compôs as letras do que veio a ser esse odiado disco “Lulu” (2011) para uma peça teatral baseada na obra do escritor Frank Wedekind.


Começo de tudo: Metallica e Lou Reed tocando juntos em 2009


E quem foi na ilusão de que encontraria um disco com muito de Metallica, pode ter se decepcionado. Mas para este que aqui escreve, que foi na certeza de uma proposta que sairia, no mínimo, como um álbum ruim, precisei baixar a cabeça e levantar os punhos ao ar, pois esse projeto aí, meus amigos, é muito mais do que os ouvidos captam num primeiro momento.

O disco não é tão distante do que o Metallica fez nos anos 90, especialmente nos discos “Load” (1996) e “Reload” (1997), mas também não pode ser comparado, pois, como já disse, não é mais um álbum da banda.

A presença de canções caóticas, como “Pumping Blood”, ajudadas pelo “canto soletrado” de Reed, aliado a uma verdadeira “bateção” da bateria de Lars Ulrich (calma, não como foi em “St. Anger” de 2003), dão um aspecto “cult” ao álbum, ao mesmo tempo que pode também dar dor de cabeça a ânsia de vômito.

Parceria "polêmica" divide opiniões extremas


A impressão que temos é bem essa: que Metallica foi a trilha sonora para a poesia doida de Reed, o que não deixa de ser algo interessante, pelo contrário, nunca me interessei por Lou Reed e agora me obriguei a olhar com mais atenção para esse velho louco gênio do Rock.

Ouvi algumas pessoas que ainda não tiveram coragem e encarar esse disco de frente de que James Hetfield (vocal e guitarra) não canta no álbum. Engana-se. É justamente nos trechos em que solta a voz que temos certeza de que estamos diante de um projeto e não de um disco da banda ou do Lou Reed. A melodia colocada por James em canções como “Cheat on Me” chegam a salvar a canção, tendo ele modesta participações em várias outras, mesmo como quase um backing vocal, mas com aquela força característica, o que vai agradar o Metallica maníacos.

Mas acontece que “Lulu” tem várias canções de grande impacto e, por que não, com uma pegada Heavy e Hard que aliviam um pouco a esquisitice dessa obra de arte. Obra de arte? Claro, porque preciso, para capturar melhor a proposta, compreender a história, as letras, entrar na viagem sonora e nas frases muitas vezes desconectas quase faladas por Reed.

Disco duplo, canções longas. Isso não seria grande novidade, vide o que o Metallica já fez com “...And Justice For All” (1988), mas dá um caráter diferente ao álbum. Solos de guitarra? O pesadelo de “St. Anger” (disco que excluiu os solos de guitarra) retorna, já que não temos solos de Kirk Hammet (guitarra), mas temos passagens acústicas e dedilhados de encher os olhos (ou ouvidos), como na longa “Junior Dad”, de longe a mais bela do álbum e que, eu aposto, vai agradar quem

Mas eu falava ali em cima de que há canções ótimas. E dentre essas, a dupla acertou em escolher “Iced Honey” para gravar o primeiro vídeo clipe, anunciado com fervor que será dirigido por Darren Aronofsky (“Cisne Negro”). De longe, é a mais próxima do Rock que tanto o Metallica quanto o Reed praticam ou já praticaram. Tem aquele clima de uma música “normal” do estilo, o que vai ser uma boa pedida para enganar os menos atentos, que verão o vídeo e irão comprar “Lulu” esperando mais algumas faixas daquele tipo. Ledo engano.

São faixas como a que abre o disco um, “Brandenburg Gate”, e a que fecha o disco dois, “Junior Dad”, que já valem a proposta, mesmo que canções como “Mistress Dread”, “Little Dog” e a já citada “Pumping Blood” sejam ou muito esquisitas (no sentido negativo da palavra) ou excêntricas demais a ponto de não empolgar ou agradar.

Quando “The View” foi liberada para audição, sendo a primeira palinha do álbum, já dava para ter uma ideia do que viria pela frente. Então, se você achou essa música ruim, passe longe do disco, pois ela representa bem a maioria dos quase 90 minutos dessa união mal recebida por muitos, mas compreendida e apreciada por outros tantos menos radicais e que sabem separar o que é Metallica e Lou Reed nas suas carreiras, e Metallica e Lou Reed, em “Lulu”.

Deixo um parágrafo para destacar “Junior Dad”. Quase 20 minutos, violino, clima de despedida, e o melhor: os dedilhados, aliado à voz de Reed que chega a realmente cantar nessa música, uma letra belíssima e trágica, ao mesmo tempo, fazem dessa a mais significativa desse projeto. Talvez por isso tenha ficado por último, para lavar a alma e nos deixar pensando “afinal, este disco não é tão ruim”.

Agora, crie coragem e ouça (no site oficial foi disponibilizado para audição completa), deixe de lado suas expectativas e vá com os ouvidos limpos e prontos para o encontro com o inesperado e o básico, o grandioso e a ousadia. Melhor que muita coisa que saiu neste ano, mas, claro, tomara que a banda venha com um disco verdadeiramente Metallica, já que com “Lulu” provaram, mais uma vez, que não gostam de se repetir e que ousar mantem a chama do grupo acessa.


Stay on the Road


Texto: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


Ficha Técnica

Banda: Lou Reed & Metallica

Álbum: Lulu

Ano: 2011

País: EUA

Tipo: Experimental/Rock Progressivo/Heavy Metal


Formação

Lou Reed (Vocal)

James Hetfield (Vocal e Guitarra)

Kirk Hammet (Guitarra)

Lars Ulrich (Bateria)

Robert Trujillo (Baixo)


Tracklist

CD I

01. Brandenburg Gate
02. The View
03. Pumping Blood
04. Mistress Dread
05. Iced Honey
06. Cheat On Me

CD II

07. Frustration
08. Little Dog
09. Dragon
10. Junior Dad

Veja trailer do album aqui.

Acesse o site oficial do projeto para mais fotos e vídeos.