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sábado, 27 de junho de 2015

Entrevista:The Gentle Storm - Uma Pequena Obra-Prima de Arjen Lucassen e Anneke



(read HERE the english version)
Após o lançamento de mais um álbum do Ayreon, ficou a expectativa de qual o próximo passo do incansável e genial Arjen Lucassen, e no início de 2014 o holandês anunciou um projeto em conjunto com sua conterrânea Anneke, o que causou grande furor entre os fãs da dupla, que já trabalhou junta diversas vezes, sendo que eu mesmo achava inevitável e também imprescindível que um dia os dois lançassem um projeto somente deles.

Pois bem, um ano depois, o trabalho, que apresenta algumas novidades, como diversos instrumentos que Arjen utilizou, criando todo um clima, uma verdadeira trilha sonora para a história contada no álbum. Além disso, o fato do holandês dividir o trabalho de composição praticamente meio a meio, coisa que também não é usual da parte dele.

Em uma entrevista informal com o sempre simpático Arjen, falamos sobre mais esse êxito, algumas curiosidades durante o processo de composição do álbum, a parceria com Anneke, que já vem de longa data, além de, segundo Arjen, ter poderes mágicos e ser capaz de fazê-lo sair de sua bolha (rendendo inclusive viagens promocionais e participação no show de lançamento), séries e filmes (uma das grandes paixões do holandês, já que ele gosta de estar meio"recluso", e também não gosta de acompanhar noticiários, porque "só trazem más notícias") e muito mais!


RtM: Bem, o álbum com Anneke era um desejo de muitos fãs, e algo que eu acreditava que era inevitável um dia, e esperava muito por isso, e assim, quando foi anunciado o The Gentle Storm, foi um motivo para comemorar !! Eu acredito que você também sabia que era algo inevitável de acontecer e, além disso, é algo diferente do que você tinha feito até agora, certo?
Arjen Lucassen:  Obrigado, é bom ouvir isso! Sim, eu realmente sinto que é bastante diferente de tudo que eu fiz antes. No entanto o meu estilo de compor ainda é bastante reconhecível, eu acho.


RtM: Acredito que você deve ter tido algumas dúvidas de como iria ser o processo de composição desse álbum, dividindo as composições com outra pessoa, e também como os fãs receberiam o trabalho? 
AL: Oh, é sempre assustador que os fãs vão pensar. Mas eu tenho que aceitar que eu não posso agradar a todas as pessoas o tempo todo. Este álbum não é muito "proggy" ou muito pesado, para as pessoas que esperavam isso, poderia ser decepcionante. Eu sinto que as melodias são as mais fortes que eu já escrevi até agora.


RtM: Eu também acredito que deve ter sido algo muito espontâneo, ou você já estava pensando que era hora de fazer este trabalho com Anneke? 
AL: Eu comecei o projeto dos dois estilos diferentes (acústicas e orquestrais) antes de Anneke ser envolvida. Mas quando ela se envolveu, o projeto tomou um rumo totalmente novo, o que foi de fato um processo muito espontâneo.


RtM: Sobre a criação e produção do álbum, como foram os primeiros passos de sua criação, a ideia de como soaria ou o conceito, e como vocês foram moldando as duas versões? 
AL: Eu trabalhei muito diferente do que em meus outros álbuns. Eu compus primeiro e gravei todas as faixas com sons orquestrais apenas: contrabaixo, violoncelo, violinos e horns. Então eu gravei a parte pesada (Storm)  e finalmente a versão acústica (Gentle).


E como surgiu a ideia de fazer as duas versões? A versão "Storm" e a versão "Gentle" para as músicas?
AL: Pedi aos fãs no Facebook que estilo de música que eles gostariam de ouvir de mim em um próximo álbum. Os estilos mais populares nesta enquete eram pesados ​​e folk. Mas, em vez de combiná-los, decidi separá-los. Foi um grande desafio para mim fazer isso, eu estou sempre à procura de desafios.
 

RtM: Anneke escreveu as letras baseadas em cartas escritas no século XVII, que encontrou em seu sótão, foi isso? Eu vejo que o álbum acabou sendo praticamente a narrativa de uma história verdadeira, com fatos históricos incluídos.
AL: Basicamente, nós criamos a história juntos. Foi ideia dela criar uma história de amor, e minha ideia que ela se passase no século 17 e baseá-la em cartas entre dois amantes. A história original não é baseado em uma história real, mas coincidentemente nós descobrimos que alguém tinha escrito um livro sobre isso em algum momento, e o envolvemos no processo. Na verdade, ele verificou e adicionou todos os fatos históricos. Ele passou a ser um grande fã da nossa música!

RtM: Eu lembro que você disse várias vezes que uma das pessoas que você deixava livre para compor linhas vocais em seu trabalho era Anneke, pois ela é capaz de criar linhas surpreendentes em partes inimagináveis. Me parece que vocês se complementam muito bem, não é? 
AL: Sim, de fato! Nós nunca discutimos, nós apenas inspiramos um ao outro e construimos outras ideias juntos.


RtM: Eu vejo os fãs, e é claro, você,  muito felizes com o álbum. Vocês também fizeram várias atividades promocionais, tais como vídeos, viagens para promover o CD e a festa de lançamento, incluindo você participando do show. Eu vejo que você tem investido, e também se divertido, nessa parte. Eu vejo algo que também tem a mão de Anneke, ela fez você sair de sua rotina pessoal, ou como você diz, sair de sua "bolha" hehehe! Muito Bom! 
AL: Sim, Anneke conseguiu fazer isso, ela tem poderes mágicos! Mas tendo dito isso, eu estou muito feliz por estar de volta dentro da minha pequena bolha seguro novamente! he he he



RtM: Você usou instrumentos muito diferentes no álbum, e nas versões "Folk", o resultado foi maravilhoso, mas eu acredito que deve ter dado muito trabalho! Conte-nos um pouco para nós sobre como você foi escolhendp os instrumentos, a fim de se ajustar corretamente a trilha sonora da história. Depois, há o fato de que desta vez você resistiu e não colocou o Hammond neste álbum! hehehe! 
AL: Sim, o álbum "Gentle" rendeu um monte de trabalho, muito mais do que o álbum "Storm". Eu apenas disse a todos os músicos para trazer tantos instrumentos quanto eles pudessem tocar, e nós fomos experimentando e descobrindo muito espontaneamente em estúdio o que e como gravar com eles! E sim, foi outro desafio não usar qualquer um dos meus teclados análogos favoritos nesse álbum ... e consegui! he he he


RtM: Eu amo o DVD que você fez com o Stream of Passion,  certamente os fãs gostariam de um novo DVD Blu-ray contendo músicas do The Gentle Storm (N. do R.: membros do Stream of Passion estão no line -up que se apresenta ao vivo com o The Gentle Storm) e dos outros seus álbuns. É possível? Eu acredito que uma ação de crowdfunding teria uma resposta muito boa dos fãs! 
AL: Sim, isso é definitivamente uma opção. Quanto ao SOP,  banda é realmente incrível. A primeira vez que os vi eu tive arrepios por todo o meu corpo e lágrimas em meus olhos!


RtM: Ainda é cedo, mas você já pensa em continuar o The Gentle Storm, e fazer mais álbuns no futuro?
AL: Eu adoraria, mas tudo vai depender do sucesso deste álbum, então, se as pessoas querem ouvir mais...
O negócio é, eu tenho tantos outros projetos que um monte de fãs também estão esperando, e eu só posso fazer uma coisa de cada vez! Então eu tenho que estabelecer prioridades.


RtM: E após este período de promoção e também passou um ano trabalhando no álbum, você vai ter tempo para descansar ou já está pensando em um novo álbum? 
AL: Eu odeio descansar, isso me deixa muito inquieto! Então eu espero que a inspiração volte rápido, eu adoraria começar a trabalhar em um novo projeto o mais rapidamente possível. Eu tenho algumas ideias básicas, mas como sempre eu fico mudando minha cabeça toda hora.


RtM:E sobre os resultados do mais recente álbum do Ayreon, "Theory of Everything"? Você mesmo disse uma vez que Ayreon talvez não seria financeiramente viável no futuro, mas surpreendeu novamente com "The Theory..."(2013) todos os fãs e críticos de música, que certamente esperaram novos álbuns! oh, e você assistiu o filme "A Teoria de Tudo", sobre a vida de Stephen Hawkins?
AL: Oh, eu nunca iria parar com Ayreon, é meu bebê favorito! Eu fui ver o filme, eu gostei da primeira parte, mas fui perdendo um pouco o interesse lentamente. Um filme bastante ok mesmo assim. Stephen Hawking rules!



Sobre "The Theory of Everything", na minha opinião, finalmente Cristina Scabbia teve a chance de cantar composições na altura de seu potencial. Não que eu não goste de algumas coisas do trabalho do Lacuna Coil, mas eu acho que ela tem potencial para muito mais.
AL: Ah, sim, ela é incrível. Uma pessoa e cantora  muito emocional. E ela realmente se tornou uma grande amiga.


RtM: E por falar em cantoras, e você "descobriu" e também deu oportunidade a muitas novas cantoras, muitas que estavam começando suas carreiras, eu quero saber a sua opinião sobre o termo "Female Fronted Band", se é uma coisa positiva ou negativa. 
AL: Bem, eu acho que dentro desse rótulo de "Female Fronted Band" existem muitas bandas diferentes que nem sequer soam umas como as outras! Então, nesse sentido não é bom.


RtM: Mudando de assunto, e suas séries favoritas, têm conseguido acompanhá-las? Quais chamaram mais sua atenção atualmente? Eu assisti a primeira temporada de "The Strain"(Série criada e produzida por Guillermo Del Toro) e achei muito legal. 
AL: Eu não conheço "The Strain", obrigado pela dica! Bem, eu estou acompanhando uma série britânica chamada "In The Flesh", sobre zumbis que são curados e retornam para a sociedade. É muito quente e profunda, eu estou gostando! Eu também estou assistindo "Justified", completamente diferente, mas muito bom também. Fiquei desapontado com a segunda temporada de "Broadchurch". Mas eu estou ansioso para assistir a quinta temporada de The Walking Dead, a sequência de  Breaking Bad, "Better Call Saul"! E à espera de Game of Thrones é claro.


RtM: Arjen, sempre um prazer conversar com você, obrigado pela atenção e pelo seu tempo, e obrigado também por outro grande álbum! Tudo de bom para você, Lori e, é claro, para Hoshi! 
AL: Sempre a disposição, o prazer é meu! Abraços de todos nós aqui, e um "Hi Five" do Hoshi também! he he


Arjen compondo, e o Hoshi "supervisionando".



Entrevista: Carlos Garcia
Fotos:Divulgação




Arjen Lucassen Official Web Site
Anneke Van Gierbergen Official Web Site
The Gentle Storm on Facebook







 

Interview: Arjen Lucassen - The Gentle Storm, Anneke & Arjen's Little Masterpiece




(Leia AQUI a versão em português)
Following the release of another Ayreon album, many was the expectation of what will be the next step of the tireless and brilliant Arjen Lucassen, and in early 2014 the Dutch composer announced a joint project with his compatriot Anneke, which caused great euphoria among their fans. The duo worked together several times already, and I even thought inevitable and also essential that one day they would release and album together.

 

Well, after a year of studio work, the album was officially released on march 23, 2015, presents some novelties, such as various instruments that Arjen used, creating a whole atmosphere, a real soundtrack for the story told on the album. Furthermore, the fact that he virtually dividing all the work with somebody, something which is not part of his usual.

 

In an informal interview with the always friendly Arjen, we talk about another great piece of art, some curiosities during the album's songwriting process, the partnership with Anneke (and, as Arjens sayd, "she has magical powers!"), who already has a long history, series and movies (one of the great Arjen’s passions, already he likes to be kinf of "reclusive" and also does not like to follow the news, because "only bring bad news") and more!



RtM: Well, the album with Anneke was a desire of many fans, and something I believed was inevitable one day, and expected much so, and so when it was announced The Gentle Storm, was a motive to celebrate!! I believe you also knew it was something that inevitably happen, and besides, it's something different from what you've done until now, right?
Arjen Lucassen: Thanks, good to hear that! Yes, I really feel it’s quite different from anything I’ve done before. Nevertheless my style of writing is still quite recognisable I guess.


RtM: And perhaps you should have had little doubt as would conceive this album, dividing the compositions, and how the fans will receive the album?
AL: Oh, it’s always scary what the fans will think. But I have to accept that I can’t please all of the people all of the time. This album isn’t very proggy or very heavy, so people expecting that could be disappointed. I feel that the melodies are stronger than I’ve ever written them though.


RtM: I also believe it must have been something very spontaneous, or you had been thinking it was time to do this work with Anneke?
AL: I started the project of the two different styles (acoustic and orchestral) before Anneke was involved. But when she did get involved, the project took a whole new turning, which was indeed a very spontaneous process.


RtM: About the creation and production of the album, how were the first steps of its creation, the idea of ​​how it would sound or the concept, and how you were shaping these compositions and fitting everything?
AL: I worked very different than on my other albums. I first composed and recorded all the tracks with just orchestral sounds: double bass, cello, violins and horns. Then I recorded the heavy (Storm) version and lastly the acoustic (Gentle) version.


RtM: Anneke wrote the lyrics based on letters written in the seventeenth century, who found in her attic. What did you think about the idea when she told you to use the letters on album concept? I see that the album ended up being pretty much a true story, and historical facts included.
AL: Basically we came up with the story together. It was her idea to do a love story, and my idea to set it in the 17th century and base it on letters between two lovers. The original story is not based on a real story, but coincidentally we found out that someone had written a book about this so at some point we involved him in the process. Indeed he checked and added all the historic facts. He happened to be a big fan of our music!


RtM: I remember you said several times that one of the people you left free to compose vocal lines in your work was Anneke, for being able to create amazing lines in unimaginable parts. You are parts that complement each other very well, is not it?
AL:Yes indeed! We never argue, we just inspire each other and build on each others ideas. 

RtM: I see the fans, and of course you, are very happy with the album, and you also have made several promotional activities such as videos, trips to promote the CD and the release party, including you participating in the show. I see you have invested, and also had fun, rather that part. I see something that also has the hand of Anneke, what made you come out of your personal routine, or as you say, get out of your "bubble" hehehe! Very Good!
AL: Yes, Anneke managed to do that, she has magical powers! But having said that, I’m very happy to be back inside my safe little bubble again!


RtM: And how did the idea of ​​making the two versions? The version "Storm" and the "Gentle" version for the songs?
AL: I asked the fans on Facebook what style of music they would like to hear from me next. The most popular styles in the poll were heavy and folky. But instead of combining them, I decided to seperate them. It was a big challenge for me to do that, I’m always looking for challenges.

RtM: You have used very different instruments on the album, and in versions "Folk", the result was wonderful, but I believe that must have given a lot of work! Tell us a bit to us about how you were choosing the instruments in order to properly fit the soundtrack of the story. Then there's the fact that this time you resisted and did not put the Hammond on this album! hehehe!
AL: Yes, the Gentle album was a LOT of work, much more than the Storm album. I just told all the musicians to bring as many instruments as they could play, and we’d figure out very spontaneously in the studio what to record with them! And yes, it was another challenge not to use any of my favorite anolog keyboards on this album... and I succeeded! 


RtM: I love the Stream of Passion and Star One DVDs, and I certainly the fans would love a new DVD/BLU-RAY featuring songs from The Gentle Storm and of the other albums. It's possible? I believe that a crowdfunding action would have a very good response from the fans!
AL: Yes, that is definitely an option. The band is really amazing. The first time I saw them I had goosebumps all over my body and tears in my eyes! 

RtM: It's still early, but you already think in continuing the Gentle Storm, and do more albums in the future?
AL: I would love to, but it will all depend on the success of this album, so if people want to hear more. The thing is, I have so many other projects that a lot of fans are also waiting for, and I can only do one at the time! So I have to set priorities.


RtM: And after this promotion period and have also spent a year working on the album, will you take time to rest or already are thinking in a next album?
Arjen: I hate resting, it makes me very restless! So I hope the inspiration will return fast, I’d love to start working on a new project as soon as possible. I do have some basic idea, but as always I keep changing my mind.


RtM: And about the results of the most recent Ayreon álbum, "The Theory of Everything"? You even said once that Ayreon perhaps would not be financially viable in the future, but surprised again with “The Theory...” in 2013 all the fans and music critics, who certainly expect new albums! oh, and you watched the movie "The Theory of Everything", about the life of Stephen Hawkins?
AL: Oh, I would never stop with Ayreon, it’s my favorite baby! I did watch the movie, I liked the first half but then I slowly lost interest. Quite an okay movie though. Stephen Hawking rules!

RtM: About “The Theory of Everything”, in my opinion, finally Cristina Scabbia had a chance to sing compositions in the height to her potential. Not that I do not like some things on Lacuna Coil’s work, but I think she has potential for much more.
AL: Oh yes, she’s amazing. A very emotional person and singer. She really became a friend of mine. 


RtM: And talking about female singers, and you “discovered” and also gave opportunity to many new singers, many who were beginning their careers, i want to know your opinion about people use the term "Female Fronted Band", if is a positive or negative thing.
AL: Well, I guess that within the female fronted metal style there are many different bands who don’t even sound like each other! So in that repects it’s not good. 

RtM: And your favorite series, have been able to keep up? Which ones have called more your attention currently? I watched the first season of "The Strain" and was pretty cool.
AL: I don’t know "The Strain", thanks for the tip! Well, I’m now watching a UK series called "In The Flesh", about zombies who are cured and return to society. It’s very warm and deep, I’m enjoying it! I’m also watching "Justified", completely different but pretty good too. I was disappointed by the 2nd season of "Broadchurch". But I’m looking forward to watching season 5 from "Walking Dead", and the Breaking Bad follow-up Better call Saul! And waiting for "Game of Thrones" of course.


RtM: Arjen, thank you for the attention and your time, and also thank you for another great album! All the best to you, Lori and, of course, to Hoshi!
AL: You’re very welcome, my pleasure! Hugs from all of us here, and a high five from Hoshi!

Interview: Carlos Garcia





sábado, 9 de maio de 2015

Entrevista: Stream of Passion - Vencendo Batalhas



Contando com o talento da cantora mexicana Marcela Bovio, que foi revelada ao grande público pelo gênio holandês Arjen Lucassen, mais precisamente no álbum "The Human Equation", do seu mais conhecido projeto, o Ayreon, o Stream of Passion, que inicialmente contou com o próprio Arjen na formação, é uma banda com uma musicalidade acima da média, e que vem crescendo álbum pós álbum, não tendo medo de experimentar, o que lhe confere uma personalidade, sendo praticamente impossível rotular o grupo, que agrada públicos diversos dentro da cena Metal, mesclando vários elementos, como o progressivo, sinfônico, música clássica e jazz.    (English Version HERE)

Conversamos com a sempre simpática Marcela Bovio durante uma parada na tour conjunta com o The Gentle Storm, nova banda de Arjen ao lado de Anneke, para saber um pouco mais do seu mais recente álbum, que foi lançado através de crowdfunding, a tour e a participação no line-up de palco do The Gentle Storm, um pouco de história e muito mais! Confira.


RtM: O seu álbum mais recente (e excelente), "A War of Our Own", foi lançado pelo sistema de crowdfunding, e muitas bandas estão usando este sistema. Você acha que isso pode ser uma tendência que indica um novo caminho para as bandas? Qual era a sua expectativa ao lançar esta campanha e qual foi sua reação sobre os resultados obtidos?
Marcela Bovio: Eu acho que é definitivamente um sistema que vai se tornar cada vez mais importante para as bandas no futuro. Não é para todos,  isso exige que você tenha uma base de fãs estabelecida para apoiá-lo. Para nós acabou por ser a melhor ideia que já tivemos! Naturalmente estávamos esperando que nossos fãs contribuíssem bastante para fazer o álbum  acontecer, mas nenhum de nós esperava que tudo correria tão bem e tão rápido! Toda a experiência nos deu um enorme impulso emocional, e uma grande quantidade de energia para terminar o álbum.


RtM: E para um próximo lançamento? Vocês pensam em usar o mesmo sistema? Ou tudo depende, se for feita uma proposta interessante de algum selo, por exemplo?
Marcela: Ambos os métodos têm vantagens e desvantagens. Crowdfunding não envolve apenas o dinheiro, mas também diz respeito a criação de um senso de comunidade entre os nossos fãs; e eu acho que nós definitivamente conseguimos. 
Quanto a um selo, a vantagem é que cuidam de um monte de coisas da parte administrativa, e menos da parte musical do trabalho; em seguida, novamente, sendo "indie" significa que temos de tomar todas as decisões quanto a promoção e comercialização do álbum ... Vamos ver.


RtM: E sobre  "A War of Our Own", você poderia nos falar sobre o conceito por trás do título?
Marcela: Todas as músicas do álbum são inspiradas em diferentes tipos de batalhas: a nossa luta como  banda, para torná-la independente, a luta do México como país, devido aos problemas sociais e guerras contra as drogas, a luta de amigos e familiares contra doenças como o câncer ou depressão ... Nós pensamos: "A guerra de nós próprios" é um título que envolve todas essas situações muito bem.


RtM: Um ano após o lançamento do álbum,  você já pode medir a aceitação dos fãs e quais as músicas que mais caíram no gosto do público?
Marcela: É muito variada a preferência pelas músicas, de verdade! Mas eu acho que uma das favoritas é "Don't Let it Go"; que também é uma das minhas favoritas!! 


RtM: E qual é o seu sentimento a respeito do álbum? Você acredita que é o álbum melhor e mais maduro da banda?
Marcela: Oh, definitivamente. Nós nos atrevemos a fazer muito mais neste álbum; ampliamos nossos horizontes e tentamos incorporar ainda mais influências progressivas para ele, algo que me deixa muito feliz.


RtM: Por sua nacionalidade mexicana, eu vejo que você tem muito contato e carinho dos fãs mexicanos, bem como em países da América Latina, inclusive grupos de fãs no Facebook aqui no Brasil. Você acha que os fãs latinos têm uma maior paixão pela música? há uma diferença entre o público da América e da Europa? E você sabe onde se concentram o maior número de fãs do SOP?
Marcela: Eu acho que nós, povos de sangue latino, tendemos mais a sermos movidos pela paixão, sim. Isso não significa que as audiências europeias são menos emocionais! Mas eles expressam isso de forma diferente. Nós gostamos de botar pra fora, demonstrar isso! E eu acho que é por isso que nós respondemos a música assim dessa maneira.


RtM: Você escreve várias letras de músicas em espanhol, o que é muito bom, eu acredito ser mais fácil para você se expressar usando a sua língua materna. E os fãs mexicanos e latinos adoram!
Marcela: Sim! Eu adoro escrever em espanhol, o que me permite dizer coisas que eu não conseguiria expressar em qualquer outra língua.


RtM: Lembre pra gente como foram os primeiros contatos com Arjen Lucassen, que mais tarde culminou com o nascimento do Stream of Passion.
Marcela: Em 2003 ele estava trabalhando em uma das óperas Rock do Ayreon, "The Human Equation". Ele fez um concurso através do seu site para dar a uma cantora desconhecida a oportunidade de cantar algumas partes. Eu ainda estava morando no México, um bom amigo meu me falou sobre isso e me convenceu a enviar um dos meus CDs. Então eu fiz, e para minha surpresa, ele me escolheu para o papel. Eu acabei vindo para a Holanda para gravar em seu estúdio, foi uma experiência incrível! E alguns anos depois eu acabei voltando e com uma banda completa e tudo. A vida dá voltas estranhas às vezes!


RtM: Deve ter sido muito bom dividir o palco novamente com Arjen, já que ele praticamente não toca ao vivo mais, só muito raramente em alguns eventos promocionais. Conte-nos um pouco para nós sobre este dia muito especial, o "Release Show" do CD do The Gentle Storm, que teve a participação de Arjen.
Marcela: Foi muito emocionante, não só por causa do Arjen estar lá, mas porque era a primeira vez que tocávamos com The Gentle Storm como uma banda. Então, todo mundo estava um pouco nervoso, mas tudo saiu tão bem! A banda é incrível, por isso as canções soaram incríveis. Para mim, estar no palco com Anneke foi um sonho que se tornou realidade, e tocar com Arjen novamente foi um presente. Ele continua dizendo que constantemente tem arrepios durante nossas performances! uau! que elogio!


RtM: Falando de The Gentle Storm, o Stream Of Passion vai tocar ao lado da banda em vários shows, incluindo você e Johan também fazem parte do live line-up. Certamente os shows serão muito especias, e você também vai ter um monte de trabalho! Conte-nos sobre suas expectativas para esta tour, e eu acredito que poderão ter algumas surpresas, como algumas jams?
Marcela: Jams? Ainda não havia pensado sobre isso, boa! Haha! Sim, para Johan e eu vai significar um monte de trabalho duro. Ele não só está tocando com ambas as bandas, mas também tem que tratar da configuração do palco duas vezes, fazendo duas passagens de som e, basicamente, estar ocupado o dia inteiro. Nós adoramos! Eu faria isso por meses, se eu pudesse!


RtM: As bandas com membros do sexo feminino hoje são algo comum e crescendo a cada dia, bastante diferente de anos atrás, quando Rock e Metal era praticamente um ambiente dominado por homens. Como você vê a participação da mulheres de hoje na cena, e se ainda existe algum tipo de discriminação e no que é preciso haver evolução ainda?
Marcela: Acho que as mulheres são muito mais aceitas no mundo do Metal hoje em dia. Você vê um monte de mulheres que fazem música pesada, não é mais uma surpresa, e é ótimo! Mas se tem uma coisa que eu acho que realmente precisa é se livrar do rótulo de "Female Fronted Metal", ele não diz absolutamente nada sobre a música que uma banda faz!


RtM: O que você acha desse rótulo, "Female Fronted Metal"? É algo mais positivo do que negativo?
Marcela: Haha, acho que eu me antecipei a esta questão, e já sabe o que penso!


RtM: E a respeito de suas inspirações e influências como cantora? Quem músicos ou cantores que você citaria?
Marcela: Anneke é definitivamente uma das minhas influências. Eu também fui profundamente influenciada por exemplo, pelo The 3rd and the Mortal e as cantoras Kari Rueslatten e Ann-Mari Edvardsen; Eu amo essa banda! São de formação clássica assim como eu, e também carregam algumas influências de ópera, mesmo que eu não use esse tipo de voz tantas vezes com a banda.


RtM: E como você começou no mundo da música, quem foram os seus principais apoiadores?
Marcela: Minha primeira grande influência foi o meu padrinho. Ele era o diretor do Conservatório em Monterrey, a minha cidade natal; ele recomendou meus pais a colocarem a minha irmã e eu em uma escola de música já muito jovens. Então, a partir dos 5 anos de idade eu já estava aprendendo música e canto. A música tem sido uma parte da minha vida desde então.


RtM: E sua decisão de ir para a Holanda? Quais são as principais razões que você vê por que é mais difícil manter uma banda em países como o Brasil ou o México do que na Europa?
Marcela: Depois de iniciar o Stream of Passion e tomar a decisão de fazer uma banda em tempo integral, fazia mais sentido para mim mudar para a Holanda, e toda a banda era holandesa; Desta forma, poderíamos fazer muito mais coisas do que apenas tours eventuais! Há uma série de fatores que mostram que manter uma banda na Europa é mais fácil do que no México, mas um dos principais é que há , pelo menos na Holanda, muito mais apoio do governo para as artes do que no México, por exemplo. Está tendo cada vez menos, mas ainda há muitos locais e centros de juventude que motivam os jovens a fazer música e tocar; há mais algumas portas em que você pode bater.


RtM: Marcela, muchas gracias por su atención, esperamos ver te pronto aquí en  Brasil y América der Sur !!
Marcela: Obrigada, Carlos! Desejo de todo meu coração que tenhamos a oportunidade de visitá-los em breve! xx



Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação e arquivo da banda






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