terça-feira, 11 de abril de 2023

Cobertura de Show – Def Leppard, Mötley Crüe e Edu Falaschi – 07/03/2023 – Allianz Parque/SP

A vinda do Def Leppard e do Mötley Crüe pela américa latina e, claro, aqui no  Brasil, era projetada logo que eles finalizaram a The Stadium Tour, ano passado, junto com o Poison e a Joan Jett & The Blackhearts. Sem a presença dos dois últimos, Leppard e o Crüe presentearam o público latino depois de anos de espera seguindo praticamente com o mesmo formato da turnê passada, só que com outro nome, The World Tour, que teve o penúltimo giro pelo continente no último dia 7 (terça feira), no Allianz Parque, em São Paulo. Além deles, teve Edu Falaschi como convidado especial.

Vindo de uma bem-sucedida turnê do seu primeiro álbum solo, Vera Cruz, que foi encerrada no dia 21 de janeiro com show no Tokio Marine Hall ao lado da Orquestra Sinfônica Jovem de Artur Nogueira, Falaschi e sua banda teve uma ótima recepção de todos que conseguiram chegar a tempo para poder assisti-los, tendo até que bastante gente nos setores de pista, porém alguns só conseguiram pegar os momentos finais por conta do horário de pico e do trânsito caótico que a cidade enfrentou durante a hora do show.

Com um set curto, a banda, que ainda conta com o tecladista Fabio Laguna, guitarristas Roberto Barros e Diogo Mafra, baixista Raphael Dafras, baterista Jean Gardinalli e os vocais de apoio do Fabio Caldeira (Maestrik) e de Raissa Campos, subiu ao palco, às 18h15, para mandar logo dois clássicos da fase do Edu no Angra: Acid Rain e Heroes of Sand. Do Vera Cruz só deram espaço para a Speed Fire With Fire.  A balada Bleeding Heart teve destaque especial com o público iluminando o estádio com as luzes dos celulares a pedido do vocalista. O fim venho com Nova Era, outra do aclamado álbum Rebirth (2001).

Apesar de ser um estilo totalmente diferente das atrações principais, o público curtiu o que viu e agitou bastante, o que deixou Edu e os demais da banda felizes. Para Edu, que venho do berço do Hard Rock, teve um significado especial. Durante os primeiros momentos, ele falou ser muito fã das duas bandas, principalmente o Def Leppard, a qual cresceu e passou toda a adolescência ouvindo eles nos anos oitenta. Com certeza deve ter sido uma realização e tanto.

Sem brechas para se locomover, a pista – que foi reduzida para estender o palco mais a frente – estava tomada de gente com camisetas do Mötley. Após Requiem in D minor, K. 626, do Mozart, às 19h30, uma espécie de telejornal sobre o show, intitulado MCNN (alusão ao canal CNN), apresentado por Tom Frank, era exibido nos telões antes do Vince Neil, Nixx Sixx, Tommy Lee e John 5, junto das Nasty Habits, arrebatar todo mundo com a trinca de Wild Side, Shout at the Devil e Too Fast for Love com um ótimo som vindo dos PAs e dos timbres matadores dos músicos.

O repertorio, usando as palavras do Vince, abrangeu somente os clássicos – não foram incluídas às músicas do homônimo disco (com John Corabi nos vocais) Generation Swine e do fraco New Tatto. Falando do Vince, que anos atrás sofreu críticas a respeito da sua condição vocal, melhorou um pouco desde que a banda anunciou o retorno em 2019, mas ainda assim longe da sua condição ideal, dependendo ainda de bases pré-gravadas para que tudo saia ok.

Depois de ter dito algumas palavrinhas, Vince pegou o violão para dar andamento com a balada Don’t Go Away Mad (Just Go Away), do álbum do Dr. Feelgood (1989), seguida da pesada Saints Of Los Angeles – faixa título do último e pouco lembrado álbum de estúdio – e temas mais antigos como a rápida Live Wire e a agitada Look That Kill, que estão presentes nos dois primeiros discos, Too Fast for Love (1981) e Shout at the Devil (1982).

Também sobrou espaço para a nova The Dirt (Est. 1981), presente na trilha sonora do filme de mesmo nome, mas sob os artifícios de samplers e da voz pré-gravada de Machine Gun Kelly, que fez participação tanto na faixa quanto no filme interpretando Tommy Lee. Independente de tudo, a música ficou muito legal sendo executada ao vivo.

Carregando a bandeira do Brasil, Nikki, sempre muito simpático, foi até a ponta da passarela para dar a sua saudação. Em meio a esse momento de interação, o baixista chamou uma garota para subir ao palco, que acabou ganhando um bonequinho e uma selfie com o líder da banda. Após isso foi a vez de John 5 roubar a cena para mostrar suas habilidades na guitarra com direito a palinha de Eruption, do Van Halen. John, que durante essa turnê, vem mostrando ser a pessoal ideal para ocupar a ausência do icônico Mick Mars, que no final do ano passado anunciou a aposentadoria dos palcos por conta da espondilite anquilosante, doença que vem enfrentando durante anos. O engraçado foi ele ter pego uma peça intima que uma fã jogou no palco e colocou no pedestal que vinha do alto com crucifixos que se ascendiam e mudava de cor.

Medley de covers com Rock and Roll Part 2 (Gary Glitter), Smokin’ in the Boys Room (Brownsville Station), Helter Skelter (Beatles), Anarchy in the U.K. (Sex Pistols) e Blitzkrieg Bop (Ramones) foi o último momento de êxtase antes de executar Home Sweet Home. Introduzido por Tommy Lee, que também saudou o público enquanto a equipe ajeitava o piano no centro da passarela. Sem perder o bom humor, ele brincou com as garotas pedindo para que mostrassem as suas “titas”, ou melhor dizendo, tetas. E não é preciso detalhar o quanto foi emocionante ver essa balada – uma das melhores da história – sendo executada ao vivo do começo ao fim.

Dr. Feelgood e Same OI’ Situation (S.O.S.), outros dois grandes sucessos da carreira, fez com que a poeira levantasse novamente após o momento de calmaria. Girls, Girls, Girls contou com a presença de dois gigantes e infláveis mulheres robôs nas laterais do palco e da performance das cantoras e dançarinas Hannah Sutton e Ariana Rosado, que compõem o chamado Nasty Habits.

Primal Scream, com uma performance impecável de Sixx, e a energética Kickstart My Heart puseram ponto final na melhor (e inesquecível) apresentação que o Crüe fez em território brasileiro. A banda, que já teve duas passagens aqui no Brasil no extinto Credicard Hall (e hoje Vibra SP), em 2011, e no Rock In Rio, em 2015, tiveram, sem dúvida, a melhor experiência comparado aos shows que fizeram no passado. Que as atividades da banda perdurem por um longo tempo para que eles voltem novamente...

Nunca imaginei que algumas pessoas fossem embora após o show do Mötley Crüe, a confirmação disso foi percebida assim que senti uma certa liberdade na pista premium e de amigos que estiveram no show. Quem se ausentou perdeu um baita show dos ingleses do Def Leppard, outro grande ícone do Hard Rock que sabe como ninguém em fazer shows em grandes arenas e estádios.

Joe Elliot (vocal), Phil Collen e Vivian Campbell (guitarras), Rick Savage (baixo) e Rick Allen (bateria) logo aparecem no palco, às 21h20, assim que o relógio exibido no telão terminou a contagem de seis minutos com Take What You Want, faixa que abre o mais recente trabalho de estúdio, Diamond Star Halos (2022), que não empolgou muita gente. O ânimo só venho na música seguinte, Let’s Get Rocked, e das clássicas Animal, Foolin’ e Armageddon It, que até hoje são músicas que polui qualquer playlist e hard party’s no planeta.

Se Take What You Want não despertou muito impulso, Kick, outra do Diamond Star Halos, não foi diferente, que antes de executa-la, Elliot – que hoje está mais para sósia do Billy do Jogos Mortais – relembrou que as músicas do último disco foram compostas durante a fase de pandemia. Dependendo também de bases pré-gravadas, ele se saiu bem no show em São Paulo e nos anteriores depois do susto do último dia 24 de fevereiro (NT.: Elliot precisou ser internado um dia antes do show em Bogotá-COL).

Love Bites, que virou sucesso aqui no Brasil graças a releitura do Yahoo, atacou os casais apaixonados e solitários, como eu, de dar aquela cafungada de quem estava perto de uma gata. Promisses, do álbum Euphoria (1999), completou a primeira metade do set para que Elliot, Collen, Campbell e Savage pudessem ir à frente da passarela e instalar a calmaria com as acústicas This Guitar e When Love and Hate Collide.

A intensidade voltou de forma rápida com Rocket, mas a serenidade voltou novamente para dar seu penúltimo respiro com a balada Brigin’ On the Heartbreak. Phil Collen – que nunca deixa de mostrar sua forma física mesmo com graus abaixo de zero – e Vivian Campbell esbanjaram toda técnica que tem na guitarra com a instrumental Switch 625, seguida de um rápido solo do guerreiro Rick Allen.

Quem já teve oportunidade de ver o Leppard ao vivo sabe muito bem que boa parte do set só tem músicas do Hysteria (1987), disco que fez elevar o patamar da banda e alcançar o merecido sucesso mundial, e os minutos finais foram dedicados a três músicas desse álbum: a climática faixa título – com direito a ‘Oh, Oh, Oh’ no final –, a emblemática Pour Some Sugar on Me e Rock of Ages, encerrando com Photograph, outra que é indispensável do set da banda, do álbum Pyromania (1983).

O público nunca foi ingente nas poucas vezes que o Leppard e o Crüe estiveram aqui no Brasil, exceto quando tocaram no Rock In Rio. Mas isso tem explicação: ambas as bandas tiveram pouca divulgação em um país onde o Hard Rock é pouco valorizado, apesar ter dado uma crescida nos últimos tempos, mas ainda assim é pouco. Os que estiveram presentes, que pagaram caro o ingresso, e enfrentou o cansaço no dia atípico para shows, foram recompensados com dois espetáculos de dois grandes nomes do gênero.

Deixo meus parabéns para a Live Nation, responsável por ter trazido a turnê aqui para o Brasil apesar de todas as dificuldades, e pela organização do evento como um todo, que não teve nenhum imprevisto e atraso.

 

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Leandro Almeida Renato Sanson

Edição/Revisão: Renato Sanson

 

Produção: Live Nation

Assessoria de Imprensa: Motisuki PR

 

Edu Falaschi

Acid Rain

Heroes of Sand

Fire With Fire

Bleeding Heart

Nova Era

 

Mötley Crüe

Wild Side

Shout at the Devil

Too Fast for Love

Don’t Go Away Mad (Just Go Away)

Saints of Los Angeles

Live Wire

Looks That Kill

The Dirt (Est. 1981)

Rock and Roll, Part 2 / Smokin’ in the Boys Room / Helter Skelter / Anarchy in the U.K. / Blitzkrieg Bop

Home Sweet Home

Dr. Feelgood

Same OI’ Situation (S.O.S.)

Girls, Girls, Girls

Primal Scream

Kickstart My Heart

 

Def Leppard

Take What You Want

Let’s Get Rocked

Animal

Foolin’

Armageddon It

Kick

Love Bites

Promises

This Guitar

When Love and Hate Collide

Rocket

Bringin’ On the Heartbreak

Switch 625

Hysteria

Pour Some Sugar on Me

Rock of Ages

Photograph


sábado, 1 de abril de 2023

Interview - Fernando Ribeiro (Moonspell)

 


The greatest exponent of Metal in Portugal, Moonspell, completes 30 years of career. Since its inception, the band has shown that it would surprise with each album, always looking for new challenges, and step by step it has been conquering fans across continents. (Versão em português aqui)

The band is already on a tour to celebrate these 30 years, passing through Latin America, including Brazil, where they will present songs from their career, and from the last two and praised albums, "1755" and "Hermitage". We took the opportunity to talk with the iconic vocalist Fernando Ribeiro, who, with his usual chivalry, gave us the interview that you can read below.



RtM: "Hermitage" can already be considered a milestone for the band's career, and I believe that you also believe in that, because you realized this daring idea of playing the album in its entirety, and still in the Mira D'aire grotto.

Fernando Ribeiro: Thank you! Above all, Hermitage will always be a special record, due to the context in which it was recorded and released, and to a certain “confirmation” of several things that constitute the literary concept of the record.


RtM: Talk a little more about how this incredible idea of doing this concert and the choice of location came about.

FR: As we knew that this album, due to the pandemic, would not be supported by a promotion tour, we decided, from the outset, to document it live, complete and in its entirety, so that some justice could be done to the album.

The Mira D’Aire Caves are a natural “monument” that is part of the Portuguese imagination. During the pandemic, I visited it again with my son and niece and, as it were, joined the dots.

The natural scenery and the lighting, it looked like a geological work by Bosch or Caravaggio and I thought it was a great idea to bring music about hermits there... First, we did the photo shoot, then the video for Common Prayers and finally the live event.



RtM: And how was the preparation in terms of first obtaining authorization to perform at Mira D'aire? for I believe that there must be several cares and restrictions. And, of course, there was the preparation and care for sound capture, acoustics, image capture, everything must have been a very different experience.
FR: Yes. It had to be a silent event, that is, people listened to Moonspell through headphones, with a sound mix specially prepared for the fans.

Then there were the issues of permits (Portugal is very bureaucratic), electricity, problems with claustrophobia in the public, covid tests, social masks, and all the lighting and sound equipment that had to be thought out in the smallest detail because it was a small space , different and limited.

 


RtM: Moonspell never allowed itself to stagnate or limit itself musically, and "Hermitage" surprises after the wonderful and complex "1755", bringing a more progressive sound, sometimes cleaner and darker. Comment on what inspired the lyrical theme and sound of "Hermitage".

FR: I don't know if it's restlessness or simply the fact that we are never truly satisfied with what we do, at least I am never. In the case of Hermitage, the sound was inspired by progressive which has been a very clear influence on Metal and Moonspell, especially since records like "Wildhoney" by Tiamat.


In my case, I received a bag from my uncle with all of Pink Floyd's discography from the 70's and that ended up influencing me too.


The literary concept is related to the solitude to which the world is facing, the lack of communication and empathy between people, which leads many people to isolate themselves from the world for reasons different from the classic hermit saints, and in this counterpoint, the disco.


There was talk of social distancing, but without being enacted by law or a health emergency.

We are like hermits to ourselves and to each other.



RtM: Still on the sound of "Hermitage", I felt a lot of influence from the progressive of the 70s, even later with the release of "From Down Below", I also remembered that Pink Floyd did a show in Wembley the year after the release of "Dark Side of The Moon", playing the disc in its entirety. I would like you to comment on the influence of these classics and name some of your favorites.
FR: Well, as I mentioned before, I inherited the entire Pink Floyd discography on vinyl! I listened to a lot of things like Relics, I love the Set the Control to the Heart of the Sun theme, but also Piper at the Gates of Dawn and of course "Dark Side of the Moon" which is a masterpiece.

I also really like Emerson Lake and Palmer, for example, or post rock like Apse, A Perfect Circle or more metal stuff like Katatonia that makes great music.


RtM: "Hermitage" also features the new drummer Hugo Ribeiro. And regarding Hugo, how was his contact and adaptation so far, and what did he bring back to add to the band's sound?

FR: Hugo is the most talented and complete drummer that ever played in the band and we canevolve a lot in the complexity of the rhythmic parts and this confidence allowed us to have more imagination and go further. I think Hugo still has a lot to give to Moonspell and it's just getting started! And I think he started off on the right foot, as his performance at the Hermitage is excellent.

 


RtM: Mike Gaspar ended up leaving the band after all these years. What was it like to deal with this process of change? Of course, we understand that changes are part of it, but when it involves an original member, it can be a little more difficult.

FR: Very difficult. Personally, Mike was not only Moonspell's drummer, but also my best friend and I even considered not continuing without him. It was one of the toughest decisions of my life, but we had, in fact, reached a point that we could not resolve. I wish Mike and Seventh Storm, his new band, created in his image, all the best of luck.


RtM: About "1755", I consider it not only a milestone for world of Metal, but a complex work, rich in history and with a unique atmosphere. Full of epic and thought-provoking nuances. Taking emotion to high peaks. If possible, I would like you to comment on the importance of It for you and about the creative idea for such a powerful and thought-provoking album.

FR: It was a spur of the moment thing, although the ideas are rooted in my student background. The record was also born from the absence of a musical work that contemplated this event and all its social, political, artistic and philosophical consequences.


I explained the concept to my partners and they immediately understood that the sound would have to be big and epic, almost symphonic, and that it would have to be sung entirely in Portuguese.


For us it was very important, as it brought together two of Moonspell's passions: History of Portugal and Heavy Metal. And we really want to make another record in Portuguese, as soon as we find a theme.


 

RtM: As artists and a consolidated band, I believe that from the beginning you sought to bring something innovative, challenge yourself and still feel the commitment to bring messages and ideas to make your audience reflect, interpret, instigating curiosity.

I would like you to comment on this, and if you understand that every artist has to have this duty and also be careful to convey a message to their fans, because musicians/artists are a potential opinion maker.

FR: Each artist does what he wants and there is no judgment. There are several paths that can be followed and for me, I don't see why one path should be more legitimate than another. Whether you want to quote Feuerbach or have a giant rubber duck onstage, our mission is to entertain.

Nowadays with all the splits, crises and depression that exist, a musician who can make people think about something else and focus on the show and not on the problems they have, is an act of immense generosity and empathy.


Personally, I like the poetic, philosophical and intellectual part of Metal. I like to know that the Maiden theme "The Evil that men Do" is a Shakespearean quote. And I follow this path. But if another musician wants to make the audience pretend they're on a Viking ship, rowing, who am I to say it has to be my way and not his? There is room for everything and everyone.

 


RtM: Moonspell's discography is very strong and diversified. Because at each launch we have the characteristic elements, however, with different syntheses. You listen, you know it's Moonspell, but in a fresh and different way. How is the creative process in general for the band?

FR: We are a zeitgeist band, i.e., what is happening in the world, in our lives, what enters or is retrieved in our libraries and clubs and by the dissatisfaction with what we do and the enthusiasm in discovering new melodies and, who knows , add new Moonspell themes to people's daily lives.


If we had stopped at the first records, or repeated the formulas, we wouldn't have given the world themes like Nocturna, Scorpion Flower, Breathe or the whole of 1755.

 


RtM: You recently had to cancel your European tour due to the financial crisis that some countries are going through. In Brazil and South America in general, it wouldn't be so different, because crises come, the rulers neglect and the people unfortunately pay the price. In the view of those of you who have already traveled the world, what could be done to contain these mass crises that happen?

FR: The European tour has taken place. The US tour was canceled due to lack of transport and the UK tour didn't sell enough tickets in London, which was bizarre as London has always been one of the most important cities for Moonspell. What can be done? Absolutely nothing.

We just have to rely on the generosity of the fans and depend on the depth of their love for the music, and in our case for them to decide to spend their hard earned money and experience Moonspell. The world chose capitalism and liberalism, without rules, there is no balance, no basis for experimenting with regulation, so the burden will always be on top of the fans and bands and those who still invest in this kind of deal with people rather than numbers or algorithms.

In our case, Moonspell opted to lower conditions, fees/payments to the band, production, merch prices, so that we can still play for our fans. We are always working to give them the best.



RtM: Thank you for your time and for answering this interview, may the tour in Latin America be very successful, we will be there at Opinião in Porto Alegre, if the universe wants it that way. And finally, could you tell us something about what fans can expect from the next album?

FR: Very grateful for the opportunity. And for the votes! See you in Porto Alegre for a big night, under the spell.

We will work on a new album, without rushing, something simpler, less prog, returning to the most emblematic songs, something more intelligible at first listen and with the concept around the power of books and words. It will come out in 2024, or, in the worst case, in 2025.


Interview by: Carlos Garcia and Renato Sanson

Thanks: Erick Tedesco - Tedesco Mídia

IDL Entertainment

Visit: Moonspell.com







Entrevista - Fernando Ribeiro (Moonspell)

 


O maior expoente do Metal de Portugal, o Moonspell, completa 30 anos de carreira. A banda desde seu início mostrou que iria surpreender a cada álbum, buscando sempre novos desafios, e passo a passo foi conquistando fãs pelos continentes. (English Version Clic Here)

A banda está já em uma tour para comemorar esses 30 anos, passando pela América Latina, inclusive Brasil, tendo uma data em terras gaúchas no dia 07/04, onde apresentará músicas de destaque de sua carreira, e dos dois últimos e elogiados álbuns, "1755" e "Hermitage". 

Aproveitamos a ocasião para conversar com o icônico vocalista Fernando Ribeiro, que com seu habitual cavalheirismo nos concedeu a entrevista que vocês conferem a seguir.



RtM: "Hermitage" já pode ser considerado um marco para a carreira da banda, e creio que vocês também acreditam nisso, pois realizaram essa ousada Ideia de tocar o álbum na íntegra, e ainda na gruta Mira D'aire.
Fernando Ribeiro: Obrigado! Acima de tudo, o Hermitage será sempre um disco especial, devido ao contexto em que foi gravado e lançado, e a uma certa “confirmação” de várias coisas que constituem o conceito literário do disco.


RtM: Fale um pouco mais sobre como surgiu essa incrível ideia de fazer esse concerto e a escolha do local.
FR: Como sabíamos que este disco, devido à pandemia, não iria ser apoiado por uma turnê de promoção, decidimos, desde logo, documentá-lo ao vivo, completo e na íntegra para que assim se fizesse alguma justiça ao disco.

As Grutas de Mira D’Aire, são um “monumento” natural que faz parte do imaginário dos Portugueses. Durante a pandemia, tornei a visitar o sítio com o meu filho e sobrinha e, como que juntei os pontos.

O cenário natural e a iluminação, parecia uma obra geológica de Bosch ou Caravaggio e achei uma ótima ideia levar ali música sobre eremitas... Primeiro, fizemos sessão de fotos, depois o vídeo para o Common Prayers e finalmente o evento ao vivo.


 
RtM: E como foi a preparação na questão de, primeiramente conseguir autorização para realizar o show na Mira D'aire? pois acredito que devem haver vários cuidados e restrições. E, claro, teve a preparação e cuidados para captação de som, a acústica, a captação  de imagens, tudo deve ter sido uma experiência bem diferente.
FR: Sim. Teve de ser um silent event, isto é, as pessoas escutavam os Moonspell através de headphones, com uma mistura sonora especialmente preparada para os fãs.

Depois, havia as questões das autorizações (Portugal é muito burocrático), eletricidade, problemas de claustrofobia do público, testes de covid, máscaras sociais, e todo o aparato de luzes e som que teve de ser pensado ao menor detalhe porque era um espaço pequeno, diferente e limitado.  
 

RtM: O Moonspell jamais se permitiu estagnar ou se limitar musicalmente, e "Hermitage" surpreende depois do maravilhoso e complexo  "1755", trazendo uma sonoridade mais progressiva, por vezes mais limpa e soturna. Comente a respeito do que inspirou a temática das letras e a sonoridade de "Hermitage".
FR: Não sei se é inquietude ou simplesmente o fato de que nunca estamos verdadeiramente satisfeitos com o que fazemos, pelo menos eu, nunca estou. No caso do Hermitage, a sonoridade foi inspirada pelo progressivo que tem sido uma influência muita clara ao Metal e ao Moonspell, especialmente, desde discos como o "Wildhoney" do Tiamat.

No meu caso eu recebi uma sacola do meu tio com TODA a discografia do Pink Floyd dos anos 70 e isso acabou por me influenciar também.

O conceito literário prende-se com a solidão à qual o mundo está voltado, a falta de comunicação e empatia entre as pessoas, que leva muita gente a isolar-se do mundo por razões diversas dos santos clássicos eremitas, e nesse contraponto se fez o disco.
Falava-se de distanciamento social, mas sem ser decretado por lei ou por emergência sanitária.
Somos como que eremitas de nós mesmos e uns dos outros.



RtM: Ainda sobre a sonoridade de "Hermitage", eu senti bastante influência do progressivo dos anos 70, inclusive depois com o lançamento do "From Down Below",  lembrei também que o Pink Floyd fez um show em Wembley no ano seguinte ao lançamento do "Dark Side of The Moon", tocando o disco na íntegra. Gostaria que você comentasse a respeito da influência desses clássicos e citasse alguns de seus favoritos. 
FR: Bem, como me referi antes, herdei toda a discografia do Pink Floyd em vinil! Escutei muito coisas como Relics, adoro o tema Set the Control to the Heart of the Sun, mas também Piper at the Gates of Dawn e claro o "Dark Side of the Moon" que é uma obra-mestra.

Também gosto muito de Emerson Lake e Palmer, por exemplo, ou post rock como Apse, A Perfect Circle ou coisas mais metaleiras como Katatonia que fazem grande música.

 
RtM: "Hermitage" também apresenta o novo baterista Hugo Ribeiro.  E referente a Hugo, como foi o contato e adaptação dele até o momento, e o que ele trouxe de novo para acrescentar à sonoridade da banda?
FR: O Hugo é o baterista mais talentoso e completo que já tocou na banda e podemos evoluir muito na complexidade das partes rítmicas e essa segurança nos permitiu ter mais imaginação e ir mais longe. Penso que o Hugo ainda tem muito para dar ao Moonspell e apenas está começando! E creio que começou com o pé direito, já que a sua performance no Hermitage é excelente.
 

RtM: Mike Gaspar acabou deixando a banda depois de todos esses anos. Como foi lidar com esse processo de mudança? Claro, entendemos que mudanças fazem parte, mas quando envolve um membro original, pode ser um pouco mais difícil. 
FR: Muito difícil. Pessoalmente, o Mike era não só o baterista de Moonspell, mas também o meu melhor amigo e cheguei a equacionar não continuar sem ele. Foi das decisões mais duras da minha vida, mas tínhamos, de fato, chegado a um ponto que não podíamos resolver. Desejo toda a sorte ao Mike e aos Seventh Storm, a sua nova banda, criada à sua imagem.

RtM: Sobre o "1755", considero não só um marco para o Metal mundial, mas um trabalho complexo, rico em história e com um clima único. Cheio de nuances épicas e instigantes. Levando a emoção a picos altíssimos. Gostaria que se possível comentassem sobre a importância e ideia criativa para um álbum tão poderoso e instigante.
FR: Foi uma coisa do momento, embora as ideias radiquem no meu passado de estudante. O disco nasce também da ausência de uma obra musical que contemplasse esse evento e todas as suas consequências sociais, políticas, artísticas e filosóficas.

Expliquei o conceito aos meus parceiros e eles entenderam logo que o som teria de ser grande e épico, quase sinfónico, e que teria de ser cantado integralmente em Português. (N. do R.: O disco conta a história do terremoto, seguido por um tsunami, que devastou Lisboa no primeiro dia de novembro do ano de 1755.)

Para nós foi muito importante, pois juntou duas paixões do Moonspell: História de Portugal e Heavy Metal. E queremos muito fazer outro disco em Português, assim que se encontre um tema.
 

RtM: Como artistas e banda consolidada, creio que desde o início vocês buscaram trazer algo inovador, se desafiar e ainda sentirem o compromisso de trazer mensagens e ideias para fazerem o seu público refletir, interpretar, instigando a curiosidade. Gostaria que vocês comentassem a respeito, e se vocês entendem que todo artista, tem que ter esse dever e também o cuidado de levar uma mensagem aos seus fãs, pois é um potencial formador de opinião. 
FR: Cada artista faz o que quer e não há que haver julgamento. Existem diversos caminhos que se podem percorrer e para mim, não vejo porque um caminho deva ser mais legítimo que outro. Se quiser citar Feuerbach ou apresentar um pato de borracha gigante no palco, a nossa missão é entreter.

Hoje em dia com toda cisão, crise e depressão que existe, um músico que consiga com que a pessoa esteja a pensar noutra coisa e focada no show e não nos problemas que tem, é um ato de imensa generosidade e empatia.

Pessoalmente, gosto da parte poética, filosófica e intelectual do Metal. Gosto de saber que o tema de Maiden "The Evil that men Do" é uma citação shakespeariana. E sigo esse caminho. Mas se outro músico quiser colocar o público fingir que está num barco viking, remando, quem sou eu para dizer que deve ser do meu modo e não do dele? Há espaço para tudo e para todos.

 

RtM: A discografia do Moonspell se mostra muito forte e diversificada. Pois a cada lançamento temos os elementos característicos, porém, com sínteses diferentes. Você escuta, sabe que é o Moonspell, mas de uma maneira renovada e diferente. Como é o processo criativo de um modo geral da banda?
FR: Somos uma banda de zeitgeist, i.e., o que está acontecendo no mundo, nas nossa vidas, o que entra ou é recuperado nas nossas biblioteca e discotecas e pela insatisfação com o que fazemos e o entusiasmo em descobrir novas melodias e, quem sabe, adicionar novos temas do Moonspell ao quotidiano das pessoas. Se tivéssemos parado nos primeiros discos, ou repetido as fórmulas, não teríamos dado ao mundo temas como Nocturna, Scorpion Flower, Breathe ou todo o 1755.
 

RtM: Vocês recentemente tiveram que cancelar a turnê europeia pela crise financeira que alguns países vêm passando. No Brasil e América do Sul em geral, não seria tão diferente, pois as crises chegam, os governantes negligenciam e o povo paga o preço infelizmente. Na visão de vocês que já rodaram o mundo, o que poderia ser feito para conter essas crises em massa que acontecem?

FR: A turnê Europeia foi realizada. A turnê dos EUA foi cancelada por falta de transporte e a do Reino Unido não vendeu bilhetes suficientes em Londres, o que foi bizarro, pois Londres sempre foi uma das cidades mais importantes para Moonspell. O que pode ser feito? Absolutamente nada. 


Temos apenas de contar com a generosidade dos fãs e depender da profundidade do seu amor pela música, e, no nosso caso para que decidam gastar o seu duramente ganho dinheiro e viver uma experiência com o Moonspell. O mundo escolheu o capitalismo e o liberalismo, sem regras, não há equilíbrio, nem base para que se experimente regular, por isso a carga será sempre em cima dos fãs e das bandas e de quem ainda investe neste tipo de negócio com pessoas, em vez de números ou algoritmos.


No nosso caso, os Moonspell optaram por baixar condições, cachês/pagamentos à banda,produção, preços de merch, para que consigamos ainda tocar para os nossos fãs. Estamos sempre a trabalhar para lhes dar o melhor.


RtM: Obrigado pelo seu tempo e por nos responder esta entrevista, que a tour pela América Latina seja muito bem sucedida, estaremos lá no Opinião em Porto Alegre, se assim o universo quiser. E para finalizar poderia nos adiantar alguma coisa do que os fãs podem esperar do próximo álbum?

FR: Muito grato pela oportunidade. E pelos votos! Vemos-nos em Porto Alegre para uma grande noite, sob o feitiço.


Iremos trabalhar num novo disco, sem pressas, algo mais simples, menos prog, regresso às canções mais emblemáticas, algo mais inteligível à primeira escuta e com o conceito à volta do poder dos livros e das palavras. Sairá em 2024, ou, no pior dos casos, em 2025.


Entrevista por: Carlos Garcia e Renato Sanson

Agradecimentos: Erick Tedesco - Tedesco Mídia

IDL Entertainment


Moonspell.com