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| AJ Savolainen |
sábado, 15 de agosto de 2026
The Eternal: Horizontes Obscuros (Also In English)
domingo, 28 de junho de 2026
Soturno, Maduro e Baudelairiano: Moonspell Reconquista a Essência do Metal Gótico em Far From God
Fotos: Divulgação
A banda portuguesa de Gothic/Dark Metal formada em 1992, consolidou sua carreira através de composições marcadas por temas como ocultismo, poesia, melancolia e erotismo, tornando-se uma das maiores referências do gênero. Agora, o grupo chega ao seu 14º álbum de estúdio, "Far From God".
Embora as comparações com Irreligious (1997) sejam inevitáveis, "Far From God" está longe de ser uma mera cópia daquele clássico. As semelhanças aparecem principalmente na melancolia que permeia a obra e em suas temáticas sombrias, mas a execução segue um caminho próprio, marcado por uma abordagem mais sóbria e madura.
Ao mesmo tempo, o álbum resgata parte da sensibilidade romântica e decadente que remete à poesia de Charles Baudelaire, influência que se revela tanto nas letras quanto na construção emocional das canções.
Em vez de apostar em grandes arranjos ou momentos excessivamente dramáticos, o Moonspell constrói sua identidade através de uma instrumentação cuidadosamente equilibrada.
As guitarras de Ricardo Amorim ocupam posição de destaque, explorando afinações mais baixas e linhas minimalistas que acrescentam peso sem comprometer a elegância característica da banda. Os solos surgem com forte influência do gothic rock clássico, funcionando como extensões naturais das melodias e contribuindo para a paisagem sonora contemplativa que atravessa o disco.
A influência oitentista é perceptível ao longo de toda a obra, especialmente na forma como as composições priorizam clima e emoção em vez de impacto imediato. Ainda existem os teclados de Pedro Paixão, que dá o elemento atmosférico, enriquecendo os arranjos, mas eles são utilizados com moderação, sempre a serviço das canções e nunca como protagonistas.
Fernando Ribeiro entrega uma de suas performances mais consistentes dos últimos anos. Seu vocal soa mais controlado e introspectivo do que em alguns momentos de Irreligious, privilegiando interpretação e nuance em vez de teatralidade. Essa abordagem combina perfeitamente com o caráter do álbum, reforçando a sensação de maturidade presente em cada faixa.
"Far From God" demonstra a capacidade do Moonspell de revisitar aspectos fundamentais de sua identidade sem se tornar refém deles. O resultado é um trabalho que conversa com uma das fases mais celebradas da banda, mas encontra vigor suficiente para caminhar com personalidade própria.
Entre os destaques do álbum, "Cross Your Heart" é provavelmente uma das faixas que mais abraça a proposta do rock gótico oitentista. Guitarras carregadas de texturas e efeitos modulados, aliadas a bateria de Hugo Ribeiro, que dão contorno à composição e reforçam sua identidade.
A letra já estabelece seu tom melancólico logo nos versos iniciais — "Crosses and flowers by the side of the road" — conduzindo o ouvinte a uma paisagem fúnebre e contemplativa. Uma passagem falada acrescenta profundidade à música, enquanto seu ritmo envolvente e levemente dançante faz dela uma forte candidata a se tornar um dos pontos altos das apresentações ao vivo.
A faixa-título, "Far From God", surge de forma intimista, com vocais falados e quase sussurrados acompanhados por teclados que estabelecem uma ambiência sombria desde os primeiros instantes. Fernando Ribeiro adota uma interpretação sóbria e controlada, enquanto o baixo de Aires Pereira, é marcante e característico do gothic rock, assume papel de destaque na construção da música.
Liricamente, a faixa introduz com maestria a forte influência de Charles Baudelaire que permeia a obra. A composição transborda o conceito do amor baudelairiano, onde o afeto caminha lado a lado com a decadência, a culpa existencial e um romantismo sombrio. O resultado é uma canção nostálgica, fortemente ancorada na poesia maldita e nos elementos tradicionais do gênero.
Já "The Great Wolf in the Sky" representa o ponto alto do álbum. A faixa se desenvolve sobre uma ambientação soturna e densa, na qual instrumentos e vocais trabalham em perfeita sintonia para sustentar a proposta emocional da composição. Os teclados desempenham papel fundamental na construção do clima da música, enquanto uma passagem com vocais mais rasgados adiciona intensidade sem recorrer à teatralidade que marcou alguns trabalhos anteriores da banda. O violino presente nos momentos finais amplia ainda mais a carga dramática da faixa, encerrando-a de forma memorável.
"For the Love of Mortals" é, possivelmente, a composição mais atmosférica do disco, mergulhando de cabeça no romantismo trágico que define o conceito lírico do trabalho. A interpretação vocal permanece contida e melancólica, mas aqui são as guitarras que roubam a cena. Os solos carregam grande parte do peso emocional da música, enquanto a bateria atua de forma precisa, preenchendo os espaços e tornando a experiência ainda mais envolvente.
A mais pesada das composições é "Our Freedom to Fall", faixa que também remete de forma mais evidente à era Irreligious. Alternando vocais limpos e passagens guturais, a música apresenta uma intensidade emocional muito bem expressa por Fernando Ribeiro. Sua performance confere personalidade à faixa e amplifica o impacto de seus momentos mais sombrios.
O encerramento do álbum fica a cargo da faixa "Reconquista", que inicia com vocais rasgados que transmitem a revolta e a carga emocional exigidas pela composição. A atmosfera é densa, intensa e carregada de tensão, enquanto uma passagem falada em português acrescenta identidade e autenticidade à música.
Trata-se de um recurso recorrente na trajetória do Moonspell, reafirmando que a banda jamais abandonou suas raízes portuguesas. O próprio título parece sugerir uma dupla missão: a reconquista do território sagrado do metal gótico clássico e a reafirmação de sua própria soberania cultural e identidade lusitana.
Segundo os próprios integrantes, Far From God foi concebido com simplicidade musical, mas grande complexidade emocional. Fernando Ribeiro comentou sobre as dificuldades criativas enfrentadas durante o período da pandemia, e esse peso emocional parece ecoar em cada faixa do álbum. Ao mesmo tempo, o trabalho soa como um verdadeiro manifesto em defesa do metal gótico, reafirmando a relevância de um gênero que raramente ocupa posição de destaque no cenário contemporâneo.
O resultado é um álbum profundamente nostálgico, mas que evita a armadilha da mera repetição. Carregado de melancolia, romantismo, decadência e imagética vampírica, Far From God abandona boa parte das reflexões filosóficas e sociais presentes em Hermitage (2021) para mergulhar de cabeça na estética gótica que ajudou a consagrar o Moonspell.
Sóbrio, soturno e emocionalmente denso, o disco encontra um equilíbrio admirável entre tradição e maturidade, oferecendo aos fãs do gênero uma obra que honra o passado sem deixar de possuir identidade própria.
********ENGLISH VERSION*********
Gloomy, Mature, and Baudelairean: Moonspell Reclaims the Essence of Gothic Metal on Far From God
Photos: Courtesy
Label: Napalm Records
Moonspell, the Portuguese Gothic/Dark Metal band formed in 1992, established its career through compositions marked by themes such as occultism, poetry, melancholy, and eroticism, becoming one of the most influential acts in the genre. Now, the group arrives with its fourteenth studio album, "Far From God".
While comparisons to Irreligious (1997) are inevitable, Far From God is far from being a mere copy of that classic. The similarities lie mainly in the melancholy that permeates the record and its dark themes, but the execution follows its own path, marked by a more restrained and mature approach.
At the same time, the album revives part of the romantic and decadent sensibility associated with the poetry of Charles Baudelaire, an influence that reveals itself both in the lyrics and in the emotional construction of the songs.
Rather than relying on grand arrangements or excessively dramatic moments, Moonspell builds its identity through carefully balanced instrumentation. Ricardo Amorim's guitars take center stage, exploring lower tunings and minimalist lines that add weight without compromising the band's characteristic elegance. The solos draw heavily from classic gothic rock, functioning as natural extensions of the melodies and contributing to the contemplative sonic landscape that runs throughout the album.
The influence of the 1980s is evident across the entire record, particularly in the way the compositions prioritize atmosphere and emotion over immediate impact. Pedro Paixão's keyboards continue to provide the album's atmospheric dimension, enriching the arrangements while being used with restraint, always serving the songs rather than dominating them.
Fernando Ribeiro delivers one of his most consistent performances in years. His vocals sound more controlled and introspective than in certain moments of Irreligious, favoring interpretation and nuance over theatricality. This approach perfectly complements the character of the album, reinforcing the sense of maturity present in every track.
"Far From God" demonstrates Moonspell's ability to revisit fundamental aspects of its identity without becoming trapped by them. The result is a work that engages with one of the band's most celebrated eras while possessing enough vitality to move forward with a distinct personality of its own.
Among the album's highlights, "Cross Your Heart" is probably one of the tracks that most fully embraces the spirit of 1980s gothic rock. Textured guitars layered with modulation effects, combined with Hugo Ribeiro's drumming, help shape the composition and reinforce its identity.
The lyrics establish their melancholic tone immediately with the opening line, "Crosses and flowers by the side of the road," leading the listener into a funeral-like and contemplative landscape. A spoken-word passage adds depth to the song, while its engaging and subtly danceable rhythm makes it a strong contender to become one of the highlights of the band's live performances.
The title track, "Far From God," unfolds in an intimate manner, with spoken and nearly whispered vocals accompanied by keyboards that establish a dark atmosphere from the very beginning. Fernando Ribeiro adopts a restrained and controlled performance, while Aires Pereira's bass, prominent and deeply rooted in gothic rock tradition, plays a key role in shaping the song.
Lyrically, the track masterfully introduces the strong influence of Charles Baudelaire that permeates the album. The composition overflows with the concept of Baudelairean love, where affection walks hand in hand with decadence, existential guilt, and dark romanticism. The result is a nostalgic song firmly anchored in cursed poetry and the traditional elements of the genre.
"The Great Wolf in the Sky" stands as the album's high point. The song develops through a gloomy and dense atmosphere in which instruments and vocals work in perfect harmony to sustain its emotional purpose.
The keyboards play a fundamental role in shaping the song's mood, while a passage featuring harsher vocals adds intensity without resorting to the theatricality that characterized some of the band's earlier works. The violin that emerges toward the end amplifies the song's dramatic impact even further, bringing it to a memorable conclusion.
"For the Love of Mortals" is arguably the most atmospheric composition on the album, diving headfirst into the tragic romanticism that defines its lyrical concept. The vocal performance remains restrained and melancholic, but here it is the guitars that steal the spotlight. The solos carry much of the song's emotional weight, while the drumming acts with precision, filling the spaces and making the experience even more immersive.
The heaviest composition on the album is "Our Freedom to Fall," a track that also bears the strongest resemblance to the Irreligious era. Alternating between clean vocals and guttural passages, the song presents an emotional intensity masterfully expressed by Fernando Ribeiro. His performance gives the track its personality and amplifies the impact of its darkest moments.
The album closes with "Reconquista," which opens with harsh vocals that convey the anger and emotional charge demanded by the composition. The atmosphere is dense, intense, and filled with tension, while a spoken passage in Portuguese adds identity and authenticity to the track.
It is a recurring element throughout Moonspell's career, reaffirming that the band has never abandoned its Portuguese roots. The title itself seems to suggest a dual mission: the reconquest of gothic metal's sacred territory and the reaffirmation of its own cultural sovereignty and Lusitanian identity.
According to the band members themselves, Far From God was conceived with musical simplicity but emotional complexity. Fernando Ribeiro has spoken about the creative difficulties the band faced during the pandemic years, and that emotional burden seems to echo throughout the album. At the same time, the record feels like a true manifesto in defense of gothic metal, reaffirming the relevance of a genre that rarely occupies a prominent place in today's musical landscape.
The result is a deeply nostalgic album that avoids the trap of mere repetition. Filled with melancholy, romanticism, decadence, and vampiric imagery, Far From God leaves behind much of the philosophical and social reflection found on Hermitage (2021) and dives headfirst into the gothic aesthetic that helped establish Moonspell's legacy.
Restrained, gloomy, and emotionally dense, the album achieves an admirable balance between tradition and maturity, offering fans of the genre a work that honors the past while maintaining a strong identity of its own.
Napalm Records
Primotion All Noir
sexta-feira, 13 de junho de 2025
Finita: Uma Viagem Musical Pesada, Melódica, Sombria e Intrigante,
sábado, 17 de junho de 2023
Garganta do Diabo Festival: Tradicional Evento de Metal no Interior do RS Retorna em Edição Comemorativa
O festival teve seis edições anteriores, acontecendo de 2008 a 2012 (em 2011 houveram duas edições, em abril e dezembro), passando pelo evento nomes conhecidos no cenário regional, nacional e até mundial, como por exemplo Dark Funeral, Symphony Draconis, Red Front, Nervochaos, Vakan, Amen Corner, A Sorrowful Dream e outros.
Com organização elogiada pelo público e bandas, muito lamentou-se o hiato que o festival teve desde a última edição, fazendo muita falta ao cenário Metal do interior do RS.
Mas renascido das profundezas da Garganta do Diabo, o festival que leva o mesmo nome do grandioso vale, retorna para uma edição comemorativa de 15 anos, que se realizará dia 27/10/2023, trazendo um cast matador, reunindo quatro nomes potentes da cena do Metal Extremo.
A primeira banda anunciada foi o representante da cena local, a FINITA (Dark Metal), que foi fundada em 2010. O grupo mescla influências do Gothic e Death Metal, utilizando vocais líricos, limpos e guturais. Atualmente estão divulgando o EP "Above The Chaos", lançado no final do ano passado.
O grupo tem no currículo um álbum adorado pelos fãs do Metal da morte, "Accept The Death" de 2018, que foi mixado na Alemanha por Andy Classen.
O nome estrangeiro que vem somar ao pesadíssimo line-up é o MORK da Noruega, formado em 2004, e tendo como mentor o multi-instrumentista Thomas Eriksen.
Não por acaso, o MORK faz parte do cast de um dos mais tradicionais e importantes selos de Metal Extremo mundial, o Peaceville Records, e vem à América do Sul na tour de divulgação do seu mais recente trabalho, "Dypet" (2023),o sexto full-lenght de uma discografia que possui vários EPs, Splits e Singles.
O evento acontecerá do dia 27/10/2023, no Clube Comercial de Santa Maria, e os ingressos já podem ser adquiridos.
sábado, 1 de abril de 2023
Entrevista - Fernando Ribeiro (Moonspell)
Fernando Ribeiro: Obrigado! Acima de tudo, o Hermitage será sempre um disco especial, devido ao contexto em que foi gravado e lançado, e a uma certa “confirmação” de várias coisas que constituem o conceito literário do disco.
As Grutas de Mira D’Aire, são um “monumento” natural que faz parte do imaginário dos Portugueses. Durante a pandemia, tornei a visitar o sítio com o meu filho e sobrinha e, como que juntei os pontos.
RtM: E como foi a preparação na questão de, primeiramente conseguir autorização para realizar o show na Mira D'aire? pois acredito que devem haver vários cuidados e restrições. E, claro, teve a preparação e cuidados para captação de som, a acústica, a captação de imagens, tudo deve ter sido uma experiência bem diferente.
FR: Sim. Teve de ser um silent event, isto é, as pessoas escutavam os Moonspell através de headphones, com uma mistura sonora especialmente preparada para os fãs.
FR: Não sei se é inquietude ou simplesmente o fato de que nunca estamos verdadeiramente satisfeitos com o que fazemos, pelo menos eu, nunca estou. No caso do Hermitage, a sonoridade foi inspirada pelo progressivo que tem sido uma influência muita clara ao Metal e ao Moonspell, especialmente, desde discos como o "Wildhoney" do Tiamat.
O conceito literário prende-se com a solidão à qual o mundo está voltado, a falta de comunicação e empatia entre as pessoas, que leva muita gente a isolar-se do mundo por razões diversas dos santos clássicos eremitas, e nesse contraponto se fez o disco. Falava-se de distanciamento social, mas sem ser decretado por lei ou por emergência sanitária.
RtM: Ainda sobre a sonoridade de "Hermitage", eu senti bastante influência do progressivo dos anos 70, inclusive depois com o lançamento do "From Down Below", lembrei também que o Pink Floyd fez um show em Wembley no ano seguinte ao lançamento do "Dark Side of The Moon", tocando o disco na íntegra. Gostaria que você comentasse a respeito da influência desses clássicos e citasse alguns de seus favoritos.
FR: Bem, como me referi antes, herdei toda a discografia do Pink Floyd em vinil! Escutei muito coisas como Relics, adoro o tema Set the Control to the Heart of the Sun, mas também Piper at the Gates of Dawn e claro o "Dark Side of the Moon" que é uma obra-mestra.
RtM: "Hermitage" também apresenta o novo baterista Hugo Ribeiro. E referente a Hugo, como foi o contato e adaptação dele até o momento, e o que ele trouxe de novo para acrescentar à sonoridade da banda?
FR: O Hugo é o baterista mais talentoso e completo que já tocou na banda e podemos evoluir muito na complexidade das partes rítmicas e essa segurança nos permitiu ter mais imaginação e ir mais longe. Penso que o Hugo ainda tem muito para dar ao Moonspell e apenas está começando! E creio que começou com o pé direito, já que a sua performance no Hermitage é excelente.
FR: Muito difícil. Pessoalmente, o Mike era não só o baterista de Moonspell, mas também o meu melhor amigo e cheguei a equacionar não continuar sem ele. Foi das decisões mais duras da minha vida, mas tínhamos, de fato, chegado a um ponto que não podíamos resolver. Desejo toda a sorte ao Mike e aos Seventh Storm, a sua nova banda, criada à sua imagem.
FR: Foi uma coisa do momento, embora as ideias radiquem no meu passado de estudante. O disco nasce também da ausência de uma obra musical que contemplasse esse evento e todas as suas consequências sociais, políticas, artísticas e filosóficas.
Para nós foi muito importante, pois juntou duas paixões do Moonspell: História de Portugal e Heavy Metal. E queremos muito fazer outro disco em Português, assim que se encontre um tema.
FR: Cada artista faz o que quer e não há que haver julgamento. Existem diversos caminhos que se podem percorrer e para mim, não vejo porque um caminho deva ser mais legítimo que outro. Se quiser citar Feuerbach ou apresentar um pato de borracha gigante no palco, a nossa missão é entreter.
Pessoalmente, gosto da parte poética, filosófica e intelectual do Metal. Gosto de saber que o tema de Maiden "The Evil that men Do" é uma citação shakespeariana. E sigo esse caminho. Mas se outro músico quiser colocar o público fingir que está num barco viking, remando, quem sou eu para dizer que deve ser do meu modo e não do dele? Há espaço para tudo e para todos.
FR: Somos uma banda de zeitgeist, i.e., o que está acontecendo no mundo, nas nossa vidas, o que entra ou é recuperado nas nossas biblioteca e discotecas e pela insatisfação com o que fazemos e o entusiasmo em descobrir novas melodias e, quem sabe, adicionar novos temas do Moonspell ao quotidiano das pessoas. Se tivéssemos parado nos primeiros discos, ou repetido as fórmulas, não teríamos dado ao mundo temas como Nocturna, Scorpion Flower, Breathe ou todo o 1755.
RtM: Vocês recentemente tiveram que cancelar a turnê europeia pela crise financeira que alguns países vêm passando. No Brasil e América do Sul em geral, não seria tão diferente, pois as crises chegam, os governantes negligenciam e o povo paga o preço infelizmente. Na visão de vocês que já rodaram o mundo, o que poderia ser feito para conter essas crises em massa que acontecem?
FR: A turnê Europeia foi realizada. A turnê dos EUA foi cancelada por falta de transporte e a do Reino Unido não vendeu bilhetes suficientes em Londres, o que foi bizarro, pois Londres sempre foi uma das cidades mais importantes para Moonspell. O que pode ser feito? Absolutamente nada.
Temos apenas de contar com a generosidade dos fãs e depender da profundidade do seu amor pela música, e, no nosso caso para que decidam gastar o seu duramente ganho dinheiro e viver uma experiência com o Moonspell. O mundo escolheu o capitalismo e o liberalismo, sem regras, não há equilíbrio, nem base para que se experimente regular, por isso a carga será sempre em cima dos fãs e das bandas e de quem ainda investe neste tipo de negócio com pessoas, em vez de números ou algoritmos.
No nosso caso, os Moonspell optaram por baixar condições, cachês/pagamentos à banda,produção, preços de merch, para que consigamos ainda tocar para os nossos fãs. Estamos sempre a trabalhar para lhes dar o melhor.
RtM: Obrigado pelo seu tempo e por nos responder esta entrevista, que a tour pela América Latina seja muito bem sucedida, estaremos lá no Opinião em Porto Alegre, se assim o universo quiser. E para finalizar poderia nos adiantar alguma coisa do que os fãs podem esperar do próximo álbum?
FR: Muito grato pela oportunidade. E pelos votos! Vemos-nos em Porto Alegre para uma grande noite, sob o feitiço.
Iremos trabalhar num novo disco, sem pressas, algo mais simples, menos prog, regresso às canções mais emblemáticas, algo mais inteligível à primeira escuta e com o conceito à volta do poder dos livros e das palavras. Sairá em 2024, ou, no pior dos casos, em 2025.
Entrevista por: Carlos Garcia e Renato Sanson
Agradecimentos: Erick Tedesco - Tedesco Mídia
Moonspell.com


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