sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Dirkschneider – 11/11/2024 – Carioca Club/SP

Udo Dirkschneider Celebra 40 Anos de “Balls to the Wall” com Show Histórico em São Paulo

No último dia 11 de novembro, o lendário Udo Dirkschneider, ex-vocalista do Accept, trouxe ao palco do Carioca Club Pinheiros uma apresentação histórica, comemorando o 40° aniversário de “Balls to the Wall”. Mesmo em uma segunda-feira, a casa estava repleta de fãs devotos do ícone do heavy metal alemão, ansiosos para prestigiar o álbum que marcou uma geração sendo tocado na íntegra.

A abertura do show ficou por conta da clássica “Fast as a Shark”, do álbum Restless and Wild (1982). Antes mesmo de a música começar, a plateia já entoava a emblemática introdução “Heidi, heido, heida” em uníssono, aquecendo o público para a explosiva entrada dos guitarristas Andrey Smirnov e Dee Dammers, do baixista Peter Baltes, e de Sven Dirkschneider, filho de Udo, arrebentando na bateria. Apesar de o icônico grito inicial da música não soar como o esperado, ele entregou uma performance memorável. 

Já na sexta música, “Princess of the Dawn”, os músicos pararam para que a plateia, extasiada, participasse cantando a cappella, momento em que até o próprio Udo demonstrou estar emocionado. 

Após uma sequência de faixas marcantes de outros álbuns essenciais, como “Metal Heart “(1985), “Restless and Wild” (1982) e “Breaker” (1981), a nona música da noite trouxe o aguardado início de “Balls to the Wall”. O momento foi acompanhado de um discurso marcante de Udo, levando os fãs ao êxtase ao ouvir canções que há muito não eram tocadas ao vivo, sendo executadas com perfeição. 

Assim como em “Fast as a Shark”, a faixa “Fight It Back” também não teve o tradicional grito inicial, mas a performance intensa e a energia inigualável de Dirkschneider, mesmo com o passar dos anos, impressionaram a todos. A última faixa do álbum é Winterdreams, porém, não foi com ela que a banda se despediu do palco e presenteou os fãs com Burning (Breaker - 1981) deixando uma vontade enorme de ficar naquela noite para sempre. 

Foi uma noite inesquecível para os fãs de Udo, um show incrível que trouxe a força do heavy metal tradicional e o poder de uma lenda viva.




Fotos: Carlos Pupo (Headbangers News)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload


Dirkschneider – setlist:

Fast as a Shark

Up to the Limit

Midnight Mover

Breaker

Living for Tonight

Princess of the Dawn

Flash Rockin’ Man

Metal Heart

Balls to the Wall

London Leatherboys

Fight It Back

Head Over Heels

Losing More Than You’ve Ever Had

Love Child

Turn Me On

Losers and Winners

Guardian of the Night

Winterdreams

Burning

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Static-X – 07/11/2024 – Terra/SP

Na último dia 07/11 (quinta-feira), São Paulo foi por algumas horas tomada de assalto por duas bandas estreantes, mas com longas carreiras e que inexplicavelmente nunca estiveram em terras brasileiras, que trouxeram o Metal Industrial/Nu Metal para os fãs presentes no Terra SP.

A honra de iniciar a festa coube ao Dope, formada no final dos anos 90 na cidade de Nova Iorque. A apresentação foi curta, mas foi intensa e explosiva, um desfile de vários sucessos da banda, destacando-se as enérgicas "Blood Money", "Die Motherfucker Die" e "Debonaire" com o vocalista Edsel Dope comandando a plateia como poucos frontman e aquecendo a todos para a atração principal da noite.

O "jogo" já estava ganho antes mesmo do Static-X subir ao palco, isso é certo, tal a vibração e ansiedade presente no público. A banda formada pelos membros originais, Koichi Fukuda na guitarra, a cozinha formada por Tony Campos e Ken Jay, baixo e bateria respectivamente, e liderada pelo guitarrista e vocalista Xer0, uma reencarnação robótica/fantasma do falecido Wayne Static, subiu ao palco ovacionada.

A entrada do Static-X foi uma apoteose, e a apresentação correspondeu inteiramente ao que todos os fãs da banda esperavam, primeiro com uma sequência de hits mais recentes, vibrantes e poderosos, como "Hollow" e "Terminator Oscillator", e músicas do inicio arrasador da carreira como "Love Dump","Wisconsim Dead Trip", "Fix" e "Bled for Days", todas acompanhadas em coro pelos fãs. Para muitos ali foi a realização de um sonho, afinal por vários motivos a banda nunca veio ao Brasil, e, depois da morte do líder da banda em 2014, muitos acreditavam que nunca os veriam tocando ao vivo.

Como toda banda que conhece a força da sua discografia, a melhor parte, e a mais emocionante, ficou para o fim da apresentação: "Cold" foi uma linda e tocante homenagem ao fundador da banda, o lendário Wayne Static, cuja morte completa 10 anos em 2024; e fechando a apresentação vieram na sequência a pedrada "I'm With a Stupid e por último seu maior sucesso,"Push It". A banda ganhou a partida de goleada.


Texto: Eduardo Okubo Junior

Fotos: Rogério Talarico 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Rider2

Mídia Press: Catto Comunicação


Dope – setlist: 

Blood Money

Bring it On

Bitch

Debonair

Die Motherfucker Die, Boom, Bang, Burn

You Spin Me Round


Static X – setlist: 

Intro / Evil Disco

Hollow

Terminator Oscillator

Love Dump

Sweat of the Bud

Wisconsim Death Trip

Fix

Bled for Days

Black and White

Z0mbie

Get to the Gone

I am

Cold

I'm With Stupid

Push It

Cobertura de Show: Moto Perpétuo – 11/11/2024 – Café Piu Piu/SP

Na noite de 11 de novembro de 2024, o Café Piu Piu, um dos endereços mais tradicionais da cena alternativa paulistana, foi palco de uma apresentação memorável da banda Moto Perpétuo. A casa lotada de fãs estava no clima perfeito para receber o grupo, que retornou ao mesmo palco, no mesmo dia 50 anos depois.

Há 50 anos, no dia 11 de novembro de 1974 — também uma segunda-feira — a banda formada por Guilherme Arantes, Claudio Lucci, Gerson Tatini, Diógenes Burani Filho e Egídio Conde subia ao palco do Teatro 13 de Maio para apresentar o seu disco de estreia. E foi nesse mesmo palco, meio século depois, que revivemos essa memória histórica.

Nesta noite, Guilherme Arantes, Claudio Lucci e Gerson Tatini (relembrando também os demais músicos com muito carinho e respeito), trouxeram de volta os grandes sucessos da banda, celebrando não só a música, mas também a trajetória que se tornou um verdadeiro marco na história do rock e da música brasileira.

Com muita emoção, respeito e amor, o espetáculo foi um tributo àquela época inesquecível, àquela energia que nunca se apaga. Uma verdadeira aula de história, música e paixão.

O Café Piu Piu, com seu ambiente intimista, contribuiu muito para a troca entre a banda e o público. Com uma ótima iluminação e projeções de fotos da banda em um telão, os integrantes contaram toda história da banda com muita emoção.

Na noite estiveram presentes Gastão Moreira, Gel Fernandes, Lucinha Turnbull, Próspero Albanese, o produtor Peninha, Regis Tadeu entre outros.

A noite também marcou o relançamento em vinil do primeiro álbum da banda.


Texto e Fotos: Roberto Sant'Anna 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Converge – 10/11/2024 – Cine Joia/SP

Veteranos do chamado “rock torto” finalmente desembarcaram em terras tupiniquins para uma apresentação elétrica em pleno domingo

Não é fácil ser fã do Converge no Brasil, não é fácil. Com mais de 30 anos de atividade e uma base de fãs considerável por aqui, o vocalista, Jacob Bannon, revelou em entrevista à Roadie Crew que “ninguém nunca me perguntou sobre nossas oportunidades no exterior”. Após anos e anos suplicando por uma apresentação dos nova-iorquinos, os fãs da nação verde-amarela finalmente acharam que teriam a chance de ver a tão cultuada banda em 2020, junto do Sick of it All, mas aí veio a pandemia. Depois de dois anos agonizantes de silêncio da produtora, o show foi adiado para o dia 27 de abril deste ano, dia do Summer Breeze, mas por conta de problemas com o guitarrista, Kurt Ballou, adiaram novamente para o dia 10 de novembro, domingo de ENEM. Nunca foi fácil…

A apresentação ocorreria no Cine Joia desta vez, tradicional casa localizada no centro da capital paulista. De acordo com Matthew Heafy, vocalista do Trivium, também é um lugar com “uma das paredes mais peculiares do mundo”. As portas se abriram às 19:00, com o MEE previsto para subir às 20:00 e os headliners às 21:00. O horário é complicado, mas como já disseram os pensadores contemporâneos Bruno e Barreto, “ir trabalhar amanhã é o cacete, hoje é só farra, pinga e foguete”. 

Quando os paulistas do MEE subiram no palco, o clima virou. As pancadas que eles apresentam ao vivo são indescritíveis. A energia deles em estúdio é uma coisa, já é absurdo. No palco, multiplicam por 10. Dava para ver que os caras deixavam tudo no palco, estavam tocando com um fervor que não dá para fazer jus só com texto. 

A casa ia enchendo aos poucos, e dizer que quem estava lá curtiu o show seria chover no molhado. Os pits gigantescos que rolariam no Converge ainda não haviam aparecido, mas havia uma parcela de fãs dedicados no meio da pista que as vezes ameaçava começar uma “bacueirazinha”.

O público batia cabeça, fazia two-step, até sambava conforme o som da banda ia metamorfoseando. Eles conseguem mesclar a brutalidade do hardcore com a experimentação e caos controlado do hardcore metalizado dos anos 2000 com a força dos breakdowns do ‘core moderno com maestria. Bom, resumindo, veja os caras ao vivo; eu mesmo não era muito fã do material gravado, mas depois do show, caralho.

Ao som de “Hello There”, do Cheap Trick, a atração mais aguardada da noite subiu no palco, após quase uma hora de intervalo do último show. Bannon e seus amigos vieram correndo para o palco, ocasionando gritos dos fãs. Nem precisaram nem começar os primeiros acordes de “Eagles Become Vultures” que um pit absurdo já surgiu no meio da pista. Nessa hora, estava do lado de dois bombeiros, e a cara que eles fizeram na hora foi impagável. Se alguém pegasse aquilo fora de contexto acharia que é atividade criminosa, briga de torcida organizada.

Como se os fãs já não estivessem elétricos o bastante, meteram logo “Dark Horse” (não é o “Meu Nome é Júlia”), destaque de “Axe to Fall”, de 2009. Era stagedive atrás de stagedive, era gente saindo na mão, se jogando. “Under Duress” não deixou a peteca cair, e em “Heartless”, o público já estava na mão da banda, gritando o nome deles, batendo palma no ritmo da música, apesar do vocalista não ter dirigido nem um simples “boa noite” ao povo; nem o incrivelmente clichê “São Paulo”.

A loucura não parava, a dobradinha da própria “Axe to Fall” e “You Fail Me” despertou algo primal, visceral nos fãs, culminando no estrago que foi “The Love We Leave Behind”. Para ter uma ideia, já na sexta música, os bombeiros que estavam do meu lado sumiram e foram correndo para a roda. Mais melancólica por natureza, “The Love” teve seu refrão cantado a plenos pulmões pelos presentes, e havia horas que parecia ter mais gente em cima do palco para cantar junto do que na pista. Chegou uma hora que Bannon simplesmente jogou o microfone no público e foi isso. Repito, era stagedive atrás de stagedive, tinha até gente pulando junto, de dois em dois. Sinto pena real de quem ficou na grade, porque o tanto de pézada na nuca que tomaram não tá escrito.

Fica até difícil escrever de show assim sem ficar um texto chato, repetitivo, porque o show foi isso, uma folia sem fim. Os fãs se jogavam como se amanhã não fosse segunda-feira e a galera não tivesse que trabalhar, Bannon cantava com uma força que parecia que ele ia explodir (vale destacar que ele era preocupantemente magro, só não voava por falta de aerodinâmica), o Ben Koller batia na bateria como se ela tivesse matado a mãe dele, Jeff Feinburg (baixista) ajudava com uns gritos do fundo da alma. Era uma energia animal.

Para não deixar passar em branco, rolou “Predatory Glow”, “Hell to Pay”, “Bitter and Then Some”, “Reap What You Sow” e “Cutter”. Um dos últimos pontos altos da noite foi a agressiva “Worms Will Feast/Rats Will Feed”, também do disco de 2009.

Bannon só foi falar com o público depois de sei lá quantas músicas, quando, ao ouvir um coro pedindo “The Saddest Day” (que havia sido tocada à pedidos dos fãs no Chile e na Argentina), perguntou se o público ainda estava lá com eles e anunciou que só tocariam mais duas músicas. Essas últimas duas não poderiam ter sido melhor-escolhidas: “I Can Tell You About Pain” e “Concubine”. Não vou nem tentar descrever o que foi “Concubine” ao vivo, só veja o vídeo.

Depois dela, brevemente desceram do palco, mas voltaram para fazer aquele bis que não pode faltar. O vocalista agradeceu bastante a presença de todos, dizendo que estava muito feliz de finalmente poder tocar no Brasil, elogiando o público. Como se ninguém esperasse, anunciou aquela última música que faltava, que todo mundo queria ver, “The Saddest Day”. Foi com ela que o show acabou, com o público em êxtase.

No geral, foi um show com uma energia ímpar. O Converge demorou para vir, mas quando veio, valeu a pena. Pelo que pareceu, os caras estavam curtindo no palco, então é de se esperar que venham novamente, mas com essas bandas com público nichado, nunca se sabe. Caso não vierem mais, a sua única passagem ficará marcada nos livros de história como um dia incrível, onde a banda tocou todos seus hits e os fãs foram à loucura. Só o horário mesmo que complicou muito, um show acabar depois das 22:30 em um domingo à noite quebra as pernas, mas, isso dá para relevar.


Texto: Daniel Agapito 

Fotos: Tamires Lopes (Headbangers News)


Realização: Agência Powerline

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia


MEE - setlist:

Electric Blanket & Chicken

Bargain

Depression

Dobre

Pidgeon Standard

Koro Syndrome

Day of Demolition

Weight

Saturated


Converge - setlist:

Eagles Become Vultures

Dark Horse

Under Duress

Heartless

Axe to Fall

You Fail Me

All the Love We Leave Behind

Predatory Glow

Hell to Pay

Bitter and Then Some

Real What You Sow

Worms Will Feed/Rats Will Feast

I Can Tell You About Pain

Concubine

Bis

The Saddest Day

sábado, 9 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Bréa Extreme 2024 – 26/10/2024 – VIP Station/SP

Napalm Death desfila “pancadas músicas” em show mais que enérgico no VIP Station, em São Paulo

Apresentação foi a principal do Bréa Extreme 2024, que contou com abertura da banda Dead Congregation (Grécia) e oito bandas underground nacionais

O Bréa Extreme 2024 aconteceu na VIP Station no último dia 26 de outubro de 2024. O evento, organizado pela Xaninho Discos e pela Caveira Velha Produções, teve a participação de dez bandas, sendo a grega Dead Congregation e a inglesa Napalm Death, além de oito bandas do cenário underground brasileiro: Rot, Surra, Cemitério, Fossilization, Podridão, Baixo Calão, Andralls, Subcut, Dischavizer e Trachoma. Elas se apresentaram alternadamente, desde às 14h00, nos dois palcos montados na casa, sendo o principal já conhecido da galera que frequenta o espaço, e o outro, menor, no subsolo da VIP Station.

O Napalm Death, inclusive, fez um pequeno giro pelo país, com passagens por algumas das capitais brasileiras como Brasília, Belém, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianopolis, Curitiba e fechando a turnê em São Paulo.

Desde as primeiras bandas o público já estava presente, crescendo à medida que as apresentações ocorriam antes das duas principais atrações.

É necessário destacar a qualidade das bandas nacionais convidadas, todas conhecidas pelo público presente e que animaram de maneira perfeita quem já estava na casa de shows, pois já eram frequentes as rodas nas apresentações, inclusive com alguns fãs subindo no palco para cantar junto e fazer o conhecido stage diving. Já era o prenúncio do que ocorreria mais tarde.

Dead Congregation

A banda de Death Metal Grega Dead Congregation cativou a plateia com seu som pesado e uma atmosfera sinistra. Com um som que lembra muito ao de bandas como o Incantation, seu Death Metal soava mais "old school". As músicas apresentam muitas mudanças de tempo, com trechos mais rápidos, alternando com momentos mais lentos, soando por vezes quase como Doom Metal.

O setlist, composto por 11 músicas, focou nos dois primeiros álbuns da banda, “Graves of The Archangels” (2008) e “Promulgation of the Fall” (2014), além de incrementar músicas dos EPs “Purifying Conaecrated Ground” (2005) e “Sombre Doom” (2016).

O guitarrista e vocalista da banda, Anastasis Valtsanis, fez solos na medida certa, muito bonitos por sinal. Outro destaque da banda foi o baterista Vagelis Voyiantzis, que parece um metrônomo humano, dando segurança para que o restante da banda construísse atmosferas musicais cativantes ao longo da apresentação.

De certa maneira, a apresentação do Dead Congregation foi um contraponto ao que viria por último, uma espécie de "calmaria antes da tempestade".


Napalm Death

Era chegada a hora da atração principal. O grande Napalm Death, considerado o mestre e o pai do Grindcore. A banda, que hoje não tem mais nenhum de seus membros originais, é formada por Barney Greenway (vocal), Shane Embury (baixo), Mitch Harris (guitarra) e Dany Herrera (bateria).

O Napalm desfilou mais de duas dezenas de músicas, percorrendo por sua extensa discografia e miscelânea de subgêneros do Metal: do Grindcore dos primeiros anos, algumas músicas da sua passagem pelo Death Metal, com solos de guitarra e alguns riffs mais técnicos, e groove de bateria e voltando ao Grindcore na reta final. 

O quarteto tocou músicas clássicas como "Enslavement to Obliteration", que abriu o setlist, seguida de "Taste the Poison" e "Next on the List" do que eu considero um dos melhores e mais importantes albuns da banda, o “Enemy of Music Business” (2000). Tudo o que veio em diante foi uma experiência de vida única, um desfile de músicas rápidas, pesadas, que levaram a plateia à loucura. 

Claro que não faltaram as clássica "Scum", "M.A.D."  e "Sucess?" do album de estréia “Scum” (1987). E sim, para quem não percebeu tocaram a rápida - sim, rápida mesmo - e recordista mundial "You Suffer": genial. Piscou, perdeu! O grupo também tocou a faixa cover do Dead Kennedys, intitulada "Nazi Punks Fuck Off". 

O vocalista Mark Greenway, que parece sempre estar ligado em 380V no palco, em várias oportunidades interagiu com a plateia usando o famigerado portunhol, agradecendo o público que lotava o Vip Station e discursando a favor dos Direitos Humanos e falando contra o fascismo, a homofobia e transfobia.

Ir ao show do Napalm Death deveria ser obrigatório para todo mundo que se diz fã de Metal; e entrar e sair de um mosh de uma música deles é ter a sensação de ter sido atropelado por um caminhão três vezes.


Texto: Eduardo Okubo Junior 

Fotos: Eduardo Okubo Junior / Leandro Cherutti (Metal no Papel)

Edição/Revisão: Tiago Pereira / Gabriel Arruda


Realização: Xaninho Discos / Caveira Velha Produções

Mídia Press: LP Metal World


Dead Congregation – setlist:

Martyrdoom

Morbid Paroxysm

Quintessence

Wind´s Bane

Vanishing

Dismal

Auguring

Only Ashes Remain

Promulgation

Serpentskin

Teeth


Napalm Death – setlist:

From Enslavement to Obliteration

Taste the Poison

Next on the List

Continuing War on Stupidity

Contagion

The Wolf I Feed

Resentment Always Simmers

That Curse of Being in Thrall

Amoral

It´s a M.A.N.S World!

Backlash Just Because

Fuck the Factoid

Suffer the Children

When All is Said and Done

Scum

M.A.D.

Sucess?

You Suffer

Metaphorically Screw You

Dead

Nazi Punks Fuck Off (cover de Dead Kennedys)

Instinct of Survival

Contemptuous

sábado, 2 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Paul McCartney – 16/10/2024 – Allianz Parque/SP

Em 1970, os Beatles comunicaram o encerramento da sua carreira. Cinquenta anos depois, a banda continua atraindo fãs em todo o mundo com suas músicas, que até hoje permanecem relevantes. É fascinante imaginar como seria um reencontro se John Lennon e George Harrison estivessem vivos, mas essa ideia ficará apenas na nossa imaginação.

Paul McCartney, um dos ex-membros sobreviventes ao lado do baterista Ringo Starr, continua exibindo uma energia notável ao reviver o legado da banda nos seus shows. No último mês de outubro, ele regressou ao Brasil para realizar dois espetáculos em São Paulo, onde o primeiro teve todos os ingressos esgotados. Em terra brasilis, ele também passou por Florianópolis e finalizou os três últimos shows da Got Back Tour pela América Latina na Argentina, Peru e Colômbia.

A atmosfera no Allianz Parque era bastante agradável, permitindo que os presentes esquecessem dos problemas provocados pela falta de eletricidade que afetou a cidade após uma tempestade na semana anterior. Ao entrar no estádio, por volta das 19hrs, já se via uma grande quantidade de pessoas de diversas idades, animadas ao som de remixes dos Beatles tocados pelo DJ Chris Holmes, que deixou o palco às 20hrs para dar início a um vídeo sobre a vida de Paul desde o seu nascimento até os dias atuais.

É fácil fazer previsões sobre o que esperar durante as quase três horas de show do Paul, resultantes de comentários desnecessários como “ah, pra que ir novamente se vai ser sempre a mesma coisa?”. No final das contas, aqueles dizem isso acabam indo de qualquer forma. Afinal, é sempre bom ter mais uma experiência para recordar. E para quem nunca teve a oportunidade de vê-lo ao vivo, é sempre preferível ver uma vez do que nunca, não é mesmo? 

Vinte e duas das trinta e seis músicas do repertório pertenciam aos Beatles, óbvio. Logo nos primeiros minutos, Paul evocou os tempos gloriosos da Beatlemania com "Can’t Buy Me Love", "All My Loving" e "Got to Get You into My Life", embaladas com as excelentes "Juniors Farm" e "Letting Go" (ambas do Wings), que fizeram o público agitar e dançar nos espaços que tinham na pista. 

Além da impressionante seleção musical, merece destaque o cuidado colocado na questão de produção, com telões interativos exibindo vídeos que harmonizavam com a atmosfera de cada música. Um exemplo claro disto foi durante "Let Me In", onde o ritmo marcial da música combinou perfeitamente com o vídeo dos guardas ingleses apresentado nos telões.

Outra coisa surpreendente é a tamanha disposição de Paul McCartney, que não demonstra sinais de cansaço e nem sequer parava para tomar água. E olha que estamos falando de um mero senhor no auge dos seus 82 anos. As pausas ocorreram apenas quando ele interagia com o público, na maioria das vezes em português, claro.

Entre as mais recentes destacou-se "Come On To Me", que foi muito apreciada pela plateia, que acompanhava ritmicamente com gestos corporais. “Let Me Roll It” teve uma breve conexão com "Foxy Lady", em tributo a Jimi Hendrix e com direito a um bom solo de guitarra vindo da Les Paul colorida de McCartney.

Umas das qualidades que Paul carrega na sua trajetória como musico é a sua habilidade como multi-instrumentista. No piano ele mandou a citada "Let Me In", "My Valentine", "Nineteen Hundred and Eighty-Five" e "Maybe I’m Amazed", esta última sendo seu primeiro sucesso a solo. Dedicada à sua esposa Nancy Shevell, que estava no meio da plateia, “My Valentine” trouxe um toque romântico à noite.

Paul e banda abaixaram um pouco os ânimos quando chegou a vez de “I've Just Seen a Face”, "In Spite of All the Danger” (a primeira canção gravada pelos Beatles, quando ainda se chamava The Quarrymen) e “Love Me Do”, trazendo um formato mais intimista e climático. Essa tranquilidade só refletiu na parte estética, pois as quase quarenta mil pessoas cantaram com fervor ambas e faziam aquele tradicional movimento com as mãos como se estivessem limpando janela, mas que na verdade foi para iluminar o ambiente escuro que foi instaurado nesse momento.

“Dance Tonight” é outra que é indispensável devido à famosa dancinha do Abe Laboriel Jr, que além de excelente baterista, também é um fantástico vocalista, assim como Rusty Anderson (guitarra), Paul Wickens (teclados, violão, gaita) e Brian Ray (guitarra e baixo), que vem dando o devido apoio ao Paul ao vivo há décadas. Além deles, também teve a presença do trio de metais Hot City Horns, que deram um brilho especial para algumas músicas.

Paul também não deixou de prestar a sua saudade pelos seus saudosos amigos durante "Blackbird", dedicada ao “parça” George Harrison, e "Here Today", dedicada ao “mano” John Lennon. Neste momento só ele ficou no palco para canta-las sobre uma plataforma elevada.

A única novidade foi “Now And Then”, guardada durante anos e que foi lançada esse ano. Se ela já ficou ótima em estúdio, ao vivo ficou mais ainda. Durante ela, o telão central mostrou Paul e Ringo ao lado do John e do George novamente graças a inteligência artificial, que com certeza deve ter deixado muita gente emocionado. 

“Lady Madonna”, “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, “Something” (calmamente iniciada com acordes de Ukulele) e “Ob-La-Di Ob-La-Da”, unidas a “Jet” e “Band On The Run” (maior hit da carreira do solo do Paul com os Wings), preparou em grande estilo o momento Greatest Hits da noite com “Get Back”, “Let It Be”, “Live And Let Die” e “Hey Jude”. Estas composições fazem parte da vida de muitas pessoas e, certamente, muitos deve ter tido contato com elas através do pai, mãe, tio ou avô. O destaque deste bloco ficará sempre para “Live And Let Die” por conta dos seus impressionantes efeitos pirotécnicos. “Hey Jude”, por si só, possui um poder imenso capaz de tocar qualquer coração peludo. Nesse momento houve uma bela união entre os “manos” e “minas” cantando juntos o famoso “na-na”.

Antes de começar o bis, Paul e os outros músicos desfilaram no palco segurando bandeiras do Brasil, Reino Unido e da LGBTQI+ (aceitem ou não). Em português, Paul disse que era “hora de ir embora”, mas o público respondeu “não” em coro. Contudo, antes do encerramento houve mais clássicos, começando com“ I’ve Got A Feeling”, que trouxe um dueto especial entre John (com voz isolada mostrando-o no último show dos Beatles no terraço da Apple Corps) e Paul.

"Day Tripper" e "Helter Skelter" falam por si mesmas, pois certamente encantaram os fãs da guitarra com os seus riffs memoráveis. "Golden Slumbers", "Carry That Weight" e "The End", trinca que encerra o aclamado “Abbey Road” (último disco gravado pelos Beatles), como também encerrou o incrível show.

É sempre um privilégio assistir a um show do Paul McCartney, seja uma, duas, três ou mil vezes, pois estamos diante de uma lenda viva que moldou aquilo que conhecemos hoje como Rock e influenciou inúmeras bandas e músicos dentro deste género. Este show foi particularmente especial para este vos escreve, pois foi a primeira oportunidade de vê-lo ao vivo, testemunhando uma celebração “foda”, como ele mesmo definiu. 

Para aqueles menos interessados em vê-lo ao vivo alegando ser sempre a mesma coisa, lembrem-se que o “pai tá on” e mandou um “até à próxima” antes de sair do palco.


Texto: Gabriel Arruda 

Fotos: Paty Sigiliano 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Bonus Track 

Mídia Press: Fleishman Hillard Brasil


Paul McCartney – setlist: 

Can't Buy Me Love

Junior's Farm

Letting Go

All My Loving

Got to Get You Into My Life

Come On to Me

Let Me Roll It

Getting Better

Let 'Em In

My Valentine

Nineteen Hundred and Eighty-Five

Maybe I'm Amazed

I've Just Seen a Face

In Spite of All the Danger

Love Me Do

Dance Tonight

Blackbird

Here Today

Now and Then

New

Lady Madonna

Jet

Being for the Benefit of Mr. Kite!

Something

Ob-La-Di, Ob-La-Da

Band on the Run

Get Back

Let It Be

Live and Let Die

Hey Jude

Bis

I've Got a Feeling

Day Tripper

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)

Helter Skelter

Golden Slumbers