sábado, 31 de janeiro de 2026

Alter Bridge: Maturidade Musical Sem Reivenção

Napalm Records (Imp.)

Por Paula Butter

Os floridenses do Alter Bridge começam o ano de 2026 com o lançamento de seu oitavo álbum de estúdio, no dia 9 de janeiro pela gravadora Napalm Records.

Neste novo disco homônimo, o Alter Bridge vem novamente consolidando sua maturidade musical no mainstream. Com mais de duas décadas de estrada e mesma formação original, um feito e tanto nos dias de hoje, eles conseguem apresentar um trabalho de qualidade e constância. 

Alter Bridge inicia com ”Silent Divine”, escolha assertiva, como primeira faixa e também para o videoclipe. Ela traz a cozinha da banda a todo vapor, Mark Tremonti com riffs afiadíssimos, o baterista Scott Phillips dando sua contribuição, seguido do baixo de Brian Marshall, e na sequência, a voz inconfundível de Myles Kennedy, receita correta.

Seguimos com “Rue The Day”, um pouco mais sombria e com peso, mas em contraponto com uma letra que acalenta a rotina cansada da humanidade, com refrão de incentivo “Breathe it in, breathe it out … It's up to you, stand your ground”. Então, quando tiver um dia estressante, aumente o volume desta poderosa canção!

Já “Power Down” é uma das músicas mais pesadas, com variações rítmicas e vocal bem presente e com mais melodia para dar um contrapeso, harmonicamente muito bem feita. Inclusive em algumas passagens o som mais “sujo” no melhor sentido. 

A quarta canção intitulada “Trust In Me”, vem ainda com mais melodia e letras sobre confiança. Já “Tested and Able” vem com pegada rítmica forte, abusando das guitarras e do baixo, deixando a bateria em segundo plano. O vocal de Miles vem limpo e com refrão bem no estilo “chiclete”, que amamos, mas sem aquela vibe adolescente, ainda bem!

Cabe começar um parágrafo para “What Lies Within”, música que flerta com o Heavy Metal, mostrando a maturidade musical da banda, dando um tom mais sério ao álbum e elevando o patamar das composições para o lado mais obscuro dos sentimentos humanos, sempre com indagações não sanadas. 

Enfim, chegamos à balada do disco, “Hang By A Thread”, nada de excepcional, mas bem construída com tons acústicos e fácil de ouvir. A nona faixa “Scales Are Falling” vem com jeito de balada, mas carrega mais identidade e peso em seu corpo. Além disso, neste ponto, as letras carregam o ápice do desespero de nossa humanidade, ponto forte para a composição. 

Passando para “Playing Aces”, um suspiro, bem Rock N´Roll e despretensiosa. A penúltima do álbum “What Are You Waiting For” traz um instrumental que vai crescendo na medida dos vocais, um tom motivacional para mostrar que nem tudo é melancolia. 

Para finalizar, “Slave To Master” bem propícia para o fechar a obra, como o título já entrega, o tema das letras pode ser resumido em controle, submissão e libertação. Também apresenta longos e trabalhados solos, que mostram a qualidade da produção e finalização. Somente no final, temos a conclusão de todo o conceitual de Alter Bridge.

Como conclusão geral, pode se dizer que a cada lançamento a banda prova sua qualidade e maturidade, brilha em alguns momentos, e em outros mantém o tom característico de seu som, sem muita reinvenção. É a música pura e simples, que agrada a todos os gostos, é como “voltar para casa” em meio a tantas mudanças. 

Em tempo, a banda Alter Bridge irá abrir os shows do Iron Maiden no Brasil, que acontecem no Allianz Parque, em São Paulo, nos dias 25 e 27 de outubro de 2026.

Divulgação

Tracklist: 

Silent Divide

Rue The Day

Power Down

Trust In Me

Disregarded

Tested And Able

What Lies Within

Hang By A Thread

Scales Are Falling

Playing Aces

What Are You Waiting For

Slave To Master



quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Indira Castillo (Malvada): “Mais do que a sonoridade, o que nos define é a mensagem.”

Por Paula Butter 

A cantora Indira Castillo, conhecida por uma trajetória de mais de uma década transitando entre Blues, Jazz e Rock, vive um momento de consolidação à frente da Malvada, banda feminina que se firmou como um dos nomes mais expressivos do Hard Rock nacional dos últimos anos. Desde que assumiu os vocais em 2023, Indira passou a integrar também o processo criativo de produção e composição, muito presente no trabalho mais recente do grupo, lançado pela gravadora italiana Frontiers Music, que reforça ainda mais a identidade musical e o posicionamento artístico da banda.

Em entrevista à Road to Metal, a artista fala sobre os desafios da transição, a construção de uma identidade vocal dentro do Hard Rock, os cuidados com a voz, o trabalho visual no palco, a participação no Bangers Open Air 2026, a turnê europeia em fevereiro e seus planos para o futuro.

Paula Butter: Você já tem uma longa carreira na música, sendo que já passou por gêneros como Blues, Jazz, Soul e Rock. Como foi assumir os vocais da Malvada em 2023 e quais foram os maiores desafios dessa transição?

Indira Castillo: Toda entrada em um projeto novo exige adaptação, principalmente quando a proposta tem uma pegada diferente. Era algo próximo do que eu fazia, mas ainda assim tinha particularidades. E eu já cheguei em um momento de produção de álbum, então entramos direto no processo criativo e de composição. Isso foi muito positivo, porque cada uma conseguiu trazer referências próprias para o som. Algumas coisas são muito intrínsecas em nós. No meu caso, por exemplo, na voz não foi algo totalmente “intencional”, do tipo “vou deixar mais rock and roll”, o instrumental já pedia isso por ser Hard Rock. Foi muito intuitivo, muito gostoso, e essa fase de produção foi rápida.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: Além da banda, você também atua como mentora e preparadora vocal. Como esse conhecimento técnico impacta suas performances no palco e no estúdio?

Indira Castillo: Eu brinco que isso nos deixa mais autocríticos, porque da mesma forma que a gente orienta alguém, também se auto analisa. Mas isso é bom: você vai ajustando o que precisa ser ajustado. A gente não para de aprender. Cada show ensina algo sobre você mesma. Você percebe pela reação do público quando canta do jeito que queria, intencionalmente, e entende o que consegue fazer. E quando não está no melhor dia, também percebe. Mesmo depois de mais de 10 anos cantando, sinto que cada show traz um aprendizado novo.

Paula Butter: A Malvada sempre teve uma identidade forte dentro do rock nacional. O que define a banda hoje, em termos de som, discurso e postura artística?

Indira Castillo: Antes até do som, eu diria que é a mensagem. É como a gente quer se posicionar na sociedade e como isso pode ser transformador, especialmente em um contexto em que a mulher ainda enfrenta dificuldades sociais constantes. Esse é o grande propósito por trás de tudo. A música é o meio para desenvolver isso, seja nas letras, seja no peso do som também. Existe aquela máxima que a gente já ouviu muitas vezes, com homens dizendo: “Elas não vão tocar tão pesado”, “Não vão tocar tão bem…”. Então tudo isso está no que fazemos. A sonoridade define, sim, mas mais do que isso, a mensagem por trás de tudo.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: O álbum mais recente traz letras em inglês e português e uma mensagem bem direta. Agora vocês estarão no Bangers Open Air 2026. Como foi receber esse convite e o que o público pode esperar do setlist?

Indira Castillo: A expectativa é enorme! Nós estamos muito animadas, porque vieram novidades na banda, não só o convite para o Bangers, mas outras coisas que deixaram tudo muito próximo, mais vivo. Isso nos empolga a construir um show cada vez melhor. Para o Bangers, a ideia é levar músicas do álbum mais novo e também do primeiro, mas direcionando o público para a trajetória da banda. Eu acredito muito em apresentar a banda por completo: tudo o que ela foi e tudo o que ela é hoje. Mostrar desde as primeiras músicas, a transição e as faixas novas em inglês e português, porque isso define muito o momento atual.

Paula Butter: Em fevereiro vocês partem para uma turnê europeia. O que você já pode adiantar?

Indira Castillo: Antes eu não podia falar, agora eu posso! (Entusiasmada) É uma honra, a gente vai abrir para o Michael Schenker, e eu tenho certeza de que vai ser uma experiência única para muitas de nós. Algumas já foram para fora, outras não. E agora é diferente, porque estamos levando nosso som autoral, em português e em inglês. É muita gratidão. Na Europa, a gente vai dar um foco maior nas músicas em inglês também por uma questão de comunicação com o público, e porque isso conversa com o som do álbum. A ideia é levar um show bem próximo do que faremos no Bangers. Vamos passar pela Alemanha, França e Países Baixos, entre outras datas.

Paula Butter: Como você concilia shows, mentorias e aulas. Quais cuidados você mantém para preservar a voz, especialmente com viagens e mudanças de clima?

Indira Castillo: Sempre aparece uma novidade, um “remedinho”, uma coisa nova, mas eu acredito muito no básico, que é descanso. Dormir bastante e descansar a voz. Cuidar da voz antes de show e gravação, e fazer aquecimentos e pré-aquecimentos direcionados ao objetivo. Vai ser sempre um desafio, mas o básico funciona: se alimentar bem, se hidratar muito, dormir e dar descanso para a voz.

Paula Butter: A presença de palco e a identidade visual da Malvada são marcantes. Como vocês pensam toda essa produção, figurino, maquiagem, estética, e ainda lidam com o calor e a correria de palco?

Indira Castillo: A gente aprende muito com a experiência, vê o que funciona e o que não funciona. Às vezes uma maquiagem, por exemplo, pode atrapalhar na hora, mas existem técnicas. Antes de trabalhar com música eu também trabalhava com maquiagem, então aprendi algumas coisas que ajudam, e ajudam as meninas também. Em termos de visual, a gente tenta manter uma identidade geral, se a paleta de cores é preta e vermelha, por exemplo, todo mundo conversa com isso. Isso cria identidade visual e comunica melhor! A gente brinca com isso nos clipes e vídeos. Inclusive “Veneno” foi totalmente verde, outros trabalhos foram vermelho e preto… . A gente gosta de explorar essa parte visual.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: E sobre sua carreira fora da banda, existem planos para material solo em 2026?

Indira Castillo: Sim! Estou desenvolvendo novamente um material solo, com uma linguagem um pouco diferente da Malvada. Provavelmente isso ganha continuidade depois da turnê, porque agora a atenção está toda voltada para esse momento. Mas eu vou retomar, provavelmente com um EP. Vamos ver.

Paula Butter: Para finalizar, qual conselho você daria para mulheres que tentam ganhar espaço no Metal e no Rock, ainda em um mercado ainda muito masculino?

Indira Castillo: Vou tentar falar sem parecer “Papo de coach”, mas o que eu sinto, vivendo isso, vendendo mentorias e shows, é que a persistência precisa ser diária. Aquele “Vocês vão me ouvir” tem que ser uma tecla batida o tempo todo. Seja com material, com vídeos, com presença. Muita gente vê a rede social como um inimigo, mas ela pode trabalhar a favor, é uma ferramenta gratuita para marcar nosso nome, nossa imagem e nossa presença na música. Então o clássico é esse: Não desistam! Persistam até dar certo.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: Recado ao público e aos fãs:

Indira Castillo: “Estão todos convidados para os shows! Agradeço o espaço da Road to Metal. Espero ver todos vocês em breve, seja no Bangers, ou na turnê lá fora, seja aqui em São Paulo e em outros estados. A gente se encontra.”

Em tempo, o show da banda no festival Bangers Open Air 2026, será no dia 24 de Abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. E ainda, entre fevereiro e março de 2026 a Malvada será a banda de abertura da turnê europeia “My Years With UFO”, liderada pelo lendário guitarrista Michael Schenker, ícone do rock mundial e ex-integrante do UFO e Scorpions. 

Os shows passarão pela Alemanha, Holanda e França, com apresentações em casas e teatros renomados da cena europeia. A participação da Malvada como opening act da turnê mundial marca um passo decisivo na consolidação internacional da banda.

Datas confirmadas da turnê:

18.02.2026 – Plauen (DE), Festhalle

19.02.2026 – Bremen (DE), Modernes

20.02.2026 – Oberhausen (DE), Turbinenhalle II

22.02.2026 – Hamburg (DE), Große Freiheit 36

23.02.2026 – Cologne (DE), Kantine

24.02.2026 – Tilburg (NL), 013

26.02.2026 – Heerlen (NL), Parkstad Limburg Theater

27.02.2026 – Paris (FR), Le Trianon

28.02.2026 – Amneville (FR), Seven Casino

01.03.2026 – Ingolstadt (DE), Eventhalle Westpark


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Cobertura de Show: Death To All – 21/01/2026 – Tork N' Roll/CWB

Death To All transforma Curitiba em Altar do Death Metal e emociona fãs em noite histórica.

Em plena noite de quarta-feira, dia 21 de janeiro de 2026, o Death To All inicia com competência e emoção, o primeiro grande show do ano em Curitiba. Foram meses de expectativa para apreciar de perto este projeto, que tem por finalidade manter a obra do Death viva e também homenagear nosso grande Chuck Schuldiner. E é claro, fazer a alegria dos fãs mais uma vez. A vinda da banda ao Brasil, ficou a cargo da produtora Overload. 

O local escolhido foi o Tork N’ Roll, casa de shows que atualmente recebe a maioria dos eventos de médio porte, nacionais e internacionais. Por tratar-se de um dia de semana, acredito eu, não houve banda de abertura, sendo que a casa abriu as portas ao público às 19:30 e o show da banda Death to All estava marcado para às 21:00hs.

Entretanto, o local já começou a ficar movimentado por volta das 20 hs, pois haviam fãs de outras cidades do Brasil e também aqueles que preferiram fazer o happy hour no próprio Tork. Inclusive, a casa dispõe de uma variedade de comidas e bebidas, na realidade, uma praça de alimentação completa, além de camarote com sofás e área de jogos. Sendo assim a espera pelos músicos foi um momento de confraternização entre todos que estavam no local. É impressionante a capacidade do público de metal mais extremo em fazer amizades e curtir a emoção em coletividade.

Mas vamos ao que importa, pontualmente às 21:00hs, sobem ao palco: Max Phelps, responsável pelos vocais e guitarras, o grande Gene Hoglan na bateria, o carismático Steve DiGiorgio no baixo e o feroz Bobby Koelble na guitarra. Lembrando que Max Phelps é o único membro que não teve passagem pelo Death, mas em compensação possui um talento digno de executar os clássicos da época de Chuck. Diria que os músicos deste projeto/banda estão em uma sintonia digna do mainstream.

Vale a pena também, ovacionar o público presente no local, eram sangue, suor e lágrimas. Inclusive podia se ouvir de tempos em tempos os gritos “Death” “Meu Deus, do c*”, ”Não acredito nisso, é demais!!”, era emoção demais, desconhecidos se abraçando. Para logo na sequência, se colidirem nas rodas de mosh, mas não era violência, e sim, alegria, exaltação. De certo, a bebida alcoólica, consumida um pouco além da conta, também teve seu papel para as exacerbadas demonstrações de afeição.

Agora, falando dos momentos iniciais do show, os primeiros acordes já soaram extremos, com “Infernal Death”, do primeiro álbum do Death, seguido por “Living Monstrosity” e “Defensive Personalities” e “Altering the Future” do álbum Spiritual Healing, do qual o nome da turnê faz referência. Contudo, a resposta enérgica do público, veio com “Zombie Ritual” também do álbum de 1987, Scream Bloody Gore, e também na execução apaixonada de “Spiritual Healing”. Em resumo, não tinham músicas mornas, todas eram executadas à perfeição e em alto volume. 

Quanto à disposição de palco, a proximidade entre os músicos era pequena, o que contribuiu para uma boa visão do público, bem como para a alegria dos fotógrafos presentes no local. Que convém mencionar, tiveram as cinco primeiras músicas disponibilizadas pela produção, para fotos do pit (local entre o público e o palco, onde geralmente tem uma grade de proteção e os seguranças).

Dentre as vezes em que o baixista Steve DiGiorgio (que inclusive encontrava-se com os pés descalços) conversa com o público, uma em especial tocou o coração de todos os fãs, por volta do meio da apresentação ele lembrou a camaradagem e a importância daquelas músicas que estavam sendo executadas para homenagear o legado do lendário Chuck Schuldiner. E a resposta da platéia não poderia ser diferente, vozes em uníssono proferindo o nome “Chuck” sem parar. Definitivamente um dos momentos mais emocionantes da apresentação. 

A segunda parte do show foi dedicada aos principais petardos do álbum Symbolic de 1995, com muitos moshs, pessoas tirando as camisetas, em partes por conta do calor que fazia no local, mas também para acenarem com elas em movimentos circulares no ar. A partir daí, rolaram vários clássicos como a própria “Symbolic”, “Empty Words” “Sacred Serenity” e ainda a peculiar “Zero Tolerance”, uma surpresa para muitos.

Tiveram ainda fatos marcantes, como uma pessoa vestida com um traje de banana no meio do mosh, captando a atenção de todos. Inclusive da própria banda, que não poupou elogios aos esforços e a criatividade do público brasileiro. Haviam homens e mulheres de todas as idades, e também desde aquele fã raiz até os recém iniciados no culto ao Death. E a noite foi realmente uma adoração ao Death Metal, com um final bem emocionante, trazendo as canções “Spirit Crusher” e “Pull the Plug”. 

Um pouco antes do final, como já é de costume, alguns já se adiantaram para garantir seu carro de aplicativo a tempo, pois invariavelmente depois de um evento concorrido, as ruas estreitas em torno do Tork lotam fácil. Por outro lado, tiveram aqueles que continuaram no local até os últimos instantes para apreciar aquela sensação de felicidade plena, que nos toma por completo após um espetáculo desse nível. 

Nossos agradecimentos a todos que tornaram possível esta inesquecível experiência.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Overload Brasil



Death to All – setlist:
 
Infernal Death

Living Monstrosity

Defensive Personalities

Lack of Comprehension

Altering the Future

Zombie Ritual

Within the Mind

The Philosopher

Spiritual Healing

Symbolic

Zero Tolerance

Empty Words

Sacred Serenity

1,000 Eyes

Without Judgement

Crystal Mountain

Misanthrope

Perennial Quest

Spirit Crusher

Pull the Plug
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Autumn's Child: "Melody Lane" é Melodic Rock e AOR que Beira a Perfeição

 


“Melody Lane” é o sexto álbum do Autumn’s Child, banda que a lenda do Melodic Rock suéco Mikael Erlandsson criou após a pausa do Last Autumn’s Dream, e novamente  entrega uma peça de Melodic Rock e AOR irrepreensível, que flerta com o Power Pop e Classic Rock, repleta de melodias cativantes e mega melódicas, instrumental polido, de bom gosto e muito bem executado.

Com um time de grandes músicos, formado por Pontus Åkesson na guitarra solo, Rickard Johnsson na bateria, Claes Andreasson nos teclados e Magnus Rosén no baixo. Vocais adicionais de Johanna Hjort em “Lovesong”, e claro, Erlandsson nos vocais e também  teclados e guitarras.

O álbum já começa com um dos hits instantâneos do trabalho, “Heartbreak Boulevard”, uma faixa carregada de melodias cativantes, grandes vocais, teclados que juntamente com as guitarras constroem camadas de puro deleite aos amantes do Melodic Rock.


“Pray For The King” tem um pé no Hard, é vigorosa e traz as melodias neoclássicas bem evidentes nos teclados que "duelam" com as guitarras nos solos, outra das nuances tradicionais do Autumn’s' Child.

“Fight to Love Again” tem aquela vibe anos 80, principalmente nos teclados em destaque, e caberia perfeita em alguma trilha de filmes da época. 

Na sequência, mal dá tempo de respirar e “Singalong” também já nos pega cantarolando o refrão e acompanhando a batida. Erlandsson é mestre em criar canções cativantes. A canção vai evoluindo e ganhando intensidade, culminando numa pegada bem Rock and Roll, e você se pega cantando o refrão naturalmente. 

“A World Without Love” que me remeteu ao Queen na construção das melodias, e é uma bela balada estilo “Somebody to Love”. Arranjos vocais emotivos, aliados à finesse da guitarra com melodias dobradas e piano, escancaram a cada faixa a capacidade de Erlandsson e Cia em criar canções cativantes, que prendem de imediato e você logo está cantarolando. 

Destaque para o solo melodioso e de timbres de bom gosto ímpar, algo que permeia todo o álbum.



“Highway to The Sky” traz uma pegada Power Pop de melodias suaves, agradáveis e de fácil  assimilação, vocais grandiosos e guitarra melodiosa.

“Headlines” é puxada para um Hard com riffs vigorosos, a cozinha capricha no Groove, e Erlandsson aposta nos vocais mais roucos e com drives. Um Hardão empolgante e com feeling.

Uma das minhas preferidas, “Love Song”, com melodia e levada cativante, já pega o ouvinte nos primeiros segundos. Tem um Groove que me lembra Thin Lizzy, com o baixo em destaque, guitarras acústicas, arranjos vocais cativantes e solos idem. 

O refrão fica de imediato na mente e não sai mais! Destaque para o dueto de Erlandsson e Johanna Jort já na parte final, acompanhados pelas melodias da guitarra e o Groove cativante da cozinha.

“Melody” tem uma levada mais acelerada e vibrante, um Melodic Rock que soa atual, mas também remete aos grandes momentos do AOR e Melodic Rock 80’s. Refrão irresistível, guitarras e teclados de melodias idem. Aquele jeitão de hit. 

“Rock of Emphathy” traz o vigor da guitarra, com teclados de acento pop, nos remetendo novamente ao Hard 80’s, inclusive nos coros do refrão. “Dead Cole” fecha o álbum com sua levada cadenciada, mesclando o Hard e Pop 80’s.


Para quem já gosta do trabalho de Erlandsson, ficará muito satisfeito com este novo álbum, certamente ocupará o topo dos melhores lançamentos do estilo em 2026, os outros que corram atrás! Um prato transbordando para os fãs de Melodic Rock.

Texto: Caco Garcia 
Lançamento: Pride & Joy Music 
Assessoria: GerMusica Promotion & Management

Track listing
1. Heartbreak Boulevard
2. Pray For The King (ft. John Lönnmyr)
3. Fight To Love Again
4. Singalong
5. A World Without Love
6. Highway To The Sky
7. Headlines
8. Lovesong (ft. Johanna Hjort)
9. Melody
10. Rock Of Empathy
11. Dead Cold



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Megadeth: O Testamento Final de Um Gigante do Metal

 


23 de janeiro de 2026, marcará a data de lançamento do álbum de estúdio final da carreira de um dos gigantes do Metal, o titã do Thrash Megadeth,  criado e capitaneado por seu mentor Dave Mustaine em 1983. 

O álbum será precedido de uma longa turnê de despedida. Produzido por Dave Mustaine e Chris Rakestraw, este 17º álbum conta com o guitarrista Teemu Mäntysaari, o baterista Dirk Verbeuren e o baixista James LoMenzo.

Muitos dos ícones dos 70 e 80, que criaram, pavimentaram e moldaram sub-estilos no Rock Pesado e Metal, já nos deixaram, alguns se aposentaram, e muitos outros já estão na reta final da aposentadoria, então nos resta celebrar o legado e acompanhar os novos nomes que surgem, levando o estilo através de gerações.

Um marco dessa importância merece o máximo de nossa atenção, mesmo que ainda não seja o suficiente, e para essa matéria especial, três redatores do Road, de diferentes gerações, emitiram suas opiniões e prestam sua homenagem ao último testamento de Dave Mustaine e seu Megadeth. 

Parodiando uma cena de "Wayne's World", nos ajoelhamos simbolicamente a Mustaine e proferimos: "não somos merecedores", mas vamos lá, tentamos traduzir em palavras a emoção de ouvir esse derradeiro álbum. (Mas com aquela esperança de que não seja hahahahah).



"Megadeth" por Caco Garcia 


Chegará o momento em que todos os gigantes dos anos 70 e 80 infelizmente não estarão mais nos palcos, e, se não for uma daquelas despedidas momentâneas (veremos se Dave vai se aguentar ficar muito tempo sem compor), chegou a hora de Dave Mustaine, uma daquelas personalidades ímpares da história do Metal, escrever o capítulo final do seu Megadeth, com o último álbum de estúdio e derradeira tour mundial.

Propriamente auto intitulado, um fecho ao qual não são necessários títulos que expressam o sentimento do momento, ou destaque a composição que represente melhor o todo, é simplesmente um álbum do Megadeth, um gigante do Metal, o integrante do Big 4 que ostenta desde sempre o maior apuro técnico.

O álbum me remeteu à era em que Dave criou seu clássicos definitivos, Peace Sells - Rust in Peace - Countdown to Extinction e até Youthanasia, e me senti voltando aos anos 80, sentando no chão ouvindo o “Peace Sells” (ainda ouço vinis assim, sentado no chão, e viajo no tempo).

Mesmo sem a voz entrar, já sabemos que é Megadeth, tal a assinatura sonora marcante que Dave construiu, e o início com “Tipping Point” escancara isso, a identidade da banda. Une a agressividade, melodia e técnica com refino e precisão, despejando riffs e solos cortantes e de puro headbanging.

Sabemos que Dave tem o Punk como uma de suas inspirações, e já homenageou um dos ícones do estilo lá atrás, e “I Don’t Care” tem aquela pegada punk e mais direta, (e talvez, não por acaso, um título similar a uma música do Ramones). E aqui Dave também manda seu recado, que não importa o que pensem, ele tem suas convicções.

Em “Hey God?!” o refino técnico se sobressai, e traz uma levada mais meio tempo,  e é uma música em que Dave apresenta mais de suas crenças, aliás, tem muita coisa bem pessoal no álbum todo.

Em “Let There be Shred”, como o título sugere, fala muito sobre o estilo do Megadeth, que sempre valorizou a técnica, e não poupa riffs e solos arrebatadores. Aliás, temos que ressaltar que Teemu formou uma dupla afiada com Dave, e assimilou muito bem a alma da banda. Na letra, Dave descreve as sensações de estar no palco, e também aquele garoto, que “nasceu com a guitarra nas mãos”.

“Puppet Parade” tem peso, solos e mudanças de tempo típicas, com menos brilho que as demais, mas longe de ser uma peça fraca.

“Another Bad Day” é mais cadenciada, refinada e melódica, mas sem perder a pegada; na sequência, “Made To Kill” traz aquelas mudanças ágeis de ritmo e múltiplos solos, bem típicos do Megadeth clássico; “Obey The Call” é mais Dark, mas mantém a fórmula, com riff e solos em profusão, e mudanças de tempo. 

“I Am War” é pedrada vigorosa, com as nuances clássicas da banda, não tem tanto brilho, mas mantendo a qualidade geral do álbum.  

E a cortina começa a se fechar com “The Last Note”, título com aquele tom de despedida, e ela é como um último testamento, com toques quase melancólicos, trechos com guitarras acústicas dão um tom introspectivo.

Como bônus, o álbum encerra o capítulo final com a versão de Dave para uma das suas contribuições para o Metallica que, segundo ele, melhor representam a sua influência naquela fase inicial da banda, e gravar “Ride The Lightning” para este último álbum, é uma forma de prestar homenagem aos seus companheiros e onde tudo começou. Como diria o poeta, “tudo acaba onde começou”.

Mustaine trouxe aqui algumas das melhores músicas e riffs em muito tempo, creio que ao compor este álbum ele simplesmente fez sem peso ou pressão alguma, somente deixou fluir, compôs para ele e criou um trabalho do Megadeth que qualquer fã gostará de ouvir.




"Megadeth" por Gabriel Arruda 


Cada vez mais tem sido um prazer ver grandes lendas tocando ao vivo e, em alguns casos, lançando trabalhos inéditos, algo que naturalmente gera ansiedade e expectativa sobre o que está por vir, independentemente de comparações. No entanto, conforme o tempo passa, o prazo de validade dessas bandas vai se aproximando do fim. 

Para o Megadeth, esse momento parece cada vez mais próximo, já que a banda está prestes a lançar seu último álbum, seguido de uma vindoura turnê de despedida, que inclusive passará pelo Brasil no mês de maio.


Sucessor de The Sick, The Dying… And The Dead! (2022), o novo trabalho, que chega na próxima sexta-feira (23/01), carrega uma expectativa especial. Afinal, se realmente for o capítulo final, que esteja à altura de sua história. De forma homônima, sem título e trazendo apenas o emblemático Vic Rattlehead em meio às chamas na capa, o álbum faz jus à trajetória do grupo liderado por Dave Mustaine. 

Ao lado de Dirk Verbeuren (bateria), James LoMenzo (baixo) e do estreante Teemu Mäntysaari (guitarra), o Megadeth não se força a repetir formulas, apesar de haver certas influências oitentistas e noventistas em certas ocasiões, mas soando, acima de tudo, puramente Megadeth.

Em 46 minutos, o disco apresenta um trabalho de guitarras competente, algo que já fica evidente em “Tipping Point”, primeiro single e responsável por um videoclipe super bem produzido pelo brasileiro Leo Liberti, que mostra Dave Mustaine e toda a banda presos em um cativeiro. É um thrash convincente, com riffs e solos bem distribuídos, que rendem boas cotoveladas no mosh pit. 



A veia punk, somada ao vocal ameaçador de Mustaine — característica bastante explorada neste álbum — aparece em “I Don’t Care”, outra faixa lançada como single. Sim, o “faça você mesmo” funciona dentro do metal, e o Megadeth é uma das bandas que sabe aproveitar muito bem esse espírito.

A intimidadora “Hey God” e “Let There Be Shred” seguem com ainda mais punch e pegada. O clima catártico da primeira dá lugar à euforia da segunda, que poderia facilmente integrar o álbum Peace Sells… but Who’s Buying? (1986). 

Destaque para as excelentes camadas de guitarra do finlandês Teemu Mäntysaari, que caprichou neste trabalho, substituindo com meritocracia o nosso querido tesouro Kiko Loureiro, desligado da banda no final de 2023. Vale mencionar também “Puppet Parade”, uma das melhores do repertório, com linguagem mais rock n’ roll, além de “Another Bad Day”. Ambas trazem nuances mais obscuras, que logo se dissipam na esmagadora “Mad To Kill”.

Já “Obey The Call” apresenta certa semelhança com Trust, principalmente no início e no refrão de tom melancólico. Em “I Am War”, o que mais chama atenção é o riff inicial, com forte influência hard rock. O encerramento com “The Last Note”, como o próprio título sugere, soa como uma despedida — sentimento que se escancara na narração de Mustaine, acompanhada por melodias de violão clássico nos minutos finais. Porém, não termina por aí. 

Como faixa bônus, Mustaine presta uma homenagem ao Metallica, banda que o revelou, com uma versão mais moderna de “Ride the Lightning”, música que ajudou a compor quando ainda integrava o grupo. Uma bela homenagem, que mostra que o respeito e a gratidão seguem pulsando em seu coração. Ainda bem.


Não é apenas mais um disco em meio a uma carreira de 43 anos, mas sim um sincero “muito obrigado” por ajudar na evolução do heavy metal e por ter sido peça fundamental na criação de um dos subgêneros mais importantes do estilo que é o thrash metal. Gostando ou não, Dave Mustaine é um dos símbolos mais relevantes da história do heavy metal, mesmo sendo, por vezes, rabugento e ácido. 

Se este for realmente o último sinal, aproveite, aprecie e curta sem moderação.





"Megadeth" por Pedro "Rato de Show"



Neste próximo dia 23 de janeiro, o primeiro mês do ano recebe, dentre inúmeros lançamentos no mundo da música, um que certamente chega carregado de um peso simbólico. Falo do 17º e já anunciado último álbum de inéditas do Megadeth, auto-intitulado, e que, diga-se de passagem, uma tremenda tarefa aguardar mais de quatro décadas antes de finalmente produzir o famoso álbum que leva o nome da própria banda.

Tivemos a grande honra e prazer de receber o material antecipado, e posso partilhar aqui um pouco dessas primeiras impressões em contato com sua sonoridade. E logo de cara já adianto: não é o melhor trabalho do Megadeth, mas tampouco o pior. Talvez nem se faça justiça colocá-lo nesse tipo de análise, uma vez que este álbum claramente vem carregado de emoção e sentido, dada a chegada do fim de um dos Big Four do thrash metal americano, o que, por consequência, torna este disco mais sobre legado, trajetória e constância.


De um modo geral, o Megadeth reforça o status alcançado ao longo dos anos e sua inconfundível sonoridade agressiva, rápida e cheia de riffs marcantes, entregando um álbum que se conecta com o passado sem concessões no que diz respeito a fugir de sua essência.

E isso já fica visível logo de cara com Tipping Point, primeiro single lançado e primeira faixa do álbum, que simplesmente grita “Megadeth”. Uma música para lá de feliz não só pelo ritmo e pelos arranjos, que dialogam com os primeiros álbuns, mas também pela grata oportunidade de ver Teemu Mäntysaari brilhando nas execuções, entre palhetadas rápidas e um solo insano. Ao longo do álbum como um todo, ele reforça o motivo da escalação e deixa sua marca, sendo impossível chamá-lo apenas de “o substituto do Kiko”.

I Don’t Care mostra aquele lado mais punk, direto e intransigente do thrash que simplesmente pede uma roda para extravasar energia contida. Aqui já é possível ver brilhando outro nome que, sem dúvida, deixa sua marca ao longo do disco: James LoMenzo. Ainda que não seja aquele baixo extremamente visível e groovado, talvez nem seja esse o objetivo da sonoridade, mas ele se faz presente, e em diversos momentos o ritmo cortante ganha contornos de profundidade.


E se é melodia, naquele estilo música-cantada-anasalada que você quer, Hey God!, primeira música inédita no disco, parece aquela faixa que daria para ouvir o dia todo no rádio sem enjoar, seja pelos riffs hipnóticos, seja pela letra chiclete, em um andamento mais contido. Uma ótima forma de manter a versatilidade do álbum e já entregar bons picos e vales até aqui.

Na sequência, as duas últimas lançadas como single: Let There Be Shred e Puppet Parade. A primeira, o nome já entrega, é um retorno ao lado veloz e agressivo, possivelmente a melhor música para shows do álbum, daquelas que já nascem clássicas, em uma explosão de energia, vigor e peso. Já a segunda segue um caminho mais mid-tempo, narrativo e melodioso, com um lado guitarrístico mais virtuoso.

Como a maioria já pôde conferir quatro dessas cinco primeiras, é importante ressaltar outro nome que é um dos maiores destaques do álbum: Dirk Verbeuren, com controle preciso e brutal das baquetas, trazendo ritmo, cadência e velocidade quando requisitado. Mas, no fim do dia, não tem jeito: as grandes estrelas continuam sendo as guitarras, técnicas, estruturadas e velozes.

Entramos na segunda metade do álbum com outra mid-tempo chiclete, Another Bad Day, que tem aquele andamento fluido e grudento, e mal chega no segundo refrão e você já está cantando junto com o Dave. Made to Kill inicia com uma bateção frenética de Verbeuren, somada a um baixo grosso, e aquela aceleração progressiva das guitarras que dá a sensação de que o álbum não vai terminar antes de provocar um pouco mais de agressividade.



Na reta final, talvez as músicas que mais dão uma sensação de “filler”, não no sentido de realmente o serem, mas mais por não manterem a euforia dos momentos iniciais, Obey the Call traz tensão e cria uma atmosfera, mas, para mim, não funciona tão bem. A música tem sim um final mais rápido e frenético, mas olhando pro conjunto da obra, talvez pudesse se ter mantido por mais tempo a velocidade e a agressividade, em vez desse “acelera” e “freia”.

I Am War segue uma lógica melodiosa de tempo médio, com refrão chiclete. É uma boa música, dentro também da linha narrativa lírica típica do Megadeth, lidando com conflito (interno e externo) e postura, aquela atitude de “vou te mostrar do que eu sou capaz”. E, nesse sentido, esse álbum carrega muito dessa sensação, como várias músicas já mostraram até aqui.

Fechando, The Last Note traz um lado mais emotivo, de fechamento de ciclo e encerramento, mas com uma energia que parece atravessar o álbum inteiro, algo como: “vamos cair, mas vamos cair atirando”.

E claro, realmente finalizando e, de certa forma, até ofuscando o que deveria ser o fim, a faixa bônus Ride the Lightning é, sem sombra de dúvidas, uma das joias do álbum, talvez mais pelo peso simbólico do que pela sonoridade em si.

O polêmico “cover” do Metallica, da música que teve participação de Mustaine em seu breve período na banda, é bonito de se ver, principalmente vindo de uma figura que crescemos ouvindo, e de certa forma até vendo, ser essa persona egocêntrica. 

Aqui, no entanto, ele parece de fato proclamar uma homenagem no próprio fim, retornando ao seu ponto mais remoto, ao começo e ao significado histórico que duas das principais bandas do thrash metal global dividem entre si.

Não, Megadeth (o álbum) não é o melhor disco do ano, tampouco o melhor do acervo desse grande mestre dos riffs rápidos. Não estamos diante da melhor interpretação vocal de Mustaine, apesar de sua voz estar vívida, compatível com um homem de 64 anos que sobreviveu a um câncer de garganta. Não é uma voz frágil ou debilitada, mas é reflexo de décadas de contribuição ao aço, de uma vivência e corrida ímpar que devem ser consideradas e enaltecidas como tal.

No fim do dia, o álbum cumpre o que promete, sendo um retrato fiel de como o Megadeth se manteve leal à própria essência e aos fãs, ainda que, através dos anos, tenha buscado explorar, criar e experimentar, sem nunca perder de vista o que é. 


É poético, bonito e admirável ver a narrativa chegando ao fim e a forma corajosa com que Dave Mustaine decidiu iniciar esse capítulo final, que sim, ainda deve durar alguns anos no que tange aparições e shows, como dito pelo próprio, mas que, em termos de contribuição criativa ao mundo da música, passa a ter em 2026 o último capítulo de Rattlehead.

Vida longa ao Megadeth e às suas contribuições. Agora, resta a torcida para que seu próximo show em nossas terras não seja a última vez que avistemos esses Titãs por aqui. O show acontece exclusivamente em maio, no Espaço Unimed em São Paulo e já se encontra sold out.


"Megadeth" será lançado em 23 de janeiro de 2026, via Tradecraft (selo de Dave Mustaine) em parceria com o selo BLKIIBLK (parte do Frontiers Label Group) globalmente, com lançamento no Brasil pela Shinigami Records, incluindo versão em vinil.







segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cobertura de Show: Corrosion Of Conformity – 17/01/2026 – Burning House/SP

O Corrosion of Conformity é uma das principais bandas de stoner rock já criadas. Tiveram seu início em 1982, com músicas mais voltadas ao hardcore punk, com álbuns como “Animosity”, mas com o tempo, foram ficando cada vez mais lentos e mais pesados, gravando alguns dos principais álbuns de stoner, como “Deliverance” e “Wiseblood”.

E com mais de 40 anos de carreira é fácil de imaginar que a banda já passou por diversas mudanças de line-up. Membros importantes pra história da banda como Mike Dean, baixista e vocalista, saiu da banda e Reed Mulin, baterista, infelizmente morreu. A formação atual conta com Woody Weatherman, guitarrista fundador e único membro constante, Pepper Keenan, guitarrista e vocalista, Stanton Moore na bateria, e Bobby Landgraff no baixo.

A banda já pisou no Brasil algumas vezes, com shows em 2013 e em 2018. E agora, em 2026, voltaram para fazer mais um show, em São Paulo, na Burning House, um pouco antes do primeiro aniversário da casa. O show era pra ter acontecido em setembro de 2025, mas devido a uma oferta irrecusável de abrir shows para Judas Priest e Alice Cooper nas mesmas datas, adiaram para janeiro.

O evento não contou com banda de abertura, sendo apenas o COC, e foi completamente sold out. Ao entrar na casa, já era possível ver os instrumentos de todos eles no palco, e ver as marcas de uso nas guitarras de Pepper e Woody, que provavelmente estão com esses instrumentos há uns belos anos.

O show foi marcado para começar as 20 horas, e a produtora Dark Dimensions fez questão de dizer que iria começar as 20 em ponto. E, com uma pontualidade difícil de acontecer no Brasil, as 20 horas começa a introdução do show vindo das caixas de som, enquanto um a um seus integrantes sobem ao palco.

Logo de cara todos os integrantes já demonstram um enorme carisma em palco, com eles entrando todos sorridentes e brincando com a plateia que aguardava ansiosamente pelo show. Então, começaram a tocar, com a sequência “Bottom Feeder” e “Paranoid Opioid”, sendo a primeira tocada apenas parcialmente. E desde o começo, o COC já incendiou a Burning House.

E, pra aumentar ainda mais o ar lendário da banda, Woody estava bem na frente do ventilador da casa, que fez seu cabelo voar durante todo o show, parecendo um mago enquanto tocava sua guitarra.

Pra quem ouve os álbuns da banda, já deve considerar a banda extremamente pesada, mas ao vivo o peso é ainda maior, com todas as músicas surpreendendo até os maiores fãs com sua brutalidade.

Com toda a energia da plateia e dos amplificadores da Orange do COC, e a casa completamente lotada, a Burning House começou a queimar mesmo, com bastante gente comentando do calor, ao ponto de Pepper comentar no palco que eles aguentavam o calor, afinal, eles eram do sul dos EUA, já estavam acostumados com isso, e apenas pediu pra plateia se hidratar bem.

Após isso, seguiram com possivelmente uma das músicas mais pesadas da história, a “Broken Man”, do “Deliverance”, e na sequência “Wiseblood”, do álbum com o mesmo nome. Foram algumas das músicas mais amadas pelo público.

Pouco antes de tocarem “Who’s got the fire?”, do “America’s Volume Dealer”, alguém disse ao Pepper que o amava, e ele brincou dizendo que era mentira, ninguém o amava. E na sequência, tocaram “My Grain”, onde toda a casa começou a bater palmas no ritmo da música, enquanto o Corrosion começava uma jam improvisada no palco, começando com solos alternados de guitarra, solo de bateria, e riffs de baixo. Uma viagem perfeita pra quem quisesse levar o sentido da palavra “stoner” ao pé da letra durante o show. 

Por mais que a plateia estivesse animada, muitas das músicas eram bem lentas, mas a sequência “final” contou com 3 músicas que começaram a rolar mosh. “Shake like you”, “King of the Rotten” e a clássica “Vote With a Bullet”. A última, sendo do primeiro álbum com Pepper, “Blind”, é uma crítica a políticos que são corruptos, e diz que ao invés de desperdiçar seus votos, ele iria votar com uma bala. Com toda a situação política atual, Keenan até brinca que atualmente nem sabe mais em quem ele deve atirar. Após a “Vote”, saíram do palco para “finalizar” o show. Mas todos sabiam que iria ter um Bis.

O COC tem um novo single lançado, “Gimme Some Moore”, do próximo álbum da banda, planejado para lançar em abril. E por mais que estava marcado no setlist, e que estivessem vendendo o compacto do single no merch do show, cortaram a música do set, junto com a “Is it that way”, do álbum “In the Arms of God”.

Ao voltarem pro palco para o bis, vemos que a banda voltou atrás na fala de que aguentariam o calor, com eles brincando que estava quente até demais, e Woody soltando um “calor” em português. Então, apresentaram a primeira música do bis, que é do álbum “Animosity”, que seria “Mad World”, com Pepper elogiando Weatherman pela sua longa história com a banda. E como ele ainda não estava na banda na época, passou o microfone para Woody. Por ser a música mais hardcore do show, foi também a que teve o maior mosh de todos, com porradaria por todo lado.

Em seguida, tocaram uma das músicas mais aguardadas do show, a clássica “Albatross”, onde todos presentes cantaram a música junto do COC, com Bobby até elogiando o público pela sua energia. E, antes de iniciarem a última música, Keenan agradeceu a todos por terem ido ao show, e disse que pretende voltar na tour do novo álbum da banda, e fez apenas um pedido: que seus fãs levem ventiladores para o show da próxima vez.

Então, para a alegria de todos, começaram a tocar “Clean My Wounds” para finalizar o show. A música também contou com uma outra jam improvisada no meio, onde cada um teve o seu momento de brilhar no palco, enquanto Pepper os introduzia. Até Stanton e Bobby, que são membros que tem menos história com a banda, tiveram seus momentos, e mostraram o motivo de terem sido escolhidos como novas partes fundamentais do quarteto. Durante toda a jam, Woody estava fazendo uma dancinha de vaqueiro no palco, que parecia que estava num show de sertanejo. Ao se apresentar pra plateia, Keenan se apresentou a todo mundo como “dickhead”, e finalizaram a música, e por consequência, o show.

O show do COC mostrou que, ainda que não sejam uma banda tão grande no Brasil, ainda tem um público forte, que continuou aguardando ansiosamente o show, mesmo após ser adiado. A banda também mostra que mesmo com tanto tempo de carreira, ainda consegue entregar alguns dos melhores shows atualmente, abrangendo sua carreira inteira no set, e com carisma difícil de ver em artistas. Esperamos que a volta da banda não demore mais 8 anos, como foi essa última vez.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions

Press: JZ Press


Corrosion Of Conformity – setlist:

Bottom Feeder (El que come abajo)

Paranoid Opioid

Seven Days

Broken Man

Wiseblood

Born Again for the Last Time

Stonebreaker

Who's Got the Fire

My Grain

Shake Like You

King of the Rotten

Vote With a Bullet

Bis 

Mad World 

Albatross

Clean My Wounds