O segundo e último dia, domingo, chegou prometendo tanto quanto o primeiro, ou seja, muita gente para prestigiar mais 12 horas dos mais diferentes estilos dentro do metal, além de um sol forte como sempre, sem ameaças de chuva. Para quem chegou mais cedo, felizmente não houve problemas para entrar, conseguindo assistir às primeiras atrações do Ice e do Sun sem maiores transtornos. Ponto para os organizadores que, após as reclamações do dia anterior, decidiram liberar a entrada do público geral mais cedo.
Dessa vez, não consegui ter muito tempo para conferir as feiras e outras atrações que o festival oferece, como a feira geek, de tatuagem e gastronômica, nem mesmo a tão disputada signing session, com destaque para a do Within Temptation, onde a simpática e super receptiva Sharon den Adel fez questão de atender todos que não conseguiram pegar senha.
Outra coisa legal é ver a molecada – que até certa idade não paga – curtindo os shows ao lado de seus pais. E havia muitas presentes, ainda bem, pois é sinal de que o estilo estará mais vivo do que nunca daqui a alguns anos.
Infelizmente, eu, Gabriel Arruda, não consegui ver os piratas do Visions of Atlantis devido a problemas com o transporte público para chegar ao local do festival. Por sorte, consegui pegar os momentos finais dos alemães do Primal Fear, que sempre dão uma aula de como fazer um show de heavy metal. O destaque sempre vai para o excelente Ralf Scheepers, com seus incríveis agudos, e para Thalía Bellazecca, que vem assumindo muito bem o posto de guitarrista ao lado de Magnus Karlsson não só pela sua competência, mas também por ser uma das poucas mulheres negras dentro do estilo. Que, através dela, isso possa mudar. Mais uma vez não tivemos a presença do Matt Sinner devido a um acidente na sua perna. Dirk Schlächter, do Gamma Ray, acabou assumindo a missão.
NEVERMORE HONRA O LEGADO DE WARREL DANE EM APRESENTAÇÃO MEMORÁVEL
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
Depois de alguns minutos, era vez de pular para o palco Ice para ver um dos shows mais aguardados desta quarta edição. Jamais imaginaria que o Nevermore fosse retomar as atividades por conta da ausência de Warrel Dane, um de seus fundadores, falecido em 2017, e do baixista James Sheppard, que se aposentou há alguns anos.
Com prós e contras – mais prós, ainda bem – o guitarrista Jeff Loomis, junto com o baterista Van Williams, os únicos da formação original, decidiu voltar com uma nova formação para honrar o legado da banda, que foi muito importante no metal no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Esse retorno também permite conquistar uma nova geração de fãs e se apresentar para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver a banda no passado, como foi o caso de muitas pessoas que estiveram no Bangers e também no side show, que aconteceu dois dias depois no Carioca Club. Vale lembrar que a banda já havia tido uma experiência em festivais no Brasil, se apresentando no extinto Live 'n Louder, em 2006. Ou seja, sabiam bem o que fazer.
Logo na abertura com Narcosynthesis, que também abre o estupendo Dead Heart in a Dead World (2000), já mostravam que não estavam para brincadeira. A banda estava muito bem ensaiada: Jeff – ao lado do jovem Jack Cattor – despejava riffs esmagadores, enquanto Van Williams, junto ao baixista Semir Özerkan, mantinha a versatilidade rítmica intacta. E, claro, o vocalista Berzan Önen mostrou que vem sendo a escolha certa para assumir o posto do saudoso Warrel, conseguindo emular suas características, mas também apresentando sua própria personalidade.
Por ser um festival, onde os shows são mais curtos e cronometrados, a banda precisou escolher bem as músicas do setlist. Mesmo com pouco tempo, fizeram bonito. Trouxeram músicas do This Godless Endeavor (1999), como My Acid Words e Born, tocadas mais para o final e grandes destaques do show. Até mesmo o pouco lembrado Enemies of Reality (2003) marcou presença com a faixa-título. No entanto, foram as músicas de Dead Heart in a Dead World (2000) que mais empolgaram os fãs: além de Narcosynthesis, vieram The River Dragon Has Come, Inside Four Walls e Engines of Hate, mostrando que o quinteto de Seattle ainda tem muito a oferecer. Sem dúvidas, um dos melhores shows do dia, fazendo valer a pena a espera.
EXPLOSÃO MODERNA SOB O SOL: AMARANTHE ENTREGA ENERGIA E CONEXÃO NO BANGERS OPEN AIR 2026
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Edu Lawless
Sob um sol escaldante de aproximadamente 30 °C, às 15h em ponto no Hot Stage, o Amaranthe transformou a tarde do segundo dia de Bangers Open Air em um verdadeiro espetáculo de energia e intensidade. Formada em 2008, na Suécia, a banda se consolidou como um dos nomes mais marcantes do metal moderno, apostando em uma proposta pouco convencional: três vocalistas dividindo o protagonismo, Elize Ryd nos vocais limpos, Nils Molin também no limpo e Mikael Sehlin trazendo o peso gutural. Essa combinação, que poderia soar arriscada, ao vivo se mostra extremamente coesa e poderosa. Mesmo sob condições adversas, a banda entregou presença de palco impecável, performance carregada de paixão, conexão e explosão.
Conhecida por transitar entre diferentes vertentes sonoras, Amaranthe encontrou um público completamente entregue, diverso em idade, mas harmônico na intensidade. Era possível ver fãs cantando cada faixa com entusiasmo, transformando o show em uma experiência coletiva. A abertura já veio como um impacto direto, com “Fearless”, “Viral” e “Digital World” levando o público ao limite da euforia. No meio desse turbilhão, “Amaranthine” surgiu como um respiro emocional, delicada, luminosa, arrancando um coro forte e carregado de sentimento. No palco, Elize se mostrou extremamente carinhosa e conectada com o público, enquanto Nils trouxe uma energia visceral e Mikael sustentou o peso com brutalidade precisa, criando um equilíbrio que define a identidade da banda.
Com qualidade sonora consistente e vocais impecáveis, o Amaranthe entregou um show que alterna entre o intenso e o sensível, muito impulsionado pela suavidade e brilho da voz de Elize. Em sua segunda passagem pelo Brasil, a banda deixou claro que não veio para ser passageira. Ao contrário, reforçou sua força dentro do metal contemporâneo, mostrando que o gênero segue evoluindo, conquistando espaço e quebrando barreiras. Foi um show marcante, daqueles que não apenas entretêm, mas ficam, pulsando na memória de quem esteve ali, sob o mesmo sol, vivendo o espetáculo.
WINGER SE DESPEDE DO BRASIL COM SHOW CARREGADO DE CLÁSSICOS
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
A tarde foi reservada para as bandas de hard rock. Em comparação às edições anteriores, este ano contou com a presença de poucas bandas do gênero, mas que acertaram na escolha, mesmo com essa “minimalização". Infelizmente, não foi possível assistir a todo o show dos suecos do Crazy Lixx, já que o Winger tocou praticamente no mesmo horário, o que gerou muitas reclamações por parte dos fãs que curtem ambas as bandas. Por conta da longa espera e, muito provavelmente, por ser a última chance de vê-los ao vivo no Brasil, muitos optaram pelo Winger, o que já era esperado.
Kip Winger, que dispensa apresentações, junto com os renomados Reb Beach (guitarra), Paul Taylor (teclado/guitarra), Rod Morgenstein (bateria) e o recém-chegado Howie Simon (guitarra), mostraram que a banda resistiu ao tempo, mesmo enfrentando certa rejeição e chacota — vide o caso da animação Beavis and Butt-Head e o famoso episódio do dardo arremessado por Lars Ulrich, baterista do Metallica, na foto de Kip.
Mesmo sem ter ensaiado e com pequenos problemas técnicos no início – que deixaram Kip e Reb visivelmente irritados – a banda conseguiu conquistar não só os fãs devotos, mas também aqueles que não são tão familiarizados com o grupo e passaram a apreciá-lo depois do que viram, contribuindo para tornar o show (repleto de clássicos) ainda melhor. E clássicos é o que não faltou. O setlist foi concentrado no primeiro álbum, homônimo, e no "In the Heart of the Young" (1990), com músicas como Seventeen, Can’t Get Enough, Miles Away, Rainbow in the Rose, Time to Surrender, Headed for a Heartbreak, Easy Come Easy Go e Madalaine. Do Pull (1993), apenas Down Incognito marcou presença, além de Stick the Knife In and Twist, do recente Seven (2023), que abriu o show de forma tímida. Uma pena a banda decidir encerrar as atividades, pois ainda se mostra em plena forma.
SMITH/KOTZEN TRANSFORMA ESTREIA EM UM DOS GRANDES MOMENTOS DO BANGERS OPEN AIR
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
O penúltimo show do palco Ice foi um dos mais aguardados desde o anúncio, principalmente por se tratar de uma estreia. Estou falando, é claro, do Smith/Kotzen, talvez o melhor duo surgido nos últimos anos. Quem, em sã consciência, imaginaria Ritchie Kotzen ao lado do grande Adrian Smith, do Iron Maiden, criando um projeto que unisse suas influências em comum. O resultado foi um excelente disco de estreia, lançado durante a pandemia, que traz fortes influências do hard rock setentista e do blues, ou seja, um classic rock de primeira, que ao vivo soa ainda melhor.
O mais interessante é ver que os dois, ao lado dos brasileiros Bruno Valverde (bateria) e Julia Lage (baixo), não seguem um protocolo rígido no palco. É simplesmente uma banda tocando como se estivesse em um ensaio: fazendo jams, trocando sorrisos e olhares de forma espontânea, como em um show intimista. Outro destaque é o lado vocal do Adrian, que surpreende com um timbre muito marcante. Já Bruno e Julia impressionam pela energia e maestria, reforçando ainda mais o peso e a qualidade da banda com toda a experiência que carregam.
O setlist não trouxe muitas surpresas, apesar do mistério criado por Bruno e Julia em entrevista aqui na Road To Metal. Ainda assim, músicas como Life Unchained, Black Light e Blindsided se destacaram logo de cara, ao lado de Taking My Chances e Darkside, que conta com um solo maravilhoso de Adrian. Got a Hold on Me, um hard/blues fulminante, também empolgou o público. Por mais previsível que fosse, Wasted Years, composição de Adrian no Iron Maiden, marcou presença no set. E, no fim das contas, tinha que ser ela para encerrar um dos melhores shows do dia.
ENTRE NOSTALGIA E INTENSIDADE: WITHIN TEMPTATION TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR 2026 EM UM ESPETÁCULO EMOCIONAL
Enfim, chegamos ao último show do dia. Normalmente, em festivais grandes como o Bangers, uma banda internacional de grande porte é escolhida como headliner. Para a surpresa de muita gente, o Angra foi o nome escolhido para encerrar essa quarta edição. Mas não seria um show comum, como os fãs estão acostumados a ver. Na ocasião, a organização, junto com o management da banda, idealizou uma reunião histórica: Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) se juntaram aos remanescentes Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para um encontro que muitos, como eu, achava improvável. Além disso, o show marcou o encerramento de um ciclo e o início de outro, com a saída de Fabio Lione e a entrada de Alírio Netto como seu substituto.
Tudo aconteceu conforme prometido, até mais. O show passeou por todas as fases da banda ao longo de seus 35 anos, com uma produção de palco surpreendente com pirotecnia e uma passarela que aproximava ainda mais os músicos do público. Nesse quesito, foi, sem dúvida, a melhor experiência visual ao vivo da história da banda.
Mesmo com pouco tempo de ensaio, todos entregaram o máximo de seu potencial — com destaque para Bruno, que ensaiou apenas uma vez devido à sua agenda com o projeto Smith/Kotzen. Apesar do nervosismo, Alírio fez uma boa estreia ao cantar músicas da fase do saudoso Andre Matos, começando por Nothing to Say e Angels Cry, demonstrando personalidade e competência. Impressiona não só sua presença de palco — muito influenciada por sua experiência no teatro —, mas também sua coragem. Após muito tempo fora do repertório, “Wuthering Heights” voltou ao set sem depender de convidados, mostrando que ele está pronto para encarar esse desafio.
Era visível a emoção de Alírio durante o show. Vale lembrar que ele quase integrou a banda no passado, após a saída de Edu Falaschi. Esse sentimento ajudou a encerrar o primeiro ato com Carolina IV, do Holy Land (1996), e que não era executada há bastante tempo. Ainda sobre esse primeiro ato, tivemos a última participação de Fabio Lione como vocalista do Angra, interpretando Tides of Changes (Part I & II), Lisbon e Vida Seca. No entanto, sua participação poderia ter sido mais extensa, incluindo mais músicas de sua fase. Fica a impressão de que houve certo desconforto: o volume de seu microfone parecia mais baixo em comparação ao de Alírio e Edu. Ainda assim, o Mago, como é conhecido, mostrou por que é uma força da natureza, superando qualquer adversidade com sua performance consistente. Segundo relatos de amigos que estavam presentes, Fabio não permaneceu no palco durante todo o restante do show, preferindo ficar no meio do público, tirando fotos e aproveitando o momento, retornando apenas no final – o que pode ajudar a explicar essa percepção.
O segundo e principal ato do show foi o mais comemorado da noite. Afinal, depois de dezenove anos, Rafael, Felipe, Kiko, Edu e Aquiles estavam ali juntos novamente. Não importavam deslizes, erros ou mesmo ausências – o que realmente importava era que todos estavam reunidos outra vez, em paz entre si e com os rancores do passado deixados de lado. Foi uma verdadeira reunião, como o próprio espetáculo se propõe, privilegiando os clássicos de Rebirth, que neste ano completa 25 anos. O público pôde celebrar músicas como Nova Era, Millennium Sun, Heroes of Sand, Acid Rain e a faixa-título, além de outros clássicos dessa fase, como Waiting Silence, Ego Painted Grey, a mais pop Bleeding Heart – embalada por um mar de luzes que parecia alcançar até a estação Barra Funda do metrô – e Spread Your Fire.
Já o terceiro e último ato começou de forma emocionante, com uma homenagem ao saudoso Andre Matos. Um vídeo foi exibido mostrando o vocalista na época em que ainda integrava a banda, durante um show no Japão, acompanhado da primeira parte de Silence and Distance, inicialmente executada de forma mecânica, antes de Alírio Netto e Edu Falaschi – que dividiram os vocais –, ao lado de Marcelo Barbosa, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt – protagonizando a primeira aparição do grupo com três guitarristas, algo muito aguardado pelos fãs –, Felipe Andreoli e Bruno Valverde darem continuidade à música. Ainda houve tempo para a formação Nova Era – como é conhecida o line-up responsável pelos álbuns Rebirth (2001), Temple of Shadows (2004) e Aurora Consurgens (2006) – retornar ao palco em Late Redemption, com Alírio dividindo os vocais novamente com Edu. A célebre Carry On, com todos reunidos no palco, encerrou um show que, mesmo antes de acontecer, já havia entrado para a história, deixando a expectativa de que essa reunião volte a acontecer mais vezes.
O Bangers Open Air vem, ano após ano, se consolidando como um dos principais festivais de música do país. Isso simboliza um sentimento de orgulho, pois o heavy metal segue mostrando seu devido valor em uma terra onde, muitas vezes, estilos mais fúteis recebem maior atenção.
Em especial nesta edição, tanto o público que acompanha o festival desde a primeira realização quanto aqueles que tiveram a oportunidade de vivenciar essa experiência pela primeira vez demonstraram um apoio incomensurável. Afinal, esta quarta edição foi uma das mais difíceis de ser realizada devido a algumas baixas na organização, mas, felizmente, resistiu a todas as adversidades graças ao apoio massivo do público, que compareceu em peso nos dois dias e quase levou o festival ao sold out, algo inédito em relação às edições anteriores.
Agora, resta a expectativa e a ansiedade para 2027, que certamente promete ser novamente uma experiência memorável para os fãs de música pesada.
Realização: Bangers Open Air
Press: Agência Taga
Nevermore – setlist:
Narcosynthesis
Enemies of Reality
The River Dragon Has Come
Beyond Within
Inside Four Walls
Engines of Hate
My Acid Words
Born
Amaranthe – setlist:
Fearless
Viral
Digital World
Damnation Flame
Maximize
Strong
PvP
The Catalyst
Chaos Theory
Amaranthine
The Nexus
Call Out My Name
Archangel
That Song
Drop Dead Cynical
Winger – setlist:
Stick the Knife In and Twist
Seventeen
Can't Get Enuff
Down Incognito
Miles Away
Rainbow in the Rose
Time to Surrender
Headed for a Heartbreak
Easy Come Easy Go
Madalaine
Smith/Kotzen – setlist:
Life Unchained
Black Light
Wraith
Blindsided
Taking My Chances
Darkside
Got a Hold on Me
Within Temptation – setlist:
We Go to War
The Howling
Stand My Ground
Bleed Out
Ritual
In the Middle of the Night
The Heart of Everything
Faster
Wireless
Lost
Forsaken
Paradise (What About Us?)
Don't Pray for Me
Ice Queen
Mother Earth
White Noise
Scars
Running
Wasted Years
Angra – setlist:
Ato I
Nothing to Say
Angels Cry
Tide of Changes - Part I e Part II
Lisbon
Vida seca
Wuthering Heights
Carolina IV
Ato II
Nova Era
Waiting Silence
Millennium Sun
Heroes of Sand
Ego Painted Grey
Bleeding Heart
Spread Your Fire
Acid Rain
Rebirth
Ato III
Silence and Distance
Late Redemption
Carry On

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