sábado, 9 de maio de 2026

Herege: Cru, hostil e insano

Por: Renato Sanson

O underground brasileiro segue mostrando sua força, e em 2025 um dos nomes que surge carregando a chama mais obscura do Black Metal nacional é o Herege. Oriunda de São Paulo e capitaneada pelo músico Fernando Iser, a banda estreia com Blood War Extermination, um álbum que abandona qualquer polimento excessivo para mergulhar de cabeça na sujeira e na agressividade do Black Metal noventista.

Conhecido por sempre flertar com a vertente mais grega do estilo, Iser apresenta aqui uma faceta muito mais crua, direta e visceral. O resultado é um disco que soa como um verdadeiro ataque nuclear sonoro, remetendo imediatamente à essência do Black Metal dos anos 90, quando o caos e a atmosfera falavam mais alto do que qualquer perfeccionismo técnico.

Formado pelo duo Iser (vocal, guitarra e baixo) e Insulter (bateria), o Herege constrói uma parede sonora intensa e sem concessões. A bateria de Insulter merece destaque absoluto: suas linhas parecem um tanque de guerra avançando sem freios, destruindo tudo pelo caminho com peso, velocidade e brutalidade. Cada virada reforça ainda mais a aura bélica e destrutiva que domina o álbum.

As guitarras carregam riffs cortantes e sombrios, trazendo aquela sensação gelada e sufocante tão característica do Black Metal underground. A produção propositalmente áspera reforça a identidade raw do trabalho e ajuda a transportar o ouvinte diretamente para a atmosfera obscura que o Herege busca construir.

Liricamente, Blood War Extermination abraça sem medo a temática anticristã, elemento clássico e fundamental do estilo. O disco respira blasfêmia, guerra e escuridão do começo ao fim, mantendo viva a essência mais primitiva e agressiva do Black Metal.

Sem reinventar a roda, mas também sem soar datado, o Herege entrega um debut honesto, violento e extremamente fiel às raízes do gênero. Blood War Extermination é um verdadeiro tributo ao espírito do Black Metal underground dos anos 90. Cru, hostil e carregado de ódio.

Para os apreciadores do raw Black Metal e da velha escola extrema, este debut é uma audição obrigatória.

2 comentários:

Anônimo disse...

🤘🤘🤘

Michelle Felizarda disse...

Quanto mais anticristão, melhor! Ahaha Parabéns ao Herege pelo trabalho incrível!