O supergrupo Left To Die, liderado pelos ex-integrantes do Death Rick Rozz e Terry Butler, retornou à capital paulista para revisitar os primeiros anos de um dos nomes mais importantes da história do death metal. Em primeira mão no Brasil, a banda apresentou o álbum "Initium Mortis", de 2026, trabalho que reúne regravações em tributo à fase embrionária do Death e do Mantas. Ao lado de Cemitério e Flagelador, responsáveis pelas apresentações de abertura, o grupo protagonizou uma noite dedicada à música pesada, conectando diferentes gerações do metal extremo diante de um excelente público que lotou a Burning House no último dia 9.
Responsável por abrir a noite, o Cemitério entrou no palco sem precisar de muito tempo para estabelecer sua atmosfera de horror e metal extremo. Com Hugo Golon nos vocais e baixo, Douglas Gatuso na guitarra e Guilherme Fructuoso na bateria, o trio paulistano apresentou seu death/thrash metal de inspiração cinematográfica em uma sequência que começou com "Massacre no Texas" e passou por "Tara Diabólica", "Oãxiac Odèz", "O Dia de Satã" e "A Sentinela dos Malditos", mantendo a agressividade e o peso característicos da banda. A temática de filmes de terror continuou em "Sexta-feira 13", "Holocausto Canibal", "Natal Sangrento", "A Volta dos Mortos Vivos" e "A Vingança de Cropsy", enquanto "Quadrilha de Sádicos" mostrou novamente a facilidade com que o grupo transforma seus refrões em momentos de participação dos fãs. O público acompanhou e cantou as músicas, deixando claro que aquelas composições já são conhecidas do underground paulista. A escolha de "Damien", versão para o clássico do Taurus, acrescentou uma conexão especial com a história do metal brasileiro, antes de "Pague para Entrar, Reze para Sair" fechar o set. O resultado foi que o Cemitério ocupou seu espaço com personalidade própria, unindo death metal old school, referências ao cinema de horror e letras em português em uma apresentação que encontrou um público pronta para cantar cada verso.
Em seguida, O Flageladör mostrou por que se tornou uma das referências do speed/thrash metal brasileiro, apostando em uma apresentação direta, veloz e sem qualquer pudor. Com Armando Exekutor nos vocais e guitarra, Alan Magno no baixo, Junior Bzrra na guitarra e Vinícius Talamonte na bateria, a banda atravessou seu repertório como uma máquina de riffs, passando por "Ultimatum/Flageladör", "Perseguir e Exterminar", "Cruzada ao Lado de Satã" e "Expresso para o Inferno", sem dar espaço para a pista respirar. O público não apenas acompanhou a apresentação, mas cantou praticamente todas as músicas, transformando "A Noite do Ceifador", "Carnificina", "Unidos pelo Metal" e "Forjado em Aço e Fogo" em momentos de intensa participação. A sequência final, com "Assalto da Motosserra", "Obcecado por Sangue", "Queimando nas Chamas do Heavy Metal", "Máxima Voltagem", "Nas Minhas Veias Corre Fogo" e "Ao Vivo no Inferno", consolidou o caráter de celebração underground da apresentação, com a banda mantendo a velocidade e o peso até o último riff.
Era chegada a hora dos anfitriões. Formado por músicos diretamente ligados aos primeiros anos do Death, o Left To Die reúne Rick Rozz e Terry Butler, integrantes da formação clássica responsável pelos registros Scream Bloody Gore (1987) e Leprosy (1988), fundamentais no início da carreira de Chuck Schuldiner. Além de Matt Harvey, nos vocais e guitarra, e Vinicius Talamonte, do Flagelador, que assumiu a bateria nesta apresentação, a formação contou com a substituição de Gus Rios, que sofreu um descolamento de retina durante a turnê. Mesmo diante da mudança de última hora, o que se viu no palco foi uma performance intensa, pesada e fiel à sonoridade que ajudou a estabelecer os alicerces do death metal.
A atmosfera já começou pesada antes mesmo da primeira música, quando a sonoridade sombria de "E5150", do Black Sabbath, serviu como introdução para o que viria a seguir. A abertura com "Infernal Death" proporcionou uma verdadeira explosão, fazendo as primeiras rodas se abrirem imediatamente na pista. "Mutilation" manteve a pressão, enquanto "Leprosy" trouxe um dos primeiros momentos de interação com o público. "É muito bom estar de volta", declarou Matt Harvey, antes de perguntar se os fãs conheciam quem estava na bateria. A resposta veio em forma de gritos para Vinicius Talamonte. Em seguida, Harvey pediu aplausos para Rick Rozz, apresentado como "o cara que escreveu a bíblia do Death Metal". O guitarrista foi recebido calorosamente pelos fãs.
"Primitive Ways" manteve a pancadaria e ganhou uma dedicatória especial, já que aquele era o último show da banda no Brasil. Matt aproveitou o momento para dedicar a música às bandas brasileiras Cemitério e Flagelador. Na sequência, o Left To Die deixou de lado momentaneamente o repertório do Death para revisitar "Legion of Doom", do Mantas, projeto que antecedeu a formação do Death e que faz parte do álbum Initium Mortis, de 2026. A viagem pelas raízes da banda continuou com "Scream Bloody Gore", introduzida por uma provocação de Matt Harvey: "Vocês se lembram do nome do primeiro disco do Death?". A pergunta foi rapidamente respondida pela explosão dos fãs diante de um dos maiores clássicos daquela primeira fase.
A partir de "Death by Metal", outra composição do período do Mantas, a pista da Burning House pareceu entrar em estado de completo caos. As rodas ficaram ainda mais intensas, transformando o espaço em um verdadeiro pandemônio. "Corpse Grinder" chegou com sua violência sonora, e "Left to Die" foi acompanhada em alto e bom som pelo público, que cantou o refrão com a banda. Antes de "Zombie Ritual", Matt Harvey voltou a provocar os fãs: "São Paulo, vocês detonam! Ouvi vocês cantando a última, então essa quero ouvir mais alto ainda". O pedido foi atendido prontamente, com o público reproduzindo as melodias iniciais da guitarra e agitando intensamente ao som de mais um clássico absoluto.
No encore, "Pull the Plug" elevou novamente a temperatura da Burning House. "O espírito do Chuck Schuldiner ainda está vivo em São Paulo?", perguntou Matt, provocando uma resposta imediata dos fãs, que passaram a gritar o nome de Chuck em homenagem ao fundador do Death. Para encerrar a apresentação, "Evil Dead" completou uma noite dedicada às raízes mais primitivas e agressivas da banda. Mais do que simplesmente reproduzir músicas de um período histórico, o Left To Die proporcionou ao público a oportunidade de ouvir ao vivo uma sonoridade que ajudou a moldar o death metal em seus primeiros anos. Com Rick Rozz e Terry Butler representando diretamente aquela história, Matt Harvey conduzindo a apresentação e Vinicius Talamonte assumindo a bateria em uma situação inesperada, o grupo entregou uma celebração visceral da fase inicial do Death, deixando a Burning House tomada pela energia de um público que conhece e reverencia cada detalhe dessa história.
Existem mudanças de formação que alteram uma banda. E existem aquelas que colocam em xeque a própria identidade construída ao longo de décadas. Para o Schandmaul, Sternensegler nasce exatamente nesse território delicado. Lançado em 11 de setembro de 2026 pela Napalm Records, o décimo segundo álbum de estúdio do grupo alemão marca a estreia de Till Herence como vocalista principal, enquanto Thomas Lindner, voz que durante mais de duas décadas esteve no centro da personalidade da banda, permanece no Schandmaul assumindo piano, teclados, violão e acordeão.
A primeira impressão, porém, não é de ruptura. É de movimento. Quando Nimm alles mit entra, a sensação é de que o Schandmaul deliberadamente escolheu não transformar esse novo capítulo em um manifesto melancólico. O álbum começa imediatamente, com guitarras, elementos folk e uma energia que aponta para frente. E isso é importante: Sternensegler não tenta esconder que existe uma nova voz, mas também não parece interessado em pedir desculpas por ela.
Till Herence tem uma voz mais clara e menos áspera que a de Lindner. Isso muda a temperatura das músicas. Em alguns momentos, o resultado se aproxima mais do folk rock melódico e até de uma linguagem pop-rock; em outros, especialmente quando as guitarras ganham espaço, essa suavidade se transforma em uma vantagem. O instrumental continua reconhecível: violino, flautas, gaita de foles, viela de roda, alaúdes e as diferentes guitarras dividem espaço com uma cozinha rítmica que mantém o disco em movimento.
O grande mérito de Sternensegler está justamente nessa negociação. O Schandmaul não soa como uma banda tentando recriar artificialmente o passado. Mas também não está reinventando sua linguagem do zero. E é nessa zona intermediária que o álbum encontra sua personalidade.
1. Nimm alles mit
Nimm alles mit já começa com aquela combinação característica de rock e instrumentos tradicionais, mas a voz de Herence muda imediatamente a percepção do conjunto. Ele canta com uma clareza que deixa as melodias mais abertas, enquanto a instrumentação cria a sensação de estrada, movimento e recomeço.
É uma escolha muito inteligente para abrir o álbum porque a música não fica presa ao peso da mudança. Existe uma espécie de urgência positiva nela, como se a banda dissesse que, depois de tudo, ainda existe muito para viver.
Thomas Lindner contou que a música foi escolhida para a abertura justamente porque, quando todas as faixas estavam reunidas, ela se apresentou como uma escolha natural: começa imediatamente, tem energia rock'n'roll e carrega uma mensagem positiva. Musicalmente, é um excelente cartão de visitas para a nova formação.
2. Sternensegler
A faixa-título diminui um pouco a velocidade, mas aumenta a sensação de amplitude. O Schandmaul trabalha aqui com uma construção mais atmosférica, e os instrumentos folk aparecem como parte essencial da arquitetura da música.
O que mais chama atenção é a maneira como a voz de Herence se encaixa nesse espaço. Existe leveza, mas não fragilidade. O refrão tem aquela característica de música que parece feita para ser cantada por um público inteiro, enquanto as guitarras e os elementos tradicionais dão profundidade à composição.
A faixa também funciona como uma espécie de declaração estética do álbum: olhar para o futuro sem abandonar as próprias raízes. É uma música bastante acessível, mas não descartável, principalmente porque a instrumentação impede que ela caia em uma estrutura pop genérica.
3. Beide Füße in der Luft
Aqui o álbum começa a mostrar um lado mais irreverente. Beide Füße in der Luft tem uma energia mais saltitante e uma presença rítmica que deixa a música consideravelmente mais física. É uma das faixas em que o novo vocalista parece mais confortável em assumir a própria personalidade, sem precisar carregar o fantasma da voz anterior.
A guitarra ganha importância, os elementos medievais ficam mais evidentes e o arranjo cria uma espécie de movimento circular que combina perfeitamente com o título. Há também um toque mais próximo do rock tradicional, o que faz a faixa funcionar como uma pequena quebra dentro da sequência inicial.
4. Flagge
Se existe uma faixa que dá ao álbum uma espinha dorsal mais firme, é Flagge. A banda assume uma postura política direta contra o extremismo de direita e o discurso de ódio, mas sem abandonar a característica melódica que sempre esteve no centro do Schandmaul. A música tem uma pegada mais roqueira, com guitarras mais presentes e uma estrutura que privilegia impacto e refrão.
E é justamente aqui que a nova voz funciona particularmente bem. Herence canta com precisão e deixa as palavras muito expostas. Não existe necessidade de exagerar na interpretação porque o arranjo já entrega a força necessária. O resultado é um dos momentos mais marcantes de Sternensegler, justamente por unir mensagem, melodia e peso sem transformar a música em um panfleto.
5. Nosferatu
Nosferatu muda novamente o cenário e coloca o Schandmaul em uma atmosfera mais cinematográfica. A música tem uma construção mais teatral, com os instrumentos folk criando imagens quase imediatamente. É fácil visualizar uma narrativa acontecendo enquanto a faixa avança, e esse é um dos grandes diferenciais do grupo: mesmo quando a produção é moderna e limpa, existe uma preocupação evidente em construir ambientes.
Os elementos tradicionais aparecem com bastante personalidade, enquanto as guitarras seguram a estrutura rock. A faixa é longa o suficiente para desenvolver sua ideia sem parecer apressada, e os arranjos fazem diferença especialmente nos momentos em que a música ganha dimensão.
6. Wo Sprache aufhört
Aqui o disco entra em uma região mais delicada. Wo Sprache aufhört é construída sobre uma melodia extremamente acessível e uma interpretação mais emocional de Herence. O refrão tem forte potencial de permanência e, justamente por isso, é uma das faixas mais fáceis de imaginar funcionando ao vivo.
Mas também é um dos momentos em que Sternensegler chega mais perto do limite entre folk rock e pop-rock. A composição funciona porque o Schandmaul sabe preencher essa estrutura com instrumentos tradicionais. Sem eles, provavelmente seria uma música muito mais convencional. Com eles, ganha identidade suficiente para permanecer dentro do universo da banda.
7. In der Hand
Depois da delicadeza anterior, In der Hand recoloca o corpo do álbum em movimento. A percussão ganha destaque e existe uma sensação de balanço muito mais pronunciada. As melodias folk aparecem de maneira particularmente viva, e a faixa demonstra como o Schandmaul consegue fazer instrumentos tradicionais dialogarem com uma estrutura de rock sem que um lado pareça estar apenas acompanhando o outro.
É uma música extremamente eficiente na construção de clima. Também é aqui que se percebe como a produção de Sternensegler privilegia clareza. Cada instrumento encontra seu espaço, mas a sonoridade não fica excessivamente separada. O resultado é um álbum grande, limpo e contemporâneo, sem eliminar as características acústicas que fazem o grupo ser reconhecido.
8. An beiden Enden
An beiden Enden retorna à atmosfera mais contemplativa do disco. A música tem uma construção que privilegia a melodia e a interpretação vocal, e Herence novamente se beneficia da característica mais clara de sua voz. Ele não tenta reproduzir o peso de Lindner; trabalha com outra dinâmica, deixando as notas respirarem mais.
É uma escolha interessante dentro da sequência porque funciona como uma ponte entre a parte mais energética do álbum e a reta final, que começa a ficar progressivamente mais emocional.
9. Lass nicht los
Aqui o Schandmaul volta a acertar em cheio no refrão. Lass nicht los combina uma interpretação vocal mais expansiva com violino e uma construção melódica extremamente eficiente. É uma daquelas faixas em que a banda consegue ser sentimental sem abandonar completamente o caráter festivo.
A voz de Herence funciona especialmente bem nesse contexto porque existe espaço para ele trabalhar intensidade. Em vez de tentar competir com a instrumentação, ele deixa a melodia conduzir a música.
10. Trag Dich
Trag Dich é a balada declaradamente sentimental do disco. E aqui é preciso reconhecer que o Schandmaul não tenta esconder o romantismo. A música é direta, emocional e deliberadamente delicada. Herence interpreta tudo com bastante controle, evitando transformar a faixa em um exercício vocal exagerado.
11. Zwei Raben feat. Laura Fella
E então chega a música que transforma o encerramento em acontecimento. Zwei Raben já começa em uma atmosfera muito mais frágil, sustentada por elementos folk e pela participação de Laura Fella, do Faun. A entrada da cantora cria imediatamente um contraste interessante com Herence, e a música ganha uma dimensão quase narrativa.
O mais importante, entretanto, é a progressão. A faixa não entrega seu impacto imediatamente. Ela cresce. Primeiro existe intimidade, depois os instrumentos começam a ocupar mais espaço e, quando as guitarras entram com força, o encerramento assume proporções épicas.
A escolha também carrega história: Zwei Raben já havia aparecido no projeto WETO, no álbum Schattenspieler, de 2011, e agora é incorporada ao universo do Schandmaul com uma nova roupagem e a participação de Fella.
É um daqueles casos em que a última faixa não parece simplesmente colocada no fim da tracklist. Ela foi pensada para encerrar o percurso. E funciona.
Depois de mais de duas décadas construindo uma identidade própria dentro do power metal europeu, o Firewind decide olhar para suas próprias raízes culturais em Gods, Myths & Titans. Inspirado pela mitologia grega, o álbum transforma deuses, heróis, batalhas e tragédias em matéria-prima para um trabalho conceitual que amplia a dimensão épica da banda sem abandonar os elementos que a tornaram reconhecível.
A ambição fica evidente desde “Prologue Sacrifice”, introdução instrumental orquestrada que abre caminho para “Firegod”. A transição deixa claro que, embora o Firewind tenha investido em uma atmosfera mais cinematográfica, sua essência continua intacta: riffs velozes, refrãos melódicos, coros e, acima de tudo, a guitarra de Gus G., que permanece como um dos principais motores da banda.
“Firegod” e “I Will Sail On” estabelecem rapidamente essa linguagem. São faixas que dialogam diretamente com o power metal que os fãs esperam do Firewind, mas encontram espaço para backing vocals e arranjos que ampliam sua dimensão. A voz de Henning Basse, de volta à banda, também merece atenção. Mais áspera e encorpada do que o padrão vocal associado ao power metal mais tradicional, sua interpretação acrescenta personalidade às composições e funciona particularmente bem quando o material exige maior dramaticidade.
É nesse contexto que “The Legend Of Achilles”, primeiro single, ganha importância. A faixa funciona como a síntese mais imediata da proposta do álbum: peso, velocidade, melodias marcantes e uma atmosfera cinematográfica que transforma a narrativa de Aquiles em um épico de arena. O refrão possui aquela característica essencial ao gênero — fácil assimilação e vocação para ser devolvido pelo público em uníssono — enquanto Gus G. alterna precisão técnica e musicalidade sem transformar o virtuosismo em mero exercício de exibicionismo.
Mais importante, o single estabelece a principal questão que acompanha o restante do disco: até que ponto os elementos orquestrais e cinematográficos conseguem expandir a linguagem do Firewind sem simplesmente ornamentar uma fórmula já conhecida? A resposta, felizmente, é mais complexa do que um simples sim ou não.
“Cries Of A Mortal” é um dos melhores exemplos dessa tentativa de equilíbrio. Mais cadenciada e construída sobre diferentes camadas, a faixa deixa o power metal respirar em vez de depender exclusivamente da velocidade. As mudanças de clima e os backing vocals bem trabalhados acrescentam profundidade à composição, enquanto a banda funciona como um conjunto — algo particularmente importante em um álbum no qual Gus G. naturalmente poderia dominar todos os espaços.
Quando o Firewind acelera novamente, como em “Queen Of The Underworld”, a fórmula tradicional volta a ocupar o centro do palco. A faixa é direta, veloz e repleta de oportunidades para Gus G. demonstrar sua técnica, mas também revela um dos poucos momentos em que o álbum parece simplesmente revisitar territórios já conhecidos. Não chega a comprometer o conjunto, mas sua presença evidencia que a ambição conceitual nem sempre resulta em uma renovação equivalente da linguagem musical.
A influência do power metal europeu é onipresente, mas o Firewind não se limita a um único modelo. “Under Aegean Skies” remete claramente à tradição de bandas como Stratovarius, tanto pelo timbre das guitarras quanto pela construção melódica, enquanto os teclados assumem papel importante na arquitetura da faixa. Já “A King Dethroned” adiciona uma tonalidade mais próxima do hard rock e do heavy metal tradicional, com ecos de Scorpions em seu andamento mais cadenciado e nos refrãos acessíveis.
Essas referências, entretanto, aparecem mais como ingredientes do que como cópias. E é justamente essa variedade que impede Gods, Myths & Titans de se transformar em um exercício excessivamente previsível dentro do power metal. Os solos de Gus G. também ajudam nesse processo: em determinados momentos aproximam-se do erudito, em outros mergulham diretamente no metal, mas quase sempre permanecem subordinados à composição.
“Unbreakable” acrescenta outra peça importante ao álbum: a power ballad. Depois de tanta velocidade e grandiosidade, a faixa começa de maneira mais delicada, apoiada por arranjos orquestrais que criam uma atmosfera quase cinematográfica. Henning Basse apresenta aqui uma faceta mais limpa e contida, enquanto a guitarra de Gus G. traz à tona uma influência evidente de Yngwie J. Malmsteen. O crescimento gradual da composição desemboca em um refrão acompanhado por um belo coral, funcionando como contraponto necessário à avalanche sonora que domina boa parte do disco.
E então chega “Titans Fall”, encerrando a parte musical do álbum antes do epílogo. É provavelmente o momento em que a proposta de Gods, Myths & Titans encontra sua forma mais completa. Cinematográfica desde os primeiros segundos, a faixa reúne coros, melodias grandiosas, peso e um refrão construído para ser cantado coletivamente. Gus G. entrega outro solo de destaque, desta vez acompanhado por um coral que reforça a sensação de clímax. O epílogo instrumental prolonga essa atmosfera e conduz o álbum a um encerramento coerente com sua proposta conceitual.
No final, Gods, Myths & Titans funciona justamente porque o Firewind não tenta abandonar aquilo que sabe fazer para provar que está fazendo algo diferente. A mitologia grega fornece o cenário e a narrativa; as orquestrações e os elementos cinematográficos ampliam a escala; mas a essência continua sendo o power metal melódico, as grandes melodias, os refrãos e a guitarra de Gus G.
O álbum também ganha força com a presença de Henning Basse, cuja voz acrescenta uma camada mais agressiva e dramática às composições. E embora algumas faixas permaneçam próximas demais da fórmula tradicional do gênero, o conjunto encontra variedade suficiente em seus arranjos, mudanças de andamento e referências para evitar que a audição se torne monótona.
Há, portanto, uma coerência interessante entre tema e música. Afinal, poucos grupos poderiam contar uma história sobre deuses, mitos e titãs com tanta propriedade quanto uma banda originária da própria Grécia. O Firewind transforma esse patrimônio cultural em combustível para um álbum que privilegia a grandiosidade sem abrir mão da musicalidade.
Gods, Myths & Titans não representa uma ruptura radical na trajetória do Firewind — e talvez nem precise. É, antes, uma expansão consciente de sua identidade, na qual a banda encontra novas dimensões para uma linguagem que domina há anos. Para os fãs do grupo e do power metal melódico, é uma viagem que entrega peso, técnica, melodias e, acima de tudo, uma boa dose de épica sem perder o prazer de simplesmente ouvir uma grande banda de metal tocando no limite de suas possibilidades.
***ENGLISH VERSION***
After more than two decades of forging their own identity within European power metal, Firewind turn to their cultural roots on Gods, Myths & Titans. Inspired by Greek mythology, the album transforms gods, heroes, battles and tragedies into the raw material for a conceptual work that expands the band's epic dimension without abandoning the elements that have made them instantly recognizable.
The ambition is evident from the opening moments of “Prologue Sacrifice”, an orchestral instrumental that sets the stage for “Firegod”. The transition makes one thing clear: although Firewind have invested heavily in a more cinematic atmosphere, their essence remains intact — fast riffs, melodic choruses, layered backing vocals and, above all, the guitar work of Gus G., which remains one of the band's defining forces.
“Firegod” and “I Will Sail On” quickly establish this musical language. Both tracks embrace the power metal formula Firewind fans expect, while leaving room for carefully arranged backing vocals and additional layers that broaden their scope. Henning Basse, returning to the band, also deserves particular attention. His voice is rougher and more muscular than the style traditionally associated with classic power metal, giving the songs an added sense of character and working particularly well when the material calls for greater dramatic weight.
It is within this context that “The Legend Of Achilles”, the album's first single, becomes particularly significant. The track serves as the clearest statement of intent on Gods, Myths & Titans: weight, speed, memorable melodies and a cinematic atmosphere that turns the story of Achilles into an arena-sized epic. Its chorus has precisely the quality the genre demands — immediate, accessible and seemingly designed to be sung back by a crowd — while Gus G.
balances technical precision with musicality, never allowing virtuosity to become an exercise in showing off.
More importantly, the single establishes the central question that follows the album throughout: to what extent can orchestral and cinematic elements expand Firewind's musical vocabulary without merely decorating a formula they already know inside out? Fortunately, the answer is more complex than a simple yes or no.
“Cries Of A Mortal” provides one of the clearest examples of this balancing act. More measured and built around multiple layers, the track allows the power metal to breathe rather than relying exclusively on speed. Its shifts in mood and carefully arranged backing vocals add depth, while the band works effectively as a unit — something particularly important on an album where Gus G. could easily dominate every available space.
When Firewind accelerate again, as on “Queen Of The Underworld”, the band's traditional formula moves back to the forefront. The track is direct, fast and filled with opportunities for Gus G. to showcase his technique, but it also represents one of the few moments when the album seems content to revisit familiar territory. It does not undermine the record, but its presence makes it clear that the conceptual ambition does not always translate into an equally significant musical departure.
The influence of European power metal is omnipresent, but Firewind are not confined to a single template. “Under Aegean Skies” clearly echoes the tradition of bands such as Stratovarius, both in its guitar tones and melodic construction, while the keyboards play an important role in shaping the track. “A King Dethroned”, meanwhile, introduces a more traditional heavy metal and hard rock flavor, with echoes of Scorpions in its more measured pace and accessible chorus.
These references, however, function more as ingredients than as blueprints. And that distinction is important. The album's variety helps prevent Gods, Myths & Titans from becoming an overly predictable exercise in power metal orthodoxy. Gus G.'s solos contribute to that sense of movement as well: at times they lean toward the classical, at others they plunge headfirst into metal, but they remain largely at the service of the compositions.
“Unbreakable” adds another essential piece to the album: the power ballad. After so much speed and grandeur, the track begins on a gentler note, supported by orchestral arrangements that create an almost cinematic atmosphere. Henning Basse reveals a cleaner and more restrained side here, while Gus G.'s guitar work brings an unmistakable Yngwie J. Malmsteen influence to the surface. The gradual build leads to a chorus enhanced by a beautiful choir, providing a necessary counterpoint to the sonic assault that dominates much of the record.
Then comes “Titans Fall”, closing the musical body of the album before the epilogue. It is arguably the point at which the concept of Gods, Myths & Titans reaches its fullest expression. Cinematic from the opening seconds, the track brings together choirs, grand melodies, weight and a chorus built for communal singing. Gus G. delivers another standout solo, this time framed by a magnificent choir that reinforces the sense of climax. The orchestral epilogue extends that atmosphere and brings the album to a conclusion consistent with its conceptual framework.
Ultimately, Gods, Myths & Titans works because Firewind do not attempt to abandon what they do best simply to prove that they are doing something different. Greek mythology provides the setting and narrative; the orchestration and cinematic elements increase the scale; but the essence remains melodic power metal, driven by strong melodies, memorable choruses and the unmistakable guitar work of Gus G.
The album is further strengthened by the return of Henning Basse, whose voice adds a more aggressive and dramatic layer to the compositions. And although some tracks remain close to the genre's established formula, the combination of different arrangements, tempo changes and musical references provides enough variety to keep the record from becoming predictable.
There is an appealing coherence between theme and music here. After all, few bands could tell a story about gods, myths and titans with quite the same sense of cultural connection as a group originating from Greece itself. Firewind turn that heritage into fuel for an album that embraces grandeur without sacrificing musicality.
Gods, Myths & Titans does not represent a radical break with Firewind's past — nor does it need to. Instead, it is a deliberate expansion of an identity the band have spent years refining, finding new dimensions within a language they already know exceptionally well. For Firewind fans and devotees of melodic power metal, it is a journey that delivers weight, technique, melody and, above all, the sheer pleasure of hearing a great metal band pushing its sound toward the epic without losing sight of what made it compelling in the first place.
Quatro décadas depois de The Final Countdown, o Europe poderia simplesmente viver de seu passado. E ninguém poderia culpá-lo por isso. Em vez disso, a banda escolhe olhar para o presente, colocando peso, ambição e uma inquietação quase inesperada em um álbum que talvez seja uma das demonstrações mais claras de sua vitalidade nos últimos anos.
É preciso coragem para desafiar o próprio legado. Poucas bandas carregam um hino tão monumental quanto “The Final Countdown” — e menos ainda conseguem sobreviver por quatro décadas sem se tornarem prisioneiras dele. O Europe poderia facilmente passar o resto da carreira celebrando suas glórias. Em vez disso, prefere continuar avançando.
É desse confronto entre passado e presente que nasce Come This Madness. Joey Tempest e companhia olham para um mundo cada vez mais turbulento e respondem com peso, tensão e, acima de tudo, personalidade. Produzido por Tom Dalgety e gravado em Estocolmo, o álbum conta com participações de Tobias Forge (Ghost) e Mikael Åkerfeldt (Opeth), além da experiência de Mike Fraser na mixagem. Mais do que reunir nomes importantes, entretanto, essa equipe ajuda a construir uma sonoridade que permite ao Europe soar atual sem apagar aquilo que o transformou em uma das bandas fundamentais do hard rock europeu.
E a intenção fica clara logo nos primeiros segundos. “One on One” não é apenas a abertura de Come This Madness; é uma declaração de princípios. O riff pesado, o baixo pulsante e a bateria de Ian Haugland empurram a música para frente, colocando a banda em uma posição mais agressiva do que aquela normalmente associada à sua imagem mais conhecida. Os teclados de Mic Michaeli continuam presentes, assim como a melodia característica e a voz inconfundível de Joey Tempest, mas tudo aparece revestido por uma produção mais encorpada e contemporânea. É como se o Europe dissesse, antes mesmo de o álbum começar de fato: não estamos aqui para repetir “The Final Countdown”.
Se “One on One” funciona como um cartão de visitas, “The Cult of Ignorance” elimina qualquer dúvida sobre as intenções do grupo. Mais pesada e carregada de tensão, a faixa amplia a atmosfera estabelecida pela abertura e mostra uma banda confortável em explorar seu lado mais contundente. John Norum assume as guitarras com a autoridade de quem não precisa provar absolutamente nada, enquanto Michaeli acrescenta camadas e profundidade sem suavizar o impacto. Tempest, por sua vez, entrega a letra com uma combinação de indignação e controle que reforça a sensação de urgência.
É aqui que Come This Madness começa a revelar algo além de sua força musical. “The Cult of Ignorance” transforma a inquietação sonora em comentário sobre o presente, abordando ignorância, intolerância e as tensões de uma sociedade cada vez mais polarizada. Não é uma banda veterana tentando parecer jovem ou agressiva; é uma banda usando a experiência acumulada para falar sobre um mundo que mudou radicalmente desde os anos 1980. A sequência das duas primeiras faixas é reveladora: primeiro o Europe reafirma que ainda sabe soar poderoso; em seguida, demonstra que ainda tem algo a dizer.
Mas Come This Madness não vive apenas de peso e tensão. O Europe continua sendo, antes de tudo, uma banda de canções — e é justamente quando as guitarras cedem espaço para melodias mais elaboradas que sua experiência se torna ainda mais evidente. A banda conhece o valor de um bom refrão, sabe construir tensão antes de liberá-la e entende que uma grande composição não precisa necessariamente de velocidade para causar impacto.
Esse equilíbrio entre contundência e melodia é uma das grandes virtudes do álbum. O Europe não precisa escolher entre ser pesado ou acessível. Transita entre esses dois universos com naturalidade, preservando sua identidade enquanto amplia suas possibilidades. Joey Tempest continua sendo um dos grandes intérpretes do hard rock europeu, mas sua performance aqui parece menos preocupada em demonstrar alcance e mais interessada em transmitir emoção e significado. Há maturidade em sua voz — não apenas técnica, mas também interpretativa.
Grande parte da personalidade do álbum está na interação entre John Norum e Mic Michaeli. Norum continua sendo um guitarrista que entende que um grande solo precisa estar a serviço da música, e não o contrário. Seus riffs dão ao disco boa parte de sua musculatura, enquanto os solos aparecem nos momentos certos, acrescentando tensão e emoção sem cair no exibicionismo. Michaeli, por outro lado, é quase um personagem invisível por trás da arquitetura do álbum. Seus teclados não estão ali simplesmente para reproduzir o Europe dos anos 1980; criam ambientes, acrescentam peso e ampliam a dimensão épica de determinadas passagens.
É justamente essa combinação que impede Come This Madness de se transformar em um simples exercício de hard rock tradicional. Há ecos evidentes das referências que sempre fizeram parte do DNA da banda — do hard rock britânico dos anos 1970 ao metal melódico europeu —, mas o Europe absorve essas influências sem parecer preso a nenhuma delas. O resultado é familiar, mas não acomodado; clássico, mas definitivamente não retrô.
Essa maturidade também aparece quando o grupo reduz a velocidade. Come This Madness não precisa permanecer permanentemente no modo “ataque”. Há espaço para atmosferas mais introspectivas e arranjos delicados, permitindo que o contraste entre força e vulnerabilidade se torne parte da dinâmica do álbum. É nesse terreno que o Europe demonstra que sua evolução ao longo das últimas décadas não foi apenas uma mudança de sonoridade, mas também de perspectiva.
A faixa-título leva essa proposta ainda mais longe. “Come This Madness” é uma das composições mais ambiciosas do disco, construída sobre mudanças de dinâmica e diferentes atmosferas. A música cresce, recua e volta a ganhar força, funcionando quase como uma síntese das intenções do álbum. Se existe um ponto menos convincente, está justamente em um de seus momentos de maior contenção: o trecho mais lento interrompe um pouco o fluxo antes que a composição retome sua intensidade. É uma escolha ousada, embora talvez pudesse ser ligeiramente mais enxuta.
Ainda assim, a ambição compensa. O Europe não está interessado em entregar apenas mais uma coleção de faixas eficientes. Existe uma tentativa clara de construir um álbum com identidade própria, no qual produção, arranjos, letras e performances caminham na mesma direção.
“Scandinavian Eyes” reforça essa impressão ao incorporar uma dimensão mais atmosférica e contemplativa.
A presença de Tobias Forge e Mikael Åkerfeldt nos vocais de apoio acrescenta uma camada simbólica particularmente interessante: dois artistas de gerações diferentes do rock sueco contribuindo para o trabalho de uma banda que ajudou a colocar o país definitivamente no mapa do hard rock internacional. O mérito, porém, está em como essas participações são incorporadas ao universo do Europe sem transformar os convidados em simples chamariz.
No conjunto, Come This Madness soa como o trabalho de uma banda que já não precisa provar que pertence à história. E talvez seja justamente por isso que consiga tocar com tanta liberdade. O Europe não tenta recuperar a juventude perdida, tampouco reproduzir uma fórmula que funcionou há 40 anos. Sua maior conquista aqui é outra: usar a experiência como ferramenta criativa, e não como justificativa para repetir o passado.
Isso não significa que o álbum seja uma ruptura radical. Quem acompanha a trajetória do Europe sabe que elementos do classic rock, do hard rock setentista e de suas próprias raízes continuam presentes. Algumas escolhas poderiam ser mais ousadas e nem todas as composições alcançam o mesmo nível de inspiração. Mas exigir uma reinvenção completa seria perder justamente aquilo que torna o disco interessante.
Come This Madness funciona porque entende a diferença entre identidade e repetição.
Quarenta anos depois de “The Final Countdown”, a pergunta mais importante já não é se o Europe consegue escrever outra música como aquela. Não consegue — e não precisa. O que importa é saber se ainda existe criatividade por trás do nome, se esses músicos ainda têm algo a dizer e se a banda ainda consegue entrar em estúdio com vontade de desafiar a própria zona de conforto.
A resposta está nas guitarras de Norum, nos teclados de Michaeli, na voz de Tempest, na bateria de Haugland, no baixo de Levén e, principalmente, na maneira como esses músicos transformam experiência em energia.
Come This Madness não é uma tentativa de voltar ao passado. É o Europe aceitando seu legado, colocando-o de lado por alguns instantes e perguntando o que ainda pode fazer com tudo o que aprendeu ao longo dessas quatro décadas.
E talvez essa seja a maneira mais apropriada de celebrar 40 anos de The Final Countdown: não olhando para trás, mas mostrando que a contagem regressiva ainda não terminou.
Andy Ford
***ENGLISH VERSION***
Four decades after The Final Countdown, Europe could simply live off its past. And no one could really blame them for doing so. Instead, the band chooses to look forward, bringing weight, ambition and an almost unexpected sense of restlessness to an album that may well be one of the clearest demonstrations of their vitality in recent years.
It takes courage to challenge your own legacy. Few bands carry a song as monumental as “The Final Countdown” — and even fewer manage to survive four decades without becoming prisoners of it. Europe could easily spend the rest of their career celebrating their glory days. Instead, they choose to keep moving forward.
It is from this confrontation between past and present that Come This Madness emerges. Joey Tempest and company look at an increasingly turbulent world and respond with weight, tension and, above all, personality. Produced by Tom Dalgety and recorded in Stockholm, the album features guest appearances from Tobias Forge (Ghost) and Mikael Åkerfeldt (Opeth), with Mike Fraser handling the mix. More than simply bringing together a collection of big names, however, this team helps create a sound that allows Europe to feel contemporary without erasing what made them one of the defining bands of European hard rock.
And the intention becomes clear within the first few seconds. “One on One” is not merely the opening track of Come This Madness; it is a statement of intent. The heavy riff, pulsing bass and Ian Haugland’s driving drums push the song forward, placing the band in a more aggressive territory than the image most commonly associated with them. Mic Michaeli’s keyboards are still there, as are the characteristic melodies and Joey Tempest’s unmistakable voice, but everything is wrapped in a fuller, more contemporary production. It is as if Europe is saying, before the album has even properly begun: we are not here to repeat “The Final Countdown”.
If “One on One” works as a calling card, “The Cult of Ignorance” leaves no doubt about the band’s intentions. Heavier and charged with tension, the track expands on the atmosphere established by the opener and shows a band entirely comfortable exploring its more forceful side. John Norum handles the guitars with the authority of a player who has nothing left to prove, while Michaeli adds layers and depth without taking away any of the impact. Tempest, meanwhile, delivers the lyrics with a combination of indignation and restraint that reinforces the sense of urgency.
This is where Come This Madness begins to reveal something beyond its musical strength. “The Cult of Ignorance” turns its musical unease into a comment on the present, addressing ignorance, intolerance and the tensions of an increasingly polarised society. This is not a veteran band trying to sound young or aggressive; it is a band using the experience it has accumulated to speak about a world that has changed dramatically since the 1980s. The sequence of the first two tracks is revealing: first, Europe reminds us that they still know how to sound powerful; then they show that they still have something to say.
But Come This Madness does not live on weight and tension alone. Europe remains, above all, a band built around songs — and it is precisely when the guitars make room for more elaborate melodies that their experience becomes even more apparent. They understand the value of a good chorus, know how to build tension before releasing it, and recognise that a great song does not necessarily need speed to make an impact.
That balance between punch and melody is one of the album’s greatest strengths. Europe does not have to choose between being heavy and accessible. They move naturally between the two worlds, preserving their identity while expanding their possibilities. Joey Tempest remains one of the great voices in European hard rock, but his performance here seems less concerned with demonstrating his range and more interested in conveying emotion and meaning. There is maturity in his voice — not merely technical maturity, but interpretive maturity as well.
Much of the album’s personality comes from the interplay between John Norum and Mic Michaeli. Norum remains a guitarist who understands that a great solo has to serve the song, not the other way around. His riffs provide much of the album’s muscle, while his solos arrive at the right moments, adding tension and emotion without slipping into unnecessary showmanship. Michaeli, meanwhile, is almost an invisible character behind the album’s architecture. His keyboards are not simply there to recreate Europe’s 1980s sound; they create atmosphere, add weight and broaden the epic dimension of certain passages.
It is precisely this combination that prevents Come This Madness from becoming just another exercise in traditional hard rock. There are clear echoes of the influences that have always been part of the band’s DNA — from 1970s British hard rock to European melodic metal — but Europe absorbs those influences without sounding trapped by any of them. The result is familiar, but never complacent; classic, but definitely not retro.
That maturity also becomes apparent when the band slows things down. Come This Madness does not need to remain permanently in attack mode. There is room for more introspective atmospheres and delicate arrangements, allowing the contrast between strength and vulnerability to become part of the album’s dynamics. It is in these moments that Europe demonstrates that its evolution over the past few decades has not simply been about changing its sound, but also about changing its perspective.
The title track takes that idea even further. “Come This Madness” is one of the album’s most ambitious compositions, built around shifts in dynamics and contrasting atmospheres. The song grows, pulls back and then gathers strength again, almost functioning as a summary of the album’s intentions. If there is a less convincing moment, it comes precisely during one of its most restrained passages: the slower section slightly interrupts the flow before the song regains its intensity. It is an ambitious choice, although perhaps one that could have been trimmed a little.
Still, the ambition pays off. Europe is not interested in delivering just another collection of efficient songs. There is a clear attempt to build an album with an identity of its own, one in which production, arrangements, lyrics and performances all move in the same direction.
“Scandinavian Eyes” reinforces that impression by introducing a more atmospheric and contemplative dimension.
The presence of Tobias Forge and Mikael Åkerfeldt on backing vocals adds an especially interesting symbolic layer: two artists from different generations of Swedish rock contributing to the work of a band that helped put Sweden firmly on the international hard rock map. The real achievement, however, lies in the way those appearances are incorporated into Europe’s universe without turning the guests into mere promotional attractions.
Taken as a whole, Come This Madness sounds like the work of a band that no longer needs to prove that it belongs in history. And perhaps that is precisely why they are able to play with such freedom. Europe is not trying to reclaim lost youth, nor are they attempting to reproduce a formula that worked 40 years ago. Their greatest achievement here is something else: using experience as a creative tool rather than as an excuse to repeat the past.
That does not mean the album represents a radical departure. Anyone familiar with Europe’s career knows that elements of classic rock, 1970s hard rock and the band’s own roots remain firmly in place. Some choices could have been bolder, and not every composition reaches the same level of inspiration. But demanding a complete reinvention would miss precisely what makes the record interesting.
Come This Madness works because it understands the difference between identity and repetition.
Forty years after “The Final Countdown”, the most important question is no longer whether Europe can write another song like it. They cannot — and they do not need to. What matters is whether there is still creativity behind the name, whether these musicians still have something to say, and whether the band can still walk into a studio with the desire to challenge its own comfort zone.
The answer is in Norum’s guitars, Michaeli’s keyboards, Tempest’s voice, Haugland’s drums, Levén’s bass and, above all, in the way these musicians turn experience into energy.
Come This Madness is not an attempt to return to the past. It is Europe accepting its legacy, setting it aside for a moment and asking what it can still do with everything it has learned over the past four decades.
And perhaps that is the most appropriate way to celebrate 40 years of The Final Countdown: not by looking back, but by showing that the countdown is not over yet.
Formado na Dinamarca em 2023 por ex-integrantes de Scamp, Horned Almighty, Stone Cadaver e The World State, o Dread Witch lançará em pleno dia das bruxas o seu segundo álbum, intitulado “Cult“, evocando uma aura totalmente absorta na escuridão, com sua temática inspirada no cinema cult e literatura de horror.
Esse é facilmente um álbum em que você é arrebatado para uma outra dimensão, com uma sonoridade que enlaça o Death/Doom com pitadas generosas de stoner e outras influências musicais que a banda possui, nos trazendo uma precisão cirúrgica na sequência de cada composição.
As três guitarras com afinação grave, que se juntam ao baixo distorcido, bateria estrondosa, vocais ritualísticos e texturas ambientais, criam a parede sonora densa e de atmosfera sinistra.
Já na faixa de introdução “Born Again”, temos uma abertura funesta e bem marcada por uma atmosfera que nos remete à timbres psicodélicos, tipicamente viajantes, e podemos sentir a presença de nomes de peso como influências , como Sleep e Triptykon, e até mesmo um pouco de Pink Floyd.
Na sequência, a faixa título “Cult“, que chega evocando a crueza nada polida dos riffs, que mais parecem ser vindos de uma motosserra.
A bateria e baixo te ancoram no coração da banda, como se fosse uma compressão contra o peito tal o peso avassalador.
"Altar" se destaca com seu andamento arrastado e de aura totalmente sinistra e maléfica, e traz a participação especial de Sofia Schmidt, do Ethereal Kingdoms, que assume o papel da própria Dread Witch, em uma performance tétrica, intensa e perturbadora.
“The Summoning” é quase um transe espiritual com partes em coro e variações vocais impressionantes, ora quase sussurrantes e ora num gutural soberbo.
Podemos notar que não há uma faixa somente que tem destaque, mas sim um novo material tão impactante que é tranquilamente a prova de que quando os músicos estão na mesma sintonia, tudo se transforma em um monumento sonoro de produção musical, instrumental e lírica gigante.
O álbum foi produzido, mixado e masterizado pelo lendário produtor dinamarquês Tue Madsen, cujos extensos créditos incluem Meshuggah, Baest, Moonspell, The Haunted e Belphegor, entre muitos outros.
Tudo milimetricamente não artificial, orgânico e com uma aura de filme de terror dos anos 80.
Aproveite a imersão na obra, pois ela merece uma audição como um todo.
Lançamento: DHU Records / Bottomless Pit / Gateway Music
Tracklist:
Born Again Cult Cyclops Altar Marrow Vesexuff Omen of Oblivion
The Summoning
Dread Witch é:
Mikael Rise - Lead Vocals & Guitar Dennis Larsen - Drums Andreas Cadaver - Guitar Leifur Nielsen - Bass & Vocals Jesper Kragh - Lead Guitar
Dread Witch: Death/Doom Immersed in Horror Literature and Cult Cinema
Review by: Fernanda Luísa
Formed in Denmark in 2023 by former members of Scamp, Horned Almighty, Stone Cadaver, and The World State, Dread Witch will release their second album, titled "Cult," on Halloween. Evoking an aura completely absorbed in darkness, its themes are inspired by cult cinema and horror literature.
This is easily an album that transports you to another dimension, with a sound that blends Death/Doom with generous hints of stoner and other musical influences the band possesses, bringing surgical precision to the sequence of each composition.
The three low-tuned guitars, joined by distorted bass, thunderous drums, ritualistic vocals, and ambient textures, create a dense wall of sound and a sinister atmosphere.
In the opening track, “Born Again,” we have a somber and well-defined atmosphere reminiscent of psychedelic sounds and foreign journeys, and we can feel the presence of heavyweight influences such as Sleep and Triptykon, and even a touch of Pink Floyd.
Following this, the title track “Cult” evokes the unpolished cross of riffs that sound more like they're coming from a chainsaw.
The drums and bass anchor you to the heart of the band, as if pressed against your chest with such overwhelming weight.
"Altar" stands out with its dragging tempo and totally sinister and malevolent aura, and features a special guest appearance by Sofia Schmidt from Ethereal Kingdoms, who takes on the role of the Dread Witch herself, in a grim, intense, and disturbing performance.
"The Summoning" is almost a spiritual trance with choral parts and impressive vocal variations, sometimes almost whispering and sometimes in a sober guttural style.
We can see that there isn't just one standout track, but rather a new material so impactful that it's easily proof that when musicians are in sync, everything transforms into a giant sonic monument of musical, instrumental, and lyrical production.
The album was produced, mixed, and mastered by the legendary Danish producer Tue Madsen, whose extensive credits include Meshuggah, Baest, Moonspell, The Haunted, and Belphegor, among many others.
Everything is meticulously natural, organic, and has an aura of an 80s horror film.
Enjoy the work, as it deserves a full listen.
Release: DHU Records / Bottomless Pit / Gateway Music
Tracklist: Born Again Cult Cyclops Altar Marrow Vesexuff Omen of Oblivion The Summoning
Dread Witch is: Mikael Rise - Vocals and Guitar Dennis Larsen - Drums Andreas Cadaver - Guitar Leifur Nielsen - Bass and Vocals Jesper Kragh - Lead Guitar
Depois de mais de quatro décadas ajudando a definir os caminhos do heavy metal europeu, Kai Hansen poderia simplesmente repetir a fórmula que o transformou em um dos nomes mais importantes do gênero. Afinal, existe pouca coisa mais tentadora para um músico com uma história como a dele do que voltar ao território seguro de Helloween e Gamma Ray. Born With A Hammer, porém, parte justamente da direção contrária.
Lançado oficialmente em 18 de setembro de 2026 pela earMUSIC, o álbum é o primeiro trabalho solo de Hansen em dez anos, depois de XXX – Three Decades in Metal, lançado em 2016 sob o nome Hansen & Friends. Desta vez, o projeto aparece simplesmente como Hansen, acompanhado por Eike Freese, Alexander Dietz, Dan Wilding e Tim Hansen, filho de Kai. São dez faixas e pouco mais de 45 minutos em que o guitarrista parece ter se permitido uma coisa que sua carreira raramente exige dele: não precisar responder às expectativas de ninguém.
E isso fica evidente já nos primeiros minutos. Feeding The Beast começa com uma introdução limpa e relativamente contida antes de o peso entrar de maneira progressiva. Quando a bateria acelera e as guitarras assumem o controle, a primeira associação inevitável é com o Hansen que conhecemos. Há velocidade, melodias de guitarra, vocal imediatamente reconhecível e aquela combinação entre agressividade e senso melódico que ajudou a moldar o power metal europeu.
Só que, depois de estabelecer esse território conhecido, o disco começa a desmontá-lo. A grande qualidade de Born With A Hammer está justamente nessa sensação de que Hansen sabe perfeitamente onde o ouvinte espera que determinada música vá chegar e, em seguida, decide virar o volante.
1. Feeding The Beast
A abertura funciona quase como uma isca. Os primeiros acordes criam uma atmosfera mais introspectiva, e por alguns instantes parece que o álbum vai seguir uma direção mais tradicional. Então entram as guitarras e a bateria, e a música ganha velocidade até desembocar em um heavy metal bastante familiar.
O riff principal é direto, mas não simplório. Há uma boa dinâmica entre as partes mais abertas e os momentos em que a guitarra aperta o andamento, enquanto Hansen mantém aquela voz que nunca dependeu de perfeição técnica para ser imediatamente identificável.
É provavelmente a faixa que mais conversa com o legado de Gamma Ray e Helloween, e isso é importante porque oferece ao ouvinte uma porta de entrada segura antes de o álbum começar a mostrar suas outras faces. Resenhas publicadas antes e no dia do lançamento também destacaram justamente essa proximidade inicial com o power metal clássico.
2. Welcome To Life
Se a primeira faixa apresenta o Hansen que você esperava ouvir, Welcome To Life é a primeira grande rasteira do álbum. A música chega mais solta, com uma energia quase punk e uma abordagem menos polida. A guitarra parece propositalmente mais crua, e a estrutura transmite uma sensação de espontaneidade que contrasta bastante com a precisão de Feeding The Beast.
E então acontece a mudança mais inesperada: a faixa mergulha em um trecho de inspiração reggae. Sim, reggae.
E o mais curioso é que a transição não soa como uma piada colocada ali apenas para causar estranhamento. O próprio Hansen explicou que a ideia veio de seu gosto pelo gênero e da influência do ambiente em que estava trabalhando, inclusive associando essa sonoridade às experiências vividas durante sua passagem pela Costa Rica.
3. Don’t Care
A terceira faixa aumenta ainda mais essa sensação de liberdade. Don’t Care tem uma energia brincalhona e deliberadamente descompromissada. A guitarra continua sendo protagonista, mas aparecem texturas eletrônicas e uma batida que foge consideravelmente do que se esperaria de um disco associado a um dos arquitetos do power metal.
É também uma música em que a personalidade de Hansen pesa mais do que a necessidade de impressionar. Existe algo quase juvenil na composição, no melhor sentido possível. O músico parece estar se divertindo com as próprias possibilidades, e isso acaba sendo mais interessante do que qualquer tentativa de produzir uma faixa “importante”.
O contraste entre os instrumentos eletrônicos e o refrão guiado por guitarra é um dos detalhes que fazem a música permanecer na cabeça. Ao mesmo tempo, é aqui que o álbum começa a revelar seu primeiro problema: nem toda ideia experimental possui a mesma força das melhores composições.
4. Wait And See
E então Hansen fecha a porta da brincadeira e coloca o álbum novamente sob tensão. Wait And See é mais pesada, mais escura e consideravelmente mais compacta. O riff trabalha em uma região mais grave, com uma sonoridade que se aproxima do metal moderno sem abandonar a capacidade melódica do guitarrista.
A diferença é perceptível principalmente no tratamento rítmico. Em vez de simplesmente acelerar, a música pesa. Os grooves são mais secos, a bateria tem uma presença mais física e a guitarra ganha uma textura quase industrial. O single já havia sido apresentado antes do álbum como uma mudança de direção em relação à liberdade rock'n'roll de Welcome To Life, assumindo uma atmosfera mais pesada e intensa.
5. Born With A Hammer
E chegamos ao coração do álbum. Com pouco mais de oito minutos, a faixa-título é a composição em que Hansen finalmente abandona qualquer preocupação com concisão e simplesmente deixa a música crescer.
O começo já estabelece uma atmosfera mais teatral, com piano, harmonias vocais e uma construção que imediatamente remete à tradição do rock épico. Conforme a música avança, aparecem mudanças de dinâmica, passagens mais pesadas, melodias de guitarra e arranjos vocais cada vez maiores.
A referência a Queen é impossível de ignorar, especialmente na maneira como Hansen trabalha os diferentes blocos da composição. Mas o interessante é que ele não tenta esconder a influência. Ela faz parte da própria proposta da música.
O guitarrista contou que a composição nasceu ao piano, a partir de alguns acordes e de uma melodia que já estava em sua cabeça. Segundo ele, desde o início ficou claro que a música não seria um formato convencional e que a direção mais grandiosa fazia sentido.
Há uma quantidade enorme de ideias acontecendo aqui, mas Hansen consegue impedir que a música vire apenas uma colagem de referências porque existe uma linha melódica conduzindo tudo. É uma faixa que exige mais atenção do que as anteriores e, justamente por isso, cresce a cada audição.
6. I.D.G.A.F.
Depois de oito minutos de grandiosidade, Hansen faz a coisa mais Hansen possível: volta com uma música que praticamente manda toda a pompa para o inferno.
I.D.G.A.F. é curta, agressiva e extremamente direta. O riff tem uma pegada quase punk, mas a produção adiciona elementos eletrônicos que deixam tudo mais estranho. A batida sintética cria um contraste interessante com a guitarra, e o refrão é construído para ser gritado.
7. End Of The Road
Aqui aparece novamente o Kai Hansen que os fãs antigos provavelmente estavam esperando. End Of The Road é mais melódica, pesada e tradicional. As guitarras retomam uma construção mais próxima do heavy/power metal, e o refrão tem aquela dimensão de hino que Hansen domina há décadas.
Mas existe uma diferença importante na letra. A música fala sobre o fim de um relacionamento, e não sobre o próprio Hansen chegando ao fim da estrada. O encerramento de uma relação aparece como algo doloroso, mas também como uma experiência que não apaga o carinho e a história compartilhada.
Essa dualidade aparece na própria composição: existe melancolia, mas não uma atmosfera derrotista. É provavelmente a música que melhor equilibra passado e presente. Tem DNA de power metal, mas não soa como uma tentativa de voltar no tempo.
8. Triple Trouble
Com pouco mais de três minutos, Triple Trouble é o tiro curto do álbum. A música entra acelerada e não parece particularmente interessada em desenvolver uma grande narrativa. Ela quer velocidade, riff e energia.
Existe uma agressividade punk na maneira como a composição avança, e a presença de Tim Hansen na guitarra acrescenta uma energia diferente ao conjunto. O contraste entre pai e filho também dá à faixa uma espécie de sensação geracional, ainda que o álbum nunca transforme isso em seu conceito central.
9. Invaders
Invaders trabalha com uma fórmula muito mais simples. A música aposta em um riff insistente, bateria firme e um refrão grande, daqueles que parecem nascer pensando no palco. Não há a mesma quantidade de desvios estilísticos de Welcome To Life ou I.D.G.A.F., e isso faz com que ela funcione quase como uma pausa dentro da extravagância do disco.
A guitarra encontra um groove bastante eficiente, e Hansen não precisa exagerar na interpretação para fazer a faixa funcionar. É uma composição que depende muito mais do riff e da repetição estratégica do que de grandes mudanças estruturais.
10. Wonderland
Wonderland chega pesada, com guitarras encorpadas, bateria forte e uma atmosfera que mistura o peso do heavy metal tradicional com algumas das características mais modernas apresentadas ao longo do disco.
O vocal de Hansen aparece mais grave e áspero, e isso combina com a sensação de fechamento da música. É como se, depois de percorrer todos aqueles estilos, o álbum finalmente voltasse ao elemento que nunca desapareceu em nenhum momento: a guitarra.
O riff é provavelmente o elemento mais memorável da faixa, e a bateria de Dan Wilding dá um peso considerável ao encerramento. É uma escolha interessante para terminar porque Hansen poderia ter optado por uma balada ou por outro épico. Em vez disso, ele termina com força.
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Confira a tracklist completa do Born With A Hammer: