terça-feira, 19 de maio de 2026

Cobertura de Show: Draconian – 16/05/2026 – Carioca Club/SP

Hoje, o Draconian se destaca como um dos nomes mais importantes do gothic doom metal mundial e chega ao seu oitavo disco em uma fase interessante da carreira. Após dois álbuns com Heike Langhans nos vocais, o mais recente trabalho da banda marca o retorno de Lisa Johansson, vocalista original que havia deixado o grupo em 2012. Atualmente, a banda é formada por Anders Jacobsson nos vocais guturais, Lisa Johansson nos vocais limpos, Johan Ericson e Niklas Nord nas guitarras, Daniel Arvidsson no baixo e Jerry Torstensson na bateria.

Os suecos, junto da cantora Emma Ruth Rundle, estrearam sua turnê conjunta pela América Latina no sábado, 16 de maio, na Carioca Club.

Pela segunda vez no Brasil, a banda já conquista uma casa maior e forma uma legião de fãs que os esperavam ansiosos e curiosos pelo setlist, por se tratar do primeiro show da turnê.

Dessa vez, estavam acompanhados de Emma Ruth Rundle, que, apesar de não ser exatamente do doom metal, tem uma carreira consolidada tanto em seu projeto solo quanto na banda Marriages. Além disso, a artista também escreve poesias e pinta quadros.

Desde o começo da tarde já era possível ver muitos fãs ansiosos na porta do Carioca Club, casa em que o Draconian viria estrear seu novo álbum, In Somnolent Ruin. A banda chegou por volta das 14h para a passagem de som e, apesar do calor que fazia em São Paulo, fez um meet & greet gratuito para os fãs que estavam na porta, conversando e tirando fotos.

Apesar de alguns questionamentos sobre a organização da fila, o meet & greet começou pontualmente às 15h e, às 16h, a fila já contornava o quarteirão da casa. As camisetas deixavam bem claro que, além da banda principal, muitos também aguardavam ansiosamente pela cantora Emma.

As portas se abriram às 16h35, e os fãs foram entrando e se acumulando em frente ao palco enquanto aproveitavam uma ótima playlist do DJ da casa, que envolveu o Carioca ao som de bandas de metal mais sombrio, como Theatre of Tragedy e Paradise Lost.

Pontualmente às 18h, Emma entrou no palco, cumprimentou a plateia, sentou-se em sua cadeira e iniciou seu show apenas com voz e violão. Abrindo com Living With the Black Dog, de seu primeiro álbum, Some Heavy Ocean, era perceptível a curiosidade do público que, em grande parte, ainda não conhecia a carreira solo da cantora. Emma então finalizou sua primeira música, apresentou-se e agradeceu ao público por recebê-la tão bem em sua primeira vez no Brasil.

O estilo que Emma segue é mais próximo do dark folk e post-rock, com um clima introspectivo e sombrio, utilizando muitos elementos de ambiência no timbre da voz e do instrumento. É um estilo que, apesar de dialogar com a banda principal, se distancia bastante do que o público do metal costuma escutar.

Na segunda música, Arms I Know So Well, apesar de enfrentar um problema técnico com o som de seu violão, resolveu tudo rapidamente sozinha e continuou a música de onde havia parado, recebendo muito carinho da plateia. A artista utilizava uma técnica de dedilhado intercalada com palhetadas e afinava o violão diversas vezes para as diferentes músicas.

Seguiu com Citadel e Blooms of Oblivion, que pareceu ser uma das músicas mais aguardadas pelos fãs da cantora. Emma também trouxe ao setlist duas músicas ainda não lançadas, executadas pela primeira vez nesse show.

Quando seguiu para sua próxima música, Darkhorse, faixa de seu quarto álbum, fez uma dedicação: “Essa é para Jennie”, uma fã que lhe entregou um presente antes do show  um colar com um pingente de cavalo, simbolizando a capa do álbum. Inclusive, Emma usava o colar durante a apresentação, mostrando o carinho que tem por seus fãs.

Para finalizar, puxou Marked for Death e foi muito bem recebida pela plateia que estava ali para prestigiar sua estreia no Brasil. A cantora encerrou o show agradecendo ao público e, a pedido do fotógrafo, tirou a clássica foto com os fãs.

Emma fez uma belíssima apresentação, preparando o público presente com uma atmosfera sombria e intimista. Mesmo utilizando apenas voz e violão, entregou um show cheio de detalhes e sensibilidade. No entanto, era perceptível que parte da plateia não se interessou tanto pelo som da cantora, muitas vezes aproveitando o momento para conversar alto, o que interferia na experiência das demais pessoas, já que o som de Emma é mais delicado e qualquer barulho acabava atrapalhando. Apesar disso, Emma se emocionou durante o show, demonstrando gratidão por sua primeira apresentação no Brasil. É uma artista completa, que merece ainda mais espaço  talvez acompanhada de artistas com uma proposta mais próxima da sua.

Após o primeiro show, era notável uma movimentação na pista: alguns fãs de Emma indo para mais longe do palco e os fãs do Draconian se aproximando da grade. As cortinas se abriram às 19h05, dando início ao show da banda principal.

O Draconian iniciou sua apresentação com a estreia ao vivo de I Welcome Thy Arrow, faixa de seu mais recente álbum, In Somnolent Ruin. A plateia vibrava ainda mais com a entrada dos vocalistas Lisa Johansson e Anders Jacobsson. Após cumprimentarem a plateia, trouxeram duas músicas que não eram tocadas ao vivo desde 2019: The Wretched Tide e The Last Hour of Ancient Sunlight. A surpresa pareceu emocionar os fãs, que cantavam junto a plenos pulmões.

“The Wretched Tide” é originalmente gravada por Heike Langhans, antiga vocalista da banda que substituiu Lisa após sua primeira passagem pelo grupo. No entanto, Lisa conquistou todos com sua voz meiga e potente, interpretando a faixa de forma leve e emocionante.

Seguiram com Heavy Lies the Crown, conduzida pelos guitarristas Johan Ericson e Niklas Nord, trazendo um timbre sombrio e pesado logo complementado pela voz doce de Lisa. A música foi extremamente bem recebida pelo público, que acompanhava os vocalistas cantando junto. Durante a faixa, era possível ver Anders sinalizando para a mesa de som algum ajuste técnico, provavelmente relacionado ao retorno de palco.

Em seguida veio A Scenery of Loss, faixa também tocada na primeira passagem da banda pelo país. Anders iniciou a música com uma parte falada e, ao longo da canção, os dois vocalistas alternavam entre os guturais densos de Anders e os vocais agudos e melancólicos de Lisa. 

Anders parecia sentir profundamente a música durante as partes instrumentais, trazendo performances intensas e sensíveis  inclusive colocando a touca de seu sobretudo para criar uma estética ainda mais gótica. Lisa, por sua vez, entregava melancolia e delicadeza em um lindo vestido verde-escuro, além de demonstrar muita simpatia com a plateia, fazendo questão de olhar para as pessoas que estavam ali.

Seguindo para a próxima, as guitarras iniciaram e os fãs já previam o que vinha por aí: The Face of God. Também executada ao vivo pela primeira vez, a música foi apresentada por Anders durante a introdução enquanto a plateia gritava animada e acompanhava o ritmo com palmas.

Na sequência, vieram mais duas faixas do novo álbum também executadas ao vivo pela primeira vez: Asteria Beneath the Tranquil Sea e Cold Heavens. A primeira trouxe um momento mais introspectivo, com Lisa brilhando praticamente sozinha acompanhada apenas por camadas de synths e strings. Foi um dos momentos mais bonitos do show, e a cantora foi ovacionada pela plateia. Logo depois, Cold Heavens trouxe uma energia mais intensa e animada, fazendo o público cantar coros de “hey, hey, hey” e pular junto, emocionado.

Após os aplausos, Anders voltou a animar a plateia enquanto o baixista Daniel Arvidsson caminhava para a frente do palco levantando seu baixo com uma mão enquanto tocava, arrancando reações empolgadas do público. Muitos levantavam os celulares para registrar a performance.

Era a vez de Lustrous Heart, faixa do álbum Under a Godless Veil. No início, Anders pareceu novamente um pouco incomodado com algo relacionado ao microfone ou ao retorno, o que o fez atrasar levemente algumas entradas. Ainda assim, a performance da banda fez com que o público praticamente não percebesse a pequena falha. “Muito obrigado”, agradeceu o músico ao final.

Então chegou outra estreia ao vivo: Misanthrope River. Apesar de não ter levantado tanto a plateia quanto a faixa anterior, talvez por conta da expectativa criada anteriormente, foi um momento mais contemplativo do show.

Em seguida, Anders apresentou Heaven Laid in Tears (Angel’s Lament), faixa carregada de temas luciferianos e atmosfera gótica. O público claramente aguardava pela música e cantava alto junto aos vocalistas. Quase no final da música, fãs entregaram uma bandeira do Brasil para Lisa, que a ergueu durante o último refrão, emocionando a plateia. Após esse grande momento, a banda puxou a também inédita ao vivo Claw Marks on the Throne, seguida por Seasons Apart, cantada em coro pelo público junto de Lisa.

Para encerrar a noite, a banda agradeceu novamente aos fãs e iniciou uma de suas músicas mais conhecidas, The Sethian. Durante a música, Lisa se aproximou ainda mais da plateia, cantando ajoelhada bem próxima da grade.

Após um show carregado de sentimento, entrega e emoção, o Draconian estreou sua turnê latino-americana com uma apresentação completa, trazendo cinco músicas novas e diversos clássicos, deixando no público a sensação de ter assistido a uma performance intensa, fiel e memorável.





Realização: Sellout Tours



Emma Ruth Rundle – setlist:

Living With the Black Dog

Arms I Know So Well

Citadel

Blooms of Oblivion

(Sem nome) – Nova música

(Sem nome) – Nova música

Darkhorse

Marked for Death


Draconian – setlist:

I Welcome Thy Arrow

The Wretched Tide

The Last Hour of Ancient Sunlight

Heavy Lies the Crown

A Scenery of Loss

The Face of God

Asteria Beneath the Tranquil Sea

Cold Heavens

Lustrous Heart

Misanthrope River

Heaven Laid in Tears (Angels' Lament)

Claw Marks on the Throne

Seasons Apart

The Sethian

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