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segunda-feira, 18 de maio de 2026

The 69 Eyes: Os Vampiros de Helsinque Reafirmam Sua Essência Gótica (Also In English)

BLKIIBLK (Imp.)

Por Michelle F. Santana

Desde os anos 90, o The 69 Eyes construiu uma identidade praticamente inconfundível dentro do gothic rock e do chamado “goth’n’roll”. Entre riffs carregados de hard rock oitentista, estética vampiresca e melodias melancólicas, a banda finlandesa nunca pareceu interessada em seguir tendências e talvez justamente por isso tenha mantido uma base de fãs tão fiel ao longo das décadas. Em I Survive, novo EP da banda, essa proposta permanece intacta, mas com um detalhe importante: este é o primeiro lançamento do grupo pelo selo BLKIIBLK, divisão voltada ao rock e metal do Frontiers Label Group. Essa nova fase parece refletir diretamente na sonoridade do trabalho, que aposta em uma abordagem mais direta, encorpada e fortemente apoiada no hard rock sem abandonar a identidade gótica que sempre acompanhou a banda.

Outro ponto que chama atenção é a produção e a ambientação sonora do EP. A mixagem assinada por Barry Pointer, conhecido por trabalhos ao lado de Ozzy Osbourne, reforça uma atmosfera ampla e quase cinematográfica, especialmente perceptível na faixa-título. Existe um senso de profundidade e dramatização nas camadas instrumentais que ajuda a potencializar essa estética noturna, melancólica e decadente que o The 69 Eyes domina tão bem.

Muito se fala hoje sobre inovação constante dentro do rock e do metal, mas existe uma diferença importante entre estagnação e coerência artística. Para um EP, especialmente vindo de uma banda com uma estética tão consolidada quanto o The 69 Eyes, faz muito mais sentido apostar no refinamento da própria fórmula do que em uma ruptura artificial. I Survive entende exatamente isso: não tenta reinventar a banda, apenas reforçar aquilo que ela sempre soube fazer bem.

A faixa-título “I Survive” deixa isso claro desde os primeiros minutos. O clima sombrio e melancólico remete diretamente à influência do "pós-punk", especialmente nas linhas vocais arrastadas e na atmosfera noturna quase cinematográfica. Ao mesmo tempo, a música mantém aquele peso acessível entre gothic rock, hard rock e glam decadente que sempre caracterizou o som do grupo. Há ecos evidentes do álbum "Wasting the Dawn" (1999) na construção da ambiência, principalmente no contraste entre sensualidade sombria e guitarras mais encorpadas.

Tecnicamente, a faixa trabalha riffs simples, porém extremamente eficientes, sustentados por uma cozinha sólida e um andamento cadenciado que favorece o clima melancólico sem perder o apelo de refrão. A participação de Steve Stevens, conhecido por seu trabalho com Billy Idol, adiciona ainda mais personalidade à música, especialmente nos detalhes de guitarra que reforçam esse lado hard rock clássico presente em toda a faixa.

O vocal de Jyrki 69 merece destaque especial em todo o EP. Sua interpretação soa confortável, madura e segura dentro da proposta da banda. Há uma dramaticidade característica do gothic rock clássico em sua performance, mas sem soar artificial ou exagerada. Pelo contrário: sua voz continua sendo uma das peças centrais da identidade construída pelo The 69 Eyes ao longo das décadas.

Em “Cold Sweat”, clássico originalmente lançado pelo Thin Lizzy e já revisitado por nomes como Megadeth e Helloween, o The 69 Eyes opta sabiamente por preservar a essência hard rock da composição. Em vez de transformar completamente a música, para encaixar em um molde gótico exagerado, a banda prefere incorporar pequenos elementos da própria identidade sem descaracterizar o espírito original da faixa. O resultado é um cover sólido, com guitarras vibrantes e uma interpretação que respeita a energia clássica da composição.

"In the Misery” talvez seja o momento em que o EP mais explicita o DNA da banda. Toda a decadência vampiresca, o romantismo sombrio e a estética urbana noturna aparecem de forma quase emblemática, principalmente na atmosfera melancólica construída pela faixa. Musicalmente, diferente das faixas mais cadenciadas do EP, aqui as guitarras surgem mais marcadas e presentes, conduzindo a música de maneira firme enquanto o instrumental mantém uma aura obscura e melancólica. O solo carrega uma pegada clássica de hard rock, adicionando ainda mais personalidade à faixa sem quebrar o clima decadente que define sua identidade. É justamente esse equilíbrio entre peso, melancolia e teatralidade vampiresca que transforma “In the Misery” em um verdadeiro retrato da essência do The 69 Eyes.

Mas é em “Devil’s Rose” que o EP encontra seu ponto mais alto. Muito mais puxada para o hard rock do que as demais faixas, a música encerra o trabalho de maneira energética sem abandonar a identidade gótica da banda. A participação do lendário guitarrista norte-americano Ed Mundell, ex-Monster Magnet, traz ainda mais força à composição. Suas guitarras brilham ao longo da faixa, incorporando elementos característicos do stoner rock com riffs encorpados, solos marcantes e muito feeling, mas sempre respeitando o universo sonoro do The 69 Eyes. As guitarras de Bazie também merecem destaque, funcionando em perfeita sintonia com a participação de Mundell e criando uma das construções instrumentais mais fortes do EP. Enquanto isso, Jyrki 69 entrega uma interpretação carregada de carisma sombrio e presença, reforçando ainda mais a personalidade da banda. O resultado é uma faixa intensa, energética e extremamente eficiente para encerrar o EP.

No fim, I Survive não é um trabalho revolucionário e nem precisa ser. O EP funciona porque entende exatamente a identidade da banda e não tenta fugir dela. Entre melodias sombrias, riffs acessíveis e uma atmosfera decadente que parece saída diretamente de clubes góticos dos anos 80 e 90, o The 69 Eyes entrega um trabalho sólido, tecnicamente consistente e fiel à própria identidade. Para os fãs antigos, é um reencontro confortável com aquilo que sempre tornou a banda especial. Para novos ouvintes, talvez seja um convite interessante para mergulhar nesse universo entre o hard rock e a escuridão romântica do gothic rock.

***ENGLISH VERSION***

Since the 1990s, The 69 Eyes have built an almost unmistakable identity within gothic rock and the so-called “goth’n’roll” scene. Blending ‘80s-inspired hard rock riffs, a vampiric aesthetic, and melancholic melodies, the Finnish band has never seemed particularly interested in following trends and perhaps that is precisely why they have maintained such a loyal fanbase throughout the decades. On I Survive, the band’s new EP, that approach remains fully intact, though with one important detail: this marks the group’s first release through BLKIIBLK, the rock and metal division of Frontiers Label Group. This new chapter seems directly reflected in the sound of the record, which embraces a more straightforward, fuller-bodied approach heavily rooted in hard rock while still preserving the gothic identity that has always defined the band.

Another element that stands out is the EP’s production and sonic atmosphere. The mix, handled by Barry Pointer known for his work alongside Ozzy Osbourne reinforces a broad and almost cinematic ambiance, especially noticeable on the title track. There is a sense of depth and dramatization in the instrumental layers that amplifies the nocturnal, melancholic, and decadent aesthetic that The 69 Eyes have mastered so well over the years.

There is constant discussion nowadays about the need for innovation within rock and metal, but there is an important difference between stagnation and artistic coherence. For an EP, especially from a band with such a consolidated aesthetic as The 69 Eyes, refining their own formula makes far more sense than forcing an artificial reinvention. I Survive understands this perfectly: it does not attempt to reinvent the band, but rather reinforces everything they have always done well.

The title track, “I Survive,” makes that clear from its very first moments. Its dark and melancholic atmosphere strongly recalls post-punk influences, especially through the drawn-out vocal lines and the nearly cinematic nocturnal mood. At the same time, the song maintains the accessible balance between gothic rock, hard rock, and decadent glam that has always characterized the band’s sound. There are even clear echoes of "Wasting the Dawn" (1999) in the way the atmosphere is constructed, particularly in the contrast between dark sensuality and heavier guitar textures.

From a technical perspective, the track is built around simple yet highly effective riffs, supported by a solid rhythm section and a steady pacing that enhances the melancholic atmosphere without sacrificing its hook-driven appeal. The participation of Steve Stevens best known for his work with Billy Idol adds even more personality to the song, particularly through guitar details that strengthen its classic hard rock edge.

Jyrki 69’s vocals deserve special recognition throughout the EP. His performance feels comfortable, mature, and fully confident within the band’s musical proposal. There is a dramatic quality typical of classic gothic rock in his delivery, though it never sounds artificial or exaggerated. On the contrary, his voice remains one of the central pillars of the identity The 69 Eyes have built over the decades.

On “Cold Sweat,” originally released by Thin Lizzy and later revisited by bands such as Megadeth and Helloween, The 69 Eyes wisely choose to preserve the hard rock essence of the composition. Rather than completely reshaping the song into an exaggerated gothic framework, the band subtly incorporates elements of its own identity without stripping away the spirit of the original version. The result is a solid cover featuring vibrant guitars and a performance that respects the song’s classic energy.

On “Cold Sweat,” originally released by Thin Lizzy and later revisited by bands such as Megadeth and Helloween, The 69 Eyes wisely choose to preserve the hard rock essence of the composition. Rather than completely reshaping the song into an exaggerated gothic framework, the band subtly incorporates elements of its own identity without stripping away the spirit of the original version. The result is a solid cover featuring vibrant guitars and a performance that respects the song’s classic energy.

“In the Misery” may be the moment where the EP most explicitly showcases the band’s DNA. The vampiric decadence, dark romanticism, and nocturnal urban aesthetic all emerge in an almost emblematic way, particularly through the melancholic atmosphere built around the song. Musically, unlike some of the EP’s slower and more restrained moments, the guitars here are sharper and more prominent, driving the track firmly forward while the instrumentation maintains an obscure and melancholic aura. The solo carries a distinctly classic hard rock feel, adding even more personality without disrupting the decadent atmosphere that defines the song’s identity. It is precisely this balance between heaviness, melancholy, and vampiric theatricality that turns “In the Misery” into a true portrait of The 69 Eyes’ essence.

However, it is on “Devil’s Rose” that the EP reaches its strongest moment. Leaning much more heavily into hard rock than the other tracks, the song closes the record in an energetic fashion without abandoning the band’s gothic identity. The participation of legendary American guitarist Ed Mundell, formerly of Monster Magnet, adds even more power to the composition. His guitar work shines throughout the track, incorporating characteristic stoner rock elements through thick riffs, striking solos, and a strong sense of feel, while still respecting the sonic universe of The 69 Eyes. Bazie’s guitars also deserve praise, working in perfect synergy with Mundell’s contributions and creating one of the EP’s strongest instrumental moments. Meanwhile, Jyrki 69 delivers a performance filled with dark charisma and presence, further reinforcing the band’s personality. The result is an intense, energetic, and highly effective closing track.

In the end, I Survive is not a revolutionary release nor does it need to be. The EP succeeds because it fully understands the band’s identity and never tries to escape from it. Between dark melodies, accessible riffs, and a decadent atmosphere that feels pulled directly from gothic clubs of the ‘80s and ‘90s, The 69 Eyes deliver a solid, technically consistent work that remains completely faithful to its own identity. For longtime fans, it is a comfortable reunion with everything that made the band special in the first place. For newer listeners, it may serve as an intriguing invitation into this world suspended between hard rock and the romantic darkness of gothic rock.

Marek Sabogal


terça-feira, 14 de abril de 2026

Temple Balls: Mais Afiado Do Que Nunca

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os finlandeses do Temple Balls dão mais um passo consistente em sua trajetória com o lançamento de Temple Balls, álbum autointitulado que consolida a evolução iniciada em Avalanche (2023). Mais uma vez sob a produção de Jona Tee (H.E.A.T), o grupo apresenta um trabalho que equilibra com precisão energia e refinamento, apostando em uma combinação eficaz de refrões fortes, guitarras afiadas e uma base rítmica sólida.

Logo na abertura, “Flashback Dynamite” estabelece o tom do disco com sua abordagem direta e um refrão de fácil assimilação, evidenciando a habilidade da banda em trabalhar melodias acessíveis sem abrir mão do peso. Na sequência, “Lethal Force” desacelera levemente o andamento, mas reforça a identidade sonora do álbum, destacando o timbre vocal de Arde Teronen e um trabalho de guitarras que já aponta para a coesão do conjunto.

“Tokyo Love” surge como um dos momentos mais cativantes do repertório, com linhas de baixo que ganham protagonismo e uma atmosfera que remete ao Edguy de sua fase mais inspirada. Já “There Will Be Blood” introduz elementos eletrônicos de forma mais evidente, com teclados e timbres que evocam o Turbo, do Judas Priest, ampliando o espectro sonoro do disco sem comprometer sua essência.

O single “We Are The Night” sintetiza bem essa proposta híbrida, transitando entre referências do rock norte-americano e uma abordagem mais moderna, enriquecida por arranjos de teclado e até mesmo um inesperado solo de sax. Em contrapartida, “Hellbound” resgata a veia mais agressiva da banda, com uma pegada que flerta com o Motörhead e entrega uma das performances mais intensas do álbum.

Na segunda metade, o grupo mantém a consistência. “Soul Survivor” aposta no hard rock mais tradicional, com foco em linhas vocais fortes e um refrão pensado para o público. “The Path Within” e “Stronger Than Fire” reforçam a coesão estética do trabalho, equilibrando elementos melódicos e estruturas bem definidas, enquanto “Chasing The Madness” retoma a velocidade e o peso, reafirmando a versatilidade do quinteto.

Encerrando o álbum, “Living In A Nightmare” funciona como uma síntese de suas influências, dialogando com nomes clássicos do hard and heavy europeu como Judas Priest, Black Sabbath e Rainbow. É um fechamento que não apenas respeita a tradição do gênero, mas também evidencia a maturidade de uma banda que parece cada vez mais confortável em expandir seus próprios limites.

Com Temple Balls, o grupo finlandês entrega um trabalho coeso, dinâmico e estrategicamente construído, reforçando sua posição dentro do cenário contemporâneo do hard rock melódico e apontando para voos ainda mais ambiciosos.

***ENGLISH VERSION***

Finnish hard rockers Temple Balls take another confident step forward with their self-titled release, Temple Balls, a record that solidifies the sonic evolution first showcased on Avalanche (2023). Once again produced by Jona Tee (H.E.A.T), the album finds the band striking a fine balance between raw energy and polished songwriting, built on infectious hooks, sharp guitar work, and a powerful rhythmic backbone.

Opening track “Flashback Dynamite” wastes no time in setting the tone, delivering a straight-ahead punch with a highly memorable chorus that highlights the band’s knack for crafting accessible yet hard-hitting material. “Lethal Force” follows with a slightly more restrained pace, but further reinforces the album’s cohesive identity, with Arde Teronen’s distinctive vocal tone and a guitar-driven approach that begins to tie the record together.

“Tokyo Love” stands out as one of the album’s most engaging moments, driven by prominent bass lines and a melodic sensibility reminiscent of Edguy at their peak. Meanwhile, “There Will Be Blood” expands the band’s sonic palette with a stronger electronic edge, featuring keyboard textures and guitar tones that echo Judas Priest’s Turbo era, adding variety without straying from the core sound.

The single “We Are The Night” encapsulates this hybrid approach, shifting between American rock influences and a more modern, keyboard-laden arrangement—complete with an unexpected saxophone solo that adds an extra layer of character. In contrast, “Hellbound” taps into a heavier, more aggressive vein, channeling a Motörhead-like intensity and delivering one of the album’s most hard-hitting performances.

The second half maintains the album’s consistency. “Soul Survivor” leans into classic hard rock territory, with strong vocal lines and a chorus clearly designed for audience participation. “The Path Within” and “Stronger Than Fire” further underline the record’s cohesion, balancing melodic elements with solid structural songwriting, while “Chasing The Madness” brings back the speed and metallic edge, showcasing the band’s versatility.

Closing track “Living In A Nightmare” serves as a fitting summary of the band’s influences, drawing from the legacy of European hard and heavy icons such as Judas Priest, Black Sabbath, and Rainbow. It’s a finale that not only pays tribute to the genre’s roots but also highlights a band growing increasingly confident in pushing its own boundaries.

With Temple Balls, the Finnish outfit delivers a cohesive, dynamic, and strategically crafted album that strengthens their standing within the contemporary melodic hard rock scene—and suggests even bigger things ahead.

Marko Syrjala


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Cobertura de Show: The 69 Eyes – 31/08/2025 – Fabrique Club/SP

Gothic Rock finlandês, os Vampiros de Helsinki fazem bom show de redenção

O frio fim de inverno paulistano era o ambiente perfeito para um show “trevoso”! Foi nesse momento propício que, após pouco mais de um ano de se apresentarem no Summer Breeze Brasil 2024, o The 69 Eyes, uma das mais icônicas e cultuadas bandas de gothic rock, ou gothic metal, como preferirem, voltou a São Paulo para único show no Brasil. 

Expectativas existiam - e muitas. Na fila do evento, pessoas chegaram às sete horas da manhã para ficarem na “grade” (não havia grade, no fim das contas, o que é um problema, mas falaremos depois disso). Mais que isso, falamos com pessoas que vieram de Belém-PA, outros de Minas Gerais, só para assistirem o show. Não podemos deixar de citar isso, pois indica muito bem o quão apaixonados são os fãs da banda, e do gênero em geral. Além de tudo, o show do ano passado, no Summer Breeze Brasil, havia sido um tanto prejudicado por problemas técnicos persistentes, e um dos mais criticados do festival por esse motivo, então seus fiéis admiradores precisavam de uma redenção nesse específico quesito.

Com curto atraso - tolerável, dado o ótimo horário agendado -, quando as portas do Fabrique abriram, já havia uma boa fila na porta, embora nada que demonstrasse o quão cheio estaria. Acreditem, foi bem cheio (não lotado, mas cheio)! Poucos minutos após aberta a casa, o com capacidade ainda pela metade, a banda Drama subiu ao palco para a abertura do evento. Um grupo de faz uma interessante mistura de pós-punk com alguns elementos eletrônicos, como um New Order encontrando o Depeche Mode, foram muito aplaudidos em sua ótima apresentação. Não para menos, é exatamente o que se espera de um evento com a maior parte dos presentes pertencentes à sub-cultura gótica, e suas músicas “de Madame” (em referência à tradicional balada gótica paulistana, Madame, antigo Madame Satã) fazem parte da vida cotidiana desse povo. Começamos bem a noite, que ainda melhoraria!

Um dos pontos mais altos da noite, e uma grata surpresa, foi a banda When I Die. Mais pesados que a anterior, já se aproximando mais do “metal”, têm uma formação curiosa: eles não têm baterista! Isso não só não prejudica, como deixa seu som único. As baterias eletrônicas dão uma estética dançante ao som, e a densidade das vozes - tanto masculina quanto feminina - criam um ambiente soturno. Destaco o magnífico cover de Hells Bells do AC/DC, que embora seja um verdadeiro hard rock, em sua roupagem original, nessa releitura absurdamente criativa se encaixou no ambiente e até parecia que foi composta para ser assim - claro, sem desmerecer a original dos australianos, que é um clássico absoluto. Quando colocam duas bandas de abertura em um evento, ficamos muitas com pé atrás, pois chega a ser cansativo. Mas ali, não foi o caso. O When I Die merece um posto de destaque na cena gótica brasileira. Eu não criticaria uma pessoa que me falasse que foram os melhores do evento, embora não os principais.



Chegava o momento, então, dos donos da festa. Os Vampiros de Helsinki, em sua quarta passagem pelo país. Anteriormente, haviam fechado uma das noites do Summer Breeze Brasil 2024; em 2010, seu único show solo por aqui, e vinte anos atrás, uma apresentação diurna no Live N Louder.

No ano passado, apesar das expectativas - já que tinham cancelado apresentações no país anos antes -, o show foi cheio de problemas técnicos, e até mesmo o setlist teve que ser reduzido, com intervalos longos entre músicas que só pioraram pela presença de Supla tendo que improvisar coisas a falar no palco. Merecíamos mais, com todo respeito ao Papito, que fez o que podia. Essa era a oportunidade, e para casa cheia, ainda por cima!

Subiram ao palco com um tempo considerável de intervalo, mas dentro dos conformes, por se tratar da atração principal. Começaram bem, já com clássicos - no caso, Devils, e depois Feel Berlin, outra das antigas. É até engraçado ouvir a voz cantada do vocalista Jyrki 69, bem grave, mas quando fala, tem uma voz bem diferente, que nada lembra toda aquela profundidade. Isso não é uma crítica, e sim um elogio a alguém que tem ótima técnica e controle vocal. Em presença de palco, contudo, quem rouba a cena é o baterista Jussi 69 - animado, enérgico, toca jogando os braços para cima, e marretando a caixa de seu instrumento. Uma crítica, porém, é quanto ao som: não, não tivemos os problemas infindáveis da apresentação do Summer Breeze, mas pouco se ouvia do baixo, e da própria bateria, a caixa era muito mais alta que o resto das peças, e até encobria muitas partes do instrumental.

Em se tratando do setlist, foi o famoso “jogar seguro”. Não diferiram do que vinham fazendo recentemente, que na verdade é até interessante, com músicas que não tinham sido tocadas no Brasil, e que começaram a tocar ao vivo faz pouco tempo. Apesar disso, apenas uma do último, e excelente, disco mais recente, Death of Darkness - a ótima Drive -, o que é uma pena. Também apostaram muito em sua carreira de meados dos anos 2000, que não é exatamente a mais querida entre os fãs, com um punhado de clássicas, mas sem canções bem melhores mais antigas. Claro, algumas excelentes, como Gothic Girl, Brandon Lee e o bom cover do Boycott, Gotta Rock não podiam faltar, e não faltaram.


Já no bis, aquela “surpresa que todos sabiam”, e logo de cara, um cover dos Ramones, I Just Want to Have Something to Do, com Supla em dueto no vocal - Supla que, em 2024, quando estiveram aqui para o festival, foi o “mestre de cerimônia” do show dos finlandeses, então era quase óbvia uma participação do brasileiro. E não ficou ruim, pelo contrário, só não é algo inesperado. Fecharam a noite como todos esperavam, e não podia ser diferente: Lost Boys, seu maior hit, uma ode aos anos oitenta, e ao filme de vampiros de mesmo nome, estrelando Kiefer Sutherland (hoje em dia mais conhecido pelo personagem Jack Bauer, da série 24 Horas). 

No geral, uma noite de redenção, após o complicado show anterior, que foi bem sucedida. Não uma apresentação fora de série, nem impecável, mas com um setlist completo, sem qualquer “B.O.”, e uma performance tecnicamente excelente de cada um dos músicos. O famoso “play safe” funcionou muito bem, e os horários amistosos a todos deixou tudo melhor.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 





The 69 Eyes – setlist:

Devils

Feel Berlin

Perfect Skin

Betty Blue

Gotta Rock (Boycott cover)

Still Waters Runs Deep

Drive

Hevioso

The Chair

Cheyenna

Never Say Die

Gothic Girl

Wasting the Dawn

I Love the Darkness in You

Brandon Lee

I Just Want to Have Something to Do (Ramones cover)

Bis

Dance d’Amour

Lost Boys

terça-feira, 19 de agosto de 2025

THE 69 EYES: CINCO RAZÕES PARA VER O SHOW NO BRASIL

Marek Sabogal

Direto da Finlândia, os ícones do Gothic Rock desembarcam esse mês no Brasil

Por Fernando Queiroz

Quando se trata de música acessível a várias tribos, o The 69 Eyes é um exemplo a ser seguido. Você vai encontrar fãs góticos, headbangers e até pessoas do rock mais casual possível! Na sua quarta passagem pelo país, o show no final de agosto é uma oportunidade perfeita para assistir a uma das mais icônicas bandas finlandesas. Listamos aqui cinco razões para você ver o show!

1) Gothic Rock para todos! O The 69 Eyes pode se considerar uma banda que passeia por vários gêneros perfeitamente, indo do gothic rock ao metal. Você vai encontrar, à primeira ouvida, uma clara influência de The Sisters of Mercy, em especial pela voz de Jerky 69, mas também um som mais pesado e flertando com o metal finlandês dos anos noventa.

2) Clima de balada! Quem já foi ou conhece a famosa casa Madame (antigo Madame Satã) em São Paulo está acostumado com o conceito de “balada gótica”, e o show do The 69 Eyes te proporciona essa sensação. Ambiente escuro, gelo seco, o clima “dark” é o diferencial do que você veria em um “típico show de metal”.

3) Formação mais sólida e longeva possível! Quem vê o show do The 69 Eyes percebe o entrosamento perfeito entre eles. Não para menos, desde seu primeiro álbum, a banda nunca trocou um integrante, então o que se tem em shows é exatamente a imagem que você tem da banda em qualquer ocasião! Aliás, uma banda passar mais de trinta anos sem trocar membros só pode querer dizer o quão bons são no que se propõe, não?

4) Setlist variado! São treze álbuns de estúdio, desde 1992, então o que não falta é música para apresentarem. Diga-se de passagem, eles têm uma discografia sólida, embora em tempos mais recentes tenham ido para um lado mais “eletrônico” — que também vale ser ouvido!

5) Destaques quando vieram! Duas das vezes que a banda esteve no Brasil foi em festivais, a última no Summer Breeze Brasil de 2024, e a primeira no Live n Louder, em 2005. Em ambos os casos, a mídia especializada sempre os colocou como destaques ou, no mínimo, gratas surpresas.

Todas as informações desse show imperdível em São Paulo, único no país, para diversos públicos podem ser vistos aqui!

SERVIÇO

Data: 31 de agosto de 2025 (domingo)
Abertura das Portas: 17h
Local: Fabrique Club
Endereço: R. Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo – SP

Ingressos:
Meia Entrada / Solidária: R$ 200,00
Inteira: R$ 400,00