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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Dark Dimensions Fest II – 08/02/2026 – Burning House/SP

Uma noite pra não esquecer 2026! Essa foi a sensação quando acabou o evento que trouxe a tríplice do metal violento, que ainda não havia se encontrado no mesmo palco: Forbidden, Vio-Lence e Venom Inc. Essa combinação são situações de eventos que nunca imaginaríamos acontecer e assistir, vindo de encontro muito propício para o Brasil. O impacto de presenciar de perto e vivenciar essas bandas tocando fielmente aos discos que as consagraram no passado é uma experiência que talvez não possa acontecer mais nos próximos anos, onde as bandas sentem isso também quando estão no palco pra tocar diante do público brasileiro. Estamos diante de momentos únicos dentro da cena, testemunhando esses acontecimentos, como se viu por aqui entre 2000 e 2010.

A abertura ficou por conta do quinteto mineiro New Democracy, formado da cidade de Varginha/MG em 2012, que trazia Rafael Lourenço (guitarra e vocal), Fabrício Fernandes (guitarra), Marcus Vinícius (baixo), Vinícius “Banzai” (teclados) e Iago “Barstuk” (bateria). Com o público chegando ao local e alguns ajustes no som, conseguiram mandar um death metal melódico, transitando entre bases cadenciadas com bastante groove, alternando a velocidade dos sons, tudo com muito bom entrosamento e dando espaço para convidados em duas músicas: Iara Vilaça e Fábio Seterval, que deu uma chamada na galera: “vamo aeee, vocês estão morreeendo?”. Destaque para Zumbi, Born to Suffer, Unexpected e Creation, no qual fizeram uma apresentação muito honesta na noite.

Na sequência, Venom Inc. mostrou novamente porque não deve nada para a formação original e está entre uma das melhores bandas de metal do século passado, que continuam um legado primitivo de fazer metal insano, com pegada, entusiasmo, energia, carisma, identidade e fidelidade às raízes do passado. Cobri o Kool Metal Fest em 2024, abrindo para o Possessed, e Tony ‘Demolition Man’ está mais revigorado; aos 62 anos de idade, o cara se impõe ao vivo como o saudoso Lemmy se colocava, honra o legado da banda com identidade própria e dá aula de como fazer um verdadeiro show de metal pesado, na postura de palco, sustentando um baixo pesado bem tocado, vocais furiosos, agressivo na sua presença visual e total no controle do público.

O som estava redondo, o desempenho do guitarrista Curran Murphy (com passagens pelo Nevermore e Annihilator) subiu o patamar da qualidade e ficou muito à vontade pra executar os riffs e solos, com total apoio do baterista Marc Jackson, que assumiu as baquetas ano passado e simplesmente massacrou tudo. As músicas transitaram do disco “Avé”, de 2017, e There’s Only Black, de 2022, como “Ave Satanas”, “There’s Only Black”, “Inferno”, e as clássicas “Parasite”, “Black Metal” e “Countess Bathory”. A banda agitou, curtiu, se divertiu muito mais que a última apresentação deles há dois anos... incrível!

Em seguida, e pela segunda vez aqui na Road to Metal, o Vio-Lence volta a São Paulo e não decepciona. A entrada de Sean Killian e seu vocal incrivelmente igual a 40 anos atrás, sendo único membro da formação original, trouxe consigo uma roupa laranja de prisioneiro, quando é ovacionado pelo público logo na intro de Eternal Nightmare. Seguindo com Serial Killer, dá-se então o início a um desfiladeiro de riffs, com circle pits, moshes, stage dives, tudo maravilhoso de se ver num show de thrash!

Mesmo tendo um começo caótico, de uma microfonia desgraçada vindo da mesa e som mecânico tocando junto com a banda, todos no palco se mantiveram firmes e seguiram o repertório, que passou praticamente quase todo Eternal Nightmare (1987) e alguns sons do incrível Oppressing the Masses (1990), como “I Profit” e “Officer Nice”. Entre a terceira e quarta música é que as coisas se ajeitaram na mesa de som, e a banda se impôs por completo no show; foi um regaço até a última nota, sem descanso.

Toda banda entusiasmada por estar ali, e Sean mantendo a violência ininterrupta no microfone enrolado no braço. Destaques para a formação que contava com o baterista Nick Souza, filho de Steve “Zetro” Souza (ex-Exodus), Claudeous Creamer, guitarrista do Possessed, além de Jeff Salgado no baixo e Ira Black (ex-Heathen) destruindo na guitarra; todos entregaram tudo no palco, público cantando todas as músicas, o som muito fiel ao andamento dos discos da carreira; emocionante revê-los com essa qualidade.

Pra fechar, o Forbidden subiu ao palco e não precisaram regular nada, estava tudo perfeito — o perrengue que o Vio-Lence passou no começo do show não apareceu nenhuma fagulha com os caras! Era a oportunidade pra quem não assistiu ou viu a estreia da banda no Brasil, no Summer Breeze — atual Bangers Open Air — de 2024, presenciar de muito perto o som de extrema competência de todos os integrantes. Foi aula de thrash metal, sem sombra de dúvidas!

Impressionante a execução das músicas dos dois primeiros discos (basicamente foi o Forbidden Evil (1988) e Twisted Into Form (1990) que deram a modulação do repertório), por sua vez, não havia uma nota fora, nenhuma trave no instrumental; uma das qualidades técnicas mais incríveis de se assistir. O público agitou todas as músicas, não teve um som ruim, mas fica o destaque para “Infinite”, “Out of Body (Out of Mind)”, “March Into Fire”, “Twisted Into Form”, “Forbidden Evil”, “Step by Step”, “R.I.P.”, tocada pela primeira vez, mais de 7 minutos de thrash que passou voando o tempo, “Through Eyes of Glass”, um regaço ouvir isso ao vivo, “Divided By Zero” (single lançado de 2025) e “Chalice of Blood” pra acabar com tudo.

O vocalista Norman Skinner estava muito à vontade, dilacerando agressividade, passando por partes de melodia onde mostrou uma segurança absurda na banda, sem contar a comunicação e carisma no qual o público sentiu-se mais próximo ainda da banda. É o cara certo pra fazer o Forbidden seguir em frente ao vivo e gravando discos.

No baixo, veterano da formação original Matt Camacho fez a cozinha na medida certa, sem passar ou diminuir nada, peso perfeito para o baterista Chris Kontos, um monstro tocando de luvas e uma pegada fantástica pra executar um thrash metal com tantas variações, mudanças de tempo e andamentos. O estreante na guitarra Jeremy Von Epp teve sua entrada ano passado, mas parece que está na banda há muito tempo, totalmente entrosado, tocou perfeitamente todos os sons.

E, por fim, o criador de clássicos que nenhuma banda conseguiu repetir, Craig Locicero, responsável por tudo que aconteceu no Forbidden até os dias atuais com esta formação. Os discos de estúdio ultrapassam técnica, mas, ao vivo, tem mecanismos na mão desse cara que soa quase uma metodologia particular de tocar, que não havia presenciado até então.

No ano do anúncio da aposentadoria do Dave Mustaine, Locicero não deixa morrer um legado da história de guitarristas que estão parando, que se foram, podem surgir, e ele sendo influência para milhares continuarem. Mostrou, junto com a banda, que é possível hipnotizar alguém que assiste a uma clássica, com guitarristas tocando thrash metal vivo, totalmente em alta performance.

Demorei alguns dias pra entender o que aconteceu quando acabou o show e o que eu estava presenciando nesse dia. O Forbidden é algo que não pode parar, assim como a ousadia e coragem das bandas dessa noite manterem esse espírito vivo. Tem coisas que o Metal não consegue explicar, e precisamos cada vez mais disso mesmo: de coragem e determinação de organizadores assim pra colocar no mesmo dia uma avalanche sonora dessas, que é pra ficar na memória e causar isso nas pessoas... de uma noite pra não esquecer 2026!


Texto: Roberto "Bertz" Vagner


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions 

Press: JZ Press 


New Democracy – setlist:

Zumbi 

Born To Suffer

Not & Ever

Unexpected 

Modernization 

Creation

101


Venom Inc. – setlist:

War

Parasite

Bloodlust

Ave Satanas

There's Only Black

In Nomine Satanas

Cursed

Inferno

Live Like an Angel (Die Like a Devil)

Metal We Bleed

In League With Satan

Black Metal

Countess Bathory


Vio-Lence – setlist:

Eternal Nightmare

Serial Killer

I Profit

Officer Nice

Phobophobia

Kill on Command

Calling in the Coroner

Bodies on Bodies

Upon Their Cross

World in a World


Forbidden – setlist:

Infinite

Out of Body (Out of Mind)

March into Fire

Twisted into Form

Forbidden Evil

Divided by Zero

Step by Step

R.I.P.

Through Eyes of Glass

Chalice of Blood

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Cobertura de Show: Kool Metal Fest – 09/06/2024 – Vip Station/SP

Foi o grande encontro nacional do Death Metal! Todo mundo estava lá: bandas, público de vários lugares do Brasil se encontraram no Vip Station numa tarde de domingo para celebrar esse dia histórico do Kool Metal Fest, no qual o Possessed foi a atração da noite e abarrotou o lugar.

Do lado de fora, para desespero dos evangélicos, uma multidão já estava calibrando na cerveja para poder curtir e encontrar uma cena poucas vezes vistas em Santo Amaro com a rua tomada de camiseta com cruzes invertidas, dava para sentir que lá dentro seria uma noite memorável. Ao entrar, o momento de conseguir andar e pegar uma gelada foram nas primeiras bandas. Ver amigos e cumprimentá-los era tudo no começo do evento e depois era desencontrar para não se ver mais. Estava insano o lugar!

O Facada (Fortaleza-CE), desceu o mapa até São Paulo e fez uma boa apresentação trazendo as influências do grind desde 2003. O vocal de James e bateria tocada por Vicente estavam soando muito bem, porém o som das cordas que chegava na pista estava muito embolado, faltou dar uma calibrada para ouvir uma melhor definição dos riffs do guitarrista Danyel. Deram início aos circle pits, rodas e foi uma apresentação curta, mas muito honesta e agressiva representando nosso underground do Nordeste.

Na sequência, Cemitério entrou com casa quase cheia comemorando 10 anos do primeiro disco. Hugo Golon assume o baixo e vocal com uma postura bem coesa, direta e sem perder tempo no repertório, tem um entrosamento sem igual e está bem consolidada na cena, entretanto, com Hugo assumindo duas funções, deixa o show ausente de mais vibração como Cemitério fazia antes quando era quarteto. Aquela referência do vocalista frente de palco se perdeu e precisava voltar porque era o diferencial da banda, já que as letras estão na boca do público e tudo isso deixa o show mais movimentado. A bateria e vocais estavam excelentes, mas assim como o Facada, o som das cordas só começou a melhorar nas últimas músicas - já se percebia que o problema vinha da regulagem da mesa. Cemitério tem muito crédito no underground e possivelmente terá novo álbum chegando até o fim do ano. Destaque para versão muito boa em português de “Infernal Death” (“Morte Infernal), do Death.

A terceira da noite foi o Velho representando o Rio de Janeiro balançou as extremidades. Visual marcante, bateria trigada, duas guitarras, tudo soando muito bem. O público dominava todas as letras e os cariocas fizeram um Black Metal nos moldes mais tradicionais, cru e direto, sem saturar ou perder a consistência do show. Foi uma apresentação curta, mas até o momento, na entrega do show e perfeita audição de todos os instrumentos se destacaram muito bem.

A partir daqui, não se encontrava mais ninguém que havia cumprimentado onde entra o Vulcano, que fez o show com a casa carregada, som bem alto, mas a banda executando muito bem (tirando um “over com microfonia” que não conseguiram tirar da mesa que ficou quase apresentação inteira). No entanto, entregaram uma apresentação irrefutável e clássicos que para citar aqui é chover no molhado, Total Destruição e Guerreiros de Satã fecharam a noite. O vocalista Angel estava lá, participou só no começo e Luiz Carlos Louzada segue grandemente com Vulcano, se consagrando mais uma vez com nosso clássico do underground dos primórdios da cena santista e paulista!

Necrodemon, do Chile, havia cancelado o show, enfim chega a vez do Venom Inc. deixar seu registro na noite. Infelizmente o Mantas não estava lá por conta de um infarto sofrido este ano, foi substituído por Curran Murphy (ex-Annihilator e Nevermore) e mandou muito bem. O vocal/baixista Tony “Demolition Man” Dolan colocou a casa inteira abaixo com aquele público aclamado no Vip Sation, subiu o pedestal a lá Cronos e mandou ver nas 15 músicas do repertório sem deixar faltar os clássicos. Mesmo não sendo o vocalista original, fez o melhor show da noite, tudo equilibrado, som e iluminação encaixando perfeitamente.

Por fim, o criador do estilo Death Metal esmagou o pouco espaço que havia até então. O Possessed e seu lendário vocalista Jeff Becerra na cadeira de rodas (paraplégico após um assalto em 1989) vibrava junto ao público a cada som tocado de forma impecável pela banda toda, uma excelência na execução de todas as músicas e não deixou os hinos da criação do estilo para trás, com direito a sinalizadores no circle pit em The Exorcist e os clássicos de Seven Churches, que completa-rá 40 anos em 2025. Tocaram também seis músicas do disco de 2019, “Revelations of Oblivion”, que trouxe a banda novamente para cena, um regaço descomunal despejado no palco extremamente fiel a gravação do disco. Muitos ao saírem do show, reclamaram do som muito baixo, que parecia vir somente do palco e não tinha retorno para o público. Nas redes sociais um dia após o show, Jeff publicou um vídeo agradecendo aos fãs, mas tossia muito e aparentava não estar muito bem de saúde, o que comprometeu a voz durante algumas músicas. O Possessed estava em turnê na América do Sul e provavelmente encararam uma mudança de tempo que afetou a voz ao chegar no Brasil, mesmo assim, conseguiram cumprir o papel e o show foi espetacular.

Pontos Negativos? Temos! Alguns já foram citados, mas vale lembrar que a logística dos banheiros não favorece nenhum evento desse porte. Outro ponto negativo foram as músicas nos intervalos das bandas... no flyer mostrava que haveria uma discotecagem de Metal, porém, acho que convidaram o DJ Alok, porque colocaram música eletrônica até o Venom Inc.. Só foram rolar um Pestilence antes do Possessed.

No final, deu tudo certo! Bandas de abertura trouxeram outras bandas da região e de outros Estados, arrastaram público que viajou para assisti-los, promoveu encontro de amigos, fotos, merchandising e material em massa para atender o dia histórico de 2024 para o Death Metal brasileiro e internacional.

 

Texto: Roberto “Bertz” (Fanzine Pandemia)

Fotos: Leandro Cherutti (Metal no Papel)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: Agencia Sob Controle

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia

 

Facada

Tu Vai Cair

Socorro

O Joio

Playing With Souls

Descendo Sangue

9mm de Redenção

Tudo me Faltará

Feliz Ano Novo

Nadir

Emptier

Apocalipse Agora

Cidade Morta

Falta Excesso

Podem Vir

Truculence

Instagrinder

Sarcófago

O Cobrador

Amanhã Vai Ser Pior

Chovendo Baratas

Guarda Esse Mantra pra Ti

 

Cemitério

A Volta dos Mortos Vivos

A Vingança de Cropsy

Quadrilha de Sádicos

Massacre no Texas

Tara Diabólica

Oãxiac Odèz

O Dia de Satã

A Sentinela dos Malditos

Sexta-Feira 13

Holocausto Canibal

Natal Sangrento

Morte Infernal (Death cover)

 

Velho

Mais um Ano Esfria

Senhor de Tudo

Cadáveres e Arte

Coma Induzido

A Mesma Velha História

Perto dos Portais da Loucura

Satã, Apareça!

O Único Caminho

 

Vulcano

Holocaust

Dominios of Death

Spirits of Evil

Witches'Sabbath

Ready to Explode

Death Metal

Incubus

Total Destruição

Guerreiros de Satã

Legiões Satânicas

 

Venom Inc.

Witching Hour

Bloodlust

Come to Me

War

Welcome to Hell

Inferno

Live Like an Angel (Die Like a Devil)

Blackened Are the Priests

Carnivorous

In Nomine Satanas

There's Only Black

Black Metal

In League With Satan

Countess Bathory

Sons of Satan

 

Possessed

No More Room in Hell

Damned

Pentagram

Seance

The Word

Storm in My Mind

Dominion

The Eyes of Horror

Tribulation

Graven

The Exorcist

Demon

Fallen Angel

Death Metal

Burning in Hell

domingo, 19 de novembro de 2017

Venom Inc: Honrando o Passado, mas Olhando para o Futuro


Voltando um pouco na história e também recapitulando brevemente como se deu a origem do Venom Inc., que é a reunião de dois dos fundadores do Venom, Jeff "Mantas" Dunn (guitarras) e Anthony "Abaddon" Bray (bateria), com o vocalista e baixista Tony "Demoliton Man" Dolan, o qual fez parte do grupo nos anos 90, substituindo Cronos. Após um período de hiato e retorno da banda em 1995, trazendo a formação clássica, Abaddon e Mantas acabaram deixando o Venom novamente, permanecendo apenas Cronos, que acabou prosseguindo com o nome, após consentimento verbal de Mantas, segundo o guitarrista revelou.

Cronos meio que se apoderou da marca, e deu declarações de que ele era o fundador, desmerecendo os demais membros, e gerando desde lá várias "tretas" com os ex-companheiros, como impedir Mantas e Tony de usarem o nome "Venom" na divulgação de seus shows com o M:Pire of Evil. Inclusive o grupo usa o nome Venom Inc com o logo tradicional unicamente porque foi criado por Abaddon.

Todo mundo sabe, e os ex-companheiros não cansam de dizer, que Conrad "Cronos" é um "asshole", que só pensa mesmo na grana e sobrevive as custas da marca "Venom", pois mesmo com álbuns pouco criativos ou interessantes, sempre lhe garante bons contratos e vendas. Bom, falamos no M:Pire of Evil, e foi através da banda de Mantas e Dolan que surgiu o estopim para o Venom Inc, quando Dolan convidou Abaddon para uma participação no festival Keep it True, a partir daí, arestas foram aparadas entre Mantas e Abaddon, e o line-up partiu para novos shows (os músicos não escondem que o nome "Venom inc" trouxe muito mais atenção do que o M:Pire of Evil), e solidifica essa reunião com "Avé", álbum lançado pela Nuclear Blast (e em edição nacional via Shinigami Records).


Em "Avé" podemos encontrar conexões aos elementos dos primeiros álbuns do Venom, como aquele Thrash e Speed Metal ríspido e meio "sujo", mas o trio, adicionou novas nuances, principalmente do Metal tradicional. A maturidade e experiência adquirida foram bem usadas, com o trio entregando um material de qualidade, bem acabado, onde o que mais se sobressai é o trabalho de guitarras de Mantas, com muitos bons riffs e bases e também boa performance nos solos. O trabalho destacado da guitarra tem o suporte da voz rasgada e anasalada de Tony e o peso do seu baixo, e claro, a pegada firme de Abaddon, evidenciando outro aspecto diferente dos primórdios, de que atualmente são melhores músicos. 

Aquela aura "maligna" está mantida também, no trabalho de arte da capa e em elementos sonoros e líricos que aparecem em vários momentos. A tétrica abertura de "Ave Satanas" com a canção clássica "Ave Maria" no comecinho faz essa conexão direta com a essência do clássico Venom, em uma faixa de andamento mais cadenciado, com muito peso e atmosfera dark, permeada por muitos bons riffs; "Dein Fleisch", também tem uma "aura pesada", inicia com o baixo de Tony se destacando, trazendo ao fundo vozes lamuriantes, que junto ao vocal forçando um sotaque germânico, traz um clima meio...acho que "paranoico" seria a palavra, destaque também para os solos.


O Thrash, o Speed Metal e nuances meio Mötorhead estão presentes em "Forged in Hell", destacando novamente os riffs e a bateria frenética e com uso de alguns pedais duplos, sendo que mais faixas enérgicas e velozes estão no tracklist, como "Black n' Roll", esta sim, remete muito a Mötorhead,  e ainda "Metal We Bleed" e a frenética "The Evil Dead", mostrando que, apesar de mais experientes, ainda são capazes de mostrar aquela energia que antes era o maior atrativo do grupo, só que agora com mais apuro técnico.

É muito bom sentir a energia dessas faixas mais Speed Metal, mas o Venom Inc, além da faixa de abertura, traz faixas mais cadenciadas, carregadas de peso e agregando novos elementos, como na ótima "Preacher Man", que traz elementos do Metal tradicional mesclados a timbres mais atuais. Tony entrega uma performance furiosa nos vocais, enquanto seu baixo explode em graves pesadíssimos, e Abaddon também não economiza no peso, apresentando boas variações e viradas. Mas o destaque maior é por conta novamente dos riffs secos e pesados de Mantas. E ainda "I Kneel to God", iniciando com pedais duplos, baixo trovejante e riffs cavalares, numa simbiose que confere um peso absurdo! Elementos mais tradicionais se fundem a timbres mais modernos e tonalidades mais baixas.


O Venom Inc mostra um trabalho superior ao que Cronos vem apresentando com o Venom, com um material mais interessante, trazendo uma ligação às características dos primeiros álbuns do grupo inglês, um dos precursores do Black Metal (não tanto em questões sonoras, como em atitude e temática), com melhor qualidade instrumental e em termos de criatividade, energia e produção. Mas acima de tudo, soando bem mais honesto, demonstrando que Mantas, Abaddon e Dolan estão com gana de mostrar um trabalho consistente, e não somente viver às custas de uma marca e glórias do passado. Estou do lado daqueles que proclamam este o "verdadeiro Venom"!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Venom Inc
Álbum: "Avé" 2017
Estilo: Thrash/Speed Metal, Heavy Metal
País: Inglaterra
Produção: Jeff Dunn
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Line-Up:
Tony "Demolition Man" Dolan: Baixo e Vocais
Jeff "Mantas": Guitarras
Anthony "Abaddon": Bateria


Tracklist:

1. Ave Satanas
2. Forged in Hell
3. Metal We Bleed
4. Dein Fleisch
5. Blood Stained
6. Time to Die
7. The Evil Dead
8. Preacher Man
9. War
10. I Kneel to No God
11. Black N' Roll

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segunda-feira, 9 de maio de 2016

M PIRE OF EVIL – Revisitando o passado com classe




Este disco é uma compilação de músicas do VENOM, aqui regravadas com uma produção atualizada, mas mantendo a potência, crueza e peso característicos da banda. Foram revisitados sons dos discos "Temples Of Ice", "Prime Evil" e "The Waste Lands", todos do início dos anos 90.

Como mencionado no início "Crucified" traz uma produção ‘crua’ mas com uma perfeita audição de todos os instrumentos (esta versão foi remasterizada especialmente para este lançamento na América do Sul), denotando às músicas uma impressão ‘na cara’, potencializando sobremaneira seus efeitos.

A trinca que abre o álbum é de alto calibre: “Temples Of Ice”, “Parasite” e “Kissing The Beast”. Já numa linha um pouco diferente vem “Blackened Are The Priests”, um som mais trampadão; “Carnivorous” vem com riffs nervosos e vocais doentios; “Black Legions” e “Need To Kill” são puro Speed, com destaque pro batera Marc que mostra boa desenvoltura.





“Wolverine” traz bons solos; “Crucified” dá uma amenizada na velocidade e cadencia o álbum, antes de terminar com dois sons inéditos: “Demone” e “Taking It All”. A primeira é um soco na cara, pedrada quase Death Metal. A segunda também apresenta rifferama e vocais ensandecidos característicos de Tony “Demolition Man” Dolan.Mesmo se tratando de uma Compilação, o álbum é uma boa pedida para os fãs ou para aqueles que não conhecem muito da fase com Tony. 

O batera Marc “JXN” Jackson faz um trampo estupendo, tocando com técnica e pegada firmes. Mantas faz o que sempre fez, despeja riffs e toca com afinco, é impressionante a capacidade de extrair um peso avassalador de suas seis cordas.

Enfim, Crucified é um baita disco de Metal, independente da subdivisão que aprecias.


Texto: Marcello Camargo
Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Banda: M Pire Of Evil
Álbum: “Crucified”
Estilo: Death/Thrash Metal
País: Inglaterra
Selo: Shinigami Records



Line-up:
Tony “Demolition Man” Dolan – Vocals/Bass
Mantas – Guitars
Marc “JXN” Jackson – Drums


Track List
Temples of Ice
Parasite
Kissing the Beast
Blackened are the Priests
Carnivorous
Black Legions
Need to Kill
Wolverine
Cucified
Demone
Taking All