domingo, 12 de abril de 2020

Ani Lo Projekt: Novos Ares Para o Metal Sinfônico


Ani Lo Projekt é uma banda búlgara que apresenta os incríveis talentos vocais de Ani Lozanova e de seu parceiro musical  Konstantin Dinev (Kossy D). “A Time Called Forever” é o segundo álbum da banda e está sendo lançado via Pride & Joy Music.

O álbum inicia com a excelente “Brake My Chains” com uma bateria poderosa, guitarras pesadas e, claro, a voz poderosa de Ani Lo. “A Time Called Forever” além de ser a faixa título também foi escolhida para a divulgação do álbum. A introdução de “Bleed” (um dueto entre Ani e seu marido Lachezar Stefanov) tem um ar cinematográfico que casa perfeitamente com a história contada na letra da música. 


A todo momento é possível perceber a paixão com que Ani canta todas as músicas, mas também gostaria de destacar a qualidade das composições de Jens Faber (Dawn Of Destiny), que também tocou guitarra, baixo e teclado, além de alguns guturais e vocais limpos. “End Up in Sorrow” é um pouco monótona mas é compensada em seguida com uma das minhas favoritas, “The Letter”.

Mesmo em músicas mais lentas como “Back to You” a interpretação de Ani Lo é marcante e cheia de personalidade. “Cold Death” possui riffs firmes e o meu solo de guitarra favorito desse álbum. Apaixonei-me por “Feel Inside” desde a primeira vez que a ouvi. “Fly With Me” é um dueto bem entrosado com Michael Thionville (Voodoma).


Temos mais 2 duetos com Eric Dow (Hellsott) em “Don’t Leave This World“ e “My Misery“, ambas soam bem cativantes. Por último e não menos importante “Walk Alone” uma balada mais emocional.


Apesar de ter influências de outras bandas mais conhecidas de Metal Sinfônico, Ani Lo Project tem uma sonoridade própria com arranjos mais voltados para o Power Metal e Metal Progressivo. Comparado com o álbum de estréia “Miracle”, as canções apresentam muito mais diversidade e profundidade, portanto, se você ouviu o primeiro álbum e não gostou, dê uma segunda chance para a banda ouvindo “A Time Called Forever”.

Texto: Raquel de Avelar
Edição: Carlos Garcia

Selo: Pride & Joy Music

Line-Up:
Ani Lozanova: Vocais
Doc Heyne: Guitarra
Georgi Markov: Teclados
Lars Bilke: Baixo
Ralf Greshake: Bateria

Tracklist
1. Break My Chains 4:53
2. A Time Called Forever 5:47
3. Bleed 4:28
4. End Up In Sorrow 5:16
5. The Letter 3:53
6. Back To You 3:23
7. Cold Death 4:07
8. Feel Inside 3:14
9. Fly With Me 5:13
10. Don't Leave 3:20
11. My Misery 3:53
12. Walk Alone 4:16

Ani Lo Facebook

       

domingo, 5 de abril de 2020

Ron Coolen: "Rise" Projeto Reúne Nomes Como George Lynch, Göran Edman, Keith St John e Muitos outros


Ron Coolen é um músico multi-instrumentista holandês, que, segunde ele, por volta de 1978, ao ouvir "Whole Lotta Rosie" do AC/DC sua paixão pela música começou, e nunca mais mudou. O jovem Ron viu o nascimento da NWOBHM, a explosão do Iron Maiden e do outro lado do oceano, na America, surgiam nomes como Riot e Metallica. A partir daí, se iniciou também como músico, primeiramente na guitarra, mas depois partindo para a bateria, passando por diversos projetos e bandas covers.

Ron também faz um trabalho humanitário louvável, pois abraçou a causa do guitarrista Jason Becker, que em 1993 foi diagnosticado com um raro tipo de ALS, que foi lhe tirando os movimentos, então em 2008, quando correu a maratona de Nova Iorque, e a exemplo de outros atletas participantes, resolveu correr por caridade, e escolheu a causa de Jason.

Ron Coolen
Desde então, sempre vem ajudando a fundação Jason Becker, inclusive co-organizando um festival na Holanda. Ron também teve um programa de rádio em uma estação holandesa, e através dele fez muitos amigos e contatos, o que lhe ajudou a conseguir brindes para ajudar a arrecadar fundos para ajudar Jason.

E agora em 2020 Ron Coolen realiza um sonho, lança o álbum "Rise", fruto da sua vontade em criar suas próprias músicas, desde que voltou a se dedicar a guitarra, e com a ajuda de diversos dos amigos que fez no mundo da música, conseguiu reunir um time respeitável de convidados neste trabalho, desde nomes consagrados como George Lynch, Göran Edman (Malmsteen, Brazen Abbot, Kharma e muitos outros), o vocalista Keith St. John (Burning Rain, Montrose) e Chris Amott (Arch Enemy) a nomes ascendentes como o jovem prodígio da  guitarra Joey Conception (atualmente no Sanctuary).

Ron iniciou a composição de "Rise" alguns anos atrás, se encarregou de diversos instrumentos, bateria, baixo, teclados, guitarra base e até arriscando alguns solos, fazendo um trabalho de respeito! Com a parte lírica, teve ajuda principalmente de Keith St John e de Francoise Vaal, parceria de projetos anteriores.

George Lynch
O álbum foi gravado em dois estúdios na Holanda, e os vocais e guitarras solos em diversos outros estúdios, nas cidades e países dos vários convidados que aparecem no disco. A produção e masterização final foi feita por Hans Pieters, músico, engenheiro de som e produtor que trabalhou com bandas como After Forever, Sinister, Epica e outros.

"Rise" é um álbum calcado principalmente no Hard Rock e Heavy Metal clássicos, mas em alguns momentos apresenta elementos mais modernos, algo de Metal Extremo e até Prog.

Os elementos principais, o Hard e Classic Rock, já pode ser percebido na abertura, e primeiro single, "Big Devil Data", de levada cadenciada e pesada, com nuances Classic Rock e Hard Rock, excelentes solos, a cargo de Thorsten Koehne (Eden's Curse) e com Keith mostrando seus dotes vocais, os quais lembram muito dos vocalistas do Hard e Classic Rock 70's.


E realmente, algo a se destacar no álbum são os excelentes vocais de Keith e o belo trabalho nas guitarras solo, com caras de muito talento e técnica, como Thorsten, Joey Conception, Stéphan Forté (Adagio), Christopher Amott e a lenda George Lynch.

Temos também momentos com Hard Rock com aquele groove e malícia 80's, como em "Too Late to Surrender" ou "Sin City", que tem como destaque as guitarras de George Lynch, esbanjando classe e técnica.

Mas não é só Hard Rock e Classic Rock,  também podemos encontrar elementos mais modernos, como em "Kill, Kill, Kill", uma faixa com bastante peso e agressividade, tendo passagens bem velozes alternando vocais altos e limpos e alguns guturais. Os vocais principais aqui ficaram por conta de Sam Walters, do Driven Mad, dos EUA.. "From Your Mouth", também segue uma linha mais moderna, com mais agressividade e alguns vocais guturais.

Keith St John
"Selfishness", que fecha o álbum, merece destaque, com sua levada cadenciada, jeitão épico, bons solos de guitarra e teclado e os vocais do grande vocalista sueco Göran Edman.

Em resumo, um bom álbum de Hard Rock e Metal, onde as ideias e produção estão bem resolvidas e coesas, trazendo momentos bem interessantes e boas músicas, não se limitando a somente ter nomes conhecidos como atrativo, ou seja, os participantes contribuíram em muito para complementar as ideias de Ron Coolen, e o conjunto todo funcionou muito bem. 

Além de um bom álbum, é muito interessante acompanhar as letras e as partes que cada um dos músicos participa, e tem muitos mais que não citei acima, é um exercício bem legal você ouvir e ir descobrindo outros nomes interessantes que participaram do projeto, quase que como catar easter eggs! 

Ron Coolen
Ah, vale lembrar que parte da renda com as vendas do álbum físico e streamings vai para a fundação Jason Becker. Bela atitude!

Texto: Carlos Garcia


Confira o site oficial para mais informações e adquirir o álbum:

Saiba mais sobre a Jason Becker Charity

Tracklist:

1. Big devil data
2. White Summer
3. Too late to surrender
4. Sin City
5. Gotta shoot your devils down
6. Ashes to Ashes
7. Paradise
8. Kill Kill Kill
9. Rise
10. Stories
11. From your mouth
12. Selfishness


terça-feira, 24 de março de 2020

Hartmann: Comemorando 15 anos do Trabalho Solo




O prolífico cantor, guitarrista e compositor Oliver Hartmann lança mais um álbum de sua considerável carreira solo. "15 Pearls and Gems" foge daquilo encontrado no Avantasia, projeto em que Hartmann é mais associado.
Esse trabalho além do clamor pop realiza uma mescla de alternativo com rock clássico.

No rol oldschool tem a faixa de abertura "Can't Stop this Train", evocando um AC/DC era Brian Johnson, "You Will Make It", talvez uma das melhores, usa acordes chocantes possuindo também aquela malícia bluseira, algo que o Glenn Hughes faria. Hartmann puxa uma voz rouca e pesarosa parecida com a do baixista James Dewar. "Street Cafe", exibe um começo lento preparando o terreno para um ápice comemorativo. "Fire and Water" parece uma versão mais poderosa de "Street Cafe"


Na ala das baladas tem a bem acabada "Uninvited" na qual Hartmann explora mais nuances da sua voz além de dosar o uso das guitarras pesadas entre os demais instrumentos. Ela se desdobra num clima oriental e dá um ar de renovação no álbum. "How does It Feel" tem um arquétipo de "Dream On" do Aerosmith embora seja menos passional que esta. "The Sun's Still Rising" é um registro ao vivo, cruza Pearl Jam com Black Crowes.

Ainda poderia citar "When the Rain Begins to Fall" um divertido dueto com a cantora Ina Morgan sobre uma estrutura musical mais sintetizada e "Go to Extremes", um blues pop rock contendo boas frases de guitarra. Ótima pra ouvir dirigindo.


"Pearls and Gems" é retocado. Dentro da proposta comercial oferece capricho e não é apenas um apanhado de músicas rejeitadas de outros trabalhos. O conceito dele é bem definido. Pra ser chato eu reclamaria apenas do excesso de faixas, algumas não soam tão inspiradas. Também reduziria a porção de canções ao vivo. Pela verve pop, tudo parece extremamente planejado e não temos tanta personalidade no quesito instrumental, ainda que Hartmann deixe uns espaços para as guitarras ecoarem. Isso talvez espante alguns que busquem mais destaque para cada componente.

No mais, "15 Pearls and Gems", não faz feio, uma ideia pós grunge bem trabalhada e quem sabe no futuro ele não seja uma joia perdida de 2020? 

Texto: Alex Matos (Equipe Rock Idol)
Conheça o Canal Rock Idol

Banda: Hartmann
Álbum: "15 Pearls and Gems" (2020)
País: Alemanha
Estilo: Hard Rock
Selo: Prode & Joy Music


Tracklist:

1. Can’t stop this train
2. Walkin on a thin line
 3. How does it feel?
4. You will make it
 5. Glow (Remix 2020)
6. When the rain begins to fall (Feat Ina Morgan)
7. Street Café
8. I go to extremes
9. Uninvited
10. Fire and Water
11. The sun’s still raising (live)
12. What If I (live)
13. Don’t give up your dream (live)
14. Brothers (live) (feat Tobias Sammet)
 15. Out in the cold (Live)


       


domingo, 15 de março de 2020

The Night Flight Orchestra: Revisão Eficaz da Musicalidade dos Anos 80


Da bebedice do cantor Björn Strid e do guitarrista David Anderson, durante suas atividades pelos Estados Unidos surgiu o projeto paralelo The Night Flight Orchestra. Sua característica era reconstruir o rock típico das estações de rádio norte-americanas.

Desde 2007, o grupo sueco lançou 5 álbuns. O curioso é existir uma espécie de retrospectiva conceitual álbum a álbum. Nos primeiros dois trabalhos houve um amadurecimento em ajustarem o som pesado que faziam pra canções comuns da segunda metade dos anos 70.

O quinto álbum "vira a década de vez", reproduzindo tudo aquilo que o rock sintetizado dos anos 80 poderia oferecer. Dentro da proposta, não apenas passam o clima certo mas mostram competência e qualidade. Está longe de ser um mero tributo decalcando genericamente os hits de uma época.


Em "Aeromantics", Björn dá uma intensificada no seu jeito de cantar estilo Martin L. Gore e Tony Hadley. Aqui usaram sem piedade arranjos tipicamente feitos no Synclavier, Emulator entre outras parafernalhas eletrônicas há certo tempo sinônimo da breguice, atualmente redescobertas e bem empregadas.

As várias camadas sintetizadas tentam passar uma forte carga sentimental ao lado de pratos reluzentes a ponto de cegar de tanto reverb. Os trechos melancólicos gradualmente culminam em refrões catárticos. Geram aquele sentimento motivacional de filmes daqueles mesmos tempos. As letras vão do melodrama ao sentimento de superação.

Abaixo citarei os pontos altos de "Aeromantic":

Servents of the Air: O riff central lembra "Live Wire" do Mötley Crüe partindo pra uma interessante ponte cromática que desdobra no refrão. Essa parte é meio flutuante. Os acordes são ressonantes apresentando bateria militarizada e pratos cheios de reverb. A música se reveza nos três trechos. 

Na reta final há um momento meio suingado nos moldes do Yes com as notas da guitarra expressivas. Em seguida rola uma sessão de solos, um no  sintetizador e outro na guitarra, parecendo algo do Joe Walsh. Com certeza a melhor faixa. A letra retrata possivelmente um aviador sobrevoando seu amor não correspondido.

Carmencita Seven: Uma das mais memoráveis, a guitarra tem maior influência e o sintetizador se limita a enfatizar os trechos da música. O solo final é muito expressivo.

Aeromatic: Puxa algo de "90125" do Yes, com Refrão extremamente AOR. O baixo segue uma tendência disco. Apesar de muito esforçada eu ainda acho ela fraca pra som titular em comparação as duas músicas citadas acima.

Divinyls: Seu tema base é o centro nervoso pra todos os componentes da canção, mesmo a cantoria não tenta fugir muito dos trilhos. Há vozes de apoio surgindo nos pontos chave da voz de Björn, uma linha de baixo mais aparente e ainda a canção guarda uns trechos difíceis de não remeter ao David Gilmour. A letra parece falar de superação.


If Tonight Is Our Only Chance: Poderia muito bem ser algum single do cantor Robert Tepper. Toda aquela carga emocional que um filme do Stallone pediria. A letra é tão melodramática quanto a condução da voz na música inteira.

Curves: Atende a um ritmo caribenho com um solo meio Michael Knopfler.

Transmissions: Parece uma reinterpretação do Abba principalmente no ápice da música. A voz de Björn está mais nervosa.

"Aeromantic" explora de maneira eficaz a musicalidade dos anos 80 sem parecer algo cafona ou mera pastiche, embora seus clipes zombem um pouco do clima oitentista. Se bobear superam muitas canções daquela era, pois houve uma revisão daquilo a ser evitado para não deixar brega. Quem curte esse revival de synthrock, é uma boa pedida.

Texto: Alex Matos (Equipe Rock Idol - Conheça o canal NESTE LINK)

Banda: The Night Flight Orchestra
Ábum: "Aeromantic" 2020
Estilo: AOR, Synthrock, Classic Rock
País: Suécia
Selo: Nuclear Blast (Brasil via Shinigami Records)

Line-up:
Björn "Speed" Strid - vocais
David Andersson - guitarra
Sharlee D'Angelo - baixo
Jonas Källsbäck - bateria
Sebastian Forslund - congas, percussão, guitarra
Anna-Mia Bonde - vocais alternativos
Anna Brygård - vocais alternativos


Tracklist:
01. Servants of the Air
02. Divinyls
03. If Tonight Is Our Only Chance
04. This Boy's Last Summer
05. Curves
06. Transmissions
07. Aeromantic
08. Golden Swansdown
09. Taurus
10. Carmencita Seven
11. Sister Mercurial
12. Dead of Winter


       

       

       

terça-feira, 10 de março de 2020

Re- Machined: O Metal dos anos 80 e NWOBHM "Re-Usinado"



Com sua demo homônima, a banda de Mainz (Alemanha), o RE-MACHINED, chamou logo atenção no underground alemão em 2018, angariando admiradores e fãs. Com músicos que são experientes e competentes, a banda empolga com seu Heavy Metal pesado e clássico, com nuances Hard, trazendo solos delicados de guitarra e melodias cativantes.

Receberam inúmeras críticas positivas em publicações impressas e on-line rapidamente levaram a solicitações de shows e resultaram em concertos como banda de apoio para Manilla Road, Gun Barrel , Bonfire  e Trance.

O debut "Wheels Of Time" traz a inspiração e a marca de grandes ícones do Metal 80's, principalmente o Accept, para situar o leitor. O timbre vocal e a maneira de cantar soa como um encontro de Udo com Biff Byfford.  Asc músicas trazem um ênfase nos riffs e refrãos marcantes, trazendo melodias cativantes. 


Não há baladas, nem covers, nem teclados; no entanto, não há fôlego! Há uma variedade bem legal, entre músicas mais cadenciadas, com algumas mais velozes, trazendo em sua maior parte as citadas influências do Metal e Hard/Heavy anos 80 e NWOBHM, mas também algumas nuances 70's e até algo do Power Metal atual.

Músicas como "Brother Sun, Sister Moon", com suas guitarras dobradas e melodias marcantes, ou "In My Life" respiram o espírito do final dos anos 70 e tem aquela mescla do Hard e Heavy, e o próprio release cita Thin Lizzy e Demon e com razão.

 Destaques: é um álbum muito homogêneo, daqueles de curtir do início ao fim, mas cito a abertura explosiva e pesada de "Heart on Fire", com seu baixo poderoso, riffs e melodias cativantes, e principalmente o refrão, que gruda de imediato; "Prisoner", que traz algo de Saxon, principalmente nos vocais.


O impacto de velocidade de "Fear", o peso dos riffs de "Re-Machined", onde as influências do Accept clássico pulsam, e "Change Your Mind", que mescla levadas mais cadenciadas e pesadas com passagens melodiosas na ponte e refrão.

O renomado produtor Markus Teske, que tem no currículo trabalhos com SAGA , UDO e The New Roses, foi encarregado de mixar "Wheels Of Time".

Altamente indicado a fãs das influências citadas, como Saxon, Accept e NWOBHM. Uma bela estreia, carregada de Heavy Metal e Hard Rock cativante, de grandes riffs e refrãos, pronto para agradar os headbangers que procuram novos nomes que tragam aquela sonoridade clássica, sem soar como uma mera cópia! 

Texto: Carlos Garcia

Banda: Re-Machined
Álbum: "Wheels of Time" 2020
País: Alemanha
Estilo: Heavy Metal, 80's Heavy Metal, Hard Rock
Selo: Pride & Joy Music

Site Oficial

Line-up:
Horst Pflaumer: Guitar
Volker Brecher: Drum
Bruno Strasser: Bass
Thomas Ritter: Vocal
Andreas Glanz: Guitar

Tracklist
1.            Heart on Fire    
2.            Prisoner             
3.            Brother Sun, Sister Moon          
4.            Re-Machined   
5.            In My Life          
6.            Wheels of Time              
7.            To Hell and Back             
8.            No Master         
9.            Killing Words    
10.          Fear       5:00      
11.          Change Your Mind
12.          Paradise Lost


         


       

quinta-feira, 5 de março de 2020

Burning Witches: O Heavy Metal Clássico se Renova!


O quinteto feminino Burning Witches foi formado na Suíça em 2015, nascido da intenção da guitarrista Romana Kalkuhl, que queria, antes de tudo, montar uma banda marcada pela cumplicidade, companheirismo, e claro, amor ao Heavy Metal. Completaram a formação inicial Lala (bateria), Alea (guitarras), Seraina (Vocais) e Jeanine (baixo).   (English Version)

As inspirações e  influências, claro, principalmente do Heavy Metal clássico, de grandes nomes, alguns surgidos já nos anos 70, e a sonoridade e visual 80's, e podemos citar bandas como Judas Priest, Dio, Manowar e King Diamond.

Em 2016 lançam o primeiro trabalho, simplesmente denominado “Burning Witches”, de forma independente, o qual recebe muitas críticas positivas em sites e revistas de renome na Europa. Essas ótimas reações chamaram a atenção da maior gravadora de Heavy Metal, a alemã Nuclear Blast, que ofereceu um contrato.


Final de 2017 a guitarrista Alea Wyss deixa a banda, e é recrutada uma carismática e técnica nova dona das seis cordas, a holandesa Sonia “Anubis” Nusselder. Lançaram em 2018 o segundo trabalho, “Hexenhammer”, e partem para uma turnê passando por diversos países, tocando inclusive em muitos festivais europeus importantes, como Bang Your Head e Wacken.

Em 2019 a vocalista Seraina Telli também deixa a banda para dedicar-se a outros projetos, e a banda recruta mais uma holandesa, Laura Guldemond, vocalista com muita personalidade, que além da beleza e uma presença de palco marcante, trouxe mais possibilidades ao som das bruxas.


2019 foi um ano agitado, prosseguindo com muitos shows e a banda ganhando ainda mais adeptos. Um single e um EP também foram lançados, “Wings of Steel”, as primeiras gravações oficiais com a nova vocalista. 

E agora em 2020, mais precisamente em 06 de março, a Burning Witches lança seu terceiro trabalho, “Dance With the Devil”, que promete levar o quinteto a outro patamar, com uma popularidade cada vez maior no cenário Metal.

Produzido por V.O. Pulver (The German Panzer, produtor de álbuns do Rage, Pro-Pain, Destruction e outros) e Schmier (Destruction), a banda manteve sua sonoridade, transpirando o Heavy Metal clássico com pitadas de Power Metal, porém adicionando um pouco mais de variedade e melodia.


Nos álbuns anteriores eu diria que elas puxavam mais para uma linha Judas Priest, e agora há uma variedade maior, tanto pela evolução de toda a banda, como também pela contribuição de Laura, que, além de criar linhas vocais variadas - chegando até a alguns trechos com guturais - coloca muita energia nas interpretações.

Essa maior variedade não trouxe somente mais melodia, pois há também faixas em que temos algumas passagens, riffs e vocais que possuem um pé no Thrash Metal tradicional, aquele recheado de riffs em cima de riffs, naquela linha Slayer do "Show no Mercy", por exemplo.

Inovação? Não é preciso inventar nada novo se você produz boas e sinceras músicas dentro do estilo que se propôs, e a Burning Witches dá um show neste quesito, trazendo riffs bem tradicionais e marcantes, refrãos fortes e muita energia.

Então em um belo álbum de Heavy Metal, temos 12 faixas (contando a intro) bem lineares em qualidade, mas com algumas que se destacam, como a abertura frenética com "Lucid Dream", uma locomotiva, com muita agressividade nos vocais e riffs beirando o Thrash; a já conhecida faixa título "Dance With the Devil", que traz mais melodia, licks e riffs marcantes e um refrão pegajoso. Anos 80 total!


Aquela balada Metal poderosa não poderia faltar, e "Black Magic" cumpre seu papel com louvor, naquela linha tradicional, melodiosa e com trechos acústicos e crescendo no refrão; "Sea of Lies" traz variações alternando trechos mais cadenciados e velozes. Laura alterna vocais mais melódicos com alguns guturais, e as guitarras brilham ora sozinhas, ora em uníssono, com melodia e agressividade.

"Necronomicon" tem um andamento mais arrastado e pesado, trazendo riffs cavalgados e vocais furiosos! "The Final Fight" é bem melodiosa, trazendo guitarras dobradas, segue uma linha que lembra bastante o Maiden em seu andamento. O refrão também é bem pegajoso e marcante.

Vale destacar também o já tradicional cover/versão, nos anteriores elas homenagearam Judas e Dio, desta vez é Manowar (em algumas edições especiais também há uma cover de King Diamond), e elas apresentam uma bela versão revisitada de "Battle Hymn", que contou com Ross "The Boss" e Mike Lepond (Symphony X) como convidados.


Em resumo, um belo e empolgante álbum de Heavy Metal, com muitas das nuances e até "clichês" tradicionais do estilo, mas feitos de forma muito honesta e competente. É diversão garantida!O certo é que não dá para duvidar da força deste quinteto, e de que 2020 poderá ser o ano das bruxas!

Texto: Carlos Garcia

Banda: Burning Witches
Álbum: "Dance With the Devil" 2020
Estilo: Heavy Metal, Power Metal
País: Suíça
Selo: Nuclear Blast (no Brasil, sairá via parceria NB e  Shinigami Records)

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Line-Up
Laura Guldemond: Vocais
Romana Kalkuhl: Guitarras
Sonia Anubis: Guitarras
Jay Grob: Baixo
Lala: Bateria

Tracklist:
1. The Incantation
2. Lucid Nightmare
3. Dance With The Devil
4. Wings Of Steel
5. Six Feet Underground
6. Black Magic
7. Sea Of Lies
8. The Sisters Of Fate
9. Necronomicon
10. The Final Fight
11. Threefold Return
12. Battle Hymn