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| Tim Tronckoe |
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Firewind: A Essência em Novas Dimensões (Also In English)
Europe: Quatro Décadas Sem Olhar Para Trás (Also In English)
Por Flavio Borges
Quatro décadas depois de The Final Countdown, o Europe poderia simplesmente viver de seu passado. E ninguém poderia culpá-lo por isso. Em vez disso, a banda escolhe olhar para o presente, colocando peso, ambição e uma inquietação quase inesperada em um álbum que talvez seja uma das demonstrações mais claras de sua vitalidade nos últimos anos.
É preciso coragem para desafiar o próprio legado. Poucas bandas carregam um hino tão monumental quanto “The Final Countdown” — e menos ainda conseguem sobreviver por quatro décadas sem se tornarem prisioneiras dele. O Europe poderia facilmente passar o resto da carreira celebrando suas glórias. Em vez disso, prefere continuar avançando.
É desse confronto entre passado e presente que nasce Come This Madness. Joey Tempest e companhia olham para um mundo cada vez mais turbulento e respondem com peso, tensão e, acima de tudo, personalidade. Produzido por Tom Dalgety e gravado em Estocolmo, o álbum conta com participações de Tobias Forge (Ghost) e Mikael Åkerfeldt (Opeth), além da experiência de Mike Fraser na mixagem. Mais do que reunir nomes importantes, entretanto, essa equipe ajuda a construir uma sonoridade que permite ao Europe soar atual sem apagar aquilo que o transformou em uma das bandas fundamentais do hard rock europeu.
E a intenção fica clara logo nos primeiros segundos. “One on One” não é apenas a abertura de Come This Madness; é uma declaração de princípios. O riff pesado, o baixo pulsante e a bateria de Ian Haugland empurram a música para frente, colocando a banda em uma posição mais agressiva do que aquela normalmente associada à sua imagem mais conhecida. Os teclados de Mic Michaeli continuam presentes, assim como a melodia característica e a voz inconfundível de Joey Tempest, mas tudo aparece revestido por uma produção mais encorpada e contemporânea. É como se o Europe dissesse, antes mesmo de o álbum começar de fato: não estamos aqui para repetir “The Final Countdown”.
Se “One on One” funciona como um cartão de visitas, “The Cult of Ignorance” elimina qualquer dúvida sobre as intenções do grupo. Mais pesada e carregada de tensão, a faixa amplia a atmosfera estabelecida pela abertura e mostra uma banda confortável em explorar seu lado mais contundente. John Norum assume as guitarras com a autoridade de quem não precisa provar absolutamente nada, enquanto Michaeli acrescenta camadas e profundidade sem suavizar o impacto. Tempest, por sua vez, entrega a letra com uma combinação de indignação e controle que reforça a sensação de urgência.
É aqui que Come This Madness começa a revelar algo além de sua força musical. “The Cult of Ignorance” transforma a inquietação sonora em comentário sobre o presente, abordando ignorância, intolerância e as tensões de uma sociedade cada vez mais polarizada. Não é uma banda veterana tentando parecer jovem ou agressiva; é uma banda usando a experiência acumulada para falar sobre um mundo que mudou radicalmente desde os anos 1980. A sequência das duas primeiras faixas é reveladora: primeiro o Europe reafirma que ainda sabe soar poderoso; em seguida, demonstra que ainda tem algo a dizer.
Mas Come This Madness não vive apenas de peso e tensão. O Europe continua sendo, antes de tudo, uma banda de canções — e é justamente quando as guitarras cedem espaço para melodias mais elaboradas que sua experiência se torna ainda mais evidente. A banda conhece o valor de um bom refrão, sabe construir tensão antes de liberá-la e entende que uma grande composição não precisa necessariamente de velocidade para causar impacto.
Esse equilíbrio entre contundência e melodia é uma das grandes virtudes do álbum. O Europe não precisa escolher entre ser pesado ou acessível. Transita entre esses dois universos com naturalidade, preservando sua identidade enquanto amplia suas possibilidades. Joey Tempest continua sendo um dos grandes intérpretes do hard rock europeu, mas sua performance aqui parece menos preocupada em demonstrar alcance e mais interessada em transmitir emoção e significado. Há maturidade em sua voz — não apenas técnica, mas também interpretativa.
Grande parte da personalidade do álbum está na interação entre John Norum e Mic Michaeli. Norum continua sendo um guitarrista que entende que um grande solo precisa estar a serviço da música, e não o contrário. Seus riffs dão ao disco boa parte de sua musculatura, enquanto os solos aparecem nos momentos certos, acrescentando tensão e emoção sem cair no exibicionismo. Michaeli, por outro lado, é quase um personagem invisível por trás da arquitetura do álbum. Seus teclados não estão ali simplesmente para reproduzir o Europe dos anos 1980; criam ambientes, acrescentam peso e ampliam a dimensão épica de determinadas passagens.
É justamente essa combinação que impede Come This Madness de se transformar em um simples exercício de hard rock tradicional. Há ecos evidentes das referências que sempre fizeram parte do DNA da banda — do hard rock britânico dos anos 1970 ao metal melódico europeu —, mas o Europe absorve essas influências sem parecer preso a nenhuma delas. O resultado é familiar, mas não acomodado; clássico, mas definitivamente não retrô.
Essa maturidade também aparece quando o grupo reduz a velocidade. Come This Madness não precisa permanecer permanentemente no modo “ataque”. Há espaço para atmosferas mais introspectivas e arranjos delicados, permitindo que o contraste entre força e vulnerabilidade se torne parte da dinâmica do álbum. É nesse terreno que o Europe demonstra que sua evolução ao longo das últimas décadas não foi apenas uma mudança de sonoridade, mas também de perspectiva.
A faixa-título leva essa proposta ainda mais longe. “Come This Madness” é uma das composições mais ambiciosas do disco, construída sobre mudanças de dinâmica e diferentes atmosferas. A música cresce, recua e volta a ganhar força, funcionando quase como uma síntese das intenções do álbum. Se existe um ponto menos convincente, está justamente em um de seus momentos de maior contenção: o trecho mais lento interrompe um pouco o fluxo antes que a composição retome sua intensidade. É uma escolha ousada, embora talvez pudesse ser ligeiramente mais enxuta.
Ainda assim, a ambição compensa. O Europe não está interessado em entregar apenas mais uma coleção de faixas eficientes. Existe uma tentativa clara de construir um álbum com identidade própria, no qual produção, arranjos, letras e performances caminham na mesma direção.
“Scandinavian Eyes” reforça essa impressão ao incorporar uma dimensão mais atmosférica e contemplativa.
A presença de Tobias Forge e Mikael Åkerfeldt nos vocais de apoio acrescenta uma camada simbólica particularmente interessante: dois artistas de gerações diferentes do rock sueco contribuindo para o trabalho de uma banda que ajudou a colocar o país definitivamente no mapa do hard rock internacional. O mérito, porém, está em como essas participações são incorporadas ao universo do Europe sem transformar os convidados em simples chamariz.
No conjunto, Come This Madness soa como o trabalho de uma banda que já não precisa provar que pertence à história. E talvez seja justamente por isso que consiga tocar com tanta liberdade. O Europe não tenta recuperar a juventude perdida, tampouco reproduzir uma fórmula que funcionou há 40 anos. Sua maior conquista aqui é outra: usar a experiência como ferramenta criativa, e não como justificativa para repetir o passado.
Isso não significa que o álbum seja uma ruptura radical. Quem acompanha a trajetória do Europe sabe que elementos do classic rock, do hard rock setentista e de suas próprias raízes continuam presentes. Algumas escolhas poderiam ser mais ousadas e nem todas as composições alcançam o mesmo nível de inspiração. Mas exigir uma reinvenção completa seria perder justamente aquilo que torna o disco interessante.
Come This Madness funciona porque entende a diferença entre identidade e repetição.
Quarenta anos depois de “The Final Countdown”, a pergunta mais importante já não é se o Europe consegue escrever outra música como aquela. Não consegue — e não precisa. O que importa é saber se ainda existe criatividade por trás do nome, se esses músicos ainda têm algo a dizer e se a banda ainda consegue entrar em estúdio com vontade de desafiar a própria zona de conforto.
A resposta está nas guitarras de Norum, nos teclados de Michaeli, na voz de Tempest, na bateria de Haugland, no baixo de Levén e, principalmente, na maneira como esses músicos transformam experiência em energia.
Come This Madness não é uma tentativa de voltar ao passado. É o Europe aceitando seu legado, colocando-o de lado por alguns instantes e perguntando o que ainda pode fazer com tudo o que aprendeu ao longo dessas quatro décadas.
E talvez essa seja a maneira mais apropriada de celebrar 40 anos de The Final Countdown: não olhando para trás, mas mostrando que a contagem regressiva ainda não terminou.
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| Andy Ford |
***ENGLISH VERSION***
Four decades after The Final Countdown, Europe could simply live off its past. And no one could really blame them for doing so. Instead, the band chooses to look forward, bringing weight, ambition and an almost unexpected sense of restlessness to an album that may well be one of the clearest demonstrations of their vitality in recent years.
It takes courage to challenge your own legacy. Few bands carry a song as monumental as “The Final Countdown” — and even fewer manage to survive four decades without becoming prisoners of it. Europe could easily spend the rest of their career celebrating their glory days. Instead, they choose to keep moving forward.
It is from this confrontation between past and present that Come This Madness emerges. Joey Tempest and company look at an increasingly turbulent world and respond with weight, tension and, above all, personality. Produced by Tom Dalgety and recorded in Stockholm, the album features guest appearances from Tobias Forge (Ghost) and Mikael Åkerfeldt (Opeth), with Mike Fraser handling the mix. More than simply bringing together a collection of big names, however, this team helps create a sound that allows Europe to feel contemporary without erasing what made them one of the defining bands of European hard rock.
And the intention becomes clear within the first few seconds. “One on One” is not merely the opening track of Come This Madness; it is a statement of intent. The heavy riff, pulsing bass and Ian Haugland’s driving drums push the song forward, placing the band in a more aggressive territory than the image most commonly associated with them. Mic Michaeli’s keyboards are still there, as are the characteristic melodies and Joey Tempest’s unmistakable voice, but everything is wrapped in a fuller, more contemporary production. It is as if Europe is saying, before the album has even properly begun: we are not here to repeat “The Final Countdown”.
If “One on One” works as a calling card, “The Cult of Ignorance” leaves no doubt about the band’s intentions. Heavier and charged with tension, the track expands on the atmosphere established by the opener and shows a band entirely comfortable exploring its more forceful side. John Norum handles the guitars with the authority of a player who has nothing left to prove, while Michaeli adds layers and depth without taking away any of the impact. Tempest, meanwhile, delivers the lyrics with a combination of indignation and restraint that reinforces the sense of urgency.
This is where Come This Madness begins to reveal something beyond its musical strength. “The Cult of Ignorance” turns its musical unease into a comment on the present, addressing ignorance, intolerance and the tensions of an increasingly polarised society. This is not a veteran band trying to sound young or aggressive; it is a band using the experience it has accumulated to speak about a world that has changed dramatically since the 1980s. The sequence of the first two tracks is revealing: first, Europe reminds us that they still know how to sound powerful; then they show that they still have something to say.
But Come This Madness does not live on weight and tension alone. Europe remains, above all, a band built around songs — and it is precisely when the guitars make room for more elaborate melodies that their experience becomes even more apparent. They understand the value of a good chorus, know how to build tension before releasing it, and recognise that a great song does not necessarily need speed to make an impact.
That balance between punch and melody is one of the album’s greatest strengths. Europe does not have to choose between being heavy and accessible. They move naturally between the two worlds, preserving their identity while expanding their possibilities. Joey Tempest remains one of the great voices in European hard rock, but his performance here seems less concerned with demonstrating his range and more interested in conveying emotion and meaning. There is maturity in his voice — not merely technical maturity, but interpretive maturity as well.
Much of the album’s personality comes from the interplay between John Norum and Mic Michaeli. Norum remains a guitarist who understands that a great solo has to serve the song, not the other way around. His riffs provide much of the album’s muscle, while his solos arrive at the right moments, adding tension and emotion without slipping into unnecessary showmanship. Michaeli, meanwhile, is almost an invisible character behind the album’s architecture. His keyboards are not simply there to recreate Europe’s 1980s sound; they create atmosphere, add weight and broaden the epic dimension of certain passages.
It is precisely this combination that prevents Come This Madness from becoming just another exercise in traditional hard rock. There are clear echoes of the influences that have always been part of the band’s DNA — from 1970s British hard rock to European melodic metal — but Europe absorbs those influences without sounding trapped by any of them. The result is familiar, but never complacent; classic, but definitely not retro.
That maturity also becomes apparent when the band slows things down. Come This Madness does not need to remain permanently in attack mode. There is room for more introspective atmospheres and delicate arrangements, allowing the contrast between strength and vulnerability to become part of the album’s dynamics. It is in these moments that Europe demonstrates that its evolution over the past few decades has not simply been about changing its sound, but also about changing its perspective.
The title track takes that idea even further. “Come This Madness” is one of the album’s most ambitious compositions, built around shifts in dynamics and contrasting atmospheres. The song grows, pulls back and then gathers strength again, almost functioning as a summary of the album’s intentions. If there is a less convincing moment, it comes precisely during one of its most restrained passages: the slower section slightly interrupts the flow before the song regains its intensity. It is an ambitious choice, although perhaps one that could have been trimmed a little.
Still, the ambition pays off. Europe is not interested in delivering just another collection of efficient songs. There is a clear attempt to build an album with an identity of its own, one in which production, arrangements, lyrics and performances all move in the same direction.
“Scandinavian Eyes” reinforces that impression by introducing a more atmospheric and contemplative dimension.
The presence of Tobias Forge and Mikael Åkerfeldt on backing vocals adds an especially interesting symbolic layer: two artists from different generations of Swedish rock contributing to the work of a band that helped put Sweden firmly on the international hard rock map. The real achievement, however, lies in the way those appearances are incorporated into Europe’s universe without turning the guests into mere promotional attractions.
Taken as a whole, Come This Madness sounds like the work of a band that no longer needs to prove that it belongs in history. And perhaps that is precisely why they are able to play with such freedom. Europe is not trying to reclaim lost youth, nor are they attempting to reproduce a formula that worked 40 years ago. Their greatest achievement here is something else: using experience as a creative tool rather than as an excuse to repeat the past.
That does not mean the album represents a radical departure. Anyone familiar with Europe’s career knows that elements of classic rock, 1970s hard rock and the band’s own roots remain firmly in place. Some choices could have been bolder, and not every composition reaches the same level of inspiration. But demanding a complete reinvention would miss precisely what makes the record interesting.
Come This Madness works because it understands the difference between identity and repetition.
Forty years after “The Final Countdown”, the most important question is no longer whether Europe can write another song like it. They cannot — and they do not need to. What matters is whether there is still creativity behind the name, whether these musicians still have something to say, and whether the band can still walk into a studio with the desire to challenge its own comfort zone.
The answer is in Norum’s guitars, Michaeli’s keyboards, Tempest’s voice, Haugland’s drums, Levén’s bass and, above all, in the way these musicians turn experience into energy.
Come This Madness is not an attempt to return to the past. It is Europe accepting its legacy, setting it aside for a moment and asking what it can still do with everything it has learned over the past four decades.
And perhaps that is the most appropriate way to celebrate 40 years of The Final Countdown: not by looking back, but by showing that the countdown is not over yet.
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| Andy Ford |
sábado, 19 de setembro de 2026
Dread Witch: Death/Doom Imerso na Literatura de Horror e Cinema Cult
Por: Fernanda Luísa Fotos: Divulgação
Formado na Dinamarca em 2023 por ex-integrantes de Scamp, Horned Almighty, Stone Cadaver e The World State, o Dread Witch lançará em pleno dia das bruxas o seu segundo álbum, intitulado “Cult“, evocando uma aura totalmente absorta na escuridão, com sua temática inspirada no cinema cult e literatura de horror.
Esse é facilmente um álbum em que você é arrebatado para uma outra dimensão, com uma sonoridade que enlaça o Death/Doom com pitadas generosas de stoner e outras influências musicais que a banda possui, nos trazendo uma precisão cirúrgica na sequência de cada composição.
As três guitarras com afinação grave, que se juntam ao baixo distorcido, bateria estrondosa, vocais ritualísticos e texturas ambientais, criam a parede sonora densa e de atmosfera sinistra.
Já na faixa de introdução “Born Again”, temos uma abertura funesta e bem marcada por uma atmosfera que nos remete à timbres psicodélicos, tipicamente viajantes, e podemos sentir a presença de nomes de peso como influências , como Sleep e Triptykon, e até mesmo um pouco de Pink Floyd.
Na sequência, a faixa título “Cult“, que chega evocando a crueza nada polida dos riffs, que mais parecem ser vindos de uma motosserra.
A bateria e baixo te ancoram no coração da banda, como se fosse uma compressão contra o peito tal o peso avassalador.
"Altar" se destaca com seu andamento arrastado e de aura totalmente sinistra e maléfica, e traz a participação especial de Sofia Schmidt, do Ethereal Kingdoms, que assume o papel da própria Dread Witch, em uma performance tétrica, intensa e perturbadora.
“The Summoning” é quase um transe espiritual com partes em coro e variações vocais impressionantes, ora quase sussurrantes e ora num gutural soberbo.
Podemos notar que não há uma faixa somente que tem destaque, mas sim um novo material tão impactante que é tranquilamente a prova de que quando os músicos estão na mesma sintonia, tudo se transforma em um monumento sonoro de produção musical, instrumental e lírica gigante.
O álbum foi produzido, mixado e masterizado pelo lendário produtor dinamarquês Tue Madsen, cujos extensos créditos incluem Meshuggah, Baest, Moonspell, The Haunted e Belphegor, entre muitos outros.
Tudo milimetricamente não artificial, orgânico e com uma aura de filme de terror dos anos 80.
Aproveite a imersão na obra, pois ela merece uma audição como um todo.
Lançamento: DHU Records / Bottomless Pit / Gateway Music
Tracklist:
Cult
Cyclops
Altar
Marrow
Vesexuff
Omen of Oblivion
Dread Witch é:
Dennis Larsen - Drums
Andreas Cadaver - Guitar
Leifur Nielsen - Bass & Vocals
Jesper Kragh - Lead Guitar
******English Version*****
Dread Witch: Death/Doom Immersed in Horror Literature and Cult Cinema
Review by: Fernanda Luísa
Formed in Denmark in 2023 by former members of Scamp, Horned Almighty, Stone Cadaver, and The World State, Dread Witch will release their second album, titled "Cult," on Halloween. Evoking an aura completely absorbed in darkness, its themes are inspired by cult cinema and horror literature.
This is easily an album that transports you to another dimension, with a sound that blends Death/Doom with generous hints of stoner and other musical influences the band possesses, bringing surgical precision to the sequence of each composition.
The three low-tuned guitars, joined by distorted bass, thunderous drums, ritualistic vocals, and ambient textures, create a dense wall of sound and a sinister atmosphere.
In the opening track, “Born Again,” we have a somber and well-defined atmosphere reminiscent of psychedelic sounds and foreign journeys, and we can feel the presence of heavyweight influences such as Sleep and Triptykon, and even a touch of Pink Floyd.
Following this, the title track “Cult” evokes the unpolished cross of riffs that sound more like they're coming from a chainsaw.
The drums and bass anchor you to the heart of the band, as if pressed against your chest with such overwhelming weight.
"Altar" stands out with its dragging tempo and totally sinister and malevolent aura, and features a special guest appearance by Sofia Schmidt from Ethereal Kingdoms, who takes on the role of the Dread Witch herself, in a grim, intense, and disturbing performance.
"The Summoning" is almost a spiritual trance with choral parts and impressive vocal variations, sometimes almost whispering and sometimes in a sober guttural style.
We can see that there isn't just one standout track, but rather a new material so impactful that it's easily proof that when musicians are in sync, everything transforms into a giant sonic monument of musical, instrumental, and lyrical production.
The album was produced, mixed, and mastered by the legendary Danish producer Tue Madsen, whose extensive credits include Meshuggah, Baest, Moonspell, The Haunted, and Belphegor, among many others.
Everything is meticulously natural, organic, and has an aura of an 80s horror film.
Enjoy the work, as it deserves a full listen.
Release: DHU Records / Bottomless Pit / Gateway Music
Born Again
Cult
Cyclops
Altar
Marrow
Vesexuff
Omen of Oblivion
The Summoning
Dread Witch is:
Mikael Rise - Vocals and Guitar
Dennis Larsen - Drums
Andreas Cadaver - Guitar
Leifur Nielsen - Bass and Vocals
Jesper Kragh - Lead Guitar
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Hansen: Quando Uma Lenda Decide Tocar Sem Mapa
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terça-feira, 15 de setembro de 2026
Metalite: Metal, Tecnologia e Uma Dose de Futuro (Also In English)
Por Michelle F. Santana - @mii.santanna
Se tem uma coisa que o Metalite sabe fazer muito bem é misturar o metal melódico com elementos modernos sem deixar o peso de lado. Formada na Suécia em 2015, a banda vem construindo sua identidade dentro do power metal moderno, acrescentando sintetizadores, elementos eletrônicos e atmosferas cinematográficas. Não é por acaso que o grupo é considerado um dos pioneiros do moderno sci-fi inspired power metal.
Em Discovery, essa proposta aparece ainda mais forte. O conceito futurista e de ficção científica é bastante ousado e está presente não apenas nas letras, mas também na própria sonoridade. Comparando com os trabalhos anteriores, sinto que a banda foi ainda mais fundo nessa ideia de unir o metal melódico aos elementos eletrônicos.
E isso já fica muito claro na primeira faixa, “Our Time Has Come”. A música é explosiva e grandiosa do começo ao fim e resume muito bem o que vamos encontrar pela frente. “In Case of Emergency” segue praticamente a mesma linha, mantendo aquela energia que parece feita para funcionar muito bem ao vivo.
Nos vocais, Erica Ohlsson realmente rouba a cena. A técnica vocal é impecável e ela consegue acompanhar toda a grandiosidade das músicas sem perder clareza ou potência. Para mim, ela é a grande estrela de Discovery.
Também gostei bastante do trabalho instrumental. A bateria de Erik Junttila mantém o álbum sempre em movimento, enquanto Edwin Premberg, nas guitarras, entrega solos bem construídos e momentos que acrescentam ainda mais peso às músicas.
Falando em produção, aqui não tem muito o que reclamar. A mixagem e a masterização ficaram por conta de Jacob Hansen, produtor conhecido por trabalhos com bandas como Amaranthe e Evergrey, e o resultado é realmente impecável. Tudo soa muito limpo, moderno e grandioso, mas sem tirar o protagonismo das guitarras e dos vocais.
Em “Into the Maze”, por exemplo, temos uma faixa mais pesada, com um ótimo solo de guitarra. Já “Echoes of You” começa com piano e traz uma atmosfera um pouco diferente, menos acelerada. É uma das faixas que mais me chamou atenção justamente por conseguir quebrar um pouco a velocidade do álbum sem perder sua identidade.
“Starchild” é provavelmente uma das músicas mais eletrônicas do disco. É dançante, moderna e tem uma energia quase impossível de ignorar, mas continua mantendo o peso do metal. É justamente esse tipo de combinação que faz o Metalite funcionar tão bem.
Outra que gostei bastante foi “Wings of Fire”. A faixa mantém a pegada moderna, mas acrescenta elementos de hard rock, criando um dos momentos mais equilibrados do álbum. A música consegue te transportar para um grande festival. O solo de guitarra também dá um brilho especial à faixa, que, para mim, é uma das melhores do disco.
“Metal Elite” também merece destaque e mantém a energia que encontramos ao longo de Discovery. Já “Triforce”, escolhida para fechar o álbum, funciona muito bem como encerramento porque permanece fiel à proposta tanto musicalmente quanto no conceito futurista.
No geral, Discovery é um disco muito energético. São 12 faixas com bastante eletrônica, refrões explosivos e grandiosos e uma produção extremamente moderna. Confesso que senti falta de um pouco mais de espaço para desacelerar em alguns momentos, talvez uma balada, mas também entendo que essa velocidade constante faz parte da proposta.
Para mim, o Metalite conseguiu entregar exatamente o que se propôs a fazer. Discovery é ousado, ambicioso e muito bem produzido, sendo um prato cheio para quem gosta de power metal melódico e não se incomoda em ver o gênero flertando bastante com a música eletrônica e a estética futurista.
É um disco que parece ter sido feito para ser ouvido alto — e, principalmente, para ser levado para o palco. Eu consigo imaginar facilmente esses refrões enormes sendo cantados por uma plateia inteira.
***ENGLISH VERSION***
If there’s one thing Metalite knows how to do really well, it’s mixing melodic metal with modern elements without losing its heaviness. Formed in Sweden in 2015, the band has been building its own identity within modern power metal, adding synthesizers, electronic elements and cinematic atmospheres. It’s no coincidence that the band is considered one of the pioneers of modern sci-fi-inspired power metal.
On Discovery, this approach becomes even stronger. The futuristic and science-fiction concept is quite bold and can be felt not only in the lyrics, but also throughout the music itself. Compared to their previous releases, I feel the band has gone even further with the idea of bringing melodic metal and electronic elements together.
This becomes clear right from the opening track, “Our Time Has Come”. The song is explosive and grand from beginning to end, and it sums up very well what we’re about to experience. “In Case of Emergency” follows pretty much the same path, keeping that energy that feels like it was made to work really well on stage.
When it comes to the vocals, Erica Ohlsson really steals the show. Her vocal technique is impeccable, and she manages to keep up with all the grandeur of the songs without losing clarity or power. For me, she is the real star of Discovery.
I also really enjoyed the instrumental work. Erik Junttila’s drumming keeps the album constantly moving, while Edwin Premberg delivers well-crafted guitar solos and moments that add even more weight to the songs.
And when it comes to the production, there isn’t much to complain about. The mixing and mastering were handled by Jacob Hansen, a producer known for his work with bands such as Amaranthe and Evergrey, and the result is truly flawless. Everything sounds clean, modern and grand, without taking the spotlight away from the guitars and vocals.
In “Into the Maze”, for example, we get a heavier track with a great guitar solo. “Echoes of You”, on the other hand, opens with piano and brings a slightly different atmosphere, slowing things down a bit. It’s one of the tracks that caught my attention the most precisely because it manages to break up the album’s constant pace without losing its identity.
“Starchild” is probably one of the most electronic songs on the album. It’s danceable, modern and has an energy that’s almost impossible to ignore, while still keeping the weight of metal. This is exactly the kind of combination that makes Metalite work so well.
Another track I really enjoyed is “Wings of Fire”. It keeps the modern approach but brings in some hard rock elements, creating one of the most balanced moments on the album. The song can easily transport you to a huge festival. The guitar solo also gives the track an extra spark and, for me, makes it one of the best songs on the album.
“Metal Elite” also deserves a mention, keeping up the energy we find throughout Discovery. “Triforce,” chosen to close the album, works really well as a finale because it stays true to the album’s proposal both musically and conceptually, especially with its futuristic theme.
Overall, Discovery is a very energetic album. Across its 12 tracks, we get plenty of electronics, explosive and grand choruses, and an extremely modern production. I have to admit that I sometimes missed having a little more room to slow things down, maybe with a ballad, but I also understand that this constant energy is part of the album’s identity.
For me, Metalite delivers exactly what they set out to do. Discovery is bold, ambitious and very well produced, making it a great choice for anyone who enjoys melodic power metal and doesn’t mind seeing the genre flirt heavily with electronic music and futuristic aesthetics.
This is an album that feels like it was made to be played loud — and, most importantly, to be taken to the stage. I can easily imagine those huge choruses being sung by an entire crowd.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Mad Max: 45 anos de histórias, mas ainda olhando para frente
| ROAR (Imp.) |
Por Stephanie Ferreira - @instephanie
Quarenta e cinco anos de carreira costumam colocar uma banda diante de uma escolha: olhar para trás ou tentar provar que ainda existe futuro pela frente. Stories Of Destiny, novo álbum do Mad Max, tenta fazer as duas coisas, e seu maior mérito está justamente em não tratar essas possibilidades como opostas.
Lançado em 4 de setembro de 2026 pela ROAR!, Stories Of Destiny chega como uma celebração dos 45 anos da banda alemã, fundada em Münster por Jürgen Breforth em 1981. Mas o aniversário é apenas o ponto de partida. O álbum reúne material novo, composições que ficaram guardadas por décadas, uma releitura de um clássico da própria banda e até a primeira música do Mad Max com letras em espanhol.
A formação também carrega essa ideia de passado e presente convivendo no mesmo espaço. Alan Clark assume os vocais principais, enquanto Andreas Baesler, primeiro vocalista do Mad Max, retorna ao microfone pela primeira vez em 45 anos. Jürgen Breforth continua sendo o eixo criativo e guitarrístico, acompanhado por Dethy Borchardt, Fabian Watermann e Axel Kruse.
E existe uma diferença importante entre fazer um álbum comemorativo e fazer um álbum sobre a própria história. Stories Of Destiny escolhe a segunda opção.
O resultado é um disco de hard rock melódico que não tenta esconder suas referências oitentistas, mas também não parece interessado em transformar o Mad Max em peça de museu. As guitarras continuam ocupando o centro do palco, os refrões são grandes e a produção de Rolf Munkes mantém tudo limpo e musculoso.
1. “Silver”
“Silver” é uma abertura extremamente segura. A guitarra aparece imediatamente como protagonista e, em poucos segundos, fica claro que o Mad Max não pretende começar seu 45º aniversário com uma balada ou uma introdução excessivamente conceitual. O riff tem peso, mas existe uma leveza melódica por trás dele que impede a música de soar agressiva demais.
É justamente essa combinação que define o disco. O verso é mais contido, enquanto o refrão abre a música e deixa Alan Clark mostrar por que sua entrada na formação é uma das novidades mais importantes desta fase. Sua voz tem uma aspereza interessante. Existe uma referência inevitável ao hard rock melódico clássico, mas Clark não soa como alguém tentando reproduzir vocalistas de outra geração. Ele traz uma personalidade própria, especialmente quando as guitarras ganham peso.
2. “Weapons Of Love”
“Silver” termina deixando uma impressão bastante imediata, e “Weapons Of Love” escolhe não aumentar a velocidade. É uma decisão interessante. A segunda faixa trabalha mais a melodia e o balanço do hard rock do que o peso. O riff é relativamente econômico e o refrão aposta em uma construção bastante clássica de arena rock.
3. “Keep You Alive”
É aqui que Stories Of Destiny finalmente mostra os dentes. “Keep You Alive” começa de maneira mais contida, quase enganando o ouvinte sobre o que está por vir. Quando as guitarras entram com força, a música muda completamente de dimensão.
O riff é mais pesado e o baixo de Fabian Watermann ganha uma presença que não estava tão evidente nas duas primeiras faixas. E o refrão é exatamente o tipo de coisa que o Mad Max sabe fazer bem: grande, direto e feito para crescer quando cantado por uma plateia.
4. “Far Behind”
“Far Behind” muda novamente o clima. Se “Keep You Alive” funciona pelo impacto, aqui o Mad Max trabalha com espaço.
As guitarras são mais abertas e o andamento permite que Alan Clark conduza a música sem precisar disputar atenção com a banda. É uma composição mais emocional, mas não chega a ser uma power ballad convencional. Existe uma melancolia no arranjo, especialmente na forma como as guitarras sustentam as linhas vocais.
5. “Piece Of Candy” — 2026 Version
“Piece Of Candy” é o coração histórico do álbum. O riff que deu origem à música foi o primeiro riff de guitarra escrito por Jürgen Breforth para o Mad Max, em 1981. Quarenta e cinco anos depois, ele volta a ser gravado com a formação atual.
Mas o detalhe que realmente transforma a faixa em algo especial está nos vocais. Alan Clark divide a música com Andreas Baesler, o primeiro vocalista do Mad Max. É impossível ouvir essa escolha apenas como uma participação especial. A música passa a funcionar como uma conversa entre duas épocas da banda.
Instrumentalmente, a nova gravação mantém a essência do hard rock clássico, mas recebe uma produção muito mais definida. As guitarras têm mais corpo, a bateria soa mais robusta e o refrão ganha uma amplitude que provavelmente não existia na gravação original.
6. “‘Til The End Of Time”
Depois da carga histórica de “Piece Of Candy”, o álbum poderia facilmente perder força. Não perde. “‘Til The End Of Time” é a segunda composição recuperada das sessões de 1991, e talvez seja uma das melhores surpresas do disco justamente porque soa como uma peça que encontrou o momento certo para finalmente existir.
A música tem um balanço mais encorpado e uma pegada que remete diretamente ao hard rock europeu do final dos anos 1980 e início dos 1990. As guitarras têm mais presença e o ritmo é mais envolvente. É também uma daquelas faixas em que se percebe como a produção moderna pode beneficiar uma composição antiga sem necessariamente descaracterizá-la.
7. “Bullet”
“Bullet” é onde o disco ganha outra injeção de energia.
O riff tem mais ataque e a guitarra volta a ocupar o primeiro plano. A bateria empurra a composição para frente e o refrão mantém a preocupação melódica que atravessa o álbum. Mas existe algo particularmente interessante aqui: a música tem uma pegada de hard rock americano que lembra, em alguns momentos, aquela tradição de bandas que conseguem equilibrar peso e refrões extremamente acessíveis.
8. “Mad Gone Blind”
“Mad Gone Blind” é uma das melhores músicas do álbum. E é também uma das que melhor mostram o potencial da formação atual.
A estrutura é mais dinâmica, as guitarras têm mais peso e Alan Clark parece especialmente confortável quando a banda aumenta a intensidade. O refrão é grande sem ser excessivamente açucarado, e há uma boa alternância entre momentos de maior agressividade e espaços para a melodia respirar.
9. “She Was Mine”
Depois de “Mad Gone Blind”, o álbum desacelera novamente. “She Was Mine” entra em um território mais sentimental, mas sem abandonar completamente as guitarras.
É uma faixa que depende bastante da interpretação de Clark. Sua voz fica mais limpa e menos agressiva, permitindo que a melodia carregue a música. Não é necessariamente uma composição revolucionária, e provavelmente não precisa ser. Ela representa aquela tradição do hard rock em que a banda deixa a velocidade de lado para construir uma história emocional.
10. “Wings Of Freedom”
“Wings Of Freedom” é a grande balada de Stories Of Destiny. Mas existe uma diferença importante entre uma balada simplesmente colocada no meio de um álbum e uma composição que realmente entende seu papel dentro da sequência.
Aqui, ela chega na hora certa. A música começa de maneira mais delicada e cresce gradualmente, permitindo que as guitarras entrem sem destruir o caráter emocional da composição.
O refrão é amplo e claramente pensado para ser cantado ao vivo. E existe uma espécie de mensagem de encerramento antecipado na letra: liberdade, movimento e a capacidade de seguir adiante.
11. “Dulces Falsos”
E então vem “Dulces Falsos”. A decisão de terminar o álbum em espanhol poderia parecer, à primeira vista, apenas uma curiosidade. Não é.
“Dulces Falsos” é uma nova versão de “Piece Of Candy” e representa o primeiro lançamento do Mad Max com letras em espanhol. A música foi pensada como uma homenagem à base de fãs latino-americana, especialmente importante para a história recente da banda na região. E a escolha de fechar o álbum com ela é bastante inteligente.
Depois de passar 45 anos olhando para sua própria história, o Mad Max termina olhando para fora.
| Steffi Kruse |
Confira a tracklist completa de Stories Of Destiny:
1. Silver
2. Weapons Of Love
3. Keep You Alive
4. Far Behind
5. Piece Of Candy (2026 Version)
6. 'Til The End Of Time
7. Bullet
8. Mad Gone Blind
9. She Was Mine
10. Wings Of Freedom
11. Dulces Falsos













