Por: Renato Sanson
Diretamente de Pelotas/RS, a Foice chega com seu EP de estreia, "Chapter 1" (2025), apresentando um Death Metal que bebe na fonte da velha escola. O trabalho deixa claras as influências de gigantes como Death, Obituary, Entombed e Cannibal Corpse, mas consegue imprimir personalidade própria através de composições agressivas e bem estruturadas.
Musicalmente, o EP transita entre o peso bruto característico do Death Metal old school e passagens mais técnicas, demonstrando que os músicos possuem capacidade além do simples ataque sonoro. Os riffs são bem construídos, a bateria sustenta a violência necessária e os vocais cumprem com eficiência a proposta extrema da banda. A combinação entre brutalidade e técnica funciona de maneira natural, sem parecer forçada ou excessivamente exibicionista.
É verdade que a produção não alcança o nível de grandes lançamentos do gênero. Em alguns momentos, a gravação soa crua e limitada, especialmente quando comparada aos padrões atuais. Entretanto, essa característica acaba funcionando mais como um reflexo da realidade do underground do que como um defeito propriamente dito. A essência da Foice está na composição e na entrega, e isso permanece intacto durante toda a audição.
O maior mérito de "Chapter 1" talvez seja justamente transmitir autenticidade. A banda demonstra entender perfeitamente a linguagem do Death Metal tradicional, mas também deixa sinais claros de evolução e potencial para voos maiores.
Para um trabalho de estreia, o saldo é extremamente positivo e coloca a Foice como um nome promissor dentro da cena extrema gaúcha.
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