Lindsay Schoolcraft abraça o metal moderno em 'Harrowing', mas sacrifica originalidade
Por Michelle F. Santana
A cantora, compositora, pianista e harpista canadense Lindsay Schoolcraft lança seu terceiro álbum de estúdio, Harrowing. Para quem acompanhou sua trajetória recente, o novo trabalho representa um retorno a uma abordagem mais próxima de Martyr (2019) do que dos lançamentos que vieram depois. Enquanto Words Away (2020) destacou sua sensibilidade como harpista e Rushing Through the Sky (2022) explorou de forma mais evidente sua identidade ao piano, o novo álbum aposta em uma sonoridade alinhada ao metal moderno, priorizando impacto imediato, peso e atmosferas densas.
Os elementos atmosféricos, os arranjos cinematográficos, as influências do metal alternativo e a forte presença de melodias melancólicas permanecem intactos, agora acompanhados por uma produção mais robusta e contemporânea. Liricamente, o disco funciona como um manifesto conceitual de sete faixas centrado na superação e na cura após relacionamentos abusivos marcados pelo narcisismo, o que confere ainda mais urgência e intensidade emocional às composições.
Ao longo de pouco mais de 25 minutos, Harrowing reúne praticamente todos os elementos que definem o metal moderno: atmosferas densas, refrãos emotivos, peso calculado, passagens eletrônicas e vocais que transitam entre fragilidade e agressividade. O resultado é tecnicamente sólido e acessível, mas raramente se distancia das fórmulas que inspiram sua construção.
A abertura com "Mercy Has Come" estabelece imediatamente a proposta do álbum. Camadas atmosféricas, vocais etéreos ao fundo e passagens eletrônicas conduzem a faixa até um refrão carregado de emoção e peso. A composição funciona bem como cartão de visitas do disco, embora evidencie uma característica que acompanha boa parte do repertório: a familiaridade com estruturas e soluções já bastante consolidadas dentro do gênero.
O momento mais interessante do álbum surge em "Crucified". Construída sobre um groove marcante, a faixa combina elementos do metalcore contemporâneo com uma abordagem melódica e acessível. Os teclados assumem papel fundamental na construção da atmosfera, enquanto o refrão explode com energia suficiente para se tornar um dos momentos mais memoráveis do disco. As passagens eletrônicas enriquecem os arranjos sem comprometer o peso da composição, resultando em uma das músicas mais equilibradas e cativantes do álbum.
Entre os destaques, "Cut Your Teeth" merece atenção especial. A faixa apresenta uma faceta menos explorada por Schoolcraft, que se aventura em vocais guturais com surpreendente naturalidade. Longe de soar forçada, a abordagem acrescenta intensidade à composição e revela um potencial que poderia ser explorado com mais frequência em trabalhos futuros.
Com apenas 25 minutos de duração, Harrowing evita excessos e entrega uma experiência coesa do início ao fim. A curta duração contribui para que o álbum mantenha seu ritmo sem momentos de desgaste ou dispersão, embora também deixe a sensação de que algumas ideias poderiam ter sido desenvolvidas com maior profundidade. Lindsay Schoolcraft demonstra talento como compositora e intérprete, sustentando o trabalho com boas melodias, performances consistentes e uma produção impecável. No entanto, ao privilegiar uma fórmula já consolidada dentro do metal contemporâneo, o disco acaba deixando em segundo plano algumas das características que tornaram seus lançamentos anteriores mais distintos. O resultado é uma coleção de canções competentes e agradáveis, que confirma a qualidade da artista, mas raramente alcança a mesma personalidade demonstrada em seus trabalhos mais intimistas.
***ENGLISH VERSION***
Lindsay Schoolcraft Embraces Modern Metal on Harrowing, but Sacrifices Originality
Canadian singer, songwriter, pianist, and harpist Lindsay Schoolcraft returns with her third studio album, Harrowing. For those who have followed her recent career, the new release represents a return to an approach closer to Martyr (2019) than to the records that followed. While Words Away (2020) highlighted her sensitivity as a harpist and Rushing Through the Sky (2022) showcased her artistic identity through piano-driven compositions, Harrowing embraces a sound firmly rooted in modern metal, prioritizing immediate impact, heaviness, and dense atmospheres.
The atmospheric elements, cinematic arrangements, alternative metal influences, and strong presence of melancholic melodies remain intact, now supported by a more robust and contemporary production. Lyrically, the album serves as a seven-track conceptual statement centered on overcoming and healing from narcissistic abuse, lending an added sense of urgency and emotional intensity to the material.
Across just over 25 minutes, Harrowing incorporates nearly every hallmark of modern metal: dense atmospheres, emotional choruses, calculated heaviness, electronic passages, and vocals that shift between vulnerability and aggression. The result is technically solid and highly accessible, though it rarely strays far from the formulas that inspire its construction.
Opening track "Mercy Has Come" immediately establishes the album's direction. Atmospheric layers, ethereal background vocals, and electronic textures guide the song toward a chorus filled with emotion and weight. It works effectively as an introduction to the record, while also highlighting a characteristic that runs through much of the material: a reliance on structures and solutions that have become deeply familiar within the genre.
The album's most compelling moment arrives with "Crucified." Built around a memorable groove, the track blends contemporary metalcore elements with a melodic and accessible approach. The keyboards play a central role in shaping the atmosphere, while the explosive chorus stands out as one of the record's most memorable moments. Electronic passages enrich the arrangement without diminishing its heaviness, resulting in one of the album's most balanced and engaging songs.
Among the highlights, "Cut Your Teeth" deserves special mention. The track reveals a less explored side of Schoolcraft, who experiments with harsh vocals with surprising confidence and naturalness. Far from feeling forced, the approach adds intensity to the composition and hints at a direction that could be explored more extensively in future releases.
At only 25 minutes in length, Harrowing avoids excess and delivers a cohesive listening experience from beginning to end. Its brevity helps maintain momentum and prevents the material from becoming repetitive, although it also leaves the impression that some ideas could have been explored in greater depth. Lindsay Schoolcraft once again demonstrates her strengths as both a songwriter and performer, carrying the album with strong melodies, consistent performances, and impeccable production. However, by favoring a well-established modern metal formula, the record pushes some of the qualities that made her previous releases more distinctive into the background. The result is a collection of competent and enjoyable songs that reaffirms Schoolcraft's talent, but rarely reaches the same level of personality found in her more intimate works.
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| Divulgação |


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