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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Cobertura de Show: Wacken Open Air – 02/08/2025 – Schleswig-Holten/GE

Rainning or Muddy – o tempestuoso último dia do Wacken

O público acordava cedo em uma manhã chuvosa, talvez os céus estivessem tristes pelo último dia de celebração dentro do Holy Ground. Desta vez não consegui participar do metal yoga, mas já tinha em mente shows épicos para o desfecho do festival.

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Destruction 13:45 Louder Stage

Destruction trouxe uma aula de thrash clássico sob chuva e lama. O setlist no Wacken 2025 foi implacável e certeiro: “Curse the Gods”, “Invincible Force”, “Nailed to the Cross”, “Mad Butcher”, “Life Without Sense”, “Diabolical”, “Total Desaster”, “No Kings No Masters”, “Destruction”, “Bestial Invasion” e “Thrash ’Til Death”.

Nayara Sabino

Os riffs vinham cortantes e precisos, o vocal rasgando sobre o som pesado como o melhor que o thrash metal tem a oferecer. O público, ainda acordando para a lama, foi arrastado sem alternativa — a energia é contagiante desde o primeiro acorde. Mesmo enfrentando um palco escorregadio, a banda manteve firmeza, e o mosh cresceu conforme as músicas mais pesadas subiam, criando conexão instantânea entre banda e plateia.

Nayara Sabino
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Floor Jansen 15:15 Harder Stage

A apresentação solo de Floor Jansen se destacou por sua versatilidade e repertório generoso. Ela trouxe canções de várias fases de sua carreira — After Forever, ReVamp, Nightwish e material solo — costurando momentos de intensidade com outros mais líricos.

Nayara Sabino

Destaques do show incluíram “Nemo”, “Spider Silk”, “Amaranth”, “Energize Me”, “7 Days to the Wolves”, “While Love Died” e “Face Your Demons”. Cada faixa trouxe um sabor diferente, mas todas unidas pela presença de palco impressionante de Floor, dominando o Harder Stage mesmo com chuva e vento.

A performance mostrou tanto a técnica vocal refinada quanto empatia com a plateia — momentos de silêncio entre músicas, abraços coletivos nas letras mais conhecidas e catarse quando ela subia no registro mais alto.

Nayara Sabino
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*W.A.S.P. 17:45 Harder Stage

Um show histórico: pela primeira vez na história, W.A.S.P. abriu o concerto já com“I Wanna Be Somebody”,  que veio em sequência de um solo de bateria do nosso caríssimo Aquiles Priester música que normalmente fecha shows, introduzindo imediatamente a energia que viria.

Nayara Sabino

Eles tocaram o álbum de estreia W.A.S.P. (1984) na íntegra, com músicas como “L.O.V.E. Machine”, “The Flame”, “B.A.D.”, “School Daze”, “Hellion”, “Sleeping (in the Fire)”, “On Your Knees”, “Tormentor” e “The Torture Never Stops”. Blackie Lawless anunciou que algumas dessas músicas provavelmente não serão mais tocadas ao vivo, tornando esse show uma despedida especial.

Nayara Sabino

O encore incluiu clássicos como “The Real Me”, “Forever Free”, “The Headless Children”, “Wild Child” e “Blind in Texas”. O Harder Stage tremeu com a entrega da banda e o público cantou cada refrão, lama e chuva transformadas em pura celebração.

Nayara Sabino
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*Within Temptation 19:15 Faster Stage

Within Temptation apresentou um setlist equilibrado entre clássicos e músicas recentes, incluindo “We Go to War”, “Bleed Out”, “Faster”, “In the Middle of the Night”, “Stand My Ground”, “Wireless”, “Shot in the Dark”, “Angels”, “Paradise (What About Us?)”, “Don’t Pray for Me”, “Supernova”, “Lost”, “The Reckoning” e encores como “Our Solemn Hour”, “Shed My Skin”, “Ice Queen” e “Mother Earth”.

*Wacken Press

Sharon den Adel comentou sobre o mundo estar menos empático antes de tocar “Stand My Ground”, conectando o público à mensagem de seu último álbum. Também destacou seu apoio à Ucrânia, mencionando a colaboração com o músico ucraniano Alex Yarmak e o videoclipe gravado em Kyiv, reforçando que a música pode ser ferramenta de mobilização e solidariedade.

*Wacken Press

O show combinou poderosas paisagens sonoras, sintetizadores e guitarras densas com momentos de emoção, reforçando o compromisso da banda com causas humanitárias e sociais.

*Wacken Press
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Gojira 21:00 Faster Stage

Gojira foi o concerto que me fez descobrir a banda ao vivo. O entrosamento dos membros era impressionante: riffs pesadíssimos, timbres graves que rasgavam o ar, pausas dramáticas e como o baterista que vos escreve, a bateria de Mario Duplantier, precisa e brutal, com fills complexos mesmo no palco lamacento.

Nayara Sabino

Músicas como “Stranded”, “Silvera” e “Flying Whales” foram destaque, cada uma reforçando a fusão entre técnica e impacto emocional. O público respondeu com entusiasmo, mesmo lutando contra a lama. Perdi minhas anotações nesse show, engolidas pelo chão enlameado — mas a energia e a intensidade ficaram gravadas na memória.

Nayara Sabino
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King Diamond 23:00 Louder Stage

O encerramento da noite não poderia ter sido mais teatral. King Diamond trouxe cenários macabros, iluminação dramática e vocal inconfundível. O setlist incluiu “Halloween”, “Sleepless Nights”, “Welcome Home” e outros clássicos. O público cantou em uníssono, vivendo cada refrão como ritual.

*Wacken Press

O palco refletiu o peso histórico de King, desde seus dias com o Mercyful Fate, e sua presença de palco magnética transformou o Louder Stage em um espetáculo de horror e heavy metal memorável.

*Wacken Press
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Machine Head 23:00 Faster Stage

Sob forte chuva, Machine Head dominou o encerramento do Faster Stage — verdadeiros mestres da noite. Em cada pausa entre músicas, eles tinham a plateia nas mãos, construindo tensão antes de explodir em riffs e grooves pesados.

O setlist incluiu “Imperium”, “Ten Ton Hammer”, “CHØKE ØN THE ASHES ØF YØUR HATE”, “Now We Die”, “Is There Anybody Out There?”, “ØUTSIDER”, “Locust”, “BØNESCRAPER”, “Declaration”, “Bulldozer”, “From This Day” e “Davidian”.

O som era denso e grave, mas claro, mesmo sob chuva e lama. Cada faixa foi executada com precisão e intensidade, culminando em “Davidian”, que encerrou o festival com fúria controlada e energia máxima.


Com toda a certeza o Wacken é e sempre será um festival único.

Não importa a chuva, a lama, o sol ou poeira da edição, sempre se entrega o melhor do heavy metal em rock n’ Roll no Holy Ground. Todos felizes e unidos pelo som que amam e fazem parte do seu dia a dia com seus artistas favoritos em momentos épicos. Mal posso esperar a edição 2026. 

Nayara Sabino

Texto: Lukka Leite

Fotos: Nayara Sabino (*exceto onde indicado)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Destruction – setlist: 

Curse the Gods

Invincible Force

Nailed to the Cross

Mad Butcher

Life Without Sense

Diabolical

Total Desaster

No Kings No Masters

Destruction

Bestial Invasion

Thrash 'Til Death


Floor Jansen – setlist: 

Wolf and Dog

Noise

Invincible

Storm

Spider Silk

Amaranth

Energize Me

7 Days to the Wolves

While Love Died

Face Your Demons

Nemo

Fire


W.A.S.P – setlist: 

I Wanna Be Somebody

L.O.V.E. Machine

The Flame

B.A.D.

School Daze

Hellion

Sleeping (in the Fire)

On Your Knees
o
Tormentor

The Torture Never Stops

Bis

The Real Me

Forever Free

The Headless Children

Wild Child

Blind in Texas


Within Temptation – setlist: 

We Go to War

Bleed Out

Faster

In the Middle of the Night

Stand My Ground

Wireless

Shot in the Dark

Angels

Paradise (What About Us?)

Don't Pray for Me

Supernova

Lost

The Reckoning

Bis

Our Solemn Hour

Shed My Skin
(with Annisokay) (Christoph Wieczorek)

Ice Queen

Mother Earth


Gojira – setlist: 

Only Pain

The Axe

Backbone

Stranded

Flying Whales

The Cell

From the Sky

Another World

Under the Sun/Every Day Comes and Goes (Black Sabbath cover)

Silvera

Mea culpa (com Marina Viotti)

The Chant

Amazonia

L'enfant sauvage

The Gift of Guilt


King Diamond – setlist: 

Arrival

A Mansion in Darkness

Halloween

Voodoo

Spider Lilly

Two Little Girls

Sleepless Nights

Welcome Home

The Invisible Guests

The Candle

Masquerade of Madness

Eye of the Witch

Burn

Bis

Abigail


Machine Head – setlist: 

Imperium

Ten Ton Hammer

CHØKE ØN THE ASHES ØF YØUR HATE

Now We Die

Is There Anybody Out There?

ØUTSIDER

Locust

BØNESCRAPER

Bulldozer

From This Day

Davidian

Bis 

Halo

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Guia do Wacken 2025: Guns N’ Roses, Gojira, Papa Roach e mais

Nos dias 30 e 31 de julho e de 1º a 2 de agosto, acontece mais uma edição do Wacken Open Air, um dos festivais mais importantes de heavy metal do mundo, realizado anualmente na Alemanha. Serão mais de 200 bandas divididas em oito palcos, com destaque para os principais: Faster, Harder e Louder, que recebem os shows mais aguardados.

Além dos shows, o Wacken Open Air oferece uma experiência imersiva única para os fãs de metal. A lendária área de camping, que acomoda milhares de pessoas, é tomada por headbangers do mundo inteiro e conta com uma infraestrutura completa com zonas temáticas, pontos de alimentação, mercados e áreas com banheiros e chuveiros disponíveis durante os quatro dias de festival.

Mas a experiência vai muito além da música. O festival também oferece uma ampla variedade de atrações, como workshops, sessões de autógrafos, espaço para cosplay e performances medievais – uma verdadeira celebração da cultura alternativa e do universo metal.

Nesta matéria, vamos destacar os headliners desta edição, que incluem nomes como Guns N' Roses, Gojira, Papa Roach, Machine Head, entre outros.


Guns N' Roses

Liderado pelo vocalista Axl Rose, o Guns N' Roses continua conquistando novos fãs ao redor do mundo com clássicos como "Welcome to the Jungle", "Paradise City" e "Sweet Child O' Mine". Originária de Los Angeles, a banda possui seis álbuns de estúdio. Appetite for Destruction (1987), um dos álbuns de estreia mais vendidos da história, é até hoje o mais bem-sucedido da carreira. Com quase 40 anos de estrada, Axl, ao lado do guitarrista Slash e do baixista Duff McKagan – que retornaram ao grupo em 2016 –, segue lotando arenas e festivais pelo mundo.

Gojira

O Gojira vem se consolidando como uma das melhores bandas de heavy metal da atualidade. Sua mistura de death metal com elementos progressivos, aliada a letras que abordam questões ambientais, chamou a atenção do mundo todo. Com quase três décadas de existência e sete álbuns lançados em sua discografia, a banda vive seus melhores momentos nos últimos anos – o maior deles sendo a participação na abertura das Olimpíadas de 2024, em seu país natal, a França. Liderada pelos irmãos Joe (vocal/guitarra) e Mario Duplantier (bateria), a banda é conhecida por seus shows impressionantes, marcados por intensidade, emoção e uma performance técnica única.

Papa Roach

O Papa Roach é uma das bandas que marcaram época, especialmente para os apreciadores do nu metal. O grupo se consolidou mundialmente com o álbum Infest (2000), que contém o maior clássico dos californianos, "Last Resort", que se tornou um hino do estilo e é indispensável em seus shows. Liderada pelo vocalista Jacoby Shaddix, a banda expandiu seus horizontes musicais ao longo dos anos, incorporando elementos que vão do punk à música eletrônica, sem perder a originalidade que os consagrou como uma das principais bandas dos anos 2000.

Machine Head 

Liderado pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn – único membro original –, o Machine Head renovou a maneira de se fazer thrash metal nos anos 1990 com os álbuns Burn My Eyes (1994) e The More Things Change (1997). Ao longo dos anos, a banda americana se consolidou como uma das principais e mais pesadas representantes do metal moderno. As performances ao vivo são explosivas, rendendo mosh pits e muita energia por parte dos fãs. Mesmo com diversas mudanças na formação, o grupo nunca perdeu a força, mantendo a agressividade como marca registrada.

SERVIÇO

Wacken Open Air 2025 (ALE)

Dias: 30 de julho a 2 de agosto de 2025

Horário: Das 7h às 0h (horário local)

Local: Wacken, Alemanha

Ingressos: Esgotados 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Cobertura de Show - Machine Head - 29/10/23 - Tokio Marine Hall/SP

No último domingo de outubro (29), São Paulo foi palco do encerramento da turnê da banda Machine Head pelo país, a banda já havia se apresentado em Curitiba e no Rio de Janeiro e o Tokio Marine Hall, na Zona Sul da cidade paulista, foi o local escolhido para o encerrar a passagem da banda pelo Brasil.

A casa abriu as portas às 18hrs e teve como banda de abertura o Project46, subindo ao palco às 19:30 com a casa já com um público considerável e com um repertório não muito diferente do que estamos acostumados a esperar da Project, tocaram as conhecidas "Pode Pá", “Violência Gratuita” e “Capa de Jornal” – lembrando que está é a última turnê com o guitarrista Jean Patton.

A banda estava muito à vontade e animada no palco, o público não estava colaborando muito nem mesmo com os pedidos de ‘mosh’ – a duração do show foi rápida e terminou pouco depois das 20hrs.

Alguns minutos para troca de palco e Machine Head inicia os trabalhos com um show repleto dos clássicos da banda e com músicas de seu último trabalho, "Of Kingdom And Crown", lançado em agosto de 2022. A banda passeou pelos seus 10 álbuns de estúdio, e quem é fã da banda não se decepcionou com o repertório de 3hrs: as clássicas "Imperium" (música de abertura, inclusive), "Ten Ton Hammer", "The Blood, The Sweat, The Tears", "Bulldozer", "From This Day" e o medley com "Davidian" e "Halo" encerrou a noite espetacular.

Mesmo sem a voz 100% descansada devido aos shows seguidos e sem day-off, o vocalista Robb Flynn e seus parceiros entregaram um show inacreditável, que quem enfrentou a chuva forte para ver essa apresentação certamente saiu sem arrependimentos.

Flynn interagiu muito com o público, jogava palhetas personalizadas com as cores do Brasil e dividiu com os fãs água e cerveja durante o show, sinal de que a banda estava feliz com o que estavam realizando em cima daquele palco.

Na metade do show em meio ao passeio na carreira da banda, Flynn anuncia que vai tocar alguns covers, a galera agita e receberam com muita animação “Whiplash” (Metallica), “Seasons in the Abyss” (Slayer), “All the Small Things” (Blink-182) e “Hallowed Be Thy Name” (Iron Maiden) – a que mais foi ovacionada foi o cover do Slayer, era de se esperar não é mesmo?

O show foi incrível! Flynn não ficou devendo nada assim como seus companheiros Wacław Kiełtyka "Vogg" (guitarra), Jared MacEachern (baixo) e Matt Alston (bateria), tocaram e esbanjaram muita simpatia com o público desde a primeira até a última música. Se essa apresentação do Machine Head em São Paulo tivesse de ser resumida em uma palavra seria INSANA.

 

Texto: Ingrid Evelin (@inguievelin)

Fotos: André Tedim (@andretedimphotography) – Agradecimentos ao próprio e ao Metal na Lata (@metalnalata) por ceder as fotos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 

 

Realização: Honorsounds / On Stage Agency

Mídia Press: Hoffman & O’Brian

 

Project46

Terra De Ninguém

Violência Gratuita

Capa De Jornal

Dor

Rédeas

Pânico

Corre

Erro +55

Pode Pá

Foda-se (Se Depender De Nós)

Acorda Pra Vida

 

Machine Head

Imperium

Ten Ton Hammer

Choke On The Ashes Of Your Hate

Now We Die

The Blood, The Sweat, The Tears

Unhallowed

None But My Own

Take My Scars

Locust

Is There Anybody Out There?

No Gods, No Masters

Seasons In The Abyss

Old

Aesthetics Of Hate

Darkness Within

Catharsis

Bulldozer

From This Day

Davidian

Halo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Machine Head: Evolução Constante!


Desde The Blackening (2007), o Machine Head vem mantendo um nível de qualidade excelente em seus trabalhos. Claro que, se olharmos pros primórdios da banda, Burn My Eyes (1994) foi uma estréia em grande estilo, seguido pelo bom The More Things Change (1997). Mas depois disso, parecia que a banda havia perdido o rumo. Troca de integrantes, inovações na parte musical, trouxeram desconfiança aos fãs.
               
Em The Blackening, o grupo voltou à boa forma e na seqüência, mais um trabalho excepcional, Unto the Locust (2011). E a questão que ficou na mente dos fãs, foi: Teria como a banda melhorar ainda mais? Resposta: Bloodstone & Diamonds! Um álbum que mantém a genialidade da banda no ápice.


Um Metal denso, pesado, e por que não dizer, inteligente. Assim pode ser descrito o oitavo álbum de estúdio do grupo. Abrindo com a magistral "Now We Die", cujo clipe teve partes censuradas, a banda mantém aquela pegada carregada por um riff pesado e com refrão no melhor estilo Machine Head. Vale um registro para a técnica do baterista Dave Mclain. Nem sempre lembrado, o músico é um dos grandes bateristas da atualidade. "Killers & Kings" é dona de um forte refrão e traz todas as características do Thrash vigoroso e moderno praticado pela banda; Com belos riffs, "Ghosts Will Haunt My Bones" mantém o alto nível do trabalho. Destaque para o vocal de Robb Flynn.

Em um álbum bastante homogêneo fica complicado citar destaques, mas um dos grandes momentos do trabalho é "Sail Into The Black", uma faixa “difícil”, mas que traz á tona toda a capacidade de composição do grupo, em especial de Robb Flynn. Com seus mais de 8 minutos, a música é a prova viva de que o MH não é apenas mais um grupo comum dentro do Heavy Metal; "Eyes Of The Dead" recheada de riffs e solos tipicamente Thrash, é uma porrada na boca do estômago. " In Comes the Flood", mais cadenciada e com um pé na velha escola do Metal (leia-se Black Sabbath), também merece ser citada.


"Game Over" é outro grande momento, com um vocal carregado de sentimento, um dos diferenciais de Robb Flynn, um convite ao headbanging, a faixa tem um excelente trabalho de guitarras, onde o guitarrista Phil Demmel demonstra que é parte fundamental da banda. Cabe também destacar o trabalho do baixista Jared MacEachern, que substituiu Adam Duce, que deixou o grupo em 2013. O álbum encerra com "Take Me To The Fire", que fecha o trabalho de forma grandiosa.


Sem nenhuma dúvida, um dos grandes álbuns lançados em 2014. Produzido pelo próprio Robb Flynn em parceria com Juan Urteaga, "Bloodstone & Diamonds" vem ratificar e consolidar o nome da banda como um dos gigantes do Heavy Metal atual. Longa vida ao MACHINE HEAD!


Resenha por: Sergiomar Menezes
Edição/revisão: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Tracklist:

01 Now We Die        
02 Killers & Kings    
03 Ghosts Will Haunt My Bones     
04 Night of Long Knives      
05 Sail into the Black            
06 Eyes of the Dead             
07 Beneath the Silt    
08 In Comes the Flood         
09 Damage Inside     
10 Game Over           
11 Imaginal Cells (Instrumental)                 
12 Take Me Through the Fire


Conheça mais a banda:

 



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Deep Purple: "Machine Head Facts", 20 Curiosidades/Fatos do Clássico

Capa do Disco "Machine Head"

Hoje em dia são inúmeros os recursos disponíveis em termos de equipamentos para produção de um álbum, porém, nada adianta sem o tal feeling, e o abuso da tecnologia, que inclusive serve para mascarar defeitos e limitações, muitas vezes é utilizado tão exageradamente que torna a música plástica, sem vida, e ainda faz parecer que muitos soem praticamente iguais, mesmos timbres...clones!

Certeza absoluta que muitos que gravam CDs hoje, não sairiam "das caixas" em tempos em que os dinossauros começavam a dominar a terra! Sim, gravar álbuns em condições adversas, praticamente ao vivo, com pegada, alma, música orgânica, com feeling, por gente que realmente sabia tocar seus instrumentos.

Será que tinham em mente o clássico absoluto que gravariam?
Alguns dos grandes clássicos do Rock e Metal, foram gravados assim, com alma, e por isso são clássicos, sentimos a música. E um desses clássicos, aproveitando também a passagem do Purple pelo Brasil no mês passado, é "Machine Head", que possui ali uma coleção de faixas definitivas. Pois bem, em conversa com amigos, acabamos lembrando algumas particularidades desta obra, e aí relembro algumas, que muitos de vocês que estão lendo, devem saber, ou já devem ter lido, mas talvez encontrem algo de novo, e também há os mais jovens, que possam aqui descobrir um pouco mais, as o intuito principal, é fazer uma matéria estilo bate papo com amigos, e incentivar uma divertida discussão, assim como nasceu esta matéria!


 Vamos lá, aos fatos:

- Em Dezembro de 1971, o Deep Purple partiu rumo a Suíça, para gravar o seu sexto álbum de estúdio, sucessor de "Fireball", e o terceiro com a MK II. Por que na Suíça? Por recomendação dos seus contadores e advogados, a fim de ter menos despesas com impostos, resolveram então gravar fora da Inglaterra;

E o som não pode parar...

-  O Purple faria shows nos EUA no final de 71, porém, devido a Ian Gillan ter contraído hepatite, os shows foram cancelados, então, tudo conspirou para Montreaux;

- Enquanto esperava a recuperação de Gillan, e aproveitando tempo disponibilizado pelo cancelamento dos shows nos EUA, Ritchie Blackmore começou a escrever alguma coisa, e foram nascendo "Space Truckin'" e "Smoke on the Water";

- Martin Birch, foi escolhido para ser o engenheiro de som. Nome que virou lenda, produzindo e trabalhando como engenheiro de som, além do Purple, grandes álbuns de bandas como Blue Öyster Cult, Black Sabbath, Jeff Beck, Faces, Iron Maiden, Rainbow e Fleetwood Mac, pra citar alguns;

Ruínas do Mountreaux Casino
- "Machine Head" seria então gravado no Montreaux Casino, e o trabalho começaria após uma apresentação de Frank Zappa lá, e, bom, todo mundo lembra o que aconteceu, alguém disparou um sinalizador e o teto suspenso do casino pegou fogo, fato esse que inspirou a letra e foi devidamente relatado em "Smoke on the Water";

- O famoso estúdio móvel dos Rolling Stones, que foi locado pelo Purple para utilização do equipamento, também estava estacionado no local;

- A banda e mais alguns amigos e membros da equipe, terminaram aquela noite do show de Zappa, à beira de um lago próximo, assistindo o casino queimar, e preocupados com o  estúdio móvel dos Stones, que estava estacionado perto do casino, que acabou sendo "tostado";

- Sem condições de usar o Casino, e após o insucesso no teatro local "The |Pavillion", devido a reclamação dos vizinhos, o que levou a polícia a tirá-los do lugar, a solução foi o Grand Hotel, pelo distância de qualquer vizinho, e em pleno inverno, o que facilitou de estar meio deserto, então a banda se enfurnou nos corredores, utilizando colchões e cobertores como isolação, até conseguir o som ideal nas sessões;

- Tudo foi feito ao vivo, sem overdubs, o que se ouviu no álbum, não foi retocado posteriormente;

- "Never Before", foi a faixa que a banda apostou que seria a ideal para o primeiro single, sentindo que teria um apelo comercial, porém, não foi o que ocorreu, e provavelmente é uma das menos lembradas;

- Por outro lado, "When a Blind Man Cries", faixa adorada pelos fãs, e muito presente nas apresentações ao vivo, não entrou no álbum, e é porque Blackmore não gostava dela, simplesmente;

- E "Smoke on the Water" não estava prevista para entrar no álbum, mas após mostrarem para Claude Nobs (fundador do festival de Montreaux), este disse que aquilo era incrível e tinha que estar no álbum, e se não bastasse (veja que interessante, como estava escrita a história desse clássico), os Warners (donos da gravadora do Purple na época) convenceram a banda que "Smoke on the Water" deveria ser o single, e que  "Never Before", que era a escolhida pela banda, não teria o mesmo potencial. Foram lançados singles com as duas faixas, e sabemos que os Warners entendiam de negócios!;

- Em "Space Truckin'", Gillan lembra que a banda pensou que seria moderno viver na era espacial, então a ideia de ser um "caminhoneiro espacial", como oposto de um caminhoneiro terreno, era interessante;

- E  sobre o riff de "Space Truckin'", Blackmore disse que o lembrava o tema da série "Batman", dos anos 60;


Estúdio Móvel dos Stones

- Ainda sobre "Smoke on the Water", o título surgiu quando Roger Glover acordou com as palavras, alguns dias após o incêndio no Casino, contando que simplesmente veio aquela frase à sua mente, e levou a ideia para Ian Gillan, e das mãos dos dois, nasceu a letra toda, nascendo também o modo que até hoje trabalham, co-escrevendo as músicas;

- A grande abertura, com "Highway Star", e seu famoso solo, já impressionam de cara, e é uma das melhores aberturas de todos os tempos, e sobre o solo, Blackmore confessa que talvez tenha sido o único solo que ele trabalhou em cima, pois sempre foi muito espontâneo com seus solos;

- A banda levou três semanas para concluir as gravações, fazendo praticamente tudo em um take...menos Ian Paice, que perfeccionista, conforme relatou Blackmore em documentário, tocava 10 takes ou mais...e quando Ritchie e Lord largavam seus instrumentos, Paice ainda ficava insistindo por só mais um take!

- Em 25 de março de 1972, "Machine Head" foi lançado, atingindo o primeiro lugar nas paradas britânicas na primeira semana, permanecendo no top 40 por cerca de 20 semanas;

- Nos EUA, chegou ao sétimo lugar, ficando nas paradas por cerca de dois anos;

- Estima-se que o álbum, nos seus 40 anos de vida, já ganhou mais de 50 versões em vinil;

Um pouquinho de uma história cheia de curiosidades, desde o inusitado "estúdio" nos corredores do Grand Hotel de Montreaux, até a história das faixas que o compõe e todos os personagens envolvidos. Para saber mais, recomendo o documentário "Deep Purple - The Making of Machine Head (Eagle Rock DVD - 2002) e  Deu vontade de ouvir o álbum agora!


Um pouco de ar puro após a correria.


Texto: Carlos "Caco" Garcia
Edição, Revisão e Pitacos: Nanda Vidotto
Fontes: Memória, "DVD The Making Of Machine Head", "Classic Rock Magazine Archives"



Track list do vinil original:

Side one             
  
1.            "Highway Star"               6:05
2.            "Maybe I'm a Leo"          4:51
3.            "Pictures of Home"         5:03
4.            "Never Before"               3:56

Side two             

5.            "Smoke on the Water"    5:40
6.            "Lazy"                            7:19
7.            "Space Truckin'"             4:31








terça-feira, 3 de janeiro de 2012

“Unto the Locust” - Nasce Um Clássico do Thrash Metal Moderno

Machine Head lançou um dos melhores discos de 2011 com grande apoio de fãs e mídia


Desde que saiu do Vio-lence e fundou a sua própria banda (isso no ano de 1992), Robb Flynn sempre teve no seu Machine Head uma sucessão de altos e baixos. Se o começo com álbum “Burn My Eyes” (1994) foi destruidor levando a banda a ser considerada os sucessores do Pantera, os álbuns seguintes foram ladeira abaixo, sendo que as influências de Alternametal auxiliava muito a expulsar os fãs mais tradicionais.

A banda poderia ser condenada ao ostracismo, porém “Through The Ashes of Empires” de 2004 foi uma volta sadia às raízes, indicando que a banda tinha aprendido com os erros do passado e a partir dali sua discografia iria ser finalmente consistente, prova disso veio com o irretocável “The Blackening” (2007).
Robb Flynn agita muito nos shows da banda, esbanjando agressividade

Contudo, 4 anos se passaram e é muito gratificante pode dizer que estamos frente a um álbum que será elevado ao posto de clássico em curto período de tempo, pois o que se encontra em “Unto the Locust” (2011) são influências do Metal tradicional, do Thrash e até mesmo do progressivo (todas as músicas aqui passam dos seis minutos), tudo isso associada à agressividade que já é característica da banda.

A maturidade vigente nas músicas se apresenta também nas composições. Aqui é inegável apontar que a dupla Robb Flynn (vocal e guitarra) e Phil Demmel (guitarra) voltou a funcionar, impossível não lembrar em algumas passagens de clássicos da época do Vio-lence como “Eternal Nightmare” (1988).


Machine Head fez sua primeira turnê no Brasil em outubro de 2011 (Road to Metal conferiu de perto)

“I Am Hell” pode até enganar porque começa com uma passagem mais climática, cantada em latim, mas rapidamente um riff invade o som e a pancadaria começa. A musica é dividida em 3 partes e nenhuma delas se torna cansativa, o mesmo raciocínio vale para a ultima faixa do CD, “Who We Are”, que tem como intro um coral de crianças, mas como já foi dito, é rápido e legal destacar que nessa faixa Flynn canta mais agressivo, fechando o trabalho da mesma maneira que começou: destruidor.

Não poderia fechar essa resenha sem salientar duas músicas em especial: “Locust” que foi escolhida como primeiro single e apresenta um duelo de guitarras que deixariam Adam Smith e Dave Murray (Iron Maiden) orgulhosos tamanha a sincronia e peso dessa composição, e “Darkness Within” que possui um andamento que pode até mesmo ser chamado de balada, mas não espere aquele som insosso pois aqui a banda transmite uma grande carga de emoções e impossível não se impressionar com essa faixa. Na real, impossível é não se impressionar com o CD inteiro.

Finalmente, Machine Head conseguiu marcar seu nome na história do Metal e lançar um CD marcante para todos os fãs de música pesada em um ano com tantos bons lançamentos, “Unto The Locust” é merecedor do título de clássico com folga.

 

Texto: Luiz Harley

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação

 

Ficha técnica

Banda: Machine Head
Álbum: Unto The Locust
Ano: 2011
País: EUA
Tipo: Thrash Metal

Formação
Robb Flynn (Vocal e Guitarra)
Phil Demmel (Guitarra e Vocais de Apoio)
Adam Duce (Baixo)
Dave McClain (Bateria)



Tracklist

1. 'I Am Hell (Sonata In C#)'/'Sangre Sani (I)'/'I Am Hell (II)'/'Ashes To The Sky (III)'
2. 'Be Still And Know
3. Locust
4. This Is The End
5.Darkness Within
6.Pearls Before The Swine
7. Who We Are.

Acesse e conheça mais sobre a banda

Assista o vídeo oficial de “Locust”